ENCALHE ( Descontinuado em 05.10.2013 )

agosto 9, 2013

Deputada venezuelana: “A CIA esteve envolvida no golpe de 2002 contra o governo Chávez”

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Deputada venezuelana Ana Elisa Osório pelo PSUV:

“A CIA esteve diretamente envolvida no golpe de 2002 contra o governo patriótico”

“Tivemos que enfrentar vários golpes e o mais grave foi o de 11 de abril de 2002, no qual os Estados Unidos, através de sua embaixada e da CIA estiveram totalmente envolvidos”, afirmou Ana Elisa Osorio, deputada, vice-presidente do Parlatino e membro da Direção do Partido Socialista Unificado da Venezuela (PSUV), em entrevista ao HP, durante o Foro de São Paulo.

Ana Elisa foi uma das lideranças que se dirigiram ao Palácio Presidencial de Miraflores para resistir ao golpe no qual sequestraram ao presidente Hugo Chávez e os golpistas anunciaram que havia renunciado.

“Uma multidão desceu dos bairros populares e se uniram aos militares patrióticos, bolivarianos para conjurar o golpe”, afirma Ana Elisa, que é uma das protagonistas do filme que retrata o golpe, a resistência a ele e a vitória denominado A revolução não será televisionada.

A deputada relata que “antes do golpe já havíamos aprovado um Constituição, com 80% dos votos, que havia passado pela participação dos antes excluídos, os pobres, os índios, os afrodescendentes”.

“O que enfrentamos”, prossegue, “foi a oligarquia latifundiária e a tecnocracia petroleira”.

“A PDVSA era uma empresa estatal que presenteava aos Estados Unidos o nosso petróleo. Não sabíamos o seu orçamento. Seu cérebro de informática estava em mãos de uma transnacional”, prossegue.

“Enfrentamos a greve petroleira – que causou ao país uma perda de 20 bilhões de dólares – e tivemos que nessas condições de nos apoderarmos de nossa empresa e do nosso petróleo”.

A segunda vice-presidente da Assembleia Popular, Blanca Eekhout, destaca o testamento e o legado do presidente Hugo Chávez. “Quando já se sentia muito doente, no pronunciamento de 8 de dezembro, Chávez nos deu um verdadeiro testamento”, declarou.

“Ele nos alertou: agora temos Pátria, temos o desafio de construir este país para o povo, este Estado revolucionário, e temos as forças para fazê-lo”.

“Ele nos ensinou neste processo que só podemos avançar se estivermos atentos para nunca perder o vínculo com o povo”, finaliza Blanca.
HORA DO POVO

maio 29, 2013

Declaração da delegação das FARC em Havana

Havana, Cuba, Sede dos diálogos de paz, 26 de maio de 2013

Compatriotas

Após discutir durante meses nossa problemática rural e de buscar soluções que, efetivamente, reivindiquem e redimam o camponês, as comunidades indígenas e afrodescendentes, e que favoreçam o bem viver dos colombianos, avançamos na construção de um acordo, com exceções pontuais, que necessariamente terão que ser retomadas, antes da concretização de um acordo final.

As reivindicações históricas mais profundas das comunidades rurais e empobrecidas foram bandeira ao vento em nossas mãos, além de argumento para o debate na Mesa de Negociações. Erigimo-nos na voz das pessoas comuns, dos campesinos sem terra frente às cercas das grandes propriedades, das comunidades rurais resolvidas a defenderem seu território ameaçado pela depredação mineral e energética das transnacionais… As Cem Propostas mínimas orientadas ao DESENVOLVIMENTO RURAL E AGRÁRIO PARA A DEMOCRATIZAÇÃO E PELA PAZ COM JUSTIÇA SOCIAL DA COLÔMBIA, são uma mostra irrefutável da profundidade de nosso compromisso. Ali estão colocadas as ideias de justiça que os de baixo querem que sejam escutadas e reconhecidas.

Depois de 22 anos de vigência de uma Carta Magna que consagrou direitos no papel, enquanto iniciou sua política neoliberal geradora de miséria, desigualdade e violência, é hora de exigir que a letra morta de benefício social da Constituição e da Lei ressuscitem, recobrem vida e seja cumprida pelas elites embutidas no Estado.

Em Havana, estamos abrindo uma brecha para que o povo atue, se mobilize na defesa de seus direitos e continue fazendo escutar sua voz como protagonista principal da construção da paz. Porém, preocupa que enquanto as maiorias clamam reconciliação e expressam seus anseios de justiça, o país tenha que permanecer suportando a inclemência das medidas e políticas econômicas, que entregam nosso território à voracidade das transnacionais, se siga aprofundando a desigualdade e continuem caindo compatriotas, de ambos os lados, em uma guerra de meio século que urge uma saída política.

Este ato de encerramento de um ciclo temático é, ao mesmo tempo, a abertura ao transcendental debate em torno da democracia colombiana. Muitas preocupações orbitam nossa consciência de porta-vozes dos anseios populares com relação ao importantíssimo assunto da Participação Política, que abordaremos na Mesa de Negociações de Havana, a partir de 11 de junho.

Mudanças estruturais urgentes estão batendo às portas do Estado, reclamando participação cidadã nas decisões e na adoção de políticas que dizem respeito ao seu futuro de dignidade. Temos que nos voltar às nossas origens, para resgatarmos o ensinamento do Libertador que nos disse que “A soberania do povo é a única autoridade legítima das nações”, que “O destino do exército é guarnecer a fronteira. Deus nos livre virar suas armas contra os cidadãos! Basta a milícia nacional para conservar a ordem interna”, “as minas de qualquer espécie, corresponde à República”, e “O Tesouro Nacional não é quem os governa. Todos os depositários de vossos interesses devem demonstrar o uso que hão feito deles”.

Nas atuais circunstâncias nos preocupa, por exemplo, a captura do Estado por parte de grupo de poder que aprova leis e regulamentos, que favorecem somente seu egoísmo, enquanto depreciam o interesse comum e levam a desigualdade e a defesa violenta de seus capitais, mais além dos limites do desumano.

