ENCALHE ( Descontinuado em 05.10.2013 )

agosto 26, 2013

Gás sarín na Síria: nova operação de propaganda

Segundo o Exército Sírio Livre, as autoridades sírias bombardearam com gás sarín a região de Ghoutta, na periferia de Damasco, quarta-feira a 21 de Agosto de 2013, causando um total de 1 700 mortos. Esta alegação foi comentada de imediato pelas autoridades alemãs, britânicas e francesas, que pediram uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU para que se autorizasse os observadores da ONU a investigar no local. As noticias a respeito estão sendo repetidas constantemente pela imprensa atlantista, que apresenta além disso tais alegações como factos consumados.

Salta à vista, sem embargo, a torpeza desta nova operação de propaganda. Como pode comprovar-se através do YouTube, os vídeos que supostamente mostram o massacre cometido a 21 de Agosto foram publicados no YouTube pela conta identificada como « Majles Rif »… a 20 de agosto. Nas imagens, impressionantes à primeira vista, percebe-se rapidamente uma encenação. Os rapazes afectados, que parecem desfalecidos ou drogados, não estão na companhia das suas mães. Os homens aparecem, amiúde, despidos, enquanto as raparigas estão completamente vestidas., Não se vê nenhum tipo de estrutura médica nem equipamento sanitário, nem sequer de tipo clandestino, excepto algumas cortinas em forma de biombo e vários sacos de soro.

Algumas das fotografias difundidas agora pela imprensa atlantista já tinham sido utilizadas, anteriormente, para acusar o exército do Egipto de ter cometido um massacre num acampamento da Irmandade Muçulmana, no Cairo.

A partir da madrugada e ao longo de todo o dia 21 de Agosto, O exército Árabe Sírio bombardeou as posições de elementos do Exército Sírio Livre que se tinham reagrupado no sudeste de Ghoutta (a região agrícola circunvizinha da capital síria), zona de combates cuja população civil tinha sido já evacuada há vários meses. Lá, as baixas nos grupos jihadistas parecem ter ser consideráveis e não foram usados nenhuns gases de combate, uma arma que históricamente foi utilizada em caso de guerras de trincheiras.

As autoridades russas denunciaram esta nova campanha de propaganda, planificada de antemão, o que está sendo confirmado pela simultaneidade e a unanimidade com que os meios de imprensa atlantista estão a repetir em coro a versão do Exército Sírio Livre, sem esforçar-se por verificar os factos. As autoridades iranianas assinalam, pela sua parte, que o uso de armas químicas por parte da Síria seria totalmente injustificado e absurdo, no exacto momento em que os seus êxitos militares no campo de batalha são inegáveis.

Em Nova Iorque, no final de uma reunião à porta fechada, o Conselho de Segurança da ONU expressou inquietação.

Já em 2003, os Estados Unidos utilizaram a acusação de posse, e uso de gases de combate, por parte do governo do Iraque como justificação para atacar o país. Na altura, o secretário de Estado Colin Powell chegou, inclusivamente, a mostrar aos membros do Conselho de Segurança da ONU uma ampola de gás liquefeito como prova daquelas alegações. Só após a destruição do Iraque, o próprio Powell reconheceu que tais supostas provas eram falsas, e que ele tinha mentido à comunidade internacional.

Tradução
Alva

==> POST COMPLETO COM IMAGENS E VÍDEOS EM VOLTAIRENET

WikiLeaks: EUA planejavam derrubar Assad ainda em 2006

As autoridades estadunidenses se interessaram pela deposição de Bashar Assad ainda em 2006, prova uma correspondência diplomática da embaixada dos EUA, publicada no site WikiLeaks.
Os documentos afirmam que, no final de 2006, Assad tinha uma posição mais forte do que há dois anos.
Num documento, datado de 13 de dezembro de 2006, diz-se que a imposição de sanções contra certos membros do regime no poder na Síria seria aprovada pela maioria da sociedade síria. O documento também observava que os EUA poderiam usar contra o presidente sírio seus laços estreitos com o Irã, aproveitando o fato de a maioria sunita da Síria temer as tentativas do Irã de converter a sociedade síria ao xiismo. Além disso, para desestabilizar o regime de Assad, Washington poderia se concentrar nas reformas mal sucedidas do presidente da Síria, bem como nos problemas econômicos no país. ( VOZ DA RÚSSIA )

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agosto 24, 2013

Le Figaro: EUA e Israel treinaram mercenários na Jordânia para combater na Síria

‘LE FIGARO’ REVELA
EUA terão formado rebeldes sírios na Jordânia
Dois comandos de 300 rebeldes sírios formados clandestinamente na Jordânia por militares norte-americanos estão a combater desde meados de agosto contra o regime de Bashar al-Assad na Síria, publicou hoje o jornal francês ‘Le Fígaro’.
Estes dois grupos de tropas de elite, apoiados por especialistas jordanos, israelitas e da CIA ( agência central de serviços secretos externos norte-americanos ), cruzaram a fronteira síria nos passados dias 17 e 19 de agosto, na região de Deraa, no sul da Síria, segundo as informações divulgadas pelo diário conservador francês, que não revela quais são as suas “fontes militares”.
“Os norte-americanos, que não querem introduzir soldados em solo sírio nem armar os rebeldes, em parte controlados pelos islamitas radicais, estão há meses a formar discretamente, num campo de treino na fronteira jordano-síria, combatentes do Exército Sírio Livre”, indica Le Fígaro.
O diário assegura que esses comandos derrotaram batalhões sírios no sul do país e estão a avançar para a capital, o que terá motivado Assad a lançar ataques com armas químicas na periferia de Damasco [ 1 ].
A hipótese do periódico é que os Estados Unidos estão a tentar que os rebeldes controlem completamente a região de Deraa e que Washington está a preparar o terreno para criar uma zona de exclusão aérea, motivo pelo qual deslocou caças F16 e baterias antimísseis Patriot para a fronteira com a Jordânia.
A contestação popular ao regime de Bashar al-Assad iniciada há dois anos degenerou em guerra civil, que já provocou mais de 100.000 mortos, segundo números da ONU.
O exército sírio está a ser acusado de ter realizado na quarta-feira um ataque com armas químicas contra áreas da periferia de Damasco [ 1 ] , [ 2 ] , [ 3 ] e [ 4 ] , que terão provocado mais de um milhar de mortos, e está sob pressão da comunidade internacional para autorizar uma inspeção ao local por técnicos das Nações Unidas. ( DN )

[ 1 ] Rússia: Ataque com armas químicas foi “trabalho grosseiro” da oposição síria, ENCALHE

[ 2 ] Autoridades sírias encontram armas químicas em túnel de rebeldes, VOZ DA RUSSIA

[ 3 ] Damasco: encontrado armazém com antídotos contra armas químicas, VOZ DA RUSSIA

[ 4 ] Terroristas sirios admiten que poseen armas químicas, TELESUR

LEIA TAMBÉM:

Vaticano pede cautela nas acusações, DN

agosto 23, 2013

Mídia alardeia matança na Síria mas não garante sua veracidade

Coincidindo com a chegada da missão de especialistas da ONU em armas químicas à Síria, os mercenários pró-EUA divulgaram material dizendo que teria havido um “ataque com gás letal” que teria causado até 1.300 mortos, logo repercutido pela mídia imperial com o singelo acréscimo de que “a veracidade não pode ser confirmada”.

Rússia: “se houve ataque químico, foram os contras”

“Por que o governo Assad, que tem retomado terreno dos rebeldes, faria um ataque químico no momento em que os inspetores de armas da ONU estão no país?”, admite até mesmo o correspondente da BBC, Frank Gardner

Coincidindo com a chegada da missão de especialistas da ONU em armas químicas à Síria – cuja vinda foi articulada pelo governo de Damasco -, os mercenários pró-EUA divulgaram vídeos, fotos e releases dizendo que teria havido um “ataque com gás letal” sobre Al Goutha, perto da capital, que teria causado até 1.300 mortos, prontamente repercutido pela mídia imperial com o singelo acréscimo de que “a veracidade não pode ser confirmada”.

