ENCALHE ( Descontinuado em 05.10.2013 )

junho 25, 2013

Roteiro golpista circula pelas redes sociais

Filed under: WordPress — Tags:, , — Humberto @ 7:18 pm

Um levantamento feito pela Rede Brasil Atual das iniciativas golpistas que passaram a parasitar as mobilizações pela redução das tarifas de transporte, divulgada no dia 21 de junho, mostra que há ligação entre elas, bem como revela a tentativa de montar uma ação organizada. “As redes sociais ligadas a esses grupos já começam a traçar uma espécie de “roteiro do golpe”. De um lado, defendem o afastamento da presidenta Dilma Rousseff, de “todos os políticos” e de “todos os partidos”. De outro, clamam para que o presidente do STF, Joaquim Barbosa, assuma o comando do país para que as forças armadas ajam “em defesa da população que se manifesta nas ruas”, diz o artigo.

Embora sejam difusamente compartilhadas, as campanhas atingem um número relevante de pessoas. Uma delas, com a foto de Barbosa pedindo que assuma a presidência do país, já passa de 270 mil compartilhamentos. Outra, no site Avaaz.org, pede o impeachment de Dilma e tem 315 mil assinaturas. Junto a elas, comentários pedindo o fim dos partidos, ação das forças armadas, separação de São Paulo do restante do país etc. Na manifestação de São Paulo já se via faixa com pedido de “intervenção militar” para “combater a corrupção”. A instigação dos manifestantes contra os partidos e entidades populares fazia parte do caldo de cultura criado pela direita.

Em outra ação, esses grupos de direita criaram um evento no Facebook convocando greve geral para 1º de julho. Na pauta de reivindicações estão o “fim da roubalheira”, a “auditoria no caixa do governo” e a “punição para os corruptos“, entre outros nove temas. O ato contava 390 mil confirmações até as 13h do dia 21. O movimento “ChangeBrazil” produziu filmes com técnica refinada, dirigidos aos manifestantes e aos policiais, incitando a violência. O apresentador tinha forte sotaque inglês e dizia ao final que com nossa perseverança “o Brasil vai se dobrar”.

Um vídeo da organização Anonymous, publicado na terça (18), chegou à marca de 1,4 milhão de compartilhamentos. O filme divulga “as cinco causas diretas, sem cunho religioso ou ideológico, sem bandeiras partidárias ou subjetividades”. As ideias propostas como de “cunho moral” e “unanimemente aceitas” são: Não à PEC 37; saída de Renan Calheiros da presidência do Congresso Nacional — ele é presidente do Senado [ grifo nosso ] — investigação e punição das irregularidades na organização da Copa do Mundo; lei que torne a corrupção crime hediondo; e fim do foro privilegiado. Uma pauta compartilhada e badalada pela mídia golpista.

Na noite do dia 20 o site do jornal Brasil de Fato denunciava a realização de uma pesquisa pelo Instituto Datafolha, que perguntava às pessoas qual afirmação ela se identificava mais: “a democracia é sempre melhor que qualquer forma de governo”; “em certas circunstâncias, é melhor uma ditadura do que um regime democrático”; ou “tanto faz se o governo é uma democracia ou uma ditadura”.

A Polícia Civil do DF identificou Cláudio Roberto Borges, 32 anos, como o homem que lançou um coquetel molotov contra o Palácio do Itamaraty, durante o protesto de aproximadamente 30 mil pessoas no gramado do Congresso Nacional na quinta-feira. Em depoimento à polícia, na noite de sexta-feira, ele confessou o crime. Borges tem cinco passagens pela polícia e duas condenações por furto. No momento, ele estava cumprindo pena em regime domiciliar. Quem o teria contratado para o serviço?

Outro suspeito de participar da depredação no Itamaraty foi um fuzileiro naval. A Marinha abriu uma sindicância interna para apurar a participação de um de seus fuzileiros na tentativa de invasão do Itamaraty, durante o protesto em Brasília na quinta-feira (20) e acabou com um rastro de destruição. Usando um gorro na cabeça, bermuda e camisa de manga comprida, ele tinha um capacete da PM nas mãos e assistia sem nada fazer homens tentarem quebrar a pontapés as vidraças do Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores.

O Movimento Passe Livre, por sua vez, declarou na manhã de sexta-feira que não convocaria mais protestos, pois tinha alcançado a vitória almejada, e criticou a violência contra organizações políticas ocorridas na manifestação de quinta-feira (20) na avenida Paulista.

