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outubro 1, 2013

Do derrubamento de Mossadegh à ofensiva contra a Síria, por Miguel Urbano Rodrigues

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Recordar os acontecimentos do Irão há 70 anos ajuda a compreender a atual estratégia dos EUA para o Médio Oriente.

O discurso em que Obama anunciou que decidira bombardear a Síria inseriu-se numa política de dominação universal concebida no final da II Guerra Mundial.

Inseguro quanto à atitude do Congresso e ciente de que a maioria do seu povo condenava um ataque militar à Síria, o presidente recuou. Mas seria uma ingenuidade acreditar numa viragem da estratégia agressiva dos EUA para a Região. Nesta, o derrubamento do governo de Bashar al Assad é somente uma etapa do projeto que tem por alvo numa segunda fase o Irão, o grande país muçulmano que não se submete ao imperialismo norte-americano.

É útil lembrar que foi ainda em vida de Roosevelt que um grupo de sábios da Casa Branca e do Pentágono elaborou o War and Peace Program, ambicioso plano que visava a longo prazo estabelecer o domínio perpétuo dos EUA sobre a Humanidade, a partir da convicção de que a desagregação do Império Britânico estava iminente e era irreversível.

Ainda não fora criado o estado de Israel, mas a substituição da hegemonia da Grã-Bretanha no Médio Oriente figurava entre as prioridades desse Programa entre cujas metas se incluía o esfacelamento da União Soviética.

O êxito em 1953 do golpe de Estado que derrubou o governo progressista de Mohammad Mossadegh (1882-1967) e permitiu a recolonização do Irão contribuiu para acelerar a penetração política, económica e militar dos EUA no Médio Oriente.

ANTECEDENTES

Desde meados do seculo XIX, a Inglaterra e o Império russo, no contexto da sua confrontação no Afeganistão, desenvolveram um esforço permanente para colocar o Irão (ao tempo Pérsia) sob a sua “proteção”.

Após a Revolução Russa de Outubro de 1917 a situação mudou e as pretensões britânicas esbarraram com a firme oposição da União Soviética.

No final da I Guerra Mundial, a monarquia persa agonizava. Um general, Reza Khan, tornou-se primeiro-ministro em 1921 e tentou modernizar o país. Mas, ambicioso, usou a sua popularidade para promover um golpe de estado. Derrubou o soberano Ahmed Qajar e proclamou-se Xá, isto é, imperador.

Entre as personalidades que se opuseram ao novo regime ditatorial destacou-se um jovem que já desempenhara importantes funções públicas: Mohammad Mossadegh.

Filho de um ministro da monarquia e de uma princesa Qajar, Mossadegh estudara Ciências Sociais em França e posteriormente doutorara-se em Direito na Suíça.

Desde a juventude chamou a atenção pela sua honestidade. Ganhou a alcunha de “incorruptível”, como Robespierre. Mas, aristocrata pelo nascimento e educação, casou com uma princesa da última dinastia.

Reza Xá demitiu-o dos cargos que exercia e desterrou-o para Ahamadabad, sua cidade natal.

Nos anos que separaram as duas guerras, o petróleo adquirira uma importância enorme na economia mundial. E a Grã-Bretanha controlava as gigantescas jazidas de hidrocarbonetos do Irão através da Anglo Iranian Oil, um gigantesco polvo transnacional que atuava como monopólio na produção e extração.

Alegando simpatias do Xá pela Alemanha de Hitler, o governo britânico obrigou-o a abdicar em 1941, ocupou o Pais (com exceção da faixa Norte, fronteiriça da URSS) e colocou no trono o filho, Reza Pahlavi.

Mossadegh regressou então à política, primeiro como deputado, depois como ministro das Finanças e ministro dos Negócios Estrangeiros, e finalmente como Primeiro-ministro.

A NACIONALIZAÇÃO DO PETROLEO

Uma vaga de nacionalismo varria então o Irão. Mohammad Mossadegh foi o dirigente que soube encarnar as aspirações do seu povo, liderando a luta por uma independência real.

O Irão estava reduzido à condição de semi-colónia. Ousou o que parecia impossível: desafiou a Inglaterra imperial ao nacionalizar a Anglo Iranian, que era oficialmente propriedade do Almirantado Britânico.

Londres reagiu com sobranceria, apresentando queixa no Conselho de Segurança, mas o órgão executivo das Nações Unidas remeteu o caso para o Tribunal da Haia.

Mossadegh desenvolveu nesses meses uma atividade frenética em defesa da soberania iraniana. Esteve primeiro nos EUA e o seu discurso na ONU teve tamanha repercussão que a revista conservadora Time Magazine o nomeou Homem do Ano em 1951. Viajou depois para a Holanda e pronunciou um discurso histórico no Tribunal de Haia. A sua intervenção foi decisiva para o veredicto daquela alta corte de justiça. O tribunal concluiu que não tinha competência para julgar a denúncia da Grã-Bretanha.

De regresso a Teerão, Mossadegh fechou os consulados britânicos, expulsou todos os técnicos ingleses e rompeu as relações diplomáticas com o governo de Londres.

Restituíra ao Irão a dignidade perdida há séculos e o povo identificou nele um herói.

O GOLPE

O governo britânico, apoiado pelo norte-americano Truman, decidiu recorrer a métodos drásticos para afastar Mossadegh do poder. Intrigando junto do Xá, criou um conflito entre o monarca e o Primeiro-ministro. Mossadegh foi demitido em julho de 1952, mas essa decisão provocou tamanha indignação popular, com manifestações de protesto nas ruas, que o Xá o nomeou novamente Primeiro-ministro.

Fortalecido pelo apoio popular, pediu poderes especiais ao Parlamento para levar adiante 80 projetos de lei que beneficiariam as massas, esmagadas pelas engrenagens de uma sociedade arcaica.

Obteve-os. Mossadegh introduziu nos meses seguintes reformas revolucionárias que envolveram as finanças, o orçamento, a saúde pública, a Justiça, as pescas, a habitação, a previdência social, as comunicações, as forças armadas. Reformas nunca imaginadas numa sociedade islâmica marcada por heranças feudais.

Os acontecimentos precipitaram-se. O governo de Churchill comprou dezenas de deputados para sabotar a política de Mossadegh. Este reagiu convocando um referendo no início de Agosto de 1953 para dissolver o Parlamento. O povo iraniano votou a dissolução por ampla maioria.

A conspiração, entretanto, estava já muito avançada. No dia 15 houve uma tentativa de golpe de estado promovida pelo Parlamento.

Fracassou e o Xá fugiu para Roma.

Mas a CIA, que contava com todo o apoio do governo britânico, que pedira a colaboração de Truman, montara quase simultaneamente o seu golpe com colaboração do exército. Foi precedido de manifestações de rua com a participação de agentes provocadores e de ações de vandalismo no contexto de uma campanha de calúnias contra Mossadegh.

E esse segundo golpe teve êxito. Preso, Mossadegh foi julgado sumariamente por um tribunal militar que o condenou a três anos de prisão e, posteriormente, a residência fixa na sua província.

O Xá regressou de Roma, e em tempo mínimo, as leis progressistas de Mossadegh foram revogadas. O grande beneficiário da mudança foi, porém, o imperialismo norte-americano. As grandes petrolíferas dos Estados Unidos, já então fortemente implantadas na Arábia Saudita e no Iraque, cobiçavam os hidrocarbonetos iranianos. E abocanharam uma grande fatia à custa da Anglo Iranian que reapareceu com o nome de British Petroleum.

UM NACIONALISTA REVOLUCIONÁRIO

A Revolução iraniana de 1979 foi o desfecho da longa e cruel ditadura que, sob a liderança nominal do Xá Reza Pahlavi, se implantou no país após o golpe de 1953.

Recolonizado, o Irão foi o melhor e mais dócil aliado dos EUA no Médio Oriente. Durante um quarto de século, os gigantes transnacionais do petróleo foram no país o poder real.

O Ayatollah Komeiny não teria obtido a amplo apoio popular que lhe permitiu impor a sua República Islâmica xiita se o povo não sentisse uma repulsa tão forte pela arrogância imperial dos EUA e não estivesse maduro para se rebelar contra o monstruoso regime policial do Xá.

A memória do breve governo revolucionário de Mossadegh permanece viva e funciona como um estimulante no confronto dos atuais governantes com Washington. Obama não esconde que os EUA não aceitam um Irão insubmisso.

Mas a ofensiva de desinformação estado-unidense que continua a apresentar Mossadegh como um defensor do socialismo deforma a realidade. Ele foi um patriota que amou profundamente o seu povo e tinha um grande orgulho pela contribuição civilizacional para a Humanidade dos Aqueménidas e Sassânidas persas e do século de ouro dos Safévidas. Mas, apesar de anti-imperialista irredutível, não contestava o sistema capitalista.

O persa Mohammad Mossadegh foi um humanista. Herdeiro de grandes latifúndios, distribuiu as suas terras pelos camponeses que as trabalhavam. E como Primeiro-ministro ofereceu o seu vencimento a estudantes pobres de Direito.

Hoje é venerado como um herói pelo seu povo.

O Irão desconhecido

Contrariamente ao que pensam muitos portugueses, intoxicados por um sistema mediático perverso, o Irão não é um país subdesenvolvido.

