ENCALHE ( Descontinuado em 05.10.2013 )

setembro 14, 2013

Crime organizado ameaça ministro do STF

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Veja manda um recado: pode crucificar o decano

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Foi exatamente para isso que o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, conduziu uma chicana nas últimas sessões da corte, contando com a ajuda dos ministros Gilmar Mendes e Marco Aurélio Mello; os três queriam que houvesse uma capa de Veja no caminho do ministro Celso de Mello antes da decisão sobre os embargos; na última quinta-feira, ele pretendia votar, mas foi impedido pelo trio, na esperança de que o decano sucumbisse à pressão midiática; isso comprova que o jogo da mídia na Ação Penal 470, com a colaboração de alguns ministros do STF, é absolutamente imoral.

Brasil 247 – Pergunta número 1: por que Joaquim Barbosa encerrou prematuramente a sessão do Supremo Tribunal na última quarta-feira, às 18 horas, como se os ministros fossem burocratas com horário fixo para fechar o expediente? Pergunta número 2: por que Gilmar Mendes e Marco Aurélio Mello estenderam ao máximo seus votos na quinta-feira, como se fossem dois similares de Rolando Lero e não juízes de uma suprema corte? Pergunta número 3: por que Joaquim Barbosa, simplesmente, impediu Celso de Mello de votar na quinta, quando o decano disse que poderia fazê-lo em apenas cinco minutos? (saiba mais aqui)

A resposta sobre as motivações da chicana jurídica – demonstrada com antecipação pelo 247 na própria quinta-feira ( leia aqui ) – está nas bancas. O que se buscava era que, até a decisão final de Celso de Mello, houvesse tempo para uma capa da revista Veja. “Eis o homem”, diz o título da revista da família Civita. “Ele condenou os réus do mensalão, mas agora tem de decidir entre a tecnicalidade e a impunidade. Não pode lavar as mãos como Pilatos, mas corre o risco de ser crucificado”.

Num julgamento em que Veja e outros veículos de comunicação – Globo e Folha à frente – colocaram a faca no pescoço de vários ministros do Supremo Tribunal Federal para atingir não a justiça, mas sim seus objetivos políticos (leia aqui a análise de Hélio Doyle sobre esse fenômeno), há, agora, a tentativa de golpe derradeiro. Não com uma simples lâmina afiada, mas com uma cruz e alguns pregos.

Celso de Mello está avisado. Se decidir conforme suas convicções, já manifestadas de forma clara, no dia 2 de agosto do ano passado ( assista aqui ), em defesa do direito de defesa dos réus, ele será crucificado.

O que comprova a absoluta imoralidade da imprensa brasileira ao longo do julgamento da Ação Penal 470. Ela, sim, merece ser condenada.

PUBLICADO NO ESQUERDOPATA

CAPIVARAS HISTÓRICAS:

Ex-governador Hélio Gueiros: ‘Veja quis me chantagear’

O ex-governador do Pará, Hélio Gueiros, em sua coluna no jornal “Diário do Pará”, edição de quarta-feira, relatou como “Veja” tentou lhe extorquir quando foi governador do Estado. O também ex-senador e ex-prefeito de Belém conta que, apesar da pressão, recusou e não cedeu ao achaque para veicular matéria paga na revista. Leia abaixo o texto de Hélio Gueiros.

“A revista “Veja” fez uma reportagem indelicada, – indelicada não, mas grosseira e vulgar – visando a governadora Ana Júlia. Note-se que, dias antes, o jornal “O Globo”, usando o mesmo material – ou quase o mesmo -, publicou duas páginas atingindo a governadora paraense, mas sem os termos chulos e desrespeitosos da “Veja”.

Acho apropriado relembrar o que o semanário de circulação nacional fez comigo no governo. Por várias vezes me deu alfinetadas procurando comprometer o meu nome perante o leitor brasileiro. Anotei mas não dei troco.

Uma bela manhã, em Palácio, recebo a visita de um representante da revista. Fui cordial e atencioso com o empregado que me solicitou então uma matéria paga para “Veja”. Fiz ver a ele que não me sentia à vontade para contratar a publicidade porque eu daria a impressão de que estava me rendendo às cutucadas da revista. Ela então me disse que a área comercial da empresa nada tinha com a publicação da redação. Eram totalmente independentes e autônomas. – É… – respondi eu. – Mas para mim é tudo a mesma coisa.

E não dei a publicidade. Nem naquela altura nem ao longo dos meus quatro anos de governo. Um colega meu de jornalismo paraense, conversando comigo, me revelou: – Olha, Hélio, se você quiser – e pagar -, você pode até ser capa da revista com direito a foto e tudo.

Não mudei de atitude. Nunca paguei nada para “Veja” e ela, também, nunca deixou de me impinimar.

Pode ser arriscado. Mas não se deve ceder à chantagem mesmo disfarçada. Dá para reconhecer. ( Hélio Gueiros ).”
HORA DO POVO, Maio de 2007

( *** )

Pronunciamentos
Texto Integral

Autor: Roberto Requião ( PMDB – Partido do Movimento Democrático Brasileiro /PR )
Data: 24/09/1999
Casa: Senado Federal
Tipo: Pronunciamento

O SR. ROBERTO REQUIÃO (PMDB – PR. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, trago ao plenário do Senado algumas informações que, somadas a outras trazidas por mim mesmo a esta Casa, desaguarão, mais cedo ou mais tarde, necessariamente, numa CPI da Editora Abril, do Grupo Civita.

Sr. Presidente, numa forma breve, quero trazer ao conhecimento dos Senadores um texto do jornalista Sebastião Nery, publicado na Tribuna da Imprensa , em que se diz:

“Os Senadores José Sarney e Antonio Carlos Magalhães estão chateados e preocupados. Quando Sarney era governador do Maranhão, doou o belo parque urbano de São Luís, na beira da praia, para o Grupo Abril construir um Hotel 4 Rodas e conservar o parque. Antonio Carlos, quando governador da Bahia, também doou o lindo parque de Itapoã para o Grupo Abril construir um Hotel 4 Rodas e conservar o parque.

O Grupo Abril vendeu os hotéis ao grupo espanhol Sofitel. Mas só vendeu e entregou os prédios dos dois hotéis. Os parques, patrimônios públicos das duas cidades, foram loteados, e estão construindo lá centenas de casas.”

Ou seja, o Grupo desmembrou o parque. Como V. Exª percebe, Sr. Presidente, não se trata de um grupo empresarial, mas de um grupo de gângsteres a espoliar o patrimônio público.

Informa-nos o jornalista Sebastião Nery que o Ministério Público já se debruça sobre os dois casos citados, para providenciar a devida reparação. Na verdade, essa é uma questão de polícia, não é nem uma questão de direito.

Por outro lado, aqui neste Senado, já contei um episódio que ocorreu entre mim, quando Governador do Estado do Paraná, e o Sr. Civita, e vou novamente relatá-lo para avivar a memória dos Senadores. Assumi o Governo do Estado e resolvi processar o Bamerindus por comportamentos que julguei extremamente danosos ao patrimônio do Paraná, ao Banco do Estado do Paraná e à seguradora pública do Paraná.

O Sr. José Eduardo de Andrade Vieira era meu adversário. Tomei, então, o cuidado de acioná-lo judicialmente, sem transformar o processo que eu movia em uma questão pública, para não me utilizar da condição de Governador e das informações que, por essa condição, eu tinha, no sentido de desgastar um adversário político. Deixei que a Justiça resolvesse o problema.

O Sr. Roberto Civita, de uma forma ou de outra, soube do processo e passou a me procurar para obter os dados. Eu argumentava com ele exatamente neste sentido: “Espere o julgamento dos processos!”.