Uma imensidão de “macrocriminalidade”, na qual reinam a corrupção e a impunidade, se apoderou do Estado colombiano. Este permanece emaranhado na teia da ilegalidade narco-paramilitar. E, todavia, pululam entre o Estado, empresas legais e a ilegalidade, para lavagem de dinheiro, celebrar contratos, roubar os recursos da saúde e saquear os tesouros da nação.

Todos estes são elementos que hoje obstruem a possibilidade de construir uma alternativa de solução diferente à guerra, porém confiamos na sabedoria das organizações sociais, políticas e populares da Colômbia, que saberão destrinchar o caminho para a paz.

O esforço coletivo pela paz da Colômbia terá que ser compensado com um tratado justo e vinculante, rubricado por uma Assembleia Nacional Constituinte, que funde nossa reconciliação à perpetuidade.

O Estado colombiano espera uma transformação estrutural profunda, que complemente medidas transcendentais similares às que agora acordamos, como a da formalização progressiva de todas as propriedades que ocupem ou possuam os camponeses da Colômbia.

Delegação de paz das FARC-EP

Tradução do Partido Comunista Brasileiro.
Esta declaração encontra-se em http://resistir.info/

LEITURA COMPLEMENTAR:

Breve histórico das FARC, por ocasião de seus 40 anos de existência, ENCALHE, 2008

abril 30, 2013

Sistema eleitoral da Venezuela é exemplar, defende observador internacional

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Marco Aurélio Weissheimer

A eleição presidencial na Venezuela foi acompanhada por uma missão internacional composta por 173 observadores dos quatro continentes, vindos de aproximadamente 50 países. Esses observadores pertenciam a organizações especializadas em acompanhamentos de processos eleitorais ( como o Centro Jimmy Carter ) ou eram personalidades ligadas ao mundo político, acadêmico e intelectual. Um deles foi o gaúcho Jeferson Miola, que foi coordenador executivo das edições do Fórum Social Mundial em Porto Alegre e atualmente trabalha no escritório do Mercosul em Montevidéu. Em conversa com o Sul21, Miola fala sobre o que presenciou na Venezuela, aponta o sistema eleitoral venezuelano como um modelo a ser seguido por outros países e analisa o atual momento político no país, após a morte de Hugo Chávez, a vitória de Nicolas Maduro e a recusa do principal candidato da oposição, Henrique Capriles, em aceitar o resultado do pleito.

Os observadores internacionais foram convidados pelo Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela, uma instituição que faz parte do Poder Eleitoral. A Venezuela, explica Miola, tem cinco poderes: além dos tradicionais Executivo, Legislativo e Judiciário, tem o Poder Cidadão ( composta pela Defensoria Pública, pela Controladoria e pelo Ministério Público ) e o Poder Eleitoral ( composto pelo Conselho Nacional e pela Justiça Eleitoral ). “Realizamos um programa bastante intensivo de acompanhamento de todos os detalhes e momentos do processo eleitoral venezuelano. Conhecemos os equipamentos, os sistemas de programação, as várias auditorias prévias que são acompanhadas por todos os partidos. Os partidos acompanham todas as etapas de programação das máquinas, aferição, testagem, auditoria das mesmas e finalmente a etapa das eleições propriamente dita. Tivemos reuniões também com os comandos de campanha, sobretudo com os das candidaturas de Nicolas Maduro e Henrique Capriles”, relata.
Durante o dia das eleições, os observadores internacionais foram distribuídos pelos 23 estados da Venezuela. Jeferson Miola foi para o estado de Barinas, governado por Adam Chávez, irmão do falecido presidente Hugo Chávez. O trabalho dos observadores iniciou às quatro e meia da madrugada, com a instalação das urnas eleitorais, e se estendeu até o encerramento do processo eleitoral. Durante todo o dia, conversaram com eleitores, fiscais e presidentes de mesas. Ao final da votação, acompanharam o processo da auditoria que é feita em 54% das urnas. Essa auditoria permite identificar a coincidência entre a apuração eletrônica e a apuração manual. A Venezuela utiliza urnas eletrônicas, como o Brasil, com uma diferença: o voto de cada eleitor é impresso em um comprovante de papel que é verificado pelo eleitor e depositado em uma urna.

Na avaliação de Miola, o sistema eleitoral venezuelano possui importantes garantias. “Em primeiro lugar, a identificação do eleitor é biométrica. Cada eleitor é identificado mediante sua impressão digital. O voto é eletrônico, mas emite um comprovante impresso em 100% das urnas. Esse comprovante é conferido pelo eleitor e depositado em uma urna. E, finalmente, outra garantia importante consiste na possibilidade de observadores internacionais acompanharem todo esse processo”. Jeferson Miola destaca a avaliação feita pelo Centro Jimmy Carter, que qualificou o sistema eleitoral venezuelano como um dos melhores do mundo. “Acho que não há nenhum exagero nessa afirmação”, observa Miola.
Ao final das eleições, foi realizada a auditoria em 54% do total das 39 mil urnas instaladas no país. Esse trabalho é acompanhado por representantes dos partidos políticos que participam da disputa. “Foi o que aconteceu na Venezuela. 54% dos votos foram auditados e confirmaram o resultado da eleição. Não presenciamos nenhuma situação que pudesse preocupar a nenhuma das delegações presentes. Para testemunhar a isenção dessa avaliação eu citaria tanto o Centro Carter como parlamentares do Partido Popular, da Espanha, apoiadores de um governo que resistiu até a última hora reconhecer a vitória de Maduro. O que houve, e que faz parte dos processos eleitorais, são situações envolvendo a presença de militantes identificados próximos a locais de votações. Isso ocorre em qualquer parte do mundo”, acrescenta, qualificando o sistema venezuelano como exemplar e que deveria ser adotado inclusive no Brasil, especialmente no que diz respeito ao voto impresso. Cada uma das missões internacionais realizou seus relatórios sobre o que presenciou e nenhum deles apontou a ocorrência de qualquer fraude eleitoral.

