ENCALHE ( Descontinuado em 05.10.2013 )

junho 5, 2013

Tumba coletiva revela massacre de palestinos por Israel

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Ramallah, (Prensa Latina) O achado de restos de dúzias de pessoas em uma tumba coletiva na cidade israelense de Tel Aviv poderia testemunhar hoje, 65 anos depois, massacres das milícias israelenses.

Grupos armados formados por entidades sionistas tais como Irgun, Stern e Haganah foram responsáveis por matanças coletivas para obrigar a centenas de milhares de palestinos a abandonar seus lares e zonas de residências durante e após a guerra de 1948, desatada pela proclamação do Estado de Israel.

Os restos foram encontrados em seis câmaras durante trabalhos de reparo na quinta-feira passada mas só ontem se determinou que se trata de civis palestinos, mortos em circunstâncias misteriosas e sepultados a toda pressa no que hoje é o distrito de Jaffa.

Em Gaza, um pescador de 80 anos, afirmou que na sua juventude foi obrigado pelas milícias sionistas a levar ao lugar cadáveres de homens e mulheres e colocá-los em tumbas coletivas.

Lembro ter levado (…) não menos de 60 cadáveres em um espaço de três ou quatro meses (…) depois as tumbas eram cobertas de terra sem ritos nem preces, disse à imprensa Maan Atar Zeinab, um pescador residente na zona.

Durante os dias posteriores à proclamação de Israel em maio de 1948 as milícias sionistas, apoiadas por militares britânicos e especialistas castrenses de vários países, aniquilaram ou obrigaram a populações inteiras a deslocar de seus lugares de residência.

O mais notório dos casos dessa limpeza étnica foi o da aldeia de Deir Yessin, cujos habitantes, incluídos mulheres, meninos e idosos não beligerantes, foram metralhados em abundância e as construções demolidas.

PATRIA LATINA

março 6, 2013

UNICEF: Crianças palestinianas sob custódia israelita maltratadas de forma “generalizada e sistemática”

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O “mau tratamento” das crianças palestinianas em sistema de detenção militar israelita é “generalizada, sistemática e institucionalizada”, informou um relatório divulgado, hoje, pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

“Nenhuma criança de qualquer outro país é rotineiramente julgada por tribunais militares para os menores que, por definição, não oferecem as garantias necessárias para o respeito dos seus direitos”, lê-se o relatório.

A UNICEF estima que em cada ano sejam “cerca de 700 o número de crianças palestinianas com idades entre 12 e 17, principalmente meninos, presas, interrogadas e detidas pelo exército, polícia e autoridades de segurança” de Israel.

“Estes abusos incluem a detenção de crianças em suas casas, entre meia-noite e as 5:00, por soldados fortemente armados, crianças de olhos vendados e as suas mãos amarradas com plásticos”, de acordo com o relatório, que cita “confissões forçadas, sem direito a um advogado ou à presença de membros da família durante o interrogatório”.

As crianças palestinianas de 13 anos ou menos incorrem em sanções que podem ir até seis meses de prisão, mas com mais de 14 anos podem ser condenadas até 10 anos de prisão por arremesso de pedras – crime pelo qual geralmente são processadas – ou até mesmo 20 anos, se o alvo for um veículo em movimento, explica a UNICEF.

Como resultado, a UNICEF recomenda uma série de medidas para cumprir as normas internacionais, garantindo que “a implementação destas recomendações é possível” salientando o fato de as autoridades israelitas anunciaram algumas mudanças positivas nos últimos dois anos. ( DN )