Fui a São Paulo, e o Sr. Roberto Civita me convidou para um almoço e acabou me convencendo de que a questão era pública. Ele dizia: “Governador, o senhor não pode ocultar da opinião pública o comportamento do Sr. José Eduardo de Andrade Vieira e do Bamerindus em relação ao patrimônio do Paraná. É uma informação que deve ser divulgada”. Acabou me convencendo disso. O meu cuidado era muito grande e, talvez, excessivo do ponto de vista ético, se é que existe ética excessiva. Cedi, e o Sr. Civita mandou três ou quatro jornalistas especializados em assuntos econômicos ao Paraná, onde, por 15 dias, examinaram os problemas do conflito entre aquele Estado e o Grupo Bamerindus em relação ao Banestado e à Companhia Paranaense de Energia Elétrica.

Numa bela quarta-feira, Sr. Presidente, recebi, no Palácio do Iguaçu, um telefonema do Sr. Civita. Ele me disse: “Governador, o senhor achava que não publicaríamos notícia alguma”. Eu havia dito a ele exatamente isso, pelo fato de o Bamerindus ser um dos grandes anunciantes do Brasil. Disse ainda: “Compre a Veja no final da semana, que o senhor verá o que é uma revista independente”.

No fim da semana, a Veja chegou às minhas mãos, com quatro ou seis páginas de propaganda do Bamerindus, o que se repetiu durante seis meses a um ano, e nenhuma linha foi publicada sobre a denúncia. As informações obtidas junto ao Estado do Paraná, à Copel e ao Banco do Estado tinham servido para o Sr. Roberto Civita – já que quem fez o contato comigo foi ele e não o editor da revista ou os jornalistas isoladamente – para que o Bamerindus fosse chantageado.

São dois casos seriíssimos: a chantagem que o Bamerindus sofreu e pagou, na época, em forma de publicidade; e, agora, essa denúncia do jornalista Sebastião Nery.

Quero conseguir mais informações. Inclusive, quero colocar à disposição de todas as pessoas que tiverem notícias sobre o comportamento dessa quadrilha editorial o meu site na Internet, a minha home page no Senado e o meu gabinete. Estou disposto a receber informações e correspondências, afinal não é possível que a imprensa marrom domine a opinião pública nacional.

Recebi, na semana passada, uma retaliação das denúncias que fiz em relação ao Sr. Roberto Civita e ao Grupo Abril. Calhordamente, canalhamente, tentaram passar uma informação absolutamente errada, equivocada e de má-fé no sentido de que a minha mulher teria mandado dólares para o exterior. É evidente que isso não ocorreu. Levei documentos e provas definitivas para a reportagem do Grupo Abril, da revista Veja, e de nada isso bastou. A prática infamante foi levada à frente numa operação casada com a Secretaria de Comunicação do Governo do Estado do Paraná. E, suportados em reprints da Veja, tentaram convencer a opinião pública do meu Estado e do País de que eu, o Senador que iniciou a investigação sobre remessa de dólares para o exterior, teria na minha família um caso de remessa de dólares [ VER AQUI ]. Acusação sórdida, canalha, safada, característica do comportamento editorial desse grupo de gângsteres! Realmente, esse grupo não é um grupo econômico, mas sim um grupo de gângsteres que atua na editoria e na publicação de revistas no País.

Quero receber, por parte do público que assiste à TV Senado , informações sobre o comportamento do Grupo Abril. Quero somar essas informações para dar consistência a essas duas primeiras denúncias e ampliar a consistência, porque consistentes são de sobejo. Vou me preparar para, mais cedo ou mais tarde, com o convencimento dos Colegas Senadores, iniciar a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito que termine pondo na cadeia os gângsteres da Editora Abril!

Muito obrigado, Sr. Presidente.

agosto 10, 2013

Veja acusa alienígenas do passado pela roubalheira em São Paulo

 

( SURRUPIADO DO BLOG O ESQUERDOPATA )

VEJAALIEN
Se ainda havia alguma dúvida sobre o engajamento político da revista Veja, ele desaparece por completo na edição desta semana; reportagem “O acerto que saiu dos trilhos” é capaz de gastar papel e tinta com o caso Siemens praticamente sem mencionar políticos tucanos e sem publicar nenhuma foto; sobra até para um petista, o ex-presidente Itaipu, Jorge Samek, que teria pedido favores para perdoar uma dívida da multinacional alemã; nada sobre Geraldo Alckmin, Mario Covas, Robson Marinho (acusado de receber propinas de US$ 20 milhões) ou Andrea Matarazzo, também indiciado pela Polícia Federal; na única citação a políticos, José Serra e José Roberto Arruda, Veja afirma que os dois aparecem “em situações não comprometedoras”; uma reportagem vergonhosa, que não traz de nada de novo sobre o caso Siemens, mas revela a natureza partidária de Veja.
Brasil 247 – Em grave crise financeira, a Editora Abril, que vem cortando títulos e demitindo profissionais, acaba de atirar de vez sua credibilidade no lixo. Numa reportagem vergonhosa, sobre o caso Siemens, a revista Veja é capaz de dedicar seis páginas ao escândalo que movimenta o debate político no Brasil como se ele ocorresse na lua ou em outro planeta – e não em São Paulo, onde fica a sede da editora.
Para quem ainda tinha alguma dúvida sobre o engajamento político da casa editorial dos Civita, Veja rasgou de vez a fantasia. É tucana, ou melhor, tucaníssima. E prova, com seu texto, que o cientista político André Singer tem toda a razão, ao falar sobre grupos sociais que articulam o debate contra a corrupção no Brasil. “Terão a mesma energia ou o ímpeto revelado irá esmorecer, agora que são outros os personagens na berlinda?”, indaga na Folha (leia mais aqui).
Assinada pela jornalista Laura Diniz, com reportagem de Bianca Alvarenga e Pieter Zalis, o texto conta a história da Siemens e explica o que é cartel, como se os leitores estivessem interessados em biografias empresariais ou aulas de teoria econômica. “A isso se dá o nome de cartel, crime no qual um grupo de empresas se une para lotear o mercado e combinar preços, de forma a atropelar a livre concorrência e aumentar seus ganhos, já que, em seus acordos secretos, nunca decidem fixar os preços para baixo”.
Ilustrada de forma asséptica, a reportagem não tem fotos de personagens, contrariando o padrão gráfico da própria Veja. Onde estão as fotos de Geraldo Alckmin, José Serra ou Mario Covas? Nada. Ou então de Robson Marinho e Andrea Matarazzo, acusados de receber propinas da Alstom, outra empresa partícipe do esquema? Também nada. Ou quem sabe de José Luiz Portella, o Portelinha, homem de confiança do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, citado num email da Siemens como articulador de um acordo que envolveria também José Serra? (leia aqui) O gato comeu.
Sem tucanos na mira, Veja conseguiu até a proeza de disparar contra um petista em sua leitura sobre o caso Siemens, ao resgatar uma história contra Jorge Samek, diretor-geral de Itaipu. Ele teria sido acusado de cobrar US$ 6 milhões para perdoar uma dívida da multinacional alemã.
Lá pelo finalzinho do texto, o leitor descobre, enfim, o nome de dois políticos. “Nos milhares de documentos e e-mails apreendidos, aparecem apenas os nomes de dois políticos, os ex-governadores José Serra (PSDB-SP) e José Roberto Arruda (DEM-DF). Os dois são apenas citados – e em situações não comprometedoras”, diz a revista. Ah, bom…
A reportagem de Veja é histórica não pelo que traz de novo sobre o caso Siemens – de onde menos se espera, é que não sai nada mesmo, como diria o Barão de Itararé. Ela ficará marcada como um exemplo da natureza perversa da própria imprensa brasileira.
Veja tem lado. A Editora Abril tem lado. E isso ficou explícito e absolutamente escancarado neste fim de semana. O grande problema, para a democracia brasileira, é que empresta seu poder de fogo para manipular e pressionar instituições públicas, como a procuradoria-geral da República e o Supremo Tribunal Federal, sempre em defesa de seus próprios interesses políticos e comerciais.

julho 8, 2013

A enojante hipocrisia da imprensa brasileira, Por Rafael Patto

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Via FACEBOOK

A matéria da revista Veja dessa semana, sobre o plebiscito, é um verdadeiro soco no estômago de quem tem algum apreço pela democracia. Mais uma vez essa revista que é um detrito sólido de maré baixa apela para os preconceitos de classe mais rançosos e anacrônicos para atentar contra os direitos políticos da população mais pobre do país.