O exército sírio negou terminantemente ter usado armas químicas na periferia de Damasco, e classificou a acusação de “tentativa desesperada de encobrir a derrota que os terroristas estão sofrendo no terreno”. O ministro da Informação sírio, Omran Al Zoubi, assinalou que “foi o governo de Damasco que insistiu para que a ONU enviasse uma equipe para investigar seu uso”, e lembrou que os mercenários têm utilizado armas químicas improvisadas. Como no massacre de Khan Al Assal, em meados de março, em que 123 civis morreram asfixiados por gás sarin, sobre o qual Carla Del Ponte, ex-procuradora do Tribunal Penal Internacional para a Iugoslávia, e atualmente chefe da Comissão Internacional de Inquérito sobre a Síria, atestou que “de acordo com as provas que recolhemos, os rebeldes utilizaram armas químicas, fazendo uso do gás sarin”. Em outras áreas, há denúncias do uso pelos contras de bombas de cloro improvisadas.

Sem uma investigação no terreno, não há como afirmar nada peremptoriamente, nem a extensão de possíveis vítimas. As cenas mostradas são impactantes e o Conselho de Segurança da ONU, reunido em caráter de emergência, discutiu a questão. O porta-voz do Ministério do Exterior da Rússia, Alexander Lukashvich, declarou que “determinadas mídias regionais direcionadas iniciaram um ataque midiático agressivo colocando toda a responsabilidade sobre o governo sírio”. Ele acrescentou que o mais provável é que um foguete de fabricação caseira “portando um agente químico, como aconteceu em Khan Al Assal, tenha partido de algum ponto da área controlada pelos mercenários”. O vice-presidente do Comitê de Assuntos Internacionais da Duma, Leonid Kalashnivov, afirmou que “se é que armas químicas foram realmente usadas, seus perpetradores são estes bandos”.

Desde a declaração de Obama de que “o uso de armas químicas era a linha vermelha” que levaria à intervenção militar direta dos EUA, não cessaram as provocações com armas químicas improvisadas na Síria cometidas pelos mercenários e cuja investigação foi pedida pelo governo sírio. O que se torna ainda mais premente em função das derrotas seguidas sofridas pelos contras, e que têm como principal esperança para virar o quadro uma intervenção aberta, com zona de exclusão aérea, bombardeios e outros crimes de guerra bem do estilo de Washington. Uma reedição da Líbia.

Até mesmo cidadãos que não primam por gostar de Assad e seu governo, como o repórter da BBC, Frank Gardner, admitiram que “o momento deste acontecimento é estranho, no limiar da suspeição”. “Por que o governo de Assad, que tem recentemente retomado terreno aos rebeldes, levaria a cabo um ataque químico no momento em que inspetores da ONU estão no país?”, questionou. O ex-chefe dos inspetores de armas no Iraque, Rolf Ekeus, afirmou o mesmo, acrescentando que no mínimo seria “pouco inteligente”.

Há dúvidas também sobre exatamente de que se trata. Steve Johnson, pesquisador chefe dos efeitos da exposição a material tóxico na Universidade Cranfield (Inglaterra) e que já atuou no Ministério da Defesa inglês, destacou que “dos detalhes que vimos até agora, um grande número de mortes em uma área muito ampla significaria uma dispersão de material com penetração. Com este nível de agente químico seria de se esperar uma contaminação grande e mais chegada intermitente de novos atingidos e veríamos que aqueles que tratam as vítimas também seriam atingidos. Não é isso que vemos nos vídeos”.
NATHANIEL BRAIA

HORA DO POVO

agosto 22, 2013

Rússia: Ataque com armas químicas foi “trabalho grosseiro” da oposição síria

 

A Rússia declarou que, de acordo com informações de que dispõe, as armas químicas foram usadas (no dia 21 de agosto) pelos combatentes da oposição e não pelo regime de Bashar al-Assad. As acusações de que são alvo as tropas governamentais se baseiam em informações não confirmadas e a campanha agressiva da mídia regional e ocidental só confirma que se trata de “uma provocação planejada com antecedência”, diz um comunicado especial do MRE russo. Não é a primeira vez que ocorrem provocações deste género.

É verdade que os combates continuam nos arredores a leste de Damasco, mas, segundo puderam verificar os diplomatas russos, o panorama dos acontecimentos apresentado deturpa completamente a situação.

“A verificação da credibilidade das reportagens das cadeias televisivas regionais”, diz o comunicado do MRE, demonstrou o seguinte: “Ao princípio da manhã de 21 de agosto, esse bairro foi alvo, a partir das posições ocupadas pelos combatentes da oposição, do lançamento de um míssil de fabrico artesanal, idêntico ao que foi usado pelos terroristas no dia 19 de março do corrente ano em Khan al-Assal (perto de Aleppo), com uma substância química tóxica ainda por determinar.”

A utilização de armas químicas perto de Aleppo deverá ser investigada por uma missão especial de peritos da ONU que iniciou seus trabalhos na Síria a 20 de agosto.

Os peritos russos consideram que o uso de gás sarin por estruturas não-governamentais é perfeitamente possível, tal como o fez, em março de 1995, a seita japonesa Aum Shinrikyo no metrô de Tóquio. Nessa ocasião morreram 12 pessoas. De acordo com informações diversas, mais de 5 mil pessoas sofreram efeitos nocivos irreversíveis para a sua saúde. Isso foi recordado à Voz da Rússia pelo Professor Guennadi Prostakishin, perito do Centro de Medicina de Catástrofes russo:

“Não sei se há ou não gás sarin na Síria. Recordem o que aconteceu com Saddam Hussein. Os norte-americanos também o acusavam de ter sarin e outras substâncias tóxicas, mas não havia lá nada. Provavelmente, o mesmo se passará neste caso.”

Alguns peritos ocidentais duvidam que se esteja a falar de sarin. Além disso, eles avisam para desconfiar das imagens colocadas na Internet, alegadamente feitas logo depois do ataque.

“Nelas se vê que as pessoas que prestam os primeiros socorros às vítimas não usam vestuário de proteção”, escreveu em seu blog o perito em armas químicas e biológicas Jean Pascal Zanders, do Instituto de Estudos de Segurança da União Europeia. “O sarin não funciona assim. Sem um vestuário de proteção haveria muitas intoxicações secundárias”, afirma Zanders.

O incidente ocorrido nos arredores de Damasco teve lugar precisamente quando a Comissão da ONU para a investigação da possível utilização de armas químicas começou seus trabalhos na Síria. Na opinião do MRE russo, tudo isto “aparenta serem tentativas para sabotar a realização da Conferência de Genebra” para a regulação do conflito sírio. A próxima reunião, entre peritos russos e norte-americanos, para discutir a preparação da conferência Genebra 2 está planejada para 28 de agosto.

“A oposição já não tem nada a perder. Ela já não pode vencer e por isso tenta, por quaisquer meios, obrigar o Ocidente a intervir convencendo-o que o regime é “sanguinário e cruel”, diz o perito do Instituto de Estudos Estratégicos e Análise Serguei Demidenko. Ele recordou igualmente que as informações sobre “ataques químicos” são sempre veiculadas por televisões financiadas pelos patrocinadores dos combatentes da oposição com origem nos países do Golfo Pérsico:

“Tudo isto já tinha acontecido antes. Basta os Estados Unidos dizerem que vão intervir, que na Síria irão encontrar armas químicas, tal como a televisão Al Jazeera, do Qatar, já anunciou. Bastou ao grupo de peritos da ONU entrar na Síria para verificar as informações sobre as armas químicas que o canal televisivo do Dubai Al Arabiya relatou o seu uso pelas tropas governamentais. É um trabalho realmente muito grosseiro.”

