ENCALHE ( Descontinuado em 05.10.2013 )

agosto 29, 2013

Carniceiros se revezam em Washington

Para sua folha corrida de criminoso de guerra, o presidente Obama vai incluir agora o ataque à Síria, depois de já ter acumulado extenso currículo assassinando civis com drones no Afeganistão, Paquistão e Iêmen, e o massacre em massa na Líbia, inclusive do líder Muamar Kadafi, além de variadas operações encobertas, de grampear o planeta inteiro, e da manutenção de Guantánamo.

O que não o impede de ser um “Nobel da Paz”, honraria que não foi concedida a W. Bush, apesar deste ter se esforçado muito, começando duas guerras, torturando, sequestrando, criando a prisão de Guantánamo, e roubando petróleo.

Para o assalto à Síria, Obama está apelando para a mesma fraude que W. Bush cometeu contra o Iraque: usando mentiras fabricadas pela CIA e satélites como pretexto para violar a Carta da ONU.

W. Bush usou histórias contadas por operativos da CIA sobre “armas de destruição em massa” de Sadam, “compra de urânio no Niger”, “45 minutos para desfechar ataque químico e biológico”, e fotomontagens de satélite, gravações e até o “vidrinho com pó de antrax” para invadir o Iraque.

As “provas” de Obama, pelo que se sabe até agora, são alegações de YouTube, declarações de mercenários a serviço dos EUA e pagos pela Arábia Saudita e Qatar, e gravações gentilmente cedidas pelo Mossad.
Obama e W. Bush insistiram para que os inspetores da ONU não completassem devidamente o seu trabalho de investigação, inclusive ameaçando bombardear enquanto estivessem lá, e os apressando a sair. Os inspetores de Ban Ki Moon estão de saída no sábado.

W. Bush, repetindo o que lhe dizia seu chefe do Pentágono, garantia que a guerra seria um passeio, e que os marines seriam “recebidos com flores”. Obama assevera que será “um ataque cirúrgico”, sem envolvimento direto na guerra que patrocina contra o povo e o governo sírio.

Obama, que foi eleito pregando contra a guerra, e já parte para sua segunda guerra exclusivamente dele, além das que herdou de W. Bush.

Enquanto prepara a chacina “humanitária” contra o povo sírio, Obama se deu o desfrute de profanar o lendário discurso do grande Martin Luther King, com uma comemoração chapa branca. Mas está indelevelmente tatuado de “I have a drone”, enquanto Luther King será sempre “I have a Dream”.

E foi o Dr. King, como era carinhosamente chamado, que no discurso de abril de 1967, com sua candente denúncia da Guerra do Vietnã e das agressões movidas pelo imperialismo dos EUA contra os povos, que apresentou como uma “doença”, que traçou na areia uma linha que não pode ser cruzada por oportunistas, por mais encenações que façam. ( HORA DO POVO )

Bombardeio que Obama quer viola Carta da ONU

Rússia e China negam aval à agressão à Síria, em preparação por Washington e seus satélites

Esboço de “resolução” apresentado pelo Reino Unido na reunião a portas fechadas dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, para dar aval ao criminoso bombardeio contra a Síria que Obama está pronto a desfechar – em socorro dos contras que vêm sendo derrotados pelo povo e pelo exército sírio – foi terminantemente rejeitado pela Rússia e pela China na quarta-feira (28), tornando a repetição da fraude de W. Bush no Iraque ainda mais indisfarçável. Até no detalhe de também não querer esperar pelo trabalho dos inspetores da ONU no terreno.

Assim, o que Washington está prestes a cometer é uma guerra de agressão, o que o Tribunal de Nuremberg já definiu como o “supremo crime”. Como a Rússia apontou, o ataque será uma violação frontal da Carta das Nações Unidas – e não será a cumplicidade dos serviçais Hollande e Cameron, além do governo turco e dos feudais sauditas e do Qatar, que irá mudar isso.

A China advertiu que “potências externas emitiram um veredito contra o governo sírio sob condições em que a verdade ainda não está clara” e convocou “todas as partes a aguardar os resultados da investigação da ONU”. Enquanto isso, navios de guerra e submarinos das potências agressoras já estão posicionados diante do litoral sírio esperando a ordem de Obama.

Assim como W. Bush fez uma guerra ilegal e imoral contra o Iraque, asseverando que havia “provas” da CIA de que Sadam tinha “armas de destruição em massa” e “queria fazer armas nucleares”, o que depois da invasão ficou provado que era uma fraude, agora o prêmio Nobel da Paz Obama diz que sabe “que foi Assad” que fez o suposto ataque com gás em Goutha, na semana passada nos arredores de Damasco. O “Wall Street Journal” e a revista alemã “Focus” afirmaram que as “provas” foram passadas à CIA pelo Mossad… Mas, segundo a mídia norte-americana, Obama não tem “nenhuma ‘smoking gun’ [arma fumegante, isto é, prova incontestável].

Segundo a porta voz do Departamento de Estado, Marie Harf, estaria “provado” que o governo Assad “é que tem a capacidade de realizar ataques químicos” e a “oposição não tem”. Outra mentira, porque em maio a ex-procuradora do Tribunal Internacional sobre a Iugoslávia, que não pode ser acusada de ser progressista, e que agora é da Comissão da ONU de Investigação na Síria, afirmou, depois de se dizer “estarrecida”, que quem estava usando gás sarin em ataques eram os “rebeldes”, como havia sido determinado pelos investigadores no terreno.

Não só Obama não apresentou qualquer prova, como também tentou pressionar para que o trabalho dos inspetores na Síria fosse encerrado, sob a alegação de que seria “redundante”. De acordo com o chefe dos inspetores da ONU no Iraque, o sueco Hans Blix, “dentro de um mês, quando tenhamos amostras precisas, saberemos com exatidão que classe de armas químicas foram empregadas e quem possui tais armas”. Como W. Bush, Obama não quer investigação nenhuma, quer é usar o incidente de Ghouta de pretexto para socorrer seus contras em má situação. Como registrou o colunista Robert Fisk, do “Independent”, “no Iraque, fomos à guerra movidos por mentiras difundidas por bandidos e mentirosos conhecidos. Dessa vez, é guerra movida a You Tube”.

Os inspetores da ONU haviam chegado ao país para investigar a denúncia do governo sírio de que em março os contras fizeram um ataque com foguete com gás em Khan Al Assal. Quanto a Ghouta, o governo russo afirmou que um foguete semelhante ao de Khan Al Assad fora lançado “a partir de posição controlada pelos rebeldes”. Robert Fisk citou reiteradas notícias de Beirute de “que três membros do Hezzbollah – que lutavam do lado do exército sírio em Damasco – foram ao que parece atingidos pelo mesmo gás, no mesmo dia, ao que parece, em túneis”. Ainda, o governo sírio acaba de pedir a ONU que investigue outros três ataques contra seus soldados com armas químicas. ocorridos na semana passada.

