ENCALHE ( Descontinuado em 05.10.2013 )

agosto 29, 2013

Carniceiros se revezam em Washington

Para sua folha corrida de criminoso de guerra, o presidente Obama vai incluir agora o ataque à Síria, depois de já ter acumulado extenso currículo assassinando civis com drones no Afeganistão, Paquistão e Iêmen, e o massacre em massa na Líbia, inclusive do líder Muamar Kadafi, além de variadas operações encobertas, de grampear o planeta inteiro, e da manutenção de Guantánamo.

O que não o impede de ser um “Nobel da Paz”, honraria que não foi concedida a W. Bush, apesar deste ter se esforçado muito, começando duas guerras, torturando, sequestrando, criando a prisão de Guantánamo, e roubando petróleo.

Para o assalto à Síria, Obama está apelando para a mesma fraude que W. Bush cometeu contra o Iraque: usando mentiras fabricadas pela CIA e satélites como pretexto para violar a Carta da ONU.

W. Bush usou histórias contadas por operativos da CIA sobre “armas de destruição em massa” de Sadam, “compra de urânio no Niger”, “45 minutos para desfechar ataque químico e biológico”, e fotomontagens de satélite, gravações e até o “vidrinho com pó de antrax” para invadir o Iraque.

As “provas” de Obama, pelo que se sabe até agora, são alegações de YouTube, declarações de mercenários a serviço dos EUA e pagos pela Arábia Saudita e Qatar, e gravações gentilmente cedidas pelo Mossad.
Obama e W. Bush insistiram para que os inspetores da ONU não completassem devidamente o seu trabalho de investigação, inclusive ameaçando bombardear enquanto estivessem lá, e os apressando a sair. Os inspetores de Ban Ki Moon estão de saída no sábado.

W. Bush, repetindo o que lhe dizia seu chefe do Pentágono, garantia que a guerra seria um passeio, e que os marines seriam “recebidos com flores”. Obama assevera que será “um ataque cirúrgico”, sem envolvimento direto na guerra que patrocina contra o povo e o governo sírio.

Obama, que foi eleito pregando contra a guerra, e já parte para sua segunda guerra exclusivamente dele, além das que herdou de W. Bush.

Enquanto prepara a chacina “humanitária” contra o povo sírio, Obama se deu o desfrute de profanar o lendário discurso do grande Martin Luther King, com uma comemoração chapa branca. Mas está indelevelmente tatuado de “I have a drone”, enquanto Luther King será sempre “I have a Dream”.

E foi o Dr. King, como era carinhosamente chamado, que no discurso de abril de 1967, com sua candente denúncia da Guerra do Vietnã e das agressões movidas pelo imperialismo dos EUA contra os povos, que apresentou como uma “doença”, que traçou na areia uma linha que não pode ser cruzada por oportunistas, por mais encenações que façam. ( HORA DO POVO )

Bombardeio que Obama quer viola Carta da ONU

Rússia e China negam aval à agressão à Síria, em preparação por Washington e seus satélites

Esboço de “resolução” apresentado pelo Reino Unido na reunião a portas fechadas dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, para dar aval ao criminoso bombardeio contra a Síria que Obama está pronto a desfechar – em socorro dos contras que vêm sendo derrotados pelo povo e pelo exército sírio – foi terminantemente rejeitado pela Rússia e pela China na quarta-feira (28), tornando a repetição da fraude de W. Bush no Iraque ainda mais indisfarçável. Até no detalhe de também não querer esperar pelo trabalho dos inspetores da ONU no terreno.

Assim, o que Washington está prestes a cometer é uma guerra de agressão, o que o Tribunal de Nuremberg já definiu como o “supremo crime”. Como a Rússia apontou, o ataque será uma violação frontal da Carta das Nações Unidas – e não será a cumplicidade dos serviçais Hollande e Cameron, além do governo turco e dos feudais sauditas e do Qatar, que irá mudar isso.

A China advertiu que “potências externas emitiram um veredito contra o governo sírio sob condições em que a verdade ainda não está clara” e convocou “todas as partes a aguardar os resultados da investigação da ONU”. Enquanto isso, navios de guerra e submarinos das potências agressoras já estão posicionados diante do litoral sírio esperando a ordem de Obama.