fevereiro 27, 2013

As circunstâncias políticas da morte de Yasser Arafat, Por Thierry Meyssan

Há 6 anos, o envenenamento do presidente palestiniano
A 11 novembro de 2004, o presidente Yasser Arafat falecia num hospital militar francês. Desencadeou-se então uma polémica sobre a origem do seu envenenamento. Só muito mais tarde, quando da captura pelo Hamas de documentos nos arquivos pessoais do ministro Mohamed Dahlan, foi que as provas do complô foram reunidas. O assassinato foi orquestrado por Israel e pelos Estados Unidos, mas realizado por palestinianos. Thierry Meyssan reexamina as circunstâncias políticas que conduziram à planificação desta eliminação.
VOLTAIRENET
A chegada ao poder de George W. Bush, em janeiro de 2001, e a do general Ariel Sharon, em março de 2001, em plena Intifada, marcam uma mudança radical de política em relação aos Palestinianos. O período coincide com a entrega do relatório do senador George Mitchell sobre as responsabilidades partilhadas na continuação do conflito. O presidente Bush designa um diplomata experimentado, William Burns, para o representar no Próximo-Oriente. Com director da CIA, George Tenet, eles elaboram um protocolo em seis pontos para um cessar-fogo. Sharon e Bush examinam este plano, a 26 de junho de 2001 na Casa-Branca.
Tudo não passa de uma simples encenação. A reabertura das vias de circulação nos Territórios ocupados está subordinada à paragem imediata e completa das hostilidades. Por outras palavras, as medidas de repressão nos Territórios ocupados não serão levantadas sem que os Palestinianos renunciem, sem contrapartida, à resistência armada. Os Srs. Sharon e Bush acordam num discurso que estigmatiza o presidente Yasser Arafat, e o torna responsável do prosseguimento das hostilidades: ele é «o terrorista» por excelência e os dois países devem unir-se para fazer falhar o «terrorismo». Por conseguinte, o general Sharon decide aplicar agora a estratégia dos «assassinatos dirigidos» contra os dirigentes políticos palestinianos. O primeiro eliminado será Abou Ali Moustapha, um dos chefes da OLP.
Também logo que sobrevêm os atentados do 11de setembro de 2001, esta retórica funde-se sem problemas na da «guerra ao terrorismo». Nessa manhã aliás, os medias difundem uma reivindicação por um grupo palestiniano e Israel fecha todas as suas representações diplomáticas no mundo. Imagens de uma quinzena de Palestinianos gritando a sua alegria diante dos danos infligidos aos Estados-Unidos dão a volta ao mundo. Seja como for, a responsabilidade palestiniana será descartada no decurso do dia e os atentados serão atribuídos a um grupúsculo instalado no Afeganistão. Para fechar este capítulo, Yasser Arafat dirigir-se-á a um hospital para dar o seu sangue para as vítimas americanas. Mas a ocasião é esplêndida: os dirigentes israelitas multiplicam as declarações de compaixão com as vítimas estabelecendo nisto um paralelo entre o que sofrem os Americanos e os Israelitas. Ariel Sharon qualifica a Autoridade palestiniana de«organização apoiante do terrorismo», enquanto o porta- voz da Casa-Branca sublinha que Israel tem o direito de se defender. A amálgama é completa entre Resistência e terrorismo.
Telavive multiplica as iniciativas para isolar «o terrorista» Yasser Arafat. Entretanto, os ministros dos Negócios estrangeiros da União Europeia reafirmam que o presidente da Autoridade palestiniana é um parceiro para a paz, enquanto Washington mantêm os seus contactos com o velho líder.
Constatando a impossibilidade de uma solução militar, o general Sharon imagina um plano de recorte da Palestina que assegure a continuidade territorial de Israel e das suas colónias e que, pelo contrário, divida os Territórios palestinianos em duas zonas descontinuas. Discretamente, ele inicia grandes obras de construção, nomeadamente a construção de um muro que marcará a nova fronteira. O plano do conjunto não será revelado senão posteriormente. O general Sharon contenta-se numa primeira fase em anunciar a criação de «zonas tampões», talhadas nos Territórios ocupados.
Simultaneamente, uma associação de antigos oficiais realiza uma campanha de propaganda para uma separação unilateral entre os judeus e os árabes. Caminha-se para uma forma de apartheid onde Gaza e a Cisjordânia desempenharão o papel de Bantustões.
Para deslocar as linhas no terreno, o governo israelita lança a operação «Muro de protecção» (por vezes traduzida por operação «Muralha») cujo significado só será compreendido posteriormente. O Tsaal arrasa uma parte de Jenine e sitia a Basílica da Natividade em Belém onde a Igreja Católica concedeu asilo a resistentes palestinianos. O general Sharon designa Yasser Arafat como o «inimigo de Israel», o que muitos interpretam como o sinal da sua eliminação iminente. Numa alocução televisiva solene, o Primeiro-ministro israelita declara: «O Estado de Israel está em guerra (…) Uma guerra sem tréguas contra o terrorismo (…) actividade coordenada e dirigida por Yasser Arafat». Durante cinco meses, as Forças israelitas sitiam o palácio presidencial em Ramalla e declaram a cidade «zona militar interdita». O velho líder é encurralado para umas poucas divisões, enquanto lhe são cortadas a água e a electricidade. Sharon dá-lhe a possibilidade de partir, «com um bilhete sem retorno». No seguimento do cerco, levantado sob a pressão internacional, Arafat permanecerá em prisão domiciliária nas ruínas do palácio presidencial.
O príncipe Abdullah da Arábia Saudita propõe um plano de paz razoável, levando em conta os interesses dos diferentes protagonistas. Ele apresenta-o na cimeira da Liga Árabe em Beirute, na ausência de Yasser Arafat prisioneiro em Ramalla, e obtêm o apoio dos Estados árabes. George Bush, — que jogava com um pau de dois bicos, à guerra com William Burns e Donald Rumsfeld, e à paz com Anthony Zini e Colin Powell — sabota o plano de paz Árabe. A 24 de Junho de 2002, ele pronuncia-se pela criação de um Estado palestiniano, mas põe como condição prévia a partida voluntária do presidente Arafat e a tomada de posse de uma nova direcção palestiniana que não esteja «comprometida com o terrorismo».
A lógica que vai conduzir ao assassinato do velho líder está já em marcha. Nada a poderá deter.
Washington solicita em vão aos seus parceiros do Quarteto (ONU, União Europeia, Rússia) que apoiem a partida de Arafat. No seguimento de um atentado que faz 7 mortos em Telavive, o general Sharon ordena a retoma do cerco ao palácio presidencial. O Tsaal destrói quase todo o complexo governamental e os dirigentes israelitas não escondem o objectivo de querer acabar com o seu «inimigo» Arafat. Toda a população Palestiniana se manifesta em apoio ao velho líder, enquanto o Conselho de Segurança da ONU vota a resolução 1435 intimando Israel a cessar imediatamente esta operação. O Tsaal levanta o cerco.
São convocadas eleições antecipadas em Israel. O seu resultado reforça o poder de Ariel Sharon. Ao formar o novo Gabinete, ele declara sem rodeios que vai «acabar a guerra contra o terrorismo, afastar a direcção terrorista e criar as condições para a a ascenção de uma nova direcção com a qual será possível chegar a uma paz verdadeira».
A Rússia e a França pressionam Arafat a “largar a barra” para evitar ao pior. O velho líder consente na criação de um posto de Primeiro-ministro, a confiá-lo uma personalidade que seja aceite por Telavive e Washington, e que possa negociar com eles para conseguir romper o isolamento. Ele nomeia Mahmoud Abbas. Os dois homens dificilmente se põem de acordo quanto à composição do governo. Abbas deseja confiar as relações com as organizações da Resistência militar ao general Mohammed Dahlan, o que Arafat recusa. No fim, eles acordam em nomear Dahlan para a chefia da policia.
Seja como for, a formação deste governo não muda nada. A decisão de matar Arafat está tomada. É mesmo o ponto fulcral do programa do novo gabinete de Sharon. O embaixador William Burns e o Primeiro-ministro Ariel Sharon organizam um encontro secreto com o Primeiro-ministro palestino Mahmoud Abbas e o futuro ministro do Interior Mohammed Dahlan. Os conspiradores ultimam os detalhes do crime. Eles acordam em assassinar, à vez ,o velho líder e os chefes do Hamas, para que estes não possam retomar o estandarte.
O Quarteto acolhe a nomeação do novo governo palestino emitindo a propósito um «roteiro». O gabinete de Sharon aprova publicamente esta iniciativa, mas transmite em segredo Casa-Branca uma nota explicitando 14 reservas que esvaziam «o roteiro» do seu significado.
Durante seis meses, Mahmoud Abbas participa em numerosos encontros internacionais para colocar em marcha as recomendações do Quarteto e é recebido com toda a pompa na Casa-Branca. Entretanto, depressa fica claro que ele assume compromissos fora das suas competências. Teria, assim, prometido na cimeira de Akaba o fim da Resistência armada sem contrapartida.
Em todo o caso, Jacques Chirac é informado do complô. Ele alerta o seu homólogo russo, Vladimir Putin. A França e a Rússia propõem ao presidente Arafat a sua imediata evacuação de Ramalla e a concessão de asilo político num país à sua escolha. O velho guerreiro declina a oferta. Ele sabe que se deixar a Palestina, nunca mais voltará.
Para garantir a sua segurança, Arafat cria um posto de Conselheiro nacional de segurança que emperre as prerrogativas de Abbas e de Dahlan. Confia-o a Jibril Rajoub. A tensão atinge o paroxismo. Abbas demite-se, levando Dahlan com ele.
É nesta altura que Mohammed Dahlan dirige uma carta ao ministro israelita da Defesa Shaul Mofaz; um documento cujo duplicado foi encontrado nos arquivos privados de Dahlan após a sua fuga,(na
Ele escreveu: «Esteja seguro que os dias de Yasser Arafat estão contados. Mas deixe-nos fazê-lo à nossa maneira, e não à vossa (…) eu «cumprirei as promessas que fiz diante do presidente Bush».
Yasser Arafat nomeia Ahmed Qorei como Primeiro-ministro. O gabinete Sharon replica adoptando o princípio da expulsão do presidente da Autoridade palestiniana para fora da Palestina. Os Palestinianos manifestam-se de novo pelo seu líder. A Síria pede ao Conselho de Segurança da ONU a interdição da expulsão do presidente Arafat, mas os Estados-Unidos opõem o seu veto a este projeto de resolução. Como retaliação, aviões israelitas sobrevoam o palácio presidencial sírio e bombardeiam um antigo campo palestiniano perto de Damasco.
Em Março de 2004, o Tsaal assassina o xeque Ahmad Yassine, chefe espiritual do Hamas. Esta morte só se pode entender no contexto da intenção de decapitar o braço muçulmano da Resistência de modo a que ela não possa tomar o lugar assim que o braço laico seja, também ele, decapitado. Na ONU, Washington opõe o seu veto a uma resolução condenando este crime. Continuando nesta senda, o Tsaal assassina, no mês seguinte Abdel Aziz al-Rantissi, o chefe civil do Hamas.
Ariel Sharon vai a Washington e revela o novo plano de partilha da Palestina que ele orquestra desde há três anos. Ele insiste no facto que a continuidade do território de Israel exige o desmantelamento dos colonatos muito avançados e indefensáveis; e que as tropas israelitas se retirarão dos territórios destinados aos Palestinos. Ele admite o projeto de separação das populações em entidades etnicamente homogéneas e o traçado completo do muro de separação. O presidente Bush dá-lhe luz verde, por escrito, de Washington e acrescenta que, tendo em vista «a nova realidade no terreno», o princípio de retorno às fronteiras estabelecidas pela comunidade internacional-(fronteiras
é agora «irrealista». O facto consumado passa por cima do direito.
Como o Conselho de Segurança recusa condenar as anexações de territórios situados dentro do muro de separação, a Assembleia Geral vira-se para o Tribunal Internacional de Justiça de Haia para que ele se pronuncie quanto à matéria do Direito.
Em Ramalla, Yasser Arafat teme que o ministro do Interior do governo Qorei se tenha juntado ao complô. Decide-se a demiti-lo. Ahmed Qorei, sentindo-se desautorizado, apresenta a sua demissão. Por fim Arafat cede e renuncia. Qorei e a sua equipa permanecem, nela incluídos os traidores.
Erro fatal.
A 21 de Outubro de 2004, Yasser Arafat é acometido de vómitos. Os médicos creem primeiro numa simples gripe. O seu estado piora rapidamente e o seu sistema imunitário está gravemente enfraquecido. Sob proposta do seu homólogo francês, Jacques Chirac, ele aceita deixar a Palestina para se tratar. Ele sabe que a sua vida está em perigo e que mesmo se escapar desta,ele não voltará mais à sua terra. Ele é internado num hospital militar especializado. Os médicos não conseguem descobrir o veneno, além de que os seus assassinos lhe inocularam igualmente o retrovírus da sida tornando indecifráveis todos os exames. Ele entra em coma. A sua morte é anunciada a 11 de novembro de 2004 às 3h30 hora de Paris. O Eliseu vela para que a certidão de óbito mencione que o presidente da Autoridade palestiniana nasceu em Jerusalém.
O gabinete Sharon opõe-se à inumação em Jerusalém, as exéquias internacionais têm lugar no Cairo e a inumação em Ramalla. Os Colaboradores que conspiraram com o Ocupante para o matar vão apoderar-se do poder sem demora.
Thierry Meyssan