“CHANCE À PAZ”

Falando na terça-feira (27) em Haia, o secretário-geral da ONU Ban Ki Moon afirmou: “Deixem que os inspetores concluam seus quatro dias de trabalho, e então teremos que analisar cientificamente as provas e depois suponho que tenhamos que informar ao Conselho de Segurança da ONU”. “Dêem uma chance à paz”, acrescentou. “Neste hall dedicado à regra da lei, eu digo: mantenhamo-nos dentro da Carta das Nações Unidas. A lógica militar nos deu um país à beira da destruição total, uma região em caos e uma ameaça global. Por que jogar mais combustível no fogo?”

Por sua vez, o ex-secretário-geral da Otan, Javier Solana, manifestou sua preocupação com aqueles que, alegremente, vem conclamando a ir mais além, e a fazer uma campanha aérea ao estilo de Kosovo. “Nem a Sérvia é Síria, nem Putin é Yeltsin, nem a União Europeia era a de hoje, nem o mundo dos anos noventa – de hegemonia ocidental – é o mesmo de hoje”, admitiu.

Mesmo em Washington e Londres as dúvidas se espraiam. Já são 100 os deputados que assinaram uma carta a Obama dizendo que a Síria “não ameaça os EUA” e que o Congresso tem de ser ouvido para autorizar ou não o ataque. Um deputado conservador inglês, Adam Holloway, disse ter recebido 100 e-mails sobre o ataque “e nenhum era a favor”. “Já há um sentimento de que Tony Blair permitiu que W.Bush dirigisse bêbado Iraque adentro, e que nós não podemos acreditar em tudo que nos dizem”.

julho 8, 2013

A sorte de Morsi prefigurará a dos Irmãos muçulmanos?, Por Thierry Meyssan

Embora surpreendido pela rapidez dos acontecimentos, Thierry Meyssan celebra a destituição do governo dos Irmãos muçulmanos que esperava desde há um ano. Enquanto a imprensa atlantista apoiava Mohamed Morsi e gritava contra Bachar el- Assad, ele mantinha o discurso oposto e denunciava a «primavera árabe» como uma manipulação. A rua egípcia desempatou

No seguimento de cinco dias de manifestações gigantescas reclamando a partida do presidente Morsi, o Exército egípcio destituiu-o e designou o presidente do Conselho constitucional para assegurar a transição até à convocação de novas eleições.

Para medir a importância do acontecimento, convêm enquadrá-lo no seu próprio desenvolvimento.

Uma agitação política atingiu uma parte de África, depois o mundo árabe, a partir do meio de dezembro de 2010. Os dois principais países envolvidos foram a Tunísia e o Egipto. Este fenómeno explica-se primeiro por causas profundas : uma mudança geracional e uma crise alimentar. Se o aspecto demográfico escapa largamente ao controlo humano, o aspecto económico foi parcialmente provocado com pleno conhecimento de causa, em 2007-08, depois de novo em 2010.

Na Tunísia e no Egipto, os Estados-Unidos tinham preparado o « render da guarda » : novos líderes ao seu serviço em lugar de líderes desvalorizados. O departamento de Estado tinha formado jovens « revolucionários » para que eles substituíssem o poder instalado. Assim, logo que Washington constatou que os seus aliados tinham sido ultrapassados pela rua, intimou-os a ceder o lugar à oposição que tinha pré-fabricado. Não foi a rua, mas os Estados-Unidos que depuseram Zine el-Abidine Ben-Ali e o general Hosni Moubarak. E foram ainda os Estados-Unidos que instalaram os Irmãos muçulmanos na sua sucessão. Este ultimo ponto é menos evidente uma vez que os dois países tiveram processos eleitorais, mas a simples realização de um escrutínio não significa a sua total validade. No entretanto, um estudo minucioso mostra que os os resultados estavam viciados.

Não há dúvida nenhuma que estes acontecimentos tinham sido antecipados por Washington e que foram por ela teleguiados, mesmo que pudessem ter também acontecido em outros Estados, como o Senegal e a Costa do Marfim.

Precisamente, surgiram problemas então na Costa do Marfim por ocasião da eleição presidencial. Mas isso não é ligado no imaginário colectivo à « primavera árabe » e acabam por uma intervenção militar francesa sob mandato da ONU.

Uma vez a instabilidade instalada na Tunísia e no Egipto, a França e o Reino-Unido lançaram um movimento de desestabilização da Líbia e da Síria, no seguimento do Tratado de Lancaster. Se algumas micro-manifestações pró-democracia se deram e foram ampliadas pelos medias ocidentais, os confrontos foram organizados pelas Forças especiais ocidentais com o apoio de instigadores takfiristas.

À força de grandes manipulações, a operação na Costa do Marfim foi excluída da « primavera árabe » ( não há árabes neste país de terça parte muçulman o), enquanto que a Líbia e a Síria foram nela incluídas ( quando na realidade se trata de operações coloniais ). Este jogo de enganos foi tanto mais fácil de realizar quanto manifestações sobrevieram no Iémen e no Bahrain cujas condições estruturais são bem diferentes. Os comentadores ocidentais incluíram-nos primeiro sob a etiqueta « primavera árabe », depois escamotearam-nos da sua argumentação, já que as situações são muito pouco comparáveis.

Definitivamente, o que faz a « primavera árabe » ( Tunísia, Egipto, Líbia, Síria ), não é a instabilidade, nem a cultura, mas a solução prevista pelas potências imperialistas : o acesso ao poder dos Irmãos muçulmanos.

Esta organização secreta, pretensamente anti-imperialista, sempre foi políticamente controlada por Londres. Ela estava representada no gabinete de Hillary Clinton, por intermédio de Huma Abedin ( esposa do demissionário deputado sionista Antony Weiner ), cuja mãe Saleha Abedin dirige o ramo feminino mundial da confraria. O Catar assegurou o financiamento das operações ( mais de 15 biliões de dólares por ano ! ) e a mediatização da confraria, a qual confiou à cadeia Al-Jazeera desde o final de 2005. Por fim, a Turquia forneceu a mestria política com conselheiros em comunicação.

