ENCALHE ( Descontinuado em 05.10.2013 )

março 20, 2013

Dinheiro da Privataria Tucana voltando em forma de picolé?

Por que Lemann e Verônica pagaram tanto pelo  picolé?
Tomando como  exemplo a compra da gigante americana Heinz, pelo fundo 3G, de Jorge Paulo  Lemann, há pouco mais de um mês, o negócio foi fechado por duas vezes o  faturamento e 19 vezes o lucro da companhia. No caso da minúscula sorveteria  Diletto, adquirida por Verônica Serra, filha de José Serra, e o bilionário  Lemann, os parâmetros foram totalmente distintos, numa aquisição precificada em  17 vezes o faturamento de uma sorveteria que talvez ainda nem tenha começado a  lucrar. Ou há muita confiança ou algo ainda permanece misterioso na  transação

Brasil 247 – No dia 14 de março deste ano, o fundo 3G,  do bilionário Jorge Paulo Lemann, protagonizou a maior aquisição da história da  indústria alimentícia. Por US$ 23 bilhões, ele e seus sócios compraram a  gigantesca empresa norte-americana Heinz, dona da principal marca de ketchups do  mundo.
Negócios desse porte sempre obedecem a  critérios claros e objetivos. No caso da Heinz, o 3G pagou o equivalente a duas  vezes o faturamento da Heinz, de US$ 11,5 bilhões no ano passado, e 19 vezes o  lucro da companhia. Essa relação preço/lucro, o chamado P/E (price/earnings), é  o principal parâmetro utilizado em avaliações de empresas. Uma relação de dez  vezes o lucro, muitas vezes, é adequada numa aquisição, mas há também casos em  que se pagam prêmios, como no caso da Heinz.
Nada, no entanto, é comparável ao negócio  fechado por Lemann e Verônica Serra, sócios do fundo Innova, na compra de 20% da  minúscula sorveteria Diletto, de Cotia (SP), por R$ 100 milhões. A empresa, que  tem dois anos de vida e fatura R$ 30 milhões por ano, foi avaliada em R$ 500  milhões. Ou seja: 17 vezes o faturamento. Se o critério utilizado na Heinz fosse  semelhante, a empresa americana valeria US$ 195,5 bilhões, e não os US$ 23  bilhões pagos pelo 3G. A relação preço/lucro da Diletto é desconhecida, uma vez  que seus números não são públicos e não se sabe sequer se a companhia começou a  lucrar.
Procurados pela reportagem do 247, nem o fundo  Innova nem o bilionário Lemann informaram quais foram os critérios que embasaram  a aquisição. Por exemplo, quem fez a avaliação e quais foram os parâmetros  utilizados?
Verônica, como se sabe, é filha de José Serra  e teve seus negócios esquadrinhados no livro “Privataria Tucana”, um best-seller  publicado pelo jornalista Amaury Ribeiro Júnior.  Depois de uma bolsa de  estudos em Harvard, concedida pelo próprio Jorge Paulo Lemann, ela se tornou  gestora de fundos de investimento, ao lado do marido Alexandre Bourgeois.
Lemann, por sua vez, foi diretamente  beneficiado no governo FHC, pela decisão mais importante de sua trajetória  empresarial: a aprovação, pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o  Cade, da fusão entre Brahma e Antarctica, ocorrida em 1999, que lhe deu 70% do  mercado brasileiro e musculatura monopolista para crescer em outros  países.
Naquele momento, o Cade era presidido por  Gesner Oliveira e José Serra era candidato à sucessão de FHC. Serrista de  carteirinha, Gesner se tornou presidente da Sabesp, estatal de saneamento, no  governo tucano. E, depois da fusão Brahma-Antarctica, o Cade jamais voltou a  permitir a realização de outros atos de concentração de mercado tão intensos.  Por exemplo, ao comprar a Sadia, a Perdigão se viu forçada a vender vários  ativos.
Leis que restringem monopólios existem nos  Estados Unidos desde o início do século passado para proteger indivíduos e  consumidores do poder das grandes corporações. Recentemente, ao tentar comprar a  cervejaria mexicana Modelo, Lemann teve suas pretensões barradas por autoridades  regulatórias dos Estados Unidos, país onde ele também enfrenta a acusação de  aguar a cervejaria Budweiser, prejudicando a qualidade de um ícone americano, em  favor do lucro.
O caso Diletto é tão fora dos padrões que  gerou até uma movimentação atípica, nos meios de comunicação, para preservar as  imagens de Lemann e de Verônica. Nas reportagens, o nome da filha de Serra  aparece no fim, quase escondido. Além disso, embora a transação tivesse sido  anunciada na noite de segunda-feira, uma reportagem-exaltação já aparecia  impressa, na manhã do dia seguinte, na versão brasileira da revista Forbes,  sobre o “estilo Lemann” e o porquê da decisão de entrar no mercado de  sorvetes.
Em reportagem anterior do 247 sobre o caso  (leia mais aqui), diversos leitores levantaram uma questão  intrigante: será que, por meio de uma aquisição totalmente fora dos parâmetros  tradicionais, recursos oriundos da chamada “privataria” estariam sendo  internalizados no Brasil?