Assim como W. Bush fez uma guerra ilegal e imoral contra o Iraque, asseverando que havia “provas” da CIA de que Sadam tinha “armas de destruição em massa” e “queria fazer armas nucleares”, o que depois da invasão ficou provado que era uma fraude, agora o prêmio Nobel da Paz Obama diz que sabe “que foi Assad” que fez o suposto ataque com gás em Goutha, na semana passada nos arredores de Damasco. O “Wall Street Journal” e a revista alemã “Focus” afirmaram que as “provas” foram passadas à CIA pelo Mossad… Mas, segundo a mídia norte-americana, Obama não tem “nenhuma ‘smoking gun’ [arma fumegante, isto é, prova incontestável].

Segundo a porta voz do Departamento de Estado, Marie Harf, estaria “provado” que o governo Assad “é que tem a capacidade de realizar ataques químicos” e a “oposição não tem”. Outra mentira, porque em maio a ex-procuradora do Tribunal Internacional sobre a Iugoslávia, que não pode ser acusada de ser progressista, e que agora é da Comissão da ONU de Investigação na Síria, afirmou, depois de se dizer “estarrecida”, que quem estava usando gás sarin em ataques eram os “rebeldes”, como havia sido determinado pelos investigadores no terreno.

Não só Obama não apresentou qualquer prova, como também tentou pressionar para que o trabalho dos inspetores na Síria fosse encerrado, sob a alegação de que seria “redundante”. De acordo com o chefe dos inspetores da ONU no Iraque, o sueco Hans Blix, “dentro de um mês, quando tenhamos amostras precisas, saberemos com exatidão que classe de armas químicas foram empregadas e quem possui tais armas”. Como W. Bush, Obama não quer investigação nenhuma, quer é usar o incidente de Ghouta de pretexto para socorrer seus contras em má situação. Como registrou o colunista Robert Fisk, do “Independent”, “no Iraque, fomos à guerra movidos por mentiras difundidas por bandidos e mentirosos conhecidos. Dessa vez, é guerra movida a You Tube”.

Os inspetores da ONU haviam chegado ao país para investigar a denúncia do governo sírio de que em março os contras fizeram um ataque com foguete com gás em Khan Al Assal. Quanto a Ghouta, o governo russo afirmou que um foguete semelhante ao de Khan Al Assad fora lançado “a partir de posição controlada pelos rebeldes”. Robert Fisk citou reiteradas notícias de Beirute de “que três membros do Hezzbollah – que lutavam do lado do exército sírio em Damasco – foram ao que parece atingidos pelo mesmo gás, no mesmo dia, ao que parece, em túneis”. Ainda, o governo sírio acaba de pedir a ONU que investigue outros três ataques contra seus soldados com armas químicas. ocorridos na semana passada.

“CHANCE À PAZ”

Falando na terça-feira (27) em Haia, o secretário-geral da ONU Ban Ki Moon afirmou: “Deixem que os inspetores concluam seus quatro dias de trabalho, e então teremos que analisar cientificamente as provas e depois suponho que tenhamos que informar ao Conselho de Segurança da ONU”. “Dêem uma chance à paz”, acrescentou. “Neste hall dedicado à regra da lei, eu digo: mantenhamo-nos dentro da Carta das Nações Unidas. A lógica militar nos deu um país à beira da destruição total, uma região em caos e uma ameaça global. Por que jogar mais combustível no fogo?”

Por sua vez, o ex-secretário-geral da Otan, Javier Solana, manifestou sua preocupação com aqueles que, alegremente, vem conclamando a ir mais além, e a fazer uma campanha aérea ao estilo de Kosovo. “Nem a Sérvia é Síria, nem Putin é Yeltsin, nem a União Europeia era a de hoje, nem o mundo dos anos noventa – de hegemonia ocidental – é o mesmo de hoje”, admitiu.

Mesmo em Washington e Londres as dúvidas se espraiam. Já são 100 os deputados que assinaram uma carta a Obama dizendo que a Síria “não ameaça os EUA” e que o Congresso tem de ser ouvido para autorizar ou não o ataque. Um deputado conservador inglês, Adam Holloway, disse ter recebido 100 e-mails sobre o ataque “e nenhum era a favor”. “Já há um sentimento de que Tony Blair permitiu que W.Bush dirigisse bêbado Iraque adentro, e que nós não podemos acreditar em tudo que nos dizem”.

agosto 28, 2013

Obama quer bombardear a Síria empregando a mesma fraude que W. Bush utilizou contra o Iraque