O outro passo ensaiado pelos golpistas foi a tentativa de instalação de uma CPI sobre os gastos da Copa. O PPS anunciou nesta segunda-feira que vai tentar instaurar a CPI sobre “os gastos e indícios de superfaturamento com as obras da Copa do Mundo de 2014”. A iniciativa deveria ser do tucano Álvaro Dias, mas como ele não entrou com o pedido, o PPS afirmou que vai iniciar a coleta de assinaturas para a instalação da comissão. As avaliações são de que, mesmo que o partido consiga as assinaturas, a CPI dificilmente será instalada nesta legislatura já que outras CPIs aguardam abertura e apenas cinco podem funcionar concomitantemente.

HORA DO POVO

julho 27, 2012

Em defesa da Globosfera, Serra põe o bico na janela, Por Leonardo Severo

Filed under: WordPress — Tags:, , , , , — Humberto @ 5:09 pm

Escoltado pelos grandes conglomerados de comunicação, o candidato tucano à Prefeitura de São Paulo esbraveja e acusa a blogosfera de estar em campanha “nazista” contra a sua candidatura.
Apóstolo da globosfera, da folhosfera e de outras esferas igualmente sacrossantas, democráticas e plurais, fala diante do silêncio sepulcral dos barões da mídia, que tanta solidariedade prestaram ao atentado que sofreu com a bolinha de papel. Novamente diz ser atingido de forma covarde e reage contra os blogueiros “sujos”, “verdadeira tropa de assalto na internet”.
A tática é tão antiga quanto a do batedor de carteiras que sai gritando “pega ladrão”. Infelizmente, quem a está utilizando tem condições de fazer estragos imensamente maiores com uma simples caneta: privatizações, concessões, arrocho salarial, precarização…
Blindado por emissoras de rádio e televisão, além de publicações muito bem nutridas por anúncios que potencializam suas armas de manipulação em massa (a Veja que o diga, com oito páginas do Ministério da Educação na última edição), o tucano investe na promiscuidade desta relação.
Enquanto isso, as supostas “tropas” que o enfrentam encaram, de peito aberto e bolsos vazios, a ferocidade da luta pela democratização da comunicação, pela verdade e a justiça. A mídia alternativa que o diga.
Diante do desafio de manter em alto a bandeira da verdadeira e ‘efetiva liberdade de expressão, é preciso refletir sobre o seu real significado, sem o que tal “liberdade” continuará restrita a umas poucas famílias de proprietários que decidem o que ver e ouvir. É exatamente isso o que está ocorrendo na atual campanha eleitoral, onde respaldados pela “objetividade” de “pesquisas”, promovem candidatos nanicos a “gigantes” e gigantes a “nanicos”.
Como bem demonstraram os professores paulistas ao denunciar um policial infiltrado numa manifestação contrária ao governo do Estado de São Paulo para fazer provocações – a fim de culpabilizar os que defendiam a melhoria da educação pública – é preciso, sempre, fazer e refazer uma leitura crítica. Afinal, já nos alertou Mia Couto, “entre parecer e ser vai menos que um passo, a diferença entre um tropeço e uma trapaça”.
Aos que sobrevivem do caldo da incultura de seus cachoeiras, paulopretos e policarpos, ensurdecidos pelo seu próprio aplauso, a blogosfera é um contagioso exemplo a ser segregado, enquanto não possa ser corrompido ou definitivamente banido.
Infelizmente, para o candidato do PSDB, os tempos são outros. Ainda que certos anúncios publicitários continuem favorecendo a mordaça e a lambança, contra a mudança, a verdade é tesouro e tesoura a cortar as asas das aves de mau agouro.
O candidato que tão bem representa os lúgubres anos de FHC estancou e, mais cedo ou mais tarde, verá a realidade lhe sorrir. Então terá de encarar a ladeira. Como o general imperialista, ridicularizado por Eduardo Galeano, que se media ao despertar e a cada dia se achava mais alto. Até que uma bala interrompeu seu crescimento.
A candidatura da grande mídia pôs o bico na janela. ( HORA DO POVO )

junho 29, 2012

Renato Lessa: ‘O Facebook não vai democratizar a sociedade’

