ENCALHE ( Descontinuado em 05.10.2013 )

agosto 16, 2013

“É o investimento público que puxa o privado e não o contrário”, diz senador Requião

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O senador Roberto Requião (PMDB/PR) afirmou que o câmbio valorizado artificialmente, a retomada da política de elevação de juros e o despreparo do governo federal para fixar uma estratégia de enfrentamento da crise dos EUA e Europa empurram o país para a desindustrialização, a sangria das remessas de lucros e intensificam o perigo do desemprego.

Ao manifestar sua preocupação com as perspectivas de desenvolvimento do país, em pronunciamento na segunda-feira (12), ele denunciou que não foi para combater a inflação, “que nunca fugiu do controle”, que o Banco Central voltou a aumentar juros.

“Voltamos ao ciclo traiçoeiro de ter de alimentar a especulação externa para atrair aplicações financeiras. Com isso, ingressamos no pior dos mundos, ou seja, revalorizamos a nossa moeda, radicalizamos o processo de desindustrialização e diminuímos a possibilidade de retomada das exportações, agravando o círculo vicioso da crise”, assinalou.

Requião também alertou para o risco de uma “crise cambial de curto prazo”, lembrando que toda vez que se aponta nessa ameaça, “os otimistas e o governo sacam como argumento os US$ 350 bilhões de nossas reservas”.

“Contudo, mesmo um elevado nível de reservas não resiste o efeito combinado de déficit comercial; déficit em conta corrente; remessa de lucros e juros crescentes ao exterior; redução dos investimentos externos; e a diminuição das exportações, tanto das manufaturas como dos produtos primários”, observou.

Segundo o senador, a indiferença dos dirigentes políticos do país com relação à gravidade da situação da economia já delineia no curto prazo um cenário de baixo crescimento do produto interno bruto (PIB). Para Requião, a política de promover desonerações já se esgotou enquanto instrumento de estímulo ao consumo, não produzindo outro resultado que não o favorecimento do lucro de empresas estrangeiras.

Ele apontou ainda como ameaça ao desenvolvimento a redução dos investimentos públicos, que o governo está colocando em prática a pretexto de controlar a inflação.

“O governo puxa o freio, na fiúza de que o investidor privado venha substituí-lo. Esquece aqui uma lição elementar, uma lição primária: no capitalismo, é o investimento público que puxa o investimento privado, e não o contrário”, frisou. ( HORA DO POVO )

maio 31, 2013

Requião: “leilões de petróleo são antinacionais e injustificáveis”

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“Como defender, como justificar, mais esta rodada de leilões de petróleo”?, questionou o senador do PMDB paranaense

Em discurso feito na terça-feira (28), o senador Roberto Requião (PMDB-PR) criticou a onda de privatizações anunciadas recentemente pelo governo e chamou a decisão do Planalto de realizar os leilões do petróleo como uma “grande desgraça para os brasileiros”. “Poucas vezes ouvi e li argumentos tão oportunistas, tão antinacionais, tão frágeis e tão pouco honestos a favor de alguma coisa, como os em defesa dos leilões”, afirmou Requião.

“Ao ouvir e ler fiquei triste porque vi mais companheiros abandonando posições na barricada em defesa dos interesses populares e nacionais”, assinalou o senador paranaense, referindo-se a lideranças do PT e de outros partidos que se consideram de esquerda, defendendo a entrega do petróleo de áreas dentro e fora do pré-sal para as multinacionais.

“Que tantos tenham desertado de antigas defesas, comprova-se todos os dias. Mas não esperava que a desistência ampliasse tanto. Meu Deus! Como defender, como justificar, mais esta rodada de leilões de petróleo?”, indagou, referindo-se à 11ª Rodada de leilões de petróleo realizada no dia 14 de maio pela Agência Nacional de Petróleo e Gás (ANP). “Na verdade não é só o leilão do petróleo; e nem é fortuita, ocasional a coincidência que a privatização dos portos tenha sido aprovada no dia seguinte ao dos leilões”, acrescentou Requião.

Lembrando as estradas, os aeroportos, as hidrelétricas, os portos e o petróleo, Requião afirmou estar se somando aos que denunciam que está havendo o maior processo de privatizações na história do Brasil. O senador destacou ainda que “ao se colocar recursos financeiros e humanos das estatais, como o BNDES, a Petrobrás, a Caixa e o Banco do Brasil, a serviço de entes privados, temos as chamadas privatizações brancas”. Nesta parte do discurso Requião fulminou o uso de recursos do BNDES para financiar grupos privados monopolistas, principalmente estrangeiros.

O parlamentar peemedebista condenou o leilão da 11ª Rodada. “Foram entregues à iniciativa privada, a um capitalismo claudicante, baleado pela crise, 289 blocos [esse foi o número ofertado pela ANP; 142 blocos foram adquiridos no leilão] para a exploração de petróleo, com potencial, segundo cálculos moderadíssimos, de se produzir até 14 bilhões de barris ou quem sabe até 19 bilhões”.

Ele lembrou que o que se arrecada nesses leilões “é uma quantia que representa zero vírgula vinte e cinco por cento do valor dos blocos”.

“O economista Adriano Benayon, citando o químico Roldão Simas, diz que o valor arrecadado dá para reformar um estádio de futebol para a Copa; ou como diz o PCB, dá para pagar a reforma do Maracanã, com o devido ágio à corrupção”.

“A ANP, talvez das agências reguladoras a mais querida da mídia e do mercado, disse que nos blocos licitados deverão ser descobertos 19 bilhões de barris de petróleo e gás, que serão exportados!”, denunciou Requião.

Ele destaca que o Brasil não precisa exportar o petróleo. “Especialistas de verdade como Fernando Siqueira [vice-presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás – Aepet] e Paulo Metri [conselheiro do Clube de Engenharia], e não aqueles especialistas de fancaria que frequentam, os noticiários globais, peritos como Siqueira e Metri perguntam: ‘Quem definiu que a exportação desse petróleo é a melhor opção para o Brasil?’. “Enquanto os Estados Unidos proíbem a exportação de petróleo, olhando para frente, nós fechamos os olhos à trágica experiência de países exportadores, que queimaram suas reservas por nada, para nada”, salientou o senador.

Requião criticou o comportamento de certos partidos de esquerda que freqüentemente, depois que assumem o poder, passam a defender posições favoráveis aos monopólios estrangeiros e aos banqueiros. “Discute-se muito hoje na Europa, com a falência do modelo neoliberal, junto do qual se enterraram os partidos ditos de esquerda”, disse. “Discute-se muito uma refundação da esquerda. A exaustão dos partidos trabalhistas, socialistas e social-democratas, abduzidos pelo neoliberalismo e campeões na aplicação das políticas de austeridade, fez espocarem novos agrupamentos de esquerda por toda a Europa”, acrescentou. “Na Inglaterra, o cineasta Ken Loach lança apelo por um novo partido, considerando definitiva, irrecuperável, a guinada do Partido Trabalhista para a direita”, prossegue Requião.

Ao falar do Brasil ele destacou que “por cinco vezes, não uma ou duas, e sim por cinco vezes acompanhei o PT nas eleições presidenciais”. “Nas circunstâncias de hoje, fossem esses que se anunciam os candidatos, acompanharia o PT pela sexta vez. No entanto, parece claro que o PT está à deriva, distancia-se da esquerda”.

“Como já não é mais possível classificar como de esquerda os partidos da base, que ainda assim se dizem, em que pese as posições hoje assumidas. É à esquerda, pela esquerda, que construiremos o país e a sociedade que almejamos há tanto tempo. Não há outra saída. Boa parte da esquerda tradicional, como a camélia, caiu do galho, depois murchou, depois morreu”, completou.

