ENCALHE ( Descontinuado em 05.10.2013 )

julho 25, 2012

PSDB: O Estado-anunciante e a liberdade suja, Por Saul Leblon

A representação do PSDB ao Procurador Geral Eleitoral contra blogs que criticam suas lideranças e agenda partidária, é um pastel revelador. O recheio exala as prendas do quituteiro; a oleosidade da fritura qualifica o estado geral da cozinha. Na primeira mordida fica explícito que a referência de ‘bom’ jornalismo do PSDB é a revista VEJA, uma ferradura editorial adestrada para escoicear três dimensões da sociedade: agendas progressistas; lideranças que as representem; governos que lhes sejam receptivos.
Curto e grosso, o poder tucano pleiteia a asfixia publicitária – com supressão de publicidade estatal – de qualquer outra forma de imprensa que não se encaixe no tripé que o espelha. A singular concepção de pluralidade afronta boa parte dos sites e blogs alternativos que se reservam o direito de exercer a crítica política da sociedade e do desenvolvimento de uma perspectiva não conservadora. ‘São blogs sujos’, fuzila a representação tucana, cuja coerência não pode ser subestimada. Há esférica sintonia entre a forma como o PSDB se exprime e o higienismo de uma prática que São Paulo, a ‘cidade limpa’, tão bem conhece.
O tema da publicidade estatal mereceria um discernimento mais amplo do que o reducionismo estreito do interesse eleitoral tucano. O Estado deve se comunicar com a sociedade. A comunicação deve se pautar pelo interesse público. Campanhas educativas e institucionais não podem ser confundidas com propaganda partidária, nem servir aos seus interesses, sejam eles quais forem. Dito isso, resta o ponto sensível ao PSDB: quem merece veicular tais mensagens de pertinência pública reconhecida?
O tucanato e certos ‘especialistas em comunicação’ parecem convergir, ainda que por caminhos diversos, a um consenso: a mídia alternativa deve ser alijada dessa tarefa. O ‘Estado anunciante’, uma corruptela do cacoete neoliberal ‘Estado interventor’, teria atingido, asseguram, uma hipertrofia perigosa; deslizamos a centímetros do abismo anti-democrático. No país que tem um dispositivo com o poder intromissor da Rede Globo, insinua-se que a principal ameaça à democracia é o Estado impor seu ‘monólogo’ à sociedade. Afirma-se isso com ares de equidistância acadêmica e engajamento liberal,.
Passemos.
Evitar essa derrocada exigiria um veto cabal a toda e qualquer publicidade oriunda da esfera pública? Em termos. Na verdade, não seria exatamente essa essa a malha do coador tucano. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em artigo esclarecedor no ‘Estadão’, de 3 de junho último, foi ao ponto: “Será que é democrático”, disse ele, “deixar que os governos abusem nas verbas publicitárias ou que as empresas estatais, sub-repticiamente, façam coro à mesma publicidade sob pretexto de estarem concorrendo em mercados que, muitas vezes, são quase monopólicos? (…) O efeito deletério desse tipo de propaganda disfarçada não é tão sentido na grande mídia, pois nesta há sempre a concorrência de mercado que a leva a pesar o interesse e mesmo a voz do consumidor e do cidadão eleitor. Mas nas mídias locais e regionais o pensamento único impera sem contraponto.”
É isso. O grão tucano adiciona nuances na investida contra o Estado anunciante. Nas páginas de ‘Veja’, e sucedâneos, não haveria risco de influencia editorial. Ali a ‘voz do consumidor e a concorrência’ preservam a ‘isenção do jornalismo’. “Mas nas mídias locais e regionais…’ Quais? Sobretudo aquelas que incomodam ao engenho e à arte tucana de governar e fazer política.
‘Especialistas em comunicação’ com passagem pelo governo Lula – experiência descrita sempre como ‘traumática, mas de uso conveniente nos salões conservadores – reivindicam, é bem verdade, uma intolerância mais abrangente contra o ‘Estado-anunciante’. No limite, advertem, o uso da máquina publicitária instrumentalizaria um poder de coerção de tal forma desproporcional que ameaçaria a própria alternância no poder. A evocação colegial de um ambiente quase-nazista sob o terceiro Reich petista tem, como se sabe, audiência cativa em certos veículos e tertúlias filosóficas de endinheirados. Mas o libelo anti-totalitário tropeça nos seus próprios termos ao não adotar idêntica ênfase na denúncia de uma oligárquica estrutura de propriedade do sistema de comunicação que, esta sim, instituiu um verdadeiro diretório paralelo no país, arvorado em corregedor das urnas, da economia e da ética.
A hipocrisia que perpassa esse descuido pertence a mesma matriz ideológica que inspirou agora a representação tucana contra os ‘blogs sujos’. Contra ela Brecht resolveu cunhar um dia a metáfora de hígida atualidade: ‘O que é assaltar um banco, em comparação com fundar um banco?’ Leia neste endereço, a íntegra da sugestiva representação do PSDB que pede, especificamente, a investigação dos blogs de Luis Nassif e Paulo Henrique Amorim.

