ENCALHE ( Descontinuado em 05.10.2013 )

maio 31, 2013

Mudança suspeita, Por Leandro Fortes

SATIAGRAHA
Às vésperas da aposentadoria, Roberto Gurgel, em parceria com a mulher, altera de forma inexplicável um parecer e aceita acusações falsas contra o deputado Protógenes Queiroz

Leandro Fortes – CARTA CAPITAL

Em boa medida, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, caminhava para uma aposentadoria tranquila. Desde a sua recondução ao cargo, em 2011, havia se tornado símbolo de um moralismo seletivo e, por consequência, ídolo da mídia. O desempenho no julgamento do “mensalão” petista o blindou de variados lapsos e tropeços, digamos assim, entre eles o arquivamento das denúncias contra o senador goiano Demóstenes Torres, dileto serviçal do bicheiro Carlos Cachoeira, como viria a demonstrar a Operação Monte Carlo.

A três meses de se aposentar, Gurgel decidiu, porém, unir-se à frente de apoio ao banqueiro Daniel Dantas. E corre o risco de se dar muito mal. Em uma decisão inusual no Ministério Público Federal, ele e sua mulher, a subprocuradora-geral da República Claudia Sampaio, alteraram totalmente um parecer redigido por eles mesmos um ano e três meses antes. Não é só a simples mudança de posição a despertar dúvidas no episódio. Há uma diferença considerável entre os estilos do primeiro e do segundo texto. E são totalmente distintas a primeira e a segunda assinatura da subprocuradora-geral nos pareceres.

O alvo principal da ação é o deputado federal Protógenes Queiroz, delegado federal responsável pela Operação Satiagraha, investigação que levou à condenação em primeira instância de Dantas a dez anos de prisão. Há duas semanas, Gurgel e Claudia Sampaio solicitaram a José Dias Toffoli, ministro do Supremo Tribunal Federal, o prosseguimento de um inquérito contra o parlamentar que a própria dupla havia recomendado o arquivamento. Pior: basearam sua nova opinião em informações falsas provavelmente enxertadas no processo a pedido de um advogado do banqueiro, o influente ex-procurador-geral da República Aristides Junqueira.

É interessante entender a reviravolta do casal de procuradores. Em 20 de outubro de 2011, documento assinado pela dupla foi enviado ao STF para tratar de questões pendentes do Inquérito nº 3.152, instaurado pela 7ª Vara Criminal Federal de São Paulo. A ação contra Queiroz, iniciada pelo notório juiz Ali Mazloum, referia-se a pedidos de quebra de sigilo telefônico do então delegado federal, de Luís Roberto Demarco, desafeto de Dantas, e do jornalista Paulo Henrique Amorim, alvo de inúmeros processos judiciais do dono do Opportunity. O parecer foi encaminhado ao Supremo por causa do foro privilegiado assegurado ao delegado após sua eleição a deputado federal em 2010.

Nesse primeiro texto, Gurgel e Claudia Sampaio anotam: “O Ministério Público requereu a declaração de incompetência do citado juízo para processo e julgamento do feito (…); a declaração de nulidade da prova colhida de ofício pelo magistrado na fase pré-processual, bem como o desentranhamento e inutilização”.

O segundo parecer é completamente diferente. Em 12 de março deste ano, o casal solicita a Toffoli vistas dos autos. Alegam, no documento, que um representante de Dantas os procurou “diretamente” na PGR com “documentos novos”. O representante era Junqueira, e os “documentos novos”, informações sobre uma suposta apreensão de dinheiro na casa de Queiroz e dados acerca de bens patrimoniais do delegado. Tudo falso ou maldosamente distorcido.

Apenas seis dias depois, em 18 de março, Gurgel e sua mulher encaminharam a Toffoli outro documento. Tratava-se do encadeamento minucioso de todas as demandas de Dantas transcritas para o papel, ao que parece, pelo casal de procuradores. Ao que parece, pois o estilo do segundo texto destoa de forma inegável da redação do primeiro. Em 11 páginas nas quais consideram “fatos novos trazidos pela defesa de Daniel Dantas”, o procurador-geral e a esposa afirmam ter cometido um equívoco ao solicitar o arquivamento do inquérito em 2011.

O novo parecer acolhe velhas teses de Dantas para explicar seus crimes. Segundo o banqueiro, a Satiagraha foi uma operação montada por desafetos e concorrentes interessados em tirá-lo do mercado de telefonia do Brasil. O Opportunity era um dos acionistas da Brasil Telecom e há quase uma década vivia em litígio com os demais sócios, a Telecom Italia e os maiores fundos de pensão do País.

A mentira incluída pelos procuradores no pedido de reabertura do caso diz respeito à apreensão de 280 mil reais em dinheiro na casa de Queiroz durante uma busca e apreensão determinada pela 7ª Vara Federal de São Paulo em 2010. Segundo Gurgel e Claudia Sampaio, “haveria registro até mesmo de conta no exterior”, e insinuam, com base em “indícios amplamente noticiados na imprensa”, que o deputado do PCdoB teria um patrimônio “absolutamente incompatível” com as rendas de funcionário público. Citam, na lista de suspeitas, dois imóveis doados ao hoje parlamentar por um delegado aposentado da Polícia Civil do Rio de Janeiro, José Zelman.

“É incrível, mas o procurador-geral da República plantou provas falsas em um processo do STF a pedido do banqueiro bandido Daniel Dantas”, afirma Queiroz. E Toffoli não só acatou o pedido da Procuradoria Geral como, na sequência, autorizou a quebra do sigilo bancário do deputado e o sigilo telefônico de Demarco. Postas sob segredo de Justiça, as medidas tomadas pelo ministro do STF só foram informadas ao deputado há 15 dias. Sua primeira providência foi exigir do STF uma certidão dos autos de apreensão e busca citados pelo Ministério Público. O parlamentar foi à sala de Toffoli. Recebido pela chefe de gabinete Daiane Lira, saiu de mãos vazias.

Queiroz solicitou a mesma certidão a Mazloum, que o condenou em 2010 a três anos de prisão por vazamentos de informações da Satiagraha. Uma fonte acima de qualquer suspeita, portanto. Segundo o parecer enviado a Toffoli por Gurgel e senhora, Mazloum ordenara a busca que resultou na apreensão dos tais 280 mil reais. O juiz enviou a certidão ao STF, mas não sem antes declarar publicamente a inexistência de qualquer apreensão de dinheiro na residência do delegado. “Isso é fantasia. Em nenhum momento apareceu qualquer apreensão de dinheiro. Acho grave uma acusação baseada em informações falsas”, afirmou o juiz na quarta-feira 29 ao blog do jornalista Luis Nassif.

O deputado encaminhou uma representação contra o procurador-geral no Conselho Nacional do Ministério Público. Na queixa, anexou diversas informações, entre elas escrituras de seus imóveis. Os documentos provam que seu patrimônio atual foi erguido na década de 1990, quando atuava como advogado e antes de ingressar na Polícia Federal. Zelman, padrinho de batismo de Queiroz, doou ao afilhado dois imóveis em 2006, bem antes da Satiagraha, portanto.

Os procuradores também miraram em Demarco, ex-sócio do Opportunity que travou uma longa batalha judicial contra Dantas.

Com base em notícias publicadas pelo site Consultor Jurídico, de propriedade de Márcio Chaer, dono de uma assessoria de imprensa e um grande amigo do ministro Gilmar Mendes, Gurgel e Claudia Sampaio voltam a uma espécie de bode na sala, um artifício batido recorrentemente evocado pelos advogados do banqueiro: a investigação em Milão de crimes de espionagem cometidos por dirigentes da Telecom Italia. A tese de Dantas, sem respaldo na verdade, diga-se, é que os italianos financiavam seus desafetos no Brasil, inclusive aqueles infiltrados no governo federal e na polícia, para persegui-lo.

Procurado por CartaCapital, Demarco preferiu não comentar o caso, mas repassou três certidões da Procuradoria da República de Milão que informam não existir nenhum tipo de investigação contra ele em território italiano.

Dantas costumava alardear, segundo o conteúdo de escutas telefônicas da Operação Satiagraha, que pouco se importava com decisões de juízes de primeira instância por ter “facilidades” nos tribunais superiores. De fato, logo após ser preso e algemado por Queiroz em 2008, conseguiu dois habeas corpus concedidos pelo ministro Gilmar Mendes em menos de 48 horas. Um recorde. As motivações de Toffoli ao atender o pedido de Gurgel e Claudia Sampaio sem checar a veracidade das informações continuam um mistério. A assessoria do ministro informou que ele não vai se manifestar sobre o assunto por se tratar de processo sob segredo de Justiça.

março 20, 2013

Dinheiro da Privataria Tucana voltando em forma de picolé?