HORA DO POVO

maio 17, 2013

Requião: “porto privado é exceção em qualquer país”

Nesta terça-feira, o senador Roberto Requião (PMDB-PR) se manifestou contra a MP dos Portos e demonstrou indignação com as pressões do governo para que seja aprovada sem que haja consenso. “Fiquei muito assustado hoje quando vi nas notícias que o governo vai liberar R$ 1 bilhão em emendas”, afirmou, referindo-se às informações de que o governo “prometeu” R$ 1 bilhão em emendas para deputados e senadores em troca da aprovação da Medida Provisória. Questionando os elogios ao projeto, indagou: “É verdade isso tudo? É tão boa essa Medida Provisória que privatiza portos no Brasil? Se ela é tão boa assim, por que não existe no mundo inteiro?”, questionou, apontando que “o país do capitalismo e da concorrência, os EUA, trabalha exclusivamente com portos públicos, com autoridades municipais, estaduais e federais”.

Apontando os prejuízos que a MP causaria ao sistema portuário brasileiro, Requião prosseguiu: “Imagina que Vossa Excelência fosse prefeito de uma cidade, de Curitiba, capital do meu estado, do Paraná, que funciona com cinco empresas de transporte coletivo, com concessão de operação. Mas de repente surge a brilhante ideia: vamos provocar a concorrência. Vamos democratizar o transporte coletivo. E, ao invés de cinco empresas, Vossa Excelência abre uma licitação para 10 ou 20 empresa. Pois bem. Baixa o preço? Seguramente não. Porque o preço do transporte coletivo depende da escala do serviço. Mais empresas, mais oficinas, mais estruturas administrativas e um custo evidentemente mais alto”.

“Com os portos vai ser a mesma coisa. É uma ilusão pensar que uma multiplicação de portos vai baratear o custo. Vai simplesmente diminuir a escala e encarecer o processo”.

“Por outro lado, quem estabelece preço de porto não é o operador portuário. É o armador, que escolhe o porto onde vai descarregar as suas cargas, conforme as suas conveniências”, afirma.

Para Requião, “essa medida é extraordinariamente prejudicial à organização portuário do Brasil. Os portos públicos com operação privada são excepcionais. É como o mundo funciona. A iniciativa privada organiza o porto, mas não é dona dele. Se o operador não funciona troca-se o operador. Agora, um porto privatizado, ainda com dinheiro do BNDES, jamais terá reversão no seu mau funcionamento”.

“O caminho está errado. A estrutura legal do Brasil é perfeita. O resto é briga de interesses dos que querem privatizar os portos e dos que querem mantê-los. E quem perde com isso tudo é o país. E, com as liberalizações que se pretendem, quebrarão todos os portos públicos e o país ficará sem acesso comandado pela União da porta de entrada e de saída”, concluiu o Senador.
HORA DO POVO

maio 2, 2013

Requião: “Não há privatização gratuita, quem paga a conta é o povo e o país”

“Nosso baixo crescimento nos últimos 20 anos se deve, em grande parte, às privatizações. Dessa forma, fiquei muito surpreso quando alguns “gênios” no governo Dilma, em quem votei, fiz campanha e dei apoio, redescobriu que a varinha mágica para todos os problemas é a privatização”, afirmou Roberto Requião em pronunciamento no Senado

Não temos boas lembranças das privatizações dos anos 90. Foi uma época de desemprego, arrocho salarial, aumento do custo de vida, crescimento da criminalidade e dos problemas urbanos. Um tempo de desesperança.

Dizia-se que as privatizações seriam a solução para todos os problemas e que os sacrifícios seriam compensados por ganhos futuros. Pura enganação. Na verdade, a era das privatizações trouxe apenas sacrifícios aos brasileiros. E nenhum ganho.

Para que as empresas a serem privatizadas fossem atrativas aos compradores, o governo do PSDB aumentou brutalmente as tarifas de telefone, luz, água e fixou preços absurdos para o pedágio, ao mesmo tempo em que vendia a Vale e a Companhia Siderúrgica Nacional a preço de banana.

Nunca é demais lembrar que na era das privatizações o Brasil quebrou três vezes; três vezes teve que sair de pires na mão, humilhando-se diante do mundo.

Em 2003, com a eleição de Lula, começou a recuperação. A recomposição do salário mínimo, os programas de inclusão e promoção social como o Bolsa Família, o aumento contínuo dos empregos com carteira assinada, a construção de casas populares, o forte apoio à agricultura familiar, a universalização e o fortalecimento da educação pública básica, a ampliação do acesso às universidades, a retomada da educação técnica criaram um novo ambiente e o país voltou a crescer.

Mas estaríamos muito melhores, não fossem as privatizações.

Primeiramente, as privatizações geraram desemprego em massa de técnicos qualificados, cuja educação custou muito aos brasileiros; provocaram a perda da soberania tecnológica; o crescimento das importações de máquinas e componentes, cuja produção interna não podia mais contar com a política de compra das estatais; remessas crescentes de lucros ao exterior; e aumento abusivo das tarifas de serviços públicos.

Posteriormente, as empresas privatizadas preferiram pagar dividendos a investir. Assim, foram responsáveis pelo apagão de 2001. O apagão teve como efeito colateral ser um dos principais cabos eleitorais de Lula em 2002.

Uma consequência menos conhecida das privatizações foi o baixo crescimento.

FHC privatizou o máximo que pôde com tanta pressa que parecia que sua vida dependia disso. Dizia-se que aquelas empresas não tinham valor na mão do governo.

De forma coordenada a mídia, o governo e empresários insistiam que passá-las ao setor privado, sob quaisquer condições, seria melhor do que estar com o poder público.

Assim, privatizou-se de qualquer jeito, a qualquer preço, sem a preocupação com as consequências. Muitas vezes, regulamentou-se o setor só depois que as empresas já haviam sido privatizadas.

No seu segundo mandato, FHC só apagou incêndios, em razão dos equívocos da privatização. Como quebrou o país três vezes, teve que se curvar ao FMI e seguir, como menino obediente, suas recomendações. Uma delas foi o regime de metas de inflação. Ora, não é possível crescer razoavelmente com o regime de metas. Se as tarifas estão subindo acima da inflação, vai ser necessário colocar o país em recessão para que a inflação do resto da economia fique abaixo da meta.

Lula mudou muita coisa, mas esse modelo de metas ele não conseguiu mudar. No entanto, temos que reconhecer seu o mérito em não continuar a política de privatizações.

Os reflexos negativos das privatizações tucanas estão aí.

Temos enfrentado graves problemas na economia em razão da elevada indexação inflacionária das tarifas de serviços públicos privatizados, do baixo investimento e da má qualidade dos serviços.

Os brasileiros sabem do que estamos falando, especialmente na telefonia. Quem usa os serviços de eletricidade, ferroviários, rodoviários e portuários dessas empresas privatizadas sabe muito bem que a “maravilha” de qualidade dos serviços privatizados, que tanto alardeiam na mídia e em certas Casas Civis, só existe nas fantasias dos especuladores.

Na maioria dos países, as empresas de serviços públicos privatizadas são conhecidas por subinvestimento, lucros exorbitantes, má qualidade do serviço, tarifas escorchantes, abuso de poder de mercado, captura do regulador e corrupção.

Falando apenas de macroeconomia: elas foram uma dos principais responsáveis pelo baixo crescimento de nosso país.

Reconhecemos os méritos de Lula e Dilma, mas desde 2003 o crescimento médio dos países subdesenvolvidos foi o dobro do nosso. Esse desempenho aquém do mediano e do potencial brasileiro se deveu em grande medida à elevadíssima fatia de infra-estrutura privatizada.

A explicação decorre da alta indexação das tarifas e da pressão para que elas crescessem acima da inflação. Isso fazia o Banco Central impor juros muito elevados para o resto da economia. Esses juros elevados deprimiam o consumo e o investimento.

As altas tarifas, além de gerarem valorização do câmbio, geram por si só perda de competitividade, porque as tarifas da infra-estrutura brasileira estão, em média, entre as mais caras do mundo. Sofre o industrial, sofre o agricultor, sofre o trabalhador.

Além disso, as crescentes tarifas, ao contribuir para os juros altos, têm um impacto negativo na dívida pública. Para compensar esse impacto, o governo tem que manter uma ambiciosa meta de superávit primário. Muito maior do que a dos países falidos da Europa. Consequentemente, o governo tem que cortar o investimento público, que é o menor entre os países emergentes.

Assim, nosso baixo crescimento nos últimos 20 anos se deve, em grande parte, às privatizações.

