ENCALHE ( Descontinuado em 05.10.2013 )

setembro 19, 2013

Embargos etc etc… A revolta toma conta do País de maneira nunca dantes vista

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agosto 18, 2013

TremSalãoGate: Polícia Federal e Ministério Público “seguem o dinheiro” de cartel que, segundo procurador, teria irrigado campanhas eleitorais do PSDB, como a de FHC em 1998

Campanhas investigadas
Ministério Público e PF fazem rastreamento e encontram indícios de que parte do dinheiro desviado no escândalo do metrô pode ter alimentado campanhas do PSDB, inclusive a de FHC em 1998

O Ministério Público Federal e a PF começaram na última semana uma sigilosa investigação que, entre os procuradores, vem sendo chamada de “siga o dinheiro”. Trata-se de um nome que traduz literalmente o objetivo da missão, que consiste em fazer um minucioso cruzamento de dados já coletados em investigações feitas nos Estados Unidos, na Europa e no Brasil, seja pela PF, pelo Ministério Público Federal e pelo MP de São Paulo, envolvendo os contratos feitos pelas empresas Alstom e Siemens com o governo de São Paulo. “Temos fortes indícios de que parte do superfaturamento de muitos contratos serviu para abastecer campanhas do PSDB desde 1998, especialmente as de Fernando Henrique Cardoso e Mário Covas”, disse à ISTOÉ, na manhã da quinta-feira 15, um dos procuradores que acompanham o caso. “Mas acreditamos que com os novos dados que receberemos da Suíça e da Alemanha chegaremos também às campanhas mais recentes.” Sobre a campanha de 1998, os procuradores asseguram já ter identificado cerca de R$ 4,1 milhões que teriam saído de contas mantidas em paraísos fiscais por laranjas e consultores contratados pela Alstom para trafegar o superfaturamento de obras do Metrô, da CPTM e da Eletropaulo. “Agora que sabemos os nomes de algumas dessas empresas de fachada será possível fazer o rastreamento e chegarmos aos nomes de quem participou das operações”, diz o procurador.

Dos cerca de R$ 4,1 milhões, os procuradores avaliam que R$ 3 milhões chegaram aos cofres do PSDB através de um tucano bicudo, já indiciado pela Polícia Federal. Trata-se do atual vereador Andréa Matarazzo, ex-ministro de FHC, secretário de Covas e Serra. Em 2008, quando explodiu o esquema de propinas da Alstom na Europa, documentos apreendidos por promotores da França mostravam que a empresa pagou “comissões” para obter negócios no governo de São Paulo. De acordo com memorandos apreendidos pela justiça francesa, a Alstom pagava propinas equivalentes a 7,5% do valor dos contratos que eram divididos entre as finanças do PSDB, o Tribunal de Contas do Estado e a Secretaria de Energia. Em 1998, época em que teriam sido assinados os contratos superfaturados, Matarazzo acumulava o comando da Secretaria de Energia e a presidência da Cesp, as principais clientes do grupo Alstom no Estado. Antes disso, em novembro de 2000, tornou-se pública uma planilha que teria listado a arrecadação de campanha não declarada pelo Diretório Nacional do PSDB. Segundo essa lista, Matarazzo seria o responsável por um repasse de R$ 3 milhões [ 1 ] e [ 2 ] provenientes da Alstom. Ele nega. Diz que não fez arrecadação irregular de recursos e que apenas reuniu alguns empresários para obter ajuda financeira à campanha, de forma regular e declarada. Sobre o indiciamento, afirma que já recorreu judicialmente.

Outro R$ 1,1 milhão que os procuradores já têm rastreado teria vindo de contas mantidas por empresas instaladas em paraísos fiscais. Uma dessas contas se chama Orange e o detalhamento do esquema de recebimento do dinheiro vindo da Alstom foi revelado ao Ministério Público paulista por um ex-lobista da empresa, hoje aposentado, Romeu Pinto Júnior. No depoimento a que ISTOÉ teve acesso, ele admite que recebeu no Brasil US$ 207,6 mil do Union Bancaire Privée de Zurique, em outubro de 1998, e outros US$ 298,8 mil em dezembro do mesmo. Agora, os procuradores estão seguindo outras duas remessas feitas a Pinto Júnior pelo Bank Audi de Luxemburgo, entre dezembro de 2001 e fevereiro de 2002. A primeira soma US$ 245 mil e a segunda, US$ 255 mil. Todo esse dinheiro, segundo o procurador, passou por uma empresa no Uruguai chamada MCA. Além dela, a equipe está investigando contas em nome da Gateway e da Larey, ambas operadas por Arthur Teixeira, um dos lobistas delatados pela Siemens ao Cade, e identificadas como pontes para o pagamento de propinas.

Entre os documentos que o Ministério Público Federal recebeu da Suíça e da Alemanha estão dados que podem comprometer David Zilberstein. Segundo o procurador ouvido por ISTOÉ, ele teria sido um dos pioneiros a estimular a formação de cartéis, principalmente na área de energia. Só depois de rastrear todos os dados bancários obtidos nas investigações feitas fora do País é que os procuradores pretendem começar a tomar depoimentos. Os responsáveis pelas investigações avaliam que a parte mais difícil do rastreamento será feita a partir do próximo mês, quando pretendem fazer um paralelo dos dados já levantados com o que poderá vir a ser fornecido por empresas que trabalharam nas campanhas eleitorais.

A matéria completa, com fotos e fac-similes pode ser encontrada no site da ISTO É [ AQUI ]

[ 1 ] “(…) A maior doação não declarada ao TSE, de R$ 3 milhões, é atribuída pela planilha ao hoje ministro Andrea Matarazzo, da Secretaria de Comunicação da Presidência. Dinheiro sem procedência nem destino conhecidos, de acordo com o documento.
‘Não pode ser. Não conheço a planilha. Não tenho idéia. Muito menos valores desse tamanho’, reagiu Matarazzo. ‘Eu não fui arrecadador. Não me ponha como arrecadador. Fiz alguns jantares com empresários. E só’, rebateu o ministro (…).”, Documento revela doações não registradas para campanha de FHC, Folha de São Paulo, 12/11/2000

[ 2 ] Nova planilha mostra ação de Matarazzo, Folha de São Paulo, 03/12/2000

maio 2, 2013

Requião: “Não há privatização gratuita, quem paga a conta é o povo e o país”

“Nosso baixo crescimento nos últimos 20 anos se deve, em grande parte, às privatizações. Dessa forma, fiquei muito surpreso quando alguns “gênios” no governo Dilma, em quem votei, fiz campanha e dei apoio, redescobriu que a varinha mágica para todos os problemas é a privatização”, afirmou Roberto Requião em pronunciamento no Senado

Não temos boas lembranças das privatizações dos anos 90. Foi uma época de desemprego, arrocho salarial, aumento do custo de vida, crescimento da criminalidade e dos problemas urbanos. Um tempo de desesperança.

Dizia-se que as privatizações seriam a solução para todos os problemas e que os sacrifícios seriam compensados por ganhos futuros. Pura enganação. Na verdade, a era das privatizações trouxe apenas sacrifícios aos brasileiros. E nenhum ganho.

Para que as empresas a serem privatizadas fossem atrativas aos compradores, o governo do PSDB aumentou brutalmente as tarifas de telefone, luz, água e fixou preços absurdos para o pedágio, ao mesmo tempo em que vendia a Vale e a Companhia Siderúrgica Nacional a preço de banana.

Nunca é demais lembrar que na era das privatizações o Brasil quebrou três vezes; três vezes teve que sair de pires na mão, humilhando-se diante do mundo.

Em 2003, com a eleição de Lula, começou a recuperação. A recomposição do salário mínimo, os programas de inclusão e promoção social como o Bolsa Família, o aumento contínuo dos empregos com carteira assinada, a construção de casas populares, o forte apoio à agricultura familiar, a universalização e o fortalecimento da educação pública básica, a ampliação do acesso às universidades, a retomada da educação técnica criaram um novo ambiente e o país voltou a crescer.