Os Irmãos muçulmanos são para o islão o que os Trotskistas são para o ocidente : um grupo de putschistas, trabalhando para os interesses estrangeiros em nome de um ideal sempre remetido para o futuro. Após ter tentado uma quantidade de golpes de Estado na maioria dos países árabes no decurso do século XX, eles foram apanhados de surpresa pela sua « vitória », em 2011. Com efeito, eles não dispunham de nenhum programa de governo fora das instruções anglo-saxónicas. Eles agarraram-se, pois, aos slogans islamistas : « A solução, é o Corão », « Nós não precisamos de constituição, nós temos a Sharia », etc…

No Egipto, como na Tunísia e na Líbia, a sua governação abriu a economia ao capitalismo selvagem. Confirmou a “entente” com Israel nas costas dos Palestinianos. E procurou impôr, em nome do Corão, uma ordem moral, jamais inscrita neste livro.

As privatizações tatcherianas da economia egípcia deviam atingir a sua apoteose com a do Canal do Suez, jóia da coroa do país e fonte de rendimento, que deveria ser vendida ao Catar. Face à resistência da sociedade egípcia, Doha financiou um movimento separatista da região do Canal, como antes os Estados-Unidos criaram o movimento da independência do Panamá em relação à Colômbia.

Em resumo, a sociedade egípcia não suportou este tratamento de choque. Como eu o escrevi nestas colunas , há três semanas, ela abriu os olhos ao observar a revolta dos Turcos contra o Irmão Erdogan. Ela revoltou-se e lançou um ultimatum ao presidente Morsi. Após ter-se assegurado por telefone junto do secretário da Defesa dos EU, Chuck Hagel, que os Estados-Unidos nada tentariam para salvar o agente Morsi, o general al-Sissi anunciou a sua destituição.

Este ponto merece uma explicação : Mohamed Morsi apresentou-se, aquando do seu penúltimo discurso à Nação, como um « sábio ». Ele é, com efeito, um engenheiro espacial tendo feito carreira nos EUA, onde adquiriu a nacionalidade norteamericana, tendo trabalhado na NASA e dispondo de uma acreditação dos E U ultra secreta de segurança. Entretanto, se Morsi foi abandonado pelo Pentágono, foi pelo contrário apoiado — até à sua detenção — pelo departamento de Estado, tanto pela embaixatriz no Cairo, Anne Patterson, como pelos porta-vozes Patrick Ventrell e Jan Psaki, ou pelo secretário de Estado John Kerry. Esta incoerência manifesta o estado de confusão de Washington : de um lado a razão que obriga a que não possa intervir, de um outro os seus laços, muito estreitos, com os Irmãos muçulmanos privaram-na de qualquer solução de recurso.

A queda de Mohamed Morsi marca o fim do destaque dos Irmãos muçulmanos no mundo árabe. E isto, tanto mais, que o Exército anunciou a sua destituição ladeandose das forças vivas da sociedade, incluindo os « sábios » da Universidade al-Azhar.

O falhanço de Morsi é um duro golpe para o Ocidente e seus aliados, o Catar e a Turquia. Desde logo podemos, lógicamente, perguntar-mo-nos se ele não marca o fim da « primavera árabe » e não traz novas alterações na Tunísia, na Líbia, e evidentemente na Síria

Thierry Meyssan

Tradução
Alva

VOLTAIRENET

fevereiro 2, 2013

Fracasso da OTAN na Líbia

Filed under: WordPress — Tags:, , — Humberto @ 5:55 pm

A 17 de Março de 2011, o Conselho de Segurança da ONU, através da sua resolução 1973, autorizava a OTAN a intervir «para proteger a população e as zonas civis ante a ameaça de ataque na Jamahiriya Árabe Líbia».
As seguintes cifras dão a medida do êxito da missão da OTAN:

Em 2010, sob o «regime de Muammar el-Kadhafi», havia na Líbia
3,8 milhões de líbios,
2,5 milhões de trabalhadores estrangeiros.
Ou seja, 6,3 milhões de habitantes.

Hoje em dia,
há 1,6 milhões de líbios no exílio,
2,5 milhões de imigrantes fugiram do país para escapar às agressões racistas.
Permanecem na Líbia uns 2,2 milhões de habitantes.

As personalidades e os meios de comunicação que falam do «êxito» da OTAN na Líbia não se referem portanto à missão legal que lhe outorgou o Conselho de Segurança da ONU mas sim da verdadeira missão, não mencionada, que era a de derrubar o regime.

REDE VOLTAIRE

Tradução
Alva

maio 14, 2012

Líbia: Human Rights Watch exige invesigação sobre mortes de civis em ataques da OTAN

Filed under: WordPress — Tags:, , , — Humberto @ 6:16 pm

A organização de defesa dos direitos humanos, Human Right Watch, apelou à NATO que investigue as mortes de civis na Líbia, ocorridas o ano passado durante um raide aéreo da organização militar.
A Human Right Watch acredita que o bombardeamento pela NATO tenha morto pelo menos 72 civis.
“Pedimos investigações imediatas, credíveis e meticulosas”, disse à BBC Fred Abrahams, representante daquela ONG.
A NATO insiste que tomou medidas sem precedentes para minimizar o número de baixas entre civis, mas rejeita assumir responsabilidade por essas mortes, uma vez que não tinha elementos no terreno que as pudessem confirmar.
Em Março deste ano a Aministia Internacional tinha também confirmado 55 casos de civis mortos por raides aéreos, incluindo 16 crianças e 14 mulheres. ( Ionline.pt, “Organizações de direitos humanos querem investigação às mortes de civis durante raides da NATO” )

dezembro 16, 2011

Morte de Kadhafi pode ser considerada um crime de guerra, diz procurador do Tribunal Penal Internacional

Filed under: WordPress — Tags:, , , , — Humberto @ 6:34 pm

A morte do antigo líder líbio Muammar Kadhafi poderá ser considerada um crime de guerra, afirmou quinta-feira em Nova Iorque o procurador do Tribunal Penal Internacional (TPI), Luís Moreno Ocampo.
“Manifestámos as nossas preocupações” ao governo de transição líbio e questionámos sobre como serão julgados os crimes cometidos durante a revolta que derrubou o homem forte da Líbia, disse.
“A morte de Muammar Kadhafi é uma das questões que deverá ser clarificada, saber o que se passou, porque existem sérias suspeitas de que se tratou de um crime de guerra”, declarou aos jornalistas Moreno Ocampo.
Kadhafi foi morto pelos rebeldes a 20 de Outubro em Sirte após a sua captura em circunstâncias pouco claras. ( DN )