Sugerir que quem recebe assistência do governo deveria ser impedido de votar é um crime e não pode ser tolerado!!!

É como eu digo: o preconceito não consegue ser preconceituoso sem ser hipócrita.

Essa turma da Casa Grande adora dizer que o voto que o pobre dedica ao PT é voto de cabresto. Aqui no Brasil é assim: pobre, quando vota em governo que o favorece, vota influenciado, de maneira acrítica. Mas rico não! Rico pode votar em governo que o favoreça que será sempre um voto consciente.

Ora, todos têm o direito de votar naqueles que supostamente representem melhor os seus interesses. Esse é o primeiro estágio da democracia. O segundo é quando as pessoas – além de pensar nos seus próprios interesses – conseguem pensar também no interesse coletivo.

Nesse segundo estágio, passa a ser importante que o candidato escolhido, além de ser bom para mim, possa ser bom para a maioria, ou pelo menos não seja ruim para os demais. Um Estado e uma sociedade não podem esperar, de alguém a quem foi negado o acesso à educação, esse segundo estágio. Até porque essa pessoa não vivencia a democracia, na medida em que ela foi assaltada em seu direito básico de se educar, e, por isso, foi condenada à margem da cidadania.

Já a elite, os herdeiros da Casa Grande, esses sim disporiam de meios para já terem alcançado o segundo estágio do pensamento democrático, e, se suas práticas não confirmam isso, é porque seus vícios não os permitem superar sua histórica falha de caráter. Sempre procuram votar naqueles que se comprometem em defender seus interesses financeiros, corporativos e empresariais, em detrimento da imensa maioria da população do país. E isso, por uma razão muito simples: a elite brasileira acha que esse direito de votar em quem representa seus interesses é só dela. Os pobres não podem fazer isso.

Infelizmente, vivemos num país em que, pelos vícios que sempre foram praticados por essa mesma elite no exercício do poder, a distância que separa ricos e pobres é abissal. Daí que, evidentemente, as necessidades de uns e de outros sejam também tão distintas. E é evidente também que, por obra do atraso a que nos condenou o patrimonialismo das elites econômicas que governaram esse país desde a chegada dos portugueses até o dia 31 de dezembro de 2002 segundo suas próprias vontades, as necessidades dos mais pobres se relacionem a questões mais básicas da sobrevivência humana, como, por exemplo, fazer pelo menos uma refeição por dia, o que determina uma escolha mais pragmática na hora de votar.

Mais pragmática, mas não menos legítima. Afinal de contas, pensando do outro lado, a escolha por um governante que defenderá subsídios ao setor produtivo ou uma política econômica favorável ao lucro do setor financeiro não deixa de conter elevadas doses de pragmatismo.

Chega a ser torpe o argumento de que, como o pobre vota pelo prato de comida, seu voto seria mais ingênuo. Pois bem, o pobre vota por um prato de comida porque o problema que se coloca diante dele é precisamente a falta de comida – e a vergonha por termos chegado ao século XXI tendo milhões de brasileiros famintos vivendo num país que exporta alimento para o mundo inteiro não é para ser sentida pelos que têm fome, mas justamente por aqueles que sempre mandaram e desmandaram e nunca fizeram nada para solucionar esse problema, o que é prova irrefutável da falta de humanidade e moralidade dessa gente.

Supondo que os critérios que determinam a escolha dos ricos pelos seus candidatos sejam mais racionais e que se proceda a uma engenharia cognitiva mais elaborada para que se extraiam conclusões mais ponderadas ou talvez mais sofisticadas acerca de em quem se deve votar, os ricos acreditam piamente que seu voto é mais qualificado que o dos pobres. Ainda mais porque são mais escolarizados. Será que eles acham que um miserável, que nunca pôde contar com o Estado para lhe assegurar os direitos mais elementares à sobrevivência, deveria mesmo pensar como os riquinhos do Sul-Maravilha?

Seria interessantíssimo encontrar um caboclo do Vale do Jequitinhonha três meses antes das eleições, sentado no chão batido de seu cafofo com paredes de pau-a-pique, descansando da caminhada de duas oras para buscar água e um tanto de lenha para esquentar a sopa de fubá que repartirá entre si, esposa e filhos, a pensar nas conveniências de se votar no candidato A ou B, em função das projeções da bolsa de mercados futuros. Faça-me o favor!

Esse caboclo estará certíssimo em escolher aquele que criou condições para que ele pudesse ter com menos dificuldades aquilo que era sua necessidade mais urgente: comida! Como disse a professora Tania Bacelar, da UFPE, “esse não é o voto da submissão, da desinformação ou da ignorância. É o voto da autoconfiança recuperada e da esperança na consolidação dos avanços alcançados”

Mas a elite que não suporta ver o Estado brasileiro empregando dinheiro na alimentação da gente pobre – essa elite que se acostumou com a idéia de que o Estado existe para ela e só para ela, depois de ter passado cinco séculos sugando toda a riqueza da nação só para si – afirma que esse voto do pobre é voto de cabresto, ou, agora, como menciona Veja, um voto dado numa situação de “conflito de interesse” (olha que lindeza!).

Bom, nesse caso, vamos combinar que empresário da FIESP quando vota no PSDB também está praticando voto de cabresto. A diferença é que o pobre que vota no PT o faz para ter direito à cidadania. O rico que vota no psdb o faz para saquear o país contando com a conivência do governo. A questão é que eles fogem dessa discussão porque ela deságua precisamente na constatação da necessidade urgente de uma Reforma Política profunda, que acabe de uma vez por todas com o financiamento privado das campanhas eleitorais, o que, afinal de contas, é a porta de entrada de toda a corrupção do poder político pelo capital.

junho 2, 2013

O canibalismo comunista da Veja, Por Juremir Machado da Costa

Filed under: WordPress — Tags:, , , , — Humberto @ 3:14 pm
Постоянный O жертв голода

Постоянный O жертв голода !!

Praticamente nenhuma pessoa séria leva a revista Veja a sério. Sabe-se que é uma publicação humorística. Faz um humor meio sem graça, apelativo, rasteiro, como é o humor dominante na mídia brasileira atual. Mas há um traço de original nesse humor: ele é ideológico. Nesta semana, porém, Veja caprichou no ridículo. O texto “Os ossos do socialismo” é uma obra-prima de charlatanismo, de reacionarismo delirante e de besteirol histórico.  Segundo o repórter, que assina a matéria, há uma relação direta entre canibalismo e comunismo. Em 1609, os primeiros colonos ingleses instalados em Jamestown, na América, loucos de fome, comeram os seus semelhantes.

Arqueólogos descobriram os ossos de Jane, vítima do canibalismo dos seus parceiros de aventura no Novo Mundo. A revista Veja não tem a menor dúvida: “Jane foi devorada por seus pares como consequência do fracasso do modelo de produção coletiva implantado nos primeiros anos da colonização dos Estados Unidos. A propriedade era comunitária, e o fruto do trabalho era dividido igualmente entre todos. Era, portanto, uma experiência que antecipava os princípios básicos do comunismo. Deu no que deu”. Uau! A cadeia estabelecida é imperativa: o coletivismo levou à preguiça, que levou à improdutividade, que levou à fome, que levou ao canibalismo. A saída viria com a propriedade privada. É reportagem para prêmio Esso de estupidez. Longe de mim defender o comunismo. O buraco é mais embaixo. Vejamos.