Tradução
Alva

fevereiro 22, 2013

Israel autorizou exploração de petróleo nos Monte Golã. Participação especial: Dick Cheney e Rupert Murdoch

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Israel autorizou uma exploração petrolífera nos montes Golã arriscando-se a condenações internacionais, noticia esta quinta-feira o jornal israelita “Yediot Aharonot”.
Segundo o jornal, a licença de exploração foi atribuída à empresa israelo-americana Genie, presidida por um antigo ministro de extrema-direita, Effi Eitam, instalada nos Golã.
O jornal “Globes”, publicação de noticiário económico israelita, indica também que o magnata da comunicação social Rupert Murdoch é acionista da petrolífera e Dick Cheney, antigo vice-presidente dos Estados Unidos é conselheiro do projeto de exploração.
“Atribuir uma licença para exploração e perfuração de petróleo nos Golã pode provocar contestação internacional porque toda a área em questão é considerada território sírio ocupado”, escreve ainda o “Globes”.
De acordo com o “Yediot”, Israel interrompeu nos anos 1980 as explorações petrolíferas na zona ocupada.
O porta-voz do ministro da Energia do governo de Israel, contactado pela agência France Presse mostrou-se indisponível para “comentar” as informações publicadas hoje.
Israel ocupou 1200 quilómetros quadrados os Montes Golã em 1967 mas a anexação nunca foi reconhecida pela comunidade internacional.
Recentemente foi construída por Israel uma nova barreira ao longo da linha de cessar-fogo. ( JN )