Como um clone de W. Bush, que usou uma falsificação sobre “armas químicas” para atacar o Iraque há dez anos, o presidente Obama buscou atropelar a investigação da ONU sobre o “episódio de Goutha”, suposto ataque químico nas imediações de Damasco na semana passada, e ameaçou bombardear a Síria. Coube ao secretário de Estado, John Kerry, repetir a performance de Colin Powell, desta vez com um cínico discurso sobre “senso básico de humanidade”.
HORA DO POVO

Clone de Bush ameaça atacar a Síria por suas ‘armas químicas’

Obama diz que é “inegável” [ sic ] que ataque químico foi de Assad. W. Bush dizia que não era preciso esperar pelos inspetores da ONU porque “estava provado” que Sadam tinha armas de destruição em massa

Como um clone de W. Bush, que usou uma falsificação sobre “armas químicas” para atacar o Iraque há dez anos atrás, o presidente Obama buscou atropelar a investigação da ONU sobre o “episódio de Goutha”, suposto ataque químico nas imediações de Damasco na semana passada, e ameaçou bombardear a Síria, conforme notícia do “New York Times” de sábado (24) sobre iminente “campanha aérea ao estilo de Kosovo” (a agressão de 1999 da Otan à Iugoslávia).

Após advertências da Rússia, através do chanceler Serguei Lavrov, e de resposta de Assad de que a Síria “jamais seria um estado fantoche” e que se os EUA invadissem iriam fracassar, “igual a todas as outras guerras que desencadearam, a começar pelo Vietnã”, segundo a mídia dos EUA os planos começaram a mudar para um “ataque limitado de dois dias”, com mísseis Tomahawk e possivelmente bombardeiros, o que ainda será decidido por Obama e pelo Pentágono.

Coube ao secretário de Estado, John Kerry, repetir a performance de Colin Powell no tempo de W. Bush, desta vez não com “vidrinhos” de “antrax”, mas com um discurso hipócrita, em que – em nome do país que usou armas nucleares em Hiroxima e Nagazaki, massacrou milhões na Coreia, Vietnã, Iugoslávia, Iraque, Afeganistão e Líbia, e comete execuções de civis por drones – atreveu-se até mesmo em falar em “senso básico de humanidade” ofendido.

A esse coro de cínicos se juntou o chanceler francês Laurent Fabius – que deve se ver como uma espécie de ministro das colônias mas não passa de um capacho de Washington -, e que se reuniu com o carniceiro dos palestinos, Shimon Peres, para clamarem por uma agressão à Síria. Já David Cameron, que não é o “poodle de Bush” mas parece muito o chihuauha de Obama, deslocou aviões para a base britânica em Chipre.

Segundo Kerry, não é preciso investigar nada porque seria “inegável” que o “ataque químico” foi cometido “por Assad”. W. Bush, no seu tempo, dizia que não era preciso esperar pela investigação dos inspetores de armas da ONU no Iraque porque “estava provado” que Sadam tinha “armas de destruição em massa”.

Por que o governo sírio usaria armas químicas, quando o quadro militar evoluiu favoravelmente a seu favor nas últimas semanas, ainda mais no momento em que chega uma missão da ONU para investigar o uso de armas químicas, pelos contras, em Khan Al Assad, missão esta pedida por Assad, e com os EUA dizendo que as “armas químicas” seriam a “linha vermelha” para uma agressão? As recentes vitórias do exército sírio reforçam a avaliação de que só uma intervenção militar direta dos EUA/Otan poderia salvar os contras da derrota.

Como o chanceler Lavrov destacou, “Washington, Londres e Paris fizeram declarações oficiais clamando que têm poderosas evidências que incriminam as autoridades sírias, mas fracassaram até agora em substanciar suas alegações”.

DOIS PESOS

O ministro russo lembrou acordo feito durante a reunião de junho do G-8 de que qualquer caso de uso de armas químicas deveria ser investigado em detalhes e que os resultados deveriam ser submetidos ao Conselho de Segurança da ONU. “Agora essas partes refutam o acordo, dizem que está superado e que toda a evidência sobre o uso de armas químicas [em Goutha] ficou danificada”.

“Porque nossos parceiros ocidentais não falaram do mesmo modo sobre a investigação do uso de armas químicas em Khan Al Assal em Aleppo na primavera passada, e ninguém falou de qualquer evidência possivelmente danificada?”, inquiriu Lavrov. Ele sublinhou que os especialistas russos efetivamente investigaram o caso de 19 de março e submeteram um denso relatório ao Conselho de Segurança da ONU, com detalhada documentação, “ao contrário das declarações que nós ouvimos agora”.