O autor tem a segurança dos tolos encantados com o lugar que ocupam na escala social: “Se não fosse o sistema fracassado, a situação dificilmente teria chegado a esse ponto”. Todos os demais aspectos de adaptação e de conjuntura são desconsiderados. O reducionismo ideológico surge como uma iluminação. A solução chega com um novo administrador, que impõe à propriedade privada: “A decisão despertou os traços hoje bem conhecidos do capitalismo americano: o empreendedorismo e a aptidão para a competição”. Disso teria decorrido que, em 1775, os americanos “já eram mais altos que os ingleses”. Tem gente batendo os dentes nos consultórios de dentista, onde Veja é campeã de leitura, de tanto rir. É um riso nervoso.

Nem os primatas do Pânico fariam melhor.

Para a pragmática revista Veja, no coletivismo, entre trabalhar e comer seus semelhantes, as pessoas escolhem a segunda opção. Um colono comeu a esposa grávida. Veja, enfim, descobriu a origem da expressão “comunista comedor de criancinha”. Na verdade, encontrou algo mais grave, o comunista comedor de feto. Sem contar que Duda Teixeira chegou ao elo perdido, a origem sempre procurada do capitalismo, o estalo: “Foi essa mudança, nascida do trauma de um inverno em que colonos caíram na selvageria que permitiu aos Estados Unidos se tornar o maior gerador de riqueza do planeta e o berço do capitalismo moderno”. O capitalismo nada mais é que uma reação ao canibalismo comunista. Agora é científico.

Não fosse grosseiro, eu diria: é a coisa mais idiota que li.

CORREIO DO POVO

janeiro 13, 2013

Revista Veja, a tática do cinismo, por Carla Luciana Silva, autora de “Veja: indispensável partido neoliberal”

Filed under: WordPress — Tags:, , , — Humberto @ 4:54 pm

vejafuma

Em vez de se apresentar como a ponta de lança da campanha anticorrupção que acabaria por levar Collor a renunciar, a Veja o apoiava sempre que possível. Mais tarde, reinventaria a própria imagem e o papel que desempenhava na queda do presidente corrupto.
Uma forma de desvendar a revista Veja é ler as cartas dos leitores, de um entusiasmo algo monótono: “um farol iluminando o mar de lágrimas de nosso mundo político”; “não somente uma bússola [ética], mas também fonte de constância e competência”; uma publicação “livre, corajosa e obcecada pela busca da verdade”.1 Outra é, simplesmente, folhear um exemplar.
A Veja é a revista mais influente da América Latina, com uma tiragem de aproximadamente 1,2 milhão de exemplares, dos quais 925 mil por assinatura, e recruta três quartos de seus leitores entre os 12% de brasileiros mais abastados – população que, parece, não se incomoda com uma visão de mundo conservadora. A seção “Panorama”, por exemplo, exibe regularmente imagens e citações de homens e mulheres públicos: os primeiros, de terno, expressam sempre suas preocupações políticas; elas, pouco vestidas, se inquietam sobre o peso ou as nádegas. Já a publicidade ocupa em média mais de setenta das 140 páginas da publicação. Na edição de 7 de novembro de 2012, os leitores depararam com dezesseis páginas seguidas de propaganda da Procter & Gamble.
É necessário, contudo, desembolsar R$ 9,90 para comprar a Veja em uma banca – o equivalente a 1/60 do salário mínimo. Essa proporção, na França, significaria desembolsar mais de 18 euros por uma L’Express ou Le Nouvel Observateur. Papel fino e principalmente cinza, manchetes capitulares, capa sensacionalista: a Veja não é propriamente uma revista elegante. Sua ambição? Figurar entre as instituições “indispensáveis ao país que desejamos ser”, como proclama seu slogan. E o país a que a Veja aspira não gosta nada do Estado.
Na edição de 15 de agosto de 2012, o editorial enalteceu um programa de privatização que coloca o Brasil “em harmonia com a lei da gravitação universal”. Não sem advertir: “a presidente Dilma Rousseff vai se chocar contra as resistências evidentes de seu partido, o PT, e contra outras forças reacionárias da esquerda. Trata-se de uma batalha na qual necessitará do apoio da opinião pública. O apoio da Veja já está garantido”.
Editada pelo Grupo Abril, a Veja surgiu em 1968, mesmo ano do Ato Institucional n. 5, que marcou a radicalização da repressão exercida pela junta que chegou ao poder em 1964. Se, por um lado, a revista sempre teve uma relação ambígua com a ditadura, por outro se engajou a favor das reformas neoliberais desde o retorno da democracia, em 1985 – com a mesma devoção com que anuncia sua linha editorial de “jamais refugiar-se no conforto da imparcialidade”.
Em 1989, na primeira campanha presidencial democrática após a queda dos militares, a Veja apoiou Fernando Collor, cuja base política era frágil em relação à candidatura de Lula. Barbudo, sindicalista, sem diploma universitário, este entoava um discurso que ameaçava os poderosos. Na época, o proprietário do grupo Globo, Roberto Marinho, também escolheu seu lado. Sobre Collor, alertava seus funcionários: “Não criticamos esse jovem”.2 A Veja atuava da mesma forma, construindo a imagem de um candidato “jovem e sedutor” e grande “caçador de marajás”.
Nos anos seguintes, uma questão obcecou os economistas ortodoxos: a inflação, que acabava com as economias dos rentistas. E aterrorizou a Veja, que consagrou várias capas ao tema com, por exemplo, um vampiro com olhos esbugalhados (9 maio 1993), um crocodilo fotografado de frente e com a boca aberta (9 mar. 1994) ou ainda um dragão cujas labaredas de fogo parecem queimar a capa (4 dez. 2002).
A Veja também se alarma diante de protestos e manifestações populares: os organizados pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e os dos sindicatos. Assim, no dia 31 de maio de 1995, publicou na capa uma fotomontagem que apresenta o presidente Fernando Henrique Cardoso usando um capacete de soldado. A publicação o felicita por “domar” a central sindical mais importante do país ao reprimir uma greve de petroleiros com o Exército.
As “ditaduras populistas”
Preocupada com a chegada ao poder dos dirigentes progressistas na América Latina, a revista se empenhou em denunciar as “ditaduras populistas”. No dia 10 de maio de 2006, com a manchete “Essa doeu!”, representa um Lula visto de costas após ter recebido um chute no traseiro. A imagem era uma burla da suposta ingenuidade do chefe de Estado perante seu homólogo boliviano, Evo Morales, que acabava de nacionalizar o gás e o petróleo bolivianos, explorados por empresas brasileiras – porque, para a Veja, os interesses das multinacionais devem prevalecer. No dia 4 de julho de 2012, a revista denunciou uma tentativa de golpe de Estado no Paraguai: não a de Frederico Franco, exitosa, e sim a do presidente venezuelano Hugo Chávez, que teria tentado destituir Franco com o Exército paraguaio…
Até o início da década de 2000, o PT era o assunto que mais preocupava a publicação. No dia 23 de outubro de 2002, às vésperas da eleição que levou Lula à presidência, a Veja pegou pesado. A manchete “O que querem os radicais do PT” titulava uma imagem do candidato do partido segurando uma coleira com um cachorro de três cabeças – as de Lenin, Marx e Trotski –, que o desequilibrava. Enquanto Lula enviava sua “Carta aos brasileiros”, destinada a tranquilizar os especuladores, o periódico chamava a atenção para as franjas “extremistas” do partido.
A Veja se considera na vanguarda da luta contra a corrupção: um editorial de 5 de setembro de 2012 apresenta a revista como a “bússola ética” do Brasil. Mas esse comportamento desempenha, em primeiro lugar, a função de despolitizar. “Ao colocar a corrupção no centro do tratamento da informação política, a Veja transforma o político em policial e omite o fato de que sua própria conduta policial é eminentemente política”, analisa o jornalista Roberto Efrem Filho.3 Assim, em vez de se apresentar como a ponta de lança da campanha anticorrupção que acabaria por levar Collor a renunciar, a Veja o apoiava sempre que possível. Mais tarde, reinventaria a própria imagem e o papel que desempenhava na queda do presidente corrupto. Da mesma forma, em 2005, a Veja reivindicou a revelação do mensalão, quando em realidade a denúncia havia sido feita pela Folha de S.Paulo.
Mais grave, a própria revista está envolvida em casos de corrupção. Há ligações entre Policarpo Júnior, diretor da Veja em Brasília, e empresários como Carlinhos Cachoeira, acusado de desvio de dinheiro.
O caso desencadeou a criação de uma comissão parlamentar de inquérito batizada de “CPI Cachoeira”. Policarpo, nomeado redator-chefe em janeiro de 2012 e encarregado das páginas políticas, aparece em gravações que o implicam na publicação de artigos e reportagens cujo único objetivo era promover o interesse de empresários.
Confrontada pelo ressentimento anticorrupção que ela mesma ajudou a alimentar, notadamente na internet, a Veja reagiu violentamente, chegando até a denunciar na capa as “táticas de guerrilha destinadas a manipular as redes sociais” ( 16 maio 2012 ). Nessa nota, acusa o PT de colocar um robô encarregado de publicar mensagens anti-Veja no Twitter. Solidário, O Globo apoiou a revista em nome da “defesa da liberdade”.