EXTRAÍDO DO Blog Sujo  == > Dinheiro da Privataria voltando em forma de picolé?

abril 10, 2012

Serra e a Presidência da República, Por Jasson de Oliveira Andrade

Gosto deste artigo porque falo sobre o livro A PRIVATARIA TUCANA, o livro maldito para os serristas e benquisto pelos seguidores do Aécio. ( JASSON )

Em declaração à imprensa, Serra repetiu a promessa de 2004: Se eleito prefeito em outubro de 2012, ele não vai renunciar, cumprindo os quatro anos de mandato. Será? Depois do “papelzinho” de 2004, ele também declarou à imprensa, em janeiro deste ano, que não iria ser candidato a prefeito. O PSDB resolveu, então, fazer uma prévia para escolher o candidato, com quatro tucanos. Depois, para surpresa geral, Serra voltou atrás e se candidatou. Por esse vai e vem, tem gente que não acredita que desta vez ele vá cumprir a sua promessa de que, eleito, não será candidato a Presidência da República em 2014, o seu grande sonho. Em minha opinião, vai depender de duas hipóteses.
Na primeira hipótese, caso a Dilma tiver a mesma aprovação que tem agora (77%, mais que o FHC e o Lula tiveram), em 2014, ele não sairá e poderá apoiar a reeleição da presidenta como declarou o prefeito Gilberto Kassab. No entanto, se naquele ano a Dilma estiver com uma aprovação baixa, duvido que o Serra não renuncie o mandato para se candidatar. Então, tudo vai depender da avaliação de Dilma em 2014. É o que penso.
O Estadão de 3 de março deu essa manchete: “PREFEITO CONFIRMA TER DITO QUE SERRA PREFERE DILMA A AÉCIO”. Kassab estava se referindo a 2014, levando em conta a minha primeira hipótese. O jornal revelou: “O prefeito Gilberto Kassab (PSD) confirmou ontem [2/3/2012] conversa revelada pelo presidente nacional do PT, Rui Falcão, na qual teria dito ao dirigente petista que o pré-candidato [agora candidato] do PSDB à Prefeitura de São Paulo José Serra apoiaria o nome da presidente Dilma Rousseff nas eleições de 2014, em detrimento do senador Aécio Neves (MG), seu colega de partido”. Kassab não revelou o motivo dessa suposta decisão de Serra. É público e notório que ele, Serra, culpa Aécio pela publicação do livro “A Privataria Tucana”, do jornalista Amaury Ribeiro Jr., um verdadeiro libelo contra Serra e sua família. Demolidor mesmo! Por este motivo não perdoa Aécio.
Não só o senador mineiro. O PSDB censura e patrulha até mesmo quem elogia “A Privataria Tucana”. O jornalista e escritor Elio Gaspari, em Nota na Folha de 28/3/2012, fez essa grave denúncia: “Diga qual foi a publicação onde aconteceu isso: Tendo publicado em seu site uma resenha favorável a um livro, ela foi denunciada pela direção de um partido político e daí resultaram os seguintes acontecimentos: 1) A resenha foi expurgada. 2) O autor do texto foi dispensado. 3) Semanas depois o editor da revista foi demitido. (…) Isso aconteceu na revista “História”, o livro resenhado foi “A Privataria Tucana”, a denúncia partiu do doutor Sérgio Guerra, presidente do PSDB, o jornalista dispensado foi Celso de Castro Barbosa e o editor demitido foi o historiador Luciano Figueiredo”. Se a simples resenha do livro “A Privataria Tucana” mereceu essa retrógrada e violenta reação (patrulha e censura), imaginem então o suposto “culpado” pela publicação do livro? Daí o ódio ao Aécio, que tempos atrás quase chegou à agressão física de Serra contra dois deputados tucanos de Minas Gerais ligados ao senador, conforme já relatei no artigo “A Privataria Tucana e a briga Serra X Aécio”.
Qual das duas hipóteses citadas por mim prevalecerá em 2014? Serra realmente vai apoiar Dilma contra o seu companheiro de partido senador Aécio Neves (PSDB-MG)? Como costumo dizer: A CONFERIR!
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu
Abril de 2012

março 23, 2012

O primo mais esperto de José Serra (VII), Por Amaury Ribeiro Jr.

( Continuação do texto extraído do livro “A Privataria Tucana”, do jornalista Amaury Ribeiro Jr. )

Famílias Serra e Preciado festejam juntas em bar de SP
AMAURY RIBEIRO JR.
Preciado justifica que só foi nomeado conselheiro do Banespa, durante o governo Franco Montoro, devido à influência de peixes graúdos do então MDB. Diz ter sido indicado para o cargo por Ulysses Guimarães e pelo próprio Montoro. O nome de Serra não é citado. “Ganhamos as eleições em São Paulo e participei ativamente de quase todas as campanhas. Graças a essas amizades, os saudosos Franco Montoro e Ulysses Guimarães me indicaram para o Conselho de Administração do Banespa. Luiz Carlos Bresser Pereira aprovou meu histórico e indicação. Permaneci nos dois primeiros anos, ao longo do mandato de Bresser como presidente do banco. Quando Fernando Milliet assumiu o cargo, fui confirmado ao cargo para mais dois anos por minha conduta ilibada.”
Em outubro de 2010, o blog deu um tempo para as memórias. E concentrou se nas notícias da festa de 90 anos da sogra de Espanhol, Tereza Chirica Talán. A festa reuniu cerca de 80 parentes das famílias Serra e Preciado, no Ópera Bar, tradicional casa noturna no bairro de Pinheiros, Zona Oeste da Capital paulista. Em plena campanha presidencial, Serra não pôde comparecer. Em dezembro, Preciado reuniu novamente a família, desta vez para comemorar o aniversário, também de 90 anos da mãe, Assunción Preciado Graciano, em Santo André, na região do Grande ABC. Ao discursar, Preciado não conseguiu segurar a emoção. Antigos aliados do senador Antonio Carlos Magalhães, que nunca morreu de amores por Serra, os adversários baianos de Preciado ironizam. Dizem que o Espanhol, hoje totalmente livre de dívidas, também costuma se emocionar em festas ao lembrar do apoio que sempre recebeu no país. “Viva el Brasil”, costuma brindar Preciado. “Viva la privatización”, emendam seus inimigos. ( HORA DO POVO )

