ENCALHE ( Descontinuado em 05.10.2013 )

outubro 2, 2013

Gastos públicos com juros já atingem R$ 230 bilhões

Filed under: WordPress — Tags:, — Humberto @ 6:06 pm

 

A elevação da taxa Selic fez explodir o desperdício de dinheiro público com juros. Em agosto, os gastos com juros totalizaram R$ 21,871 bilhões. Nos oito primeiros meses do ano, foram torrados R$ 163,358 bilhões (5,23% do PIB), enquanto que no acumulado de 12 meses, nada menos que R$ 229,640 bilhões (4,94% do PIB) foram para o cofre dos bancos através do pagamento de juros, segundo números divulgados pelo Banco Central na segunda-feira (30/09).

No ano, o superávit primário – desvio de recursos orçamentários para pagamento de juros – alcançou R$ 54,013 bilhões e no acumulado de 12 meses, R$ 84,739 bilhões. A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) estabeleceu para este ano a meta de R$ 155,841 bilhões para o superávit primário, mas podendo abater R$ 65 bilhões em função dos investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O governo já informou que pretende abater até R$ 45 bilhões, o que reduz a meta para R$ 110,9 bilhões.

O superávit primário suga recursos de investimentos em saúde, educação, transporte e de outros setores para se entregue aos bancos. Mesmo assim, não tem sido suficiente, gerando déficits nominais – R$ 109,345 bilhões no acumulado do ano -, que são cobertos com emissão de títulos, aumentando a divida pública. Em agosto, a dívida líquida do setor público alcançou R$ 1,537 trilhão (33,8% do PIB).
HORA DO POVO

agosto 16, 2013

“É o investimento público que puxa o privado e não o contrário”, diz senador Requião

Filed under: WordPress — Tags:, , , , — Humberto @ 12:30 pm

O senador Roberto Requião (PMDB/PR) afirmou que o câmbio valorizado artificialmente, a retomada da política de elevação de juros e o despreparo do governo federal para fixar uma estratégia de enfrentamento da crise dos EUA e Europa empurram o país para a desindustrialização, a sangria das remessas de lucros e intensificam o perigo do desemprego.

Ao manifestar sua preocupação com as perspectivas de desenvolvimento do país, em pronunciamento na segunda-feira (12), ele denunciou que não foi para combater a inflação, “que nunca fugiu do controle”, que o Banco Central voltou a aumentar juros.

“Voltamos ao ciclo traiçoeiro de ter de alimentar a especulação externa para atrair aplicações financeiras. Com isso, ingressamos no pior dos mundos, ou seja, revalorizamos a nossa moeda, radicalizamos o processo de desindustrialização e diminuímos a possibilidade de retomada das exportações, agravando o círculo vicioso da crise”, assinalou.

Requião também alertou para o risco de uma “crise cambial de curto prazo”, lembrando que toda vez que se aponta nessa ameaça, “os otimistas e o governo sacam como argumento os US$ 350 bilhões de nossas reservas”.

“Contudo, mesmo um elevado nível de reservas não resiste o efeito combinado de déficit comercial; déficit em conta corrente; remessa de lucros e juros crescentes ao exterior; redução dos investimentos externos; e a diminuição das exportações, tanto das manufaturas como dos produtos primários”, observou.

Segundo o senador, a indiferença dos dirigentes políticos do país com relação à gravidade da situação da economia já delineia no curto prazo um cenário de baixo crescimento do produto interno bruto (PIB). Para Requião, a política de promover desonerações já se esgotou enquanto instrumento de estímulo ao consumo, não produzindo outro resultado que não o favorecimento do lucro de empresas estrangeiras.

Ele apontou ainda como ameaça ao desenvolvimento a redução dos investimentos públicos, que o governo está colocando em prática a pretexto de controlar a inflação.

“O governo puxa o freio, na fiúza de que o investidor privado venha substituí-lo. Esquece aqui uma lição elementar, uma lição primária: no capitalismo, é o investimento público que puxa o investimento privado, e não o contrário”, frisou. ( HORA DO POVO )

junho 25, 2013

“O erro não é construir estádios com recursos do BNDES, o erro é pagar juros para banqueiros com recursos do tesouro”

Filed under: WordPress — Tags:, , , , — Humberto @ 6:44 pm

Estádios, educação e juros

CARLOS JORGE ROSSETTO*

A oposição ao Governo argumenta que não deveria o Governo investir na construção e reformas de estádios de futebol em preparação para a Copa das Confederações em 2013 e Copa do Mundo em 2014. Argumenta que esse dinheiro deveria ser investido em educação e saúde.

São 12 estádios sendo construídos ou reformados. 1-Manaus, estádio Vivaldão 2. São Paulo, Itaquerão 3. Fortaleza, Castelão 4. Porto Alegre, Pinheirão 5. Brasília, Mané Garrincha 6. Rio de Janeiro, Maracanã 7. Cuiabá, José Fragelli 8. Belo Horizonte, Mineirão 9. Natal, Arena das Dunas 10. Salvador, Fonte Nova 11. Curitiba, Arena da baixada 12. Recife, Cidade da Copa.