Dessa forma, fiquei muito surpreso quando alguns “gênios” no governo Dilma, em quem votei, fiz campanha e dei apoio, redescobriu que a varinha mágica para todos os problemas é a privatização. Entre esses gênios, temos um que herdamos de FHC e foi responsável por um dos maiores desastres na infra-estrutura planetária: a privatização de nossas ferrovias.

Uma vez que o PT sempre criticou as privatizações, e a própria candidata Dilma rejeitou-as na campanha de 2010, era de se imaginar que haveria boa justificativa para essa mudança de opinião, para o retorno ao caminho da troika PSDB-DEM-PPS, a santíssima trindade do neoliberalismo pátrio.

Vamos então analisar esse recuo tardio, extemporâneo, despropositado às privatizações.

As justificativas são em parte antigas, em parte novas. As antigas são: (1) o Estado não tem como financiar os investimentos e (2) o Estado é sempre mais incompetente que o setor privado

Dizer que o Estado não tem como bancar os investimentos é fraudar, empulhar a verdade dos fatos.

O mais cínico nessa justificativa é que o próprio BNDES, com recursos públicos, vai financiar esses investimentos. Então como podem ter coragem de dizer que o Estado não tem dinheiro para realizar os investimentos?

O outro argumento dos privatistas é que o Estado é sempre mais incompetente que o setor privado. Mas, em monopólios e mercados sem muita concorrência, o que se vê é mais abusos do que eficiência por parte das empresas. Porque, antes da eficiência, buscam o lucro.

Que qualidade se vê nas empresas de serviços públicos privatizadas? Todo brasileiro sabe o martírio que é ter um celular ou banda larga no Brasil. Quando funcionam, sempre dão problemas. Resolvê-los pelo call center é um sofrimento que pode durar horas ou dias, caso se tenha tempo e paciência para acessar o serviço. Parece que certas empresas criam dificuldades para que o cidadão desista de reivindicar.

E não adianta esperar que os órgãos responsáveis coloquem ordem nessa anarquia. Não adianta recorrer ao Ministério respectivo ou às agencias reguladoras. Ah, as agências… que piada!

Já os novos argumentos de alguns gestores a favor da privatização baseiam-se em uma suposta “sabotagem” contra os investimentos públicos.

Essa tal “sabotagem” seria praticada principalmente pelos órgãos ambientais, lentos demais para tomar decisões e liberar as obras. Dizem que o TCU e o Ministério Público criam muitos entraves. Pode ser que a legislação ambiental tenha mesmo problemas, pois boa parte vem da era FHC, que não morria de amores pelo investimento público.

Contudo, se é verdade, caberia ao governo propor projetos de lei que disciplinassem e tornassem mais ágil a gestão desses órgãos. Se o governo não sugere mudanças, como responsabilizar esses órgãos pelo atraso das obras?

Se há “sabotagem”, boa parte tem origem no próprio executivo. Quantos financiamentos o BNDES concedeu na primeira década do século XXI à Infraero, Eletrobrás e aos portos públicos? Até a construção das represas do Rio Madeira, foi muito pouco.

Mesmo hoje, os financiamentos do BNDES às estatais (excluindo a Petrobrás) continuam muito abaixo do que recebem seus concorrentes privados. Concorrentes privados, sublinhe-se, geralmente com receitas, capacidade de crédito, patrimônios e garantias inferiores aos dessas estatais.

Presidente Dilma, abra os olhos. Essa política de entregar tudo tem um preço alto. Não podemos contar nem com a gratidão daqueles que se beneficiarem das privatizações. Lembremos-nos do nosso povo e de nossos mestres, cujos livros você e eu lemos no passado.

À frase popularizada por Milton Friedman, “não há almoço grátis”, tão do gosto dos liberais, podemos acrescentar outra: não há privatização gratuita, quem paga a conta é o povo, é o país, é o nosso desenvolvimento econômico.

HORA DO POVO

abril 2, 2013

Requião: leilão de petróleo que a ANP marcou é um escândalo

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Entrega de 289 lotes é escândalo nacional
PT não foi eleito para dar o nosso petróleo a múltis, diz Requião
Senador condena rodada de leilões marcada para os dias 14 e 15 de maio
O senador Roberto Requião (PMDB-PR) afirmou na quarta-feira, no plenário do Senado, que a barragem de críticas da oposição e da mídia ao desempenho da Petrobrás é uma artimanha “para desviar a atenção dos brasileiros para o verdadeiro escândalo que se anuncia”. “O escândalo vai acontecer nos dias 14 e 15 de maio próximo. Nestes dias, a Agência Nacional de Petróleo leiloa 289 blocos de reservas de petróleo, distribuídos por 11 bacias sedimentares, um volume de 30 bilhões de barris de óleo”, denunciou o senador.