março 21, 2012

O primo mais esperto de José Serra (VI), Por Amaury Ribeiro Jr.

( Continuação do texto extraído do livro “A Privataria Tucana”, do jornalista Amaury Ribeiro Jr. )
As estreitas relações de amizade entre Serra e Preciado
AMAURY RIBEIRO JR.
Disposto a provar que todas as denúncias são somente intrigas da oposição, Preciado está publicando suas memórias sob o título Vida Aberta. Veiculadas em capítulos, desde o começo de 2010 no site da família, a narrativa aborda a trajetória de Preciado e de sua família no Brasil. Preciado conta, por exemplo, que o pai dele Gregório Marín Burdio, perseguido pelo ditador Francisco Franco, teve de abandonar Zaragoza, na Espanha, em meados do século passado. Foi assim que começou a história dos Marín Preciado em solo brasileiro. Os laços de amizade com José Serra, reforçados na década de 1960 em São Paulo, são também tratados detalhadamente.
“Aos 20 anos, retomei meus laços de amizade com a família Serra e Talán, que conhecera no Mercado Central e reencontrei Bidu (Vicência Talán Marín), paixão e amor à primeira vista. Minha esposa há 43 anos e primairmã, por parte de mãe, de José Serra.” O Espanhol volta a falar de Serra ao retratar a história do exílio do ex-governador durante o regime militar. “Naquela época do nosso namoro ( entre Preciado e Bidu), entre 1963 e 1964, Serra era presidente da União Nacional dos Estudantes .
Discursos incendiários, João Goulart, Revolução Militar, exílio.
Primeiro para a Bolívia. Me lembro da ida com o meu sogro, Pedro Talán, à embaixada da Bolívia no Rio de Janeiro, despedida para o exílio numa noite típica de São Paulo em um hotelzinho pequeno, em frente ao aeroporto de Congonhas”.
De acordo com o Espanhol, a proximidade com Serra o teria levado a participar da fundação do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) e da campanha em favor da redemocratização. Garante que teria ajudado a viabilizar a ideia de Alexandre Dupas de fazer o placar das Diretas Já,36 além de angariar recursos para a publicação do livro A transicao democrática que deu certo. As constantes viagens de Preciado ao exterior, onde Serra estava exilado, acabaram estreitando os laços entre os dois. “Encontrei-o em Nova York, na Ithaca Cornell University. Conheci brasileiros exilados, alguns hoje expoentes na política. Serra voltou do exílio sozinho. Mônica e filhos ficaram nos Estados Unidos e ele morou em minha casa durante quase um ano. Nesse período, em inumeráveis reuniões noturnas, nasceu o germe da transição, da volta à democracia, comecou-se a organizar-se o MDB com Ulysses Guimarães, FHC, Franco Montoro e José Gregori.” ( HORA DO POVO )

março 17, 2012

O primo mais esperto de José Serra (V), Por Amaury Ribeiro Jr.