O chanceler russo assinalou outras fragilidades nas acusações dos EUA e satélites. “Quando vemos essas chocantes imagens de crianças caindo no chão em grandes números… a questão que se coloca é: como e porque essas crianças aparecem nesse lugar e nessa hora? Nenhuma resposta”. Além disso, “os sintomas que nós vemos nas imagens não parecem em nada com gás sarin. Por que as pessoas acudindo aos feridos não tomam nenhuma medida de proteção?”

O site “Al Manar” apontou outra coisa estranha: “curiosamente, não se vê nenhum animal alcançado pelo gás, nem sequer um pássaro, apesar de que se trataria, segundo a oposição, de um ataque que causou 1.729 mortos”.

Em maio, Carla Ponti acusou os contras por ataque com gás sarin
A alegação de Kerry de que “só governo sírio é que tem capacidade de lançar ataque com armas químicas” também é falsa. Em maio, Carla Ponti, da Comissão Independente de Investigação sobre a Síria da ONU, revelou que os testemunhos colhidos dos atingidos e do pessoal médico mostravam que o gás sarin havia sido usado “pelos rebeldes”. Inclusive no ataque de março em Khan Al Assal os contras usaram um foguete. Também é sabido que armas químicas têm sido contrabandeadas para os mercenários pró-EUA e recentemente foram descobertos num túnel barris cheios de materiais químicos.

A Rússia também destacou que continuam chegando “mais evidências de que esse ato criminoso teve uma natureza claramente provocadora”. “Em particular existem informes que circulam na internet e que mostram que os vídeos sobre o suposto incidente foram colocados várias horas antes que o suposto ataque químico tivesse lugar. Deste modo, se trata de uma ação planejada de antemão”.

junho 5, 2013

EUA deixaram para trás a guerra do Iraque – opção que os iraquianos não têm, Por John Pilger

A poeira no Iraque vai rolando pelas grandes estradas que são os dedos do deserto. Penetra nos seus olhos, no nariz e na garganta; faz um redemoinho nos mercados e nos pátios das escolas, consumindo as crianças que jogam bola; e carrega, de acordo com o Dr. Jawad Al-Ali, “as sementes da nossa morte”. Um especialista em câncer respeitado internacionalmente do hospital universitário Sadr em Basra, o Dr. Ali me disse isso em 1999, e hoje sua advertência é irrefutável. “Antes da Guerra do Golfo”, ele disse, “tínhamos dois ou três pacientes de câncer por mês. Agora nós temos de 30 a 35 morrendo todo mês. Nossos estudos indicam que entre 40% e 48% da população nesta área terá câncer: essa estimativa é para um período inicial de cinco anos; depois será pior. É quase metade da população. A maior parte da minha própria família padece dele, e não tínhamos antecedentes. É como Chernobyl aqui, os efeitos genéticos são novos para nós; os cogumelos crescem enormes, mesmo as uvas no meu jardim sofreram mutações e não podem ser comidas”.

Ao longo do corredor, a Dra. Ginan Ghalib Hassen, uma pediatra, tinha um álbum de fotos das crianças que ela está tentando salvar. Muitas tinham neuroblastoma. “Antes da guerra, só vimos um caso em dois anos desse raro tumor”, disse. “Agora temos muitos casos, e a maioria sem antecedentes na história familiar. Estudei o que aconteceu em Hiroshima. O súbito incremento desse tipo de malformações congênitas é o mesmo”.

Entre os doutores que eu entrevistei havia poucas dúvidas de que a causa era o armamento de urânio depletado utilizado pelos americanos e britânicos na Guerra do Golfo. Um físico militar dos EUA designado para limpar o campo de batalha da Guerra do Golfo na fronteira com o Kuwait disse: “Cada munição lançada por um avião de ataque A-10 Warhog tinha 4.500 gramas de urânio sólido. Bem mais de 300 toneladas de UD foram usadas. Foi uma forma de guerra nuclear”.

Ainda que o vínculo com o câncer seja sempre difícil de provar de forma absoluta, os doutores iraquianos sustentam que “a epidemia fala por si só”. O oncologista britânico Karol Sikora, diretor do programa para o câncer da Organização Mundial da Saúde durante os anos da década de 1990, escreveu no British Medical Journal: “o equipamento de radioterapia solicitado, as drogas de quimioterapia e os analgésicos são constantemente bloqueados pelos assessores americanos e britânicos [no comitê de sanções ao Iraque]”. Ele me disse: “A OMS nos advertiu especificamente que não mencionássemos sequer o tema do Iraque. A OMS não é uma organização que goste de se envolver em política”.