O Conselho de Segurança da ONU reuniu de emergência no dia 21 de agosto e apelou à realização de uma investigação exaustiva às informações acerca da tragédia dos arredores de Damasco. A Rússia também considera que uma investigação exaustiva é necessária. Para isso bastam os peritos da ONU que já se encontram na Síria.

agosto 6, 2013

Estados Unidos gastaram 10 milhões de dólares para provocar deserções de políciais sírios

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O Gabinete de Conflitos e Operações de Estabilização, do Departamento de Estado, usou 10 milhões de dólares para pagar a polícias sírios que se comprometessem a desertar e a realizar tarefas de segurança nas «zonas libertadas», revelou o director do Gabinete, Rick Barton, a 19 de Julho de 2013 no Aspen Security Forum.

O senhor Barton não mencionou a quantidade de polícias sírios comprados com essa soma mas assegurou que cada um deles recebia um salário mensal de pelo menos 150 dólares.

Desde o início do conflito, em 2011, o Congresso dos Estados Unidos aprovou 50 milhões de dólares de ajuda aos «rebeldes». Até ver, só uma parte desse fundo foi gasta.

Tradução
Alva

VOLTAIRENET

VEJA ( EM INGLÊS ) :

Thousands of Syrian Police who joined the Rebels are on U.S. Payroll – GLOBAL RESEARCH

julho 30, 2013

Monsanto compra Academi, a antiga Blackwater

Filed under: WordPress — Tags:, , , , , — Humberto @ 6:15 pm

 

A Academi (antigamente conhecida como Blackwater), companhia que representa o exército privado mais poderoso do mundo, anunciou que tem um novo dono, que não identificou. Também não deu a conhecer a soma investida na operação de compra.

Segundo o sitio SoutWeb.org, o feliz comprador de Academi não é outro senão a transnacional de biotecnologia Monsanto [1].

Criada em 1901, a Monsanto começou fabricando a sacarina utilizada no processo de produção da Coca-Cola. Durante a Segunda Guerra Mundial, forneceu o urânio utilizado no projecto Manhattan. Durante a guerra dos Estados Unidos contra o Vietname, produziu um poderoso herbicida – o tristemente célebre Agente Laranja – destinado a desfolhar a selva vietnamita. Nos últimos 30 anos, a Monsanto converteuse em líder mundial da produção de organismos genéticamente modificados (OGM). Hoje em dia ocupa o lugar 206 na lista das trans-nacionais americanas mais importantes.

A Academi, foi criada por Erik Prince em 1997 sob o nome de Blackwater Worldwide. Esta firma, em que alguns dirigentes estão ligados a igrejas evangélicas financiadas pelo Pentágono, desempenhou no Afeganistão e no Iraque um papel comparável ao da Ordem de Malta no passado. Ela é presidida por Billy Joe (Red) McCombs, que ocupa o lugar 347 entre as pessoas mais endinheiradas dos Estados Unidos ; John Aschcroft, ex-secretário americano de Justiça ; e o almirante Bobby R. Inman, ex-director da National Security Agency (NSA) e director-adjunto da CIA. A Academi, que trabalha fundamentalmente para o governo norte-americano, participou na tomada de Tripoli (a capital líbia) e actualmente dedica-se ao recrutamento de combatentes que são enviados para a jihade na Síria.

O impressionante crescimento da Blackwater deve-se, em grande parte, ao projecto de privatização das forças armadas dos Estados Unidos, impulsionado por Donald Rumsfeld enquanto esteve à cabeça do Departamento de Defesa. Como resultado do fracasso dessa política e das actuais restrições orçamentais, Washington limitou as tarefas confiadas à Academi a contratos de vigilância, ou de escolta em certos teatros de operações e a realização de operações secretas « não reconhecidas ». A reputação da Academi permitiu-lhe igualmente obter contratos para o envio de mercenários para pequenos Estados, essencialmente no Golfo Pérsico.

Segundo o sítio internet SouthWeb.org, a venda da Academi corresponde à entrada da Bill and Melinda Gates Foundation ( Fundação Bill e Melinda Gates, NdT ) no capital da Monsanto. Criada pelo fundador da Microsoft e o especulador Warren Buffet, ( os dois personagens mais endinheirados dos Estados Unidos ), esta é a fundação « filantrópica » mais importante do mundo.

Ela lançou, nomeadamente, junto com a Fundação Rockfeller, a Aliança por uma Revolução Verde em África (AGRA, sigla em inglês), que visa estender o uso das sementes Monsanto no continente negro.

Tradução
Alva

[1] Monsanto Buys Blackwater, the largest mercenary army in the world, SouthWeb, 20 de Julho de 2013.

VOLTAIRENET

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julho 12, 2013

Rússia exibe provas do uso de gás sarin pelos mercenários na Síria

Lavrov declarou que provas do uso de armas químicas pelos mercenários a oeste de Alepo foram entregues ao secretário-geral da ONU

OMinistro de Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, anunciou as provas do uso de armas químicas pelos mercenários na Síria, nesta quarta-feira (10).

Lavrov afirmou que seu país “não ocultará as provas do uso de armas químicas na Síria, ao contrario do ocidente”. O chanceler também deixou claro que as “investigações foram realizadas de acordo com os padrões da Organização para a Proibição das Armas Químicas” e os resultados “foram entregues a Secretaria Geral das Nações Unidas e aos membros do Conselho de Segurança da ONU”.

O relatório entregue pelo embaixador russo, Vitali Churkin, a secretaria geral da ONU, reúne provas, do uso do gás sarin em março deste ano, entre as quais um projétil do gás, comprovando que a fabricação das armas não foi industrial. “Os resultados evidenciados pelos especialistas russos, coletados sobre o terreno, indicam claramente que foi empregado gás sarin, e há razões suficientes para acreditar que foi a oposição que utilizou essas armas químicas”, afirmou Lavrov.

Churkin ao entregar as provas na ONU referiu-se à fajutas “provas” salientadas antes por Hollande apontando o uso de armas químicas pelo governo sírio, com base em declarações de jornalistas, insistiu que “ao contrário dos outros informes entregues ao Secretario Geral, nossas provas foram coletadas no local do impacto do projétil, pelos peritos russos pessoalmente, não foram coletadas por terceiros”.

Ao tratar da divulgação das provas, Lavrov esclareceu que não vê “problemas para que se tornem públicas, por que são convincentes e vão esclarecer muitas perguntas”. Em março o Governo sírio insistiu que a ONU investigasse as denúncias sobre o uso de armas químicas.

Além da gravidade da agressão por gás sarin (que ataca o sistema nervoso central com alto índice de mortalidade) o tema tomou vulto depois da declaração do Obama (que através do financiamento pelas petromonarquias vassalas da Arábia Saudita e Qatar e treinamento pela CIA monitora a agressão à Síria com a finalidade de derrubar o governo de Bashar Al Assad) de que o uso de armas químicas seria a “linha vermelha” que os EUA não permitiriam que fosse ultrapassada pelo governo sírio.

Uma linha de ataque que prima pela similitude com a que foi usada como pretexto para a invasão do Iraque, a das “armas de destruição em massa”. Como se viu, logo após a declaração de Obama, Hollande correu a lhe apresentar “provas” contra o governo sírio.

A intervenção direta na Síria foi suspensa por alguns fatores adversos aos invasores contumazes: a disposição de combate revelada pelo exército sírio, derrotando no terreno as hordas de mercenários; a declaração da insuspeita Carla Del Ponte (ex-procuradora do Tribunal Penal Internacional que ajudou a subjugar e dividir a Iugoslávia e agora membro da Comissão de Inquérito da ONU sobre Direitos Humanos na Síria) em 6 de maio de que “de acordo com as provas que recolhemos, os rebeldes utilizaram armas químicas, fazendo uso do gás sarin” e, por fim, o posicionamento da Rússia em defesa da soberania nacional síria e por uma saída política e não intervencionista para o conflito.