A estimativa para construção ou reforma desses 12 estádios de alto padrão é inferior à média de 1,78 bilhões cada um, ou seja investimento total inferior a 21,39 bilhões. O Brasil pagou de juros para os banqueiros apenas no ano de 2012 o total de 213,9 bilhões, ou seja 10 vezes mais. O Brasil não gastou para reformar ou construir 12 estádios espetaculares, que são dignos de orgulho, não gastou 10% do que pagou de juros apenas no ano de 2012 para banqueiros. Além do que o dinheiro gasto com estádios foram em grande parte financiamentos do BNDES para empreiteiras que terão que pagá-los de volta ao BNDES. Para os banqueiros o pagamento é do tesouro a fundo perdido. Este sim deveria ser investido em educação e saúde. É dinheiro que não retorna aos cofres do Estado. É dinheiro que não deixa resíduo material. A construção ou reforma dos estádios empregou de forma direta mais de 50 mil brasileiros, numa época em que o desemprego assolou parte do mundo. E deixa um resíduo expressivo, deixa rastro, deixa benefícios estruturais históricos. O dinheiro pago a banqueiros em forma de juros não deixa nenhum rastro, não dá emprego, ao contrário, desemprega porque retira recursos do tesouro reduzindo a capacidade de investimento e criação de emprego do Estado. A oposição e também a maioria da mídia brasileira silencia, não protesta contra esse desequilíbrio, não protesta contra esse absurdo pagamento de juros para banqueiros. O fato inegável é que procura-se esconder do povo brasileiro o que aconteceu na Islândia com os juros e os banqueiros. O erro não é construir estádios com recursos do BNDES o erro é pagar juros para banqueiros com recursos do tesouro. A oposição quando governou pagou muito mais.

Referência: Maria Lucia Fattorelli, Coordenadora da Auditoria Cidadã da Dívida http://www.dividaauditoriacidada.org.br Outubro -2010. Como a Dívida Pública afeta o Orçamento da União e aprofunda as Desigualdades Sociais no Brasil.

* Engenheiro agrônomo, pesquisador

HORA DO POVO

Verba que falta no serviço público foi para juro e múltis e não para a Copa ( Sem vedar esses ralos, solução fica difícil )

Filed under: WordPress — Tags:, , , , — Humberto @ 6:36 pm

Mídia manobra incautos para blindar privilégios de maiores anunciantes
De janeiro de 2011 a abril de 2013 foram desviados R$ 305 bilhões – que o governo federal empregaria na Saúde, Educação, Transportes, etc. – para a reserva dos juros, o “superávit primário”. Mas o total de juros transferidos aos bancos foi ainda maior: R$ 448 bilhões. Só em “desonerações”, o governo concederá R$ 70,1 bilhões este ano, beneficiando monopólios, via de regra multinacionais, com o único efeito de aumentar suas margens de lucro. Enquanto isso, o governo bloqueia gastos em seu Orçamento e mantém Estados e municípios sob uma asfixiante camisa-de-força financeira.
HORA DO POVO

Bancos tiraram da educação, saúde e transportes R$ 448 bi em 2 anos
Mídia dá cobertura para esse desvio de 5% do PIB feito pelos banqueiros e dispersa o foco das reivindicações

Em seu pronunciamento de sexta-feira, a presidente Dilma propôs “um grande pacto em torno da melhoria dos serviços públicos” – sobretudo os transportes urbanos, a Saúde e a Educação. Disse, também, que além de “convidar os governadores e os prefeitos das principais cidades do país”, iria ouvir “os líderes das manifestações pacíficas, os representantes das organizações de jovens, das entidades sindicais, dos movimentos de trabalhadores, das associações populares”.

Na segunda-feira, a presidente reuniu-se com alguns integrantes do Movimento Passe Livre e fez outro pronunciamento ante governadores e prefeitos. Disse a presidente que “nós todos sabemos onde estão os problemas. Nós todos sabemos que podemos construir soluções”.

Realmente, “os problemas” estão no monstruoso confisco de recursos públicos para juros, desonerações e financiamentos para as multinacionais, esmagamento financeiro dos principais Estados e municípios e contingenciamento sistemático das verbas orçamentárias. A solução (ou “construção das soluções”) está no fim da drenagem desses recursos e sua colocação para resolver os problemas do povo.

Sucintamente: de janeiro de 2011 a abril de 2013 foram desviados R$ 305 bilhões (mais exatamente: R$ 304.996.588.916) que estavam destinados às “despesas primárias” do governo federal (Saúde, Educação, Transportes e as demais despesas não-financeiras) para a reserva dos juros – o “superávit primário” do governo federal.

Apesar disso, no mesmo período, o total de juros transferidos aos bancos pelo governo federal somou R$ 448 bilhões (exatamente: R$ 448.178.902.484).

Esse gasto estúpido, quase 5% do PIB, foi uma decisão de política econômica, isto é, uma decisão do governo em nome de coisas tão mentirosas quanto “responsabilidade fiscal”, “austeridade fiscal”, “disciplina fiscal”, “consolidação fiscal” ou lá que apelido tenha essa pilhagem de recursos da coletividade em prol de meia dúzia (aliás, nem isso) de bancos. Este ano, em nome desse tipo de vigarice, além do previsto no Orçamento, já foram cortados mais R$ 28 bilhões com o mesmo objetivo.

O governo já está abatendo R$ 45 bilhões do “superávit primário”. Pela Lei Orçamentária Anual, pode abater até R$ 65,2 bilhões. Logo, há R$ 20,2 bilhões que podem e necessitam ser liberados, já e agora. (cf. SOF/MP, “Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias”, Brasília, maio 2013, p. 8).