Com uma superfície de 1 648 000 km2 (o triplo da França) tem uma população de 79 milhões de habitantes.

Herdeiro de grandes civilizações, o seu povo é o mais culto e educado do Islão, sendo muito baixa a percentagem de analfabetos.

Sociedade multinacional – somente 52% dos habitantes são persas – o idioma oficial, o farsi, é falado por toda a população. Foi durante séculos a língua da corte otomana e dos imperadores Mongóis da India.

O sector avançado da indústria é comparável ao de países como o Brasil e o México. Produz quase meio milhão de automóveis por ano, a maioria de marcas nacionais.

É o quarto produtor de petróleo do mundo e possui as maiores reservas de gás natural. Auto-suficiente na produção de cereais, conta com rebanhos bovino e ovino de muitas dezenas de milhões de cabeças.

Tive a oportunidade numa viagem de carro pelo planalto iraniano de passar em frente das instalações nucleares de Natanz. Soube ali que estão protegidas por misseis sofisticados, de produção nacional, capazes de atingir Israel.

Os generais do Pentágono admitem que bombas convencionais serão provavelmente ineficazes se utilizadas contra os bunkers subterrâneos de Natanz.

RESISTIR.INFO

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setembro 27, 2013

A fraude dos “75% da União” no leilão do campo de Libra

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No cálculo da srª Magda, 41,65% de 45% são… 75%!

Em seu depoimento no Senado, a srª Magda, diretora-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), declarou o seguinte sobre o leilão do campo de Libra, no pré-sal:

“Quando eu digo que Libra terá, no lance mínimo, uma participação governamental de 75%, o que eu estou dizendo é que o bônus de assinatura não é levado em conta no custo em óleo, mas royalties, imposto de renda, contribuição social e parcela de óleo para a União darão os 75%.”

Como a diretora da ANP misturou abacaxis com velocípedes – ou seja, volume físico da parcela de petróleo que cabe à União com valores financeiros de impostos, contribuições sociais e royalties – somos obrigados a uma pequena operação para tornar inteligível tal barafunda.

Segundo a Petrobrás, o custo médio de produção no pré-sal é 40% do barril. Os royalties são 15%. O “óleo-lucro” ou “excedente em óleo”, que será partilhado entre a União e as petroleiras (ou consórcio) é calculado – pela Lei nº 12.351/2010 (artigo 2º, inciso III), que rege o pré-sal e demais áreas petrolíferas estratégicas – pela subtração do custo de produção (40%) e royalties (15%) do volume total da produção (100%). Logo, o “óleo-lucro” ou “excedente em óleo” é 45% do volume total (100-40-15=45).

Magda, portanto, está afirmando que o “lance mínimo” (41,65% do “excedente em óleo” para a União) estabelecido para o leilão de Libra, redundará em 75% do petróleo total para a União. Ou seja, segundo o cálculo da srª Magda, 41,65% de 45% são… 75%!

Fez-se o milagre! No entanto, 41,65% de 45% continua a ser 18,74%. Esse percentual do volume total da produção é o que caberia à União, se aplicado o percentual de 41,65% do “óleo-lucro”, que dona Magda chama de “lance mínimo sobre o nosso projeto”. Portanto, muito longe de 75%.

Mesmo que, igual à Magda, somemos os royalties com a partilha de petróleo para aumentar a parte da União, isso chegaria apenas a 33,74% (18,74+15=33,74). Nem perto dos 75%.

Frisemos que, nessas contas, usamos o percentual, supostamente “mínimo”, de 41,65% do “óleo-lucro” para a União. Pela tabela que está no edital do leilão (página 41), esse percentual pode cair a menos de 15%. Entretanto, o percentual de 41,65% basta para explicitar a fraude.

A essa altura, o leitor já conhece a charlatanice (e o inevitável desprezo pela lei e pela inteligência dos outros) capaz de obter 75% quando se calcula 41,65% de 45%. É assim – só assim, pois não há maneira honesta de fazê-lo – que pretendem entregar o petróleo de Libra, o maior campo de petróleo do mundo, coroamento de quase seis décadas de experiência e conhecimento da Petrobrás.

Vamos, agora, por partes:

1) A Lei nº 12.351/2010 (que instituiu o regime de partilha de produção no pré-sal e áreas estratégicas) determina – como é claro pelo termo “partilha de produção” – uma divisão do petróleo extraído entre a União e as empresas contratadas para extrair esse petróleo (tendo sempre a Petrobrás por operadora). Trata-se de um pagamento em óleo, que a União, proprietária do petróleo, faz às empresas (ou ao “consórcio”). Embaralhar percentuais do volume de petróleo com o valor financeiro dos impostos ou dos royalties não pode ser chamado de outro nome, senão má-fé. Na hipótese caridosa: como a srª Magda tem um diploma de engenharia, supomos que ela saiba fazer contas elementares.

2) Não é somente o “bônus de assinatura” – o dinheiro pago à União imediatamente pelo vencedor do leilão – que “não é levado em conta no custo em óleo” (ou seja, que não pode ser ressarcido, ao contrário do custo de produção, que é ressarcido em óleo). Os royalties também não fazem parte do custo – e não podem ser ressarcidos (se houvesse ressarcimento, a empresa ou consórcio não estaria pagando royalty algum). A lei é absolutamente clara: “Os royalties (…) correspondem à compensação financeira pela exploração do petróleo, de gás natural e de outros hidrocarbonetos líquidos (…), sendo vedado, em qualquer hipótese, seu ressarcimento ao contratado e sua inclusão no cálculo do custo em óleo” (Artigo 42, I, § 1º da Lei 12.351/2010, grifo nosso).

3) No entanto, o contrato de partilha elaborado pela ANP diz que “ao Contratado, em caso de Descoberta Comercial, caberá a apropriação originária do volume correspondente (…) aos Royalties devidos e pagos” (item 2.8.1) e que “o Contratado fará jus ao volume da Produção correspondente aos Royalties devidos após seu pagamento”, ao que é acrescentado: “sendo vedado, em qualquer hipótese, o ressarcimento em pecúnia” (item 6.3).

4) Diz o ministro Lobão que isso não é ressarcimento dos royalties (que, ele reconhece, é proibido pela lei), mas, sim, “apropriação”. É uma tremenda diferença: a mesma que resulta quando se chama prostíbulo de “alcouce” ou prostituta de “rapariga” – dizem que, dependendo de como são chamadas, algumas até se tornam próceres da República.

5) Quanto a ser “vedado, em qualquer hipótese, o ressarcimento em pecúnia”, o contrato está, ilegalmente, devolvendo em petróleo os royalties que as petroleiras pagaram em dinheiro, mas proibindo… que a devolução seja feita em dinheiro. Ou seja, está aumentando a parcela de óleo das petroleiras à custa delas não pagarem royalties à União. Mas… alto lá! Em “pecúnia”, não! Entretanto, por uma coisa à toa, por alguns milhões de barris de petróleo, aí, tudo bem. Não é uma gracinha, leitor?

6) Quanto aos impostos, se eles fizessem parte do percentual da União na partilha da produção do petróleo, a Volkswagen, quando recolhe impostos, estaria fazendo uma partilha de carros com a União, ou a Colgate, ao pagar tributos, estaria partilhando tubos de pasta de dente com a União.

7) Porém, uma empresa que paga impostos, está apenas pagando impostos. No caso do petróleo, os impostos são apenas 6% a 10% do total. Mesmo forçando a barra e somando-os, não se chegaria a 75%.

8) Aliás, está no contrato de partilha de produção que a agência de dona Magda elaborou: “Os preços de venda serão livres dos tributos incidentes sobre a venda e, no caso de petróleo embarcado, livres a bordo”. Tanto a venda interna quanto a exportação de petróleo são isentas de impostos (cf. ANP, “Contrato de partilha de produção”, anexo VII, página 79).

9) Além disso, pelo contrato da ANP, são incluídos nos custos, portanto, ressarcidas, as despesas com pessoal, inclusive “FGTS, seguro médico, seguro de vida, contribuição previdenciária pública e/ou privada e demais tributos sobre a folha de pagamento” (cf. idem, página 81).

10) E diz, em seguida, o contrato: “serão recuperados também os custos incorridos (…) que não sejam facilmente identificáveis [e] não sejam associados diretamente às Operações” (p. 81). Por essa descrição, até as despesas dos executivos das multinacionais com suas (ou seus) amantes poderiam ser “recuperadas”, isto é, ressarcidas em óleo…

11) A mesma coisa quanto ao imposto de renda e às contribuições sociais (COFINS, CSLL, PIS), que são tributos sobre o lucro ou faturamento das empresas, e não parte do percentual da União na produção de petróleo do pré-sal. Pagar impostos nada tem a ver com a partilha do volume físico de petróleo extraído de um campo. E nem que somássemos, a la Magda, todos os impostos, a parte da União chegaria a 75% (ficaria, no máximo, em 43%, ou seja, menos da metade do petróleo extraído).

Mas assim são os 75% da dona Magda.