Senador denunciou que a ANP quer dar 30 bilhões de barris às múltis, duas vezes mais que as reservas confirmadas. “Não foi para isso que elegemos o PT”
O senador Roberto Requião (PMDB-PR) afirmou na quarta-feira (27), no plenário do Senado, que a barragem de críticas da oposição e da mídia ao desempenho da Petrobrás é uma artimanha “para desviar a atenção dos brasileiros para o verdadeiro escândalo que se anuncia”. “O escândalo vai acontecer nos dias 14 e 15 de maio próximo. Nestes dias, a Agência Nacional de Petróleo leiloa 289 blocos de reservas de petróleo, distribuídos por 11 bacias sedimentares. A senhora Magda Chambriard, diretora-geral da Agência, estima que o potencial desses blocos possa somar um volume de 30 bilhões de barris de óleo”, denunciou o senador.
“E atenção, senhoras e senhoras senadores. As reservas brasileiras de petróleo conhecidas hoje somam 14 bilhões de barris. Logo, o governo vai entregar para o mercado duas vezes mais que as nossas reservas confirmadas”, lembrou. “E quem serão os felizardos ganhadores desse mega leilão?”, indagou o parlamentar. O próprio Requião respondeu, citando denúncia do sindicalista Emanuel Cancella, diretor do Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro e da Federação Nacional dos Petroleiros.
“Ele [Cancella] faz uma gravíssima observação, em artigo publicado no sítio do jornalista Luís Carlos Azenha. Diz que, se nos leilões anteriores, a Petrobrás teve uma posição arrojada, arrematando a maior parte dos blocos, reduzindo as perdas para a nação, desta vez a empresa entrará na disputa de mãos atadas, sob a síndrome do prejuízo que lhe foi imputado falsamente, já que teve um lucro de 21 bilhões de reais”, revela Requião.
O senador paranaense cobrou que “a oposição e a mídia falam muito de supostos erros gerenciais da estatal, mas silenciam sobre o leilão, omitem-se e assim acobertam o verdadeiro escândalo que o governo e a Agência Nacional de Petróleo vão patrocinar, com data e hora marcadas”. “Não ouço das irmãs siamesas – oposição e mídia- nenhum pio, por miúdo que fosse. Tão diligentes, tão cuidadosas com as trapalhadas petrolíferas da Petrobrás no mercado, calam-se diante deste megaescândalo que se anuncia. Ficaria encantado se oposição, também neste caso, manifestasse ímpetos de verde-amarelismo, como no caso que a entretém”, destacou.
Requião lembrou que “ao contrário da disposição manifestada nos leilões anteriores, vê-se agora uma Petrobrás acuada, diminuída, sensível à pesadíssima barragem de notícias negativas, dos ataques, e da manipulação de informações de que está sendo vítima”.
“A senhora [Graça] Foster, fazendo poses de executiva responsável”, prosseguiu o peemedebista, “gasta todo o seu tempo para acalmar e agradar a oposição, a mídia e o mercado. Reage com extrema timidez e excesso de bons modos à corrosão da imagem da empresa”. A mesma reação tíbia da base do governo, a que pertenço, e do próprio governo.
Requião lembra que as mudanças da lei do petróleo, no governo Lula, adotando o modelo de compartilhamento e fazendo da Petrobrás operadora única do pré-sal, despertou a ira dos multinacionais. E citando informações do sindicalista sobre telegramas trocados entre as multinacionais vazados pelo Wikileaks, ele afirma que elas decidiram agir com cautela “para não despertar o nacionalismo dos brasileiros”. “Talvez a cautela dê bons resultados no próximo leilão, diante de uma Petrobrás fragilizada pelos ataques”, diz o senador.
“Não quero dizer que a oposição esteja agindo em conluio com as sete irmãs, e algumas primas, do petróleo mundial. Embora, às vezes, a mais alucinada das teorias da conspiração revele-se verdade factual. E eu que já declarei aqui ter medo de fantasmas, dessas almas penadas que teimam nos assombrar com as idéias fossilizadas da casa grande, reconheço que também acredito em bruxas e conspirações”.
Segundo Requião, além da barragem de fogo da mídia, da oposição e do mercado, Emanuel Cancella alerta ainda que a interminável discussão sobre os royalties do petróleo desvia a atenção dos brasileiros da 11ª rodada de leilões da ANP: “Os royalties funcionam como ‘boi de piranha’. Mas enquanto as piranhas comem um boi, passa a boiada. Enquanto se discute os royalties que representam 10 por cento da indústria do petróleo, as multinacionais levam os 90 por cento”, alerta.
“Os meios de comunicação, especialmente a Rede Globo, que promoveu uma irônica contrafação da campanha “o petróleo é nosso”, deram uma contribuição inestimável para afastar da preocupação dos brasileiros desse atentado contra a nossa soberania”, denunciou Requião. “Provavelmente não se conheça na história recente de nosso planeta uma atividade econômica tão cercada de conspirações, golpes de Estado, guerras, assassinatos, violência quanto à exploração do petróleo”, acrescentou.
“A disputa por essa fonte de energia”, destacou Requião, “marcou as grandes crises internacionais no final do século 19, durante todo o século 20 e nesta primeira década do século 21”. “Do assalto norte-americano ao México, há um século, à invasão do Iraque, que faz dez anos, até a deposição de Muamar Kadafi, há um ano, o petróleo é o senhor da guerra”, alertou. “O petróleo foi – e é – um dos produtos simbólicos do neo-colonialismo, do poderio das transnacionais”.
“O oval da Esso, a concha da Shell, a estrela da Texaco eram os alvos mais destacados, imediatos, dos povos que lutavam para sacudir o jugo imperial. As sete irmãs, e suas contraparentes nacionais, mudaram os métodos, civilizaram-se. Trocaram o “big stick” pelos afagos, por seduzir e corromper. Substituíram as tropas e os canhões pela abdução dos meios de comunicação, hoje sua infantaria na conquista da opinião pública, na submissão dos poderes constituídos, na subordinação dos agentes públicos”, lembrou.
E, citando novamente o sindicalista Emanuel Cancella, Requião diz ter a impressão de estar assistindo “o grande conluio entre as classes dominantes e seus representantes em todas as esferas – executivo, legislativo, judiciário, grande mídia – para desviar a atenção do que realmente importa, deixando o povo desnorteado e confuso. Parecem compactuar com o que disse o primeiro diretor-geral da ANP, David Zilberstein, então no governo de Fernando Henrique Cardoso, para uma platéia de megaempresários: “O petróleo é vosso!”
Ao final do discurso, a senadora Vanessa Graziotin (PCdoB-AM) aparteou o senador Requião para defender a 11ª rodada de leilões de petróleo, dizendo que “todo o país quer o leilão” que já “deveria ter sido feito há muito tempo” e que o governo estava tendo “coragem para realizá-lo”. Requião rebateu a senadora amazonense, dizendo que discorda de sua posição e de seu partido e que “esta coragem é a mesma que está privatizando os portos, aeroportos, ferrovias e estradas no país”. “Não foi para isso que elegemos o PT, não foi para isso que seguimos o presidente Lula nos últimos anos. Se é para privatizar, deixem que os tucanos sabem fazer isso muito melhor”, concluiu o senador paranaense.

HORA DO POVO

março 30, 2013

Requião exorciza os fantasmas do passado e alerta contra os atuais

O senador Roberto Requião (PMDB-PR), em discurso no Senado, disse que em suas recentes viagens à Polônia e à Suécia, ao ler notícias do Brasil, foi frequentemente assaltado por espectros do passado, todos, “em coro de tragédia grega”, propondo a volta das velhas e falidas políticas neoliberais. Ele ironizou a mídia, a oposição e os ex-ministros do governo FHC que, nas últimas semanas, têm proposto arrocho.
HORA DO POVO

Falta ao país uma política de desenvolvimento nacional, cobra Requião no Senado
O senador Roberto Requião (PMDB-PR) discursou da tribuna do Senado, na última quarta-feira (20), ironizando a mídia, a oposição e os ex-ministros do governo FHC que, nas últimas semanas, têm subido o tom propondo arrocho, desemprego e elevação dos juros. Para o senador, o que se vê é um cortejo de fantasmas, que procura “aterrorizar o país com idéias fossilizadas que, quando aplicadas, quebraram o Brasil por três vezes”.
Segundo Requião, em suas recentes viagens à Polônia e à Suécia, ao ler notícias do Brasil, foi frequentemente assaltado por espectros do passado, todos, “em coro de tragédia grega”, propondo a volta das velhas e falidas políticas neoliberais.
O senador também fez observações críticas sobre a política econômica do atual governo, que chamou de “picadinho variado”. Para Requião, enquanto o país não se reunir em torno de um programa nacional de desenvolvimento, com tática e estratégia bem definidas, viveremos de sobressaltos, aos trancos e barrancos, permitindo até mesmo que velhos fantasmas, de passado nada recomendável, voltem à cena e opinem. “Como no filme ‘Poltergeist’, um dos clássicos do cinema de terror dos anos 80, as assombrações surgiam, reproduziam-se, envolviam-me. Mesmo que fantasmagóricas, ilusivas, era possível reconhecer as aparições”, disse.
“E lá vinham os avejões dos irmãos Mendonça de Barros, o Luiz Carlos e o José Roberto. O primeiro, nada amistoso para a circunstância de desencarnado, interpelava a presidente Dilma, acusando-a de impor “condições inaceitáveis” às concessionárias privadas. Nos limites da irresponsabilidade, reivindicava “condições de mercado” para as privatizações petistas, semelhantes às da entrega da telefonia, da Vale, das ferrovias e comezainas da espécie, como diriam os portugueses”, acrescentou.
“Mal se evaporam os Mendonças, emergem do vazio as barbas brancas de Gustavo Loyola, tantas vezes colocadas de molho. Professoralmente, elas advertem: o Brasil não está preparado para conviver com taxas de juros estruturalmente menores. Proclamada a nossa incapacidade atávica de se libertar dos usurários, as barbas do ex-presidente do Banco Central desmancham-se em mil fios. Enquanto opera-se o prodígio, coça-me uma pergunta: “Seriam os ares tropicais ou a nossa tão celebrada mulatice responsáveis por essa inabilitação a desenredar-se da agiotagem?”.
Não faltaram ironias do senador com os “comentaristas” econômicos da mídia golpista, que no afã de agradar a banca especulativa, gritavam contra os números do governo em defesa de mais superávits primários. “Nem bem se dissolve o coro dos financistas, colunistas e avizinhados, vejo formando-se novo préstito cantante”, disse Requião. “São editorialistas dos jornalões, apresentadores e comentaristas de televisão, economistas e analistas do mercado, e os inefáveis oradores da oposição. Esvoaçam, adejam sem qualquer graça ou arte, desafinam na cantoria, um cantochão maçante, cujo estribilho repete sem parar , como o corvo de Poe, “contabilidade criativa”, contabilidade criativa”, ‘contabilidade criativa’”, prosseguiu.
Requião completou o discurso criticando também as políticas do governo (ou falta delas), falando sobre sua chegada ao Brasil. “Aportado o Brasil, de outra qualidade são os meus espantos. Aterroriza-me não a contabilidade criativa, e sim a ideologia do superávit primário. Desassossega-me não o aumento da inflação, e sim corrosão de nossa base industrial, sucateando-se ao céu aberto da incúria governamental”, denunciou.
“Alvoroça-me não o crescimento da inadimplência, e sim a fragilidade de uma política econômica que se ancora no consumo, no crédito consignado e na exportação de commodities. Assusta-me não a expansão dos gastos públicos, e sim a paralisia das obras de infraestrutura; a execução lentíssima, sonolenta do Orçamento da União. De que têm medo os nossos próceres ministeriais? Intimidam-nos a insepulta Delta ou o libérrimo Cachoeira?”
“Apavora-me não o desacordo em relação às metas, e sim, as próprias metas, camisa de força imposta pelo mercado, pela financeirização da economia, que certa esquerda transforma bandeira para ser vista como “responsável”, “moderna”.
“Argh!!! Estarrecem-me não as privatizações, e sim o abuso, o desregramento das concessões, superando até mesmo toda fobia privatista de Margareth Thatcher, como se vê agora no caso dos portos”, destaca o senador.
E conclui dizendo que falta política econômica e um programa para o Brasil do campo progressista, já que, segundo ele, “a oposição de direita sabe o que quer”. “Assombra-me não o picadinho variado das medidas do Ministério da Fazenda, e sim a falta de uma Política Econômica que se enquadrasse em um Programa para o Brasil, doutrinariamente à esquerda, fundado na solidariedade, na distribuição da renda e dos benefícios do avanço tecnológico, na prevalência, sempre, dos interesses populares e nacionais”, completa Requião.