Ao comentar a situação política criada com a decisão do candidato Capriles de não reconhecer a vitória de Maduro, Miola diz que, do ponto de vista da lisura do processo eleitoral, não há nenhuma base para a contestação feita pelo oposicionista. O observador compara o comportamento da oposição venezuelana ao de um time de futebol que condiciona a aceitação do resultado a uma derrota por goleada. “Um a zero, ou saldo de gols não vale, mesmo que a regra dite que sim. O que acompanhamos não autoriza essa tentativa de impugnação”, afirma. Para Miola, o que Capriles está fazendo faz parte de uma estratégia para os próximos três anos, tendo em vista a possibilidade, concluído esse período, da convocação de um referendo revocatorio, o que aconteceu ( sem sucesso para a oposição ) quando Chávez era o presidente.
“Do ponto de vista da oposição, o que interesse é construir um ambiente de ilegitimidade, por em dúvida a vitória de Maduro, apostar enormemente nas dificuldades econômicas que o país está enfrentando e ter um novo encontro eleitoral daqui a três anos com o referendo revocatório. É uma situação onde reina o imponderável. Creio que a oposição tem força hoje para chamar esse referendo, mas não sei se tem maioria para revogar o mandato de Maduro. Isso vai depender, entre outras coisas, da evolução da economia venezuelana”, conclui.

SUL21

abril 21, 2013

Venezuela: oposição desmente discurso conciliador, demonstra ódio às classes populares, provoca oito mortes e 61 feridos ( um deles queimado vivo )

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AS MÁSCARAS CAÍRAM
VENEZUELA | Com manifestações violentas e assassinatos, a oposição desmente o discurso conciliador e demonstra o ódio às classes populares e ao bem-estar social

Por ANTONIO LUIZ M. C. COSTA
Carta Capital, Edição 745

 

1366200981717javu-detallednO resultado apertado da eleição venezuelana, 50,75% a 48,98%, quando há duas semanas, no início oficial da campanha, o razoavelmente confiavel Datanálisis dava a Nicolás Maduro uma margem de 9,7%, quase igual à de Hugo Chávez em sua última eleição ( apontada corretamente pelo mesmo instituto ), mostra o quanto o candidato e seu partido conduziram mal a campanha eleitoral. Mas a reação violenta da oposição ao resultado comprova, para quem duvide, que a direita continua mais autoritária e politicamente mais incompetente.
Maduro lidou com ônus incontornáveis, principalmente a desvalorização do bolívar ( de 4,30 para 6,30 por dólar ) em 12 de fevereiro, medida adiada demais pelas campanhas eleitorais de 2012 e a doença de Chávez, que não era mais possível postergar e que teve impacto negativo ( na compra de eletrodomésticos, por exemplo ) inclusive nas classes populares. Sua postura na campanha eleitoral, tudo indica, contribuiu para o resultado fraco. Insinuar dúvidas sobre a masculinidade do adversário, insistir na visita de um passarinho e evitar o debate político soaram a tentativas de imitar o estilo popularesco do comandante sem transmitir o mesmo conteúdo. O falecido se via como herdeiro de Simón Bolívar, mas jamais alegou ser visitado em espírito por ele e, quando foi sua vez de enfrentar o mesmo candidato da oposição, insistiu no seu histórico elitista e golpista , não na sua sexualidade.
Tudo isso se reduziu a pecadilhos ante a atitude de Henrique Capriles ao recusar reconhecer o resultado da eleição, cuja confiabilidade foi atestada pelos observadores internacionais. Inclusive aqueles da Espanha, cuja equipe de sete deputados incluiu um representante do PP, o partido conservador no governo. Capriles alegou incidentes esparsos “suspeitos” e, antes de apresentar provas ou uma queixa formal à Justiça Eleitoral, declarou-se vitorioso e pediu a seus eleitores para sairem às ruas e exigir a recontagem completa dos votos. A diferença foi de quase 273 mil votos, muito mais do que os 18 mil pelos quais Chávez foi derrotado no referendo de 2007, sem recorrer ou pedir recontagem. Em porcentagem, foi muito maior do que aquela que elegeu o ex-presidente mexicano Felipe Calderón, ou os estadunidenses Richard Nixon ( 1968 ), John Kennedy ( 1960 ) e Bush júnior ( 2000 ).

Na noite da segunda-feira 15, de maneira difícil de conceber caso não tenha sido planejada em algum nível, os oposicionistas não se limitaram a protestar, mas atacaram em várias partes do país não só sedes do partido governista PSUV, casas de seus militantes e tevês estatais, mas emissoras comunitárias, mercados populares subsidiados, conjuntos habitacionais e até creches e centros de saúde. Tudo que representasse a política social do chavismo. Uma demonstração de ódio não só ao governo, mas às classes populares.
Um panfleto ( acima à esquerda ) distribuído por uma das organizações juvenis de direita, a JUVA, dá a medida das percepções e expectativas desses grupos. “Nós, a Juventude Ativa da Venezuela, temos o dever de denunciar por esta via o seguinte: por meio de nossos militantes, descobrimos uma rede de informantes para o Regime que hoje pretende sequestrar o resultado das eleições que Capriles ganhou limpamente.  Nossos movimentos estão sendo seguidos por choferes, domésticas, mecânicos, zeladores e demais vendidos ao comunismo cubano. Pedimos que os revistem ao entrar e sair de suas casas, que suspendam qualquer tipo de conversações em sua presença,  que mantenham seus filhos afastados deles e se possível não os deixem entrar em suas casas. A este governo ilegítimo e corrupto lhes retam poucos dias.”
Em Miranda, antichavistas invadiram um Centro de Diagnóstico Imntegral inaugurado em dezembro com panelaços e cartazes “fuera los cubanos”. Exigiram a expulsão dos médicos e jogaram um coquetel molotov, além de ameaçar um paciente com uma pistola. Um homem e uma mulher chavistas que defenderam o centro foram motos a tiros. Três mercados populares, cinco sedes do PSUV e 18 centros de saúde foram incendiados, às vezes com pacientes dentro. Em Carabobo, atearam fogo a casas populares construídas pelo governo. Dois foram mortos e dois feridos a tiros ao celebrar a vitória de Maduro em bairros de classe média de Caracas. Um jovem foi morto em carreata governista atacada em Macaraibo. Em Táchira, um militante do PSUV perdeu a vida e foram queimadas duas retransmissoras de tevê e a casa de dois vereadores governistas. Ao todo, registraram-se oito mortos e 61 vítimas de ferimentos, uma delas queimada viva.