( Continuação do texto extraído do livro “A Privataria Tucana”, do jornalista Amaury Ribeiro Jr. )
O perdão de uma dívida milionária no Banco do Brasil. E o apoio do BB para estrear na privataria…
Preciado vai à luta e compra três estatais sob FHC. Com a bênção de Ricardo Sérgio e o dinheiro da Previ. Altos negócios com um paraíso natural da Bahia.
Preciado recorre a banco ilegal para internar US$ 1,3 mi
AMAURY RIBEIRO JR.
A exemplo de Ricardo Sérgio, além da lavanderia do Banestado, do MTB Bank e da Beacon Hill, o Espanhol não teve nenhuma dificuldade em aprender a fórmula das poções milagrosas para arrecadar dinheiro em operações tecnicamente implausíveis. No final da década de 1990, Preciado descobriu que o Socimer International Bank — mal afamada instituição financeira de capital espanhol — estava atuando clandestinamente no país. Na ocasião, o banco havia mergulhado em um escândalo que causou US$ 200 milhões de prejuízos a cerca de cinco mil clientes.
Grosso modo, o Socimer captava dinheiro de pequenos investidores sob o pretexto de aplicar em títulos na dívida de países emergentes como o Brasil e o Chile. Seria uma transação corriqueira, se os títulos realmente tivessem sido comprados e todo o ervanário não tivesse desaparecido.
Em 2002, ao vasculhar processos judiciais e fazer um levantamento na Junta Comercial de São Paulo, descobri ( * ) que o Socimer, mesmo liquidado, estava atuando como instituição financeira em território brasileiro sem a autorização do Banco Central. Embora sua subsidiária no país, a Socimer do Brasil, pudesse apenas, legalmente, comercializar produtos de importação e exportação, o banco efetuava empréstimos e ajudava empresas e empresários a repatriar valores. Em 15 de outubro de 1997, por exemplo, o banco foi fiador de operação no montante de R$ 2 milhões em que o liquidado Milbanco repassou os créditos de seus correntistas ao Banco Industrial do Brasil. Obtidos durante uma busca de quase dois meses nos cartórios e na Justiça de São Paulo, os documentos revelam que as operações do Socimer eram feitas por meio de contratos particulares à margem das leis financeiras.
A papelada mostra que, no mesmo ano, Preciado recorreu ao mesmo banco para trazer US$ 1,3 milhão das Bahamas, outro paraíso fiscal do Caribe, por meio de uma simulação de empréstimo. Na ocasião, os representantes do banco no país admitiram ao autor que não tinham autorização para realizar esse tipo de transação. Só que, ao contrário do que aconteceu com os correntistas que faliram ao comprar a papelada fantasma do banco, a tentativa de aplicar golpe no Brasil — pelo menos com Preciado não deu certo. O Socimer teve de ingressar com um processo de execução na Justiça de São Paulo para receber a bolada trazida do Caribe. Foi graças ao processo, em fase de conclusão, que o autor teve acesso aos detalhes da transação. Mais uma vez as ligações entre o ex tesoureiro de campanha do PSDB e Preciado vêm tona. Nos autos do processo, Preciado confessa possuir dívida de R$ 82 mil com Ronaldo de Souza — ex-sócio e testa de ferro já falecido de Ricardo Sérgio. A justificativa alegada para a dívida é a aquisição de um terreno.
( * ) “O paraíso fiscal é aqui”. Amaury Ribeiro Jr. em IstoE, edição de 18/09/2002 ( HORA DO POVO )

março 14, 2012

O primo mais esperto de José Serra (IV), Por Amaury Ribeiro Jr.

( Continuação do texto extraído do livro “A Privataria Tucana”, do jornalista Amaury Ribeiro Jr.)
O primo mais esperto de José Serra (IV)
O perdão de uma dívida milionária no Banco do Brasil. E o apoio do BB para estrear na privataria… Preciado vai à luta e compra três estatais sob FHC. Com a bênção de Ricardo Sérgio e o dinheiro da Previ. Altos negócios com um paraíso natural da Bahia.
Amauri Ribeiro Jr.
Aconteceu assim: Souto doou a ilha a cinco integrantes da família Martins — Maria Antônia, Benedita, Ivete, Joel e Angelina — que a reivindicavam havia 30 anos. Pescadores e pequenos comerciantes, os Martins habitavam a ilha desde o começo do século passado. Os cinco aquinhoados só poderiam vender a ilha cinco anos após recebê-la em doação. No entanto, quatro meses após, Preciado tomou posse das terras pela pechincha de R$ 270 mil.
Até então, a relação entre Preciado e os Martins fora tumultuada.
É que o Espanhol também invocava a condição de proprietário da ilha obtendo, inclusive, da Justiça baiana, um mandado de reintegração de posse. O oficial de Justiça Dílson José Ferreira de Azevedo deu um testemunho eloquente sobre os métodos de convencimento aplicados pelos prepostos do primo de Serra.
Azevedo contou que, chegando à ilha, no dia 26 de outubro de 2006, encontrou apenas um casal de velhos — Maria Antônia e Joel Martins — à sombra de uma árvore. Os dois foram oficiados sem qualquer atrito. Entretanto, com a presença de empregados de Preciado, deflagraram-se as hostilidades. Nas palavras do oficial de Justiça à Vara Cível e Comercial da Comarca de Porto Seguro, os capangas dos autores (além de Preciado, a mulher dele, Vicência Talán Marín) “procederam a derrubada e queima do barraco ali existente”. Transcorridos dois meses, “Maria e Joel venderiam a mesma terra a quem lhes havia derrubado e incendiado a casa”. Em 2008, Preciado negociou seus direitos possessórios sobre 112 hectares da ilha para a empresa Bella Vista Empreendimentos Imobiliários. A Bella Vista é controlada pela Dovyalis Participações S.A, presidida pelo especulador belga Philippe Ghislain Meeus.
Preciado, que adquiriu as terras por R$ 270 mil, vendeu-as por R$ 5 milhões a Meeus. Hoje, este pedaço de terra, supostamente o mais valioso da orla sul americana, valeria dez vezes mais. Preciado passou adiante a ilha, mas permaneceria proprietário de mais de 160 hectares na valorizadíssima região de Porto Seguro.
O lance final de Souto ao deixar o governo gerou uma disputa feroz. A começar pelo fato de que, além dos cinco Martins beneficiados, muitos outros membros da mesma família apresentavam-se como posseiros no lugar, alguns deles desde a década de 1930.
A confusão aumentou com o ingresso de um novo elemento na briga: os índios Pataxó. Com faixas com dizeres como “Nós somos os donos da ilha do Urubu”, um grupo de pataxós, chefiados pelo cacique Arakati, realizou um protesto no local e fez uma ocupação simbólica em fevereiro de 2010. Arakati afirma defender os direitos das índias Iracema e Vandelita Alves Martins, filhas do pataxó Aloísio Martins que, em 1964, teria recebido 56 hectares da fazenda Rio Verde — ilha do Urubu — da prefeitura de Porto Seguro.
No começo de 2010, um parecer da Procuradoria Geral do Estado declarou nula a doação da terra. Foi uma resposta à ação popular movida contra Souto que tramita na 8ª. Vara da Fazenda Pública, do Tribunal da Justiça da Bahia, e que acabou aplainando o caminho do primo de Serra. A iniciativa da ação foi do advogado Rubens Freiberger, em nome das duas índias.
Atribulações jurídicas à parte, a ilha parece estar em perigo. Em maio de 2010, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) multou duas vezes a empresa Trancoso Bio Resort Agropecuária Ltda. sob acusação de crime ambiental. A Bella Vista também foi penalizada. As duas empresas são vinculadas ao milionário Meeus. ( Continua… )
( HORA DO POVO )