Por que Lemann e Verônica pagaram tanto pelo  picolé?
Tomando como  exemplo a compra da gigante americana Heinz, pelo fundo 3G, de Jorge Paulo  Lemann, há pouco mais de um mês, o negócio foi fechado por duas vezes o  faturamento e 19 vezes o lucro da companhia. No caso da minúscula sorveteria  Diletto, adquirida por Verônica Serra, filha de José Serra, e o bilionário  Lemann, os parâmetros foram totalmente distintos, numa aquisição precificada em  17 vezes o faturamento de uma sorveteria que talvez ainda nem tenha começado a  lucrar. Ou há muita confiança ou algo ainda permanece misterioso na  transação

Brasil 247 – No dia 14 de março deste ano, o fundo 3G,  do bilionário Jorge Paulo Lemann, protagonizou a maior aquisição da história da  indústria alimentícia. Por US$ 23 bilhões, ele e seus sócios compraram a  gigantesca empresa norte-americana Heinz, dona da principal marca de ketchups do  mundo.
Negócios desse porte sempre obedecem a  critérios claros e objetivos. No caso da Heinz, o 3G pagou o equivalente a duas  vezes o faturamento da Heinz, de US$ 11,5 bilhões no ano passado, e 19 vezes o  lucro da companhia. Essa relação preço/lucro, o chamado P/E (price/earnings), é  o principal parâmetro utilizado em avaliações de empresas. Uma relação de dez  vezes o lucro, muitas vezes, é adequada numa aquisição, mas há também casos em  que se pagam prêmios, como no caso da Heinz.
Nada, no entanto, é comparável ao negócio  fechado por Lemann e Verônica Serra, sócios do fundo Innova, na compra de 20% da  minúscula sorveteria Diletto, de Cotia (SP), por R$ 100 milhões. A empresa, que  tem dois anos de vida e fatura R$ 30 milhões por ano, foi avaliada em R$ 500  milhões. Ou seja: 17 vezes o faturamento. Se o critério utilizado na Heinz fosse  semelhante, a empresa americana valeria US$ 195,5 bilhões, e não os US$ 23  bilhões pagos pelo 3G. A relação preço/lucro da Diletto é desconhecida, uma vez  que seus números não são públicos e não se sabe sequer se a companhia começou a  lucrar.
Procurados pela reportagem do 247, nem o fundo  Innova nem o bilionário Lemann informaram quais foram os critérios que embasaram  a aquisição. Por exemplo, quem fez a avaliação e quais foram os parâmetros  utilizados?
Verônica, como se sabe, é filha de José Serra  e teve seus negócios esquadrinhados no livro “Privataria Tucana”, um best-seller  publicado pelo jornalista Amaury Ribeiro Júnior.  Depois de uma bolsa de  estudos em Harvard, concedida pelo próprio Jorge Paulo Lemann, ela se tornou  gestora de fundos de investimento, ao lado do marido Alexandre Bourgeois.
Lemann, por sua vez, foi diretamente  beneficiado no governo FHC, pela decisão mais importante de sua trajetória  empresarial: a aprovação, pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o  Cade, da fusão entre Brahma e Antarctica, ocorrida em 1999, que lhe deu 70% do  mercado brasileiro e musculatura monopolista para crescer em outros  países.
Naquele momento, o Cade era presidido por  Gesner Oliveira e José Serra era candidato à sucessão de FHC. Serrista de  carteirinha, Gesner se tornou presidente da Sabesp, estatal de saneamento, no  governo tucano. E, depois da fusão Brahma-Antarctica, o Cade jamais voltou a  permitir a realização de outros atos de concentração de mercado tão intensos.  Por exemplo, ao comprar a Sadia, a Perdigão se viu forçada a vender vários  ativos.
Leis que restringem monopólios existem nos  Estados Unidos desde o início do século passado para proteger indivíduos e  consumidores do poder das grandes corporações. Recentemente, ao tentar comprar a  cervejaria mexicana Modelo, Lemann teve suas pretensões barradas por autoridades  regulatórias dos Estados Unidos, país onde ele também enfrenta a acusação de  aguar a cervejaria Budweiser, prejudicando a qualidade de um ícone americano, em  favor do lucro.
O caso Diletto é tão fora dos padrões que  gerou até uma movimentação atípica, nos meios de comunicação, para preservar as  imagens de Lemann e de Verônica. Nas reportagens, o nome da filha de Serra  aparece no fim, quase escondido. Além disso, embora a transação tivesse sido  anunciada na noite de segunda-feira, uma reportagem-exaltação já aparecia  impressa, na manhã do dia seguinte, na versão brasileira da revista Forbes,  sobre o “estilo Lemann” e o porquê da decisão de entrar no mercado de  sorvetes.
Em reportagem anterior do 247 sobre o caso  (leia mais aqui), diversos leitores levantaram uma questão  intrigante: será que, por meio de uma aquisição totalmente fora dos parâmetros  tradicionais, recursos oriundos da chamada “privataria” estariam sendo  internalizados no Brasil?

EXTRAÍDO DO Blog Sujo  == > Dinheiro da Privataria voltando em forma de picolé?

fevereiro 18, 2012

Juíza absolve Daniel Dantas em processo

A juíza federal Adriana Freisleben de Zanetti, substituta da 5ª Vara Federal Criminal em São Paulo absolveu Daniel Dantas e outras 10 pessoas investigadas pela Polícia Federal na Operação Chacal da acusação de espionagem no caso da empresa de arapongagem Kroll.
Segundo a juíza, não havia provas da culpa dos acusados. O Ministério Público Federal disse que vai recorrer da decisão.
Contudo, na mesma sentença, a juíza condenou 5 pessoas por formação de quadrilha, que poderão recorrer da decisão em liberdade.
A Operação Chacal foi deflagrada pela Polícia Federal em 2004. Na denúncia do Ministério Público Federal Dantas se associou aos outros acusados e cometeu crimes de violação de sigilo pessoal e empresarial contra executivos da Telecom Itália. Dantas mantinha na época uma disputa societária com a Telecom Itália. O bloco de acionistas que compunha a Brasil Telecom, administrada na época pelo banco Opportunity, de Daniel Dantas, contratou a Kroll, com sede em Nova Iorque (EUA), para investigar a Telecom Itália. ( HORA DO POVO )

fevereiro 10, 2012

CPI da Privataria Tucana deve ser instalada em março, avalia o deputado Protógenes Queiroz

O deputado federal Protógenes Queiroz (PCdoB-SP) afirmou que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Privataria Tucana, que vai investigar as fraudes e propinas pagas nas privatizações durante a gestão de Fernando Henrique Cardoso, deverá iniciar seus trabalhos em março. “Eu acredito que na primeira quinzena de março nós já tenhamos uma autorização para escolha dos membros que vão compor a CPI”, avaliou.
Protógenes lembrou que é permitido o funcionamento de cinco CPIs simultâneas, sendo que a da Privataria é a quarta da lista. Outras três, que investigarão o trabalho escravo, a exploração sexual infantil e o tráfico de pessoas, já foram protocoladas. O deputado comentou ainda que o clima na Câmara dos Deputados está bastante favorável à instalação da CPI.
“Já encontrei colegas parlamentares que estão enviando alguns ofícios de apoio para a instalação urgente da CPI”, ressaltou. O pedido de CPI foi baseado nas denúncias do livro “Privataria Tucana”, do jornalista Amaury Ribeiro Jr., que apresenta farta documentação sobre as ligações dos tucanos próximos a José Serra com o processo de depósitos em contas sigilosas nos bancos localizados nos paraísos fiscais do Caribe e a internação do dinheiro para o Brasil.
O jornalista também denuncia que o ex-caixa de campanha do PSDB e ex-diretor da área internacional do Banco do Brasil, Ricardo Sérgio de Oliveira, atuou como “artesão” na construção de consórcios de privatização em troca de propinas.
Segundo Protógenes, os trabalhos da comissão terão grande repercussão nacional, até porque 2012 é um ano eleitoral. “Não terá (a CPI) o andamento comprometido por conta das eleições. O tema irá dominar a pauta política, disso é impossível fugir”, explicou.
( HORA DO POVO )

janeiro 18, 2012

“Privatização no Brasil foi o maior roubo da História ( do planeta )”, diz Amaury Jr