CARLOS LOPES / HORA DO POVO

setembro 26, 2013

Graça: Petrobrás está pronta para assumir 100% de Libra

“Esse leilão não é fruto da nossa vontade”, diz a presidente da companhia

A presidente da Petrobrás, Graça Foster, disse na CPI da Espionagem que a “Petrobrás sabe melhor do que qualquer outra empresa como explorar Libra porque fomos nós quem descobriu o campo, a mais de seis mil metros de profundidade. Eu não conheço nenhuma outra empresa que esteja tão preparada quanto a Petrobrás para fazer Libra acontecer”. “O sentimento dentro da companhia é de que o leilão é desejo do governo e não da Petrobrás”, informou. Ela frisou que a empresa “tem condições técnicas e estruturais de assumir 100% do campo”.

HORA DO POVO

“A Petrobrás sabe como explorar Libra melhor do que outra”, diz Graça Foster

A presidenta da Petrobrás, Graça Foster, disse aos parlamentares da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Espionagem, criada no Senado para investigar a espionagem da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) dos Estados Unidos, que o Campo de Libra tem uma importância especial para a companhia e o sentimento dos trabalhadores da empresa é contrário ao leilão.

“Temos uma estima absoluta por Libra, que é muito valiosa para a Petrobrás”, ressaltou Graça Foster, durante depoimento na comissão, na quarta-feira (18) da semana passada, frisando que a empresa “tem condições técnicas e estruturais de assumir 100% do campo”.

“A Petrobrás sabe melhor do que qualquer outra empresa como explorar Libra porque fomos nós quem descobriu o campo, a mais de seis mil metros de profundidade. Eu não conheço nenhuma outra empresa que esteja tão preparada quanto a Petrobrás para fazer Libra acontecer”, ressaltou. Ela esclareceu também que “o sentimento dentro da companhia é de que o leilão de Libra é desejo do governo e não da Petrobrás”.

A audiência pública reuniu senadores da CPI e das comissões técnicas de Assuntos Econômicos (CAE) e de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE). A presidente da Petrobrás discorreu também sobre as medidas adotadas pela empresa, para evitar que informações sigilosas sejam acessadas de forma ilegal. Graça Foster disse que, entre as estratégias utilizadas, está o “estímulo à fidelidade à empresa”, pelos funcionários.

“Mas fidelidade, assim como a tecnologia, não é 100%. [Até porque] não podemos garantir que seguraremos todos [ os funcionários ] na Petrobrás. Além do mais, estamos falando de ser humano”, afirmou.

LEITURA COMPLEMENTAR:
Interesse dos EUA na Petrobras iria além da tecnologia, DW

setembro 20, 2013

Para acadêmicos, o leilão de Libra deve ser suspenso

O economista Guilherme Costa Delgado, consultor da Comissão Brasileira de Justiça e Paz, afirmou que a espionagem da Agência de Segurança dos EUA, que invadiu arquivos da Petrobrás para bisbilhotar segredos industriais sobre o leilão do Campo de Libra, marcado para o dia 21 de outubro, exige uma resposta condizente com a defesa intransigente da soberania nacional.

“Seja pelo argumento da soberania, seja pelo argumento da lisura da licitação pública, o leilão no mínimo teria que ser suspenso”, assinalou.

O economista condenou a ANP (Agência Nacional de Petróleo) e o Ministério das Minas e Energia que, mesmo diante da espionagem dos EUA, confirmaram o leilão, “alegadamente porque o governo precisa dos 15 bilhões de dólares do bônus de assinatura do prospecto do Campo de Libra, para fechar as contas de 2013”.

“Afinal, petróleo é um tema de segurança nacional nos Estados Unidos e no mundo inteiro, mas aqui está sendo tratado como mera questão conjuntural, de mercado. E isto tem graves consequências”, advertiu. “Acessar esses segredos ou alguns deles, como informação privilegiada obtida por espionagem, macula na origem toda ideia de licitude”, enfatizou.

“A orquestração para realização do leilão a qualquer custo no mês de outubro, mesmo sem a audiência sobre sua legalidade junto ao TCU, providência dispensada desde o Edital, tudo em nome da premência por fechar as contas externas de 2013, denota invulgar complexo de inferioridade no trato de situação de tamanha responsabilidade. Mas nada se compara à situação nova criada pela espionagem”, disse.

O pesquisador Rodrigo Garcia, mestrando em ciência política pela Universidade Federal Fluminense (UFF), também considerou um “contrassenso” a realização do leilão, uma vez que a Petrobrás “que é pública, brasileira e competente, atualmente está envolvida técnica e financeiramente com outros projetos”. “Oferecer Libra neste momento atende ao mercado internacional, mas não é estratégico para a Petrobras e para os interesses brasileiros”, completou. ( HORA DO POVO )

setembro 18, 2013

“Leiloar Libra é grave erro estratégico”, diz descobridor do pré-sal.

Afirmação foi feita em palestra na ABC
Se a pressão para entrar no pré-sal é muita, que seja noutro campo, não no maior de todos, disse

Libra “são 10 bilhões de barris de petróleo já descobertos, é muito óleo. A nossa posição de reserva com o pré-sal é muito confortável pelos próximos 20 anos. Por que vai abrir Libra para a participação de empresas estrangeiras e interesses estrangeiros?”, indagou, no seminário realizado pela Academia Brasileira de Ciências, o diretor de Exploração e Produção da Petrobrás durante o governo Lula e responsável pela descoberta do pré-sal, Guilherme Estrella.

HORA DO POVO

Estrella: “leiloar 10 bi de barris já descobertos não está certo”

“Leilão é erro estratégico”, afirma descobridor do pré-sal

O diretor de Exploração e Produção da Petrobrás no governo Lula e responsável pela descoberta do pré-sal, Guilherme Estrella, afirmou, durante seminário organizado pela Academia Brasileira de Ciências (ACB), Rio de Janeiro, que a realização do leilão do Campo de Libra, previsto para ocorrer em outubro “é um erro estratégico”. “Libra são 10 bilhões de barris de petróleo já descobertos, é muito óleo. A nossa posição de reserva com o pré-sal é muito confortável pelos próximos 20 anos. Por que vai abrir Libra para a participação de empresas estrangeiras e interesses estrangeiros?”, indagou Estrella.

“As empresas estrangeiras são empresas que representam os interesses de seus países. Nós conhecemos a história do petróleo. Isso não está certo”, insistiu o ex-diretor da Petrobrás. “Abrir uma licitação para 10 bilhões de barris já descobertos não está certo. A lei permite a contratação pelo governo de sua empresa para produzir esse petróleo”, lembrou. O artigo 12º da nova lei do petróleo (lei nº 12.351/2010), que rege o pré-sal, determina que a União, quando for o caso de “preservar o interesse nacional” (sic) e atender aos “objetivos da política energética” (sic) deve contratar a Petrobrás diretamente “para a exploração e produção de petróleo, de gás natural e de outros hidrocarbonetos fluidos sob o regime de partilha de produção”. Em suma, em área “estratégica”, definida pela mesma lei como “região de interesse para o desenvolvimento nacional, (…) caracterizada pelo baixo risco exploratório e elevado potencial de produção de petróleo, de gás natural e de outros hidrocarbonetos fluidos”, a Petrobrás deverá ser contratada diretamente. Se Libra – maior reserva de petróleo do mundo – não é estratégica, o que será uma área estratégica?

“Se tinha que fazer uma nova licitação, até politicamente, faz de outra área nas proximidades, aliás temos nas proximidades de Libra, Franco, que é da cessão onerosa e vai ser produzido pela Petrobrás”, prosseguiu Estrella. “Para mim, essa decisão foi um erro estratégico. Nós estamos trazendo interesses não brasileiros para produzir 10 bilhões de barris”, completou Guilherme Estrella.

“Quando a gente fala em energia, estamos falando de um tema muito sensível sob o ponto de vista da geopolítica mundial. Especialmente petróleo e gás natural, nós temos um foco numa série de questões que tocam a soberania das nações, ao conhecimento e o desenvolvimento do conhecimento científico e tecnológico”, frisou. “Além de serem absolutamente fundamentais na vida das pessoas. Consumo de energia é parâmetro de qualidade de vida, mas, ao mesmo tempo é fundamental na sustentação de hegemonias geopolíticas mundiais. Isso é o que acontece no nosso dia a dia”, destacou o debatedor.

“Nós, cidadãos do século XXI, assistimos estarrecidos há uns dez anos a invasão de países soberanos para apropriação de reservas petrolíferas. Monarquias absolutamente medievais, autoritárias, opressoras são mantidas para sustentar como fonte de energia, fonte de petróleo e gás natural as potências hegemônicas mundiais”, denunciou Estrella.

Aos argumentos apresentados pelo ex-diretor da Petrobrás contra o leilão de Libra vieram se somar às recentes denúncias veiculadas recentemente pela TV, de que a Petrobrás foi espionada pela NSA (Agência de Segurança Nacional dos EUA). Segundo os dados divulgados pelo ex-analista da agência, Edward Snowden – atualmente exilado na Rússia – a estatal brasileira foi bisbilhotada pela agência de espionagem norte-americana. Na opinião generalizada de especialistas, e até da presidente Dilma Rousseff, essa espionagem visava obter vantagens para as empresas dos EUA na disputa pelo controle do pré-sal. Este fato gerou um amplo movimento dentro do país, envolvendo centrais sindicais, personalidades, parlamentares e diversos movimentos sociais, exigindo o cancelamento do leilão.