novembro 23, 2012

Ayres Britto excluiu os cidadãos e privilegiou a oligarquia da mídia em órgão que criou no CNJ

O ex-presidente do STF, Ayres Britto, acabou com a Lei da Imprensa e praticamente aboliu o direito de resposta de pessoas vítimas de abusos por parte dos barões da mídia. DCNJeixou indefesos centenas de cidadãos que tiveram suas reputações destruídas pelos conglomerados midiáticos. Não satisfeito em bajular os donos de jornais, logo que assumiu a presidência do STF e do Conselho Nacional de Justiça ele anunciou também a criação de um grupo visando coibir “abusos” de juízes de primeira instância contra a imprensa.
A proposta elaborada por Britto foi aprovada pelo CNJ no dia 12 de novembro último. Ela estabelece a criação do “Fórum Nacional do Poder Judiciário e Liberdade de Imprensa”. O presidente do Fórum sempre será um dos conselheiros do CNJ. Os outros integrantes serão: dois conselheiros e um juiz auxiliar do CNJ, 1 integrante da OAB, 1 integrante da Associação Nacional de Jornais (ANJ), 1 integrante da Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), 1 integrante da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e 2 magistrados. Todos precisarão ser indicados pelo presidente do CNJ e aprovados pelo plenário. Em suma, só juízes e representantes e donos de jornais. Nenhum espaço para os cidadãos se defenderem.
O órgão inventado por Ayres Brito deverá levantar o número de ações judiciais que tratam das relações de imprensa e estudar os “modelos de atuação da magistratura em países democráticos”, segundo texto divulgado pelo site do CNJ. Na prática, o Fórum vai prejudicar ainda mais as pessoas que são vítimas dos abusos dos monopólios da mídia.
O senador Roberto Requião (PMDB-PR) apresentou projeto de lei garantindo direito de resposta aos atingidos pelos abusos da mídia. O projeto de Requião prevê que qualquer um que seja ofendido na imprensa tenha o direito de resposta em 60 dias, a não ser que o jornal, tevê, rádio ou outro veículo dê a resposta com o mesmo destaque por conta própria. O projeto, que é considerado um contraponto ao escandaloso servilismo de Ayres Brito aos donos da mídia já foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça e deverá ser apreciado em breve pelo Congresso Nacional. ( HORA DO POVO )

outubro 20, 2012

Jornalismo brasileiro hoje e a atmosfera pré Golpe de 1964 por Roberto Requião

O senador Roberto Requião denuncia as 7 irmãs que controlam a mídia brasileira e seus intuitos golpistas:

Apoiando Lula contra a reportagem venal da revista brasileira de fofocas (segundo a mídia inglesa) Veja:

Revela a tentativa ingênua do PT de se aproximar da Globo.

O PT se esquece da história (só admitiu a existência de uma esquerda histórica valorosa no país após assumir o poder em 2002) do golpismo latino americano e, assim, está(mos) condenado a ver a farsa montada?!

 “As vésperas do Golpe de 1964, o desrespeito da mídia com João Goulart e sua mulher, Maria Teresa…”, lembrou o senador apontando a forma com que age mídia brasileira.