janeiro 10, 2013

Bispos católicos protestam contra muros israelenses na Cisjordânia

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Uma delegação de bispos católicos romanos, representando assembléias da América do Norte e da Europa, denunciaram, nesta quinta, em Jerusalém, a “injustiça” das barreiras de separação de Israel na Cisjordânia.
Os religiosos participam de uma reunião anual, a Coordenação dos Bispos para a Terra, que foi encerrada nesta quinta-feira. Os bispos encontraram os cristãos residentes em Gaza, Belém, na Jordânia e na cidade de Beit Jala (Cisjordânia). “Nós ouvimos falar de batalhas jurídicas por parte dos moradores da região de Belém, para proteger suas terras e as instituições religiosas locais. Além disso, ouvimos falar da injusta construção de barreiras de segurança por parte de Israel”, protestou o grupo de religiosos.
“Nós nos compremetemos a lutar para que os governos locais impeçam uma tal injustiça”, concluiu o texto publicado pelos bispos. A comissão foi enviada pelo Vaticano para elaborar um relatório sobre os problemas vividos pela Igreja Católica nesta região marcada por tensões religiosas e políticas.
Há mais de um século, a comunidade cristã na região de Belém cultiva vinhedos, que produzem vinhos utilizados nas missas celebradas na Terra Santa. Mas a construção do muro israelense, batizado pelos palestinos como “Muro do Apartheid”, prevê a separação dos famosos vinhedos, que se situariam do lado israelense após o final da construção. Os palestinos também argumentam que o traçado do muro tem o objetivo de tomar as suas terras. Eles acusam Israel de programar a anexação de zonas limítrofes de Belém, com o intuito de separar a cidade da vizinha Jerusalém, distante somente cinco quilômetros.
Os dirigentes israelenses defendem a construção, iniciada em 2002. Segundo eles, o muro tem o objetivo de impedir a entrada de grupos armados palestinos no território do Estado Hebreu. Em 2004, a Corte Internacional de Justiça julgou ilegal a construção do muro e exigiu a sua destruição.
RFI

dezembro 14, 2012

Israel não é mais que um tigre de papel, Por Thierry Meyssan

A celebração do 25º aniversário do Hamas correspondia à celebração da vitória após o recente ataque israelita. Ora, esta breve guerra modificou profundamente a situação estratégica do Estado hebreu e reaproximou uma parte dos combatentes palestinianos.
Assim, o Hamas autorizou os partidários da Fatah a manifestarem-se em Gaza aquando do reconhecimento da Palestina como Estado observador na ONU, e vice-versa : a Fatah autorizou os militantes do Hamas a manifestarem-se na Cisjordânia. Mais ainda, as quatro correntes internas do Hamas parecem ter-se reconciliado à volta de Khaled Mechaal. Esta súbita evolução traduz uma tomada de consciência. Os Palestinianos perderam o medo a Israel e se reveêm-se a acreditar no futuro.
Como sinal desta confiança reencontrada, reuniram-se às centenas de milhares para escutar os discursos dos seus líderes, sem temer os bombardeamentos israelitas.
Durante esta guerra, a Resistência palestiniana testou novos misseis de um alcance de 120 km (em lugar dos 8 km dos seus habituais projeteis artesanais). Estes passaram sem dificuldade a barreira da Cúpula de Aço, que apenas consegue interceptar os foguetes primitivos. Se juntarmos a perspetiva desta capacidade com a do Hezbollah a partir do Líbano, é a totalidade do território israelita que agora está ao alcance de fogo. Por consequência, a defesa israelita baseada no conceito de « profundidade estratégica » está ultrapassada. Israel torna-se indefensável.
Em Telavive, os serviços de inteligência asseguram que a capacidade de bombardeio do Hezbollah foi multiplicada por 400 após a guerra de 2006 (sim, não é um erro de cálculo, leram bem « multiplicada por quatro centos »). Em caso de guerra regional, o território israelita seria pois devastado em alguns meses.
Esta nova relação de forças nota-se logo que se compara os ataques israelitas. O ataque ao Líbano em 2006 durou 33 dias, o de Gaza em 2009 durou 22 dias, a recente ofensiva não mais que 8. Aquando da guerra de 2006, 200 000 Israelitas foram obrigados a refugiar-se nos abrigos para escapar à resposta do Hezbollah. Desta vez, foram 2 000000 a ter de se proteger dos misseis dos Palestinianos.
Pela primeira vez, os Palestinianos, o Hezbollah e Teerão reivindicaram que estes novos misseis são de tecnologia iraniana. Ora, ao mesmo tempo, o Irão deu uma demonstração da sua superioridade técnica no domínio, por certo limitado, mas nem por isso menos crucial, dos drônes. Um grande avião sem piloto, telecomandado pelo Hezbollah, foi capaz de atravessar todo o Israel, a partir do Líbano até Dimona (no sul de Israel- N d T), sem ser detectado. Só foi visto e destruído quando sobrevoava a central atómica. Entretanto, quando um drône dos E.U. foi visto por cima do Irão, os Guardas da Revolução foram capazes de o controlar e de o fazer aterrar, em vez de o destruir.
As perspetivas de Telavive mudaram completamente. Durante 64 anos, Israel teve interesse na guerra e esperava em cada ocasião bicar um pouco de território. Agora, Telavive deve evitar, a todo o preço, entrar em conflito, porque não sobreviverá.
Daí, compreender-se porquê mudou a retórica do Hamas. Durante o seu discurso, pela primeira vez, Khaled Mechaal declarou : « A Palestina é nossa, desde o rio (Jordão) até ao mar (Mediterrâneo) e do sul até ao norte. Nós não faremos nenhuma concessão, nós não abandonaremos um único centímetro da nossa terra ». Por outras palavras, ele reivindica não somente Gaza e a Cisjordânia, mas toda a Palestina do mandato (do mandato Britânico, antes da partilha da ONU de 48- N d T), e inclusive a actual Jordânia. Tomando à letra o reconhecimento da Palestina pela ONU e o abandono por Mahmoud Abbas do « direito de retorno », o Hamas recusa a solução de dois Estados e reivindica um Estado único lá onde há nesta altura três; uma posição que corresponde precisamente à do Irão desde a Revolução de 1979.
« Nós não reconheceremos nunca a legitimidade da ocupação israelita (…) Israel não tem nenhuma legitimidade e nunca a terá», concluiu Khaled Mechaal.
A contrario, esta nova situação empurra Telavive para um apoio sem reservas ao projeto de Paris, Londres e Doha de sabotagem, antes de fevereiro, do acordo de paz EUA-Rússia e de atacar a Síria. Esta é com efeito a última vez que Israel poderá lançar-se numa aventura militar.