O seminário – que fez parte do simpósio “Recursos Minerais no Brasil: Problemas e Desafios” – foi conduzido pelo acadêmico Umberto Cordani. Além de Guilherme Estrella, o simpósio teve ainda uma conferência ministrada pelo acadêmico Luiz Pinguelli Rosa, diretor do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia (Coppe/UFRJ). No papel de debatedores estavam Aquilino Senra (INB), Colombo Tassinari (ABC/USP), Edison Milani (Petrobrás), Gilmar Bueno (Petrobrás), John Forman (J. Forman Consultoria), José Goldemberg (ABC/USP), José Israel Vargas (ABC/UFMG), Maurício Tolmasquim (EPE), Paulo Heilbron (CNEN) e Roberto Villas-Bôas (Cetem). O seminário de Estrella aconteceu no dia 14 de agosto passado e abriu as discussões na ACB sobre recursos energéticos de origem mineral.

SÉRGIO CRUZ

agosto 29, 2013

Carniceiros se revezam em Washington

Para sua folha corrida de criminoso de guerra, o presidente Obama vai incluir agora o ataque à Síria, depois de já ter acumulado extenso currículo assassinando civis com drones no Afeganistão, Paquistão e Iêmen, e o massacre em massa na Líbia, inclusive do líder Muamar Kadafi, além de variadas operações encobertas, de grampear o planeta inteiro, e da manutenção de Guantánamo.

O que não o impede de ser um “Nobel da Paz”, honraria que não foi concedida a W. Bush, apesar deste ter se esforçado muito, começando duas guerras, torturando, sequestrando, criando a prisão de Guantánamo, e roubando petróleo.

Para o assalto à Síria, Obama está apelando para a mesma fraude que W. Bush cometeu contra o Iraque: usando mentiras fabricadas pela CIA e satélites como pretexto para violar a Carta da ONU.

W. Bush usou histórias contadas por operativos da CIA sobre “armas de destruição em massa” de Sadam, “compra de urânio no Niger”, “45 minutos para desfechar ataque químico e biológico”, e fotomontagens de satélite, gravações e até o “vidrinho com pó de antrax” para invadir o Iraque.

As “provas” de Obama, pelo que se sabe até agora, são alegações de YouTube, declarações de mercenários a serviço dos EUA e pagos pela Arábia Saudita e Qatar, e gravações gentilmente cedidas pelo Mossad.
Obama e W. Bush insistiram para que os inspetores da ONU não completassem devidamente o seu trabalho de investigação, inclusive ameaçando bombardear enquanto estivessem lá, e os apressando a sair. Os inspetores de Ban Ki Moon estão de saída no sábado.

W. Bush, repetindo o que lhe dizia seu chefe do Pentágono, garantia que a guerra seria um passeio, e que os marines seriam “recebidos com flores”. Obama assevera que será “um ataque cirúrgico”, sem envolvimento direto na guerra que patrocina contra o povo e o governo sírio.

Obama, que foi eleito pregando contra a guerra, e já parte para sua segunda guerra exclusivamente dele, além das que herdou de W. Bush.

Enquanto prepara a chacina “humanitária” contra o povo sírio, Obama se deu o desfrute de profanar o lendário discurso do grande Martin Luther King, com uma comemoração chapa branca. Mas está indelevelmente tatuado de “I have a drone”, enquanto Luther King será sempre “I have a Dream”.

E foi o Dr. King, como era carinhosamente chamado, que no discurso de abril de 1967, com sua candente denúncia da Guerra do Vietnã e das agressões movidas pelo imperialismo dos EUA contra os povos, que apresentou como uma “doença”, que traçou na areia uma linha que não pode ser cruzada por oportunistas, por mais encenações que façam. ( HORA DO POVO )

Bombardeio que Obama quer viola Carta da ONU

Rússia e China negam aval à agressão à Síria, em preparação por Washington e seus satélites

Esboço de “resolução” apresentado pelo Reino Unido na reunião a portas fechadas dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, para dar aval ao criminoso bombardeio contra a Síria que Obama está pronto a desfechar – em socorro dos contras que vêm sendo derrotados pelo povo e pelo exército sírio – foi terminantemente rejeitado pela Rússia e pela China na quarta-feira (28), tornando a repetição da fraude de W. Bush no Iraque ainda mais indisfarçável. Até no detalhe de também não querer esperar pelo trabalho dos inspetores da ONU no terreno.

Assim, o que Washington está prestes a cometer é uma guerra de agressão, o que o Tribunal de Nuremberg já definiu como o “supremo crime”. Como a Rússia apontou, o ataque será uma violação frontal da Carta das Nações Unidas – e não será a cumplicidade dos serviçais Hollande e Cameron, além do governo turco e dos feudais sauditas e do Qatar, que irá mudar isso.

A China advertiu que “potências externas emitiram um veredito contra o governo sírio sob condições em que a verdade ainda não está clara” e convocou “todas as partes a aguardar os resultados da investigação da ONU”. Enquanto isso, navios de guerra e submarinos das potências agressoras já estão posicionados diante do litoral sírio esperando a ordem de Obama.

Assim como W. Bush fez uma guerra ilegal e imoral contra o Iraque, asseverando que havia “provas” da CIA de que Sadam tinha “armas de destruição em massa” e “queria fazer armas nucleares”, o que depois da invasão ficou provado que era uma fraude, agora o prêmio Nobel da Paz Obama diz que sabe “que foi Assad” que fez o suposto ataque com gás em Goutha, na semana passada nos arredores de Damasco. O “Wall Street Journal” e a revista alemã “Focus” afirmaram que as “provas” foram passadas à CIA pelo Mossad… Mas, segundo a mídia norte-americana, Obama não tem “nenhuma ‘smoking gun’ [arma fumegante, isto é, prova incontestável].

Segundo a porta voz do Departamento de Estado, Marie Harf, estaria “provado” que o governo Assad “é que tem a capacidade de realizar ataques químicos” e a “oposição não tem”. Outra mentira, porque em maio a ex-procuradora do Tribunal Internacional sobre a Iugoslávia, que não pode ser acusada de ser progressista, e que agora é da Comissão da ONU de Investigação na Síria, afirmou, depois de se dizer “estarrecida”, que quem estava usando gás sarin em ataques eram os “rebeldes”, como havia sido determinado pelos investigadores no terreno.

Não só Obama não apresentou qualquer prova, como também tentou pressionar para que o trabalho dos inspetores na Síria fosse encerrado, sob a alegação de que seria “redundante”. De acordo com o chefe dos inspetores da ONU no Iraque, o sueco Hans Blix, “dentro de um mês, quando tenhamos amostras precisas, saberemos com exatidão que classe de armas químicas foram empregadas e quem possui tais armas”. Como W. Bush, Obama não quer investigação nenhuma, quer é usar o incidente de Ghouta de pretexto para socorrer seus contras em má situação. Como registrou o colunista Robert Fisk, do “Independent”, “no Iraque, fomos à guerra movidos por mentiras difundidas por bandidos e mentirosos conhecidos. Dessa vez, é guerra movida a You Tube”.

Os inspetores da ONU haviam chegado ao país para investigar a denúncia do governo sírio de que em março os contras fizeram um ataque com foguete com gás em Khan Al Assal. Quanto a Ghouta, o governo russo afirmou que um foguete semelhante ao de Khan Al Assad fora lançado “a partir de posição controlada pelos rebeldes”. Robert Fisk citou reiteradas notícias de Beirute de “que três membros do Hezzbollah – que lutavam do lado do exército sírio em Damasco – foram ao que parece atingidos pelo mesmo gás, no mesmo dia, ao que parece, em túneis”. Ainda, o governo sírio acaba de pedir a ONU que investigue outros três ataques contra seus soldados com armas químicas. ocorridos na semana passada.

“CHANCE À PAZ”

Falando na terça-feira (27) em Haia, o secretário-geral da ONU Ban Ki Moon afirmou: “Deixem que os inspetores concluam seus quatro dias de trabalho, e então teremos que analisar cientificamente as provas e depois suponho que tenhamos que informar ao Conselho de Segurança da ONU”. “Dêem uma chance à paz”, acrescentou. “Neste hall dedicado à regra da lei, eu digo: mantenhamo-nos dentro da Carta das Nações Unidas. A lógica militar nos deu um país à beira da destruição total, uma região em caos e uma ameaça global. Por que jogar mais combustível no fogo?”

Por sua vez, o ex-secretário-geral da Otan, Javier Solana, manifestou sua preocupação com aqueles que, alegremente, vem conclamando a ir mais além, e a fazer uma campanha aérea ao estilo de Kosovo. “Nem a Sérvia é Síria, nem Putin é Yeltsin, nem a União Europeia era a de hoje, nem o mundo dos anos noventa – de hegemonia ocidental – é o mesmo de hoje”, admitiu.