Mas estaríamos muito melhores, não fossem as privatizações.

Primeiramente, as privatizações geraram desemprego em massa de técnicos qualificados, cuja educação custou muito aos brasileiros; provocaram a perda da soberania tecnológica; o crescimento das importações de máquinas e componentes, cuja produção interna não podia mais contar com a política de compra das estatais; remessas crescentes de lucros ao exterior; e aumento abusivo das tarifas de serviços públicos.

Posteriormente, as empresas privatizadas preferiram pagar dividendos a investir. Assim, foram responsáveis pelo apagão de 2001. O apagão teve como efeito colateral ser um dos principais cabos eleitorais de Lula em 2002.

Uma consequência menos conhecida das privatizações foi o baixo crescimento.

FHC privatizou o máximo que pôde com tanta pressa que parecia que sua vida dependia disso. Dizia-se que aquelas empresas não tinham valor na mão do governo.

De forma coordenada a mídia, o governo e empresários insistiam que passá-las ao setor privado, sob quaisquer condições, seria melhor do que estar com o poder público.

Assim, privatizou-se de qualquer jeito, a qualquer preço, sem a preocupação com as consequências. Muitas vezes, regulamentou-se o setor só depois que as empresas já haviam sido privatizadas.

No seu segundo mandato, FHC só apagou incêndios, em razão dos equívocos da privatização. Como quebrou o país três vezes, teve que se curvar ao FMI e seguir, como menino obediente, suas recomendações. Uma delas foi o regime de metas de inflação. Ora, não é possível crescer razoavelmente com o regime de metas. Se as tarifas estão subindo acima da inflação, vai ser necessário colocar o país em recessão para que a inflação do resto da economia fique abaixo da meta.

Lula mudou muita coisa, mas esse modelo de metas ele não conseguiu mudar. No entanto, temos que reconhecer seu o mérito em não continuar a política de privatizações.

Os reflexos negativos das privatizações tucanas estão aí.

Temos enfrentado graves problemas na economia em razão da elevada indexação inflacionária das tarifas de serviços públicos privatizados, do baixo investimento e da má qualidade dos serviços.

Os brasileiros sabem do que estamos falando, especialmente na telefonia. Quem usa os serviços de eletricidade, ferroviários, rodoviários e portuários dessas empresas privatizadas sabe muito bem que a “maravilha” de qualidade dos serviços privatizados, que tanto alardeiam na mídia e em certas Casas Civis, só existe nas fantasias dos especuladores.

Na maioria dos países, as empresas de serviços públicos privatizadas são conhecidas por subinvestimento, lucros exorbitantes, má qualidade do serviço, tarifas escorchantes, abuso de poder de mercado, captura do regulador e corrupção.

Falando apenas de macroeconomia: elas foram uma dos principais responsáveis pelo baixo crescimento de nosso país.

Reconhecemos os méritos de Lula e Dilma, mas desde 2003 o crescimento médio dos países subdesenvolvidos foi o dobro do nosso. Esse desempenho aquém do mediano e do potencial brasileiro se deveu em grande medida à elevadíssima fatia de infra-estrutura privatizada.

A explicação decorre da alta indexação das tarifas e da pressão para que elas crescessem acima da inflação. Isso fazia o Banco Central impor juros muito elevados para o resto da economia. Esses juros elevados deprimiam o consumo e o investimento.

As altas tarifas, além de gerarem valorização do câmbio, geram por si só perda de competitividade, porque as tarifas da infra-estrutura brasileira estão, em média, entre as mais caras do mundo. Sofre o industrial, sofre o agricultor, sofre o trabalhador.

Além disso, as crescentes tarifas, ao contribuir para os juros altos, têm um impacto negativo na dívida pública. Para compensar esse impacto, o governo tem que manter uma ambiciosa meta de superávit primário. Muito maior do que a dos países falidos da Europa. Consequentemente, o governo tem que cortar o investimento público, que é o menor entre os países emergentes.

Assim, nosso baixo crescimento nos últimos 20 anos se deve, em grande parte, às privatizações.

Dessa forma, fiquei muito surpreso quando alguns “gênios” no governo Dilma, em quem votei, fiz campanha e dei apoio, redescobriu que a varinha mágica para todos os problemas é a privatização. Entre esses gênios, temos um que herdamos de FHC e foi responsável por um dos maiores desastres na infra-estrutura planetária: a privatização de nossas ferrovias.

Uma vez que o PT sempre criticou as privatizações, e a própria candidata Dilma rejeitou-as na campanha de 2010, era de se imaginar que haveria boa justificativa para essa mudança de opinião, para o retorno ao caminho da troika PSDB-DEM-PPS, a santíssima trindade do neoliberalismo pátrio.

Vamos então analisar esse recuo tardio, extemporâneo, despropositado às privatizações.

As justificativas são em parte antigas, em parte novas. As antigas são: (1) o Estado não tem como financiar os investimentos e (2) o Estado é sempre mais incompetente que o setor privado

Dizer que o Estado não tem como bancar os investimentos é fraudar, empulhar a verdade dos fatos.

O mais cínico nessa justificativa é que o próprio BNDES, com recursos públicos, vai financiar esses investimentos. Então como podem ter coragem de dizer que o Estado não tem dinheiro para realizar os investimentos?

O outro argumento dos privatistas é que o Estado é sempre mais incompetente que o setor privado. Mas, em monopólios e mercados sem muita concorrência, o que se vê é mais abusos do que eficiência por parte das empresas. Porque, antes da eficiência, buscam o lucro.

Que qualidade se vê nas empresas de serviços públicos privatizadas? Todo brasileiro sabe o martírio que é ter um celular ou banda larga no Brasil. Quando funcionam, sempre dão problemas. Resolvê-los pelo call center é um sofrimento que pode durar horas ou dias, caso se tenha tempo e paciência para acessar o serviço. Parece que certas empresas criam dificuldades para que o cidadão desista de reivindicar.

E não adianta esperar que os órgãos responsáveis coloquem ordem nessa anarquia. Não adianta recorrer ao Ministério respectivo ou às agencias reguladoras. Ah, as agências… que piada!

Já os novos argumentos de alguns gestores a favor da privatização baseiam-se em uma suposta “sabotagem” contra os investimentos públicos.

Essa tal “sabotagem” seria praticada principalmente pelos órgãos ambientais, lentos demais para tomar decisões e liberar as obras. Dizem que o TCU e o Ministério Público criam muitos entraves. Pode ser que a legislação ambiental tenha mesmo problemas, pois boa parte vem da era FHC, que não morria de amores pelo investimento público.

Contudo, se é verdade, caberia ao governo propor projetos de lei que disciplinassem e tornassem mais ágil a gestão desses órgãos. Se o governo não sugere mudanças, como responsabilizar esses órgãos pelo atraso das obras?

Se há “sabotagem”, boa parte tem origem no próprio executivo. Quantos financiamentos o BNDES concedeu na primeira década do século XXI à Infraero, Eletrobrás e aos portos públicos? Até a construção das represas do Rio Madeira, foi muito pouco.

Mesmo hoje, os financiamentos do BNDES às estatais (excluindo a Petrobrás) continuam muito abaixo do que recebem seus concorrentes privados. Concorrentes privados, sublinhe-se, geralmente com receitas, capacidade de crédito, patrimônios e garantias inferiores aos dessas estatais.

Presidente Dilma, abra os olhos. Essa política de entregar tudo tem um preço alto. Não podemos contar nem com a gratidão daqueles que se beneficiarem das privatizações. Lembremos-nos do nosso povo e de nossos mestres, cujos livros você e eu lemos no passado.

À frase popularizada por Milton Friedman, “não há almoço grátis”, tão do gosto dos liberais, podemos acrescentar outra: não há privatização gratuita, quem paga a conta é o povo, é o país, é o nosso desenvolvimento econômico.