LEIA TAMBÉM:
TPI investiga se morte de Kadafi foi crime de guerra ( Terra Brasil )

dezembro 15, 2011

Putin acusa EUA de envolvimento na morte de Khadafi

Filed under: WordPress — Tags:, , , , — Humberto @ 8:44 pm

Moscou sempre criticou as operações da NATO na Líbia
O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, acusou, esta quinta-feira, as forças especiais norte-americanas de envolvimento na morte do antigo ditador da Líbia, Muammar Khadafi. O antigo líder líbio foi executado depois de capturado por rebeldes que combatiam o seu Governo.
«Aviões espiões, principalmente norte-americanos, atacaram o comboio [em que seguia Khadafi]. Depois, com os seus rádios, por meio das forças especiais, que não tinham nada que fazer ali, chamaram a pseudo-oposição e os combatentes, que o eliminaram sem julgamento prévio nem investigação», disse Putin.
Declarações feitas durante um entrevista à estação de televisão pública da Rússia. Moscovo sempre criticou as operações da NATO na Líbia.
Os EUA já reagiram às acusações de Putin. O Pentágono considerou-as «ridículas». «A afirmação de que as forças especiais dos Estados Unidos tiveram envolvimento na morte do coronel Kadhafi é ridícula», declarou à AFP o capitão John Kirby, porta-voz do secretário de Defesa dos Estados Unidos, Leon E. Panetta.
( TVI24 )

novembro 5, 2011

EUA desloca franceses e impõe agente da CIA como o novo chefe do CNT na Líbia

Filed under: WordPress — Tags:, — Humberto @ 5:56 pm

De nacionalidade estadunidense, o “intelectual” e “homem de negócios” do setor petrolífero, Abdelrahim Elkib foi “eleito” como novo chefe do governo líbio pelo Conselho “Nacional” de Transição (CNT).
Indicado a dedo pelo governo dos Estados Unidos, onde mora há 35 anos, Elkib – um dos “financia-dores” da agressão à Líbia, conforme seus apoiadores no CNT – tem sólidos vínculos com a CIA e também com a British Petroleum e a Shell. A “escolha” desloca do centro de poder agentes pró-franceses como o ex-presidente do CNT, Mustafa Abdel Jalil, e seu antecessor, o “premiê interino” Mahmoud Jibril.
O mais novo chefe dos marionetes da Otan integra o Departamento de Engenharia Eletrônica do Instituto de Petróleo dos Emirados Árabes Unidos (PI) em Abu Dhabi, centro de pesquisas que está “filiado” à Universidade de Maryland e à Colorado School of Mines nos EUA – ambos turbinados por dólares das transnacionais petrolíferas.
Elkib se formou nas universidades da Carolina do Sul e Carolina do Norte, onde também deu aulas. Além disso foi professor na Universidade do Alabama e da Universidade Americana de Sharjah, nos Emirados Árabes.
As pesquisas do novo chefe líbio foram financiadas por instituições norte-americanas como a National Science Foundation (NSF), a Electric Power Research Institute (EPRI) e o Departamento de Energia dos EUA. Além disso, trabalhou como “consultor” das também estadunidenses Alabama Power Company (APCO) e Southern Company (SC).
A importação e a imposição de Elkib reforça a posição da base operativa do Comando da África do Pentágono (Africom), criado por Bush em 2008, que passa a ameaçar agora Argélia, Egito, Tunísia, Níger, Mali e outros países .
( HORA DO POVO )

outubro 29, 2011

A Líbia que eu conheci, Por Georges Bourdoukan

Filed under: WordPress — Tags:, — Humberto @ 4:22 pm

Parte 1
Estive na Líbia em setembro de 1979, por ocasião do décimo aniversario da Revolução que levou Kadafi ao poder.
Me acompanharam na ocasião o cinegrafista Luis Manse e o operador de Nagra Nelson Belo, Belo (por onde andarão?).
Estávamos ali pelo Globo Repórter, do qual eu era o diretor em São Paulo.
Primeira surpresa. O hotel, para onde o governo nos enviou, estava totalmente ocupado por diplomatas.
Perguntei ao embaixador do Brasil a razão dessa concentração.
A resposta me surpreendeu ainda mais.
Na Líbia de Kadafi, os aluguéis estavam proibidos.
Aos líbios que não tivessem casa, era só solicitar que o governo imediatamente providenciava a construção de uma.
O país era um imenso canteiro de obras.
E mais: Uma lei em vigor, A LEI DO COLCHÃO, determinava que, qualquer cidadão líbio que soubesse da existência de casa alugada, era só atirar um colchão no quintal que a casa passava a ser sua.
Inúmeras embaixadas sofreram com essa lei já que foram ocupadas por líbios.
O próprio embaixador me contou na ocasião que a embaixada brasileira não ficou imune a essa lei.
Um motorista líbio que ali trabalhava informou a um amigo que ainda não tinha casa, que a embaixada do Brasil era alugada.
Imediatamente esse amigo atirou um colchão e reivindicou a propriedade (uma mansão que pertencia a um italiano que retornou à Itália apos a subida ao poder de Kadafi).
O governo líbio precisou intervir para evitar maiores dissabores.
O Brasil acabou ganhando a embaixada e o líbio uma casa nova.
Isto tudo aconteceu na década de 70, quando a Líbia era uma potência riquíssima, com apenas 3 milhões de habitantes, em quase 1.800.000 quilômetros quadrados.
Os líbios, por lei, eram proibidos de trabalhar como empregados de estrangeiros.
O líbio que não quisesse trabalhar recebia o equivalente, valores de hoje, a cerca de 7 mil dólares por mês.
E mais: médico, hospital e remédios era tudo de graça.
Ninguém pagava escola e o líbio que quisesse aperfeiçoar seus estudos fora do país ganhava uma substancial bolsa.
Conheci muitos desses líbios na França, Itália, Espanha e Alemanha, e outros países onde estive como jornalista.