fevereiro 18, 2012

Juíza absolve Daniel Dantas em processo

A juíza federal Adriana Freisleben de Zanetti, substituta da 5ª Vara Federal Criminal em São Paulo absolveu Daniel Dantas e outras 10 pessoas investigadas pela Polícia Federal na Operação Chacal da acusação de espionagem no caso da empresa de arapongagem Kroll.
Segundo a juíza, não havia provas da culpa dos acusados. O Ministério Público Federal disse que vai recorrer da decisão.
Contudo, na mesma sentença, a juíza condenou 5 pessoas por formação de quadrilha, que poderão recorrer da decisão em liberdade.
A Operação Chacal foi deflagrada pela Polícia Federal em 2004. Na denúncia do Ministério Público Federal Dantas se associou aos outros acusados e cometeu crimes de violação de sigilo pessoal e empresarial contra executivos da Telecom Itália. Dantas mantinha na época uma disputa societária com a Telecom Itália. O bloco de acionistas que compunha a Brasil Telecom, administrada na época pelo banco Opportunity, de Daniel Dantas, contratou a Kroll, com sede em Nova Iorque (EUA), para investigar a Telecom Itália. ( HORA DO POVO )

fevereiro 10, 2012

CPI da Privataria Tucana deve ser instalada em março, avalia o deputado Protógenes Queiroz

O deputado federal Protógenes Queiroz (PCdoB-SP) afirmou que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Privataria Tucana, que vai investigar as fraudes e propinas pagas nas privatizações durante a gestão de Fernando Henrique Cardoso, deverá iniciar seus trabalhos em março. “Eu acredito que na primeira quinzena de março nós já tenhamos uma autorização para escolha dos membros que vão compor a CPI”, avaliou.
Protógenes lembrou que é permitido o funcionamento de cinco CPIs simultâneas, sendo que a da Privataria é a quarta da lista. Outras três, que investigarão o trabalho escravo, a exploração sexual infantil e o tráfico de pessoas, já foram protocoladas. O deputado comentou ainda que o clima na Câmara dos Deputados está bastante favorável à instalação da CPI.
“Já encontrei colegas parlamentares que estão enviando alguns ofícios de apoio para a instalação urgente da CPI”, ressaltou. O pedido de CPI foi baseado nas denúncias do livro “Privataria Tucana”, do jornalista Amaury Ribeiro Jr., que apresenta farta documentação sobre as ligações dos tucanos próximos a José Serra com o processo de depósitos em contas sigilosas nos bancos localizados nos paraísos fiscais do Caribe e a internação do dinheiro para o Brasil.
O jornalista também denuncia que o ex-caixa de campanha do PSDB e ex-diretor da área internacional do Banco do Brasil, Ricardo Sérgio de Oliveira, atuou como “artesão” na construção de consórcios de privatização em troca de propinas.
Segundo Protógenes, os trabalhos da comissão terão grande repercussão nacional, até porque 2012 é um ano eleitoral. “Não terá (a CPI) o andamento comprometido por conta das eleições. O tema irá dominar a pauta política, disso é impossível fugir”, explicou.
( HORA DO POVO )

janeiro 18, 2012

“Privatização no Brasil foi o maior roubo da História ( do planeta )”, diz Amaury Jr