HORA DO POVO

abril 8, 2013

Autor de ‘A Privataria Tucana’ vai disputar Academia Brasileira de Letras com FHC

Campanha que defende o nome de Amaury Ribeiro Jr. foi lançada nesta segunda (8) por um grupo de jornalistas, intelectuais e professores universitários. Objetivo é disputar cadeira de número 36, que está vaga desde que o jornalista e escritor paulista João de Scantimburgo morreu, em 22 de março passado.
CARTA MAIOR

São Paulo – Um grupo de jornalistas, intelectuais e professores universitários progressistas lança nesta segunda-feira (8) uma campanha para defender o nome do jornalista Amaury Ribeiro Júnior para a Academia Brasileira de Letras (ABL).

Jornalista premiado, hoje funcionário da TV Record, Ribeiro Jr. é autor do best-seller “A privataria tucana”, livro-reportagem denuncia irregularidades na venda de empresas estatais durante o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).

A candidatura de Ribeiro Jr. visa se contrapor à do próprio Fernando Henrique, que está inscrito para disputar a cadeira de número 36, que está vaga desde que o jornalista e escritor paulista João de Scantimburgo morreu, em 22 de março passado.

As inscrições de candidaturas na ABL podem ser feitas até 26 de abril. Depois deste prazo, a entidade marca em até 60 dias uma reunião para a eleição, em que o novo imortal deve ter a metade mais um dos votos dos atuais imortais para ser eleito para a cadeira.

Leia, a seguir, o manifesto da candidatura de Amaury Ribeiro Jr. Para assinar, clique aqui.

“A PRIVATARIA É IMORTAL – Amaury Ribeiro Júnior para a Academia Brasileira de Letras

Não é a primeira vez que a Academia Brasileira de Letras tem a oportunidade de abrir suas portas para o talento literário de um jornalista. Caso marcante é o de Roberto Marinho, mentor de obras inesquecíveis, como o editorial de 2 de abril de 64:

“Ressurge a Democracia, Vive a Nação dias gloriosos” – o texto na capa de “O Globo” comemorava a derrubada do presidente constitucional João Goulart, e não estava assinado, mas trazia o estilo inconfundível desse defensor das liberdades. Marinho tornou-se, em boa hora, companheiro de Machado de Assis e de José Lins do Rego.

Incomodada com a morte prematura de “doutor” Roberto, a Academia acolheu há pouco outro bravo homem de imprensa: Merval Pereira, com a riqueza estilística de um Ataulfo de Paiva, sabe transformar jornalismo em literatura; a tal ponto que – sob o impacto de suas colunas – o público já não sabe se está diante de realidade ou ficção.

Esses antecedentes, “per si”, já nos deixariam à vontade para pleitear – agora – a candidatura do jornalista Amaury Ribeiro Junior à cadeira 36 da Academia Brasileira de Letras.

Amaury, caros acadêmicos e queridos brasileiros, não é um jornalista qualquer. É ele o autor de “A Privataria Tucana” – obra fundadora para a compreensão do Brasil do fim do século XX.

Graças ao trabalho de Amaury, a Privataria já é imortal! Amaury Ribeiro Junior também passou pelo diário criado por Irineu Marinho (o escritor cubano José Marti diria que Amaury conhece, por dentro, as entranhas do monstro).

Mas ao contrário dos imortais supracitados, Amaury caminha por outras tradições. Repórter premiado, não teme o cheiro do povo. Para colher boas histórias, andou pelas ruas e estradas empoeiradas do Brasil. E não só pelos corredores do poder.

Amaury já trabalhou em “O Globo”, “Correio Braziliense”, “IstoÉ”, “Estado de Minas”, e hoje é produtor especial de reportagens na “TV Record”. Ganhou três vezes o Prêmio Esso de Jornalismo. Tudo isso já o recomendaria para a gloriosa Academia. A obra mais importante do repórter, entretanto, não surge dos jornais e revistas. “A Privataria Tucana” – com mais de 120 mil exemplares comercializados – é o livro que imortaliza o jornalista.

A Privataria é imortal – repetimos!

O livro de Amaury não é ficção, mas é arte pura. Arte de revelar ao Brasil a verdade sobre sua história recente. Seguindo a trilha aberta por Aloysio Biondi (outro jornalista que se dedicou a pesquisar os descaminhos das privatizações), Amaury Ribeiro Junior avançou rumo ao Caribe, passeou por Miami, fartou-se com as histórias que brotam dos paraísos fiscais.

Estranhamente, o livro de Amaury foi ignorado pela imprensa dos homens bons do Brasil. Isso não impediu o sucesso espetacular nas livrarias – o que diz muito sobre a imprensa pátria e mais ainda sobre a importância dos fatos narrados pelo talentoso repórter.

A Privataria é imortal! Mas o caminho de Amaury Ribeiro Junior rumo à imortalidade, bem o sabemos, não será fácil. Quis o destino que o principal contendor do jornalista na disputa pela cadeira fosse o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

FHC é o ex-sociólogo que – ao virar presidente – implorou aos brasileiros: “Esqueçam o que eu escrevi”. A ABL saberá levar isso em conta, temos certeza. É preciso esquecer.

Difícil, no entanto, é não lembrar o que FHC fez pelo Brasil. Eleito em 1994 com o apoio de Itamar Franco (pai do Plano Real), FHC prometeu enterrar a Era Vargas. Tentou. Esmerou-se em desmontar até a Petrobras. Contou, para isso, com o apoio dos homens bons que comandam a imprensa brasileira. Mas não teve sucesso completo.

O Estado Nacional, a duras penas, resistiu aos impulsos destrutivos do intelectual Fernando.

Em 95, 96 e 97, enquanto o martelo da Privataria tucana descia velozmente sobre as cabeças do povo brasileiro, Amaury dedicava-se a contar histórias sobre outra página vergonhosa do Brasil – a ditadura militar de 64. Em uma de suas reportagens mais importantes, sobre o massacre de guerrilheiros no Araguaia, Amaury Ribeiro Junior denunciou os abusos cometidos pela ditadura militar (que “doutor” Roberto preferia chamar de Movimento Democrático).

FHC vendia a Vale por uma ninharia. Amaury ganhava o Prêmio Esso…

FHC entregava a CSN por uns trocados. Amaury estava nas ruas, atrás de boas histórias, para ganhar mais um prêmio logo adiante…

As críticas ao ex-presidente, sabemos todos nós, são injustas. Homem simples, quase franciscano, FHC não quis vender o patrimônio nacional por valores exorbitantes. Foi apenas generoso com os compradores – homens de bem que aceitaram o duro fardo de administrar empresas desimportantes como a Vale e a CSN. A generosidade de FHC foi muitas vezes incompreendida pelo povo brasileiro, e até pelos colegas de partido – que desde 2002 teimam em esquecer (e esconder) o estadista Fernando Henrique Cardoso.

Celso Lafer – ex-ministro de FHC – é quem cumpre agora a boa tarefa de recuperar a memória do intelectual Fernando, ao apresentar a candidatura do ex-presidente à ABL. A Academia, quem sabe, pode prestar também uma homenagem ao governo de FHC, um governo simples, em que ministros andavam com os pés no chão – especialmente quando tinham que entrar nos Estados Unidos.

Amaury não esqueceu a obra de FHC. Mostrou os vãos e os desvãos, com destaque para o caminho do dinheiro da Privataria na volta ao Brasil. Todos os caminhos apontam para São Paulo. A São Paulo de Higienópolis e Alto de Pinheiros. A São Paulo de 32, antivarguista e antinacional. A São Paulo de FHC e do velho amigo José Serra – também imortalizado no livro de Amaury.

Durante uma década, o repórter debruçou-se sobre as tenebrosas transações. E desse trabalho brotou “A Privataria Tucana”.

Por isso, dizemos: se FHC ganhar a indicação, a vitória será da Privataria. Mas se Amaury for o escolhido, aí a homenagem será completa: a Privataria é imortal!