Parte 2
Estamos em Trípoli, ano 1979.
Esta noite quase não consegui pegar no sono.
No hotel onde estava hospedado, alem dos diplomatas e alguns jornalistas, estavam também delegações de países africanos de língua portuguesa.
Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde, etc.
E foram eles que não me deixaram pegar no sono já que, sabendo que eu teria um encontro com Kadafi no dia seguinte, queriam que eu lhe pedisse mais explicações sobre o socialismo Líbio.
Disseram que nunca haviam visto algo igual. Nem mesmo em livros.
Ficaram admirados com a Lei do Colchão (veja post abaixo), com a assistência médica, remédios e educação, tudo gratuito.
E pelo fato de ninguém ser obrigado a trabalhar na Líbia e mesmo assim receber uma remuneração “ fantástica” no dizer de um angolano.
Prometi que tentaria obter uma resposta, desde que, de fato, eu conseguisse falar com Kadafi, por saber que ele era imprevisível e não poucas vezes deixou jornalistas aguardando ad infinitum.
Antes, preciso esclarecer que as portas dos apartamentos dos hotéis não possuíam fechaduras.
Por isso todos podiam entrar no apartamento de todos razão pela qual nossos apartamentos eram sempre “visitados”.
Perguntei ao gerente do hotel a razão da falta de fechaduras.
Respondeu que na Líbia não havia ladrões como na “época da colonização italiana e por isso as fechaduras eram prescindíveis”.
Mas um diplomata me esclareceu que a falta de fechaduras era para que os “fiscais” do governo pudessem entrar a qualquer hora do dia ou da noite para ver se não havia mulheres “convidadas” nos apartamentos.
“Porque, prosseguiu o diplomata, os líbios até hoje falam que durante a colonização italiana e o reinado de Idris, os hotéis serviam apenas para orgias”.
No dia seguinte me preparo para o encontro com Kadafi.
Manse, com a sua câmera e Belo com seu gravador Nagra me aguardavam ao lado do elevador.
Com cara de sono, reclamaram que seus apartamentos foram “penetrados” umas três vezes de madrugada e foi um susto só.
O carro enviado pelo governo nos esperava na entrada, mas Manse queria tomar mais um cafezinho.
Entrei no carro e aguardei.
Cinco minutos depois Luis Manse, com sua inseparável câmera, chegava sozinho.
Perguntei pelo Belo, ele disse que o imaginava comigo.
Perguntei ao nosso acompanhante se ele havia visto o nosso companheiro.
Imediatamente ele foi à portaria perguntar.
Um rapaz simpático respondeu que tinha visto Belo acompanhado por dois policiais uniformizados a caminho da praça que ficava a uns cinqüenta metros do hotel.
Fiquei preocupado, imaginando o pior.
Jornalista acompanhado por policiais no Brasil nunca era um bom augúrio.

Parte 3
Belo e os dois policiais estão parados ao lado de um reluzente carro Mercedes Benz novinho em folha.
Perguntei o que estava acontecendo.
Um dos policiais me disse que o meu companheiro não parava de apontar a chave do carro na ignição. E que eles não sabiam a razão, pois Belo não falava o árabe e nem eles o “brasileiro”.
Então era por isso que eles saíram juntos do hotel.
Nada preocupante.
Belo me explicou e eu traduzi para o policial que ele, ao ver a chave na ignição, ficou preocupado de alguém roubar o carro.
Os dois policiais começaram a rir e disseram tratar-se de um carro abandonado.
Era um costume no país.
Quem não gostasse do carro bastava abandoná-lo com a chave dentro. O interessado podia levá-lo.
Essa era a Líbia da época.
Muita fartura, nenhuma miséria e a abundância ao alcance de todos.
Alias isso podia se observar nas pessoas.
Os mais velhos, que viveram sob o domínio dos colonialistas e durante a monarquia, eram pessoas alquebradas, corpo seco.
As crianças e os jovens eram saudáveis e alegres.
Só para se ter uma idéia da Líbia sob Kadafi, tudo custava mais ou menos o equivalente a 3 dólares.
Havia supermercados gigantescos, mas nada era vendido a varejo.
Quem quisesse arroz, por exemplo, pagava 3 dólares pelo saco de 50 quilos.
Tudo era nessa base.
Fomos visitar o parque industrial de Trípoli e eu pedi para conhecer uma tecelagem.
Perguntei como era a relação com os clientes e um técnico alemão que ali se encontrava para montar o maquinário, começou a rir.
“Os líbios são loucos”, me disse. E completou: “eles não vendem nada aqui por metro, somente a peça inteira. E para qualquer um que entrar na fábrica e pedir”.
Perguntei o preço da peça: 3 dólares a peça de 50 metros…
Mas se você, por exemplo, quisesse comprar uma gravata, qualquer uma, o preço mínimo era o equivalente a 200 dólares.
Um cachimbo, 300 dólares.
Ou seja, todo produto que lembrasse os colonizadores e, de acordo com eles, representasse ou sugerisse consumo supérfluo, era altamente taxado.
Bebida alcoólica, nem pensar. Dava prisão sumária.
E foi o que aconteceu com dois jornalistas argentinos, cuja “esperteza” os remeteu ao porto e ali compraram de um cargueiro uma garrafa de uísque.
Um dos funcionários do hotel sentiu o bafo e os denunciou.
É verdade que eles não foram presos, porque eram convidados do governo.
Mas não puderam entrevistar ninguém, muito menos o Kadafi…
E nós só soubemos disso porque o embaixador do Brasil, uma figura simpaticíssima, uma noite nos convidou para a Embaixada e, ali, nos ofereceu um uísque de não sei quantos anos (guardado a sete chaves num cofre), que Manse e Belo acharam delicioso.
Claro que eu também bebi um gole, apesar de detestar uísque.
Seja de que marca for, de que ano for.
Sempre me lembrou o gosto de iodo.
Evidentemente não faria uma desfeita ao embaixador tão solícito.
Não estalei a língua porque aí seria demais.
Antes de nos despedirmos, o embaixador nos ofereceu um litro de leite para cada um, pois segundo ele o leite disfarçaria o nosso hálito.
Na porta, perguntei ao embaixador se ele poderia nos dar um depoimento.
“O Kadafi é um Gênio”, respondeu.
Surpreso, perguntei.
O senhor considera o Kadafi um Gênio?
Sim! Um Gênio!

Parte 4
Então o senhor considera Kadafi um Gênio?
Sim! Respondeu o embaixador. Um Gênio! E amanhã o senhor vai ter uma prova disso.
Não entendi.
Amanhã vai haver um desfile em comemoração ao décimo aniversario da Revolução. Assista e veja se não tenho razão.
O dia seguinte amanheceu glorioso. E eu já estava preocupado.
Se o país vai parar para comemorar o décimo aniversário da Revolução, será que Kadafi vai encontrar tempo para a entrevista?
A população lotava a praça e as ruas onde seriam realizados os desfiles.
Um fato me chamou a atenção.
Havia milhares de meninas adolescentes com uniformes militares prontas para o desfile.
Sorriam um sorriso que somente as adolescentes possuem. Impressionante a sua alegria.
Foi assim que Kadafi libertou as mulheres, que antes não podiam atravessar a porta de casa e nem tirar as vestimentas que cobriam seu corpo de cima abaixo, me confidenciou o embaixador.
É ou não um gênio?
Essas adolescentes saem de casa bem cedinho usando o uniforme militar e retornam para suas casas no fim do dia. Elas só não dormem no quartel.
E têm autorização para não tirar o uniforme.
Depois do serviço militar elas jamais voltam a se vestir como anteriormente.
Então é por isso que as mulheres líbias se vestem como as ocidentais?
Mas vez ou outra deparamos com mulheres com roupas tradicionais.
Terminado o desfile, um membro do governo me diz que Kadafi nos receberia não mais em Trípoli, mas em Benghazi, a bela cidade mediterrânea.
E que nos buscariam de madrugada pra viajarmos os 600 quilômetros que separam as duas cidades.
Fico sabendo nesse dia que a energia elétrica que ilumina o país é de graça.
Ninguém recebe a conta de luz, seja em casa ou no comércio.
E quem tiver aptidão para empresário, pode buscar os recursos necessários no banco estatal e não paga nenhum centavo de juros.
A divisão da riqueza do país com sua população, em nome do islamismo, criou um sério problema para os demais países muçulmanos, principalmente Arábia Saudita.
E desde então, Kadafi nunca poupou os dirigentes sauditas que acusou de terem se apossado de um país que jamais lhes pertenceu e de serem “infiéis que conspurcavam o verdadeiro islamismo”.
“Trocaram o Profeta pelo petróleo”.
Pela primeira vez usava-se o Alcorão contra aqueles que se diziam seus defensores.
Os sauditas, acuados, só conseguiam dizer que ele era “comunista”.
Kadafi respondia que ele apenas seguia o Alcorão ao pé da letra.
Várias revoltas começaram a eclodir na Arábia Saudita e países do Golfo.
Estados Unidos e mídia associada começaram a arregaçar as mangas.
Era preciso defender a vassala Arábia Saudita e transformar Kadafi num pária.
Na volta ao hotel, dou de cara com revolucionários da África do Sul. Estavam na Líbia em busca de fundos para lutar contra o apartheid.