Recentemente, Hans Von Sponeck, o ex-assistente do secretário-geral das Nações Unidas e alto responsável para assuntos humanitários da ONU no Iraque, me escreveu: “O governo dos EUA buscou evitar que a OMS investigasse as áreas do sul do Iraque aonde se havia utilizado urânio depletado e originado graves riscos de saúde e meio ambiente”. Um relatório da OMS, o resultado de um estudo de referência conduzido com o ministério iraquiano da saúde foi “adiado”. O estudo abarcou 10.800 famílias, e contém “provas irrefutáveis”, disse uma autoridade do ministério e, segundo um dos seus pesquisadores, permanece como “alto segredo”. O informe diz que as malformações congênitas aumentaram até conformar uma “crise” em toda a sociedade iraquiana nos lugares aonde as forças americanas e britânicas utilizaram urânio depletado e outros metais pesados tóxicos. Quatorze anos depois de ter soado o alarme, o Dr. Yawad Al-Ali registra “fenomenais” casos múltiplos de câncer em famílias inteiras.

O Iraque já não é notícia. Na semana passada, a matança de 57 iraquianos num só dia passou praticamente desapercebida comparada com o assassinato de um soldado britânico em Londres. No entanto, as duas atrocidades estão conectadas. Seu emblema poderia ser a luxuosa nova versão de O Grande Gastby, baseada na novela de F. Scott Fitzgerald. “Dois dos principais personagens”, escreveu Fitzgerald, “se dedicaram a destroçar coisas e criaturas, regressando depois a sua riqueza ou a sua imensa indiferença … deixando que outra gente limpasse o desastre”.

O “desastre” deixado por George Bush e Tony Blair no Iraque é uma guerra sectária, as bombas de 7/7 e, há alguns dias, um homem agitando um ensanguentado machado de açougueiro em Woolwich. Bush se retirou para sua “biblioteca e museu presidenciais” de Mickey Mouse e Tony Blair a suas viagens de corvo e a seu dinheiro.

O “desastre” deles é um crime de proporções épicas, escreveu Von Sponeck, referindo-se à estimativa do ministério iraquiano de assuntos sociais de 4,5 milhões de crianças que perderam um ou ambos os pais. “Isto significa que 14% da população do Iraque está integrada por órfãos”, escreveu. “Estima-se que um milhão de famílias são encabeçadas por mulheres, a maioria delas viúvas”. A violência doméstica e os abusos de meninos são, com toda justiça, questões urgentes na Grã Bretanha; no Iraque, a catástrofe deflagrada pela Grã-Bretanha levou violência e abusos a milhões de lares.

Em seu livro Dispatches from the Dark Side, Gareth Peirce, a destacada defensora britânica de direitos humanos, aplica o império da lei a Blair, a seu propagandista Alastar Campbell e a seu ministério de conspiradores. “Para Blair”, escreve, “havia que desativar por todos os meios possíveis, e de forma permanente, aos seres humanos que se supunha manterem pontos de vista islamistas… nas palavras de Blair, um ‘virus’ a ‘eliminar’ que requer ‘toda uma miríade de intervenções profundas nos assuntos de outras nações”. O conceito mesmo de guerra foi transformado para ‘nossos valores versus os seus’. E não obstante, disse Pierce, “os fios de e-mails, de comunicados internos do governo, não revelam nenhuma discrepância”. Para o secretário de relações externas, Jack Straw, enviar cidadãos inocentes a Guantánamo era “a melhor forma de conseguir nossos objetivos de contraterrorismo”.

Esses crimes, sua iniqüidade a par com Woolwich, esperam por julgamento. Mas quem o exigirá? No teatro kabuki da política de Westminster, a distante violência de “nossos valores” não tem qualquer interesse. Irá o resto de nós também virar as costas?

*É correspondente de guerra, cineasta e escritor.