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Se você apoia Amaury para a ABL, deixe abaixo seu nome, profissão e/ou entidade. Veja quem já aderiu à campanha “A Privataria é imortal”:

Altamiro Borges
Antonio Cantisani Filho
Breno Altman
Cândido Grzybowski
Conceição Lemes
Daniel Freitas
Dermi Azevedo
Diogo Moysés
Elis Regina Brito Almeida
Emiliano José
Emir Sader
Enio Squeff
Ermínia Maricato
Flavio Wolf Aguiar
Gilberto Maringoni
Inácio Neutzling
Ivana Jinkings
Joaquim Ernesto Palhares
Joaquim Soriano
João Brant
José Arbex Jr.
Julio Guilherme De Goes Valverde
Katarina Peixoto
Ladislau Dowbor
Laurindo Leal Filho
Lúcio Manfredo Lisboa
Luiz Carlos Azenha
Luiz Fernando Emediato
Luiz Gonzaga Belluzzo
Marcel Gomes
Marcio Pochmann
Marco Aurelio Weissheimer
Marcos Dantas
Paulo Henrique Amorim
Paulo Salvador
Raul Millet Filho
Reginaldo Nasser
José Reinaldo Carvalho
Renato Rovai
Rodrigo Vianna
Samuel Pinheiro Guimarães
Venício Lima
Wagner Nabuco”

Para assinar, clique aqui.

março 30, 2013

Requião exorciza os fantasmas do passado e alerta contra os atuais

O senador Roberto Requião (PMDB-PR), em discurso no Senado, disse que em suas recentes viagens à Polônia e à Suécia, ao ler notícias do Brasil, foi frequentemente assaltado por espectros do passado, todos, “em coro de tragédia grega”, propondo a volta das velhas e falidas políticas neoliberais. Ele ironizou a mídia, a oposição e os ex-ministros do governo FHC que, nas últimas semanas, têm proposto arrocho.
HORA DO POVO

Falta ao país uma política de desenvolvimento nacional, cobra Requião no Senado
O senador Roberto Requião (PMDB-PR) discursou da tribuna do Senado, na última quarta-feira (20), ironizando a mídia, a oposição e os ex-ministros do governo FHC que, nas últimas semanas, têm subido o tom propondo arrocho, desemprego e elevação dos juros. Para o senador, o que se vê é um cortejo de fantasmas, que procura “aterrorizar o país com idéias fossilizadas que, quando aplicadas, quebraram o Brasil por três vezes”.
Segundo Requião, em suas recentes viagens à Polônia e à Suécia, ao ler notícias do Brasil, foi frequentemente assaltado por espectros do passado, todos, “em coro de tragédia grega”, propondo a volta das velhas e falidas políticas neoliberais.
O senador também fez observações críticas sobre a política econômica do atual governo, que chamou de “picadinho variado”. Para Requião, enquanto o país não se reunir em torno de um programa nacional de desenvolvimento, com tática e estratégia bem definidas, viveremos de sobressaltos, aos trancos e barrancos, permitindo até mesmo que velhos fantasmas, de passado nada recomendável, voltem à cena e opinem. “Como no filme ‘Poltergeist’, um dos clássicos do cinema de terror dos anos 80, as assombrações surgiam, reproduziam-se, envolviam-me. Mesmo que fantasmagóricas, ilusivas, era possível reconhecer as aparições”, disse.
“E lá vinham os avejões dos irmãos Mendonça de Barros, o Luiz Carlos e o José Roberto. O primeiro, nada amistoso para a circunstância de desencarnado, interpelava a presidente Dilma, acusando-a de impor “condições inaceitáveis” às concessionárias privadas. Nos limites da irresponsabilidade, reivindicava “condições de mercado” para as privatizações petistas, semelhantes às da entrega da telefonia, da Vale, das ferrovias e comezainas da espécie, como diriam os portugueses”, acrescentou.
“Mal se evaporam os Mendonças, emergem do vazio as barbas brancas de Gustavo Loyola, tantas vezes colocadas de molho. Professoralmente, elas advertem: o Brasil não está preparado para conviver com taxas de juros estruturalmente menores. Proclamada a nossa incapacidade atávica de se libertar dos usurários, as barbas do ex-presidente do Banco Central desmancham-se em mil fios. Enquanto opera-se o prodígio, coça-me uma pergunta: “Seriam os ares tropicais ou a nossa tão celebrada mulatice responsáveis por essa inabilitação a desenredar-se da agiotagem?”.
Não faltaram ironias do senador com os “comentaristas” econômicos da mídia golpista, que no afã de agradar a banca especulativa, gritavam contra os números do governo em defesa de mais superávits primários. “Nem bem se dissolve o coro dos financistas, colunistas e avizinhados, vejo formando-se novo préstito cantante”, disse Requião. “São editorialistas dos jornalões, apresentadores e comentaristas de televisão, economistas e analistas do mercado, e os inefáveis oradores da oposição. Esvoaçam, adejam sem qualquer graça ou arte, desafinam na cantoria, um cantochão maçante, cujo estribilho repete sem parar , como o corvo de Poe, “contabilidade criativa”, contabilidade criativa”, ‘contabilidade criativa’”, prosseguiu.
Requião completou o discurso criticando também as políticas do governo (ou falta delas), falando sobre sua chegada ao Brasil. “Aportado o Brasil, de outra qualidade são os meus espantos. Aterroriza-me não a contabilidade criativa, e sim a ideologia do superávit primário. Desassossega-me não o aumento da inflação, e sim corrosão de nossa base industrial, sucateando-se ao céu aberto da incúria governamental”, denunciou.
“Alvoroça-me não o crescimento da inadimplência, e sim a fragilidade de uma política econômica que se ancora no consumo, no crédito consignado e na exportação de commodities. Assusta-me não a expansão dos gastos públicos, e sim a paralisia das obras de infraestrutura; a execução lentíssima, sonolenta do Orçamento da União. De que têm medo os nossos próceres ministeriais? Intimidam-nos a insepulta Delta ou o libérrimo Cachoeira?”
“Apavora-me não o desacordo em relação às metas, e sim, as próprias metas, camisa de força imposta pelo mercado, pela financeirização da economia, que certa esquerda transforma bandeira para ser vista como “responsável”, “moderna”.
“Argh!!! Estarrecem-me não as privatizações, e sim o abuso, o desregramento das concessões, superando até mesmo toda fobia privatista de Margareth Thatcher, como se vê agora no caso dos portos”, destaca o senador.
E conclui dizendo que falta política econômica e um programa para o Brasil do campo progressista, já que, segundo ele, “a oposição de direita sabe o que quer”. “Assombra-me não o picadinho variado das medidas do Ministério da Fazenda, e sim a falta de uma Política Econômica que se enquadrasse em um Programa para o Brasil, doutrinariamente à esquerda, fundado na solidariedade, na distribuição da renda e dos benefícios do avanço tecnológico, na prevalência, sempre, dos interesses populares e nacionais”, completa Requião.