EXTRAÍDO DO BLOG CIDADE DE MINAS

maio 26, 2012

Gurgel diz à CPMI que engavetou a Vegas por não ter visto crime algum

Ou é muito distraído ou muito cínico
Associação criminosa entre Demóstenes e o Cachoeira já estava mais do que evidente
O contraventor Cachoeira liga para o senador Demóstenes Torres e o manda analisar um projeto que tramita na Câmara que interessa ao bicheiro. Demóstenes verifica o projeto e alerta Cachoeira que ele não lhe serve: “Então, inclusive, te pega, né?”. Para o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, em explicação que enviou aos membros da CPMI, esse e mais outros diálogos comprometedores captados na Operação Vegas da Polícia Federal não configuraram crime e engavetou o inquérito sem oferecer denúncia ao STF.
( HORA DO POVO )
Gurgel ignorou os crimes de Demóstenes-Cachoeira
Em resposta à CPMI, procurador-geral disse que só achou “problemas éticos” na relação criminosa do senador com o contraventor
A explicação do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, aos membros da CPMI do Cachoeira, sobre por que engavetou as denúncias contidas no Inquérito nº 042/2008, fruto da Operação Vegas da Polícia Federal, não consegue convencer nem o mais ingênuo dos parlamentares. Ele alega que, após receber o relatório a Operação Vegas, em 15 de setembro de 2009, decidiu pelo sobrestamento (parar, sustar) – leia-se engavetamento – por considerar que as relações do senador Demóstenes Torres com a quadrilha de Carlinhos Cachoeira, identificadas pelos policiais federais, “não adentravam a seara penal, situando-se, ainda no campo ético”.
Ora. Já faziam parte do relatório da PF vários diálogos extremamente comprometedores envolvendo Demóstenes e Cachoeira, mas Gurgel não viu nada de mais neles. Julguem vocês mesmos, caros leitores, por exemplo, se esse trecho da conversa entre Demóstenes e Cachoeira, colhido pela Operação Vegas em 22 de abril de 2009, não está, como ele diz, adentrado na seara penal. Cachoeira pede a Demóstenes que levante o andamento de um projeto de lei. Chama Demóstenes de “doutor” e fala como se desse uma ordem: “Anota uma lei aí. Você podia dar uma olhada. Ela tá na Câmara: 7.228/2002. PL [projeto de lei]”.
O projeto em questão fora apresentado em 2002. Tratava de assuntos relacionados aos jogos de azar. Assunto de interesse direto da quadrilha de Cachoeira. Demóstenes aceita a missão: “Fala Professor”, diz ele dirigindo-se ao criminoso. “Vou levantar agora e te ligo depois”, respondeu. Decorridos dois dias, Demóstenes informou ao chefe da quadrilha: “Vou mandar o texto procê. O que tá aprovado lá é o seguinte: ‘transforma em crime qualquer jogo que não tenha autorização’. Então, inclusive, te pega, né?”, alertou. “Vou mandar o texto pra você. Se você quiser votar, tudo bem, eu vou atrás. Agora a única coisa que tem é criminalização, transforma de contravenção em crime, não regulariza nada”. Cachoeira, parecendo conhecer bem o projeto, responde: “Não, regulariza, sim, uai(…)”.
Considerar uma relação desse tipo, de um senador da República alertando um chefe de quadrilha que ele pode “ser pego”, como situando-se “apenas no campo ético”, sem ter “adentrado na seara penal” é, no mínimo uma piada de mau gosto da parte do procurador-geral. Demóstenes aparece dando um toque para um bandido com a frase “desse jeito eles te pegam” e o procurador não achou nada estranho. Não dá para entender. Se ele achou que não tinha nada de comprometedor nesta fala, tinha que arquivar o processo. Não fez. Se tivesse dúvidas, ele podia pedir novas diligências à PF para esclarecê-las, mas Gurgel pareceu não ter dúvida. Também não pediu isso. Deixou a quadrilha agindo solta por mais de um ano sem investigações.
Mas a coisa não parou por aí. Vejam mais esse outro diálogo bastante suspeito, captado em 4 de abril de 2009, sobre contratos de informática na Infraero. O senador diz a Cachoeira: “O negócio da Infraero, conversei com a pessoa que teve lá. Disse o seguinte: o nosso amigo marcou um encontro com ele em uma padaria, não sei o quê. E levou o ex-presidente [José Carlos Pereira, da Infraero], cê entendeu? E que aí o trem lá não andou nada. Eles nem sabem o que tá acontecendo”. Cachoeira responde que o negócio exige a interferência direta de Demóstenes, sem intermediários: “Mas tem que ser você mesmo. Você que precisava ligar para ele”.
A julgar pelo que disse mais tarde o brigadeiro José Carlos Pereira, ex-presidente da Infraero, Demóstenes seguiu à risca as ordens dadas por Cachoeira. “Houve uma época, durante a CPI [do Caos Aéreo], eu senti que o Demóstenes poderia estar interessado em assuntos muito internos da Infraero, principalmente ligados à área de informática. E eu cortei na raiz. Eram licitações”, lembrou o brigadeiro.
Como se isso não fosse mais do que suficiente para se iniciar imediatamente um processo de investigação no STF, o procurador resolveu inventar uma outra história absurda, de que sua decisão foi tomada para não atrapalhar “a continuidade das investigações”. E que ela se mostrou correta por isso. Só que não havia continuidade de investigação nenhuma em pauta. Ele não pediu para abrir investigação alguma depois que engavetou Vegas. Ficou sentado em cima das denúncias por mais de um ano. Se dependesse apenas de Gurgel, não haveria investigação contra Demóstenes nem contra Cachoeira. Ela surgiu por iniciativa de outras instâncias.
Quando vazaram os delitos de Demóstenes, procurador tirou a denúncia da gaveta esbaforido
A esposa do procurador, a sub-procuradora Claudia Sampaio chegou até a alegar que a própria Polícia Federal teria pedido para que a PGR não enviasse o relatório para o STF. Mas essa versão foi desmoralizada no mesmo dia em quem foi inventada. Em nota oficial, a PF desmentiu a versão da sub-procuradora. A investigação só ressurgiu um ano depois, não por decisão de Gurgel, mas por decisão da justiça do município de Val Paraíso, em Goiás, em setembro de 2010.
O fato é que Gurgel, pego de surpresa em 2012 pelos vazamentos, decidiu enviar rapidamente o relatório com as provas contra Demóstenes. Ele fez isso na correria porque toda a sociedade já sabia de tudo. Não dava mais para esconder. Gurgel recebeu em 9 de março de 2012 o documento resultado da Operação Monte Carlo. Diz ele que em 27 de março, ou seja 19 dias após receber o documento, enviou seu parecer para o STF. Sem dúvida, ele teve esse comportamento mais célere agora, não porque ele quisesse, mas porque já era de conhecimento público os ilícitos do senador Demóstenes. Não dava mais para manter a coisa engavetada.
A CPMI, certamente, não vai se contentar com essas explicações fajutas do procurador. Ela deverá continuar cobrando explicações mais sérias da parte da PGR sobre esse seu estranho comportamento. Deve continuar a cobrar porque Gurgel decidiu acobertar por tanto tempo uma relação criminosa que ele mesmo achou “promíscua” entre um senador da República e um chefe da quadrilha.
Relator diz que crescem implicações contra Delta nacional. Situação de Veja é mais complicada ainda
O relator da CPMI do Cachoeira, deputado Odair Cunha (PT-MG), disse na terça-feira (22) que cresce a necessidade de quebra de sigilo da empresa Delta nacional, após analisar os dados bancários das filiais da empresa no Centro-Oeste.
Odair descobriu que o ex-diretor da Delta, Cláudio Abreu, movimentou contas nacionais da empresa. “As contas da Delta nacional movimentadas por Cláudio Abreu foram instrumentos de transferências de dinheiro para empresas laranjas ou ligadas à organização criminosa. É um indício forte”, disse o relator.
“Eu não analisei todos os documentos, mas, com certeza, aumentam os indícios e a probabilidade de nós quebrarmos o sigilo da Delta nacional”, avaliou. Segundo o relator, Abreu tinha procuração e autorização dos donos da empresa para movimentar as contas nacionais.
“Este é mais um indício contundente e forte de que diretores nacionais da Delta tinham conhecimento do envolvimento de Cláudio Abreu com o contraventor”, disse o relator. “Nós já temos condições de afirmar que Cláudio Abreu movimentava as contas da Delta nacional. Ele era procurador. Logo, para fazer isso, ele tinha que ter conivência dos diretores nacionais”, disse o relator, que antes fora contrário a quebra de sigilo da Delta nacional por não haver indícios suficientes do envolvimento dela.
Se os índícios contra a Delta são fortes, os que envolvem a relação entre a revista Veja e a quadrilha de Cachoeira são muito mais. Foram mais de 200 ligações telefónicas entre o diretor de Veja em Brasília, Policarpo Jr, e o bicheiro Carlinhos Cachoeira. Dessa intensa relação surgiram matérias na revista de interesse do contraventor, a exemplo das que continham acusações contra a cúpula do Ministério dos Transportes, que resultaram na saída do ministro Alfredo Nascimento e do diretor do Dnit, Antonio Pagot. A Veja os acusou sabendo que a saída deles beneficiaria a Delta e que a empreiteira era ligada a Cachoeira. Em conversa telefonica com Cláudio Abreu, da Delta, o bicheiro revela que plantou na Veja, através de Policarpo Jr, matéria contra Pagot. Cachoeira: Policarpo, pô. (…) você lembra que eu te fiz umas perguntas do Pagot? Enfiei tudo no rabo do Pagot, aquela hora o Policarpo tava na minha frente. (…) o que eu plantei do Pagot aquela hora. Ele anotou tudo, viu. Uma beleza agora, Pagot tá fudido com ele.
Veja também sabia que o senador Demóstenes Torres (GO), ex-líder do Dem, era da quadrilha de Cachoeira. Mesmo assim bafejou o senador com várias lisonjas, entre as quais a que o aponta como um dos “mosqueteiros da ética” (Edição 2015, 4 de julho de 2007).
Presidente da CPMI avalia que PF e MP já fizeram as investigações
O presidente da CPI do Cachoeira, senador Vital do Rego (PMDB/PB), informou que pretende propor ao relator, deputado Odair Cunha (PT/MG), uma mudança no rumo das investigações. A comissão pode mudar o eixo da apuração e alterar o plano inicial de trabalho, diante da possibilidade que os outros integrantes da quadrilha permaneçam calados, como ocorreu no depoimento do bicheiro, na última terça-feira (22).
“A natureza dessa CPI é diferente. Essa é uma comissão de análise de documentos e de análise jurídica. Parte do trabalho já foi feito pela Polícia Federal e pelo Ministério Público. Essa já veio com o réu preso e com os indiciados. Então mudou. A natureza da CPI é outra”, afirmou Vital do Rego.
A proposta do presidente da comissão é diminuir o peso dos depoimentos e adiantar decisões administrativas, como a quebra do sigilo da empreiteira Delta Construções em território nacional. Assim, em vez do silêncio de depoentes, a CPI avançaria produzindo provas a partir da análise de documentos.
Segundo Vital, a intenção é negociar acordos que possam fazer com que requerimentos sejam aprovados, trazendo para a CPI documentos que façam a investigação avançar. “Se ninguém falar, vamos fazer o quê?”, questiona. Para o senador, o grande volume de investigações já concluídas pela Polícia Federal torna essa CPI diferente, o que obriga a se pensar em novas práticas.
Outros integrantes da CPI também estão convencidos de que essa é a melhor alternativa. Na sessão da terça, o senador Pedro Taques (PDT/MT) já queria antecipar a votação dos requerimentos. “Precisamos votar hoje (22) a quebra de sigilos dos envolvidos nos crimes investigados”, disse. “Se deixarmos para o dia 5 de junho, o dinheiro das empresas investigadas pode ter se esvaído por uma cachoeira.”
O relator Odair Cunha prefere aguardar a próxima reunião administrativa, agendada para 5 de junho, para só então definir quanto a possíveis alterações no seu plano de trabalho e a votação pedidos de acesso a documentos, incluindo a provável quebra de sigilo da matriz da construtora Delta. “Nossa investigação não se dará só por meio de oitiva”, ponderou Cunha.
“Estamos lidando com uma organização criminosa forte que tem uma presença muito grande em órgãos e aparelhos de estado e isso merece ser investigado por nós. Uma nova convocação de Cachoeira será estudada no dia 5 de junho, na reunião administrativa da CPI, onde votaremos novos requerimentos” assinalou.