A oposição passou as três últimas campanhas eleitorais tentando mudar sua imagem e se apresentar como popular e até meio socialista e bolivariana. Capriles prometeu manter as políticas sociais de Chávez, se disse inspirado em Lula e até intitulou de “comitês Simón Bolívar” seus núcleos de campanha. Agora, a direita venezuelana fez a Maduro o favor de demonstrar em poucas horas o que ele não conseguiu em semanas de campanha. Revelou-se dominada pela mesma elite truculenta, reacionária e rancorosa, promotora da tentativa de golpe de 2002 e da manobra para bloquear o país em 2003. Lançou os disfarces ao lixo e mostrou que continua a alimentar o sonho de afogar o chavismo em um banho de sangue.
“Pior que um crime, foi um erro”, teria dito o chanceler Talleyrand em 1804 sobre a decisão de Napoleão de prender e executar o duque d’Enghien, o que enfureceu a realeza européia. O mesmo pode ser dito, com mais razão e ênfase, do gesto de Capriles e da orgia de ódio de classe de seus seguidores. Os chavistas se sentiam derrotados e falavam de “vitória de Pirro” e da necessidade de uma ampla autocrítica. A pequena margem nas urnas deixava dúvidas sobre o caminho a seguir e sua capacidade de impor novas reformas.
Conforme atestam correspondentes estrangeiros, inclusive órgão de esquerda, há insatisfação nos bairros populares, onde se viram também manifestações de apoio a Capriles e muitos entrevistados disseram desejar a mudança. Pareciam crer no discurso oposicionista de que a politica social seria mantida com mais competência e menos confrontos. O governo de Maduro provavelmente continuaria a enfrentar dificuldades nos próximos anos, além do risco de fissuras entre radicais e moderados no bloco governista. Se a oposição chegou tão perto de ganhar agora, suas chances de vitória seriam muito boas na próxima oportunidade, dado o acúmulo de problemas e o esquecimento da comoção nacional com a morte do comandante. Nem seria preciso esperar por 2019, pois a Constituição bolivariana possibilita o referendo revocatório no meio do mandato, ou seja, em 2016.
O cenário mudou. A direita desmentiu suas palavras com atos: não quer administrar o bem-estar social legado por Chávez e sim destruí-lo da forma mais literal. Os militantes da esquerda devem ter compreendido que, além do chavismo, as próprias vidas estiveram em risco. E os eleitores mais ingênuos devem ter percebido que a vitória da direita não teria trazido uma correção de curso, e sim um retrocesso irreparável. Assim como em 2002, essa tentativa de tomar o poder pela força pode custar muitos anos de ostracismo à oposição.
Autorizado pelos excessos dos opositores, Maduro sentiu-se respaldado para proibir a marcha que a oposição prometia [ Nota deste blog: Talvez por isto ] para quarta-feira 17 e Capriles, intimidado, a desmobilizou. O governo tem razões compreensíveis para processar, inclusive por formação de quadrilha, os 135 manifestantes presos e investigar líderes da oposição, inclusive Capriles. em represália ao não reconhecimento do resultado, o presidente da Assembléia, Diosdado Cabello destituiu oposicionistas de comissões. A presidenta do Supremo disse que a recontagem manual voto a voto é impossível e exigi-la serve apenas para incitar violência. O presidente eleito apareceu na tevê prometendo “revolução, revolução e mais revolução. Estou disposto a radicalizar”.

Deve haver consequências no cenário internacional. Com a perda de seu fundador, a divisão de suas bases e o difícil quadro econômico da Venezuela, o chavismo estava enfraquecido e talvez a caminho de ser diluído, domesticado e, no médio prazo, derrotado, mas essa turbulência reanimou sua combatividade e a solidariedade das esquerdas sul-americanas. Viu-se que há mais que retórica ou paranóia em suas frequentes denúncias de conspirações golpistas e talvez também nas acusações de participação da embaixada e dos serviços secretos dos EUA nessas movimentações. Mais uma vez, a Casa Branca apressou-se em respaldar as exigências de recontagem da oposição, sob pena de não reconhecer o resultado. Deu substância às acusações de Evo Morales de que Washington busca um pretexto para intervir na Venezuela. A OEA, a França e os sul-americanos cumprimentaram Maduro pela vitória. A Unasul fez reunião de emergência para respaldar a Venezuela. O único outro governo a pedir auditoria do resultado foi Madri, que no dia seguinte voltou atrás e emitiu uma nota para reconhecer a eleição. Nesse intervalo, Maduro recomendar ao governo espanhol preocupar-se com seus 25% de desemprego e ameaçou “medidas exemplares” contra suas empresas na Venezuela, entre as quais a petroleira Repsol.

abril 17, 2013

Especialistas russos podem examinar corpo de Hugo Chávez

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Especialistas russos podem examinar o corpo do falecido presidente da Venezuela, Hugo Chávez, a fim de detectar a possível presença de substâncias tóxicas em seu corpo. Foi o que declarou o diretor da Agência Federal Médica e Biológica da Rússia, Vladimir Uiba, nesta quarta-feira, 17.
Segundo ele, nenhum pedido neste sentido aconteceu até agora, mas, devido à qualificação ímpar dos especialistas russos, bem como à qualidade dos equipamentos de alta precisão instalados nos laboratórios do país, seus pesquisadores estão “preparados para fazer esse trabalho”.
“Se alguém neste planeta realmente tem a capacidade de fazer isso, somos nós”, disse o diretor da agência russa. As autoridades venezuelanas afirmaram em meados de março que iriam lançar uma investigação oficial sobre a morte deHugo Chávez, que morreu em 6 de março, depois de dois anos de intensa luta contra o câncer.