Quem criou o esquema do Banestado foi o Ricardo Sérgio, que também está no esquema das privatizações tucanas”, lembra o jornalista
Eu acho que a privatzação no Brasil foi o maior roubo da História do planeta”, afirmou o jornalista Amaury Ribeiro Júnior, autor do livro “A Privataria Tucana”, obra que denuncia o recebimento de propinas, a evasão e a lavagem de dinheiro por próceres tucanos no processo de privatizações do governo FHC. O livro já vendeu mais de 120 mil exemplares em todo o país. “Não é nem o maior roubo da História do Brasil. É da história do planeta”, destacou Amaury, em entrevista publicada no domingo, no site Paraná Online.
“Se for pegar a operação Uruguai, que levou à cassação do Collor, era uma operação de R$ 5 milhões. E no caso das privatizações, se mapear, como eu mapeei, só um caso de propina foi de R$ 30 milhões para o Ricardo Sérgio de Oliveira. Se você aprofundar a investigação vai ver que foi muito mais ainda. Muito grande. A roubalheira foi maior”, prosseguiu o jornalista. “O Ricardo Sérgio, que tocou as privatizações, recebe o dinheiro no exterior, em paraíso fiscal, do cara que ganhou as privatizações. Eu mostro documentos com pagamentos para esta mesma pessoa. Como é tudo documentado, eles não tiveram como reagir”, disse Amaury.
Amaury Ribeiro vai lançar o livro em Curitiba no próximo dia 19 e falou também sobre a CPI da Privataria, que já foi protocolada pelo seu autor, deputado Protógenes Queiroz (PCdoB-SP), e deve ser instalada assim que os trabalhos legislativos reiniciarem. Segundo o jornalista, “o livro é apenas um marco inicial”. “É necessário abrir a CPI. Não pode acontecer o que aconteceu com o caso Banestado”, disse. “Vai ficar muito mal para o governo se não for instalada a CPI para investigar, porque tem muito mais coisa. Eu mostro só uma parte da coisa. Ela é muito maior”, assinalou.
Sobre a questão do Banestado, Amaury chamou a atenção para o fato de que ali já havia envolvimento de tucanos. “Interessante”, diz ele, “é que as pessoas são sempre as mesmas”. “Por exemplo, quem criou o esquema do Banestado foi o Ricardo Sérgio de Oliveira, que também está no esquema das privatizações tucanas. Ele criou aquelas contas correlatas que tinham no Banco do Brasil e em bancos do Paraguai, um esquema criado para facilitar a vida de comerciantes brasileiros em Ciudad Del Leste, mas que acabou virando um grande duto”, denunciou.
Segundo investigações da Polícia Federal há alguns anos, o Banestado (que era o banco estatal do Paraná vendido para o Itaú em 2000) foi utilizado para a lavagem dinheiro, através das contas CC5, principalmente entre os anos de 1996 e 1997, anos de privatizações. Pelas CC5, segundo apurou a PF analisando as contas de apenas um grupo de 25 brasileiros no Banestado, foram movimentados irregularmente US$ 180,5 milhões.
“Em vez do dinheiro vir para o Brasil, o dinheiro do Brasil ia para fora, para a agência do Banestado em Nova Iorque, de onde saía para ser lavado. Quem baixou a portaria que abriu o duto do Banestado foi o mesmo cara da privatização tucana, que é o Ricardo Sérgio. As coisas são muito ligadas”. Ricardo Sérgio foi o arrecadador de recursos para a campanha de José Serra e ocupou a diretoria internacional do Banco do Brasil, de onde deu carta de crédito e operou os fundos de pensão para viabilizar os consórcios que se beneficiaram das privatizações de FHC, entre os quais os de Daniel Dantas (BR Telecom) e Carlos Jereissati (Telemar).
No livro há farto material mostrando as ligações do processo de entrega do patrimônio público, comandado por José Serra na década de 90, e as propinas depositadas nas Ilhas Virgens Britânicas. Com documentos, o jornalista revela que ao atuar como operador dos consórcios, Ricardo Sérgio de Oliveira usava recursos públicos para ajudar os açambarcadores em troca das propinas. O livro mostra detalhes de como essas propinas foram depositadas nos paraísos fiscais e, depois, internalizadas no Brasil.
Um outro esquema denunciado no livro de Amaury revela, por exemplo, que a empresa “Decidir.com”, que tinha Verônica Serra (filha de Serra) e Verônica Dantas (filha de Daniel Dantas) como sócias, recebeu um aporte de cinco milhões de dólares do Opportunity, vindos das Ilhas Virgens, logo em seguida o consórcio de Daniel Dantas ter sido agraciado com recursos bilionários dos fundos de pensão para adquirir, junto com o Citibank, a Brasil Telecom (BR Telecom).
Falando sobre o silêncio da chamada grande mídia em relação às denúncias e ao sucesso de seu livro, Amaury explicou que isso está ocorrendo “porque o livro bate muito na grande imprensa”. “Fala do comportamento que ela teve nas últimas eleições. Ela teve que engolir calada, e engoliu calada. Está cheio de provas lá. Mostrando o comportamento dela, no mínimo, esquisito”, declarou Amaury.
Amaury disse que apesar do boicote da mídia, seu livro virou um fenômeno. “Até agora vendeu 120 mil exemplares. E pode chegar a 200 mil, 300 mil, porque a procura ainda é grande. Se chegar a este patamar, vai bater tiragens de edições históricas”, lembrou. “Eu passei a ser reconhecido na rua. Eu sou chamado para fazer palestras em países da América Latina. Fui convidado também para ir a Portugal e dei entrevista até para o Jornal ‘O Povo’, da China. Houve muita curiosidade sobre o esquema da lavagem de dinheiro tucano”, completou.
( HORA DO POVO )