janeiro 23, 2013

Merval Pereira: O exterminador do passado, Por Gilson Caroni Filho

É difícil dizer o que mais impressiona: se a grande imprensa ter perdido a importância que detinha até os anos 1990 – quando ainda tinha relativa influência no cenário político -, ou a desfaçatez com que seus jornalistas, amadurecidos no tapa na arte de reescrever a história, sonegam dados e fatos. Rei dos instrumentos, por sua extraordinária capacidade de reproduzir os sons orquestrais do reacionarismo brasileiro, realizando recitais a pedidos do Instituto Millenium, Merval Pereira personifica a figura paradigmática do teclado da grande mídia corporativa.
Em 9/1/2013, declarou ele em sua coluna de O Globo que a imprevidência dos governos petistas no setor energético acabou por neutralizar as críticas feitas à época do apagão de FHC. “O PT tanto politizou o racionamento de energia ocorrido no Brasil em 2001 que passou a não ter direito de adotá-lo em caso de necessidade, como pode vir a ser o caso proximamente. O problema é que a presidente Dilma, quando ministra, garantiu que o que não ocorrerá mais no Brasil é racionamento de energia, chamando o episódio de “barbeiragem””.
O que Merval, aquele que tanto preza a tese do “domínio do fato” quando se trata de legitimar simulacros de julgamento no STF, faz em sua coluna é submeter, por ação e omissão, os fatos aos desígnios dos que promoveram o festim neoliberal no país durante oito anos. Se até o início dos anos 1990, o Brasil dispunha de um sistema energético limpo, renovável, barato, capaz de estocar combustível para cinco anos, apto a transferir grandes blocos de energia do Sul para o Norte, do Nordeste para o Sudeste, gerenciando de forma integrada bacias hidrográficas fisicamente distantes milhares de quilômetros, a partir da fronda tucana, tudo isso se desfez.
Ao contrário do que afirma o imortal por encomenda da família Marinho, não só o PT tem plenas condições de continuar criticando a estratégia político-econômica que tanto fragilizou o estado e a economia brasileira, como podemos atribuir o termo “barbeiragem” a uma incompreensível benevolência da presidente aos que se deixaram levar pelo canto das sereias que habitam os mercados financeiros.
Desde o consórcio demotucano, bloquearam-se os investimentos em expansão do setor de geração de energia. Primeiro em nome do combate à inflação, depois apostando numa chuva de dinheiro decorrente das privatizações e na elasticidade (real) do sistema hidrelétrico. O descaso, é sempre bom lembrar, andou de braços dados no governo incensado pelo prolixo colunista de O Globo.
Adílson de Oliveira e Edmar de Almeida, professores da UFRJ, em artigo publicado no boletim Petróleo de Gás (abril de 2001) lembravam que a capacidade instalada tinha aumentado apenas 25,3% nos últimos seis anos, enquanto o consumo de energia elétrica cresceu 31,3%, no mesmo período. A defasagem, decorrente de investimentos aquém da necessidade foi, por algum tempo, suprida com o uso da água acumulada nos reservatórios.
Ambos alertavam para a situação especialmente grave no Sudeste e Nordeste, onde os níveis estavam abaixo de 35% da capacidade total. O racionamento anunciado era resultado de uma política deliberada: entregar a infraestrutura aos “agentes privados” que nunca ganharam tanto, tão fácil e tão rápido em tão pouco tempo. Como não politizar essa ida ao pote com tanta sede de lucro?
Como ignorar a gravidade da situação? Os reservatórios foram imprudentemente baixados a um nível tão crítico que, como alertou à época o professor Antônio Dias Leite, ex-ministro das Minas e Energia, “não seria possível seu reenchimento em um ano, mesmo que chovesse muito”.
Cortar em 20% o consumo como o governo havia decidido, além de deteriorar a qualidade de vida da população, acarretaria a redução do crescimento, desorganização da cadeia produtiva e desemprego. A Fundação Getúlio Vargas (FGV) projetava que um racionamento de energia para residências em 15% por seis meses e 22% para as empresas provocaria uma perda de R$ 15 bilhões na produção de bens e serviços além da perda de 17 mil postos de trabalho.
Onde estavam Merval, Catanhede, Miriam Leitão e Ricardo Noblat, entre tantos outros milicianos das redações partidarizadas? Por que nunca questionaram o que viam? Diante da imprevidência dos banqueiros, o governo de FHC criou o Proer, pagando a conta dessa imprevidência. Com relação à questão energética, por que os consumidores teriam que pagar pela incúria da gestão tucana? E, pior, pagariam duas vezes para que as concessionárias, tal como estava nos contratos, não tivessem prejuízos.
Por que os jornalões não contam a história toda? O motivo é simples. A partir do momento em que optou por fazer as vezes da direita – ou até assumir papéis e funções que caberiam aos seus partidos – a grande imprensa passou a ter que blindar o passado. Assim como faz com Serra, Aécio, Álvaro Dias e outros aliados/colaboradores. Frustradas, até agora, as tentativas de ressuscitar eleitoralmente o tucanato esfacelado, cabe às antigas oficinas de consenso exterminar o passado.
Parafraseando Shakespeare, com a pobreza típica das paráfrases, só resta dizer: “ambivalência, teu nome é redação partidarizada”. ( HORA DO POVO )

GILSON CARONI FILHO, Professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Jornal do Brasil e da Hora do Povo