O total de desonerações e benefícios fiscais concedidos pelo governo está, em 2013, em R$ 170 bilhões (R$ 170.015.969.718 – cf. SRF/MF, “Demonstrativo dos Gastos Governamentais Indiretos de Natureza Tributária – 2013”, págs. 13 a 98, Quadro I ao XXIII).

Porém, concentremo-nos na atual onda de desonerações, concedidas a partir do segundo semestre de 2011. Segundo o Ministério da Fazenda, essas montam, em 2013, a R$ 70,1 bilhões (cf. SPE/MF, “Economia Brasileira em Perspectiva”, 18ª Edição, março 2013, p. 42).

Muitas dessas desonerações – possivelmente a maior parte em valor – servem apenas para aumentar a margem de lucros dos monopólios privados, via de regra multinacionais, sem qualquer efeito positivo no crescimento ou no emprego, pelo contrário. É o caso das desonerações concedidas à indústria automobilística, à “linha branca”, às teles, aos açambarcadores de aeroportos, ferrovias, ao cartel de armadores e aos futuros açambarcadores de portos, e, inclusive, à mídia (a MP nº 612 concedeu R$ 1,266 bilhão de desonerações cumulativas à mídia). Imediatamente é possível liberar mais R$ 20 bilhões a.a., no mínimo, que hoje não são pagos em função das desonerações.

A terceira fonte de recursos é o fim da opressão pela dívida que o Tesouro, desde o governo Fernando Henrique, mantém sobre Estados e municípios. Um exemplo: o Estado de São Paulo renegociou uma dívida de R$ 50,3 bilhões em junho de 1998 e, até o final de 2012, pagara R$ 91,8 bilhões ao Tesouro, por conta dessa renegociação; no entanto, a dívida cresceu para R$ 188,5 bilhões (março de 2013). Ou seja, São Paulo pagou 1,8 vezes a dívida e, apesar disso, a dívida estadual aumentou 3,7 vezes (todos os dados têm como fonte o BC).

Logo, a proposta de – além de mudar o indexador da inflação nos contratos dos Estados com a União para o IPCA (ao invés do atual, o irreal IGP-DI) – abater 45% do principal da dívida, recentemente em discussão na Câmara dos Deputados, nada tem de absurda. Pelo contrário, é insuficiente: seria necessário diminuir na mesma proporção o comprometimento das receitas estaduais com essa dívida (hoje entre 13% e 15%) e os juros (hoje em 6% ao ano).

Isso liberaria recursos importantes para o investimento nos serviços públicos – até porque a maior parte do investimento público, no Brasil, é feito pelos Estados e municípios, que no momento estão sitiados por essa dívida e pelas desonerações – que reduzem o Fundo de Participação dos Estados (FPE) e o Fundo de Participação dos Municípios (FPM).

Além disso, é preciso cumprir o próprio Orçamento. Hoje existem R$ 170 bilhões em “restos a pagar”, ou seja, pagamentos que não foram feitos no ano de vigência de Orçamentos anteriores. Enquanto isso, no ano passado, o setor de Transportes, fora os “restos a pagar”, realizou apenas 34,91% da verba aprovada pelo Congresso no Orçamento de 2012. A Educação, pelo mesmo critério, realizou 68,26% (dados do SIAFI correspondentes à execução orçamentária até 31/12/2013).

Para este ano, segundo nota publicada pelo Ministério do Planejamento, “o governo repetirá o receituário de anos anteriores e executará prioritariamente neste primeiro semestre os chamados ‘restos a pagar’ – recursos já autorizados de Orçamentos passados”. Esse é um caminho que só conduzirá à catástrofe.

C.L.

Para professor da UFRJ , governo deve aumentar os investimentos públicos e diminuir os juros

outubro 5, 2011

Para Amir Khair, aumento da Selic agrava a inflação

Filed under: WordPress — Tags:, , , , — Humberto @ 7:37 pm

Diante da decisão do governo de reduzir as taxas de juros, “os guardiões da inflação fazem uma verdadeira chantagem inflacionária, para pressionar o BC a manter a Selic elevada”, afirma o economista Amir Khair. “É o seu lucro em jogo e desfilam argumentos para mostrar que há ameaça de inflação no horizonte, pois: a) os preços dos serviços caminham para crescer 8% a 9% neste ano; b) o reajuste salarial de algumas categorias de trabalhadores está sendo feito acima da inflação passada; c) o novo salário mínimo vai aumentar o consumo e; d) os preços das commodities não vão cair, pois a China continuará a ter crescimento forte, demandando produtos”.

Para o economista, há duas posições em debate. “A dos guardiões da inflação, liderada pelo mercado financeiro, vê inflação crescente devido ao excesso da demanda em relação à oferta. Para combater a inflação advogam a redução do consumo via elevação da Selic. Se o Banco Central (BC) não manter a Selic em nível elevado, perde a credibilidade e não ancora as expectativas dos formadores de preços, etc”, avalia. “Para essa corrente o país não pode crescer acima de 3,5%, pois fatalmente seria rompido o teto da meta de inflação de 6,5%, gerando o descontrole dos preços”, afirma em artigo publicado na Carta Maior.

“A outra posição defendida pelo governo”, diz Khair, “é de que não há ameaça de inflação, pois a crise está derrubando os preços internacionais, o que acaba por manter os preços internos sob controle. Nessa situação, a Selic pode cair para um nível inferior ao atual, sem maiores problemas para a inflação. Essa corrente defende que é possível manter a inflação dentro do limite da meta, com um crescimento ao nível de 4,5% a 5,0% e defende estímulos à economia”.