Ao apresentar as provas analisadas por cientistas russos, o ministro do Exterior, Sergei Lavrov, destacou que o estudo foi levado a cabo em pleno acordo com os padrões internacionais, “ao contrário das avaliações do países ocidentais”, ou seja de acordo os requerimentos da Organização pela Proibição de Armas Químicas.

Lavrov declarou que os projéteis analisados foram disparados pelos mercenários em Khan Al Assal, a oeste de Alepo, região sob seu controle.

“Submetemos”, declarou Lavrov, “uma série completa de documentos, à ONU, com 80 páginas, incluindo fotos e coordenadas geográficas precisas, procedimentos e resultados”.

As “provas” assumidas pelos EUA, Inglaterra e França, acrescenta Lavrov, não detalham o lugar onde foram colhidas, “o que contraria os padrões internacionais exigidos”.

HORA DO POVO

junho 26, 2013

Os debates do G8, por Thierry Meyssan: A Síria

A Síria

A cimeira que se desenrolou em Lough Erne (Irlanda do Norte), a 17 e 18 de junho, era tanto mais importante quanto se tratava do primeiro encontro entre os presidentes Obama e Putin, desde a reeleição do primeiro, nove meses antes. Ora, após a sabotagem da conferência de Genebra (30 de junho de 2012) por Hillary Clinton e David Petraeus, tinha ficado combinado entre os dois chefes de Estado que o seu primeiro reencontro permitiria anunciar uma solução da crise síria. Mas, apesar da mudança de equipa em Washington, a cimeira foi muitas vezes adiada enquanto o novo secretário de Estado, John Kerry, se perdia em declarações contraditórias.

Durante este longo período de espera, os dados mudaram. O Líbano não tem governo após a nomeação de Tammam Salam como Primeiro-ministro, há dois meses e meio. Na Arábia saudita, o príncipe Khaled ben Sultan, ministro-adjunto da Defesa, falhou o derrube do rei Abdallah. No Catar, os Estados-Unidos deram até ao início de agosto ao príncipe Hamad Al-Thani para ceder o trono ao seu filho Tamim e para sair de cena com o seu Primeiro-ministro. Na Turquia, uma maioria da população levantouse contra a política dos Irmãos muçulmanos conduzida por Recep Tayyip Erdogan. No Irão, o Povo elegeu um economista liberal, Hassan Rohani, para a presidência da República. E na Síria, o exército lealista acaba de libertar Qoussair e inicia a batalha por Alepo.

Do lado da propaganda, tal como em 2003 no Iraque, a França, o Reino-Unido e os Estados-Unidos tentaram « o golpe das armas de destruição massiva » : as três capitais, supostamente, teriam provas de uso de armas químicas por Damasco. O « regime de Bachar » teria « passado a linha vermelha ». Uma intervenção internacional ter-se-ia então tornado indispensável tanto « para salvar os Sírios » como « para salvar a paz mundial ». Realmente ? Aos olhos de Moscovo, as « provas » apareceram distantes das normas da Organização para a proibição das armas químicas (OPAC). Seja como for, ninguém vê porque é que um exército em plena reconquista utilizaria gaz sarin, e a Síria, (tal como Israel), não é signatária da Convenção sobre as armas químicas.

Na realidade, a França e o Reino-Unido prosseguem o seu projeto de recolonização, tal como combinado, entre eles, aquando da assinatura do Tratado de Lancaster House (2 de novembro de 2010), ou seja, muito antes da chamada « primavera árabe ». Eles apoiam-se sobre os regimes árabes sionistas Turquia, Arábia saudita e Catar.

Por seu lado, os Estados-Unidos « manobram por trás », segundo a expressão da Senhora Clinton. Eles apoiarão a iniciativa se for bem sucedida, e opor-se-ão se ela falhar. Após a comédia das armas químicas, eles assumiram o compromisso de fornecer oficialmente armas ao Exército sírio livre, mas não à Frente Al-Nosra (sucursal da Al-Qaïda).

Logo, aquando do início da cimeira do G8, a situação é desfavorável para o campo colonial. E, ainda se complicou mais com as revelações de Edward Snowden, um empregado do gabinete de advogados Booz Allen Hamilton, que acaba de publicar documentos internos da NSA após se ter refugiado em Hong Kong. A maior agência de segurança do mundo espia as comunicações web e de telefone dos Americanos, e do mundo inteiro. E até colocou sob escuta os delegados do G20 de Londres, em 2009, com a ajuda do CGHQ britânico. Em suma, os Anglo-Saxões (EUA, Reino- Unido e Canadá) estão em posição de inferioridade na discussão, e os convidados evitaram usar os seus telefones.

Sobre a Síria, a posição franco-britânica consiste, pois, em pressionar a Rússia para forçá-la a abandonar a Síria. Excelente neste papel, o anfitrião da cimeira, David Cameron, denuncia o ditador-que-mata-o-seu-povo-com-armas-químicas. Ele clama por uma conferência de Genebra 2, que marque a capitulação do presidente el-Assad e transfira o poder para os amigos do Ocidente. Ele confirma iminente fornecimento de armas aos « revolucionários », propõe uma saída honrosa a « Bachar », anuncia a manutenção da administração baasista e distribui as concessões de gaz natural. Quanto à bandeira já se sabe que será a da colonização francesa.

Esta verborreia esbarra em Vladimir Putin. Interrogado pela imprensa após a sua chegada, o presidente russo declarava diante de um Cameron atónito : « Eu estou certo que estareis de acordo, que nós não deveríamos nunca ajudar gente que não sómente mata os seus inimigos, mas desfaz o corpo e come as suas entranhas à frente do público e das cameras. É este o tipo de gente que quereis apoiar ? Quereis armá-los ? Se for o caso, pareceme que há aqui muito pouca relação com os valores humanitários que a Europa abraçou, e difundiu durante séculos. Em todo o caso, nós, na Rússia, não podemos conceber nunca uma tal coisa. Mas, pondo as emoções de lado, adoptando uma abordagem puramente prática sobre a questão, permiti-me sublinhar que a Rússia fornece armas ao governo sírio legalmente reconhecido, em total conformidade com as regras do direito internacional. Eu insisto no facto que nós não violamos aqui nenhuma lei, nenhuma, e peço aos nossos parceiros para agir no mesmo sentido. »

À conversa-fiada humanitária, Putin responde com a visão dos factos e com o direito internacional. Não, não há revolução na Síria, mas sim uma agressão estrangeira. Não, a Síria não utiliza armas de destruição maciça contra o seu próprio povo. Sim, a Rússia fornece armas anti-aéreas à Síria para protegê-la de um ataque estrangeiro. Sim, o fornecimento de armas pelo Ocidente aos contras constitui uma violação do direito internacional sancionável pelos tribunais internacionais.

No fim, em nenhum momento, o Francês e o Britânico conseguiram encurralar o Russo. Vladimir Putin encontrou sempre o apoio de outros participantes — muitas vezes a Alemã Angela Merkel — exprimindo dúvidas.

Diante da firmeza russa, David Cameron tentou convencer os seus parceiros ocidentais que a sorte das armas poderia ainda mudar : o MI6 e a DGSE estão prontos para lançar um golpe de Estado militar em Damasco. Um agente, recrutado no palácio, poderia matar o presidente, enquanto um general, recrutado no topo dos serviços secretos, liquidaria os lealistas e tomaria o poder. As novas autoridades implantariam uma ditadura militar que cederia progressivamente o lugar a uma democracia parlamentar.