Thierry Meyssan

Tradução Alva

dezembro 6, 2012

Estratégia arriscada para a Palestina, por Thierry Meyssan

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Assembleia geral das Nações Unidas concedeu à Palestina « o estatuto de Estado observador não membro » tendo em vista contribuir « para a solução prevendo dois Estados, com um estado palestiniano independente, soberano, democrático, num território próprio e viável vivendo em paz e segurança lado a lado com Israel, na base das fronteiras anteriores a 1967 ».
A resolução foi adoptada por 138 votos a favor, 41 abstenções e 6 votos contra, entre os quais os dos Estados-Unidos e Israel.
Esta votação, seguida de longos aplausos na sala, foi celebrada com total euforia nos Territórios ocupados, tanto na Cisjordânia como na faixa de Gaza. Enquanto o Primeiro-ministro israelita e a secretária de Estado dos EU deploravam esta decisão. Tudo parece pois claro e as agências de imprensa podem evocar uma «formidável vitória diplomática dos Palestinianos ».
No entanto, olhando mais de perto, nada é o que parece. O resultado da votação mostra que os Estados-Unidos e Israel fizeram os mínimos. Eles não mobilizaram os seus aliados para fazer bloqueio, muito pelo contrário, eles empenharam-nos a deixar passar a resolução. A administração Obama deixou o Congresso ameaçar cortar as subvenções à Autoridade palestiniana, mas isto não era mais do que um jogada de fachada necessária para obter a adesão da rua palestiniana.
Na prática, o assento de observador até agora fechado à OLP será sempre ocupado por ela, mas com o título de Estado não-membro. E então? Que avanço concreto no terreno permite esta evolução semântica ? Nenhum!
Os editorialistas explicam-nos doutamente que a Palestina vai poder apresentar queixa diante do Tribunal Penal Internacional (TPI) contra a ocupação israelita dos seus Territórios o que constitui um crime de guerra no espírito da IVa Convenção de Genebra. Mas a Palestina já se constituiu (como queixosa – N d T) diante do Tribunal e depôs queixas em 2009, após a operação « Chumbo endurecido »; queixas que dormem desde então sobre a escrivaninha do procurador. Para não haver dúvidas, o novo estatuto da Palestina vai desbloquear a situação que acabará um pouco mais tarde num novo obstáculo dilatório processual. Todos os julgamentos do TPI mostram que ele é em si mesmo uma instância colonial e muito naïf é tomá-lo por qualquer outra coisa de diferente.
Outros editorialistas explicam-nos que o novo estatuto abre a via à adesão da Palestina às agências da ONU. Mas ela já é membro da Unesco, da Comissão económica e social para a Ásia ocidental, e do Grupo dos Estados da Ásia-Pacifico.
Então porquê esta resolução? Simplesmente, como indicado com todas as letras no texto, para facilitar a « solução dos dois Estados ». A Assembleia geral acaba de enterrar o plano de partilha da Palestina adotado, dia a dia, 65 anos antes. Já não se trata de criar um Estado binacional, e ainda menos um Estado uninacional, mas sim dois Estados distintos. A verdadeira consequência prática da resolução é que, a partir de agora, os Palestinianos se impedem de reclamar a aplicação do seu direito inalienável de retorno às terras que lhe foram roubadas.
Esta viragem tinha sido anunciada por Mahmoud Abbas, aquando de uma entrevista a 2 de novembro à televisão israelita. Ele tinha declarado querer rever a sua cidade natal, Safed na Galileia, porque era o seu direito, « mas não para aí viver ».
Uma vez pronunciadas as suas vitupérios de circunstância, Benjamin Netanyahu e Hillary Clinton puderam, a sós, beber o champanhe : a OLP e o Hamas, que reagira com violência há três semanas atrás às declarações de Abbas, acabam de renunciar sem nenhuma contrapartida ao direito pelo qual três gerações de Palestinianos amargaram tantas privações e sacrifícios.
No dia seguinte a esta « votação histórica », tendo partido a coorte da imprensa, a Assembleia geral adoptou seis outras resoluções sobre a questão palestiniana. Da sua leitura, podemos concluir que tudo isso mascara um acordo entre as grandes potências e a classe dirigente palestiniana; um acordo que, esperemos, esteja garantido por compromissos sólidos, à falta dos quais tudo isso não seria senão um jogo de enganos.
Vai-se na direção da continuação da Conferência de Madrid (1991). Por um lado admite-se que o problema não é israelo-palestiniano, mas israelo- árabe. Por outro, os Estados-Unidos não podem ser os únicos padrinhos da negociação que deve necessariamente incluir a Rússia, assim como outros membros permanentes do Conselho de segurança e a Liga árabe. Foi nesta perspectiva que a Assembleia geral apelou à realização, em Moscovo, de uma conferência global para a paz no Próximo-Oriente, tal como havia sido previsto há quatro anos atrás (resolução 1850) e sempre adiado.
Os elementos de consenso incluem a restituição do planalto do Golan à Síria (Israel conservaria no entanto as águas do lago Tiberíades) e a possível criação de uma federação jordano-palestiniana (com ou sem a monarquia hachemita). Ora, uma paz global só pode ser considerada se a própria Síria estiver em paz e capaz de estabilizar os muitos e numerosos grupos étnicos da região (o que implica a manutenção no poder de Bachar el-Assad no período de transição).
Tudo isto se parece ao que James Baker em 1991 e Bill Clinton em 1999 tentaram realizar; e ao que Barack Obama encarava no início do seu primeiro mandato, em 2009, quando ele evocou no Cairo o direito dos Palestinianos à dispor de um Estado. Este projeto é muito diferente daquele pelo qual os palestinianos se têm batido desde há 64 anos. Ele permite vislumbrar a paz, às custas de não trazer a justiça. Ficará por regular o problema de fundo, a fonte primária dos múltiplos conflitos actuais : a natureza colonial do Estado de Israel e o sistema de apartheid que daí deriva.
Thierry Meyssan
VOLTAIRENET

novembro 23, 2012

Sem cumprir resoluções da ONU, Israel tem conflito com palestinos há 60 anos, diz especialista, para quem não dá para esperar nada da ONU