Para o ex-secretário de Finanças da primeira administração do PT na Prefeitura de São Paulo,“nessa discussão cada lado tem seus argumentos, mas o que chama a atenção é que ambos os lados usam a Selic para defender sua posição e ela não tem nada a ver com o problema, pois não altera o preço dos serviços, não altera a oferta de crédito, nem o valor das prestações, não influi sobre os preços internacionais e pior, desestimula a oferta ao inibir os investimentos das empresas, sendo esse importante fator de equilíbrio entre oferta e demanda. Em vez de atenuar a inflação a Selic a agrava”.

Segundo ele, tem-se uma “falsa discussão” e a Selic não tem nada a ver com isso. “A inflação pode subir ou cair? Pode. A crise pode reduzir os preços internacionais? Pode. E a Selic, o que tem a ver com isso? Nada, absolutamente nada”, enfatiza.

“Se não tem a ver com isso, porque é a mais alta do mundo há tanto tempo? É porque predomina no País o rentismo, que é o ganho fácil, sem risco, em cima do governo federal, que paga os juros de quem aplica em, seus títulos, que têm taxas de juros balizadas pela Selic”.

PURO CHUTE

Ao registrar a queda das cotações das commodities – “o pior desempenho desde outubro de 2008, ápice da crise financeira com a quebra do Lehman Brothers – e a ameaça de recessão na Europa e EUA que pode pôr fim a um ciclo exuberante de demanda aquecida e preços estratosféricos, Amir Khair afirma que apesar desta tendência declinante de preços, fato é que prever inflação está sujeito a erro que é tanto maior quanto maior o período que se quer prever. Tanto o mercado financeiro quanto o BC prevêem inflação acima da meta de 4,5% neste e no próximo ano. É puro chute. Essas previsões falham mesmo para um mês à frente, como ocorreu no terceiro trimestre de 2010, quando o mercado financeiro previu inflação de 0,4% em cada mês e ela foi zero. Fato é que se a crise for da intensidade que está se manifestando, pode ocorrer até deflação surpreendendo os guardiões da inflação”.

“De modo geral, os produtos agrícolas foram mais castigados que a média das commodities. Em setembro, o índice CRB, que acompanha também matérias-primas metálicas e energéticas, caiu 10,69%, o maior tombo desde outubro de 2008. Isso é importante, especialmente para os países emergentes onde o custo da alimentação prepondera no orçamento doméstico e a inflação depende mais da evolução dos preços dos alimentos. No Brasil alimentos e bebidas respondem por 23,4% do IPCA”.

ATIVAR A ECONOMIA

“O crescimento se dá pelo estímulo ao consumo e, também, pelo estímulo ao investimento para aumentar a oferta interna de produtos e serviços. É essa oferta que irá atender junto com a oferta internacional o mercado, suprindo suas necessidades. Se os preços internacionais estiverem em queda, a inflação estará em queda. Se, ao contrário, estiverem em ascensão, teremos pressão inflacionária. Mas a pressão inflacionária não se combate com a redução da atividade econômica, mas sim com, a elevação da oferta. É esse o caminho virtuoso do crescimento”.

Ao contrário do BC que “face à crise reduziu a previsão de crescimento deste ano de 4,0% para 3,5%, nível abaixo da média do crescimento mundial prevista em 4,0% pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e bem abaixo do crescimento dos países emergentes de 6,4%”, Khair diz que o governo ainda objetiva alcançar o crescimento entre 4,0% e 4,5% e prevê crescer 5,0% em 2012. “Para isso vai precisar ativar a economia, pois a crise já começou a afetar todos os países”, afirma.

“Mas, como o mercado financeiro está percebendo que o BC vai continuar reduzindo a Selic, está fazendo um verdadeiro terrorismo inflacionário para manter a Selic elevada. Não vai adiantar. O governo vai reduzir a Selic. Com isso vão sobrar recursos fiscais para ampliar as ações de governo em áreas chaves como educação, saúde e investimentos em infraestrutura.”
 ( HORA DO POVO )

fevereiro 16, 2011

Paulo Nogueira Batista Jr. diz que diferença entre juro interno e externo é uma praga para o país