Parte 5
Vamos falar francamente.
Eu estava me esforçando para realizar um programa que dificilmente seria exibido.
Naquela época o Globo Repórter registrava uma audiência enorme, entre 50 e 65, com pico de 72.
Alem do mais, vivíamos sob o tacão da ditadura.
Mas já que estávamos lá, vamos tocar o barco e ver no que vai dar.
À noite, no hotel, alguém abre a porta e me pergunta se posso conversar um pouco.
Era o chefe da delegação de Guiné-Bissau e estava empolgado. Nunca imaginara conhecer um país como a Líbia.
Perguntou como foi o meu encontro com Kadafi.
Respondi que o encontro seria no dia seguinte em Benghazi.
Enquanto conversávamos, um “fiscal” do governo, entra no quarto e nos cumprimenta sorridente.
Dá uma olhada rápida e com aquele sorriso de comissária de bordo, nos agradece e vai embora.
Mal passaram 10 minutos e a porta novamente é aberta. Um jornalista do Rio de Janeiro, meu vizinho de quarto entra desesperado.
– Uma coca cola pelo amor de Deus. Meu reino por uma coca-cola. Vou descer até saguão, alguém precisa me informar onde consigo comprar coca cola nesse país de birutas.
E nem esperou o elevador. Desceu pela escada mesmo.
– Maluco esse seu vizinho, me confidenciou o guine-bissauense( é assim mesmo que se diz?). E alem do mais ainda ofendeu Shakespeare.
Em seguida ele me revela que conheceu muitos revolucionários de países diferentes que se encontravam na Líbia em busca de recursos.
Inclusive sul-africanos.
– Entregaram uma carta de Nelson Mandela para o Kadafi pedindo para ele não esquecer seus irmãos africanos, respondeu feliz, dando a entender que eles foram atendidos.
Novamente o “fiscal” com sorriso de comissária de bordo entra. Desta vez para nos convidar a assistir no salão do hotel a um filme sobre os “horrores” da herança colonialista.
Na verdade não era um filme, mas um documentário de 15 minutos e se a idéia era para que a platéia se indignasse, o efeito foi o contrário.
O documentário mostrava a noite em Trípoli. Garotas seminuas andando nas ruas em busca de clientes, “inferninhos”, cabarés, bebidas alcoólicas, muitas bebidas, e por aí vai.
E o pior, terminada a exibição vários aplausos da platéia, principalmente de jornalistas, pedindo a volta dos colonizadores…
Isso sim é que era época boa, exclamou o jornalista carioca, agora ao lado de um colega mineiro que completou: “eta paizinho que nem coca-cola tem”.
Quatro da manhã somos acordados. Do aeroporto de Trípoli seguimos para Benghazi, onde finalmente vamos entrevistar Kadafi.

Parte 6
Quando desembarcamos em Benghazi, a belíssima Benghazi, tamareiras enfeitavam suas praias.
Estavam ali como os coqueiros nas praias do nordeste.
Era colher e comer tâmaras dulcíssimas.
Um jornalista suíço que chegara a Benghazi uma semana antes, me confidenciou que não deveria perder um casamento. Qualquer um, disse.
Estava realmente deslumbrado com a festa e o que o deixou mais impressionado, é que os noivos, depois da cerimônia, recebem um envelope do governo com o equivalente a 50 mil dólares de presente.
Bem, essa era a Líbia que pouca gente conhecia e a mídia ocidental não fazia nenhuma questão de mostrá-la.
E não poderia, pois como explicar a seus leitores que havia ascendido ao poder um jovem coronel que não utilizou a riqueza em benefício próprio?
Pelo contrário.
Havia dividido a riqueza com a população do país.
Que não queria ver ninguém sem teto, sem fome, sem educação e sem muitas outras coisas mais.
Eu, naturalmente, iria sem dúvida nortear a minha entrevista a partir desses pontos.
Mas antes da entrevista, fomos a três festas com músicos árabes de diversos países.
E haja doce.
E haja suco.
E nem um “uisquinho”, lamentavam alguns jornalistas que, sinceramente, acho que estavam no país sem saber porque e para que.
As festas corriam em tendas beduínas, algo que Kadafi sempre prezou.
Finalmente cara a cara com Kadafi.
Em sua tenda.
Aparentava cansaço.
Alguns dos assuntos discutidos:
1-Socialismo líbio;
2-Educação;
3-Reforma agrária;
4-Moradia
5-Alinhamento
6-Arabismo
7-Socialismo chinês, soviético, cubano;
8-Apoio aos movimentos revolucionários;
9-Che Guevara;
10-Estados Unidos;
11-Brasil;
12-liberação feminina
13-Reencarnação de Omar Moukhtar.
A entrevista, que seria de 40 minutos, durou mais de duas horas e creio que passaríamos a noite conversando se ele não fosse a toda hora solicitado.
Naturalmente a Globo achou melhor não colocar o programa no ar, pois poderia melindrar a ditadura.
Foi feita uma proposta para que um programa de 15 minutos fosse ao ar no Fantástico.
Foi realizada a reedição, mas o programa teria sido proibido pelos censores oficiais da ditadura (civil-militar-midiática).
Tudo culpa da ditadura.
Será?
Oh, céus! Oh, terra! Quando nos livraremos desse sistema putrefato?