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Para o professor de Geopolítica, Marcelo Buzetto, não há nada para se esperar da ONU na resolução do confronto. No atual conflito, que iniciou em 14 de novembro, ao menos 130 pessoas morreram em Gaza e cinco em Israel.

Uma nova ofensiva do Estado de Israel  sobre a Faixa de Gaza, em que vive parte do povo palestino, expõem o conflito que já dura mais de 60 anos. Com a operação “Pilar Defensivo”, o exército israelense vem atacando o território palestino. A resposta armada palestina vem do grupo de resistência Hamas. Neste conflito, desde seu início no dia 14 de novembro, ao menos 130 pessoas morreram em Gaza e cinco em Israel. Outras 800 ficaram feridas.

Para saber mais sobre a história desse conflito e os desdobramentos atuais, a Radioagência NP entrevistou o professor de Geopolítica da Fundação Santo André, Marcelo Buzetto. Para ele, não há nada para se esperar da Organização das Nações Unidas na resolução do confronto. Ele analisa que os palestinos devem pressionar o órgão, “mas devem contar com suas próprias forças e com a solidariedade internacional”.

Radioagência NP: Marcelo, o que desencadeou o atual conflito armado entre Israel e Palestina?

Marcelo Buzetto: Em primeiro lugar, a guerra da Palestina, sua origem é em 1947, quando a ONU decide dividir a Palestina e criar dois Estados. Em 1948, foi criado o Estado de Israel, mas a ONU não assegurou a criação do Estado Palestino. Então, em 1948 e 49 teve a primeira guerra. De lá para cá, Israel tem ocupado mais territórios da Palestina, como as regiões de Gaza e Cisjordânia. Esse conflito tem se intensificado, principalmente, porque Israel não cumpre nenhuma das resoluções da ONU referentes à questão Palestina. E Israel não cumpre nenhuma das promessas feitas nos Acordos de Paz de 1993 e 1994. Então, como não se cria o Estado palestino, como não se assegura os direitos básicos da população palestina; e com essa nova onda de ataques israelenses contra lideranças palestinas do Hamas ou do Jihad Islâmico em Gaza, acabou obrigando o povo palestino a reagir da maneira que pode, diante de um dos mais poderosos exércitos do planeta.

Radioagência NP: Como vêm ocorrendo as tentativas de negociação entre palestinos e israelenses?

MB: Há tentativas de negociação desde 1988. Então, desde 88 a 1994, várias negociações foram feitas e acabaram resultando na criação da Autoridade Palestina e foram reconhecidos como territórios autônomos Gaza e Cisjordânia. Mas, na mesa de negociação, o governo israelense nunca quis debater questões fundamentais, por exemplo, a questão dos refugiados. Hoje tem 6 milhões de Palestina vivendo naquele território. E o território que hoje se chama Estado de Israel tem 6 milhões de israelenses. E tem 5 milhões de palestinos refugiados no mundo inteiro. Israel proíbe a volta dos refugiados palestinos. Até porque se os 5 milhões voltam para lá, a população seria de 11 milhões de palestinos e 6 milhões de israelenses, e isso iria ser muito favorável à luta do povo palestino.

Radioagência NP: E sobre as tentativas dos Acordos de Paz de 1993 e 94?

MB: O problema é que nas negociações que ocorreram em 93 e 94, os palestinos foram obrigados a fazer muitas concessões pela própria situação de dificuldade que os palestinos viviam, pobreza, miséria, exclusão social. E o que acontece é que Israel se comprometeu a trocar em 93 e 94 terra por paz, para que os palestinos pudessem ir se reorganizando na perspectiva de construir um governo autônomo, visando, no futuro, o Estado Palestino. Mas o Yitzhak Rabin, que era o primeiro ministro israelense, foi assassinado em 94 por um fundamentalista judeu, sionista, de extrema direita. E as negociações de paz de 94 para cá se deterioraram. Em 2004, Yasser Arafat [líder da Autoridade Palestina] morre. Então, os dois principais interlocutores desses acordos morreram.

Radioagência NP: Como você avalia a escala de violência empregada no confronto?

MB: O que ocorre em Gaza não dá para qualificar, eu diria hoje, como uma guerra. Porque para ter uma guerra pressupõe que se tenha dois exércitos em disputa. Os palestinos não têm exército. O Hamas não tem exército, não tem força aérea, não tem marinha. Então, não há uma guerra, há uma tentativa do Hamas responder, muito precariamente, à agressão israelense. Então, Israel começou a matar lideranças do Hamas de novo, matou também lideranças do outro partido que é a Jihad Islâmica. Os alvos que Israel está atacando em Gaza são alvos militares, são escolas, prédios, casas, residências. O número de mortos do lado palestino sempre foi e sempre será maior, pelo grau de poder militar que Israel tem, e que agora ataca de maneira bastante violenta e promove um genocídio em Gaza.

Radioagência NP: O que se esperar da ONU na resolução desse conflito?

MB: Absolutamente nada. Se a ONU quisesse resolver o conflito, já teria feito. Então, eu diria que da ONU não dá para esperar nada. Existem mais de 150 resoluções da ONU sobre a questão palestina que nunca foram cumpridas por Israel. O que não significa que os palestinos não devam cobrar a ONU, ou que a comunidade internacional algum país, algum governo não o façam. A ONU precisa ser cobrada, mas é preciso entender que não dá para alimentar ilusões, porque a ONU é dominada pelas potências imperialistas, e todas elas são favoráveis a Israel. Os palestinos devem sim pressionar a ONU sempre, mas eles devem contar com suas próprias forças e com a solidariedade internacional.