“Nós temos um diferencial de juros, uma diferença de juros brasileiros dos países centrais, brutal, que aumentou agora com a decisão do Copom. Essa diferença torna o carry trade, a especulação com o real, altamente atraente”, disse Paulo Nogueira Batista Jr., diretor executivo do FMI, alertando para a guerra comercial e clamando pela defesa do país contra a invasão de capitais estrangeiros. O economista advertiu que se o BC continuar subindo os juros “vai atrair capital até da Lua”.
Diferencial de juros é brutal para o Brasil, diz Nogueira Batista Jr.
Em entrevista à TV Senado [ assista aqui ], no dia 14 de fevereiro, o diretor-executivo do Fundo Monetário Internacional, Paulo Nogueira Batista Jr, representante do Brasil e mais 8 países da América Latina no Fundo, afirmou que o Brasil está muito preocupado com sua economia e com setores da indústria que são atingidos com a valorização cambial e com a repercussão nas contas externas.
Segundo ele, existe uma guerra cambial provocada pelo comportamento de algumas grandes economias, de países centrais, como os EUA, que em recessão inundaram o mundo com 600 bilhões dólares. “Estão apelando, fazendo coisa do arco da velha para reativar a economia, tanto do ponto de vista monetário quanto fiscal”, disse.
Nogueira Batista destacou que uma das razões principais da invasão de capitais estrangeiros no país, fazendo com que o dólar que já vem derretendo no mundo, derreta ainda mais no Brasil, e o real se valorize mundo além das expectativas dos exportadores e dos industriais em geral, conforme destacou o jornalista Helival Rios, “é o diferencial de juros”. “A diferença do juro brasileiro e os juros dos países centrais é brutal, que aumentou agora com essa decisão do Copom. Esse diferencial torna o carry trade, a especulação com o Real, altamente atraente”.
“A bateria de medidas que a Fazenda e o Banco Central tomaram no final do ano passado e início desse ano, conseguiu-se estabilizar o dólar, em torno de 1,70, um pouco menos, mas não resolveu o problema”, disse. “O que o Brasil está fazendo é criar desincentivos à tomada de empréstimos no exterior, à entrada de capitais externos, na expectativa de que isso contenha a desvalorização. Mas, se o Banco Central anuncia o aumento da taxa de juro e que vai continuar aumentando…”.
Além da redução dos juros, Nogueira Batista defende medidas contra a guerra comercial, como o controle da entrada de capitais, medidas anti-dumping e a compensação de subsídios. “Temos que intensificar o esforço de defesa de nossa economia contra essas invasões”, ressaltou.
Para o economista, “aumentar meio, mais meio, mais meio…, vai levar o Brasil a atrair capital até da Lua, uma taxa de juro completamente discrepante do que a gente vê no resto do mundo”.
( HORA DO POVO, 16/02/2011 )

dezembro 10, 2010

Pochmann: “Corte nos investimentos é retrocesso. Ideal é baixar juros e taxar de verdade os ricos.”

Pochmann repele cortes e defende redução de juros e mais produção
O presidente do Ipea criticou as propostas do ministro Guido Mantega, que quer reduzir o investimento público, inclusive em obras o PAC
O presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcio Pochmann, criticou o corte de gastos públicos anunciado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, na segunda-feira (6). Para o economista, a redução da taxa de juros daria um alívio maior sobre as contas públicas, com a vantagem de não produzir retração econômica. “A maior eficiência do gasto público é no pagamento do serviço da dívida. A melhor forma de fazer ajuste fiscal é reduzir a taxa de juros. Assim, precisa de menos receita pública para comprometer com a dívida”, afirmou Pochmann em entrevista à Rede Brasil Atual.
Sobre o argumento de Mantega de que o corte de despesas vai contribuir para a redução de juros, Pochmann disse que “a hipótese novamente recuperada é de que há problemas de ordem fiscal que fazem com que o Brasil precise de juros mais altos para atrair recursos para pagar o déficit público. Por outro lado, toda vez em que os juros são altos, há um custo fiscal maior, que onera demasiado os títulos públicos, impondo um custo de gestão da dívida além do necessário. A experiência recente do Brasil demonstrou que ajuste fiscal nos moldes dos anos 1990 não permitiram reduzir a taxa de juros. A redução real foi feita sem esse tipo de ajuste fiscal, justamente na opção pelo crescimento da economia nacional”.
De acordo com o economista, “cortar investimento é uma decisão que pode significar justamente perder uma forma de administrar a inflação. A melhor maneira de enfrentá-la é aumentar a capacidade produtiva do país. Ao cortar investimento, a capacidade cresce menos e, portanto, a possibilidade de o país continuar crescendo fica limitada”.
Mesmo com intenção de incluir nos cortes as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o ministro da Fazenda asseverou que fará um ajuste fiscal diferente da década de 1990. Para Pochmann, “o procedimento de cortes de gastos podem ser inteligentes. Sempre há espaço para isso, não sendo um corte vertical – digamos, 10% de tudo. Há rubricas que poderiam ser limitados com um manejo mais inteligente, mas todo corte de investimento é uma dificuldade a mais para o crescimento a médio e longo prazos. Especialmente em um país cuja taxa de investimento é ridiculamente baixa, inferior a 20% (do PIB). O Brasil precisa aumentar sua taxa de investimento (em relação ao volume do PIB), de modo que não me parece uma decisão acertada cortar investimento. Pode ajudar no curto prazo, mas comprometer no longo prazo”.
“Em relação ao custeio, houve aumento, mas proporcionalmente ao PIB não foi significativo. Cortar o gasto social seria também um problema. Um dos êxitos do Brasil é ter colocado os investimentos sociais como indutores do próprio desenvolvimento nacional. É a distribuição da renda que fortalece a expansão do mercado interno brasileiro”, acrescentou.
Pochmann destacou que no governo Lula houve uma opção política de se colocar no centro o desenvolvimento econômico em substituição ao arrocho fiscal: “E demonstrou, a nosso modo de ver, que a busca do crescimento econômico foi fundamental para a reversão das fragilidades em termos de finanças públicas. Quando o crescimento tornou-se um compromisso político, houve melhoras generalizadas, sobretudo no quadro fiscal de endividamento do setor público. Ao mesmo tempo, houve um fortalecimento dos investimentos públicos”.
Segundo o economista, é possível buscar uma melhoria da arrecadação dos gastos públicos. “De um lado, pode-se melhorar a arrecadação, porque infelizmente a tributação é regressiva, são os pobres que mais pagam imposto no país. De outro lado, há espaço permanente para melhorar o gasto, porque há ineficiências. Mas não me parece o mais acertado colocar o ajuste fiscal como questão central do Brasil”, sublinhou.