Mesmo em Washington e Londres as dúvidas se espraiam. Já são 100 os deputados que assinaram uma carta a Obama dizendo que a Síria “não ameaça os EUA” e que o Congresso tem de ser ouvido para autorizar ou não o ataque. Um deputado conservador inglês, Adam Holloway, disse ter recebido 100 e-mails sobre o ataque “e nenhum era a favor”. “Já há um sentimento de que Tony Blair permitiu que W.Bush dirigisse bêbado Iraque adentro, e que nós não podemos acreditar em tudo que nos dizem”.

agosto 23, 2013

CIA confirma o que todo mundo já sabia: depôs Mossadegh para roubar o petróleo

Filed under: WordPress — Tags:, , , , , — Humberto @ 4:01 pm

A Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA) reconheceu, pela primeira vez oficialmente, que dirigiu o golpe que derrubou, em 1953, o primeiro-ministro do Irã, quando este decidiu nacionalizar suas reservas de petróleo, controladas na época pela Grã-Bretanha, segundo documentos revelados no final de semana passado.

O papel da CIA na queda de Mohammed Mossadegh não era segredo para ninguém. Mas, o National Security Archive da Universidade George Washington – que publicou os papéis – ressaltou que os arquivos secretos da CIA revelados marcam sua explícita admissão sobre o fato.

São mais de 30 documentos que comprovam a articulação de Washington e Inglaterra contra a intenção iraniana de nacionalizar a Anglo-Iranian Oil Company – antecessora da atual BP. “O golpe militar que derrubou Mohamed Mossadegh e o governo da Frente Nacional foi realizado sob direção da CIA como um ato de política externa norte-americana”, dizem os documentos mencionados pelo Arquivo de Segurança Nacional.

O nome de código da operação da CIA era TPAJAX e nunca tinha sido mencionada nos documentos revelados pela agência. Outros arquivos revelados pela Universidade George Washington também apontam que a CIA participou, com ajuda da Inteligência britânica, na manobra política que reinstalou a monarquia no Irã, entregando o poder a Mohamed Reza Pahlevi, último Xá da Pérsia, após a deposição de Mossadegh. O Xá se tornou aliado próximo de Washington.

Em artigo, publicado no Hora do Povo de 26 de setembro de 2003, Carlos Lopes já denunciava que “em meados dos anos 60, a CIA procedeu a uma destruição em massa dos seus papéis sobre o golpe de 1953, no Irã, que derrubou o primeiro-ministro Mohamed Mossadegh e o governo da Frente Nacional. Segundo disse depois o então diretor da CIA, James Woolsey, a destruição dos documentos foi ‘rotina’. Mas um inquérito conduzido pelo Arquivo Nacional dos EUA concluiu que a destruição tinha sido ilegal: ‘a destruição dos registros relacionados ao Irã não foi autorizada’, assim como a de ‘nenhum documento oficial com efetividade no período 1959-1963, relacionado a ações encobertas’. Segundo disse a CIA, tinham sobrado somente 1.000 páginas sobre o golpe em seus arquivos (somente a pequena parte já desclassificada sobre o golpe do Chile constitui-se de 16.000 documentos, com uma quantidade descomunal de páginas)”.

Porém, no ano 2000, muitas informações vieram à tona. Nesse ano, um “ex-agente” passou ao The New York Times um documento secreto da CIA, um relato de 200 páginas (“Overthrow of Premier Mossadeq of Iran, November 1952-August 1953”) da ação contra o Irã, escrito em março de 1954 – sete meses após o golpe – por um dos chefes da operação, Donald Wilber.

O “The New York Times” publicou uma versão pasteurizada, expurgada e censurada. Mesmo assim, o jornal foi processado pela CIA, sob a alegação de que a publicação “causaria sérios danos à segurança nacional dos EUA”.

O HP pesquisou o documento completo. “Em relação à ‘segurança nacional’ dos EUA, nesse documento divulgado 47 anos depois dos fatos que relata, não há nada que a afete. Mas em relação à ‘segurança’ da canalha terrorista ianque, realmente, não se pode dizer a mesma coisa. O documento é uma descrição detalhada, minuciosa e cínica dos seus crimes. A destruição em massa de documentos referentes ao golpe contra um dos homens mais notáveis do século XX, Morramed Mossadegh, foi, evidentemente, para escondê-los”, assinalou Carlos Lopes.

Nas páginas do relato, é cristalino que a CIA fabricou, do início ao fim, o golpe contra o Irã. Ela não apoiou os golpistas. Ela fabricou-os, até mesmo escolheu-os – evidentemente, dentre a ralé de ressentidos com a revolução popular e democrática encabeçada por Mossadegh.

Por esse documento se sabe que, em abril de 1953, a CIA e o SIS (serviço secreto inglês) numa reunião em Nicósia, Chipre, resolveram derrubar Mossadegh porque ‘desde o fim de 1952 tornou-se claro que o governo de Mossadegh no Irã era incapaz de estabelecer um arranjo com os interesses petrolíferos dos países do Ocidente (Summary, pág. III). (….) Nenhum outro remédio pode ser achado, senão o plano de uma operação encoberta. Especificamente, o objetivo era colocar no poder um governo que alcance um arranjo petrolífero’ (pág. IV).

“O plano foi concluído em junho de 1953 e, no dia 11 de julho, Eisenhower o aprovou. Dez dias antes, já havia sido aprovado pelo primeiro-ministro inglês, Winston Churchill, de volta ao poder desde 1951. No documento, Eisenhower, seu secretário de Estado, John Foster Dulles, e outros baluartes da democracia, aparecem perfeitamente integrados com a CIA e agindo de acordo com o plano dela. Não somente o aprovaram – e, provavelmente, o encomendaram. São partícipes entusiasmados.

A sofreguidão dos colonialistas ingleses era devida à nacionalização, dois anos antes, da indústria do petróleo iraniana – antes principalmente na mão de companhias inglesas. Quanto aos imperialistas americanos, esses queriam se apossar do petróleo do Irã, como, aliás, se apossaram depois do golpe, até a eclosão da revolução islâmica”, sublinhou Carlos Lopes.

Mossadegh, com seus 70 anos, estava decidido a defender os interesses nacionais do Irã – e assim permaneceu até a morte, preso, em 1967. Em 1979, após a revolução islâmica, um milhão de iranianos reuniram-se em torno ao seu mausoléu, em Ahmad Abad, para prestar sua homenagem ao herói.

HORA DO POVO

agosto 19, 2013

CIA admitiu envolvimento no golpe de Estado no Irã em 1953

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A agência norte-americana de informações, CIA, admitiu formalmente ter estado envolvida no golpe de Estado contra o então Primeiro-Ministro iraniano Mohammad Mosaddeq, em 1953, revelam documentos divulgados pelo Arquivo de Segurança Nacional.

Apesar de sempre ter existido a suspeita do envolvimento do Estados Unidos e Reino Unido no afastamento de Mosaddeq, esta é a primeira vez que a CIA “admite formalmente que ajudou a planear e executar o golpe”, refere o Arquivo de Segurança Nacional, um centro de investigação sem fins lucrativos da Universidade George Washington.

No passado, agentes da CIA tinham garantido que a maioria dos documentos relacionados com o golpe de 1953, em plena Guerra Fria e após a nacionalização da indústria petrolífera iraniana, tinham desaparecido ou tinham sido destruídos na década de 1960.

No entanto, os investigadores do Arquivo de Segurança Nacional conseguiram acesso a documentos recentemente desclassificados pela CIA e que incluem vários textos de propaganda preparados pela agência de espionagem para transmitirem uma imagem negativa de Mossadeq [ grifo deste blog ], acrescenta ainda uma nota do Arquivo de Segurança Nacional. ( JN )

maio 31, 2013

Requião: “leilões de petróleo são antinacionais e injustificáveis”

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“Como defender, como justificar, mais esta rodada de leilões de petróleo”?, questionou o senador do PMDB paranaense

Em discurso feito na terça-feira (28), o senador Roberto Requião (PMDB-PR) criticou a onda de privatizações anunciadas recentemente pelo governo e chamou a decisão do Planalto de realizar os leilões do petróleo como uma “grande desgraça para os brasileiros”. “Poucas vezes ouvi e li argumentos tão oportunistas, tão antinacionais, tão frágeis e tão pouco honestos a favor de alguma coisa, como os em defesa dos leilões”, afirmou Requião.

“Ao ouvir e ler fiquei triste porque vi mais companheiros abandonando posições na barricada em defesa dos interesses populares e nacionais”, assinalou o senador paranaense, referindo-se a lideranças do PT e de outros partidos que se consideram de esquerda, defendendo a entrega do petróleo de áreas dentro e fora do pré-sal para as multinacionais.

“Que tantos tenham desertado de antigas defesas, comprova-se todos os dias. Mas não esperava que a desistência ampliasse tanto. Meu Deus! Como defender, como justificar, mais esta rodada de leilões de petróleo?”, indagou, referindo-se à 11ª Rodada de leilões de petróleo realizada no dia 14 de maio pela Agência Nacional de Petróleo e Gás (ANP). “Na verdade não é só o leilão do petróleo; e nem é fortuita, ocasional a coincidência que a privatização dos portos tenha sido aprovada no dia seguinte ao dos leilões”, acrescentou Requião.

Lembrando as estradas, os aeroportos, as hidrelétricas, os portos e o petróleo, Requião afirmou estar se somando aos que denunciam que está havendo o maior processo de privatizações na história do Brasil. O senador destacou ainda que “ao se colocar recursos financeiros e humanos das estatais, como o BNDES, a Petrobrás, a Caixa e o Banco do Brasil, a serviço de entes privados, temos as chamadas privatizações brancas”. Nesta parte do discurso Requião fulminou o uso de recursos do BNDES para financiar grupos privados monopolistas, principalmente estrangeiros.