A Líbia que eu conheci – Final
Qual foi o grande erro de Kadafi?
Eu não tenho a menor dúvida.
Foi acreditar nos euro-estadunidenses e desistir de sua bomba atômica.
Os pacifistas que me perdoem.
Aqui não se trata de incentivar a produção de ogivas nucleares, mas de persuasão.
O Brasil que tome jeito e comece a produzir a sua.
Caso contrário, a própria mídia brasileira, associada ao Império, fará de tudo para que o país seja invadido e ocupado.
Kadafi não ficou rico, como os produtores de petróleo do Golfo.
Dividiu a riqueza do país com a população.
Apoiou todos os movimentos revolucionários de esquerda do mundo.
Inclusive os brasileiros.
Em nenhum momento esqueceu a população negra da África.
E da África do Sul, onde, em agradecimento, um neto de Nelson Mandela chama-se Kadafi.
Quando Nelson Mandela tornou-se o primeiro presidente da África do Sul em 1994, o então presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, fez de tudo para que Mandela parasse com os agradecimentos quase diários a Kadafi pelo seu apoio à luta dos revolucionários africanos.
“Os que se irritam com nossa amizade com o presidente Kadafi podem pular na piscina”, respondeu Mandela.
O presidente de Uganda Yoweri Museveni afirmou que “quaisquer que sejam as falhas de Kadafi, ele é um verdadeiro nacionalista. Prefiro nacionalistas do que marionetes de interesses estrangeiros”.
E disse mais:
“Kadafi deu contribuições importantes para a Líbia, para a África e para o Terceiro Mundo. Devemos lembrar ainda que, como parte desta forma independente de pensar, ele expulsou bases militares britânicas e americanas da Líbia após tomar o poder”.
Alem disso, o ex-líder líbio também teve papel importante na formação da União Africana (UA).
A principal coordenadora da guerra contra a Líbia, Hillary Clinton, andou pela África pregando abertamente o assassinato de Muammar Kadafi.
Como não teve sucesso, começou a recrutar mercenários.
Alias foram esses mercenários, inclusive os esquadrões da morte colombianos, que lutaram na Líbia. E eles não foram dizimados graças à Organização Terrorista do Atlântico Norte (OTAN) e EUA.
Quem puder pesquisar, quando Kadafi nacionalizou as empresas petrolíferas e os bancos, a mídia Ocidental referia-se a ele como Che Guevara Árabe.
Antes de ser deposto e linchado pelos mercenários a mando dos terroristas OTAN e EUA, a Líbia possuía o maior índice de desenvolvimento humano da África, e até hoje maior que o do Brasil.
E o que pouca gente sabe, em 2007 inaugurou o maior sistema de irrigação do mundo.
Transformou o deserto (95% da Líbia) em fazendas produtoras de alimentos.
Alias, assim que subiu ao poder os líbios que quiseram produzir alimentos receberam terra, equipamentos, sementes e 50 mil dólares para sobreviver até a safra.
Foi uma Reforma Agrária total e irrestrita.
Ele também pressionou pela criação dos Estados Unidos da África (EUA) para rivalizar com os EUA e união européia.
Ele lutou por uma África una: “Queremos militares africanos para defender a África. Queremos uma moeda única. Queremos um só passaporte africano”.
Lamentavelmente esqueceu a Bomba Atômica. E pagou por isso.
As nações que querem se emancipar que pensem nisso.
E abaixo você ouve os presidentes Hugo Chaves, Evo Morales, Rafael Correa e Fernando Lugo… cantando Hasta Siempre, em homenagem a Che Guevara. Eles também que se cuidem.
O video foi postado originalmente por Regina Schmitz no Facebook.
http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=pWNtJjw9oWg
Georges Bourdoukan é jornalista e escritor.
Blog: http://blogdobourdoukan.blogspot.com/

( PUBLICADO NO CORREIO DA CIDADANIA )

outubro 28, 2011

Queima de arquivo, por Valdemar Menezes

Filed under: WordPress — Tags:, , — Humberto @ 4:37 pm

A execução de Muammar Kadhafi, segundo é corrente nos meios informados, foi uma operação planejada com muita antecedência. As potências ocidentais não queriam que ele tivesse uma tribuna de onde pudesse falar sobre acertos constrangedores, no passado, com seus atuais carrascos. Quando foram encontrados os arquivos secretos, no seu palácio, revelando as operações conjuntas com serviços de inteligência dos Estados Unidos e países europeus, sua sentença de morte teria sido definida. Não se deveria dar oportunidade para ele revelar tais segredos diante de um Tribunal Penal Internacional. Daí porque os aviões da Otan foram empregados para matá-lo, quando fugia do cerco de seus inimigos num comboio. Caso escapasse, os rebeldes se encarregariam de completar o serviço – como de fato aconteceu. Só que a ação da Otan foi totalmente ilegal. Aliás, toda a sua intervenção, nos moldes em que se deu, violou os limites do mandato recebido do Conselho de Segurança da ONU. O cinismo e o descaramento, já observados no Iraque, no Afeganistão e no Paquistão (vide a morte e o desaparecimento do cadáver de Osama Bin Laden) repetiram-se agora, na justificativa da operação contra o dirigente líbio.
TRAVE NOS OLHOS
Agora que Kadhafi foi acolhido (quer se queira ou não) no panteão dos mártires da causa árabe, se transformará, provavelmente, numa grande força simbólica a alimentar a luta dos que são movidos pela defesa do interesse nacional. Muito pior (do ponto de vista moral) do que o primitivismo de seu regime é o escândalo de se flagrar um Estado que se diz democrático e civilizado, como os EUA, torturando prisioneiros, instalando prisões clandestinas, bombardeando populações civis e liberando seu serviço secreto para assassinar desafetos (chefes de estado, lideranças políticas e comunitárias estrangeiras) sem que seus dirigentes sejam julgados por crimes contra a humanidade, como, aliás, pede a Anistia Internacional. Por que deixar de acentuar também que a Líbia apresentava o mais alto IDH da África (sem que isso absolva os crimes do regime derrubado)?