( HORA DO POVO, 10.12.2010 )

agosto 2, 2010

Os analistas caras de pau, Por Luiz Nassif

Filed under: WordPress — Tags:, , , , — Humberto @ 11:26 am

Nos últimos dias houve enorme alarido entre economistas ligados ao mercado e comentaristas econômicos conhecidos. Tudo se deveu ao fato do Banco Central ter divulgado um relatório de avaliação dos rumos da inflação, voltando atrás no cenário traçado pouco antes, no relatório de inflação.
O banco reviu projeções, analisou os últimos indicadores e constatou que a inflação não era mais ameaça – como supunha (erroneamente) pouco tempo atrás.
A grita não se deveu ao fato do BC, antes, ter errado para cima suas projeções; mas ao fato de ter revisto para baixo. Essa revisão acabou derrubando as projeções de juros futuros.
Qualquer análise que levasse em conta o crescimento da economia, a geração de empregos, o aumento da produção, celebraria essa revisão.
A grita se deveu a outros motivos.
Há tempos alguns de meus colegas jornalistas de economia e muitos dos economistas de mercado já não disfarçam que o foco de suas análises é o maior ou menor lucro proporcionado ao mercado financeiro. Qualquer decisão que implique aumento de juros, esteja ou não embasada em análises sólidas, é celebrada como virtuosa. Qualquer decisão de redução dos juros, por mais alicerçada que esteja nos fundamentos da economia, é amaldiçoada como se fosse despertar o demônio da inflação.
A cara de pau desse povo é tamanha que se chega ao cúmulo de afirmar que, se o BC não aumentar os juros em determinado momento – em que não existem pressões inflacionárias – será obrigado a aumentar muito mais no futuro. Como se os modelitos de previsão de inflação pudessem prever prazos maiores que doze meses.
Os erros do BC ocorreram a partir do segundo trimestre do ano. Não foi erro de um ou outro diretor, mas um vício que tomou conta do departamento incumbido de analisar as metas de inflação, um viés ideológico incompatível com o desafio de ajudar a monitorar um dos preços básicos da economia: os juros.
Primeiro, tomaram os dados do primeiro trimestre e projetaram. Não levaram em conta que a alta não poderia ser projetada para o ano todo. Sempre que há uma mudança no volume de vendas, o primeiro salto é maior do que os seguintes, devido ao fato de, ao aumento de vendas se sobrepor compras adicionais para recomposição de estoques.
Depois, não levaram em conta o efeito antecipação de compras, dos que adquiriram bens com isenção de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), sabendo que a promoção terminaria em abril.
Também não consideraram a redução dos gastos públicos no segundo semestre, devido ao efeito-eleição. Nem tão pouco os efeitos sobre a economia do fim das medidas de estímulo.
O resultado foi uma elevação indevida da taxa de juros, com efeitos deletérios sobre a economia. É mais dinheiro tirado de investimentos, de gastos sociais, de despesas essenciais para os juros. Sem contar o efeito sobre expectativas empresariais, reduzindo o volume de investimentos anteriormente planejado. O país paga e não há punição para o erro.
No entanto, a grita dos meus colegas é devido ao fato do BC não ter persistido no erro.