O parlamentar peemedebista condenou o leilão da 11ª Rodada. “Foram entregues à iniciativa privada, a um capitalismo claudicante, baleado pela crise, 289 blocos [esse foi o número ofertado pela ANP; 142 blocos foram adquiridos no leilão] para a exploração de petróleo, com potencial, segundo cálculos moderadíssimos, de se produzir até 14 bilhões de barris ou quem sabe até 19 bilhões”.

Ele lembrou que o que se arrecada nesses leilões “é uma quantia que representa zero vírgula vinte e cinco por cento do valor dos blocos”.

“O economista Adriano Benayon, citando o químico Roldão Simas, diz que o valor arrecadado dá para reformar um estádio de futebol para a Copa; ou como diz o PCB, dá para pagar a reforma do Maracanã, com o devido ágio à corrupção”.

“A ANP, talvez das agências reguladoras a mais querida da mídia e do mercado, disse que nos blocos licitados deverão ser descobertos 19 bilhões de barris de petróleo e gás, que serão exportados!”, denunciou Requião.

Ele destaca que o Brasil não precisa exportar o petróleo. “Especialistas de verdade como Fernando Siqueira [vice-presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás – Aepet] e Paulo Metri [conselheiro do Clube de Engenharia], e não aqueles especialistas de fancaria que frequentam, os noticiários globais, peritos como Siqueira e Metri perguntam: ‘Quem definiu que a exportação desse petróleo é a melhor opção para o Brasil?’. “Enquanto os Estados Unidos proíbem a exportação de petróleo, olhando para frente, nós fechamos os olhos à trágica experiência de países exportadores, que queimaram suas reservas por nada, para nada”, salientou o senador.

Requião criticou o comportamento de certos partidos de esquerda que freqüentemente, depois que assumem o poder, passam a defender posições favoráveis aos monopólios estrangeiros e aos banqueiros. “Discute-se muito hoje na Europa, com a falência do modelo neoliberal, junto do qual se enterraram os partidos ditos de esquerda”, disse. “Discute-se muito uma refundação da esquerda. A exaustão dos partidos trabalhistas, socialistas e social-democratas, abduzidos pelo neoliberalismo e campeões na aplicação das políticas de austeridade, fez espocarem novos agrupamentos de esquerda por toda a Europa”, acrescentou. “Na Inglaterra, o cineasta Ken Loach lança apelo por um novo partido, considerando definitiva, irrecuperável, a guinada do Partido Trabalhista para a direita”, prossegue Requião.

Ao falar do Brasil ele destacou que “por cinco vezes, não uma ou duas, e sim por cinco vezes acompanhei o PT nas eleições presidenciais”. “Nas circunstâncias de hoje, fossem esses que se anunciam os candidatos, acompanharia o PT pela sexta vez. No entanto, parece claro que o PT está à deriva, distancia-se da esquerda”.

“Como já não é mais possível classificar como de esquerda os partidos da base, que ainda assim se dizem, em que pese as posições hoje assumidas. É à esquerda, pela esquerda, que construiremos o país e a sociedade que almejamos há tanto tempo. Não há outra saída. Boa parte da esquerda tradicional, como a camélia, caiu do galho, depois murchou, depois morreu”, completou.

HORA DO POVO

maio 24, 2013

Petroleiras usam mercenários para saquear riquezas sírias

Filed under: WordPress — Tags:, , , , , , — Humberto @ 7:44 pm

As petroleiras europeias e norte-americanas estão tomando posse do petróleo do subsolo sírio através do contrabando exercido pelos grupos de mercenários que atuam na Síria. A denúncia é do repórter da TV Rússia Today, Boris Kuzetzov. “As petroleiras estão se apossando de petróleo quase gratuito adquirido no mercado negro depois que a União Europeia levantou o embargo à venda de petróleo não à Síria, mas aos denominados grupos de oposição”, afirma Kuzetzov.

Segundo o jornalista russo, “o petróleo chega a preços mais baixos para as companhias que aproveitam para repassar fundos para os terroristas”.

Kuzetzov acrescenta que estes grupos conseguiram manter redutos em regiões onde há poços de petróleo sírio como a província de Dir Ezzor onde a riqueza nacional é saqueada.

Ele acrescenta que esses grupos passaram a contrabandear o petróleo depois que a União Europeia suspendeu o bloqueio a sua comercialização não à Síria, mas ao chamado Conselho Nacional Sírio patrocinado pelos EUA ( HORA DO POVO )

maio 17, 2013

Petróleo: leilão ficou bem abaixo do que pretendia o entreguismo da ANP

Filed under: WordPress — Tags:, , , , , — Humberto @ 6:24 pm

Dos 289 blocos só 142 foram arrematados. Entidades fizeram manifestação na porta do hotel contra a entrega

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) bem que tentou, mas não conseguiu se entusiasmar com o resultado da 11ª rodada de licitações de petróleo, ocorrida na terça-feira (14). Dos 289 blocos colocados em leilão, apenas 142 foram arrematados. Foi um fiasco. A programação eram dois dias de leilão, mas tiveram que encerrar o processo no primeiro dia por falta de quorum. Mais da metade dos blocos nem foi a leilão.

Este resultado só confirma aquilo que todos já sabem. Quem faz pesquisa séria, quem possui capacidade técnica e investe de verdade no país é a Petrobrás. Já as empresas do cartel estrangeiro, principalmente as múltis, são mestres mesmo é em provocar megavazamentos, desastres e poluição ambiental. Elas não fazem investimentos, só sabem parasitar o trabalho já feito pela Petrobrás. As outras várias empresinhas – que não passam de testas-de-ferro – entram no processo, ou para especular ou só para esquentar lugar e depois passar o bloco para o cartel. Achar, como alguns incautos, que há concorrência na área do petróleo é ingenuidade ou má-fé.

A diretora do ANP, Magda Chambriard, entusiasta do entreguismo desvairado, havia dito numa reunião recente com grupos estrangeiros que o leilão seria uma grande oportunidade de “bons negócios”. Chegou a apregoar que as áreas que seriam leiloadas continham 30 bilhões de barris. Tirando os blocos onde a Petrobrás participou com mais de 50% no consórcio, somente cerca de 40% dos blocos foram arrematados pelos tais “investidores” privados. Ou seja, 60% dos blocos escaparam de cair nas mãos das múlits.

Com esse resultado pífio da “megaentrega” anunciada pela ANP, Magda Chambriard tentou melhorar a situação dizendo que 2/3 da área leiloada tinha sido adquirida no leilão. Uma comemoração ridícula para esconder o desânimo, pois o que interessa é o número de blocos e não a “área leiloada”. Aí disseram que o bônus de R$ 2,8 bi arrecadado foi uma maravilha. Só que esse valor está muito distante dos montantes que estão previstos nos investimentos da Petrobrás que passam de 200 bilhões. Por último, a ANP acabou tendo que anunciar que “os blocos que não foram arrematados na 11ª rodada de áreas de exploração de petróleo e gás no Brasil poderão ser relicitados no futuro”.

Durante o leilão, que ocorreu no Hotel Royal, em São Conrado, no Rio de janeiro, a CGTB, CUT, CTB, FUP, Aepet, MST, CMB, UBES, sindicatos de petroleiros de vários estados e partidos políticos realizavam um protesto na porta do hotel contra o crime perpetrado pela ANP. O presidente da CGTB, Ubiraci Dantas de Oliveira (Bira), disse que “entregar nossas reservas de petróleo para os monopólios transnacionais é entregar a vida de uma Nação”. O coordenador da FUP ( Federação Única dos Petroleiros), João Antonio de Moraes, citou as manifestações contra a 11ª Rodada, realizadas desde a última semana, em diversos estados do Brasil. “Ontem (13) no Ministério de Minas e Energia, em Brasília, ocupamos o lugar onde fica a gestão dessa política de exportação do nosso petróleo, para que eles fiquem cientes de que se o Brasil colocar este recurso à disposição do império norte-americano ou de qualquer outro continente não haverá petróleo para as nossas gerações futuras”. “Não temos dúvidas que, para reverter esta situação, é preciso força e mobilização, vide a campanha “O Petróleo é Nosso”, na época da criação da Petrobrás”, enfatizou.

Várias personalidades e entidades como a FUP e Sindipetros etaduais entraram com ações na Justiça denunciando o crime da entrega do petróleo cometido pela ANP. A ação judicial assinada pelo presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET), Silvio Sinedino Pinheiro, pelo vice da entidade, Fernando Siqueira, e pelo deputado federal Ivan Valente (Psol-SP) alerta que algumas áreas leiloadas pela ANP podem pertencer ao pré-sal e, portanto, não podem ser exploradas pelo regime de concessão.