Valdemar Menezes
Jornalista, analista político
Adital
( Publicado em PATRIA LATINA )

Família de Kadafi vai processar a Otan por crime de guerra

Filed under: WordPress — Tags:, , , , — Humberto @ 3:47 pm

A família do coronel Muamar Kadafi deve processar a Otan por crime de guerra perante a Corte Penal Internacional (CPI) de Haia por conta do assassinato em Sirte do dirigente líbio, assinalou na quarta-feira (26/10) seu advogado francês Marcel Ceccaldi.
O jurista afirmou que o motivo da morte foram “os disparos da OTAN contra o comboio de Muamar Kadafi que logo depois foi executado”.
O líder líbio foi capturado em 20 de outubro perto da cidade de Sirte (360 km ao leste de Trípoli), torturado e morto a balaços, como mostram vários vídeos que vieram a público.
“O homicídio voluntário está definido como um crime de guerra pelo artigo 8 do estatuto de Roma da CPI”, apontou o magistrado Marcel Ceccaldi. “O homicídio de Kadafi mostra que os Estados Unidos e os outros membros da Otan não tinham intenção de proteger a população, mas de derrubar o governo”, sublinhou.
O processo deve acusar os “órgãos executivos da Otan que fixaram as condições da intervenção na Líbia”, os responsáveis pela adoção de decisões e os chefes de Estado dos países da coalizão internacional que participaram na operação militar, frisou.
“Ou a CPI intervém como jurisdição independente e imparcial, ou não o faz, e nesse caso, a força se impõe ao direito”, acrescentou Ceccaldi. ( HORA DO POVO )

setembro 17, 2011

Bush usou o 11/09 como pretexto para atacar direitos constitucionais nos EUA

Filed under: WordPress — Tags:, , , , , , , — Humberto @ 5:34 pm

Os direitos do indivíduo e as liberdades democráticas que ( em um país onde a economia é dominada por monopólios ) já não eram grande coisa, foram pisoteados e a Constituição do país reduzida a farrapos pelo então presidente Bush que fez uso do 11 de setembro para, além de atacar os demais países, tentar silenciar as vozes discordantes e as organizações opositoras à cruzada terrorista contra um país soberano. A seguir publicamos trechos de um artigo que trata da questão, escrito por Vince Warren, Diretor Executivo do Centro de Direitos Constitucionais, intitulado “11 de Setembro e a Década de Declínio da Democracia dos EUA”. ( HORA DO POVO )
“George W. Bush, retalhou a Constituição dos EUA, pisou em cima da Lei dos Direitos Civis (Bill of Rights), descartou as Convenções de Genebra e fez pouco caso dos Estatutos sobre Tortura do país, da Convenção da ONU sobre torturas e punições.
“Estes dez anos foi o mais constante período de decadência constitucional em nossa história. Além disso, ainda que George W. Bush tenha entrado na primeira década do Século 21 desmontando os direitos fundamentais e segurança do povo norte-americano, Barack Obama terminou a década deixando de repor plenamente estes direitos. Seja através de sua própria indecisão, seja pela feroz oposição no Congresso, ele tem sido incapaz de fechar a prisão infame de Guantânamo, como prometeu, e muito menos pensar em fazer qualquer um no governo Bush responsável por seus crimes.
“Esta década de decadência constitucional não aconteceu da noite para o dia, ainda que muito dela tenha sido escondido. Fomos levados a um nevoeiro de segredo, subterfúgio e, em alguns casos, mentiras abertas.
“Nossos princípios constitucionais e democráticos entraram em colapso de forma a tirar o fôlego. Uma eliminação da nossa capacidade de definir o país no qual queremos viver e o qual queremos formar em torno de valores que são cruciais para nossa sobrevivência como uma sociedade dirigida pelo povo e que a ele presta contas.
“O Departamento de Justiça, durante o governo Bush, declarou que a lei simplesmente não se aplica ao presidente. Assim sendo os advogados que o cercavam e ao vice Dick Cheney os aconselharam a ignorar o fato de que o Congresso passara uma lei declarando a tortura ilegal ou a gravação de conversas telefônicas sem mandado judicial.
“O governo Bush criou o paradigma da “Guerra ao terror” não para proteger os EUA de ataques futuros, ainda que este tenha sido o motivo alegado, mas para colocar em vigor uma expansão radical de poder à disposição do presidente acima da lei doméstica ou internacional.
“Sob o Artigo 1 da Constituição, Seção 8, somente o Congresso pode declarar guerra, não o presidente. Isso de fato aconteceu, pela última vez, em 8 de dezembro de 1941 depois que o Japão atacou Pearl Harbor [governo de Franklin Roosevelt]. Portanto todas as guerras subseqüentes dos EUA foram ilegais, incluindo as de Obama contra o Iraque, Afeganistão, Paquistão, Líbia e outros.

setembro 14, 2011

Hora do Povo: “Lafer II” ( vulgo “Antonio Patriota” ) quer o fim de todo terror não comandado pelo Estado americano

O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, em carta a Hillary Clinton, se solidarizou com os promotores do atual genocídio contra as populações da Líbia, do Iraque e do Afeganistão, por conta do atentado de 11 de setembro, ocorrido há 10 anos. Segundo ele, “o flagelo do terrorismo exige formas inovadoras de coordenação entre as nações”, como o que ocorre na Líbia, onde EUA e a OTAN despejam toneladas de bombas sobre a população para roubar o seu petróleo.
Patriota exalta “forma inovadora” dos Estados Unidos usurparem países e desrespeitarem direitos humanos
O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota – a exemplo de seu colega Celso Lafer que se agachou diantes dos EUA para tirar os sapatos – achou importante se solidarizar com os promotores do atual genocídio contra as populações da Líbia, do Iraque e do Afeganistão, por conta do atentado de 11 de setembro, ocorrido há 10 anos nos EUA. Afirmou que essa ação representou “a verdadeira ameaça à paz e à segurança internacionais” e exaltou as “estratégias globais para combater e prevenir o problema do terrorismo, que incluem, entre outros, o combate a suas causas, o fortalecimento das capacidades nacionais de prevenção e o respeito aos direitos humanos”. Disse isso praticamente no mesmo instante em que os EUA e a OTAN despejam toneladas de bombas sobre a população civil da Líbia, para roubar o seu petróleo.
Em carta a Hillary Clinton, Patriota acrescentou que “o flagelo do terrorismo exige formas inovadoras de coordenação entre as nações”. E os EUA realmente vêm demonstrando inovações fantásticas na sua “coordenação” internacional. A começar pelos “bombardeios humanitários”, as contratações de mercenários e outras excrescências imperiais.
Depois dessa manifestação intrépida do Itamaraty, a presidenta Dilma acabou tendo que mandar também a sua carta a Obama. Exageradamente otimista, ela saudou o que seria uma esquecida promessa do presidente americano, feita no Cairo, ainda em clima de campanha, de “promoção do desenvolvimento econômico e a criação de oportunidades para todos em um mundo de paz e cooperação”. Sem o seu tradicional senso crítico, a presidenta arrematou: “Conte com o Brasil na construção dessa ordem internacional mais pacífica e mais justa”.
( HORA DO POVO, 14/09/2011 )

Older Posts »

Blog no WordPress.com.