Quem criou o esquema do Banestado foi o Ricardo Sérgio, que também está no esquema das privatizações tucanas”, lembra o jornalista
Eu acho que a privatzação no Brasil foi o maior roubo da História do planeta”, afirmou o jornalista Amaury Ribeiro Júnior, autor do livro “A Privataria Tucana”, obra que denuncia o recebimento de propinas, a evasão e a lavagem de dinheiro por próceres tucanos no processo de privatizações do governo FHC. O livro já vendeu mais de 120 mil exemplares em todo o país. “Não é nem o maior roubo da História do Brasil. É da história do planeta”, destacou Amaury, em entrevista publicada no domingo, no site Paraná Online.
“Se for pegar a operação Uruguai, que levou à cassação do Collor, era uma operação de R$ 5 milhões. E no caso das privatizações, se mapear, como eu mapeei, só um caso de propina foi de R$ 30 milhões para o Ricardo Sérgio de Oliveira. Se você aprofundar a investigação vai ver que foi muito mais ainda. Muito grande. A roubalheira foi maior”, prosseguiu o jornalista. “O Ricardo Sérgio, que tocou as privatizações, recebe o dinheiro no exterior, em paraíso fiscal, do cara que ganhou as privatizações. Eu mostro documentos com pagamentos para esta mesma pessoa. Como é tudo documentado, eles não tiveram como reagir”, disse Amaury.
Amaury Ribeiro vai lançar o livro em Curitiba no próximo dia 19 e falou também sobre a CPI da Privataria, que já foi protocolada pelo seu autor, deputado Protógenes Queiroz (PCdoB-SP), e deve ser instalada assim que os trabalhos legislativos reiniciarem. Segundo o jornalista, “o livro é apenas um marco inicial”. “É necessário abrir a CPI. Não pode acontecer o que aconteceu com o caso Banestado”, disse. “Vai ficar muito mal para o governo se não for instalada a CPI para investigar, porque tem muito mais coisa. Eu mostro só uma parte da coisa. Ela é muito maior”, assinalou.
Sobre a questão do Banestado, Amaury chamou a atenção para o fato de que ali já havia envolvimento de tucanos. “Interessante”, diz ele, “é que as pessoas são sempre as mesmas”. “Por exemplo, quem criou o esquema do Banestado foi o Ricardo Sérgio de Oliveira, que também está no esquema das privatizações tucanas. Ele criou aquelas contas correlatas que tinham no Banco do Brasil e em bancos do Paraguai, um esquema criado para facilitar a vida de comerciantes brasileiros em Ciudad Del Leste, mas que acabou virando um grande duto”, denunciou.
Segundo investigações da Polícia Federal há alguns anos, o Banestado (que era o banco estatal do Paraná vendido para o Itaú em 2000) foi utilizado para a lavagem dinheiro, através das contas CC5, principalmente entre os anos de 1996 e 1997, anos de privatizações. Pelas CC5, segundo apurou a PF analisando as contas de apenas um grupo de 25 brasileiros no Banestado, foram movimentados irregularmente US$ 180,5 milhões.
“Em vez do dinheiro vir para o Brasil, o dinheiro do Brasil ia para fora, para a agência do Banestado em Nova Iorque, de onde saía para ser lavado. Quem baixou a portaria que abriu o duto do Banestado foi o mesmo cara da privatização tucana, que é o Ricardo Sérgio. As coisas são muito ligadas”. Ricardo Sérgio foi o arrecadador de recursos para a campanha de José Serra e ocupou a diretoria internacional do Banco do Brasil, de onde deu carta de crédito e operou os fundos de pensão para viabilizar os consórcios que se beneficiaram das privatizações de FHC, entre os quais os de Daniel Dantas (BR Telecom) e Carlos Jereissati (Telemar).
No livro há farto material mostrando as ligações do processo de entrega do patrimônio público, comandado por José Serra na década de 90, e as propinas depositadas nas Ilhas Virgens Britânicas. Com documentos, o jornalista revela que ao atuar como operador dos consórcios, Ricardo Sérgio de Oliveira usava recursos públicos para ajudar os açambarcadores em troca das propinas. O livro mostra detalhes de como essas propinas foram depositadas nos paraísos fiscais e, depois, internalizadas no Brasil.
Um outro esquema denunciado no livro de Amaury revela, por exemplo, que a empresa “Decidir.com”, que tinha Verônica Serra (filha de Serra) e Verônica Dantas (filha de Daniel Dantas) como sócias, recebeu um aporte de cinco milhões de dólares do Opportunity, vindos das Ilhas Virgens, logo em seguida o consórcio de Daniel Dantas ter sido agraciado com recursos bilionários dos fundos de pensão para adquirir, junto com o Citibank, a Brasil Telecom (BR Telecom).
Falando sobre o silêncio da chamada grande mídia em relação às denúncias e ao sucesso de seu livro, Amaury explicou que isso está ocorrendo “porque o livro bate muito na grande imprensa”. “Fala do comportamento que ela teve nas últimas eleições. Ela teve que engolir calada, e engoliu calada. Está cheio de provas lá. Mostrando o comportamento dela, no mínimo, esquisito”, declarou Amaury.
Amaury disse que apesar do boicote da mídia, seu livro virou um fenômeno. “Até agora vendeu 120 mil exemplares. E pode chegar a 200 mil, 300 mil, porque a procura ainda é grande. Se chegar a este patamar, vai bater tiragens de edições históricas”, lembrou. “Eu passei a ser reconhecido na rua. Eu sou chamado para fazer palestras em países da América Latina. Fui convidado também para ir a Portugal e dei entrevista até para o Jornal ‘O Povo’, da China. Houve muita curiosidade sobre o esquema da lavagem de dinheiro tucano”, completou.
( HORA DO POVO )

janeiro 7, 2012

Hora do Povo: Documentos desmentem versão de Verônica Serra

A filha de José Serra (PSDB/SP), Verônica Serra, emitiu nota tentando negar as denúncias contra ela contidas no livro “A Privataria Tucana”, do jornalista Amaury Ribeiro Jr. Mas documentos oficiais e públicos, inclusive assinados por ela, a desmentem.
Verônica Serra disse que nunca foi indiciada. Ela está indiciada, sim, na Justiça Federal em São Paulo. Basta consultar o site da Justiça Federal em São Paulo (http://www.jfsp.jus.br), clicar em varas especiais e indicar o número do processo (2003.61.81.000370-5) para ver que ela foi indiciada.
Verônica Serra diz também que era apenas uma funcionária burocrática que cumpria ordens e não foi sócia da irmã de Daniel Dantas na Decidir.com. Segundo ela, ambas apenas se associaram no Conselho de Administração da empresa. Porém, Verônica cai em contradição em sua versão e documentos contrariam sua explicação. Ela foi sócia na sucursal brasileira, Decidir.com do Brasil S.A. (como comprova ata publicada no Diário Oficial do Estado de São Paulo que diz textualmente que ela e Verônica Dantas são sócias da empresa).
Verônica Serra diz que “mentem, também, ao insinuar que eu intermediei negócios da Decidir com governos no Brasil. Enquanto eu estive na Decidir, a empresa jamais participou de nenhuma licitação….”. E verdade. A empresa não participou de nenhuma licitação. Ela conseguiu, quando seu pai era ministro de FHC, contrato com o Banco Central (do governo do Brasil) – sem licitação – para ter acesso ao cadastro de cheques sem fundos. Com isso ela quebrou o sigilo de 60 milhões de brasileiros. ( HORA DO POVO )