Carla Luciana Silva é autora de Veja: indispensável partido neoliberal ( 1989-2002 ), Edunioeste, Cascavel, 2009

Ilustração: André Dahmer

1 Respectivamente, 23 maio 2012, 12 e 19 set. 2012.
2 Citado por Christian Dutilleux em Lula, Flammarion, Paris, 2005.
3 Roberto Efrem Filho, “A revista Veja e o meu pai”, Brasil de Fato, São Paulo, 19 jun. 2008.

Le Monde Diplomatique Brasil, Edição 65, Dezembro de 2012

dezembro 29, 2012

Casamento de Cachoeira, Jornalismo à moda de Al Capone, Por Leandro Fortes

O que é mais incrível não é a Folha de S.Paulo mandar uma repórter “enviada especial” a Goiânia para cobrir o casamento de um mafioso com uma mulher indiciada por chantagear um juiz federal para tirá-lo da prisão, e sequer citar esse fato.
Carlinhos Cachoeira, vocês sabem, tem trânsito livre na imprensa brasileira. Dava ordens na redação da Veja, em Brasília, e sua turma de arapongas abastecia boa parte das demais coirmãs da mídia na capital federal.
Andressa, a noiva, foi indiciada por corrupção ativa pela Polícia Federal por ter tentado chantagear o juiz Alderico Rocha Santos.
Ela ameaçou o juiz, responsável pela condução da Operação Monte Carlo, com a publicação de um dossiê contra ele. O autor do dossiê, segundo a própria? Policarpo Jr., diretor da Veja em Brasília.
Mas nada disso foi sequer perguntado aos pombinhos. Para quê incomodar o casal com essas firulas, depois de um ano tão estressante?
O destaque da notícia foi o mafioso se postar de quatro e beijar os pés da noiva, duas vezes, a pedido dos fotógrafos.
No final, contudo, descobre-se a razão de tanto interesse da mídia neste sinistro matrimônio no seio do crime organizado nacional.
Assim, nos informa a Folha:
“Durante o casamento, o noivo recusou-se a falar sobre munição que afirma ter contra o PT: ‘Nada de política. Hoje, só falo de casamento. De política, só com orientação dos meus advogados’.”
É um gentleman, esse Cachoeira.
VIOMUNDO

dezembro 2, 2012

Jurista Celso Antônio Bandeira de Mello desmente notícia, fruto do ‘mau jornalismo’ de revista Veja, e detona: “Não leio publicações às quais não atribuo a menor credibilidade.”

O jurista Celso Antônio Bandeira de Mello desmentiu nota publicada na na edição 2.287 da revista Veja informando que ele estaria redigindo um manifesto criticando a atuação dos ministros do STF no julgamento do mensalão.
Veja a nota “Direito ao esperneio” da coluna “Holofote” de Otávio Cabral.
Confira a declaração de Celso Antônio Bandeira de Mello.
“Uma notícia deslavadamente falsa publicada por um semanário intitulado ‘Veja’ diz que eu estaria a redigir um manifesto criticando a atuação de Ministros do Supremo Tribunal Federal no julgamento da ação que a imprensa batizou de mensalão e sobremais que neste documento seria pedido que aquela Corte procedesse de modo ‘democrático’, ‘conduzido apenas de acordo com os autos’ e ‘com respeito à presunção de inocência dos réus’. Não tomei conhecimento imediato da notícia, pois a recebi tardiamente, por informação que me foi transmitida, já que, como é compreensível, não leio publicações às quais não atribuo a menor credibilidade. No caso, chega a ser disparatada a informação inverídica, pois não teria sentido concitar justamente os encarregados de afirmar a ordem jurídica do País, a respeitarem noções tão rudimentares que os estudantes de Direito, desde o início do Curso, já a conhecem, quais as de que ‘o mundo do juiz é o mundo dos autos’ – e não o da Imprensa – e que é com base neles que se julga e que, ademais, em todo o mundo civilizado existe a ‘presunção de inocência dos réus’. É esta a razão pela qual, sabidamente, indiciados não são apenados em função de meras conjecturas, de suposições ou de simples indícios, mas tão somente quando existirem provas certas de que procederam culposa ou dolosamente contra o Direito, conforme o caso. Pretender dizer isto em um manifesto aos Ministros do Supremo Tribunal Federal seria até mesmo desrespeitoso e atrevido, por implicar suposição de que eles ignoram o óbvio ou que são capazes de afrontar noções jurídicas comezinhas. Nenhum profissional do Direito experimentado, com muitos anos de profissão, cometeria tal dislate. É claro que isto pode passar desapercebido a um leigo ao preparar noticiário, mas não convém que fique sem um cabal desmentido, para que os leitores não sejam enganados em sua boa-fé.
Celso Antônio Bandeira de Mello

( Extraído do CORREIO DO BRASIL )

novembro 29, 2012

Relator arrega e pombinhos Policarpo e Cachoeira podem voltar a se telefonar à vontade