Há alguns dias, dezenas de entidades sindicais e populares também enviaram carta à presidenta Dilma Roussef pedindo que ela suspendesse os leilões. “O povo brasileiro votou em Lula duas vezes e em Dilma no ano de 2010, ciente de que aquilo que foi feito nos governos anteriores não era bom para o Brasil. A esperança vencia o medo e exigia que as privatizações tivessem um basta”, diz um trecho da carta. “A extraordinária descoberta de petróleo na área chamada pré-sal, as enormes reservas de água, nosso território e nossas riquezas naturais exuberantes e, fundamentalmente, a capacidade de trabalho dos trabalhadores brasileiros acenam para a construção de um país com enormes potencialidades, com possibilidades de usar e bem distribuir estas riquezas. E é isto que vemos ameaçado nesse momento. Se as riquezas são tantas e boas para o país, por que entregar para as grandes empresas transnacionais as riquezas do povo brasileiro?”, indaga o documento.

O presidente da CUT-RJ, Darby Igayara, reafirmou que a central apoia e sempre apoiará a luta dos petroleiros e da sociedade brasileira em defesa do petróleo brasileiro. “Nós da CUT, junto às entidades de classe, mandamos um recado para o governo: chega de leilão, nós exigimos a soberania do petróleo. Não permitiremos que a nossa riqueza seja entregue às multinacionais e ao Eike Batista”. “A posição da nossa central é contra os leilões do petróleo e contra a desnacionalização do patrimônio do povo brasileiro. Nossa luta sempre foi contra a privatização do patrimônio público. Essa é uma luta de toda a classe trabalhadora, que precisa estar mobilizada contra a desnacionalização e privatização”, frisou o secretário geral da CTB-RJ, Ronaldo Leite.

“Esse ano completa 60 anos da conquista do monopólio estatal do petróleo e da criação da Petrobrás. Eu quero lembrar aqui uma grande companheira, líder das mulheres, que muito contribuiu na luta em defesa do nosso petróleo. A companheira Alice Tibiriçá, que foi presidente da Federação das Mulheres do Brasil”, disse a presidente da Federação das Mulheres Fluminenses e diretora da Confederação das Mulheres do Brasil (CMB), Conceição Cassano.

O presidente estadual do Partido Pátria Livre (PPL), Irapuan Ramos, saudou “essa unidade conseguida nesse ato para mostrar nossa indignação diante do que está acontecendo aqui em São Conrado. Não foi à toa que eles escolheram esse lugar bem escondidinho, de difícil acesso, porque se fosse no centro do Rio nós teríamos fechado a Avenida Rio Branco. E por que eles precisam se esconder? Porque o que se comete dentro desse hotel é um crime contra o nosso país e contra o nosso povo”, denunciou.

Em Sergipe, terceiro maior produtor de petróleo do Nordeste, os trabalhadores também protestaram contra o leilão da ANP. A CGTB-SE convocou o ato de repúdio à entrega do petróleo. José Arnaldo, coordenador da CGTB declarou que “os trabalhadores de Sergipe estão firmes na defesa da soberania nacional, pois o petróleo brasileiro pertence ao povo e não há nenhuma necessidade de entregá-lo às multinacionais”. O presidente estadual do Partido Pátria Livre, Manoel Messias, falou da necessidade de fortalecer a Petrobrás “pois esse leilão pode colocar em risco 30 bilhões de barris de petróleo que seriam entregues às multinacionais”. Participaram ainda do ato, Airton Costa, do PPL, Giovana Rocha , representando a Associação dos Moradores do Rosa do Sol e demais lideranças populares.

SÉRGIO CRUZ – HORA DO POVO

maio 14, 2013

“Privatizar não é a solução”: Entidades sociais e sindicais pedem que Dilma cancele leilão de petróleo

Filed under: WordPress — Tags:, , , , , — Humberto @ 9:17 pm

“Entregar a exploração de nossas riquezas às transnacionais é erro estratégico”, diz carta
Em carta à presidenta Dilma Rousseff, assinada por dezenas de entidades, entre elas, a CUT, Contag, FUP, Federação Interestadual de Sindicato dos Engenheiros e outras, os movimentos populares e entidades sindicais pedem “o cancelamento dos leilões de petróleo” e o de hidrelétricas. “Entregar o petróleo e as hidrelétricas, que fazem parte do patrimônio da União ao capital internacional, será um erro estratégico”, apontam.
HORA DO POVO

Povo quer fim de leilão do petróleo, afirma carta de entidades a Dilma
CUT, FUP, Contag, Fisenge, MST e outras entidades e movimentos sociais pedem que Dilma cancele o leilão

Decididos a barrar o leilão do petróleo, previsto para estas terça e quarta-feira (14 e 15 de maio), e contra a privatização do setor elétrico, entidades de trabalhadores e movimentos sociais brasileiros enviaram uma carta à presidente Dilma Rousseff, assinada por diversas entidades, pedindo a suspensão do processo conduzido pela Agência Nacional do Petróleo e Gás (ANP) e advertindo a presidenta que o caminho das privatizações, que atingiu o auge no período neoliberal de FHC, é um erro estratégico que trará graves prejuízos ao Brasil e não é solução para o país.

Segue a íntegra da carta com algumas das dezenas de entidades que apoiam a iniciativa.

Carta à presidenta Dilma

Excelentíssima Senhora

Dilma Vana Rousseff

Presidenta da República do Brasil.

Brasília, 10 de Maio de 2013.

Excelentíssima,

Nós, movimentos populares e sindicais abaixo assinados, vimos, por meio desta, solicitar o cancelamento dos leilões de petróleo, previstos para os dias 14 e 15 de maio de 2013, bem como o cancelamento do processo, que prevê a privatização das hidrelétricas, de Três Irmãos em São Paulo e Jaguara em Minas Gerais, além de várias outras usinas, que podem significar cerca de 5.500 MW médios. Estes leilões significarão a retomada das privatizações em um dos setores mais estratégicos ao povo brasileiro. Entregar o petróleo e as hidrelétricas, que fazem parte do patrimônio da União ao capital internacional, será um erro estratégico.

Lembramos que o povo brasileiro, com seu trabalho e suas lutas, construiu um grande setor de energia no Brasil. A luta do “PETRÓLEO É NOSSO”, juntamente com a utilização dos nossos rios para a produção de energia elétrica nos propiciou, por muito tempo, que estas riquezas estivessem, em certa medida, sob controle nacional, uma vez que o controle estava garantido pelo Estado.

Foi, sem dúvida, no período dos governos de Collor e Fernando Henrique Cardoso, que este sistema foi sendo destruído e entregue ao capital internacional, sob o pretexto de que não servia mais para o nosso país. As melhores empresas públicas foram entregues para o controle das grandes corporações transnacionais, prejudicando nosso país e os trabalhadores.

Nessas ocasiões, os setores neoliberais se apropriaram do discurso falacioso da ineficiência do Estado, especialmente na gestão das empresas públicas, com o objetivo de iludir o povo brasileiro com falsas promessas e entregar o patrimônio público para o “mercado”.

Esta história nós já conhecemos bem. Depois da privatização, a energia elétrica aumentou mais de 400% (muito acima da inflação), trabalhadores foram demitidos e recontratados com salários menores e em piores condições e a qualidade da energia elétrica piorou muito. Quedas de energia, explosão de bueiros e apagões são consequências da privatização.

No setor do petróleo a realidade é semelhante, FHC quebrou o monopólio estatal e vendeu parte da Petrobras, e só não fez pior, porque foram derrotados na eleição de 2002.

Não é a toa que todo este processo foi chamado de PRIVATARIA. Mais de 150 empresas públicas – das melhores – acabaram sendo entregues aos empresários, a preços irrisórios.

O povo brasileiro votou em Lula duas vezes e em Dilma no ano de 2010, ciente de que aquilo que foi feito nos governos anteriores não era bom para o Brasil. A esperança vencia o medo e exigia que as privatizações tivessem um basta.

A extraordinária descoberta de petróleo na área chamada pré-sal, as enormes reservas de água, nosso território e nossas riquezas naturais exuberantes e, fundamentalmente, a capacidade de trabalho dos trabalhadores brasileiros, acenam para a construção de um país com enormes potencialidades, com possibilidades de usar e bem distribuir estas riquezas. E é isto que vemos ameaçado nesse momento.

Se as riquezas são tantas e boas para o país, por que entregar para as grandes empresas transnacionais as riquezas do povo brasileiro?

São as empresas do Estado Brasileiro, entre elas a Eletrobrás e a Petrobrás, que impulsionam o setor de energia em nosso país. É o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social-BNDES, quem financia as demandas do setor. São as empresas de pesquisa do Estado que fazem os estudos. São as empresas estatais, em especial, o Sistema Eletrobrás que está ofertando eletricidade a preços mais baratos. Então, por que não discutir com nosso povo, unir forças e buscar soluções para que, tanto o petróleo quanto a energia elétrica, fiquem nas mãos do Estado, com soberania nacional, distribuição de riquezas e controle popular?

É fundamental que todos nós tomemos posição neste momento tão importante para o destino da nação. Defendemos o cancelamento dos leilões, que irão privatizar o petróleo e as usinas hidrelétricas, que estão retornando para a União.

Não temos dúvida de que, se consultado, o povo brasileiro diria: Privatizar não é a Solução.

Certos de que seremos atendidos em nossas proposições, nos dispomos a discutir, mobilizar nosso povo, buscar a união de todos para que estas riquezas sejam do povo brasileiro e com controle do Estado. Nos colocamos à disposição para discutir com Vosso governo e com o povo brasileiro.