janeiro 1, 2012

A Privataria Tucana e a briga Serra x Aécio, Por Jasson de Oliveira Andrade

Tucano é abatido pelo batizado “O LIVRO”…

A briga entre Serra e Aécio para ver quem sairia candidato do PSDB à Presidência da República, em 2010, foi a responsável pela publicação do livro “A Privataria Tucana”, fenômeno de vendas e que está estarrecendo os seus milhares de leitores.
Naquela época, o jornalista Amaury Ribeiro Jr., autor do livro, foi contratado pelo jornal “Estado de Minas”. Ele explica, à página 24, o motivo de sua contratação: “O que me pedem é o seguinte: descobrir quais são os arapongas que estariam no encalço do governador de Minas, Aécio Neves, durante seus discretos roteiros sentimentais pelo Rio de Janeiro. Segundo o relato, Aécio é vigiado e tem seus movimentos seguidos por agentes arregimentados por seu adversário na disputa dentro do PSDB pela pré-candidatura à Presidência da Republica. O então governador paulista, José Serra, trabalhava nos bastidores para alijar o concorrente mineiro do páreo”. Então a briga de 2010 continua nas páginas dos jornais. O Estadão (serrista) publica o artigo “Pó Pará, governador?”, escrito por Mauro Chaves, já falecido, em 28/2/2009. A resposta veio com o Editorial do “Estado de Minas”, em 3/3/2010, sob o título “Minas a reboque, não!”. Amaury comenta o artigo do Estadão: “Contrastando a linha conservadora do jornal, instilou uma insinuação pesada, uma suposta ligação de Aécio ao “Pó”, ou seja, cocaína para atingir dois objetivos: expor publicamente, de modo vulgar e dissimulado, o comportamento do rival de Serra e enviar-lhe um recado muito claro”.
Essa briga de 2010, continua até agora. Com a publicação do livro “A Privataria Tucana”, Serra não esqueceu o Editorial e, principalmente, a contratação naquela época do jornalista Amaury Ribeiro Jr., autor do livro. O Blog de Noblat, serrista assumido, publicou, em 22/12/2011, uma Nota de Ilimar Franco, O Globo, sob o título “Estresse tucano”, que relata um fato pouco conhecido: “Por insistência do ex-governador José Serra, na reunião da Executiva do PSDB de anteontem [20/12], houve um debate sobre o livro “A Privataria Tucana”. Serra afirmou que a publicação tinha o dedo do PT mas também do fogo amigo. Depois fez CRÍTICAS DURAS (destaque meu) a um grupo de comunicação [Estado de Minas, aecista]. O secretário-geral do partido Rodrigo de Castro (MG) e o deputado Eduardo Azeredo (MG) não gostaram e saíram em defesa da empresa atacada”.
Em vista dessa discussão relatada, que segundo consta quase chegou à agressão entre Serra e os dois parlamentares aecistas, Ricardo Noblat, em 26/12/2011, escreveu no seu Blog, um comentário, “O que é isso, companheiros?”, alertando os “companheiros” tucanos e que tem o seguinte teor: “Em meio à eleição do ano passado, quando o sigilo fiscal de Verônica Serra foi quebrado por suposta encomenda do jornalista Amaury Ribeiro Jr., o problema a separar José Serra de Aécio deixou de ser político e passou a ser pessoal. (…) Serra concluiu de uma vez por todas que Amaury estava de fato a serviço de Aécio. (…) Em seu livro “A Privataria Tucana”, Amaury confessa que espionou o esquema de espionagem de Serra a pedido do jornal Estado de Minas, onde trabalhava. Por sua vez, o jornal atendia a um pedido de Aécio, então governador do Estado. (…) Serra acalenta o sonho de ser candidato a presidente pela terceira vez. Aposta no fracasso do governo de Dilma (…) Se não der, porém, tudo fará para que Aécio, uma vez candidato do PSDB a presidente, não se eleja de jeito nenhum. (…) É o troco. (…) O PT agradece”. Sem comentário!
Se a briga Serra X Aécio vem desde 2010, agora está mais acirrada graças ao livro “A Privataria Tucana”, do jornalista Amaury Ribeiro Jr, a obra que está fazendo estragos aos tucanos serristas. Será que vai beneficiar os tucanos aecistas? Por essa opinião do Nobrat quem poderá ser beneficiado é o PT. Como sempre digo: A CONFERIR! Por enquanto quem está sendo beneficiado é o jornalista. Com essa briga, o seu livro, que já está vendendo muito, poderá vender ainda mais…
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu, autor de “Golpe de 64 em São João da Boa Vista” e desde 2006, mais ou menos, honra este humilde blog com suas contribuições.
Janeiro de 2012

dezembro 29, 2011

A carreira meteórica de Verônica Serra, Por Blog da Cidadania

A propósito da nota publicada pelo site do ex-secretário-geral da Presidência do governo Fernando Henrique Cardoso, senhor Eduardo Piragibe Graeff, na qual a senhora Verônica Allende Serra, filha do ex-governador José Serra, defende-se de acusações contidas no livro A Privataria Tucana, dou a conhecer a carreira meteórica dessa senhora que entre os 25 e os 30 anos se tornou um fenômeno do mundo dos negócios ao ganhar milhões em período tão curto.

Em 1995, aos 25 anos, Verônica ganhou uma bolsa de estudos para um curso de MBA ( Mestre em Administração de Negócios ) na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. O benfeitor da filha do então poderoso ministro do Planejamento foi a Fundação Educar, criada por Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira, à época donos do Grupo Garantia – que participaria ativamente do processo de privatizações do governo ao que o pai de Verônica servia – e da cervejaria Brahma, que, em 1998, em processo polêmico que dependia do Cade, ligado à área de influência do pai-ministro, compraria a cervejaria Antarctica e, assim, formaria a AmBev, que finalmente se uniria a uma cervejaria belga e formaria a InBev, hoje a maior cervejaria do mundo.
Verônica concluiria o curso em Harvard em 1997 e já em 1998 conseguiria seu primeiro trabalho no mundo corporativo, na companhia de administração de recursos chamada Leucadia. Meses depois, seria recrutada pelo fundo de investimentos International Real Returns (IRR) para, segundo ela, atuar como sua representante no Brasil. Em 2000, tornar-se-ia “diretora” da “Decidir.com, Inc.”, fundada naquele ano, uma empresa “ponto.com” norte-americana, subsidiária da matriz argentina “Decidir”, de busca e verificação de dados cadastrais e crédito.
A empresa ganhou notoriedade no Brasil por ter tido como membros da diretoria tanto Verônica Dantas Rodemburg, irmã de Daniel Dantas, dono do CVC Opportunity, como Verônica Allende Serra, filha do agora (em 2000) ministro da Saúde José Serra. O site oferecia consultas diversas, inclusive de pesquisas de editais públicos de licitações no Brasil. “Encontre em nossa base de licitações a oportunidade certa para se tornar um fornecedor do Estado”, dizia a propaganda da empresa.
Verônica Serra, advogada formada na Faculdade de Direito da USP em 1995, com mestrado (MBA) na Universidade Harvard concluído em 1997, em 2000 tornou-se “representante de investimentos” de uma empresa multinacional tão logo foi fundada e se retirou dessa empresa um ano depois, após estouro da bolha da internet em 2001.
Em cinco anos, esse prodígio – tão impressionante quando a filha do governador Geraldo Alckmin, que também faria carreira meteórica, só que na boutique de luxo Daslu – pulou de um empreguinho na Editora Abril e de um singelo curso de Direito na USP para o epicentro dos grandes negócios corporativos, alegadamente por ter passado pela abençoada Universidade de Harvard, que, agora se sabe, basta cursar para ficar rico em poucos anos.
A diretoria executiva da Decidir.com, Inc. era composta por um representante do Citibank, por Verônica Valente Dantas Rodemburg (representando o fundo CVC Opportunity), por um representante da Decidir Argentina e por Verônica Allende Serra (representando o fundo International Real Returns – IRR).
Com o estouro da bolha da internet em maio de 2001, os fundos de investimentos Citibank, CVC Opportunity e IRR se retiraram do negócio engendrado pela genial Verônica Allende Serra, ficando a Decidir.com apenas com as operações na Argentina e no Brasil. Atualmente, apenas a matriz ( Decidir.com, que atua na Argentina ) está em operação. Sua proposta de negócios usa o seguinte bordão: “Com nossos serviços você poderá concretizar negócios seguros, evitando riscos desnecessários”.
( Ver a continuação deste texto AQUI )

LEITURA COMPLEMENTAR:

Verônica Serra
Você não conhece, mas a filha do ministro pode ser a mulher mais importante da Internet brasileira
Por Ivan Martins
ISTOÉ DINHEIRO, Abril de 2000
Quantas mulheres importantes existem na Internet brasileira? Se você está com dificuldade em lembrar de um nome, anote este: Verônica Serra. Ela tem 30 anos e diz que já ganhou na rede mais dinheiro do que sonhava ganhar a vida inteira. Ativa e bem relacionada, a moça pilota do Itaim, como sócia, o escritório latino-americano da International Real Returns (IRR), uma empresa de administração de ativos com US$ 600 milhões de capital europeu. Nos últimos 13 meses, essa advogada com MBA em Harvard ajudou a criar 12 empresas de Internet (oito delas fora do Brasil) e montou uma teia de relações que a coloca no centro do nascente setor de capital de risco brasileiro. No seu currículo estão sites conhecidos como Zoyd, Decidir e Superbid. “Ela é uma das pessoas mais argutas que eu conheço”, opina o empresário Marcos de Moraes, sócio fundador do portal ZipNet, que andou discutindo negócios com a jovem capitalista. “Seu trabalho se destaca do resto do mercado pela qualidade dos projetos.” Ah, sim: Verônica é a filha mais velha do ministro José Serra, da Saúde, mas acredita que isso não tem importância no seu ramo de negócios. “Quem está na Internet não tem nada a ver com a área dele”, afirma. “Por ter feito o que fiz, tão cedo, as pessoas percebem que não há relação de favorecimento.”
Simpatia como arma. Ninguém deve imaginar Verônica parecida com o pai sisudo. Ela fala pelos cotovelos, sorri muito, usa a simpatia como arma. Nem é menina rica matando o tempo enquanto alguém toca o negócio. Dá expedientes de 11 horas, viaja até três vezes por mês ao exterior e despacha e-mails às três da madrugada. Nos finais de semana, para desgosto do marido, carrega o lap-top para casa. “Não acho que meu ritmo seja normal, mas eu adoro o que faço”, explica-se, sorrindo. Enquanto Serra é identificado com a Velha Economia, industrialista e keynesiana, sua filha é a cara da Nova Economia – financeira, digital, americanizada. O vocabulário e as referências de Verônica são Wall Street puro, ou puro Vale do Silício. Não há na conversa nenhum resquício da garota que foi diretora do Centro Acadêmico XI de Agosto, na Faculdade de Direito da USP, e puxou passeatas contra Fernando Collor. Ela lembra, irritada, que seu grupo no CA foi acusado de ser parte do PSDB e receber apoio financeiro da Fiesp. “Esse tipo de mentira me deixa tão indignada que eu prefiro não tomar parte da política”, diz ela. O pai político, por sua vez, também costumava ser cético em relação à Internet. Com o tempo, tranqüilizado pelo sucesso da filha, passou a se interessar e simpatizar. Agora, o ministro até manda recortes de jornais sobre o assunto. “Ele só acha que eu trabalho muito”, diz Verônica. Por conta do exílio do pai, ela nasceu no Chile e mudou-se aos quatros anos para os Estados Unidos. Chegou ao Brasil aos nove anos, em 1978. O lado bom dessa infância itinerante é que Verônica fala inglês e espanhol fluentemente.
O pulo do gato da sua carreira de capitalista de risco foi Harvard, para onde Verônica mudou-se em 1995 com uma bolsa de estudos. Lá, conseguiu o primeiro trabalho com fundos de investimentos, em uma companhia de administração de recursos chamada Leucadia. Seu desempenho ali levou-a à IRR. Mas os dois anos em Harvard serviram, sobretudo, para que montasse uma rede de relações pessoais que são a chave do seu trabalho, aquilo que os americanos chamam de networking. Mesmo os concorrentes que não gostam do seus estilo – arrogante, dizem — admitem que a moça tem excelentes contatos. Foi um amigo de curso que a colocou em contato, por exemplo, com os jovens argentinos que fundaram o site de finanças Patagon. Quando eles quiseram entrar no Brasil, em janeiro de 99, Verônica ajudou a contratar um CEO, arranjou parceiros estratégicos e deu conselhos gerais para o implante do negócio. Foi paga com ações da companhia. No início de março, quando o banco Santander comprou 75% da Patagon por US$ 550 milhões, as ações de Verônica já valiam 100 vezes mais. E ela não vendeu. Em julho próximo, quando a empresa entrar na Bolsa americana, o valor dos papéis poderá dar outro salto – ou não, porque há no ar um certo cansaço em relação aos papéis Internet. “Vamos ver. Talvez eu tenha tomado a decisão errada”, diz ela.
Quatro projetos. Além de torná-la pessoalmente rica, o negócio da Patagon abriu para Verônica as portas para outros projetos latino-americanos. Hoje, ela tem no currículo quatro empresas na Argentina, duas no Chile e três nos Estados Unidos, lançadas por empresários latinos. Ela entra com assessoria, participação de 5% a 20% do negócio e, algumas vezes, atração de outros investidores. Os planos desses empreendedores chegam a ela, entre outras vias, pelo Círculo Pinguim – uma rede informal montada em torno dos fundadores da Patagon e seus amigos. A maioria deles, como Verônica, tem passagens nas universidades americanas. Isso é 100% networking, e funciona. “Na Internet, quem está fazendo sucesso se conhece”, diz ela. Trata-se, agora, de fazer-se conhecida também entre os brasileiros que ainda não fazem sucesso na rede, mas têm bons projetos de negócios. E a concorrência está dura. Pela primeira no Brasil, há mais dinheiro na praça do que boas idéias. E há uma moça obstinada correndo atrás delas.

dezembro 15, 2011

Hora do Povo: Empresa de filho de FHC fica sob o mesmo teto de empresas de fachada de Ricardo Sérgio e Veronica Serra

O filho de Fernando Henrique, Paulo Henrique Cardoso, é dono de 98,6% das ações da Radio Holdings AS, que tem um capital social de 10 mil reais. Recentemente esta “pequena” empresa fez uma estranha aquisição milionária. Comprou por R$ 2,98 milhões – 300 vezes seu capital social – a Rádio Itapema FM, que pertenceu ao grupo Manchete e ao RBS. O negócio fez de Paulo Henrique sócio majoritário (provável laranja) da Walt Disney Company, sob o nome de ABC Venture Corp, localizada no endereço nos estúdios de Burbank, na Califórnia.
Além disso, a empresa de Paulo Henrique Cardoso “hospeda-se” dentro de outra, uma espécie de arapuca “guarda-chuva”, de nome Citco Corporate Serviços Limitada, com sede na região central de São Paulo, segundo relata o blog do deputado Brizola Neto. Não há funcionários na empresa do filho de FHC. Se a chamada “mídia investigativa”, tão zelosa nas investigações de parentes e assessores de presidentes e ex-presidentes, alguma vez investigasse os tucanos, concluiria que a empresa do Paulo Henrique Cardoso é uma empresa fantasma. Se eles quisessem fazer “reportagens” sobre uma típica “empresa laranja”, com filmagens de uma sede sem nenhum funcionário, era só ir ao 14º andar do número 98 da Av. Bernardino de Campos e procurar os diretores e funcionários da Radio Holdings.
A Citco Corporate, onde fica hospedada a empresa de PHC, é dirigida pelo senhor José Tavares de Lucena, que por sua vez é representante plenipotenciário da Citco Corporate Services, situada no 26° andar do número 701 da Brickell Avenue, em Miami, Flórida. A Citco do Brasil é também a sede, além da empresa do filho de FHC, de inúmeras outras empresas virtuais. O senhor José Tavares Lucena “administra” várias empresas ao mesmo tempo dedicadas a vários tipos de negócios. Negócios imobiliários (a Select Brasil Investimentos), de telecomunicações (BBT do Brasil), informática (Torex International Sistemas de Informática), de embalagens (Dixie Toga) e muitas outras. Ele é ajudado por um contador, Jobelino Vitoriano Locateli, ambos com múltiplas tarefas de representar oficialmente dezenas de empresas, inclusive também instituições de grande porte, como o JP Morgan e Citibank.
Por coincidência, o livro “Privataria Tucana”, lançado recentemente pelo jornalista Amaury Ribeiro Jr, mostra que as empresas de fachada offshore de Ricardo Sérgio Oliveira, Verônica Serra e seu marido Alexandre Bourgeois foram abrigadas na mesma Citco, só que não a mesma onde fica a do filho de FHC. Eles foram diretamente para a matriz no Citco Building, edifício-sede de um grupo de companhias que, além das Ilhas Virgens, onde se situa, se espalha pelos ancoradouros piratas de Aruba, Curaçao, Bahamas, Ilhas Cayman, Barbados e outras.
Ricardo Sergio mantinha há muitos anos empresas “offshore” em paraísos fiscais. O livro de Amaury mostra que na mesma ilha e no mesmo endereço (um escritório no Citco Building), onde Ricardo Sérgio tinha suas empresas offshores, o genro de Serra, Alexandre Bourgeois, abriu outras duas empresas offshores, logo depois das privatizações de FHC: a Vex Capital e a IConexa Inc. No mesmo endereço, ficava ainda a Decidir.com – empresa criada (originalmente com sede na Flórida) por Verônica Dantas (irmã do banqueiro Daniel Dantas) e Verônica Serra (filha do ex-governador José Serra). A filha de Serra atualmente é ré e responde processo aberto pela quebra, por sua empresa, a Decidir.com, de sigilo bancário de mais de 60 milhões de pessoas.
As negociatas de Ricardo Sérgio e Verônica Serra, segundo o livro de Amauri, foram feitas a partir da sede da Citco B.V.I. Limited, em Tortola. Tortola é uma das maiores ilhas da dependência do Reino Unido nas Caraíbas, as Ilhas Virgens Britânicas. Era de lá que eles internalizavam os milhões de reais para o Brasil.
O livro de Amauri traz também documentos que provam depósitos de uma empresa de Carlos Jereissati, participante do consórcio que arrematou a Tele Norte Leste, antiga Telemar, hoje OI, na conta de uma empresa de Ricardo Sérgio nas Ilhas Virgens Britânicas. Também revela que o primo de José Serra, Gregório Marin Preciado, movimentou 2,5 bilhões de dólares por meio de outra conta do mesmo Ricardo Sérgio. Segundo o livro, o ex-tesoureiro de Serra tirou ou internou no Brasil, em seu nome, cerca de 20 milhões de dólares em três anos.
Ricardo Sérgio foi um dos principais operadores nas privatizações promovidas por Fernando Henrique Cardoso, especialmente nos casos da Companhia Vale do Rio Doce e do sistema Telebrás, duas das maiores negociatas do mundo. Em 1998, no episódio conhecido como “Grampo do BNDES”, Ricardo Sérgio foi flagrado confessando como agiam ao armar os negócios para o leilão das teles: “no limite da irresponsabilidade”, disse. Ricardo Sérgio foi caixa das campanhas de José Serra (1990 a 1996) e de Fernando Henrique (1994 e 1998).
( HORA DO POVO )