Para além de todos se perguntarem sobre quem seriam os traidores recrutados no circulo presidencial, a proposta britânica não convenceu. Não era a primeira vez que esta hipótese fora lançada e que falhara. Já houve a tentativa de envenenamento dos membros do Conselho nacional de segurança, e a tomada de poder por um dentre eles (mas o traidor agiu como um agente duplo) ; Depois, o atentado à bomba que custou a vida aos membros do Conselho nacional de segurança, sincronizado com o ataque da capital por 40.000 jihadistas (mas a Guarda nacional defendeu a cidade) ; houve o ataque ao Estado-maior por kamikazes, acoplado com o levantamento de um regimento que nunca se deu ; etc. E, os planos que falharam quando a maré era propicia terão poucas hipóteses de sucesso agora que o exército nacional reconquista o território.

No Comunicado final (parágrafos 82 a 87), os participantes do G8 reiteraram a sua confiança no processo de Genebra, sem no entanto clarificar as suas ambiguidades. Continua sem saber o que é uma « transição política ». Tratar-se-á de uma transição entre guerra civil e paz, ou entre uma Síria governada por el-Assad e uma outra governada por pró-Ocidentais ? No entanto, dois pontos são aclarados : por um lado, a Frente Al-Nosra não deverá participar em Genebra 2 e deve ser expulsa da Síria e, por outro lado, uma comissão ad hoc das Nações Unidas investigará o uso de armas químicas, mas será formada por peritos da Organização para a proibição destas armas e da Organização mundial da Saúde.

É ao mesmo tempo positivo e negativo. Há o negativo porque os franco-britânicos não abandonaram nunca a ideia que Genebra 2 deveria ser a conferência da capitulação síria face às exigências da colonização ocidental. É positivo porque o G8 condena explicitamente o apoio do Conselho de cooperação do Golfo à Frente Al- Nosra, e porque enterra honoravelmente a polémica mediática sobre as armas químicas. Restará saber si tudo isto é sincero.

Parece em todo o caso que a Rússia não está certa disso. Num encontro com a imprensa, no final da cimeira, Vladimir Putin indicou que outros membros do G8 também não acreditavam no uso de armas químicas pelo governo de Damasco, mas sim pelos grupos armados. Ele lembrou que a polícia turca tinha confiscado gás sarin aos combatentes da oposição síria e que, segundo os documentos turcos, este gaz lhes tinha sido fornecido a partir do Iraque [pelo antigo vice-presidente do Baas iraquiano, Ezzat al-Douri]. Mais do que isso, o presidente Putin evocou várias vezes as suas duvidas sobre a entrega de armas pelos Estados-Unidos e seus aliados. Ele sublinhou que a questão não tinha a ver com fornecer ou não, mas sim de o fazer oficiosamente ou oficialmente ; já que todos sabiam que, desde há dois anos, os « comandos » dispõem de armas que lhes chegam do estrangeiro.

Dois dias mais tarde, o ministro russo dos Negócios estrangeiros, Sergei Lavrov, punha à prova a coerência dos Estados-Unidos. Ele sublinhou que as iniciativas de condenação unilateral da Síria na ONU, e as declarações sobre a possível criação de uma zona de exclusão aérea eram sinais de encorajamento aos « comandos » de mercenários, incluindo os da Al-Qaeda.

( Este é apenas um trecho de “Os debates do G8, publicado em VOLTAIRENET. Link para o texto integral )

junho 25, 2013

Presidente da Rússia desafia Casa Branca a explicar por que apoia terroristas na Síria

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou que não há justificativa para que os EUA, e demais países ocidentais, apoiem as forças terroristas vinculadas a AlQaeda na Síria, organização estrangeira considerada terrorista pelo Departamento de Estado norte-americano e pela União Europeia. A denúncia foi feita durante a seção plenária do Fórum Econômico Internacional, realizado em São Petersburgo durante os dias 20 e 22 de junho. Durante o evento Putin recordou que o conflito com os mercenários na Síria só se arrasta por tanto tempo devido ao apoio com armas e suprimentos fornecido pelos EUA.

“E se os mercenários decidirem chamar a atenção sobre o fato de que há muito tempo recebem armas do estrangeiro ? Não vamos tratar da origem dessas armas? Como é sabido, se não existissem esses fornecimentos, o que está ocorrendo na Síria seria impossível. Há envio de dinheiro e armas”. O presidente russo ressaltou que o fornecimento de armas aos mercenários viola o direito internacional e ameaça desestabilizar mais um país Árabe.

“Por que fornecer armas a forças terroristas na Síria, quando não estamos seguros da composição desses grupos?” Se os EUA “reconhecem a al-Nusra, uma das principais organizações de oposição como terrorista, como podem entregar armas aos membros da oposição?” Putin reiterou que a Rússia fornece armas ao governo legítimo da Síria, portanto não infringe nenhuma lei.

Putin também enfatizou que não é o povo Sírio que está lutando contra o governo de Bashar al-Assad, durante coletiva de imprensa conjunta com a chanceler alemã, Ângela Merkel, que se encontrava em visita oficial à Rússia para participar do Fórum Econômico Internacional. Para ele, os supostos combatentes são na verdade mercenários, terroristas fortemente armados e pagos pelo exterior.

Na mesma semana, durante Conferência de “Amigos da Síria” realizada na sexta-feira (22), um dirigente da oposição síria, Hassan Abdel Azim, chefe do Comitê Nacional de Coordenação para a Mudança Democrática, condenou o envio de armas aos terroristas sírios, e qualificou a ideia como “ridícula”. Durante a mesma reunião o secretário de estado norte-americano, John Kerry, anunciou que os mercenários necessitam de mais apoio “para serem capazes de fazer frente aos desequilíbrios no campo de batalha”.

HORA DO POVO

Encontro internacional rejeita intervenção dos EUA na Síria

Resolução dos participantes do 22º Seminário Comunista Internacional sobre a Síria

1) Afirmamos que as políticas e ações subversivas do imperialismo com o objetivo de impor sua hegemonia no Oriente Médio são a razão principal dos conflitos, tensões e guerras na região. O imperialismo dos EUA, da União Europeia, da OTAN e também de Israel e dos regimes reacionários pró-imperialistas da região compartilham responsabilidades comuns nos crimes cometidos contra os povos da região.

2) Condenamos a instrumentalização por parte do imperialismo e seus aliados na região das diferenças e dos conflitos religiosos. O imperialismo intervém vulgarmente nos assuntos dos Estados apoiando as forças reacionárias internas e não duvidando em intervir em apoio direto às organizações provocadoras fundamentalistas e terroristas sob o pretexto de intervenção humanitária.

3) Condenamos a agressão militar israelense contra a Síria em flagrante violação do direito internacional e denunciamos o apoio incondicional do imperialismo a este ato bélico.

4) Apoiamos o direito absoluto do povo sírio que sofre os ataques subversivos e terroristas apoiado pelo imperialismo e os regimes reacionários da região a escolher seu próprio caminho político e sua direção sem ingerência estrangeira. Declaramos nossa solidariedade plena e sem reservas ao povo sírio.

junho 19, 2013

A verdade proibida: Os EUA estão a canalizar armas química para a Al Qaeda na Síria, Por Michel Chossudovsky

Filed under: WordPress — Tags:, , , , , , — Humberto @ 9:07 pm

– Obama é um mentiroso e um terrorista

– Quem cruzou a “Linha vermelha”?

– Obama e John Kerry apoiam uma organização terrorista que consta na lista negra do Departamento de Estado

por Michel Chossudovsky

Estará o presidente Obama a preparar o cenário para uma “intervenção humanitária” ao acusar displicentemente o presidente sírio de matar o seu próprio povo?

“Na sequência de uma revisão deliberativa, nossa comunidade de inteligência estima que o regime Assad utilizou armas químicas, incluindo o agente de nervos sarin, em pequena escala contra a oposição múltiplas vezes durante o ano passado”

O vice-conselheiro de segurança nacional da Casa Branca, Ben Rhodes, afirmou numa declaração: “Nossa comunidade de inteligência tem alta confiança naquela estimativa devido a múltiplas e independentes fontes de informação”.