maio 23, 2012

Decisão de convocar Veja a explicar o elo com Cachoeira e seu bando avança na CPI

Liberdade de imprensa não dá salvo-conduto a organização criminosa
Primeiro embate mostrou despreparo da oposição
Cresce na CPMI a convicção da necessidade de investigar a associação de Policarpo Jr, diretor da revista Veja, com a quadrilha de Cachoeira. “Esse jornalista teve uma relação de dez anos com o esquema criminoso, relação essa permanente. O que nós queremos é investigá-lo”, disse o deputado Paulo Teixeira (PT-SP). Já se pronunciaram pela convocação os deputados Iris de Araújo (PMDB-GO), Protógenes Queiroz (PCdoB-SP), Chico Alencar (Psol-RJ), Fernando Ferro (PT-PE) e o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS). “A CPI sem a Delta ou a CPI sem a Veja não é CPI nenhuma. Não serve para nada”, disse o senador Roberto Requião (PMDB-PR).
( HORA DO POVO )
Parlamentares defendem na CPMI rigor e apuração sem privilégios
Até no Reino Unido, Murdoch foi investigado e chamado para dar explicações no parlamento
Cresce entre os parlamentares do Congresso Nacional, e particularmente entre os integrantes da CPMI, a convicção da necessidade de investigar a associação de Policarpo Jr, diretor da revista Veja, com a quadrilha de Carlos Cachoeira. As últimas revelações das armações entre Policarpo e Cachoeira, entre elas a que mostra Cachoeira plantando na Veja ataques ao Ministro dos Transportes por este ter tomado medidas de controle sobre obras da Delta, são cada vez mais comprometedoras.
“Todos devem ser investigados no setor público, privado e na imprensa. Sem paixões e sem arroubos. Nós vamos descobrir muitas coisas quando forem feitas as quebras de sigilo – o fiscal, por exemplo. Devemos apoiar sempre a liberdade de expressão. Mas, não podemos confundi-la com uma organização criminosa. Para o bem da sociedade e da própria liberdade de expressão”, declarou o presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-SP).
Na mesma direção argumentou também o senador Roberto Requião (PMDB-PR). “A CPI sem a Delta ou a CPI sem a Veja não é CPI nenhuma. Não serve para nada”, disse o senador, em aparte ao discurso do senador Pedro Simon (PMDB-RS). O senador Fernando Collor, por sua vez, chegou a apresentar, na quinta-feira (17), atabalhoadamente é certo, um requerimento solicitando todas as gravações feitas entre Policarpo e Cachoeira. O relator da CPMI, deputado Odair Cunha (PT-MG), argumentou que as gravações de Policarpo já estão incluídas no HD bruto, já solicitado ao STF e à PF, contendo todas as gravações feitas pela Polícia Federal com autorização da Justiça. A proposta não chegou a ser votada.
O deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) considerou o requerimento de caráter “persecutório” e reforçou sua tese, já diversas vezes manifesta, de que a “convocação de um jornalista constitui atentado à liberdade de imprensa”. Somaram-se a dele às defesas do líder o PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR) e do senador Pedro Taques (PDT-MT). O último considerou o requerimento como “inconstitucional”. Se dentro da CPMI cresce a ideia de convocar a Veja e o Policarpo para testemunharem, fora dela a revista continua fazendo carga pesada contra as investigações de Policarpo tendo neste tema “O globo” e a “Folha” como cúmplices. O pretexto usado por eles, e repetido pela oposição tucana, e até por oportunistas como Miro Teixeira, é de que isso seria um ataque à liberdade de imprensa.
Respondendo à essa afirmação, o líder do PT na Câmara, deputado Paulo Teixeira (PT-SP), afirmou que há liberdade de imprensa no Brasil, mas que não se pode confundir liberdade de imprensa com cometer crimes. “Políticos que cometem crimes têm que ser investigados. Nenhuma profissão pode cometer crime. O que nós estamos fazendo aqui é investigar um jornalista que manteve permanentemente relação com um criminoso. Esse jornalista teve uma relação de dez anos com o esquema criminoso, relação essa permanente. O que nós queremos é investigá-lo”, ponderou.
“O Reino Unido acabou de julgar o seu jornal e o seu jornalista e quem o fez? Foi o parlamento. E o parlamento brasileiro hoje tem poderes judiciais e não pode deixar de investigar”, destacou. “Esse jornalista está sendo investigado. Não há pré-julgamento. Se não estivesse sendo investigado não haveria as ligações reveladas pela Polícia entre ele e o contraventor. Esse jornalista há sete anos esteve numa comissão do Conselho de Ética da Câmara para depor a favor de quem? Depôs aqui nesta Câmara a favor do senhor Carlinhos Cachoeira”, prosseguiu Teixeira.
O senador Humberto Costa (PT-PE), líder da bancada do PT no Senado, criticou o fato de parte da Comissão querer blindar o jornalista. “Não há intocáveis aqui. Tudo virá à tona”, acrescentou. Mais tarde, ao fazer a defesa da quebra dos sigilos da filial da construtora Delta no Centro-Oeste, foi a vez do deputado Cândido Vacarezza se posicionar: “Se, no decorrer dos trabalhos, encontrarmos links com qualquer pessoa que seja, inclusive o Policarpo, nós vamos investigar”.
Líder do PSOL na Câmara, o deputado Chico Alencar (RJ) se somou aos parlamentares como Fernando Ferro (PT-PE), Protógenes Queiroz (PCdoB), Iris de Araujo (PMDB-GO) e outros e disse que “se ficar comprovado que há um esquema espúrio de seleções de matérias para atender aos interesses do crime organizado, aí sim o jornalista terá que ser investigado pela CPMI”. Já o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) saiu em defesa da associação da Veja com o crime e considerou o requerimento de caráter “persecutório”.
Para Requião, livrar grupo Abril da CPI é acobertar crime organizado
“Tem que quebrar o sigilo da “Veja”, Civita e Policarpo”, diz
Em pronunciamento no plenário do Senado, na sexta-feira (18), o senador Roberto Requião (PMDB/PR) condenou a rede de proteção armada em torno da chamada “grande imprensa”, notadamente da revista “Veja” e de seu diretor em Brasília, o jornalista Policarpo Júnior que, segundo as interceptações telefônicas feitas pela Polícia Federal, era um frequente interlocutor do bicheiro Carlinhos Cachoeira.
“Não posso concordar que o jornalista passe a ser um agente do diabo, um seletor de informações, um participante de uma quadrilha de desinformação para motivar a opinião pública no sentido de apoiar os interesses que representa. E os interesses da grande imprensa brasileira são conhecidos, ligados aos grandes grupos econômicos e aos grandes bancos”, afirmou.
Requião lembrou do período da CPI dos Precatórios, quando foi agredido, e sem direito de resposta pela “Veja” e “IstoÉ”. “Que história é essa de confundirmos a liberdade do repórter com a liberdade da calúnia, da difamação, para, seletivamente, denunciar determinadas pessoas, desviando a opinião pública do que importa. Tem que quebrar o sigilo da “Veja”, de Roberto Civita, de Policarpo, para sabermos até que ponto estavam envolvidos num conluio organizado para depredação dos recursos públicos, a quem protegiam e o que denunciavam, a que interesse serviam”, defendeu.
Para o senador não é admissível a exclusão da “Veja” e afirma que a “investigação tem que ser completa”. Para ele, deixar a revista de fora da CPMI “é o desejo de acobertar uma imprensa ligada em conluio evidente e claro com o crime organizado, com interesses econômicos, com interesses financeiros do grande capital”.
TV Record repele falácia da “Veja” com mais denúncias contra diretor da revista
A revista Veja desta semana publicou, na seção chamada Radar, uma nota insinuando que a TV Record encontra-se em dificuldades financeiras. Há alguns dias, a emissora repercutiu, no programa Domingo Espetacular, trechos de conversas gravadas pela Polícia Federal (PF) com autorização da Justiça, que mostram o envolvimento do diretor da revista em Brasília, Policarpo Júnior, com o bando de Carlinhos Cachoeira.
As gravações, feitas durante a Operação Monte Carlo, desencadeada pela PF no dia 29 de fevereiro, revelam a ligação do diretor de Veja com o esquema criminoso do bicheiro, mostrando enorme intimidade entre ambos. Policarpo Júnior informa a Cachoeira sobre a publicação de matérias de interesse do contraventor, compartilham informações e combinam armações.
No domingo passado (20), o jornalismo da TV Record rebateu os ataques da revista da Editora Abril contra a emissora. A reportagem do programa, apresentado pelo jornalista Paulo Henrique Amorim, lembrou que a nota de Veja foi publicada na mesma seção que aparece nas gravações da operação Monte Carlo como destino das informações de interesse do contraventor Carlos Cachoeira.
O programa mostrou os trechos já publicados pela Hora do Povo, na edição do dia 18 de maio, apresentando uma conversa entre o bicheiro e o ex-diretor da Construtora Delta, Cláudio Abreu, ambos presos na operação Monte Carlo. Eles são acusados de 15 crimes, entre eles corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, contrabando e formação de quadrilha.
Na conversa, Cachoeira relata que Policarpo Júnior queria comprovar que o ex-ministro José Dirceu ajudou a Delta a fechar contratos.
Cachoeira: Rapaz… Falei: “Vocês erraram, Zé Dirceu não estava”.
Cláudio Abreu: Ah… Essa informação está totalmente furada, eu conheço bem a história. Não tem nada disso, cara.
Cachoeira: “Ô, Policarpo, você acredita mesmo nisso? Ele: “acredito”. Então, “pelos meus filhos, eu estou falando para você. Não existiu essa reunião. Esqueça, esqueça, entendeu?”
Em gravações de 10 de maio do ano passado, Cachoeira diz a Cláudio Abreu que Policarpo prometeu não prejudicar a construtora.
Cachoeira: O Policarpo, ele não alivia nada, mas também não te põe em roubada, entendeu? Eu falei, ó, inclusive vou te apresentar depois, Policarpo, o Cláudio. Eu sou amigo. Eu falei que era amigo seu de infância. “Então ele trabalha na sua empresa?” Ele falou assim: “Vai me contar que você tem uma ligação com ele.” Sabia de tudo. Falei: “Olha, não vou esconder nada de você, Policarpo. O Cláudio é meu amigo irmão, rapaz”.
Cláudio Abreu chegou a manifestar preocupação, mas foi tranqüilizado pelo bicheiro.
Cachoeira: Aquela hora eu estava com o Policarpo, rapaz. Antes do almoço ele me chamou para conversar. Mil e uma pergunta. Perguntava se a Delta tinha gravação. Eu defendi pra c… vocês, viu? O Policarpo, confia muito em mim. Vou até te mostrar a mensagem que ele mandou antes, 10h da manhã, pra ‘mim’ encontrar com ele aqui em Brasília. Eu estava aqui e fui me encontrar com ele.
A seguir, há também uma conversa entre Policarpo Júnior e o contraventor.
Policarpo: Alô.
Cachoeira: O rapaz está aí, você quer falar com ele?
Policarpo: Ah, tá. Aqui em Brasília?
Cachoeira: é, lá no 1103.
Policarpo: Ah, tá, beleza.