janeiro 12, 2012

Amaury diz que CPI da Privataria Tucana vai revelar mais desvios

“Tenho mais 1.000 páginas sobre as falcatruas”, disse o autor que escreveu “A Privataria Tucana”
O jornalista Amaury Ribeiro Junior, autor do livro “A Privataria Tucana”, afirmou, em entrevista à Rádio Itatiaia, de Belo Horizonte, na semana passada, que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) protocolada pelo deputado Protógenes Queiroz (PCdoB-SP) vai trazer a público muito mais denúncias sobre a roubalheira tucana do que as que estão em seu livro. A “CPI da Privataria”, que recebeu 206 assinaturas de apoio, das quais 185 foram validadas – 14 a mais do que o mínimo necessário, deverá ser instalada logo no início dos trabalhos parlamentares de 2012. “Meu livro possui 105 páginas de documentos que comprovam que pessoas ligadas ao PSDB receberam propinas milionárias dos grupos que se beneficiaram das privatizações feitas na época do Fernando Henrique Cardoso, mas eu possuo mais de 1.000 páginas com uma farta documentação sobre as falcatruas”, disse o jornalista. “Estou pronto para colaborar com a CPI e mostrar que os grupos que levaram as teles repassaram propinas para as pessoas do PSDB que pilotaram o processo de privatização. Eles usaram empresas fantasmas nos paraísos fiscais do Caribe para trazer o dinheiro das propinas para dentro do Brasil”, acrescentou. “O Carlos Jereissati, por exemplo, que é irmão do Tasso Jereissati, ficou com uma grande fatia das teles. Ele usou uma empresa localizada nas Ilhas Virgens Britânicas, paraíso fiscal situado no Caribe, para repassar recursos para Ricardo Sérgio, então diretor da área Internacional do Banco do Brasil e caixa de campanha de José Serra e Fernando Henrique”, denunciou Amaury. “Eu tenho documentos que comprovam que Carlos Jereissati, que ficou com a Telemar/OI, depositou recursos na conta de Ricardo Sergio de Oliveira”. “O Ricardo Sérgio dava as cartas de fiança e, através do seu braço direito, o João Bosco Madeiro da Costa, diretor de investimento da Previ, manipulava os fundos para viabilizar os consórcios”, explicou. Ele lembrou que existiam dois grupos operando em paralelo o processo de entrega das empresas de telefonia. Um era comandado pelo próprio Ricardo Sérgio e o outro pelo Mendonça de Barros. “O Mendonção (Luiz Carlos Mendonça de Barros), que tinha sido Ministro das Comunicações, e o Ricardo Sérgio, estavam associados com os grupos do Jereissati e com o Opportunity, do Daniel Dantas”, esclareceu. “Eles bancaram os recursos para viabilizar os consórcios desses grupos e receberam as propinas deles através dos paraísos fiscais”, prosseguiu Amaury, aos ouvintes da Rádio Itatiaia. “Não era uma questão apenas partidária. Era propina mesmo que foi embolsada pelas pessoas envolvidas no processo de privatização. Isso está provado com documentos irrefutáveis e tudo vai ficar muito claro na CPI”, prosseguiu Amaury. “O Ricardo Sérgio manipulava os fundos de pensão e o Mendonça o BNDES. Ninguém tinha dinheiro para comprar as teles”, salientou o jornalista. “Eles obtiveram recursos públicos – do BNDES e dos fundos de pensão – e, além disso, tinham também as cartas de fiança do Banco do Brasil”, apontou. “Eu acusei o Ricardo Sérgio de lavagem de dinheiro e ele me processou. Aí também entrei com um processo chamado ‘exceção da verdade’ e ganhei. Com isso, obtive o direito de ter acesso às provas para me defender dos ataques do Ricardo Sérgio”. “Em 2004, a CPI do Banestado tinha acabado num acórdão. Eu pedi acesso ao relatório. Eles não queriam me entregar os documentos e o juiz disse para eles, ‘ou vocês entregam esses documentos para o Amaury, ou nós invadimos a CPI para pegá-los’. “Foi assim que os documentos vieram à tona”, explicou o autor do livro que bateu recordes de vendagem. Segundo Amaury, só o Ricardo Sérgio internalizou cerca de 20 milhões de dólares e comprou com esses recursos ações de empresas, salas e prédios. “Por coincidência, ele comprou o prédio inteiro onde funcionava o escritório do Marcos Valério em Belo Horizonte”, assinalou. “Eu descobri que eles usavam para a lavagem do dinheiro a mesma empresa, o mesmo escritório, nas Ilhas Virgens, que era usado pela filha do Serra e pelo genro do Serra”. “O dinheiro da Verônica Serra foi mapeado. Logo depois que o consórcio do Opportunity ganhou as empresas de telecomunicações nos leilões, ela pega e monta uma empresa de 5 milhões de dólares em Miami, junto com a irmã do banqueiro dono do Opportunity (Verônica Dantas). A filha do Serra disse que era só diretora, mas eu achei um documento provando que ela era sócia da empresa junto com a Verônica Dantas”, revelou o jornalista. “O mesmo escritório que lavava dinheiro no Caribe jogou o dinheiro na empresa da Verônica Serra. Uma operação clássica de internação de dinheiro”, completou Amaury. O jornalista Eduardo Costa, que entrevistou Amaury, chamou os ouvintes da rádio mineira a se indignarem com a “roubalheira”. ( HORA DO POVO )