Cachoeira: relator amarela e retira indiciamento de ‘Veja’ e Gurgel do relatório da CPI
Na quarta-feira, o relator da CPI do Cachoeira apresentou uma nova versão do seu relatório, retirando os pedidos de investigação sobre o procurador-geral Roberto Gurgel, e de indiciamento de Policarpo Jr, da sucursal da revista “Veja” no DF.
HORA DO POVO
Odair cede às pressões do lobby da Veja e retira indiciamento de Policarpo Júnior
O relator da CPI do Cachoeira, deputado Odair Cunha (PT/MG), alterou o texto de seu relatório final com a conclusão dos trabalhos da comissão. Na quarta-feira (28), ele apresentou uma nova versão, na qual retirou os pedidos de investigação da conduta do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, e de indiciamento de cinco jornalistas, entre eles, Policarpo Júnior, da sucursal da revista “Veja” em Brasília.
Contrariando a versão divulgada dez dias antes, Cunha classificou esses dois itens de “secundários” e “acessórios”. “Se os partidos se comprometeram a aprovar o essencial, estou disposto a retirar o secundário. O encaminhamento do procurador-geral para o conselho e o indiciamento dos jornalistas é irrelevante; não é uma questão central. Se o procurador e os jornalistas são elementos que criam obstáculos à aprovação do relatório, abro mão deles”, afirmou.
Segundo o relator, a investigação destas questões poderiam ser excluídas do texto. “São questões importantes, mas o ponto central de nosso relatório é o núcleo da organização criminosa comandada por Cachoeira”, declarou.
Na primeira versão, o chamado núcleo de imprensa era descrito em 349 páginas, onde o relator destacou que não restavam dúvidas “de que o jornalista Policarpo Junior aderiu à organização criminosa de Carlos Cachoeira, colaborando intensamente para o êxito e a continuidade de suas atividades e a impunidade de seus líderes”.
Ele registrou, ainda, trecho do despacho do juiz da 11ª Vara da Justiça Federal em Goiás, Paulo Augusto Moreira Lima, ao decretar a prisão de Cachoeira: “Os meios de proteção ao esquema criminoso alcançaram a utilização e manipulação da própria imprensa, sempre mediante pagamento, tudo com o escopo de tentar desqualificar o trabalho desenvolvido por órgãos sérios de persecução e preservar negócios espúrios”.
Sobre a conduta do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, o relator destacou, em seu documento inicial, que o servidor teria incorrido na conduta de prevaricação, improbidade administrativa e crime de responsabilidade.
“Em hipótese alguma, ele poderia ter sobrestado – leia-se interrompido – a investigação em face da organização chefia por Carlos Cachoeira. Ao interromper as investigações sobre a Operação Vegas, o dr. Roberto Gurgel deixou que continuassem as ilicitudes cometidas pela organização criminosa liderada por Carlos Cachoeira”, frisou.
Odair Cunha manteve em seu novo texto o indiciamento de Fernando Cavendish, dono da construtora Delta, e de Cláudio Abreu, ex-diretor da empreiteira no Centro-Oeste. Ele também propõe a responsabilização do governador de Goiás, o tucano Marconi Perillo, em seis crimes, além do indiciamento do ex-senador Demóstenes Torres e do deputado federal Carlos Alberto Leréia (PSDB/GO).
No relatório, consta que a quebra dos sigilos bancário e fiscal de 83 pessoas físicas e jurídicas revelou uma movimentação de R$ 84 bilhões, nos últimos dez anos. Segundo o relator, a maioria dessas transações ocorreu em períodos eleitorais.
O PSDB acusou Cunha de ter sido parcial por deixar de fora o governador do DF, Agnelo Queiroz (PT). “Não foi comprovado que o Agnelo sucumbiu aos interesses da organização criminosa do Cachoeira. No caso do Perillo há encontros dele com o contraventor e até possível entrega de dinheiro”, rebateu o relator.
Com a apresentação de um pedido de vista coletivo, abriu-se prazo de cinco dias úteis, conforme o Regimento Interno do Senado, para que os parlamentares apresentem voto em separado ou mesmo sugestões para o relator. Com isso, a votação do relatório foi marcada para o próximo dia 5 de dezembro, às 10h15, na sala 2 da Ala Alexandre Costa do Senado.

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Relações criminais entre Policarpo da Revista Veja e o contraventor Carlinhos Cachoeira são definidas por jornalistas como “mau jornalismo”

Policarpo não fez “mau jornalismo”; cometeu um crime

por Dr. Rosinha*

“Este é o retrato sem retoques de como se faz um jornalismo sem ética, um jornalismo que, para destruir determinado alvo ou determinado projeto político, não hesita em violar as leis, a Constituição e a própria dignidade dos cidadãos.”
É dessa forma que o incisivo texto do relatório final da CPI do Cachoeira define a relação de Policarpo Jr., diretor da sucursal de Brasília da revista Veja, com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, acusado de chefiar uma quadrilha com tentáculos no poder público e na mídia.
O jornalista da CBN, Kennedy Alencar, em comentário sobre a CPI, disse que o relatório final não apresenta provas contra Policarpo. Para Alencar, Policarpo não cometeu nada além de “mau jornalismo”. “E mau jornalismo não é crime”, afirma.
De fato, não é, embora isso também seja bastante questionável. Mas o que emerge do relatório final é muito mais do que “mau jornalismo”. Só um corporativismo ancestral pode explicar a declaração de Kennedy Alencar. No relatório, Policarpo Jr. aparece encomendando grampos clandestinos e pedindo ajuda para devassar, sem autorização legal, a intimidade de um cidadão brasileiro (no caso, Zé Dirceu, quando hospedado em um hotel de Brasília). Em troca desses “pequenos favores”, Policarpo fazia o papel de assessor de imprensa da organização chefiada por Cachoeira: publicava o que lhes era conveniente e omitia o resto. Assassinava reputações e promovia jagunços de colarinho branco, como o ex-senador Demóstenes Torres, também integrante da organização, a exemplos éticos a serem seguidos pelas próximas gerações.
Quando a Delta não foi beneficiada por uma licitação para a pavimentação de uma rodovia federal, Cachoeira acionou Policarpo para, através de uma reportagem da Veja, “melar” a licitação. Posteriormente, como os interesses da Delta continuaram a ser negligenciados, Cachoeira e Policarpo montaram uma ofensiva para derrubar o ministro dos Transportes – o que acabaram por conseguir.
Em troca, quando lhe interessava, Policarpo solicitava à organização criminosa que, por exemplo, “levantasse” as ligações de um deputado. Tudo isso está no relatório final, provado através das ligações interceptadas pela PF com autorização judicial. Não é “mau jornalismo” apenas. É crime.
“Não se pode confundir a exigência do exercício da responsabilidade ética com cerceamento à liberdade de informar. Os diálogos revelam uma profícua, antiga e bem azeitada parceria entre Carlos Cachoeira e Policarpo Júnior”, diz o relatório.
Policarpo não é o único jornalista envolvido com a organização de Cachoeira, mas é sem dúvida o que mais fundo foi neste lodaçal. Durante a CPI, não foi possível convocá-lo para depor, porque não havia condições políticas para tanto. Agora, porém, as provas falavam alto.
Porém as questões políticas (necessidade de aprovar o relatório) mais uma vez se interpuseram. Assim como feito em relação ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, foi necessário retirar as menções a Policarpo do documento. O relator entendeu, e eu o compreendo e defendo, que Policarpo, perto do governador Marconi Perillo, do PSDB de Goiás, é secundário. Mas, ser secundário não afasta a necessidade de a Polícia Federal continuar a investigá-lo, e espero que o faça, mesmo com seu nome não constando no relatório. Afinal, todo suspeito deve ser investigado.