maio 13, 2011

Ministro do STJ: Satiagraha foi legal; Dantas é o fora da lei

O ministro Gilson Dipp, da Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), divergiu do relator e proferiu voto contrário à concessão de habeas corpus a Daniel Dantas, no julgamento em que o dono do Opportunity visa anular as investigações da Operação Satiagraha para não ser condenado por seus crimes.
Infelizmente, a manobra de Daniel Dantas – acusado de formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, suborno (foi condenado), espionagem e gestão fraudulenta – encontrou espaço no relator do processo, desembargador Adilson Macabu, e no ministro Napoleão Nunes Maia Filho, que votaram a favor de Dantas. O dono do Opportunity foi o principal beneficiário das privatrizações escandalosas do governo de FHC.
O julgamento foi suspenso, na quinta-feira da semana passada (5), em razão do pedido de vista da ministra Laurita Vaz. Com o pedido de vista, o julgamento fica suspenso até que a ministra traga seu entendimento sobre a questão à Turma. Além da ministra, também falta votar o presidente da 5ª. Turma, Jorge Mussi.
Os advogados de Dantas alegam que a participação de agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) na operação foi ilegal, pedindo a anulação de procedimentos e provas que foram produzidos na investigação.
O ministro Gilson Dipp destacou que se chegar à conclusão de que o resultado das investigações é ou não fruto de condutas ilícitas é incompatível e virtualmente impossível no âmbito da ação de habeas corpus, pois seria necessária uma análise aprofundada dos meios de produção dessas provas e das circunstâncias de fato em que elas foram produzidas.
Ele ressaltou que a Abin é regida por legislação especial e orienta-se ao assessoramento e subsídio à Presidência da República em matéria de interesse ou segurança da sociedade e do estado, mas isso não afasta a possível participação de seus agentes em atividades compartilhadas com a autoridade policial, nessa ou em outra atividade relacionada com seus propósitos institucionais.
Dipp assinalou que em princípio não é impossível a cessão de recursos humanos e técnicos ou material da Abin para atuação conjunta com a Polícia Federal, pois tais servidores e técnicos normalmente ficam submetidos a controle do responsável pela direção do inquérito. Somente a eventual ausência dessa direção caracterizaria atividade capaz de resultar em prova ilícita.
O ministro afirmou ainda que as alegações contra as provas tidas por ilícitas não foram acolhidas pelo Ministério Publico na ação penal movida contra o delegado Protógenes Queiroz, policial que dirigiu o inquérito, em outro juízo. Ou seja, essas supostas ilicitudes lá não ficaram demonstradas nem foram acolhidas pelos procuradores.
( HORA DO POVO, 13/05/2011 )

setembro 13, 2010

Imprensa lixo e cara omite da população a matéria de Carta Capital que denuncia mega-quebra de sigilo de 60 milhões de brasileiros promovida por filha de Serra e a irmã do Daniel Dantas**

Velha mídia ignora denúncia envolvendo filha de Serra
Por João Peres, Rede Brasil Atual
Ombudsman da Folha cobra que jornal tenha equilíbrio na cobertura e empresário citado por Veja desmente informações
São Paulo – Duas reportagens publicadas neste fim de semana tinham a tarefa de agitar o noticiário eleitoral. A primeira, sob o título Sinais trocados, foi publicada por Leandro Fortes em Carta Capital e narra o episódio em que a empresa de Verônica Serra, filha de José Serra, deixou, em 2001, os dados bancários de 60 milhões de brasileiros expostos a visitação pública durante 60 dias. A segunda, publicada pela revista Veja, conta que o filho da ministra-chefe da Casa Civil supostamente vende facilidades aos que querem fechar contratos com o Estado.
Uma delas, no entanto, foi ignorada pelos jornais de maior peso, os chamados “jornalões”. Não é difícil imaginar qual. A reportagem de Leandro Fortes sobre Verônica Serra não ganhou uma linha em O Globo, O Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo. A matéria de Veja, por outro lado, foi o destaque de capa de dois deles, que dedicam boa parte de seu noticiário dominical à repercussão do tema.
O candidato do PSDB, que vem sendo convidado diariamente a opinar sobre a quebra de sigilo fiscal de sua filha, foi novamente ouvido. Não sobre o episódio da Decidir.com, empresa que tinha sua filha como sócia, mas sobre a Capital Assessoria e Consultoria, do filho de Erenice Guerra, sempre apresentada como “braço-direito” de Dilma Rousseff.
Diferenças
É um bom exercício para o começo desta semana imaginar por que os jornais nada noticiaram sobre a reportagem de Carta Capital. A revista sofre de falta de credibilidade? Certamente não. Além de contar com a assinatura de Mino Carta, um dos jornalistas de melhor reputação do país, a revista não tem, ao longo de sua existência, um histórico de desmentidos e de distorção de fatos.
Quanto a Veja, reputação ilibada não tem sido um sinônimo da semanal da Abril. Foram muitos os episódios em que especialistas e autoridades tiveram de vir a público afirmar que nada haviam dito à revista ou que tiveram suas falas distorcidas. Este caso não é diferente. Fábio Baracat, empresário que aparece na reportagem deste fim de semana afirmando ter sido obrigado a negociar o pagamento de propinas com Ismael Guerra, emitiu nota mostrando-se “surpreendido” pela reportagem.
“Primeiramente gostaria de esclarecer que não sou e não fui funcionário, representante da empresa Vianet, ou a representei em qualquer assunto comercial, como foi noticiado (…) Durante o período em que atuei na defesa dos interesses comerciais da MTA, conheci Israel Guerra, como profissional que atuava na organização da documentação da empresa para participar de licitações, cuja remuneração previa percentual sobre eventual êxito, o qual repita-se, não era garantido (…) Acredito que tenha contribuído com o esclarecimento dos fatos, na certeza de que fui mais uma personagem de um joguete político-eleitoral irresponsável do qual não participo.”
Motivos
A vontade dos grandes jornais em mostrar episódios que possam enfraquecer a candidata Dilma Rousseff gera estranheza até mesmo dentro dessas redações. Na última semana, a Folha publicou que um erro da ex-ministra havia provocado prejuízo de R$ 1 bilhão. A notícia, sem base real, virou motivo de piada na internet, e um viral reproduzido pelo Twitter entrou para os principais tópicos mundiais da rede social.
Neste domingo, a ombudsman Suzana Singer chama atenção dos editores da Folha. “O jornal avançou o sinal.” Ela complementa: “Foi iniciativa de Dilma criar a tal tarifa social? Não, foi instituída no governo Fernando Henrique Cardoso.” A ombudsman pede que o jornal deixe o próprio leitor chegar a suas conclusões, sem direcionamentos, e lembra que não tem havido a mesma crítica à gestão de Serra em São Paulo. “A Folha deveria retomar o equilíbrio na sua cobertura eleitoral e abrir espaço para vozes dissonantes. O apartidarismo – e não ter medo de crítica – sempre foram características preciosas deste jornal.”
Neste momento, como os institutos de pesquisa indicam que é muito pequena a possibilidade de Dilma perder a eleição, é preciso considerar outros interesses na divulgação de algumas notícias. O Painel da Folha dá uma pista ao falar do caso: “Até agora, ela era dada como nome certo num eventual governo Dilma.” O blog Vi o Mundo, de Luiz Carlos Azenha, levanta uma indagação: “Será que tem o dedo de outros candidatos ao cargo na capa da Veja? Ou será que o Civita quer indicar o primeiro-ministro de um eventual governo Dilma?”
Mora aí uma diferença fundamental das atuais eleições. Ainda não se sabe qual será o real impacto da internet sobre os números finais da votação de 3 de outubro, mas a rede se converteu em um espaço para tentar difundir propostas – a favor ou contra os candidatos – e notícias que são ignoradas pela mídia comercial.