Publicado no LUIZ NASSIF ONLINE

junho 11, 2010

Mídia golpista infla PIB para BC subir juros e travar crescimento

Filed under: WordPress — Tags:, , , , , — Humberto @ 11:05 pm

Mídia golpista infla PIB para BC subir juros e travar crescimento
Os 9% de crescimento do PIB no 1º trimestre, comparado ao mesmo trimestre de 2009, é um efeito sobretudo da queda de 2,1% da economia brasileira nesse último, quando a Índia crescia 5,8% e a China, 6,1%. Mas, para dizer que a economia está “superaquecida”, e, portanto, que é preciso aumentar os juros para “desaquecê-la”, o ainda moderado crescimento brasileiro virou “ritmo chinês”. No mesmo dia, Henrique Meirelles aumentou os juros básicos – a taxa real, 5,2%, além de maior do mundo, é mais do dobro da segunda mais alta, a da China, 2,4%.
‘Ritmo chinês’ é invenção para bloquear crescimento do país
Para isso, BC tratou logo de aumentar os juros
Ulysses Guimarães, que era sábio, disse uma vez que jabuti não sobe em árvore; se está lá, é porque alguém o colocou. Na quarta-feira, as manchetes e títulos da mídia serrista eram jabutis arbóreos: uma festa em torno do crescimento do PIB. Teriam eles se transformado em lulistas convictos da noite para o dia? Talvez isso aconteça no dia em que os jabutis começarem a subir em árvores por moto próprio.
O macróbio Estadão apareceu com: “Expansão de 9% do PIB só perde para China”. A “Folha de S. Paulo” saiu com “PIB tem maior alta desde 1996”. No “O Globo”, o Ali Kamel não se segurou e abriu o jogo: “PIB recorde mostra risco de superaquecimento”.
Claro está, o Brasil não pode crescer – mesmo quando, com a crise dos países centrais, tem o caminho aberto para crescer. Se a economia cresce, está “superaquecida” – e aumento de juros em cima dela, coisa que o sr. Meirelles fez algumas horas depois, na mesma quarta-feira.
Não havia a inflação, que estava em queda, como pretexto. Logo, o problema era o “excesso” de crescimento, que, claro, iria causar “tensões inflacionárias futuras”. Mas a taxa de investimento está crescendo mais que o consumo. Portanto, não havia ameaça inflacionária futura. Ora, leitor, desde quando uma questiúncula dessas embaraçou o Meirelles?
Com o aumento dos juros básicos em 0,75 pontos percentuais, o Brasil continua com a maior taxa real de juros do mundo (5,2%), e com uma taxa real que é mais que o dobro da segunda colocada (a da China, 2,4%; a terceira é a da Indonésia, 2,2%; e a quarta é a da Rússia, 1,7%). Enquanto isso, a taxa real dos juros básicos nos EUA está em -1,9% (menos 1,9%); na Alemanha em -0,2% (menos 0,2%); na França em -0,7% (menos 0,7%); na Inglaterra em -3,1% (menos 3,1%).
Uma taxa de +5,2% serve para travar o crescimento e para que os especuladores entrem aqui com montanhas de dólares, para aproveitar o diferencial entre as taxas dos seus países e a taxa daqui – em suma, serve para que eles saqueiem os recursos do país e causem a hipervalorização do real, que diminui a competitividade da produção nacional, barateando os produtos importados em relação aos fabricados pela indústria nacional. Assim, o câmbio pseudo-flutuante e os juros são um dumping a favor das importações.
O resultado é que estamos com um déficit em transações correntes (saldo comercial – remessas para o exterior + recursos enviados por brasileiros residentes no exterior) que, somente entre janeiro e abril, chegou a US$ 16,7 bilhões. Nos 12 meses até abril, esse déficit atingiu US$ 36,1 bilhões – 2% do PIB.
Mas, voltemos, por um momento, ao suposto “superaquecimento”.
A “Folha” publicou, logo na primeira página, uma tabela colorida, comparando o 1º trimestre de 2010 com o de 2009. Segundo o jornal do Otavinho, o Brasil teve um crescimento (9%) acima da Índia (8,6%), e quase colado na China (11,9%).
Trata-se de uma tabela perfeitamente idiota, se não fosse manipulação. A Índia e a China cresceram 8,6% e 11,9%, por comparação com um 1º trimestre de 2009 em que, respectivamente, haviam crescido 5,8% e 6,1% (também em relação ao 1º trimestre do ano anterior). Já os 9% do Brasil foram por comparação com um 1º trimestre de 2009 em que o PIB caiu 2,1%. Para superar a China, bastaria comparar o primeiro trimestre com um período anterior de queda ainda mais funda. Assim, poderíamos inaugurar uma fábrica de números e de “superaquecimentos” e nem por isso a realidade mudaria em nada. Seria somente vigarice. Infelizmente, os 9% do Brasil refletem algo diferente dos 8,6% e 11,9% da Índia e da China. Refletem, sobretudo, a queda no 1º trimestre de 2009.
Evidentemente, “superaquecimento” é o mote para enfiar uma camisa de força naquilo de que mais precisamos – o crescimento. Lamentavelmente, somos forçados a reconhecer que o nosso governo caiu nessa cilada. Mas nada que não se possa recuperar, tão logo a realidade seja reconhecida.
Sejamos claros, até óbvios: a “Folha”, o “Estadão” e ”O Globo” preferem Serra porque não querem que o país cresça, que o povo melhore de vida, que o país seja independente e desenvolvido. Já dizia Murtinho, ministro da Fazenda de Campos Sales: essas coisas são apanágios da “raça anglo-saxã”.
Para que não cresçamos, dizem que estamos crescendo demais. Em relação ao 4º trimestre de 2009, o crescimento foi 2,7%. Logo alguns proclamaram que o Brasil está crescendo 11% ao ano. O truque é velho, muito usado pelos norte-americanos, que multiplicam por quatro o resultado de um trimestre, como se naqueles que vêm a seguir, o crescimento fosse o mesmo. Em suma, futurologia de trapaceiro.
Como o presidente já declarou, seu programa não é promover um voo de galinha. Portanto, essa mediocridade de berrar “superaquecimento!” e “mais juros!” diante até de um moderado crescimento, nada tem a ver com o programa de seu governo. Certamente, existem problemas para o crescimento. Mas há alguns que, ao invés de enfrentá-los, preferem o atoleiro dos problemas da estagnação. No entanto, não há nada para solucionar os problemas do crescimento que já não tenhamos feito em outras épocas, com menos recursos, com uma economia menos poderosa, e com menos experiência. Quais são esses problemas a solucionar para que o crescimento não seja estrangulado?