LEIA TAMBÉM:
O silêncio do contraventor coloca a CPI em xeque
( CARTA CAPITAL )
A falta de respostas de Carlinhos Cachoeira na sessão de terça-feira na CPI que o investiga coloca em xeque a utilidade dos próximos depoimentos na comissão.
Os deputados e senadores da CPI ouvirão na quinta-feira 24 três aliados do bicheiro: Jairo Martins de Souza, Idalberto Matias de Araújo, conhecido como Dadá, e Wladimir Garcez. Caso os supostos integrantes da quadrilha também fiquem calados, a comissão dará sequência a uma série de sessões até agora inúteis (e constrangedoras) para a investigação
Após o não-depoimento de Cachoeira, o pivô do escândalo, os congressistas já defendem outro foco na atuação da CPI. Para o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), os congressistas deveriam se debruçar sobre os documentos da Polícia Federal em vez de esperar alguma confissão de culpa improvável nos depoimentos. Já o senador Pedro Taques (PDT-MT) defende a quebra de sigilos dos envolvidos o quanto antes.
Segundo reportagem do site Congresso em Foco, o presidente da CPI, senador Vital do Rego (PMDB-PB), pretende conversar com o relator, deputado Odair Cunha (PT-MG), para propor uma mudança no rumo das investigações. Sua proposta seria diminuir o peso dos depoimentos e adiantar decisões administrativas como a quebra do sigilo da empreiteira Delta em território nacional.
Apesar da vontade de alguns integrantes da comissão em mudarem o rumo das investigações, até agora não há sinais da queda da blindagem em torno dos três governadores supostamente ligados ao grupo de Cachoeira ou à Delta – Marconi Perillo (PSDB-GO), Agnelo Queiroz (PT-DF) e Sérgio Cabral (PMDB-RJ).

junho 22, 2011

Apagão “for export”: São Paulo dita moda e governo tucano do Paraná planeja privatizar Copel

Privatização da Copel, mesmo com fiasco da Eletropaulo?
O governador Beto Richa enviou à Assembleia projeto de lei nº 361/2011 propondo novos parágrafos na Lei das Agências Reguladoras, lei PR 94, de 2002 ( governo Jaime Lerner) incluindo a obrigação de regulamentar as áreas de energia, saneamento e tecnologia da informação no Paraná.
As agências reguladoras existem para regular serviços antes públicos, delegados por contrato à iniciativa privada. Já que é desnecessária uma agência reguladora para regular serviços executados pelo próprio Estado, fica evidente a volta da privatização da Copel, Sanepar e Celepar ao Paraná como estratégia do governo do Estado.
Em SP hoje os privatistas já estão sem argumento. O serviço elétrico paulistano, mesmo abusivamente caro, entrou em colapso. É catastrófico e caótico, com apagões sucessivos. A população, flagelada por vexaminosos black-outs que duram até dois dias, isto é 48 horas. Destroem estoques, geram prejuízos familiares e empresariais. Sem falar nas quedas sucessivas de energia por oscilação de voltagem, que danificam irremediavelmente aparelhos elétricos, pelos quais a Eletropaulo se recusa a pagar indenização.
A empresa elétrica local Eletropaulo privatizada está ameaçada de intervenção da Aneel, Agência Nacional de Energia Elétrica. Quem pediu a medida drástica foi o Procon depois de repetidos apagões.
A privatização da Eletropaulo, feita pelo governador Mário Covas, era um dos orgulhos demo-tucanos, citada como argumento na época do primeiro debate da privatização da Copel. Argumento que fracassou na prática.
( Publicado no site MARGARITA SEM CENSURA )

novembro 17, 2010

Senador Requião desvenda o interesse do jornal Folha de São Paulo por processo da ditadura contra Dilma Rousseff

http://twitter.com/requiaopmdb/status/4987543250538496

Twitter / Roberto Requião: Se a Folha colaborava com … via kwout

SAIBA MAIS e não gaste seu suado dinheirinho com jornais mal-afamados:
Cidadão Boilesen e o ombudsman da Folha“, Blog do Miro
Folha (*) tem saudades da ditaDURA“, Conversa Afiada

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