janeiro 9, 2012

A Privataria Tucana, o livro que causou uma CPI, Por Jasson de Oliveira Andrade

O livro A Privataria Tucana, diferente do que muita gente pensa, não é um livro ideológico contra a privatização da época do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que é pouco citado na obra. É um livro-denúncia sobre a lavagem de dinheiro no Exterior, trazendo-o “limpo” ao Brasil. Esse tipo de transação é muito usado por doleiros. Maluf, Georgina do INPS e o juiz “Lalau” usaram desses métodos e se deram mal. Os tucanos aperfeiçoaram a “lavagem”. A Privataria Tucana conta como isto ocorreu. O Editor do livro, à página 10, revela: “Essa narrativa não é apenas um amontoado de denúncias baseadas em “fontes”, suspeitas e intrigas de oposicionistas, como se tornou comum em certa imprensa de nosso país. De forma alguma. Todos os fatos aqui narrados estão calcados em documentos oficiais, obtidos em juntas comerciais, cartórios, no Ministério Público e na Justiça”. É, ao contrário do que dizem os tucanos, um livro consistente. Daí a sua enorme repercussão. Como realmente começou a A Privataria Tucana? É o que veremos a seguir.
Tudo começou com Ricardo Sérgio. Quem é esse personagem do livro? O jornalista Amaury revela que ele foi tesoureiro das campanhas de Serra e de FHC. Indicado por Serra, ele dirigiu a área internacional do Banco do Brasil. Daí para frente ele manobrou o dinheiro da privataria. Como se descobriu a tramóia? O jornalista escreveu uma reportagem com acusações ao Ricardo Sérgio, publicada na revista IstoÉ. Ele, então, processou o jornalista e a revista. Foi o pior negócio. Ambos pediram a “exceção da verdade”, que foi concedida pela Justiça. Por essa medida judicial, os processados podem abrir ações que se encontram em sigilo. Foi o que ocorreu. Com a “exceção da verdade”, Amaury teve acesso aos documentos secretos da CPI do Banestado. Só agora revelados, em parte, no livro. Revelações estarrecedoras, consistentes. Aí se descobriu a “pirataria tucana”. Alguns capítulos do livro: 2. BRIGA DE FOICE NO PSDB; 5.APARECE O DINHEIRO DA PROPINA; 6. MISTER BIG [APELIDO DE RICARDO SÉRGIO], O PAI DO ESQUEMA; 8. O PRIMO MAIS ESPERTO DE JOSÉ SERRA; 10. OS SÓCIOS OCULTOS DO SERRA; 12. OS TUCANOS E SUAS EMPRESAS-CAMALEÃO; 13. O INDICIAMENTO DE VERÔNICA SERRA (NA PÁGINA 286, CÓPIA DO DOCUMENTO SOBRE O INDICIAMENTO). 16. COMO O PT SABOTOU O PT. No final de alguns capítulos, constam várias cópias de documentos oficiais, comprovando as denúncias. Por esses capítulos se têm uma idéia do livro.
O curioso é que não é o Serra e seus familiares quem vão processar o autor e editor do livro. E sim o PSDB, que, em tese, não foi acusado. Existe mesmo a suspeita que o tucano Aécio está por trás do livro. É o que pensa Serra. Para ele, A Privataria Tucana tinha o dedo do PT, mas também do fogo amigo. Por que, então, essa manobra? Tudo indica, esta atitude se deve à “exceção da verdade”. Caso fossem Serra e familiares haveria essa medida jurídica. Neste caso, outros processos e documentos seriam abertos e muita coisa, como ocorreu com a CPI do Banespado, viriam à público. Aí seria muito pior para eles!
Em vista dessas graves denúncias do livro A Privataria Tucana, o deputado federal Protógenes Queiroz (PC do B-SP) conseguiu o número necessário para formar a CPI da Privatização. Obteve 185 assinaturas, inclusive de 4 deputados tucanos. Será que agora essa CPI vai prosseguir com aquela outra, do Banestado? Ou como a anterior, não vai dar em nada? Como costumo dizer: A CONFERIR.
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu
Janeiro de 2012

janeiro 7, 2012

Hora do Povo: Documentos desmentem versão de Verônica Serra

A filha de José Serra (PSDB/SP), Verônica Serra, emitiu nota tentando negar as denúncias contra ela contidas no livro “A Privataria Tucana”, do jornalista Amaury Ribeiro Jr. Mas documentos oficiais e públicos, inclusive assinados por ela, a desmentem.
Verônica Serra disse que nunca foi indiciada. Ela está indiciada, sim, na Justiça Federal em São Paulo. Basta consultar o site da Justiça Federal em São Paulo (http://www.jfsp.jus.br), clicar em varas especiais e indicar o número do processo (2003.61.81.000370-5) para ver que ela foi indiciada.
Verônica Serra diz também que era apenas uma funcionária burocrática que cumpria ordens e não foi sócia da irmã de Daniel Dantas na Decidir.com. Segundo ela, ambas apenas se associaram no Conselho de Administração da empresa. Porém, Verônica cai em contradição em sua versão e documentos contrariam sua explicação. Ela foi sócia na sucursal brasileira, Decidir.com do Brasil S.A. (como comprova ata publicada no Diário Oficial do Estado de São Paulo que diz textualmente que ela e Verônica Dantas são sócias da empresa).
Verônica Serra diz que “mentem, também, ao insinuar que eu intermediei negócios da Decidir com governos no Brasil. Enquanto eu estive na Decidir, a empresa jamais participou de nenhuma licitação….”. E verdade. A empresa não participou de nenhuma licitação. Ela conseguiu, quando seu pai era ministro de FHC, contrato com o Banco Central (do governo do Brasil) – sem licitação – para ter acesso ao cadastro de cheques sem fundos. Com isso ela quebrou o sigilo de 60 milhões de brasileiros. ( HORA DO POVO )

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