De São Paulo, da Radioagência NP, Vivian Fernandes.

outubro 24, 2012

HAARETZ: Maioria dos judeus israelitas seriam a favor de um regime de apartheid

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A maior parte dos judeus de Israel apoiaria a implantação de um regime de apartheid em Israel se o país anexasse formalmente a Cisjordânia, revela uma sondagem noticiada pelo jornal Haaretz.
A sondagem apresenta outros dados que apontam que a maioria dos judeus de Israel defende a discriminação contra os cidadãos árabes, escreve o jornal israelita.
Entre os inquiridos, 74% são a favor de estradas separadas para israelitas e palestinianos na Cisjordânia.
Mais de dois terços dos judeus israelitas dizem que devia ser negado o direito de voto aos 2,5 milhões de palestinianos que vivem naquele território ocupado. Um terço defende a criação de uma lei que impeça os árabes de Israel de votarem para o parlamento israelita, o Knesset.
Quando questionados sobre se os judeus deviam ser preferidos aos árabes na escolha para cargos na administração pública, 59% responderam afirmativamente; 49% disseram que os cidadãos judeus deviam ser tratados de uma melhor forma do que os árabes; 42% revelaram não querer vizinhos árabes a viver no mesmo prédio. O mesmo número respondeu que não quer os seus filhos a frequentar a mesma escola que as crianças árabes.
Mais de metade dos inquiridos (58%) acredita que Israel já tem práticas de apartheid contra os cidadãos árabes, enquanto 31% dizem não ser este o caso.
A sondagem foi conduzida pela empresa de estudos de opinião Dialog, sob encomenda do New Israel Fund, organização que, como lembra o jornal britânico Guardian, é acusada por alguns críticos de direita de ter uma agenda anti-sionista.
As perguntas foram redigidas por activistas pela paz e pelos direitos civis e feitas a 503 entrevistados.
A sondagem distingue os vários grupos na sociedade israelita – os seculares, os observantes, os religiosos, os ultra-ortodoxos e os ex-imigrantes soviéticos.
Os ultra-ortodoxos são aqueles com as posições mais radicais contra os palestinianos, com 83% dos inquiridos deste grupo a mostrarem-se de acordo com a segregação de estradas.
Gideon Levy, do Haaretz assina a notícia e um texto de opinião que comenta os resultados da sondagem. O conhecido jornalista diz que este estudo mostra uma fotografia da sociedade israelita e que a imagem “é muito, muito doente”.
“Já não são só os críticos israelitas e os estrangeiros que o dizem. Agora são os próprios israelitas que se definem abertamente, sem vergonha e sem culpa, como nacionalistas racistas”, escreve Levy.
Para Gideon Levy, ao responderem desta forma, os israelitas estão a afirmar: “Somos racistas, praticamos o apartheid e até queremos viver num estado de apartheid. Sim, isto é Israel”. ( PUBLICO )

outubro 18, 2012

“Só o suficiente para manter a estrutura básica de vida”: Israel contou as calorias necessárias para evitar malnutrição em Gaza

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Estudo do Exército israelita foi agora divulgado por decisão judicial
Apenas 2279 calorias diárias por pessoa, ou 106 camiões de bens essenciais, bastariam para evitar a malnutrição em Gaza, concluiu o Exército israelita num estudo realizado quando o Hamas assumiu o controlo do território, em 2007, mas que só agora foi divulgado por ordem do tribunal.
As contas foram feitas ao pormenor para se saber o que era preciso para evitar situações críticas de malnutrição em Gaza durante o bloqueio israelita imposto ao território em 2007, quando o movimento Hamas assumiu o poder. No relatório “Consumo de alimentos em Gaza – As linhas vermelhas”, que agora acaba de ser divulgado, fica a saber-se como foi preparado o bloqueio imposto a 1,6 milhões de palestinianos que só acabou por ser aliviado em 2010.
Para trás fica uma já longa batalha legal. O documento acabou por ser divulgado nesta quarta-feira por ordem do Supremo Tribunal israelita, que obrigou o Governo a publicá-lo após uma forte pressão do Gisha, um grupo israelita de defesa dos direitos humanos. Um porta-voz do Ministério da Defesa israelita, Guy Inbar, admitiu em declarações aos jornalistas que o documento foi elaborado e discutido, mas garantiu que “nunca foi aplicado”. Terá sido, no entanto, um estudo que ajudou a preparar o bloqueio que deixou milhares de palestinianos em Gaza sem acesso aos bens mais essenciais e que suscitou duras críticas de vários países e organizações internacionais.
O estudo tem a data de Janeiro de 2008, pouco após o Hamas ter tomado o poder, e refere que, por dia, deveriam entrar em Gaza apenas 2279 calorias por pessoa “para manter a estrutura básica de vida”, um cálculo que terá sido feito com base num modelo elaborado pelo Ministério da Saúde israelita. Segundo esses cálculos, Israel permitiria a entrada de 106 camiões em Gaza com bens essenciais, por dia. Mas, segundo o Gisha, na altura em que o documento foi elaborado só entravam em Gaza cerca de 67 camiões com alimentos ou medicamentos, muito menos do que os cerca de 400 que chegavam ao território antes do bloqueio e do que os cerca de 935 camiões que entraram em Gaza na semana passada com alimentos e materiais de construção.
“Como é que Israel pode afirmar que não é responsável pela vida dos civis em Gaza quando controla inclusivamente a quantidade de alimentos que os residentes palestinianos podem consumir”, perguntou Sari Bashi, um dos directores do Gisha. O director em Gaza da agência da ONU para os refugiados, Robert Turner, sublinhou, por outro lado, que o estudo agora divulgado “vai contra os princípios humanitários”.
No documento é feita uma lista de produtos – são proibidos os coentros mas permitida a canela, por exemplo –, e há também referências a medicamentos, equipamentos médicos ou produtos de higiene. ( PUBLICO )

agosto 29, 2012

De doze e treze anos: três crianças israelitas detidas por ataque com cocktail molotov a táxi palestino