Saul Leblon é jornalista e escreve para a Agência Carta Maior.

( CORREIO DO BRASIL )

novembro 17, 2010

Derrotado na eleição, Itagiba insulta jornalistas que denunciaram seus dossiês e sua ligação com Serra ( Hora do Povo )

O deputado federal Marcelo Itagiba (PSDB/RJ) usou a tribuna da Câmara, na quarta-feira (10), para atacar jornalistas que fizeram reportagens revelando suas atividades na elaboração de dossiês contra adversários de José Serra, derrotado na eleição presidencial de outubro passado, quando o tucano era ministro da Saúde do governo FHC e montou um serviço de espionagem na Anvisa (Agencia Nacional de Vigilância Sanitária). Itagiba foi derrotado na eleição de Outubro, candidato à reeleição.
Itagiba desferiu impropérios contra os jornalistas Bob Fernandes, do Terra Magazine, Leandro Fortes, da CartaCapital, entre outros, que, segundo disse, seriam “profissionais da calúnia, da injúria e da difamação”, por reportagens que ligariam o seu nome ao Caso Lunus, em 2001, que sepultou a candidatura de Roseana Sarney (ela tinha ultrapassado Serra nas pesquisas) à presidência da República no ano seguinte. Na época ela estava no PFL, atual Dem.
O episódio, quando a Polícia Federal apreendeu R$ 1,3 milhão na sede da construtora Lunus, de propriedade da governadora e então pré-candidata à presidência e do marido dela, Jorge Murad, foi engendrado pela equipe de espionagem montada na Anvisa. O ex-presidente José Sarney denunciou o esquema em discurso na tribuna do Senado e, posteriormente, a Justiça inocentou Roseana das acusações.
Em setembro, quando o candidato José Serra, apoiado em uma forte campanha de mídia, tentava atribuir à campanha de Dilma Rousseff a quebra de sigilo de dirigentes do PSDB, Leandro Fortes revelou que uma extinta empresa de Verônica Serra expôs os dados bancários de 60 milhões de brasileiros no ano de 2001. A empresa, de nome Decidir.com, era resultado de uma sociedade entre a filha de Serra com a irmã de Daniel Dantas, Verônica Dantas.
Itagiba referiu-se a Fortes e Fernandes como “mentecaptos”, “famigerados” e “mitômanos” no decorrer do pronunciamento. O deputado, ex-delegado da Polícia Federal, criticou ainda o jornalista Palmério Dória, que também o vinculou ao Caso Lunus, a quem chamou de “proxeneta da informação, que tem por hábito prostituir as palavras para que elas façam o que ele quer”.
O deputado também chamou “contumazes propagadores de mentiras” os jornalistas Paulo Henrique Amorim e Luiz Carlos Azenha, da Record; Luis Nassif, autor do blog brasilianas.org; e Marcelo Auler, da Agência Estado. Mino Carta, editor de CartaCapital, foi chamado de “velhaco” e Amaury Ribeiro Jr. de “covarde”. No livro “Os Porões da Privataria”, o último descreve as relações de Serra e sua filha com Ricardo Sérgio e Daniel Dantas.
Na edição de CartaCapital que chegou às bancas na última sexta-feira (12), Mino Carta rebate os insultos no editorial “A despedida de um jagunço”. “No seu discurso federal, o porta-voz do ódio levanta casos de muitos anos atrás, todos a convergir em uma única direção. Basta segui-la para entender em nome de quem ele age”, diz o jornalista.
Em sua passagem pela Câmara dos Deputados, Marcelo Itagiba foi presidente da CPI dos Grampos, em 2008, que se notabilizou pela perseguição ao delegado da Polícia Federal, Protógenes Queiroz, e o diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Paulo Lacerda, que atuaram na Operação Satiagraha, que investigou Daniel Dantas.
( HORA DO POVO, 17.11.2010 )

julho 28, 2010

Atenção Interpol: o Diogo Mainardi trama sua fuga do Brasil para escapar das condenações na Justiça!