“Obama avisou o presidente Bashar Al Assad das “enormes consequências” de ter cruzado a “linha vermelha” ao alegadamente utilizar armas químicas.

Dinheiro e armas para a Al Qaeda

A saga das armas de destruição maciça (ADM) no Iraque, com base em provas falsificadas, está a desdobrar-se. Os media ocidentais em coro acusam implacavelmente o governo sírio de assassínio em massa premeditado, conclamando a “comunidade internacional” a vir resgatar o povo sírio.

“A Síria transpõe a “linha vermelha” sobre armas químicas. Como responderá Obama?

A “oposição” síria está clamar junto aos EUA e seus aliados para que implementem uma zona de interdição de voo (no fly zone).

A Casa Branca por sua vez reconheceu que a linha vermelha “fora cruzada”, enfatizando ao mesmo tempo que os EUA e seus aliados “aumentarão o âmbito e a escala da assistência” aos rebeldes.

O pretexto das armas químicas está a ser utilizado para justificar ainda mais ajuda militar aos rebeldes, os quais em grande parte foram liquidados pelas forças do governo sírio.

Estas forças rebeldes derrotadas – em grande parte compostas pela Al Nusrah, associada à Al Qaeda – são apoiadas pela Turquia, Israel, Qatar e Arábia Saudita.

Os EUA-NATO-Israel perderam a guerra no terreno. Seus combatentes da Frente Al Nusrah, os quais constituem a infantaria da aliança militar ocidental, não podem, sob quaisquer circunstâncias, serem repostos através de um fluxo renovado de ajuda militar dos EUA-NATO.

A administração Obama está num impasse: a sua infantaria foi derrotada. Uma “zona de interdição de voo”, nesta etapa, seria uma proposta arriscada dado o sistema de defesa aérea da Síria, o qual inclui o sistema russo S-300 SAM.

Combatentes da Al Nusra.

Os EUA-NATO estão a treinar rebeldes da “oposição” na utilização de armas químicas

As acusações de armas químicas são falsificadas. Numa ironia amarga, as provas confirmam amplamente que as armas químicas estão a ser utilizadas não pelas forças do governo sírio mas sim pelos rebeldes da Al Qaeda apoiados pelos EUA.

Numa lógica enviesada pela qual as realidades são invertidas, o governo sírio está a ser acusado pelas atrocidades cometidas pelos rebeldes associados a Al Qaeda patrocinados pelos EUA.

Os media ocidentais estão a introduzir desinformação nas cadeias de notícias, refutando despreocupadamente as suas próprias reportagens. Como confirmado por várias fontes, incluindo a CNN, a aliança militar ocidental não só disponibilizou armas químicas para a Frente Al Nusrah como também enviou empreiteiros militares (military contractors) e forças especiais para treinar os rebeldes.

O treino [em armas químicas], o qual está a ter lugar na Jordânia e na Turquia, envolve como monitorar e acumular stocks com segurança,além do manuseamento destas armas em sítios em materiais, segundo as fontes. Alguns dos empreiteiros estão sobre o terreno na Síria a trabalhar com os rebeldes para monitorar alguns dos sítios, segundo um dos responsáveis.

A nacionalidade dos treinadores não foi revelada, embora os responsáveis advirtam contra a suposição de que todos eles sejam americanos. ( CNN , 09/Dezembro/2012, ênfase acrescentada)

Se bem que as notícias e reportagens não confirmem a identidade dos empreiteiros da defesa, as declarações oficiais sugerem um estreito vínculo contratual com o Pentágono.

A decisão estado-unidense de contratar estranhos empreiteiros de defesa para treinar rebeldes sírios a manusearam stocks acumulados de armas químicas parece perigosamente irresponsável ao extremo, especialmente quando se considera quão inepta Washington foi até agora para garantir que apenas rebeldes laicos e confiáveis – na medida em que existam – recebam a sua ajuda e as armas que aliados nos estados do Golfo Árabe têm estado a fornecer.
Isto também corrobora acusações feitas recentemente pelo Ministério das Relações Exteriores sírio de que os EUA estão a trabalhar para compor o quadro de que o regime sírio como tendo utilizado ou preparado a guerra química.

“O que levanta preocupações acerca desta notícia circulada pelos media é o nosso sério temor de que alguns dos países apoiando o terrorismo e terroristas possam proporcionar armas químicas aos grupos terroristas armados e afirmar que foi o governo sírio que utilizou tais armas” , (John Glaser, Us Defense Contractors Training Syrian Rebels , Antiwar.com, December 10, 2012, ênfase acrescentada).

Não tenhamos ilusões. Isto não é um exercício de treino de rebeldes em não proliferação de armas químicas.

Enquanto o presidente Obama acusa Bashar Al Assad, a aliança militar EUA-NATO está a canalizar armas químicas para a Al Nusrah, uma organização terrorista na lista negra do Departamento de Estado.

Com toda a probabilidade, o treino dos rebeldes da Al Nusrah na utilização de armas químicas ficou a cargo de empreiteiros militares privados.

A Missão Independente das Nações Unidas confirma que forças rebeldes estão na posse do gás de nervos Sarin

Carla Del Ponte.
Enquanto Washington aponta o dedo ao presidente Bashar al Assad, uma comissão de inquérito independente das Nações Unidas em Maio de 2013 confirmou que os rebeldes, ao invés do governo, têm armas químicas na sua posse e estão a utilizar gás de nervos sarin contra a população civil:

Investigadores de direitos humanos da ONU reuniram testemunhos das baixas da guerra civil da Síria e de equipes médicas indicando que forças rebeldes utilizaram o agente de nervos sarin, disse domingo um dos principais investigadores.
A comissão independente de inquérito das Nações Unidas sobre a Síria ainda não viu provas de que forças governamentais tenham utilizado armas químicas, as quais estão proibidas pelo direito internacional, disse Carla Del Ponte, membro da comissão. (ver imagem)

“Nossos investigadores estiveram em países vizinhos a entrevistas vítimas, médicos e hospitais de campo e, segundo o seu relatório da semana passada que vi, há fortes e concretas suspeitas, mas não ainda prova incontroversa, da utilização do gás sarin, a partir do modo como as vítimas foram tratadas “, disse Del Ponte numa entrevista à televisão suíça-italiana.

“Isto foi utilizado por parte da oposição, os rebeldes, não pelas autoridades governamentais”, acrescentou ela, a falar em italiano. (” U.N. has testimony that Syrian rebels used sarin gas: investigator ,” Chicago Tribune, May, 5  2013, ênfase acrescentada)

Relatório da polícia turca: Terroristas do Al Nusrah apoiados pelos EUA possuem armas químicas

Segundo a agência de notícias estatal turca Zaman, o Diretorado Geral Turco de Segurança (Emniyet Genel Müdürlügü):

[A polícia] apreendeu 2 kg de gás sarin na cidade de Adana nas primeiras horas da manhã de ontem. As armas químicas estavam na posse de terroristas do Al Nusra que se acredita terem ido para a Síria.
O gás sarin é incolor, uma substância inodoro que é extremamente difícil de detectar. O gás é proibido pela Convenção das Armas Químicas de 1993.

A EGM [polícia turca] identificou 12 membros da célula terrorista Al Nusra e também apreendeu armas de fogo e equipamento digital. Esta é a segunda confirmação oficial importante da utilização de armas química por terroristas da Al Qaeda na Síria após recentes declarações da inspectora Carla Del Ponte confirmando a utilização de armas químicas pelos terroristas na Síria apoiados pelo Ocidente.