E MAIS:
Carta Capital conta a história de Verônica Serra
Por: Leandro Fortes*
Revista mostra como filha de candidato tucano quebrou o sigilo de 60 milhões de contribuintes
Em 30 de janeiro de 2001, o peemedebista Michel Temer, então presidente da Câmara dos Deputados, enviou um ofício ao Banco Central, comandado à época pelo economista Armínio Fraga. Queria explicações sobre um caso escabroso. Naquele mesmo mês, por cerca de 20 dias, os dados de quase 60 milhões de correntistas brasileiros haviam ficado expostos à visitação pública na internet, no que é, provavelmente uma das maiores quebras de sigilo bancário da história do País. O site responsável pelo crime, filial brasileira de uma empresa argentina, se chamava Decidir.com e, curiosamente, tinha registro em Miami, nos Estados Unidos, em nome de seis sócios. Dois deles eram empresárias brasileiras: Verônica Allende Serra e Verônica Dantas Rodenburg.
Ironia do destino, a advogada Verônica Serra, 41 anos, é hoje a principal estrela da campanha política do pai, José Serra, justamente por ser vítima de uma ainda mal explicada quebra de sigilo fiscal cometida por funcionários da Receita Federal. A violação dos dados de Verônica tem sido extensamente explorada na campanha eleitoral. Serra acusou diretamente Dilma Rousseff de responsabilidade pelo crime, embora tenha abrandado o discurso nos últimos dias.
Naquele começo de 2001, ainda durante o segundo mandato do presidente FHC, Temer não haveria de receber uma reposta de Fraga. Esta, se enviada algum dia, nunca foi registrada no protocolo da presidência da Casa. O deputado deixou o cargo menos de um mês depois de enviar o ofício ao Banco Central e foi sucedido pelo tucano Aécio Neves, ex-governador de Minas Gerais, hoje candidato ao Senado. Passados nove anos, o hoje candidato a vice na chapa de Dilma Rousseff garante que nunca mais teve qualquer informação sobre o assunto, nem do Banco Central nem de autoridade federal alguma. Nem ele nem ninguém.
Graças à leniência do governo FHC e à então boa vontade da mídia, que não enxergou, como agora, nenhum indício de um grave atentado contra os direitos dos cidadãos, a história ficou reduzida a um escândalo de emissão de cheques sem fundos por parte de deputados federais.
Temer decidiu chamar o Banco Central às falas no mesmo dia em que uma matéria da Folha de São Paulo informava que, graças ao passe livre do Decidir.com, era possível a qualquer um acessar não só os dados bancários de todos os brasileiros com conta corrente ativa, mas também o Cadastro de Emitentes de Cheques sem Fundos (CCF), a chamada “lista negra”do BC. Com base nessa facilidade, o jornal paulistano acessou os dados bancários de 692 autoridades brasileiras e se concentrou na existência de 18 deputados enrolados com cheques sem fundos, posteriormente constrangidos pela exposição pública de suas mazelas financeiras.
Entre esses parlamentares despontava o deputado Severino Cavalcanti, então do PPB (atual PP) de Pernambuco, que acabaria por se tornar presidente da Câmara dos Deputados, em 2005, com o apoio da oposição comandada pelo PSDB e pelo ex-PFL (atual DEM). Os congressistas expostos pela reportagem pertenciam a partidos diversos: um do PL, um do PPB, dois do PT, três do PFL, cinco do PSDB e seis do PMDB. Desses, apenas três permanecem com mandato na Câmara, Paulo Rocha (PT-PA), Gervásio Silva (DEM-SC) e Aníbal Gomes (PMDB-CE). Por conta da campanha eleitoral, CartaCapital conseguiu contato com apenas um deles, Paulo Rocha. Via assessoria de imprensa, ele informou apenas não se lembrar de ter entrado ou não com alguma ação judicial contra a Decidir.com por causa da quebra de sigilo bancário.
Na época do ocorrido, a reportagem da Folha ignorou a presença societária na Decidir.com tanto de Verônica Serra, filha do candidato tucano, como de Verônica Dantas, irmã do banqueiro Daniel Dantas, dono do Opportunity. Verônica D. e o irmão Dantas foram indiciados, em 2008, pela Operação Satiagraha, da Polícia Federal, por crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, sonegação fiscal, formação de quadrilha, gestão fraudulenta de instituição financeira e empréstimo vedado. Verônica também é investigada por participação no suborno a um delegado federal que resultou na condenação do irmão a dez anos de cadeia. E também por irregularidades cometidas pelo Opportunity Fund: nos anos 90, à revelia das leis brasileiras, o fundo operava dinheiro de nacionais no exterior por meio de uma facilidade criada pelo BC chamada Anexo IV e dirigida apenas a estrangeiros.
A forma como a empresa das duas Verônicas conseguiu acesso aos dados de milhões de correntistas brasileiros, feita a partir de um convênio com o Banco do Brasil, sob a presidência do tucano Paolo Zaghen, é fruto de uma negociação nebulosa. A Decidir.com não existe mais no Brasil desde março de 2002, quando foi tornada inativa em Miami, e a dupla tem se recusado, sistematicamente, a sequer admitir que fossem sócias, apesar das evidências documentais a respeito. À época, uma funcionária do site, Cíntia Yamamoto, disse ao jornal que a Decidir.com dedicava-se a orientar o comércio sobre a inadimplência de pessoas físicas e jurídicas, nos moldes da Serasa, empresa criada por bancos em 1968. Uma “falha”no sistema teria deixado os dados abertos ao público. Para acessá-los, bastava digitar o nome completo dos correntistas.
A informação dada por Yamamoto não era, porém, verdadeira. O site da Decidir.com, da forma como foi criado em Miami, tinha o seguinte aviso para potenciais clientes interessados em participar de negócios no Brasil: “encontre em nossa base de licitações a oportunidade certa para se tornar um fornecedor do Estado”. Era, por assim dizer, um balcão facilitador montado nos Estados Unidos que tinha como sócias a filha do então ministro da Saúde, titular de uma pasta recheada de pesadas licitações, e a irmã de um banqueiro que havia participado ativamente das privatizações do governo FHC.
A ação do Decidir.com é crime de quebra de sigilo fiscal. O uso do CCF do Banco Central é disciplinado pela Resolução 1.682 do Conselho Monetário Nacional, de 31 de janeiro de 1990, que proíbe divulgação de dados a terceiros. A divulgação das informações também é caracterizada como quebra de sigilo bancário pela Lei n˚ 4.595, de 1964. O Banco Central deveria ter instaurado um processo administrativo para averiguar os termos do convênio feito entre a Decidir.com e o Banco do Brasil, pois a empresa não era uma entidade de defesa do crédito, mas de promoção de concorrência. As duas também deveriam ter sido alvo de uma investigação da polícia federal, mas nada disso ocorreu. O ministro da Justiça de então era José Gregori, atual tesoureiro da campanha de Serra.
A inércia do Ministério da Justiça, no caso, pode ser explicada pelas circunstâncias políticas do período. A Polícia Federal era comandada por um tucano de carteirinha, o delgado Agílio Monteiro Filho, que chegou a se candidatar, sem sucesso, à Câmara dos Deputados em 2002, pelo PSDB. A vida de Serra e de outros integrantes do partido, entre os quais o presidente Fernando Henrique, estava razoavelmente bagunçada por conta de outra investigação, relativa ao caso do chamado Dossiê Cayman, uma papelada falsa, forjada por uma quadrilha de brasileiros em Miami, que insinuava a existência de uma conta tucana clandestina no Caribe para guardar dinheiro supostamente desviado das privatizações. Portanto, uma nova investigação a envolver Serra, ainda mais com a família de Dantas a reboque, seria politicamente um desastre para quem pretendia, no ano seguinte, se candidatar à Presidência. A morte súbita do caso, sem que nenhuma autoridade federal tivesse se animado a investigar a monumental quebra de sigilo bancário não chega a ser, por isso, um mistério insondável.
Além de Temer, apenas outro parlamentar, o ex-deputado bispo Wanderval, que pertencia ao PL de São Paulo, se interessou pelo assunto. Em fevereiro de 2001, ele encaminhou um requerimento de informações ao então ministro da Fazenda, Pedro Malan, no qual solicitava providências a respeito do vazamento de informações bancárias promovido pela Decidir.com. Fora da política desde 2006, o bispo não foi encontrado por CartaCapital para informar se houve resposta. Também procurada, a assessoria do Banco Central não deu qualquer informação oficial sobre as razões de o órgão não ter tomado medidas administrativas e judiciais quando soube da quebra de sigilo bancário.
Fundada em 5 de março de 2000, a Decidir.com foi registrada na Divisão de Corporações do estado da Flórida, com endereço em um prédio comercial da elegante Brickell Avenue, em Miami. Tratava-se da subsidiária americana de uma empresa de mesmo nome criada na Argentina, mas também com filiais no Chile (onde Verônica Serra nasceu, em 1969, quando o pai estava exilado), México, Venezuela e Brasil. A diretoria-executiva registrada em Miami era composta, além de Verônica Serra, por Verônica Dantas, do Oportunity, Brian Kim, do Citibank, e por mais três sócios da Decidir.com da Argentina, Guy Nevo, Esteban Nofal e Esteban Brenman. À época, o Citi era o grande fiador dos negócios de Dantas mundo afora. Segundo informação das autoridades dos Estados Unidos, a empresa fechou dois anos depois, em 5 de março de 2002. Manteve-se apenas em Buenos Aires, mas com um novo slogan: “com os nossos serviços você poderá concretizar negócios seguros, evitando riscos desnecessários”.
Quando se associou a Verônica D. Na Decidir.com, em 2000, Verônica S. era diretora para a América Latina da companhia de investimentos International Real Returns (IRR), de Nova York, que administrava uma carteira de negócios de 660 bilhões de dólares. Advogada formada pela Universidade de São Paulo, com pós-graduação em Harvard, nos EUA, Verônica S. Também se tornou conselheira de uma série de companhias dedicadas ao comércio digital na América Latina, entre elas a Patagon.com, Chinook.com, TokenZone.com, Gemelo.com, Edgix, BB2W, Latinarte.com, Movilogic e Endeavor Brasil. Entre 1997 e 1998, havia sido vice-presidente da Leucadia National Corporation, uma companhia de investimentos de 3 bilhões de dólares especializada nos mercados da América Latina, Ásia e Europa. Também foi funcionária do Goldman Sachs, em Nova York.
Verônica S. ainda era sócia do pai na ACP – Análise da Conjuntura Econômica e Perspectivas Ltda, fundada em 1993. A empresa funcionava em um escritório no bairro da Vila Madalena, em São Paulo, cujo proprietário era o cunhado do candidato tucano, Gregório Marin Preciado, ex-integrante do conselho de administração do Banco do Estado de São Paulo (Banespa), nomeado quando Serra era secretário de Planejamento do governo de São Paulo, em 1993. Preciado obteve uma redução de dívida no Banco do Brasil de 448 milhões de reais para irrisórios 4,1 milhões de reais no governo FHC, quando Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-arrecadador de campanha de Serra, era diretor da área internacional do BB e articulava as privatizações.
Por coincidência, as relações de Verônica S. com a Decidir.com e a ACP fazem parte do livro Os Porões da Privataria, a ser lançado pelo jornalista Amaury Ribeiro Jr. Em 2011.
De acordo com o texto de Ribeiro Jr., a Decidir.com foi basicamente financiada, no Brasil, pelo Banco Opportunity com um capital de 5 milhões de dólares. Em seguida, transferiu-se, com o nome de Decidir International Limited, para o escritório do Ctco Building, em Road Town, Ilha de Tortola, nas Ilhas Virgens Britânicas, famoso paraíso fiscal no Caribe. De lá, afirma o jornalista, a Decidir.com internalizou 10 milhões de reais em ações da empresa no Brasil, que funcionava no escritório da própria Verônica S. A essas empresas deslocadas para vários lugares, mas sempre com o mesmo nome, o repórter apelida, no livro, de “empresas-camaleão”.
Oficialmente, Verônica S. e Verônica D. abandonaram a Decidir.com em março de 2001 por conta do chamado “estouro da bolha” da internet – iniciado um ano antes, em 2000, quando elas se associaram em Miami. A saída de ambas da sociedade coincide, porém, com a operação abafa que se seguiu à notícia sobre a quebra de sigilo bancário dos brasileiros pela companhia. Em julho de 2008, logo depois da Operação Satiagraha, a filha de Serra chegou a divulgar uma nota oficial para tentar descolar o seu nome da irmã de Dantas. “Não conheço Verônica Dantas, nem pessoalmente, nem de vista, nem por telefone, nem por e-mail”, anunciou.
Segundo ela, a irmã do banqueiro nunca participou de nenhuma reunião de conselho da Decidir.com. Os encontros mensais ocorriam, em geral, em Buenos Aires. Verônica Serra garantiu que a xará foi apenas “indicada” pelo Consórcio Citibank Venture Capital (CVC)/Opportunity como representante no conselho de administração da empresa fundada em Miami. Ela também negou ter sido sócia da Decidir.com, mas apenas “representante”da IRR na empresa. Mas os documentos oficiais a desmentem.