VOZ DA RÚSSIA / Diário da Rússia

abril 16, 2013

EUA incita Capriles ao confronto contra resultado das urnas. Oposição derrotada retoma linha golpista

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Dilma felicita Maduro pela vitória e destaca normalidade no pleito
A Comissão Nacional Eleitoral (CNE) – órgão equivalente ao nosso TSE – proclamou presidente eleito da Venezuela o candidato chavista Nicolás Maduro, em cerimônia realizada na segunda-feira, em Caracas. Ele venceu com 50,75% contra 48,97% do oposicionista Henrique Capriles. Maduro, que venceu em 16 dos 24 estados, convocou a população a defender a paz com mobilizações por todo o país, diante das provocações golpistas de Capriles que, insuflado pelos EUA, disse que não acataria a voz das urnas.
HORA DO POVO

Capriles não se conforma com a derrota e apela ao golpismo
Os venezuelanos elegeram Nicolás Maduro presidente com 50,75% dos votos. Derrotado com 48,97%, Capriles foi instigado pela Casa Branca a não acatar o resultado das urnas
A Comissão Nacional Eleitoral (CNE) – órgão equivalente ao nosso TSE – proclamou presidente eleito da Venezuela ao candidato chavista Nicolás Maduro, em cerimônia realizada na segunda-feira (15) em Caracas, com a presença de líderes políticos, ministros, comando das forças armadas, personalidades e corpo diplomático, enquanto uma multidão se concentrava nas imediações e festejava. Maduro venceu por 50,75% (7.563.747 votos) a 48,97% (7.298.491 votos) do oposicionista Henrique Capriles, uma diferença de 265.256 votos. Maduro venceu em 16 dos 24 estados, e irá prestar juramento na próxima sexta-feira (19).
A participação foi de 79,17% do eleitorado, embora o voto seja opcional, e as eleições de domingo transcorreram na mais absoluta normalidade. O sistema eleitoral da Venezuela já foi considerado pelo ex-presidente dos EUA Jimmy Carter como “o melhor do mundo”, mas o derrotado, Capriles, se recusou a acatar o resultado das urnas, após ser incitado pela Casa Branca, que pediu a “recontagem dos votos”. Insuflados pelo perdedor, playboys incendiaram sedes do PSUV em dois estados, cercaram as emissoras de TV estatais na capital, queimaram veículos e assediaram parlamentares chavistas. Nove policiais ficaram feridos. Maduro convocou a população a defender a paz com mobilizações por todo o país na terça-feira, e “todos a Caracas na quarta-feira e na sexta-feira”, data do juramento. “Basta de abusos!”
BRASIL E CHINA
A vitória de Maduro foi saudada pelo Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Cuba, Rússia, China, Equador, Bolívia e Irã, entre outros. Ao felicitar Maduro por telefone, a presidente Dilma Roussef destacou a “normalidade do pleito”. Em Belo Horizonte, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a ingerência dos EUA, e pediu uma salva de palmas para Maduro. Os americanos “frequentemente se metem a discutir uma eleição (…). Por que não se preocupam com eles mesmos e nos deixam decidir nosso destino?”, questionou.
A missão da Unasul – União das Nações Sul-americanas – que observou as eleições na Venezuela saudou o “espírito cívico e democrático demonstrado pelo povo venezuelano no ato eleitoral” e pediu respeito aos resultados. “A Unasul declara – como sustentou desde sua instalação no país – que tais resultados devem ser respeitados por emanarem do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), única autoridade competente na questão segundo as disposições constitucionais e legais” da Venezuela. Qualquer questionamento deverá ser “canalizado e resolvido dentro do ordenamento jurídico vigente”.
Na noite de domingo, Maduro havia assinalado que a força da revolução em curso no país havia obtido um “triunfo justo, constitucional, legal e popular”. “Maioria é maioria e deve-se respeitar a democracia”. “Não se pode buscar emboscadas, inventos contra a soberania popular. Isso só tem um nome, golpismo. Quem pretender vulnerar a maioria da democracia pretende dar um golpe de Estado”, acrescentou. “Eu disse ontem e hoje, vocês me escutaram, se ganho com um voto, ganhei, se perco com um voto entrego imediatamente em respeito a esta Constituição; já o poder eleitoral disse qual é a vontade deste povo”.
Diante dos incêndios de sedes do PSUV e outros atos golpistas, Maduro advertiu; “Esta é a Venezuela que vocês querem? Esta é a Venezuela que você promoverá, candidato perdedor? Você é responsável por este incêndio, faço-te responsável por este incêndio (…) e se há feridos ou mortos você é o responsável”, afirmou, dirigindo-se a Capriles.
MAIORIA
Em termos absolutos, o resultado faz de Maduro o segundo presidente mais votado da história da Venezuela, só atrás do próprio Chávez. Capriles, que agora faz profissão de fé golpista pela diferença de votação ter sido estreita (1,78%), em dezembro, ao ser eleito governador, o foi por um diferencial ínfimo, de 30.000 votos. Em maio de 2012, a diferença de votos na França entre François Hollande e Nicolas Sarkozy foi de apenas 3,28% mas ninguém achou que podia por em questão o resultado.
“Não foi uma campanha eleitoral o que fizeram, foi uma guerra contra o povo. Iam apagar o país durante três dias. Não fosse por PDVAL e Mercal [ redes estatais de distribuição de alimentos ] o povo teria ficado desabastecido”, assinalou Maduro sobre o confronto eleitoral. “Querem matar a revolução e matando a revolução querem acabar com todas as conquistas e entregar esta pátria ao império norte-americano”, concluiu o presidente eleito.
ANTONIO PIMENTA

março 13, 2013

A morte suspeita do Presidente Hugo Chávez, Por William Blum

Certa vez, escrevi sobre o presidente Salvador Allende do Chile:
Washington não conhece heresia no Terceiro Mundo, mas a verdadeira independência. No caso de Salvador Allende, a independência chegou vestida em um traje especialmente provocante – um marxista constitucionalmente eleito que continuou a honrar a Constituição. ( … ) Ele sacudiu os alicerces sobre os quais a torre anti-comunista é construído: a doutrina, cuidadosamente cultivada por décadas, de que os “comunistas” podem tomar o poder só através da força e do engano, que podem manter esse poder só através de lavagem cerebral e aterrorizando a população . Só havia uma coisa pior do que um marxista no poder – um marxista eleito no poder.