janeiro 15, 2013

Dilma reduz tarifa elétrica em 20% depois da alta de 120% em 17 anos

Presidente resiste a pressões e assina a lei
Entre 1995-2012 a tarifa se tornou a 3ª mais cara do mundo, aumentando 120% acima da inflação
A presidente Dilma sancionou a Lei nº 12.783, que renova antecipadamente as concessões de geradoras e transmissoras de energia, com o objetivo de baixar em 20,2%, na média, as tarifas de eletricidade. Segundo disse a presidente, “no início de 2013, a conta de luz ficará até 16,2% mais barata para as residências e até 28% para as indústrias”. Desde 1995 a tarifa industrial aumentou 120% acima da inflação. A tarifa residencial aumentou mais ainda. O governo pretendia fazer essa queda nas tarifas em fevereiro, o que foi adiado para março.
HORA DO POVO
Dilma inicia a redução da tarifa extorsiva de energia dos tucanos
Para residências luz ficará até 16,2% mais barata
A presidente Dilma Rousseff sancionou a Lei nº 12.783, que renova antecipadamente as concessões de geradoras e transmissoras de energia, com o objetivo de baixar em 20,2%, na média, as tarifas de eletricidade. Segundo disse a presidente, “no início de 2013, a conta de luz ficará até 16,2% mais barata para as residências e até 28% para as indústrias”.
Não existe a menor dúvida que as tarifas de eletricidade no Brasil são extorsivas desde que Fernando Henrique, para privatizar o setor, o que fez parcialmente – sobretudo na área de distribuição – transformou essas tarifas no resultado de um cassino, em que o preço é determinado por leilão.
O grande apagão de 2001, quando ficou claro para onde estava sendo conduzido o setor elétrico no Brasil, impediu que os tucanos destruíssem mais com a privatização – estavam diante da revolta geral, até mesmo dos seus eleitores.
Porém, o já feito foi suficiente para que as tarifas de eletricidade pagas pela indústria aumentassem 120% acima da inflação desde 1995, com a tendência a cada vez aumentar mais (é o que explica a aceleração do aumento real a partir de 2004, apesar da preocupação, muito justa, da então ministra das Minas e Energia, Dilma Rousseff, com a “modicidade tarifária” – a tendência ao aumento é intrínseca ao modelo tucano atual, pois ele existe para garantir ganhos às empresas privatizadas, sem nenhuma consideração com as necessidades do país). As tarifas residenciais aumentaram bem mais que as industriais (cf. o livro de José Paulo Vieira, “Antivalor: um estudo da energia elétrica”, Paz e Terra, 2007).
A redução de 20,2%, em média, prevista inicialmente para fevereiro, e agora para março, é até bastante modesta, mas é a primeira, em termos gerais, desde que o setor elétrico foi detonado pelos tucanos. Evidentemente, a presidente tem toda razão de se preocupar com essa questão – afinal, trata-se do insumo básico da economia, em especial da indústria. O Brasil, até 1995, tinha uma das mais baratas tarifas do mundo. Hoje, como constata um estudo da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), só há três países com tarifa industrial mais cara: Itália, Turquia e República Tcheca.
Nos últimos dias, a oposição deflagrou uma campanha terrorista sobre um suposto novo grande apagão – como se tais façanhas não fossem suas. Não há sinal desse risco – embora, se quisermos nos desenvolver a taxas maiores do que as atuais, será necessário que o Estado faça investimentos para expandir a nossa capacidade de geração, transmissão, e, inclusive, distribuição de eletricidade
Mas, realmente, é impossível conviver com a seguinte situação:
“A tarifa média de 329,0 R$/MWh para a indústria no Brasil é mais do que 50% superior à média de 215,5 R$/MWh encontrada para um conjunto de 27 países do mundo, para os quais há dados disponíveis na Agência Internacional de Energia. (…) Quando comparada a dos demais BRICs, a tarifa de energia elétrica industrial no Brasil é 134% maior do que a média das tarifas de China, Índia e Rússia (140,7 R$/MWh). As indústrias instaladas no Brasil pagam, em média, 259% a mais do que na Rússia, 131% a mais do que na China e 75% a mais do que na Índia. (…) Em relação aos vizinhos latinos, o Brasil apresenta também menor competitividade com uma tarifa 67% superior à média da praticada por Argentina, Chile, Colômbia, El Salvador, Equador, México, Paraguai e Uruguai (197,5 R$/MWh) (…) A comparação com quatro de seus principais parceiros comerciais – EUA, Argentina, Alemanha e China – mostra, novamente, que o país tem tarifa de energia elétrica para a indústria muito acima do que o padrão internacional: a tarifa brasileira é superior à desses países em, respectivamente, 164%, 273%, 54% e 131%” (Firjan, “Quanto custa a energia elétrica para a indústria no Brasil?”, agosto 2011, págs. 4, 11, 12, 13; este estudo foi atualizado pela Nota Técnica nº 2, agosto 2012, “A perspectiva de renovação das concessões, a redução de encargos e tributos e o impacto sobre o custo da energia elétrica no Brasil” ).
Vivemos num país de extensos e caudalosos rios. Nossa capacidade de gerar eletricidade (potência instalada), em 69,89% é hidrelétrica contra apenas 27,04% das usinas térmicas, 1,69% de capacidade nuclear e 1,38% de origem eólica. A matriz predominantemente hidrelétrica nos permitiu a geração de energia barata – e em quantidades crescentes – desde o Código de Águas de 1934 até 1995. Por que, então, hoje, ela é uma das mais caras do mundo?
Há quem diga que as tarifas são altas devido aos “encargos setoriais” e impostos que as empresas são obrigadas a pagar. Ainda que o governo Fernando Henrique tenha inventado um matagal de 14 “encargos” sobre o setor elétrico (antes eram apenas três), essa alegação não corresponde à verdade.
O problema real está nos ganhos extorsivos das empresas privatizadas. A maior empresa do setor elétrico no país em receita operacional líquida (US$ 5,4 bilhões) é a distribuidora americana AES Eletropaulo, acima da Cemig (US$ 4,7 bilhões), de Furnas (US$ 3,9 bilhões) e de Itaipu (US$ 3,7 bilhões). As distribuidoras Light (US$ 3,6 bilhões) e CPFL Paulista (US$ 3,06 bilhões) estão acima da Copel (US$ 3 bilhões) e da Chesf (US$ 2,8 bilhões). Todos os dados podem ser conferidos em Exame, “Melhores & Maiores: As 1000 maiores empresas do Brasil”, julho de 2012, página 508.
Ainda mais significativo: “nos últimos cinco anos, entre as 12 maiores pagadoras de dividendos aos acionistas, medido em proporção do valor da ação, nove são empresas de energia elétrica” (cf. Dieese, “Renovação das concessões no setor elétrico -Algumas considerações e consequências”, Nota Técnica nº 114, outubro 2012, pág. 5).
Dividendos são lucros distribuídos aos acionistas. As nove empresas do setor elétrico que estão entre as 12 que mais distribuem lucros são: Eletropaulo (americana – primeira em pagamento de dividendos), Celpe (espanhola – quarta em dividendos), Elektro (espanhola – quinta), Coelce (italiana – sexta), Taesa (brasileira – sétima), Light (brasileira – sétima), CTEEP (colombiana – nona), Cosern (espanhola – décima), AES Tietê (americana – décima primeira em dividendos).
Todas essas, com uma exceção – a transmissora Taesa – são empresas privatizadas (cf. Dieese, loc. cit., pág. 5). Em 2011, só essas oito privatizadas extraíram US$ 2 bilhões e 712 milhões de lucro líquido, ou seja, depois de pagas todas as despesas – inclusive os encargos, impostos e remessas de lucro para o exterior. Só o lucro líquido da Eletropaulo foi quase US$ 1 bilhão (precisamente: US$ 919 milhões).
Portanto, não são os “encargos” e impostos que estão decolando as tarifas.
Quanto à lei nº 12.783, as geradoras que tiveram suas concessões renovadas por mais 30 anos são 97,91% estatais (67,26% federais; 30,62% estaduais; 0,03%, municipais). Basicamente, para essas empresas, além de renovar a concessão, amortizando, por preço determinado pelo governo, o capital de suas usinas hidrelétricas, a lei acaba com dois “encargos setoriais”, a Conta de Consumo de Combustível (CCC) – pago pelas distribuidoras e transmissoras para subsidiar o preço da energia de origem termelétrica – e a Reserva Global de Reversão (RGR) – pago por geradoras, transmissoras e distribuidoras para financiar a expansão e melhoria dos serviços.
Outro “encargo”, a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) – pago pelas empresas de distribuição para financiar, nos Estados, fontes energéticas eólica, biomassa, pequenas hidrelétricas e pequenas termelétricas, será reduzido em 75%. Para compensar o fim desses “encargos”, o Tesouro entrará com R$ 3,3 bilhões por ano.
Também foi reduzida a taxa de fiscalização da Aneel paga pelo consumidor (o que não deve alterar em grande coisa a inércia atual dessa fiscalização).
Todas as medidas dizem respeito apenas ao “mercado cativo”, esse que nós somos obrigados a pagar na conta de luz das distribuidoras. O “mercado livre”, com preços muito mais baixos, reúne os maiores consumidores de energia do país, ao todo 1.485 empresas, segundo a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), que correspondem a 27,8% do consumo de energia do país.
O outro problema é que as distribuidoras estão isentas de obrigações em troca do fim da Conta de Consumo de Combustível (CCC), da Reserva Global de Reversão (RGR) – que, portanto, não terão mais que pagar – e da redução de 75% no pagamento da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE). O que, na prática, significa um aumento da sua margem de lucro.
CARLOS LOPES

dezembro 7, 2012

Nos tempos do engavetador-geral: Refrescando Henrique Cardoso, Por Cynara Menezes