* Publicação da Carta Capital
** Logo pela manhã, ouvindo aquele locutor da Bandeirantes AM de São Paulo, o José Paulo de Andrade, com sua voz tonitruante, séria e autoritária imprimindo um tom de grande gravidade enquanto fala sobre as “denúncias” da revista vEJA, enquanto ignora e omite a seu público a existência da matéria de Carta Capital, é prá começar bem mal o dia do peão, não? Ou o cara ignora as denúncias da revista do Mino Carta, ou ele escolheu não falar nada ( acho que é a segunda opção ). Apresentando-se como um cara “autoridade”, ele me convenceu de sua competência profissional. Logo, se ele não fala da Carta Capital, não é por ignorância, mas por opção pura e simples. A verve democrática, dessa nossa velha mídia isenta e imparcial…

setembro 3, 2010

ESCÂNDALO DA VENDA DE DADOS: Números sigilosos, vendidos por R$ 6.000!

Venda de dados da Receita Federal acontecia já na era FHC
Do blog SEJA DITA VERDADE

Folha de S. Paulo, 16/02/2000:
COMÉRCIO ILEGAL
Números sigilosos eram vendidos por R$ 6.000
Polícia apreende disquetes com dados de 17 milhões de pessoas

da Reportagem Local
A Polícia Civil apreendeu disquetes que continham bancos de dados da Receita Federal com informações pessoais (CPF, RG e valor declarado no Imposto de Renda de 99) de 17 milhões de contribuintes e que eram vendidos por R$ 4.000 em São Paulo.
O comércio ilegal também oferecia a listagem dos assinantes da Telefônica em São Paulo (8 milhões) e da Telemar no Rio de Janeiro (3 milhões) por R$ 6.000.
Além dos telefones disponíveis nas listas telefônicas, os disquetes também continham informações reservadas -nome e telefone de usuários que não permitem a divulgação de seus dados, como empresários, políticos, juízes, policiais e artistas.
No caso do banco de dados da Receita Federal, o disquete oferecia dados da última declaração feita pelo presidente da República, Fernando Henrique Cardoso.
O material foi apreendido com o vendedor Jefferson Festa Perez, 23. Ele foi liberado e poderá ser indiciado por violação à propriedade intelectual de programas de computador. O vendedor oferecia os disquetes em classificados de jornais. Ele não esclareceu onde obteve os dados.
O delegado titular do 5º DP (Liberdade), Manoel Adamuz Neto, responsável pelo caso, afirmou que as informações existentes no banco de dados da Receita Federal e das empresas telefônicas poderiam facilitar a ação de criminosos, como sequestradores ou estelionatários.
A Receita Federal e as empresas Telefônica e Telemar informaram à polícia que ainda não descobriram como as informações chegaram ao mercado de São Paulo.

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