Sem mais, aguardamos resposta”.

Entre as entidades que assinam a carta estão: Central Única dos Trabalhadores (CUT), Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG), Federação Única dos Petroleiros (FUP), Federação Interestadual de Sindicato dos Engenheiros (FISENGE), Federação Nacional dos Urbanitários (FNU), Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), Sindicato Unificado dos Trabalhadores de Minas Gerais (Sind-UTE MG), Central dos Movimentos Populares (CMP), Federação Estadual dos Metalúrgicos – CUT/MG, etc.

LEITURA COMPLEMENTAR ( UM CLÁSSICO! )

A Mega-Mega Sena do petróleo. Roubada.
Aloysio Biondi
Revista Caros Amigos , março de 2000

O Brasil virou trilionário, mas o povo não sabe, o Congresso não sabe, e FHC vai entregar tudo

Nunca é demais repetir: o brasileiro ficou bilionário, ou trilionário, e não sabe. Não é exagero, não. Em fevereiro do ano passado, o campo de Marlim, explorado pela Petrobrás na bacia de Campos, produzia 200.000 barris de petróleo. Por dia. Um único campo. Agora, em janeiro de 2000, o mesmo campo produziu 400.000 barris por dia.

Qual o faturamento da Petrobrás, do governo brasileiro, com esta produção fantástica? É fácil fazer as contas: 400.000 barris por dia significam 12 milhões de barris por mês, ou algo como 150 milhões de barris por ano. Ao preço atual de 30 dólares o barril, são 4,5 bilhões (com a letra “b”) de dólares por ano, ou 9 bilhões de reais por ano. Mesmo que o preço atual, que está exagerado, venha a cair para 25 dólares o barril, o faturamento chegará a 3,75 bilhões de dólares, ou 7,5 bilhões de reais. Cifras fantásticas, e que vão ser duplicadas em poucos meses, pois os estudos da Petrobrás mostraram que as reservas da região permitem dobrar o número de poços perfurados. Serão, portanto, uns 18 bilhões de reais de faturamento por ano – e com uma margem de lucro fantástica. Por quê? Os poços da plataforma brasileira têm uma produção também espantosa, igual à obtida nos campos do Irã, Iraque, Arábia Saudita, com 7.000 a 10.000 barris produzidos por dia. Em cada poço. Assim, mesmo calculando todos os investimentos feitos, o custo de produção de cada barril não passa de 2,50 a 3 dólares, o que significa um lucro de 27 dólares o barril, ou 1.000 por cento, isto é, dez vezes o custo, por barril… Somente nesse campo de Marlim, portanto, o povo brasileiro pode faturar 18 bilhões de reais, o equivalente a um mês e meio da arrecadação federal. E há muitos outros campos de petróleo no litoral brasileiro, já descobertos pela Petrobrás, a serem explorados. Alguma dúvida diante da afirmação? Então, é só relembrar que, em janeiro, o presidente da República fez questão de anunciar pessoalmente (precisava de “marketing otimista”) a descoberta de um megacampo, Roncador, mais ao sul do litoral fluminense, e já situado na bacia de Santos (formação geológica equivalente à da bacia de Campos e que, apesar do nome, estende-se até o litoral do Rio). O que isso significa? Que Marlim e Roncador, juntos, feitos os mesmos cálculos, podem oferecer um faturamento de 36 bilhões (com “b”) por ano, cobrindo, sozinhos, mais de quatro meses de todas as despesas do governo federal (deixando de lado os juros, como o FMI faz). E por quanto tempo esses campos poderão ser explorados, com essa produção e esse faturamento? De quinze a vinte anos, representando portanto, multiplicando-se pelo valor de 36 bilhões de faturamento anual de 540 a 720 bilhões de reais. De meio trilhão a três quartos de trilhão. Uma fortuna. Uma fábula em apenas dois campos do litoral. Uma enxurrada de reais e dólares que poderiam, se usados para tirar o Brasil das mãos do FMI e dos credores internacionais, com recurso para investir, voltar a crescer, resolver problemas sociais, criar empregos. Voltar a ser um país, e não uma colônia-capacho dos países ricos. Não há exagero nenhum, portanto, em gritar aos quatro ventos que o povo brasileiro, com as reservas de petróleo, e mais ainda, com os campos fantásticos descobertos pela Petrobrás, tirou a Mega-Mega Sena. Virou trilionário. Mas não sabe disso. O povo não sabe, o Congresso não sabe. Por isso, o governo FHC prepara-se para nova rodada de leilões destinados a entregar o petróleo brasileiro a multinacionais. Ou, mesmo, já vem entregando indecentemente o petróleo descoberto peta Petrobrás, que pertence efetivamente a cada cidadão brasileiro, a meia dúzia de empresários nacionais e banqueiros nacionais e estrangeiros. Exemplo? O fantástico campo de Marlim, com sua produção de 400.000 barris/dia, por exemplo, foi “repartido” agora com meia dúzia de sócios que se juntaram em uma empresa de fundo de quintal para… fornecer parte do dinheiro necessário para duplicar a produção. Essa operação já seria um assalto contra a sociedade brasileira, mesmo que os “sócios” realmente desembolsassem a cifra de 1,5 bilhão de reais para financiar sua parte no projeto de exploração de Marlim. Nem isso existe. A empresoca de fundo de quintal tem um capital bruto de 200 milhões de reais e foi formada – como narrado em nosso livrinho O Brasil Privatizado – apenas… para tomar 1,2 bilhão de reais emprestados no exterior, que obviamente a própria Petrobrás poderia obter. Um negócio da China, um assalto, uma mina de ouro, capaz de faturar centenas de bilhões de reais, entregue por 200 tostõezinhos fajutos. A Mega-Mega Sena ganha pelo povo brasileiro, e que seria sua redenção, está sendo literalmente tungada pelo governo FHC. O Congresso Nacional não pode continuar impassível diante dessas aberrações. O povo brasileiro tem o direito de partilhar diretamente dos lucros da exploração do seu petróleo, através de vários caminhos, dos quais dois podem ser prontamente lembrados aos congressistas: utilização de 6 bilhões de reais “esquecidos” em contas do FGTS, e que foraqm reunidos em um fundo “congelado” (a Petrobrás teria bilhões para investir e os rendimentos das ações da empresa, no caso, pertenceriam ao FGTS, isto é, a todos os trabalhadores que contribuem para o fundo). A outra alternativa, diferente de proposta já cogitada pelo governo, é a venda de ações “novas”, relativas a um aumento de capital da empresa, para milhões de brasileiros, com um sistema igual ao adotado por Margaret Thatcher na Inglaterra: vendas a prestação, e com garantia de recompra pelo governo.

A esperança, hoje, está no Congresso, pois os sindicatos, como o dos petroleiros, e entidades como a Aepet – Associação dos Engenheiros da Petrobrás –, que tradicionalmente tomavam posição diante dos desmandos do governo, estão estranhamente silenciosos. Muito, muito estranhamente. Mesmo.

AOS SENHORES DO CONGRESSO
O Tesouro federal gastou 127 bilhões de reais de juros em 1999, graças às altas taxas de juros combinadas por FHC/Fraga/Malan com o FMI e países ricos Não é verdade que não seja possível decretar a “moratória” e romper com o FMI, para adotar uma política de interesse nacional. A prova? No final de janeiro, a Rússia fechou acordo com um bloco de banqueiros (Clube de Londres), aos quais devia 32 bilhões de dólares. Vai passar seis anos sem pagar nem um tostão de prestação, e terá mais vinte anos, a partir do sétimo ano, para quitar a dívida. De 32 bilhões? Não. De 22 bilhões de dólares. Os banqueiros cancelaram um terço dos débitos, isto é, “perdoaram” mais de 10 bilhões de dólares. A Rússia decretou a moratória, há um ano e meio.

AOS COLEGUINHAS
Semanas de noticiário sobre o novo salário mínimo. Vergonhoso o comportamento da imprensa, mais uma vez. Desde o começo, o governo mentiu sobre o “rombo” que os 100 dólares provocariam na Previdência. Mentira tripla, e grosseira: antes de mais nada, o governo somente falou no aumento das “despesas” com o pagamento aos aposentados, e fingiu esquecer o aumento das “receitas” com a cobrança maior das contribuições. Depois, calculou o rombo para um ano inteiro, embora o novo nível somente deva ser pago durante seis meses, e não doze. Finalmente, deixou de lado o aumento da arrecadação de impostos em geral, resultante do aumento do consumo que sempre ocorre com a elevação do mínimo. Tudo somado e subtraído, o pretenso rombo seria insignificante. Os jornalistas “técnicos” não se lembraram de nenhum desses argumentos. Deram as versões do governo, deslavadamente, a ponto de um colunista da ex-grande imprensa abrir 120 linhas para as mentiras do economista Edward Amadeo, subministro de Malan… E partiram para o xingamento puro e simples, chamando de “demagogos” quem defende o aumento do mínimo. Houve até uma chefe de sucursal que atribuiu a “defesa dos pobres” à tal síndrome das “saudades da senzala”… Saudade a gente tem, mesmo, é do tempo em que jornalistas tinham dignidade, e não se escravizavam a certos interesses.

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