Filed under: WordPress — Tags:, , , — Humberto @ 7:38 pm

‘O Facebook não vai democratizar a sociedade’, diz cientista político no Senado
A ideia da internet como panaceia para os males do sistema representativo é ilusória, no entender do professor de ciências políticas da Universidade Federal Fluminense (UFF) Renato Lessa.
A ideia de que a internet possa curar os males do sistema político representativo, e levar ao paraíso da democracia direta é uma ilusão, no entender do professor de filosofia política da Universidade Federal Fluminense (UFF) Renato Lessa. Ele proferiu na noite de quarta-feira (27) a sexta palestra do Fórum Senado Brasil 2012, que segue até o dia 7 de agosto no auditório do Interlegis.
“O Egito é uma prova de que não é o Facebook quem vai democratizar a sociedade” disse Lessa perante uma audiência composta na sua maioria por estudantes universitários e servidores do Senado. O conferencista justificou seu ceticismo, ao lembrar que as redes sociais virtuais são consideradas as grandes responsáveis por viabilizar as campanhas políticas contra os governos ditatoriais em muitos países do Oriente Médio e do Norte da África, no que se consagrou chamar de Primavera Árabe. Entretanto, a força mobilizadora dessas redes não logrou converter à região à democracia. No Egito, por exemplo, foi eleito um novo governo para suceder o ditador Hosni Mubarak, mas num quadro institucional ainda controlado pelas forças armadas.
As declarações de Renato Lessa a respeito do papel da internet foram dadas como contraponto à sua explanação sobre o sistema representativo e seus dilemas. Tanto no Brasil quanto em outros países tem sido usual se falar numa crise de legitimidade dos parlamentos, provocada pelo que seria o divórcio entre a vontade dos eleitores (os representados) e os políticos (representantes).
Para o professor e também diretor-presidente do Instituto Ciência Hoje, o sistema representativo já nasceu com uma imperfeição: o representante não espelha o representado, como seria o caso da pintura figurativa, em que o artista busca o máximo de semelhança entre a realidade e o que desenvolve na tela. Além disso, imaginar que um indivíduo possa de fato representar os anseios de uma multidão de indivíduos é algo que está no terreno “da alucinação”, falando do ponto de vista filosófico.
“A representação, desde seu início, foi caracterizada por uma imensa tensão constitutiva. Ela foi criada como uma ficção segundo a qual muitos podem se fazer presentes em poucos”, conceituou. O que há, segundo o cientista, é uma relação de sentido prático, uma vez que dos antigos sistemas de democracia direta, com destaque para a assembleia grega, passou-se a modelos que conferissem direitos eleitorais a contingentes cada vez maiores de pessoas, e em sociedades que marchavam em direção ao sistema capitalista. Quando surgiu, entre os séculos 17 e 18, o sistema representativo não se encaixava no conceito contemporâneo de democracia. Em geral, o direito a voto era oligárquico, privilégio de poucas pessoas e poucos grupos.
Em certos países, o direito ao voto foi conquistado com luta, embora isso não impeça que hoje os cidadãos estejam desanimados com seus representantes. No Brasil, assinalou Lessa, a descrença também é notada, embora o direito ao voto tenha sido muito mais uma concessão ao povo.
Seja lá como for, o cientista político recomenda que a melhoria do sistema representativo venha de fora para dentro, vale dizer, do seio da sociedade para o parlamento, de modo a diminuir a distância entre a identidade política dos eleitores e dos políticos.
Lessa se preocupa com a despolitização dos cidadãos, justamente por levar a um desligamento entre representados e representantes. Em entrevista após a palestra, o professor da UFF comentou os desdobramentos dos recentes movimentos anti-corrupção, que exibiram bastante vigor nas redes sociais, e chegaram a levar manifestações às ruas, mas que até o momento não se constituíram numa força política operante nos dois planos da política: o da praça pública e o do parlamento.
“É um movimento mais moral do que político, por vezes contra o parlamento”, alertou o cientista político, ao analisar, entre outros aspectos, a tendência daqueles grupos a fugirem da estrutura de lideranças habitual e da criação ou adesão a um partido.
Quanto ao caráter dispersivo da internet, abrigo de uma miríade de interesses específicos, e distante das grandes bandeiras que mobilizavam as multidões até os anos 80, Lessa prefere não saltar do ceticismo quanto ao real poder de transformação do novo meio para um pessimismo que veria nas redes sociais mais um espaço de manipulação e esvaziamento político. “Não há computador que vá além do voto. É preciso que se crie um ambiente de discussão, mas a internet pode exercer um papel mobilizador muito interessante”, ponderou.
Ao observar de forma bem humorada que “o melhor sistema político é sempre o do vizinho”, Lessa disse considerar perda de tempo a procura da fórmula certa para a reforma política no Brasil. O cientista político contou sobre o grande entusiasmo de estudiosos portugueses pelas regras eleitorais brasileiras, que muitos no Brasil querem trocar pelas portuguesas, como o voto em lista.
Para ele, um dos problemas centrais no Brasil é a formação de partidos cujo objetivo é apenas a busca de votos, e não a criação de uma forte identidade com o eleitor. Isso é agravado pela falta de investimento na qualificação cívica da própria classe política e pela baixa escolaridade do eleitorado.
Por essa razão é que Lessa insiste numa pressão por mudanças com origem em movimentos políticos dotados de forte identidade. “O processo político não se esgota em eleições. É preciso uma energização cívica extrainstitucional”, aconselhou.
(Agência Senado)

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