*Deputado federal do PT-PR

Publicado no VIOMUNDO

novembro 23, 2012

Povo brasileiro exulta: relatório da CPI do Cachoeira indicia Policarpo Jr, da revista VEJA, e Gurgel

Para a felicidade maior da Nação. Falta agora o “Mensalão Tucano”, mais conhecido como “A Gênese”

Diretor da Veja cuidava de “destruir biografias” visando êxito de “sua organização criminosa
O relator da CPI do Cachoeira, Odair Cunha , divulgou na terça-feira seu relatório que pede o indiciamento do diretor da revista Veja, Policarpo Júnior, o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, entre outros. São 200 ligações entre Cachoeira e Policarpo Jr., cujas matérias serviam “como uma arma letal para (…) destruir personalidades, criar falsos moralistas (…) visando sempre alcançar o êxito político e econômico de sua organização criminosa”.
HORA DO POVO
CPMI: relator denuncia crimes de Policarpo Jr, Gurgel e Perillo
Ligação do diretor da Veja com o mafioso Cachoeira não era apenas relação de “jornalista e fonte”, apontou Odair Cunha
O relator da CPI do Cachoeira, Odair Cunha (PT-MG), divulgou na terça-feira (20) seu relatório que pede o indiciamento de 46 pessoas, entre elas, o diretor da sucursal de Brasília da revista Veja, Policarpo Júnior, o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB) e o dono da construtora Delta, Fernando Cavendish. O relator ainda pede que o Conselho Nacional do Ministério Público investigue a conduta do procurador Roberto Gurgel, que suspendeu a investigação sobre Cachoeira sem uma explicação convincente.
A apresentação do relatório final está marcada para esta quinta-feira (22).
O diretor da Veja, Policarpo Júnior, que por pressões escusas não chegou a ser convocado para depor, foi flagrado em mais de duzentas ligações telefônicas com Carlos Cachoeira e foi indiciado no art. 288 do Código Penal (formação de quadrilha). Ele comandou diversas reportagens de Veja feitas a partir de grampos clandestinos produzidos por funcionários da quadrilha. O capítulo a respeito da mídia tem 348 páginas. Dessas, 86 são dedicadas ao relacionamento entre Cachoeira e Policarpo Júnior, “um dos profissionais da imprensa mais requisitados pelo líder da quadrilha”. Segundo o relator, o diretor de revista Veja manteve “constantes interlocuções com o chefe da Organização Criminosa, Carlos Cachoeira”. Ele não mantinha com o bicheiro “uma vinculação que se consubstanciava apenas na relação de jornalista e fonte”, ressalta Odair no documento.
O texto do relator sustenta que Cachoeira e sua organização alimentavam Policarpo Jr. com informações e usavam as matérias assinadas ou pautadas pelo jornalista ou sua equipe “como uma arma letal para prejudicar adversários, destruir personalidades e biografias, criar e promover falsos moralistas e paladinos da ética, visando sempre alcançar o êxito político e econômico de sua organização criminosa”. Segundo o relator, o diretor da sucursal de Brasília da revista também se abastecia de informações passadas pelo esquema do bicheiro. O relatório informa que, para conseguir seus objetivos, Policarpo cometeu crimes, infringiu o Código de Conduta dos Jornalistas e maculou a ética da profissão.
Várias reportagens, publicadas pela revista da Editora Abril por iniciativa de Policarpo Júnior, atendiam aos interesses diretos de Carlos Cachoeira, como as que trataram da derrubada de integrantes do Ministério dos Transportes – onde a empreiteira Delta enfrentava dificuldades. Segundo o relator da CPI, o esquema de Cachoeira não teria o mesmo êxito se não contasse com um braço midiático tão poderoso.
Odair Cunha escreveu ainda que Policarpo Júnior usava os serviços da quadrilha de Cachoeira para fazer “investigações” para a revista. Isso teria ocorrido, por exemplo, em agosto de 2011, com o deputado Jovair Arantes, envolvido em supostas irregularidades na Conab. No mesmo mês o ex-ministro José Dirceu também foi espionado pela quadrilha e o resultado desses grampos foi passado para o diretor de Veja. Segundo o relatório, Policarpo Junior procurou o araponga Jairo Martins, que trabalhava para Cachoeira, para obter imagens de um hotel onde José Dirceu estava hospedado em Brasília e mantinha encontros políticos. Cachoeira, afirma o relator, “a tudo acompanhava e controlava, sendo todo o tempo informado dos pedidos e solicitações de Policarpo Junior para Jairo Martins”.
Quanto ao governador de Goiás, Marconi Perillo, do PSDB, Odair Cunha aponta que ele cometeu seis crimes, entre eles corrupção passiva e formação de quadrilha.
Segundo o relatório, detalhado e recheado de provas nas suas mais de cinco mil páginas, o grupo de Cachoeira se infiltrou no governo de Goiás e há fortes indícios de que foram realizados pagamentos diretamente ao governador. Gravações da Polícia Federal autorizadas pela Justiça mostraram emissários da quadrilha entregando dinheiro em espécie ao esquema do governador dentro do próprio Palácio das Esmeraldas, sede do governo de Goiás. O relatório também recomenda o indiciamento de oito secretários, ex-secretários, assessores e ex-assessores do governo do estado.
O documento também analisa a atuação do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, no caso da Operação Vegas, da Polícia Federal. Em 2009, a Vegas levantou as primeiras suspeitas do envolvimento de Cachoeira com políticos e empresários. Para a CPI, Gurgel praticou prevaricação ao suspender a investigação sem justificativa, possibilitando que a quadrilha continuasse atuando. Por mais de um ano as denúncias ficaram engavetadas pelo procurador e só foram investigadas quando vazaram para a opinião pública.
O relatório pede ainda o indiciamento do deputado Carlos Alberto Leréia, do PSDB de Goiás, e do ex-senador pelo Dem de Goiás, Demóstenes Torres, que teve o mandato cassado em julho, depois de serem reveladas dezenas de ligações telefônicas combinando ilícitos com o contraventor. Demóstenes Torres, que era pintado como “mosqueteiro da ética” pela revista Veja, foi desmascarado. Diversas vezes apareceu atuando em defesa dos interesses da quadrilha dos caça-níqueis no Senado e fora dele. A CPI recomendou, ainda, o indiciamento do prefeito de Palmas, Raul Filho, do PT, que apareceu em um vídeo conversando com Cachoeira.
O relator da comissão concluiu pelo farto material examinado que a quadrilha de Cachoeira tentou, mas não conseguiu penetrar na administração do Distrito Federal. O relator não encontrou nada que desabonasse a conduta do governador Agnelo Queiroz e o deixou de fora da lista de indiciados. “Havia” a “suspeita” de que Agnelo teria favorecido a quadrilha no negócio de coleta de lixo. Essa “suspeita” foi inflada pela mídia tucana com o objetivo de usar o governador do DF para desviar o foco sobre o envolvimento – esse, sim, demonstrado com várias provas – do governador tucano Marconi Perillo com o esquema de Cachoeira.
Também foi pedido o indiciamento de Cláudio Abreu, ex-diretor da Delta Centro-Oeste. Ele era, segundo Odair Cunha, o contato de Cachoeira com a construtora.

novembro 21, 2012

ENQUANTO ISSO, NA SALA DE ( ram…rammm… ) JUSTIÇA, ministro do STF não permite CPMI investigar tucano ligado a bicheiro