O primeiro é a política altos juros e contenção do crescimento, instalada no BC. Aliás, a razão pela qual não está sendo muito difícil derrotar Serra é porque pouca gente neste país quer que essa política tome todo o governo. O segundo problema é o problema externo.
No 1º trimestre, as importações aumentaram 13,1% e as exportações aumentaram 1,7%. No trimestre anterior, as importações haviam aumentado 13,3%, enquanto as importações aumentavam 3,3%. Exportamos US$ 54,4 bilhões de janeiro a abril; mas o saldo comercial foi de quase irrisórios (para a magnitude que exportamos) US$ 2,2 bilhões, porque as importações foram de US$ 52,2 bilhões. De um saldo, em 12 meses, nas transações correntes, de US$ 13,6 bilhões (dezembro de 2006), passamos para um déficit de US$ 28,2 bilhões (dezembro de 2008), e, agora, para um déficit de US$ 36,2 bilhões.
Há quem tenha ainda a ilusão de que vamos financiar esses déficits – isto é, cobrir esse rombo – com capital estrangeiro, e a curto prazo os países centrais vão se recuperar e aumentar as compras de mercadorias daqui. Se o atual castelo de cartas europeu não for suficiente para mostrar que isso é quase uma alucinação, existem a fábrica de dólares do banco central dos EUA, a política do governo Obama de aumentar o saldo comercial a fórceps e o ambiente de barata-voa em todos os países centrais.
Como diz um economista: “… O desfecho dessa estória (…) é sempre o mesmo: parada súbita da entrada de capitais (…), o que leva a uma depreciação violenta (…) da taxa nominal de câmbio, o que força a adoção de políticas monetária e fiscal fortemente contracionistas, levando o país a recessão” (José Luiz Oreiro, “É a restrição externa, estúpido”, Valor Econômico, 09/06/2010).
A base da nossa economia somente pode ser o nosso mercado interno – país que depende do mercado de outros, em breve será país falido. Há 15 anos o Japão está aprendendo tal verdade.
O nosso problema, então, está na desnacionalização extensa da economia – com o aumento das remessas para o exterior e das importações – e no câmbio, com o real hipervalorizado devido, sobretudo, aos juros altos. Filiais de multinacionais são, essencialmente, exportadoras de lucros e importadoras de bens intermediários de suas matrizes, para montagem do que, supostamente, fabricam aqui. Ou aumentamos o grau de nacionalização da economia e acabamos com a manipulação do câmbio, ou certamente as contas externas se transformarão num Procusto do crescimento, cortando as pernas ou a cabeça da economia para que caiba em seu exíguo leito.
O que é ainda mais necessário porque o câmbio tange as empresas nacionais a também importarem bens intermediários e insumos para a sua produção, mesmo quando existem (ou existiam) outras empresas nacionais que fabricam esses bens no mercado interno.
Crescer não é uma maldição a ser exorcizada com aumentos de juros. Pelo contrário, é a benção de um país e de um povo que lutam para ser livres.
CARLOS LOPES
Copom eleva Selic a 10,25%
Entidades da indústria e do comércio condenam alta
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu elevar, nesta quarta-feira (9), por unanimidade, a taxa básica de juros em 0,75 ponto percentual. De julho de 2009 a março deste ano, apesar do clamor do setor produtivo pela redução dos juros, o BC manteve inalterada a taxa, em 8,75%, retomando a escalada de aumento a partir de abril, quando a Selic foi a 9,5%. Com a alta este mês, a taxa passou a 10,25% ao ano.
A decisão do BC foi criticada pelas principais entidades empresariais do país. A avaliação é a de que o aumento dos juros prejudicam os investimentos, que estavam em evolução, o desenvolvimento, e a geração de empregos.
Para a Confederação Nacional da Indústria, “o aumento do investimento foi mais intenso do que o do consumo para o crescimento da economia no primeiro trimestre. A maturação desses investimentos aumentará a capacidade de produção da indústria, o que reduzirá eventuais pressões inflacionárias no futuro. Além disso, a evolução recente dos preços aponta para o arrefecimento da inflação, especialmente dos alimentos”.
“Os preços estão se comportando sem altas significativas mesmo antes do primeiro aumento da Selic ter ocasionado efeito na atividade produtiva. Por outro lado, mesmo essas pressões localizadas de preços já sofrem processo de dissipação, o que nos leva a contestar a conservadora política monetária praticada no País”, afirmou a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). “Diante desse cenário, a Fiesp continua, responsavelmente, argumentando que o ciclo de aumentos na taxa básica de juros (Selic) contraria a lógica dos números da economia brasileira e prejudica o desenvolvimento, incluindo o aspecto relevante da geração de empregos”.
COMÉRCIO
O comércio também reagiu contra a elevação da taxa básica de juros. A Federação do Comércio de São Paulo (Fecomercio) destacou que “ao promover um novo aumento dos juros básicos da economia, o BC renova a façanha de manter o Brasil como o detentor da maior taxa de juros do planeta”. De acordo com o presidente da Fecomercio, Abram Szajman, é preocupante “o fato de que o aumento da Selic, que passa a se posicionar acima de dois dígitos, interfere diretamente no bom momento vivido pela economia brasileira”.
“A decisão do Copom preocupa a Fecomércio-RJ por prejudicar o desempenho do comércio, que contribui muito para o crescimento econômico do país”, diz a entidade. “A opção pela atividade comercial melhora a qualidade de vida da população, dá acesso a uma alimentação digna e a produtos duráveis, conquistas que se mostraram importantes durante a recuperação da crise”, ressaltou o presidente da Fecomércio-RJ, Orlando Diniz.
A única voz de apoio ao aumento da Selic partiu de quem se beneficia dos juros altos. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) frisou que a decisão “está dentro das expectativas do mercado financeiro, como apontam as taxas de juros futuros”.
O Brasil continua com os maiores juros reais do mundo. Descontada a inflação, os juros básicos no Brasil estão em 5,2% ao ano, mais que o dobro do que os da China, em 2,4%. Em terceiro estão os da Indonésia, em 2,2%.

( Publicado no HORA DO POVO, ed.2871, 11/06/2010 )

Crie um website ou blog gratuito no WordPress.com.