Em todo o universo daqueles que possuem e dirigem a “United States, Inc.” não havia ninguém que mais desejassem ver morto do que Hugo Chávez. Ele era pior do Allende. Pior do que Fidel Castro. Pior do que qualquer líder mundial fora do campo americano porque falava claro e em termos vigorosos acerca do imperialismo estado-unidense e da sua crueldade. Reiteradamente. Constantemente. Dizendo coisas que se supõe que chefes de estado não digam. Nas Nações Unidas, num nível chocantemente pessoal, acerca de George W. Bush. Por toda a América Latina, pois ele organizou a região em blocos anti Império.
Os leitores habituais destes relatórios sabem que não costumo ter reacções imediatas de teórico da conspiração. Mas quando alguém como Chávez morre numa idade tão jovem como 58 anos tenho de indagar acerca das circunstâncias. Cancro persistente, infecções respiratórias intratáveis, ataques de coração maciços, um após o outro… É bem sabido que durante a Guerra Fria a CIA trabalhou com afinco para desenvolver substâncias que podiam matar sem deixar qualquer rastro. Gostaria de ver o governo venezuelano seguir todas as pistas de investigação uma vez realizada a autópsia.
Em Dezembro de 2011, já sob tratamento do cancro, Chávez perguntou em voz alta: “Seria tão estranho que eles tenham inventado a tecnologia para disseminar o cancro e nós não soubéssemos acerca disso durante 50 anos?” O presidente venezuelano estava a falar um dia depois de a presidente progressista da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, ter anunciado que lhe fora diagnosticado cancro na tiróide. Este aconteceu depois de três outros eminentes líderes progressistas latino-americanos terem sido diagnosticados com cancro: a presidente do Brasil, Dilma Roussef, Fernando Lugo do Paraguai e o antigo líder brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva.
“Evo tome cuidado consigo. Correa, seja cuidadoso. Nós simplesmente não sabemos”, disse Chávez referindo-se ao presidente da Bolívia, Evo Morales, e a Rafael Corre, o presidente do Equador, ambos líderes progressistas.
Chávez disse que recebera palavras de advertência de Fidel Castro, ele próprio alvo de centenas de fracassadas e muitas vezes bizarras tramas de assassinato da CIA. “Fidel sempre me dizia: Chávez tome cuidado. Esta gente desenvolveu tecnologia. Vocês são muito descuidados. Tome cuidado com o que come, com o que lhe dão para comer… uma pequena agulha e injectam-no com não sei o que”. [1]
Quando o vice-presidente Nicolas Maduro sugeriu o possível envolvimento americano na morte de Chávez, o Departamento de Estado dos EUA considerou a alegação absurda. [2]
Várias organizações progressistas dos EUA apresentaram sob a Freedom of Information Act (Lei de Liberdade de Informação) requerimento à CIA, a perguntar de “qualquer informação respeitante a planos para envenenar ou assassinar de qualquer outra forma o Presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que acabou de morrer”.
Pessoalmente acredito que Hugo Chávez foi assassinado pelos Estados Unidos. Se esta doença e morte NÃO fossem induzidas, a CIA – que tentou assassinar mais de 50 líderes estrangeiros, muitos com êxito [3] – não estava a fazer a sua tarefa.
Quando Fidel Castro ficou doente vários anos atrás, os media de referência americanos implacavelmente conjecturavam sobre se o sistema socialista cubano poderia sobreviver à sua morte. A mesma especulação existe agora em relação à Venezuela. A mente ianque não pode acreditar que grandes massas de povo possam virar as costas ao capitalismo quando lhes é mostrada uma boa alternativa. Isso só poderia ser o resultado da manipulação do público por um ditador, repousando tudo sobre um homem cuja morte marcaria o fim do processo.
11/Março/2013

[1] The Guardian (London), December 29, 2011
[2] Huffington Post, March 7, 2013
[3] http://killinghope.org/bblum6/assass.htm

[*] Escritor, historiador e crítico da política externa dos EUA. É autor de Killing Hope: U.S. Military and CIA Interventions Since World War II e de Rogue State: A Guide to the World’s Only Superpower , dentre outros.

O original encontra-se em http://williamblum.org/aer/read/114

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/

março 8, 2013

Chavez se cala, Venezuela chora, Por Margarita Sansone

Filed under: WordPress — Tags:, , , , , — Humberto @ 5:13 pm

Morreu em Caracas, Hugo Chavez, presidente da Venezuela, derrotado por um câncer, do qual tinha sido operado em Cuba. Seu legado começa a ser discutido na mídia mundial.

Na vizinha Venezuela, o PIB per capita, antes de Chavez era de US$ 3.889, hoje alcança US$ 11.131. PIB é a soma de toda a riqueza produzida num ano. A pobreza extrema na Venezuela, antes de Chavez era de 21% da população. Hoje é de 7%…

A empresa nacional de petróleo PDVSA colocou em programas sociais em 2001 (antes de Chavez) 34 milhões de dólares. Em 2011 colocou 39,6 bilhões de dólares.Isto é mais que mil vezes mais… (Os dados são da Folha de SP, em caderno especial de 6 de março 2013)..

Talvez os venezuelanos da classe popular, nas ruas, aos milhares, chorem por si mesmos, pois Chavez beneficiou o seu povo.

Vamos pensar juntos. Erradicar o analfabetismo. Multiplicar por 4 toda a riqueza produzida no país (PIB), e a sua distribuição. Diminuir a pobreza em 14% da população total, multiplicar por 1000 os investimentos sociais parecem bons índices… Concordam?

Há quem ache pouco. Nas redes sociais, as mãos mais à direita, descascaram a memória do líder morto. Não deixaram de recordar que pisoteou as instituições, com métodos discutíveis de exercício do poder. Mesmo assim foi 4 vezes eleito. E, segundo o embaixador brasileiro Rubens Ricúpero, experiente analista econômico e de política internacional, Chavez, post-mortem, fará seu sucessor. As fotos do cortejo fúnebre parecem confirmar a previsão.