Filed under: WordPress — Tags:, , , — Humberto @ 5:55 pm

Três rapazes israelitas, entre os 12 e 13 anos, foram detidos sob suspeita de terem atacado com uma bomba incendiária um táxi onde seguia uma família palestiniana num colonato a sul de Jerusalém, na Cisjordânia, causando queimaduras graves a seis pessoas, algumas das quais permanecem hospitalizadas, dez dias passados sob o ataque.
Os suspeitos, detidos no domingo, são todos oriundos do colonato de Bat Ayin, em Gush Etzion, e as autoridades contam fazer mais detenções neste caso, que o Director-Geral da Polícia israelita, Yochanan Danino, descreveu como “grave”, considerando-o ainda uma ameaça de desestabilização da já “bastante sensível situação” naquela zona.
Danino avançou ainda que a polícia considera ter já provas suficientes para serem formalizadas as acusações e que seria pedido o prolongamento da detenção provisória dos três rapazes (dois de 12 anos e o outro de 13). Mas o advogado dos suspeitos, David Halevi, avançou por seu lado que estes deveriam ser libertados ainda nesta segunda-feira após serem interrogados.
“A polícia não tem provas cabais” para formar um caso, sustentou, citado pelo diário The Jerusalém Post. Segundo Halevi, que representa os três rapazes através da organização não governamental Honenu (a qual defende suspeitos israelitas acusados de crimes contra árabes), a “fragilidade” do caso é ilustrada pelo facto de a agência de segurança israelita Shin Bet ter já questionado aqueles suspeitos antes, pouco após o incidente, sem ter feito então nenhuma detenção.
O táxi em que seguia a família palestiniana, incluindo duas crianças, foi atacado a 16 de Agosto, tendo irrompido em chamas e capotado após ser atingido por um cocktail molotov.
Este incidente, que foi condenado pelo primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, assim como pelo Departamento de Estado norte-americano, ocorreu horas apenas antes de um grupo de jovens israelitas – muitos com não mais que 13 anos – terem espancado um adolescente palestiniano no centro de Jerusalém, o qual ficou em estado crítico. A ocorrência deste tipo de ataques, que se têm repetido com regularidade nos últimos meses, está a relançar na sociedade israelita o debate sobre o racismo e os valores morais dos jovens no país. ( PUBLICO )

agosto 25, 2012

Em apoio a palestinos: igrejas canadenses se unem em boicote a produtos israelenses

Filed under: WordPress — Tags:, , , — Humberto @ 6:29 pm

Igrejas do Canadá se unem para boicotar produtos israelenses em apoio dos cristãos palestinos
A Igreja Unida do Canadá aprovou na semana passada um boicote a todos os produtos fabricados na disputa entre territórios israelenses e palestinos em protesto contra os assentamentos israelenses supostamente indo para o território palestino.
A recomendação foi aprovada em 15 de agosto pelo conselho geral da igreja em Ottawa, depois de um evento de oito dias, que incluiu mais de 350 delegados.
Bruce Gregersen, Diretor Geral Conselho da UCC, compartilhou com o The Christian Post algumas informações sobre a situação, revelando que a história de engajamento da Igreja Unida com a região remonta ao final dos anos 1940, quando um moderador passado da igreja era um médico-missionário em Gaza.
“Desde então, temos aprofundado o nosso relacionamento com os parceiros da região, incluindo os dois grupos israelenses e palestinos”, disse Gregersen. “No entanto, nós nos relacionamos mais diretamente com os cristãos palestinos. Eles pediram que os cristãos ao redor do mundo os apoiassem no boicote dos produtos da ocupação.”
O Diretor Conselho Geral observou que a UCC está se concentrando em boicotar os produtos que tenham sido produzidos em supostos assentamentos ilegais no território disputado. É parte de uma iniciativa maior, onde um número de grupos considerou ou está pensando em entrar no boicote, incluindo a Metodista Unida, a Igreja Presbiteriana (EUA), a Igreja Metodista britânica, e uma série de grupos judaicos sionistas liberais.
Em um comunicado, os canadenses de Justiça e Paz no Oriente Médio revelou que a proposta de boicote “passou por uma ampla margem, refletindo o amplo apoio dentro da igreja para direitos humanos palestinos”. Ela também reconheceu que a decisão “também reconheceu a ocupação israelense de 45 anos como o principal contribuinte para a injustiça que sustenta a violência na região e apelou a Israel para desmantelar as suas colônias e o seu muro.” [ grifo deste blog ]
A organização acrescentou que eles esperam que esta resolução force Israel a respeitar o direito internacional ao invés de avançar com os assentamentos.
“Nossa pequena ação não é susceptível de ser significativa. O que vai fazer a diferença é a opinião pública generalizada. Isso está mudando”, Gregersen continuou a CP.
Ele admitiu que a questão Palestina-Israel tem muitas conotações políticas, mas que está relacionada a questões morais e religiosas que a igreja se sente inclinada a abordar.
“Os cristãos palestinos pediram-nos para agir, porque eles estão profundamente preocupados com a justiça para todas as pessoas da região”, salientou Gregersen. “Eles estão preocupados que a ocupação e os assentamentos são prejudiciais tanto para israelenses e palestinos. Eles também veem muitos aspectos religiosos para a situação com sionistas cristãos apoiando os assentamentos e se envolvendo em pressão política significativa para mantê-los.”
Grupos pró-Israel reagiram com acusações de anti-semitismo sobre a decisão, dizendo que o boicote da UCC só aumenta as tensões no conflito do Oriente Médio.
“Isso distingue Israel de uma maneira que é tão fundamentalmente inútil”, disse o Centro de Israel e Assuntos judaica CEO Shimon Fogel. “Ao realizar esta ação, a Igreja Unida tem absolutamente se desqualificado de desempenhar um papel construtivo na promoção da paz e da reconciliação entre israelenses e palestinos.”
A Igreja Unida do Canadá continua a ser a maior denominação protestante no Canadá, com mais de 3 milhões de membros. ( Christian Post )

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