A política turca está actualmente a efectuar novas investigações quanto às operações de grupos ligados à Al Qaeda na Turquia. (Para mais pormenores ver Gearóid Ó Colmáin, Turkish Police find Chemical Weapons in the Possession of Al Nusra Terrorists heading for Syria, Global Research.ca, May 30, 2013 )

Quem cruzou a “Linha vermelha”? Barack Obama e John Kerry estão a apoiar uma organização terrorista na lista do Departamento de Estado.
O que se está a desenrolar é um cenário diabólico – o qual faz parte integral do planeamento militar dos EUA –, nomeadamente uma situação em que terroristas da oposição da Frente Al Nusrah aconselhados por empreiteiros ocidentais da defesa estão realmente na posse de armas químicas.

O Ocidente afirma que está vindo em resgate do povo sírio, cuja vidas alegadamente são ameaçadas por Bashar Al Assad.

Obama não só “Cruzou a linha vermelha” como está a apoiar a Al Qaeda. Ele é um Mentiroso e um Terrorista.

A verdade proibida, que os media ocidentais não revelam, é que a aliança militar EUA-NATO-Israel não só está a apoiar a Frente Al Nusrah como tambémestá a disponibilizar armas química para forças rebeldes da sua “oposição” proxy.

A questão mais ampla é: Quem constitui uma ameaça para o povo sírio? O presidente Bashar al Assad da Síria ou o presidente Barack Obama da América, que ordenou o recrutamento e treino de forças terroristas que estão na lista negra do Departamento de Estado dos EUA?

Numa ironia amarga, segundo o Bureau of Counter-terrorism do Departamento do Estado dos EUA, o presidente Obama e o secretário de Estado John Kerry, para não mencionar o senador John McCain, podiam ser considerados responsáveis por “conscientemente proporcionar, ou tentar ou conspirar para isso, apoio material ou recursos para, ou envolver-se em transacções com, a Frente al-Nusrah”.

O Departamento de Estado emendou o Foreign Terrorist Organization (FTO) e a Executive Order (E.O.) 13224 com as designações da al-Qaida no Iraque (AQI) a fim de incluir os seguintes novos pseudônimos: al-Nusrah Front, Jabhat al-Nusrah, Jabhet al-Nusra, The Victory Front, e Al-Nusrah Front for the People of the Levant. As consequências de acrescentar a Frente al-Nusrah como nova denominação para a Al Qaida incluem uma “proibição contra conscientemente proporcionar, ou tentar ou conspirar para proporcionar, apoio material ou recursos para, ou envolver-se em transacções com a Frente al-Nusrah, e o congelamento de toda propriedade e interesses na propriedade da organização que estão nos Estados Unidos, ou venham a estar dentro dos Estados Unidos ou controle de pessoas dos EUA. (ênfase acrescentada)

O conselho do Departamento de Estado reconhece que de Novembro de 2011 a Dezembro de 2012:
“A Frente Al-Nusrah reivindico aproximadamente 600 ataques – que vão de mais de 40 ataques suicidas a armas pequenas e operações com dispositivos explosivos improvisados – em centros de cidade principais incluindo Damasco, Alepo, Hamah, Dara, Homes, Idlib e Dayr al-Zawr. Durante estes ataques numerosos sírios inocentes foram mortos.

O conselho também confirma que “os Estados Unidos efectuam esta acção [de por a Frente Al Nusrah na lista negra] no contexto do nosso apoio geral ao povo sírio. …
O que se deixa de mencionar é que a administração Obama continua a canalizar dinheiro e armas para a Al Nusrah em desobediência flagrante da legislação contra-terrorismo dos EUA.

O “intermediário” de Washington: O general Salim Idriss

Gen Salim Idriss.O “intermediário” de Washington é o Chefe do Supremo Conselho Militar da FSA, general de brigada Salem Idriss (v. foto), o qual está em ligação permanente com comandantes militares da Al Nusrah.

O secretário de Estado John Kerry reúne-se com representantes da oposição síria. Responsáveis dos EUA reúnem-se com o general Idriss. Este último, a actuar por conta do Pentágono, canaliza dinheiro e armas para os terroristas. Este modelo de apoio ao Al Nusra é semelhante àquele aplicado no Afeganistão pelo qual o governo militar paquistanês do general Zia Ul Haq canalizou armas para os jihadistas “Combatentes a liberdade” no auge da guerra soviética-afegã.

O apoio dos EUA a terroristas é enviado sempre através de um intermediário de confiança. Segundo um responsável da administração Obama: “Se bem que os Estados Unidos possam ter influência sobre o general Idris, não têm capacidade para controlar alguns jihadistas – como a Frente Nusra, a qual também está a combater forças do governo sírio”. ( New York Times, May 23, 2013 )

John McCain entra na Síria, em mistura com terroristas patrocinados pelos EUA

Enquanto isso, o senador John McCain “entrou na Síria [no princípio de Junho] a partir da fronteira turca do país e permaneceu ali por várias horas … McCain encontrou-se com líderes reunidos de unidades do Free Syrian Army tanto na Turquia como na Síria”. Ver imagem de John McCain junto com o general Salem Idriss).

John McCain e Salim Idriss.O papel contraditório do Conselho de Segurança das Nações Unidas

No fim de Maio de 2013 o Conselho de Segurança da ONU acrescentou a Al Nusrah à Lista de sanções da Al Qaida do UNSC. Mas ao mesmo tempo, a decisão do Conselho de Segurança despreocupadamente descartou o facto, amplamente documentado, de que três membros permanentes do Conselho, nomeadamente a Grã-Bretanha, a França e os EUA, continuam a proporcionar ajuda militar à Frente Jabbat Al Nusrah, em desafio ao direito internacional e à Carta das Nações Unidas.

ANEXO 1
THE TERRORIST DESIGNATION OF AL NUSRAH BY THE US STATE DEPARTMENT
U.S. DEPARTMENT OF STATE
Office of the Spokesperson December 11, 2012
STATEMENT BY VICTORIA NULAND, SPOKESPERSON 

Terrorist Designations of the al-Nusrah Front as an Alias for al-Qa’ida in Iraq

ANEXO 2
UNITED NATIONS SECURITY COUNCIL
Department of Public Information • News and Media Division • New York

Security Council Al-Qaida Sanctions Committee Amends Entry of One Entity on Its Sanctions List

ANEXO 3
TRANSCRIPT OF STATE DEPARTMENT PRESS BRIEFING CONCERNING AL NUSRAH
Senior Administration Officials on Terrorist Designations of the al-Nusrah Front as an Alias for al-Qaida in Iraq
Special Briefing Senior Administration Officials
Via Teleconference
Washington, DC
December 11, 2012

Ver também:

Deleted Daily Mail Online Article: “US Backed Plan for Chemical Weapon Attack in Syria to Be Blamed on Assad”

O original encontra-se em www.globalresearch.ca/…

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/

junho 17, 2013

O gás sarin é tão volátil como as promessas de Washington, Por Thierry Meyssan

Terá a Síria utilizado ou não gás sarin, contra a sua oposição armada ? Após ter assombrado as colunas dos jornais, a pergunta encontrou em Paris, Londres e Washington uma resposta positiva. A linha vermelha teria sido pisada. A guerra estaria pois iminente. Na realidade, este jogo mediático chega bastante tarde. Em termos de direito internacional, a Síria não é signatária da Convenção sobre as armas químicas e pode portanto utilizá-las livremente. Inútil pois a inventona do uso por Damasco de armas de destruição massiva, a guerra chega ao seu fim.

A questão do uso do gás sarin pelas tropas regulares sírias parece-se com um jogo de tolos. Interrogado a este propósito, o porta-voz do ministério sírio dos Negócios estrangeiros – (Relações exteriores – Br ), Jihad Makdisi, declarava, a 23 de julho de 2012, que o seu país poderia dispôr e fazer uso de tais armas, exclusivamente contra inimigos externos. Esta declaração foi interpretada pela imprensa dos Estados da OTAN e do CCG como uma ameaça em relação aos « rebeldes », na medida em que Damasco afirma que eles são — como no caso da Nicarágua — « Contras », largamente estrangeiros. Ela visava com efeito, e sem contestação possível, ao mesmo tempo os membros da OTAN e Israel. O porta-voz foi extremamente claro quanto ao facto que nenhuma arma deste tipo seria utilizada contra os « insurgentes » sírios.