Ironia do destino, na mesma semana em que Chavez se calou, o Rei da Espanha, Don Juan Carlos, famoso por tê-lo mandado calar a boca numa reunião latino-americana, saiu na capa do The New York Times por escândalo financeiro envolvendo seu genro, e declarações de uma princesa alemã – que seria sua amiga íntima. Leia Mais A leitura do post  Um escândalo real na Espanha sugere que há situações em que a morte é mais confortável do que a vida.

EXTRAÍDO DO SITE MARGARITA SEM CENSURA

CEPAL lamenta morte do Presidente Chávez

Filed under: WordPress — Tags:, , , — Humberto @ 4:14 pm

SANTIGO DO CHILE, 6 MAR (ANSA) – A comissão Econômica para a América e o Caribe (Cepal) enviou uma carta de condolências pela morte do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, ao vice-presidente venezuelano, Nicolás Maduro, que assumirá a presidência interina do país.

Na carta, a secretária executiva da Cepal, Alicia Bárcena disse que “nos embarga de desconsolo [porque] o rosto desta América é outro depois que ele [Chávez] irrompeu na cena”.

“Como tantos compatriotas desta Pátria Grande, acompanhamos com preocupação e esperança a batalha que o comandante vinha enfrentando por sua saúde desde junho de 2011”, escreveu Bárcena.

“Sua perda nos embarga de desconsolo. Chávez irrompe por direito próprio nestes territórios do coração e a memória onde vivem os homens e mulheres grandes que imprimiram sua marca na história de nosso continente”, acrescentou ela.

Bárcena disse ser testemunha “de seu compromisso irredutível pelos despossuídos, pelos mais modestos, pelos humildes que retratou sua personalidade política e íntima. Fez da igualdade o norte de sua ação e da soberania altiva de sua pátria permanente”.

“Militante decidido da irmandade latino-americana, sua visão e empenho esta na raiz do novo mapa da integração, da [União das Nações Sul-Americanas] Unasul à [Comunidade dos Estados Latino-americanos e Caribenhos] CELAC, da [Aliança Bolivariana para os Povos da América] Alba à Petrocaribe, que reconhecem em Chávez testemunho de paternidade”, completou a secretária executiva da Cepal. (ANSA)
06/03/2013

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janeiro 18, 2013

A Globo contra os venezuelanos

Filed under: WordPress — Tags:, , — Humberto @ 6:50 pm

Paulo Nogueira
Blog Diário do Centro do Mundo

Noto, nas redes sociais, revolta contra a maneira como a Globo vem cobrindo o caso Chávez.
Estaria havendo um golpe na Venezuela, segundo a Globo.
Não existe razão para surpresa. Inimaginável seria a Globo apoiar qualquer tipo de causa popular.
Chávez e Globo têm um história de beligerância explícita. Ambos defendem interesses antagônicos com paixão, com ênfase, com clareza.
Se estivéssemos na França de 1789, a Globo defenderia a Bastilha e Chávez seria um jacobino. Em vez de recitar Bolívar, ele repetiria Rousseau.
Há uma cena clássica que registra a hostilidade entre Chávez e a Globo. Foi, felizmente, registrada pelas câmaras. É um documento histórico. Você pode vê-la no pé deste artigo.
Chávez está dando uma coletiva, e um repórter ganha a palavra para uma pergunta. É um brasileiro, e trabalha na Globo. Fala num espanhol decente, e depois de se apresentar interroga Chávez sobre supostas agressões à liberdade de expressão.
Toca, especificamente, numa multa aplicada a um jornalista pela justiça venezuelana.
Chávez ouve pacientemente. No meio da longa questão, ele pergunta se o jornalista já concluiu a pergunta. E depois diz: “Sei que você veio aqui com uma missão e, se não a cumprir, vai ser demitido. Não adianta eu sugerir a você que visite determinados lugares ou fale com certas pessoas, porque você vai ter que fazer o que esperam que você faça.”
Quem conhece os bastidores do jornalismo sabe que quando um repórter da Globo vai para a Venezuela, a pauta já está pronta. É só preencher os brancos. Não existe uma genuína investigação. A condenação da reportagem já está estabelecida antes que a pauta seja passada ao repórter.
Lamento se isso desilude os ingênuos que acreditam em objetividade jornalística brasileira, mas a vida é o que é. Na BBC, o repórter poderia de fato narrar o que viu. Na Globo, vai confirmar o que o seu chefe lhe disse. É uma viagem, a rigor, inútil: serve apenas para chancelar, aspas, a paulada que será dada.
“Como cidadão latino-americano, você é bem-vindo”, diz Chávez ao repórter da Globo. “Como representante da Globo, não.”
Chávez lembrou coisas óbvias: o quanto a Globo esteve envolvida em coisas nocivas ao povo brasileiro, como a derrubada de João Goulart e a instalação de uma ditadura militar em 1964.
Essa ditadura, patrocinada pela Globo, tornou o Brasil um dos campeões mundiais em iniquidade social. Conquistas trabalhistas foram pilhadas, como a estabilidade no emprego, e os trabalhadores ficaram impedidos de reagir porque foi proibida pelos ditadores sua única arma – a greve.
Não vou falar na destruição do ensino público de qualidade pela ditadura, uma obra que ceifou uma das mais eficientes escadas de mobilidade social. Também não vou falar nas torturas e assassinatos dos que se insurgiram contra o golpe.
Chávez, na coletiva, acusou a Globo de servir aos interesses americanos.
Aí tenho para mim que ele errou parcialmente.
A Globo, ao longo de sua história, colocou sempre à frente não os interesses americanos – mas os seus próprios, confundidos, na retórica, com o interesse público, aspas.
Tem sido bem sucedida nisso.
O Brasil tem milhões de favelados, milhões de pessoas atiradas na pobreza porque lhes foi negado ensino digno, milhões de crianças nascidas e crescidas sem coisas como água encanada.
Mas a família Marinho, antes com Roberto Marinho e agora com seus três filhos, está no topo da lista de bilionários do Brasil.
Roberto Marinho se dizia “condenado ao sucesso”. O que ele não disse é que para que isso ocorresse uma quantidade vergonhosa de brasileiros seria condenada à miséria.