File-DrawerO que é mais vergonhoso para um presidente da República? Ter as ações de seu governo investigadas e os responsáveis, punidos, ou varrer tudo para debaixo do tapete? Eis a diferença entre Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva: durante o governo do primeiro, nenhuma denúncia – e foram muitas – foi investigada; ninguém foi punido. O segundo está tendo que cortar agora na própria carne por seus erros e de seu governo simplesmente porque deu autonomia aos órgãos de investigação, como a Polícia Federal e o Ministério Público. O que é mais republicano? Descobrir malfeitos ou encobri-los?
FHC, durante os oito anos de mandato, foi beneficiado, sim, ao contrário de Lula, pelo olhar condescendente dos órgãos públicos investigadores. Seu procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, era conhecido pela alcunha vexaminosa de “engavetador-geral da República”. O caso mais gritante de corrupção do governo FHC, em tudo similar ao “mensalão”, a compra de votos para a emenda da reeleição, nunca chegou ao Supremo Tribunal Federal nem seus responsáveis foram punidos porque o procurador-geral simplesmente arquivou o caso. Arquivou! Um escândalo.
Durante a sabatina de recondução de Brindeiro ao cargo, em 2001, vários parlamentares questionaram as atitudes do envagetador, ops, procurador. A senadora Heloísa Helena, ainda no PT, citou um levantamento do próprio MP segundo o qual havia mais de 4 mil processos parados no gabinete do procurador-geral. Brindeiro foi questionado sobre o fato de ter sido preterido pelos colegas numa eleição feita para indicar ao presidente FHC quem deveria ser o procurador-geral da República.
Lula, não. Atendeu ao pedido dos procuradores de nomear Claudio Fonteles, primeiro colocado na lista tríplice feita pela classe, em 2003 e, em 2005, ao escolher Antonio Fernando de Souza, autor da denúncia do mensalão. Detalhe: em 2007, mesmo após o procurador-geral fazer a denúncia, Lula reconduziu-o ao cargo. Na época, o presidente lembrou que escolheu procuradores nomeados por seus pares, e garantiu a Antonio Fernando: “Você pode ser chamado por mim para tomar café, mas nunca será procurado pelo presidente da República para pedir que engavete um processo contra quem quer que seja neste país.”
 E assim foi.
Privatizações, Proer, Sivam… Pesquisem na internet. Nada, nenhum escândalo do governo FHC foi investigado. Nenhum. O pior: após o seu governo, o ex-presidente passou a ser tratado pela imprensa com condescendência tal que nenhum jornalista lhe faz perguntas sobre a impunidade em seu governo. Novamente, pesquisem na internet: encontrem alguma entrevista em que FHC foi confrontado com o fato de a compra de votos à reeleição ter sido engavetada por seu procurador-geral. Depois pesquisem quantas vezes Lula teve de ouvir perguntas sobre o “mensalão”. FHC, exatamente como Lula, disse que “não sabia” da compra de votos para a reeleição. Alguém questiona o príncipe?
Esta semana, o ministro Gilberto Carvalho, secretário-geral da presidência, colocou o dedo na ferida: “Os órgãos todos de vigilância e fiscalização estão autorizados e com toda liberdade garantida pelo governo. Eu quero insistir nisso, não é uma autonomia que nasceu do nada, porque antes não havia essa autonomia, nos governos Fernando Henrique não havia autonomia, agora há autonomia, inclusive quando cortam na nossa própria carne”, disse Carvalho. É verdade.
Imediatamente FHC foi acionado pelos jornais para rebater o ministro. “Tenho 81 anos, mas tenho memória”, disse o ex-presidente. Nenhum jornalista foi capaz de refrescar suas lembranças seletivas e falar do “engavetador-geral” e da compra de votos à reeleição. Pois eu refresco: nunca antes neste País se investigou tanto e com tanta independência. A ponto de o ministro da Justiça ser “acusado” de não ter sido informado da operação da PF que revirou a vida de uma mulher íntima do ex-presidente Lula. Imagina se isso iria acontecer na época de FHC e do seu engavetador-geral.
O erro do PT foi, fazendo diferente, agir igual.
CARTA CAPITAL

outubro 19, 2012

Abaixo-assinado na Internet exige: STF TEM QUE JULGAR MENSALÃO TUCANO, O PAI DE TODOS OS MENSALÕES, JÁ!

Abaixo-assinado Que o STF julgue o Mensalão do PSDB, Pai de todos os Mensalões!
Para: SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL
Vamos reunir pelo menos 1 milhão de brasileiros, e pressionar o STF para que julgue o MENSALÂO DO PSDB, o pai de todos os MENSALÕES.
Para está ação penal, as provas transbordam, ao contrário do AP 470, ONDE NÃO HAVIAM PROVAS.
Para quem julgou com tanta dedicação, sem provas, nesta AP, será fácil…
Correto Srs. Ministros?!?! Correto SR. Joaquim Barbosa?!?
Chegou a hora de fazer justiça e julgar o mensalão do PSDB em Minas Gerais e a compra de votos no Congresso para aprovar a emenda que possibilitou a reeleição de Fernando Henrique Cardoso.
Os signatários

PARA ASSINAR:

Eu já li o abaixo-assinado Que o STF julgue o Mensalão do PSDB, Pai de todos os Mensalões! para SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, e pretendo assinar este abaixo-assinado.

http://www.peticaopublica.com.br/PeticaoAssinar.aspx?pi=P2012N30265

outubro 10, 2012

Na TV, em 2005, Roberto Jefferson lembrou que o primeiro “mensalão” foi do PTB pro PSDB na campanha de 1994, que elegeu Fernando Henrique Cardoso

Fuçando papéis, jornais e revistas velhas, encontrei um exemplar da revista FORUM, datada de Julho de 2005.  A chamada de capa não podia ser mais descritiva do que rolava à época: “MACUNAÍMA PAUTA A MÍDIA”, com foto de Roberto Jefferson exibindo um belo dum olho roxo. A matéria a que se refere: “HISTÓRIA DE UM LADO SÓ” ( disponível aqui, republicada em 2011, no site da revista ). A bem da verdade, não mudou nada, de 2005 prá cá. Pois bem, comecei a dar uma lida, e vi que tem um trecho que vale ser transcrito aqui.  A participação, em 2005,  do macunaímico deputado no programa de entrevistas / propaganda tucana RODA VIVA, transmitido pela falimentar emissora estatal TV CULTURA DE SP. Nessa entrevista, conforme chama atenção pro fato o autor da matéria, Glauco Faria, Bob Jefferson relembra que o então Presidente do PTB, o banqueiro José Eduardo Andrade Vieira, repassou recursos pro PSDB durante campanha que elegeu Fernando Henrique Cardoso pro seu primeiro mandato. O banqueiro confirmou o fato em depoimento no Senado, conforme noticiou o Valor Econômico, em Outubro de 2005:

Andrade Vieira confirma caixa 2 em 1994
O ex-senador José Eduardo de Andrade Vieira disse ontem , em depoimento a uma subcomissão do Senado Federal, que houve caixa 2 na campanha eleitoral de Fernando Henrique Cardoso, então candidato do PSDB, à Presidência da República, em 1994. Alegando não ter provas, ele preferiu não dar, porém, os nomes das empresas e empresários que ajudaram a bancar a campanha tucana às margens da lei.
“Não posso provar. Mas que eu tive conhecimento de caixa 2, eu tive”, reafirmou ele. Andrade Vieira foi ao Senado para falar na Caelif, subcomissão formada pela Comissão de Assuntos Econômicos a fim discutir e propor soluções para o encerramento dos processos de liquidações extrajudiciais de instituições financeiras que quebraram a partir de 1995. Uma delas é a antigo Bamerindus, do qual ele é acionista controlador.
O debate sobre a campanha eleitoral de 1994 foi forçado por diversas e insistentes intervenções da senadora Ana Júlia Carepa (PT-PA). O senador Édison Lobão (PFL-MA) protestou, dizendo que aquele não era um fórum adequado para tratar do assunto. Mas não adiantou. A senadora conseguiu arrancar de Andrade Vieira uma declaração pública sobre financiamento ilegal da campanha do ex-presidente da República. Andrade Vieira era presidente do PTB na época, partido então aliado ao PSDB, e, nessa condição, fez parte da coordenação de campanha de Fernando Henrique Cardoso. Ele disse que o Bamerindus e a Impacel, empresa de papel que pertencia ao banco na época, também fizeram contribuições, porém, legais à campanha.
Valor Econômico, 20/ 10/ 2005

Após o testemunho de Andrade Vieira, vamos ouvir o que Jefferson tinha a dizer, no RODA VIVA.
NOTEM:  Como bem observou o jornalista da FORUM, quando a coisa começa a esquentar – ou seja, quando o jornalista de ISTOÉ Tales Faria começa a arrancar umas informações interessantes de Jefferson – o apresentador PAULO MARKUN interrompe para chamar o intervalo:

Tales Faria: (…)  o senhor foi aliado do PSDB.
Roberto Jefferson: Sim, no primeiro governo.
Tales Faria: Houve, na campanha, repasses do PSDB para o PTB?
Roberto Jefferson: No início, do PTB para o PSDB. O primeiro repasse feito para a campanha do presidente Fernando Henrique [presidente do Brasil de 1995 a 2002] foi do ex-presidente do PTB, José Duarte de Andrade Vieira.
Paulo Markun: Mas esse foi um repasse legal, não é?
Roberto Jefferson: Numa parte, né?
Paulo Markun: Pelo menos tem uma parte.
Roberto Jefferson: Uma parte que é declarada, e as que não são declaradas?
Tales Faria: Ou seja, houve que um repasse que não foi declarado.
Roberto Jefferson: Eu queria abrir essa conversa aqui, essa conversa tem que ser às claras. A legislação leva aos empresários brasileiros que querem ajudar a mentir.
Tales Faria: Então, houve repasse não declarado do PSDB?
Roberto Jefferson: Você tem dúvida disso, Tales Faria?
Tales Faria: Eu quero ouvir do senhor.
Roberto Jefferson: Eu estou afirmando a você.
Tales Faria: Perfeito.
Roberto Jefferson: Estou afirmando isso a você [gesticulando].