Mello ainda desdenhou do indiciamento de Perillo pela CPI do Cachoeira, dizendo que isso é uma “ficção jurídica”
Depois de agir arbitrariamente – dando caráter de indício a certos aspectos contidos no tumultuado relatório da CPI dos Correios – para condenar sem provas os réus da Ação Penal 470, o Supremo Tribunal Federal (STF) deu um giro de 180 graus em relação ao governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). Mesmo diante de novos e graves fatos contra o tucano, o STF deu a ele liminar impedindo que a CPI do Cachoeira convoque o governador para prestar novo depoimento aos parlamentares.
A liminar foi concedida pelo ministro Marco Aurélio de Mello na segunda-feira (19). A defesa de Perillo, claro, deu sua interpretação quanto ao despacho de Mello e procurou ampliar o seu alcance e tentou apressadamente concluir que Marconi não poderia também ser indiciado. A defesa de Perillo sustentou no mandado de segurança impetrado que governadores de estado são absolutamente imunes a investigações realizadas por CPIs sendo vedado, até mesmo, seu indiciamento por essas comissões já que “esses agentes políticos possuem prerrogativas de serem processados e julgados, originariamente, pelo STJ”. Como Marco Aurélio não explicitou o que estava concedendo – se todo o pedido da defesa ou somente a parte da proibição da nova convocação – abriu espaço para que os defensores do tucano dissessem que estava proibido também o indiciamento do governador.
Cobrado para esclarecer sua decisão, Marco Aurélio teve que negar que Marconi não possa ser indiciado pela CPI. E desprezou o papel da comissão ao dizer que o “indiciamento”, por uma CPI, é apenas uma “ficção jurídica”, pois “só são formalmente indiciados aqueles que respondem a inquéritos no Poder Judiciário”. O ministro alegou que “não dá é para olvidar que temos uma federação e que um órgão federal não pode convocar um governador de Estado”. “Ele pode até ser convocado pela assembléia legislativa, mas não pelo Congresso Nacional”. Parece que permitido mesmo é o STF interferir no legislativo. Já os “indícios” da CPI dos Correios, usados na AP 470, da farsa do “mensalão”, não foram interpretados como “ficção jurídica” pelo ministro nem por seus colegas de tribunal. Pelo contrário, serviram para os ministros do STF condenarem sem provas os líderes petistas recentemente.
Quando Perillo esteve na CPI, no dia 12 de junho, já havia contra ele denúncias contundentes de suas ligações com o bicheiro Carlinhos Cachoeira. Depois ainda surgiram outros fatos. A casa de Cachoeira, local onde foi preso, por exemplo, tinha sido do governador e foi adquirida pelo chefe da quadrilha. O envolvimento do tucano com a quadrilha de Cachoeira surgiu nas investigações da Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, que descobriu como o grupo do contraventor se infiltrou na cúpula do governo de Goiás e foi beneficiado por atos de Perillo. Escutas autorizadas judicialmente mostraram que o contraventor chegou a pagar contas pessoais de secretários do governador tucano.
A Polícia Federal analisou na época o conteúdo de 169 ligações telefônicas trocadas entre integrantes da quadrilha, especificamente sobre negociatas envolvendo Perillo, Cachoeira e a empreiteira Delta. Os agentes concluíram que o dinheiro para comprar a casa onde Perillo morava saiu da construtora. O pagamento de R$ 1,4 milhão foi intermediado por Cachoeira, que repassou um bônus de R$ 500 mil ao governador, segundo as investigações. Depois da compra da casa de Perillo com pagamentos feitos pela Delta, Cachoeira repassou a casa para o empresário Walter Santiago, que pagou R$ 2,1 milhões em dinheiro vivo.
Numa das conversas gravadas pela PF, Marconi é desmascarado. Andressa, mulher de Cachoeira, diz ao marido: “Por quanto você vendeu [a casa]?”. Cachoeira responde: “Por dois e cem (R$ 2,1 milhões). Tá bom. Cem (mil reais) é do Marconi. Precisava passar esse trem logo para o nome dele [Santiago] porque não vamos perder um cliente de bilhões [Perillo] à toa, né?”. As investigações revelaram ainda que Cachoeira agira também em associação com o ex-senador Demóstenes Torres para que a empresa de tecnologia Politec obtivesse favores junto ao governo de Goiás. Logo depois, a Politec conseguiu, sem licitação, contrato com o governo de Perillo.
Com esses fatos novos, um requerimento pela reconvocação do governador tucano foi protocolado na comissão. O relator Odair Cunha (PT-MG) sinalizou que iria pedir o indiciamento de Perillo e expressou a necessidade de ouvi-lo novamente.
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) já havia aberto inquérito para investigar as relações de Marconi Perillo (PSDB) com Carlinhos Cachoeira. A investigação foi autorizada pelo ministro Humberto Martins, que também determinou a realização de diligências solicitadas pelo Ministério Público. Enquanto isso, o ministro Marco Aurélio de Mello – implacável contra os petistas durante o julgamento do suposto “mensalão”, apoiando-se numa teoria nazista, a do domínio do fato, para condená-los sem provas – toma uma medida que impede a investigação contra Perillo.
A propósito, o furor condenatório do ministro-relator, Joaquim Barbosa, contra Dirceu, Genoino e Delúbio não se reflete quando o assunto é o envolvimento do governo tucano de Goiás com a quadrilha de Carlinhos Cachoeira. Por exemplo, Joaquim concedeu habeas corpus autorizando que o presidente da Agência Goiana de Transportes e Obras Públicas (Agetop), Jayme Eduardo Rincón, permanecesse em silêncio durante seu depoimento na CPI do Cachoeira. As investigações da Polícia Federal mostravam que o ex-tesoureiro da campanha eleitoral de Marconi Perillo ao governo do Estado em 2010 recebeu “grandes importâncias de dinheiro (na ordem de R$ 1,4 milhão) por ordens diretas de Cachoeira”.
O relator da CPMI, deputado Odair Cunha, pediu um parecer da assessoria jurídica do Congresso sobre a aplicação da liminar de Marco Aurélio de Mello.
HORA DO POVO

novembro 3, 2012

E lá vem a Veja, de novo, com Marcos Valério…

Sobre o retorno de Marcos Valério
Por PAULO NOGUEIRA via O ESQUEDOPATA

Até quando será tolerado no Brasil que a mídia publique acusações graves sem nenhuma prova?
E lá vem ele de novo, Marcos Valério.
Pobre leitor.
Mais uma vez, o que é apresentado – a título de “revelações” – é um blablablá conspiratório e repetitivo em que não existe uma única e escassa evidência.
Tudo se resume às palavras de Marcos Valério. Jornalisticamente, isso é suficiente para você publicar acusações graves?
Lula, no Planeta Veja, já não é apenas o maior corrupto da história da humanidade. Está também, de alguma forma, envolvido num assassinato. Chamemos Hercule Poirot.
Se você pode publicar acusações graves sem provas, a maior vítima é a sociedade. Não se trata de proteger alguém especificamente. Mas sim de oferecer proteção à sociedade como um todo.
Imagine, apenas por hipótese, que Marcos Valério, ou quem for, acusasse você, leitor. Sem provas. Numa sociedade avançada, você está defendido pela legislação. A palavra de Valério, ou de quem for, vale exatamente o que palavras valem, nada – a não ser que haja provas.
Já falei algumas vezes de um caso que demonstra isso brilhantemente. Paulo Francis acusou diretores da Petrobras de corrupção. Como as acusações – não “revelações” – foram feitas em solo americano, no programa Manhattan Connection, a Petrobras pôde processar Francis nos Estados Unidos.
No Brasil, o processo daria em nada, evidentemente. Mas nos Estados Unidos a justiça pediu a Francis provas. Ele tinha apenas palavras. Não era suficiente. Francis teria morrido do pavor de ser condenado a pagar uma indenização que o quebraria financeira e moralmente.
Os amigos de Francis ficaram com raiva da Petrobras. Mas evidentemente Francis foi vítima de si mesmo e de seu jornalismo inconsequente.
Por que nos Estados Unidos você tem que apresentar provas quando faz acusações graves, e no Brasil bastam palavras?
Por uma razão simples: a justiça brasileira é atrasada e facilmente influenciável pela mídia. Se Francis fosse processado no Brasil, haveria uma série interminável de artigos dizendo que a liberdade de imprensa estava em jogo e outras pataquadas do gênero.
Nos Estados Unidos, simplesmente pediram provas a Paulo Francis.
Uma justiça mais moderna forçaria, no Brasil, a imprensa a ser mais responsável na publicação de escândalos atrás dos quais muitas vezes a razão primária é a necessidade de vender mais e repercutir mais.
Provas são fundamentais em acusações. Quando isso estiver consolidado na rotina do jornalismo e da justiça brasileira, a sociedade estará mais bem defendida do que está hoje.
Paulo Nogueira é jornalista e está vivendo em Londres. Foi editor assistente da Veja, editor da Veja São Paulo, diretor de redação da Exame, diretor superintendente de uma unidade de negócios da Editora Abril e diretor editorial da Editora Globo.

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