( Extraído do site do PCB )

outubro 22, 2012

Luiz Carlos Bresser-Pereira: “Nova vitória de Chávez comprova que a Venezuela é uma Democracia”

Filed under: WordPress — Tags:, , — Humberto @ 6:52 pm

A luta de Chávez
Sua retórica dá a impressão de que ele vá implantar o socialismo, mas seus atos deixam claro que não
Se as liberdades e o sufrágio universal estão assegurados, a democracia, garantida, e os cidadãos não estão ameaçados de expropriação por políticos revolucionários, não há razão para cidadãos com espírito republicano votarem em candidatos que defendem interesses dos ricos.
Eles estarão agindo de acordo com princípios de justiça se escolherem candidatos razoavelmente competentes que estejam comprometidos com os interesses dos pobres.
Estas considerações podem ser relevantes para eleitores de classe média decidirem seu voto, mas o que decide eleições é o voto dos pobres, como acabamos de ver na reeleição de Hugo Chávez na Venezuela.
Sua nova vitória comprova que a Venezuela é uma democracia e que os pobres lograram votar de acordo com seus interesses. Mas mostra também que os venezuelanos de classe média que nele votaram não defenderam seus interesses oligárquicos, mas os da maioria. Agiram conforme o critério republicano.
Chávez não é um revolucionário, mas um reformador. Sua retórica relativa ao “socialismo bolivariano” dá a impressão de que está prestes a implantar o socialismo no país, mas seus atos deixam claro que não tem essa intenção nem esse poder.
Essa mesma retórica alimenta a oposição local e dos Estados Unidos -uma potência imperial que, desde que ele foi eleito pela primeira vez, procura desestabilizá-lo.
Mais importantes, porém, são suas ações de governo. Essas apresentaram resultados impressionantes.
A renda per capita, que em 1999 era de US$ 4.105, passou a US$ 10.810 em 2011; a pobreza extrema foi de 23,4% da população para apenas 8,8%; e o índice de desigualdade caiu de 55,4% em 1998 para 28%, em 2008, com Chávez.
A Venezuela é um país muito difícil de governar porque é pobre e heterogêneo. E os interesses em torno do petróleo são enormes.
Nesse quadro de dificuldades, Chávez vem representando de forma exemplar a luta de uma coalizão política desenvolvimentista formada por empresários (poucos), trabalhadores e burocracia pública contra uma coalizão liberal e dependente formada por capitalistas rentistas, financistas, e pelos interesses estrangeiros. A luta de um país pobre para realizar sua revolução nacional e capitalista e melhorar o padrão de vida de seu povo.
Nas últimas eleições, o establishment internacional voltou a apoiar o candidato da oposição. Mas o que tem sido a oposição “liberal” na Venezuela desde a Segunda Guerra?
Essencialmente, uma oligarquia corrupta que se alternou no poder por 50 anos em um simulacro de democracia; uma elite econômica que reduziu a política à partilha das rendas do petróleo entre seus membros; um governo de ricos que sempre se submeteu às recomendações de política econômica do Norte, e exibiu, entre 1950 e 1999, o mais baixo crescimento de PIB da América Latina.
O establishment internacional ainda não foi vencido, e a nação venezuelana não está consolidada. Chávez contou com a ajuda dos preços elevados do petróleo para realizar um governo desenvolvimentista e social. Não a terá sempre.
Mas as últimas eleições mostraram que o povo venezuelano construiu uma democracia melhor do que aquela que o nível de desenvolvimento do país deixaria prever.
E que esta democracia é o melhor antídoto contra a oligarquia interna e o neoliberalismo importado. ( FOLHA DE SÃO PAULO )

setembro 13, 2012

Hugo Chávez ressaltou “longo caminho da Venezuela para se distanciar da guerra civil”

Filed under: WordPress — Tags:, , , — Humberto @ 7:26 pm

Chávez ressaltou o “longo caminho de 20 anos para garantir a paz, segurança, estabilidade e desenvolvimento econômico” desde que assumiu a presidência. Um caminho que “distanciou a Venezuela da guerra civil”, prosseguiu. Os protestos contra a crescente desigualdade social, antes da chegada de Chávez à presidência, haviam levado a gigantescos concentrações em Caracas (denominadas de Caracazos). Após a maior delas, em 28 de fevereiro de 1989, o então presidente, Andrés Perez, ordenou uma repressão que chacinou cerca de 3 mil venezuelanos nos bairros populares da capital. Foi esse país conflagrado que Chávez pacificou através da elevação de salários, crescimento e programas sociais.
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, afirmou durante comício, diante de milhares de pessoas no Estado de Miranda, que sua candidatura à reeleição representa “a garantia de paz, segurança, estabilidade e desenvolvimento econômico” e exortou a todos a irem às urnas no dia 7 de outubro para “derrotar o candidato do fascismo, que representa a guerra civil”.
A citação ao risco da violência veio acompanhada de cifras contundentes: durante a gestão de Capriles como governador de Miranda, em apenas quatro anos (2008-2012), o índice de homicídios aumentou de 53 para 78 por cada 100.000 habitantes.
“Vejam bem, até aos ricos convêm a vitória de Chávez. Pensem. A eles, para que serve uma guerra civil? Isso não convêm a ninguém, somente à extrema direita fascista encarnada pelo medíocre”, alertou o presidente, reduzindo o candidato opositor, Henrique Capriles, a seu real significado. “Até aos ricaços, que gostam de tranquilidade, interessa a vitória de Chávez e os convido para que votem em nós”, acrescentou.
O líder bolivariano lembrou que a classe média estava praticamente desaparecida nos anos 90, como consequência do pacotaço neoliberal implantado pelo ex-presidente Carlos Andrés Pérez, que “implicou na liberalização de preços, eliminação de subsídios aos produtos básicos e privatização das empresas públicas”. ( HORA DO POVO )

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