O Mainardi vai embora sem pagar o que deve
Amigo navegante me telefona para dizer que o Diogo Mainardi escreveu na Veja, a última flor do Fascio, que vai embora.
( O meu simpático zelador tem instruções para não entregar o exemplar da Veja em casa. Ele corresponde a uma assinatura que não é paga desde tempos imemoriais, diria o Mino Carta. Não quero que o Daniel Dantas me processe por furto … )
Isso é um perigo.
O Mainardi me deve dinheiro.
Ele perdeu no Supremo Tribunal Federal, por decisão do Ministro Toffoli, recurso em uma causa que movo contra ele.
Contra ele e o patrão, o Robert(o) Civita.
Ele disse na revista do patrão que eu recebia dinheiro de quem eu não recebia.
Como aquele advogado de Dantas que, por isso mesmo, também me deve um dinheiro.
Clique aqui para ler na aba “Não me calarão” que Machado de Campos – que também me defendeu contra Mainardi – me levou a derrotar Nélio Machado.
Interessante que o próprio Mainardi foi quem disse que só escrevia por dinheiro.
Amanhã, vou perguntar ao José Rubens Machado de Campos como faço o Mainardi me pagar.
Preciso do dinheiro para enfrentar as 962 causas que o Daniel Dantas move contra mim.
Numa, já ganhei por 3 a 0.
Interessante: uma idéia me passou pela cabeça: será que existe algum nexo entre Mainardi e Daniel Dantas ?
Será que a fuga de um não prenuncia a do outro ?
Paulo Henrique Amorim

MAIS OPINIÕES SOBRE A VERGONHOSA FUGA DE DIOGO MAINARDI, O PARAJORNALISTA E COLUNISTA DA VEJA, A REVISTA EM LIQUIDAÇÃO:

O fim de uma era de infâmia
Luiz Nassif, 25/07/2010
Diogo Mainardi está saindo do país. Na sua crônica, brinca com o medo de ser preso. É medo real. Condenado a três meses de prisão pelas calúnias contra Paulo Henrique Amorim, perdeu a condição de réu primário. Há uma lista de ações contra ele. As cíveis, a Abril paga – como parte do trato. As criminais são intransferíveis. E há muitas pelo caminho.
Há meses e meses meus advogados tentam citá-lo, em vão. Foge para todo lado. A intimação foi entregue na portaria do seu prédio, mas os advogados da Abril querem impugnar, alegando que não foi entregue em mãos. Tudo isso na era da Internet, quando todo mundo sabe que ele está sendo procurado para ser intimado.
A outra ação, contra Reinaldo Azevedo, esbarra em manobras protelatórias dos advogados da Abril. A ação prosperou porque colocada no Fórum da Freguesia do Ó – região da sede da Abril. Os advogados da Abril insistem em transferi-la para a Vara de Pinheiros.
Minha ação de Direito de Resposta contra a Veja vaga há quase dois anos, devido à ação da juíza de Pinheiros. Primeiro, considerou a inicial inepta. Atrasou por mais de ano a ação. Em Segunda Instância, por unanimidade o Tribunal considerou a ação válida e devolveu para a juíza julgar. Ela se recusou, alegando que a revogação da Lei de Imprensa a impedia – o direito de resposta está inscrito na Constituição Federal.
No caso da ação Mainardi-Paulo Henrique Amorim, ela absolveu Mainardi, alegando que as ofensas não passavam de mero estilo de linguagem que não deveriam ser levadas a sério. O disparate da sentença foi revelado pelo próprio TJ-SP ao considerar que o autor merecia uma condenação de três meses de prisão.
O problema não é Mainardi. É apenas uma figura menor que, em uma ação orquestrada, ganhou visibilidade nacional para poder efetuar os ataques encomendados por Roberto Civita e José Serra.
Quando passar o fragor da batalha, ainda será contado o que foram esses anos de infâmia no jornalismo brasileiro.

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