Pouco importa, as declarações de Jihad Makdisi eram demasiado sérias para uma OTAN que, em 2003, não hesitou em inventar « armas de destruição em massa » no Iraque. Por duas vezes, a 20 de agosto e a 3 de dezembro de 2012, o presidente Barack Obama advertiu a Síria contra o recurso à arma química. «Se começarmos a ver quantidades de armas químicas a ser deslocadas ou utilizadas, isso mudaria o meu julgamento e a minha decisão », declarava ele primeiro. Acrescentando depois «Eu vou ser absolutamente claro para Assad e os que estão sob o seu comando : o mundo observa-vos, a utilização de armas químicas é e será considerada como totalmente inaceitável. Se cometeis o erro trágico de utilizar estas armas químicas, isso terá consequências e vós respondereis por tal ».

Os falcões liberais e os neo-conservadores fazem então campanha por uma intervenção militar ocidental. Segundo eles, a Síria experimentaria uma « primavera árabe » barbaramente reprimida por um « ditador ». A comunidade internacional deveria intervir em nome dos grandes ideais. Nem uma palavra, claro, sobre os anos de preparação e o financiamento desta «primavera árabe » pela OTAN e o CCG, afim de se apropriarem dos hidrocarbonetos sírios e impôr um regime sionista islamista. É assim que a professora Anne-Marie Slaughter, antiga directora de planificação junto a Hillary Clinton (2009-2011), compara o deixa-andar de Obama na Síria ao caso ruandês no Washington Post. [1]

Em 2003 as provas das « armas de destruição massiva » iraquianas vieram de um testemunho surpresa. Enquanto o chefe da missão de inspeção das Nações Unidas, Hans Blix, confirmava diante do Conselho de segurança que tais armas não existiam no Iraque desde 1991, Hussain al-Shahristani, um cientista no exílio, dá um testemunho confirmando o secretário de Estado Colin Powell : Saddam Hussein dispõe de armas químicas, bacteriológicas e nucleares. As suas declarações são confirmadas pelo International Institute for Strategic Studies (IISS)-(em inglês, para Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, NdT) de Londres. Contudo nenhuma das suas afirmações resistirá aos factos. Uma vez o Iraque invadido, pilhado e destruído, Washington admitirá ter-se enganado, enquanto a sua falsa testemunha se tornará Primeiro-ministro adjunto do Iraque «libertado » e o IISS continuará a perorar.

Desta vez, o trabalho de intoxicação cabe à França e ao Reino-Unido. As duas potências coloniais, que partilharam o Próximo-Oriente em 1916, puxam por uma intervenção militar ocidental apesar dos três vetos russos e chineses. A 27 de maio, na véspera de uma reunião crucial dos ministros europeus sobre a possível entrega de armas aos « rebeldes », o Le Monde publicava uma reportagem de Jean-Philippe Rémy atestando o uso de gás sarin em Damasco. O repórter terá trazido amostras de sangue e de urina que terão sido analisados por um laboratório militar francês. O ministro francês dos Negócios estrangeiros, Laurent Fabius, reagiu a correr, depois foi o governo britânico que denuncia um «crime de guerra ». No fim, segundo a Casa- Branca : « a nossa comunidade de Informações atesta que o regime de Assad utilizou armas químicas, incluindo gás sarin, em pequena escala, contra a oposição, múltiplas vezes, durante o ano passado ».

O problema é que não há verdadeiro problema : primeiramente o uso de gás sarin está interdito desde 2007 pela Convenção sobre as armas químicas, que não foi ratificada nem por Israel, nem pela Síria. [2] De facto, estes dois Estados podem fabricá-las, possuí-las e utilizá-las legalmente sem cometer «crime de guerra ». Em segundo lugar, o uso de gás sarin pelas tropas regulares teria que ser bem provado por Paris, Londres e Washington, o que é muito pouco provável. O caso relatado pelo Le Monde é de espantar : O Exército árabe sírio teria utilizado o gás em Damasco, no bairro de Jobar, sem que o gás ultrapassasse a rua e atingisse a população civil do resto da capital. Os combatentes atingidos não apresentaram convulsões, indicando uma disseminação muito fraca. Trataram-se não só com ampolas de atropina, mas também com aplicações locais, nomeadamente gotas para os olhos, o que parece totalmente inútil para um gás que penetra pela pele. Resumindo, as provas francoanglo- EU resistem tanto às provas dos factos como as acumuladas por George W. Bush e Tony Blair contra o Iraque.

No caso do uso de gás sarin ser considerado como uma abominação necessitando de uma intervenção internacional, pode-se perguntar, realmente, porque as alegações de Carla del Ponte, membro da Comissão de inquérito do alto Comissariado para os Direitos do homem, não suscitaram as mesmas reações. Ela declarou, a 5 de maio de 2013, à televisão suiça, que : «Aquando do nosso inquérito – ou seja, a nossa equipe de investigação interrogou nos países vizinhos diversas vítimas assim como os médicos nos hospitais de campanha no local – eu li na semana passada num relatório que há indícios concretos, mesmo não estando ainda provados de modo irrefutável, que o sarin foi utilizado. Podemos deduzir isto pela maneira como as vítimas foram tratadas. E que foi utilizado pelos opositores, portanto pelos rebeldes, e não pelo governo ». As declarações da magistrada não fizeram mais que confirmar as reivindicações do Exército sírio livre que, a 5 de dezembro de 2012, mostrava penosas tentativas para se dotar de armas químicas e ameaçava os alauítas com o seu uso. [3] Todavia, não houve nenhuma reação, considerando o desmentido cáustico feito pela sua própria Comissão, a pedido da Alta-Comissária Navy Pilai. Na ausência de responsabilidade política, as palavras da ex-procuradora helvética só a implicam a ela mesma.

Uma vez atirado o uso de gás sarin para o exército regular, a Casa-Branca dispõe de um argumento para legalizar o que ela já faz desde o início do conflito : fornecer armas aos « Contras ». [4] Enfiando-se pela brecha, o general Salim Idriss, comandante-em-chefe do Exército sírio livre, tratou de encomendar roquetes anticarro e misseis terra-ar. Eles podem ser úteis, mas não decisivos, porque aquilo que o seu « exército » necessita é muito mais de homens do que de material. Entretanto os fornecimentos dos E.U deveriam limitar-se a armas ligeiras e a munições : a guerra chega ao seu fim. Washington não espera mais conquistar a Síria, mas apenas e realmente fazer o ESL (Exército Sírio Livre, NdT) liquidar a Frente Al-Nosra (filial da Al-Kaida, NdT). Aqueles que acreditaram nas suas falsas promessas pagarão o respectivo preço. A Turquia está paralisada por um levantamento contra a política dos Irmãos muçulmanos, incarnada por Recep Tayyip Erdoğan, enquanto Washington acaba de obrigar o emir Hamad Al-Thani a ceder o trono do Catar ao seu filho Tamim. O momento da nova partilha do Próximo-Oriente, entre Russos e Norteamericanos, aproxima-se.

Thierry Meyssan – VOLTAIRENET

Tradução
Alva

[2] Cf. le site oficial do OPWC.

[3] « L’ASL expose son laboratoire d’armes chimiques », Réseau Voltaire, 5 de dezembro de 2012.( « O ESL expõe o seu laboratório de armas químicas »-NdT)

[4] « Exclusive : Obama authorizes secret U.S. support for Syrian rebels », por Mark Hosenball, Reuters, 1º de agosto de 2012. (« Exclusivo : Obama autoriza apoio secreto dos E.U aos rebeldes da Síria »-NdT)

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