Paulo Markun: Deputado, nós vamos fazer mais um rápido intervalo. Na nossa platéia, esta noite, acompanhando o programa ao vivo aqui, Antônio Parisi Junior, diretor da Brasil 10 marketing esportivo e futebol; Maria Luiza Saibro, jornalista; Gilberto Meirelles Xandô Batista, diretor de marketing da Sadia; e Levi Ferrari presidente da UBE, a União Brasileira de Escritores. A gente volta, já, já. [intervalo]

outubro 2, 2012

Clinton, Blair e FHC, três ‘grandes’ de nosso tempo

Por MAURO SANTAYANA
No dia 28 de agosto, o Banco Itaú-BBA promoveu, em São Paulo, um encontro dos dirigentes das 500 maiores empresas da América Latina – as que faturam mais de US$ 100 milhões por ano – com os senhores Tony Blair, Bill Clinton e Fernando Henrique Cardoso. “Eles estiveram à frente de grandes potências mundiais e fizeram escolhas que mudaram a história. Agora eles vão ajudar a escrever novos capítulos”, dizia o anúncio publicado nos jornais.
Tudo isso faz lembrar o iconoclasta Karl Kraus, dedicado em sua vida inteira a destruir mitos de seu tempo. Um de seus ensaios, de 1918, tem o título de Os Últimos Dias da Humanidade.
É até estranho que Clinton faça parte da trinca. É certo que continuou no uso alternado dos bombardeios e das ameaças ao Iraque, de seu antecessor, o primeiro Bush. Mas na administração interna, tendo bons assessores econômicos, como Joseph Stiglitz (nos primeiros dois anos), seu governo não foi exatamente igual ao de Blair.
Embora usando da mesma linguagem, e propondo medidas democráticas (como a abolição da Câmara dos Lordes e sua transformação em Senado, a ser eleito pelo voto), Blair, como Thatcher, foi parceiro incondicional do governo norte-americano, também em matéria de política internacional – principalmente depois da eleição do segundo Bush. Tal como Bush Jr., ele enganou o mundo sobre o Iraque e as armas de destruição em massa. Sua atuação interna foi de demolição da política social do trabalhismo britânico, que vinha desde a criação do Labour Party, em 1906. Deixou seu país arrasado pelo desemprego, pelo sucateamento da saúde pública, pela desesperança.
Mas, dos três, quem mais merece a homenagem dos banqueiros e das 500 maiores empresas da América Latina é realmente Fernando Henrique. O BBA foi fundado em 1988, numa associação de Fernão Bracher e Antonio Beltrán com o Banco Credistanstalt, de Viena, para operar no mercado de capitais. Em seguida, com a eleição de Collor e o início de seu programa de privatizações, o BBA se tornou a única instituição financeira a coordenar a participação de bancos estrangeiros no plano de privatização das empresas estatais no Brasil. No governo FHC teve situação privilegiada.
Os três grandes líderes do século, conforme a convocação do encontro, foram responsáveis, cada um deles de uma forma diferente, pela maior contrarrevolução social da História, ao impor o ultraliberalismo ao mundo, conforme a decisão do Clube de Bilderberg. O plano – de que ainda não desistiram – é de uma ditadura mundial, a ser exercida pelos homens mais ricos do planeta, por intermédio dos governos dos países ricos e com o retorno dos povos periféricos ao estatuto colonial.
O sistema financeiro mundial, instrumento do projeto, está sendo julgado pela opinião pública, desde que muitos de seus crimes ficaram conhecidos. O Goldman Sachs, o Barclay’s, o HSBC e outros, da mesma dimensão, foram apanhados na manipulação de taxas básicas (a Libor), na especulação no mercado de derivativos e na prática do crime de lavagem de dinheiro do narcotráfico.
Enquanto Blair, Clinton e Fernando Henrique falam para os ricos, é dever dos trabalhadores exigir do Congresso – como no caso da Ficha Limpa – legislação rigorosa de controle do sistema, proibindo que bancos de depósitos operem como os de investimentos, que atuem nos paraísos fiscais, que funcionem sem controle contábil rigoroso das autoridades nacionais.
Os governos europeus, para salvar seus banqueiros larápios, estão eliminando empregos, reduzindo os serviços de educação, de saúde e segurança. E, se os trabalhadores brasileiros não mantiverem sua vigilância, essa nova onda em defesa dos ricos chegará até aqui. O encontro promovido pelo Itaú-BBA na luxuosa Casa Fasano é um aviso.

O BBA foi fundado em 1988 para operar no mercado de capitais, coordenou a participação de estrangeiros nas privatizações do Brasil e teve situação privilegiada no governo FHC

REVISTA DO BRASIL

setembro 13, 2012

Luis Fernando Veríssimo discorre sobre o chamado “Mesalão Tucano”, vulgo “Azeredoduto”, a.k.a “O Pai de Todos os Mensalões de Todos os Tempos e Além”

O grande silêncio
É sempre bom investigar a origem dos fatos e das palavras. Você pode descobrir coisas surpreendentes. Por exemplo: o final abrupto de uma frase de jazz moderno, vocalizado, soava algo como “be-ree-bop”. É daí que vem o nome do novo estilo de tocar jazz, “bop”. O “biribop” foi usado numa música brasileira que falava da influência do novo jazz no samba – “eba biribop”, lembra? – e não demorou para que o “biribop” do samba se transformasse em “biriba” e acabasse sendo o nome do cachorro mascote do Botafogo, segundo alguns um dos maiores responsáveis pela boa fase do time na época – e nome de um jogo de cartas. Hoje quem joga biriba (ainda se joga biriba?) não desconfia que tudo começou nos clubes de Nova York onde alguns músicos faziam uma revolução que não tinha nada a ver com o baralho.
A procura de origens pode levar por caminhos errados, é verdade. Ainda no campo da música: quando a Bossa Nova começou a ser tocada nos Estados Unidos uma das curiosidades dos nativos era o significado do termo “bossa”. Quem procurou num dicionário leu que “bossa” era a protuberância nas costas de um corcunda, não podia estar certo. Aí alguém se lembrou de um LP gravado pelo guitarrista Laurindo de Almeida nos Estados Unidos anos antes, junto com três americanos, uma saxofonista, uma baterista e um contrabaixista, que incluía ritmos brasileiros. E surgiu a teoria que o disco do Laurindo de Almeida teria sido muito ouvido no Brasil e a marcação do baixo nos sambas muito impressionara os músicos locais. Claro, “bossa” era uma corruptela de “bass”, contrabaixo em inglês. Tudo esclarecido. (Não foi a única injustiça que fizeram com o João Gilberto, o verdadeiro criador da batida da bossa. Ainda inventaram que ele roubara o jeito de cantar do Chet Baker.)
Mas tudo isto, acredite ou não, tem a ver com o mensalão. Ouvi dizer que a origem do esquema que está sendo condenado no Supremo é uma eleição em Minas que envolveu alguns dos mesmos personagens de agora, só que o partido favorecido foi o PSDB. Se a origem é esta mesmo, ou – como no caso da origem da bossa nova – há um mal-entendido, não sei. Mas não deixa de surpreender a absoluta falta de curiosidade, da grande imprensa inclusive, sobre esta suposta raiz de tudo. Só o que há a respeito é um grande silêncio. O barulho com o esquema precursor mineiro ainda está por vir ou o silêncio continuará até o esquecimento? É sempre bom investigar a origem dos fatos e das palavras. Inclusive porque dá boas histórias. ( ESTADÃO )

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