HORA DO POVO

março 22, 2013

10 anos da invasão do Iraque: A fracassada jornada do ‘sangue por petróleo’

1067É praticamente consenso nos EUA nos dias de hoje que a invasão do Iraque, há dez anos desencadeada pelo presidente W. Bush com base numa mentira, a das inexistentes “armas de destruição em massa”, e contra a ONU, foi “um dos maiores erros estratégicos da história dos EUA”. Para quem pretendia dar a volta por cima da derrota no Vietnã, as coisas não saíram como programado.
Ao bater em retirada em 2009, os EUA estavam imersos na maior crise econômica desde os anos 1930, e a invasão, a ser “paga com petróleo iraquiano”, havia custado mais de US$ 2 trilhões de dólares, o que foi um dos estopins do débâcle. Internacionalmente o país vivia um isolamento sem precedentes. A retirada das tropas inglesas de Basra havia sido ainda mais inglória, sob cobertura da escuridão e se escondendo no deserto para esperar o resgate.
Os nomes de W. Bush, Tony Blair, Donald Rumsfeld e Dick Cheney passaram à história como o de maiores criminosos de guerra pós-Vietnã. De acordo com o site costsofwar.org, só de mortes diretas, foram 189.000 iraquianos, sendo 134 mil civis e 36.400 da Resistência. Um número ainda subestimado, com a Organização Mundial de Saúde falando em 223.000. A pesquisa da revista médica Lance estabeleceu, para os três primeiros anos de guerra, quase 655.000 “mortes em excesso” – quando são comparadas as taxas de mortalidade antes da invasão e as que passaram a prevalecer depois. Há uma estimativa de mais de 1 milhão, da organização de pesquisa ORB.
O “passeio” de Rumsfeld acabou acarretando a morte de 4.488 soldados dos EUA, mais 3.418 mercenários contratados do Pentágono, mais dezenas de milhares de feridos, grande parte mutilados pelas bombas improvisadas. Também foram mortos 10.819 soldados e policiais fantoches. Os satélites dos EUA perderam 318 soldados. As grandes bases que os EUA haviam construído para ocupar no Iraque por décadas tiveram de ser abandonadas; a maior embaixada dos EUA do mundo virou um elefante branco.
O roubo do petróleo nem de perto chegou ao planejado, sob o fogo incessante da Resistência, e as majors dos EUA agora negociam principalmente com os separatistas curdos na tentativa de assegurarem um naco do que já achavam que era seu, só seu. O governo fantoche que promoveram não esconde os amores pelo Irã.
O escândalo da tortura em Abu Graib logo se tornou o símbolo da invasão, só suplantado pela carnificina montada pelo Pentágono ao trazer a “solução salvadorenha”, a “guerra suja”, a criação de esquadrões da morte e a proliferação dos centros de tortura para tentar deter a Resistência, sob coordenação estreita do coronel James Steele e do general Petraeus. Essa política sistemática de limpeza étnica causou 4 milhões de refugiados iraquianos.
A cidade de Faluja, devastada pelos invasores por seu papel de liderança na Resistência, jamais se rendeu e hoje continua sendo um dos maiores centros da luta contra os fantoches. Os invasores assassinaram o presidente iraquiano Sadam Hussein, após um julgamento-farsa, montado pelo Departamento de Justiça dos EUA, assim como dezenas de líderes iraquianos. Mas fracassaram em capturar o novo líder do partido Baas, Izzat Ibrahim Al Douri, vice de Sadam no Conselho da Revolução.
O Iraque pagou um enorme preço pela invasão. Sua infra-estrutura foi destruída pelos bombardeios dos EUA, o país passou a viver sob apagões diários, falta água tratada, o desemprego ultrapassa os 30%, e a corrupção se espalhou com os fantoches e suas negociatas. Sob o urânio depletado deixado pelos bombardeios dos EUA, as taxas de câncer e de defeitos congênitos explodiram. A invasão abriu espaço para a Al Qaeda e seus carros-bomba, que não tinha o menor espaço no Iraque sob Sadam.
Com Sadam, o Iraque havia nacionalizado o petróleo e usado essa riqueza para emancipar o país, elevar as condições de vida do povo, instruí-lo em universidades, criar um dos maiores desenvolvimentos humanos, senão o maior, do Oriente Médio, que nem mesmo as agruras extremas dos dez anos de bloqueio haviam logrado destruir. Agora, o país se depara com a herança maldita da invasão e com a tarefa de derrubar o governo fantoche, e pôr no lugar um regime popular que restaure a democracia, a unidade nacional e a soberania. É uma situação muito dura, mas o mais difícil, botar para fora os ianques, já foi feito.
A.P.
HORA DO POVO

E MAIS:

Para as mulheres Iraquianas a promessa dos EUA de democracia é tudo menos libertação
Haifa Zangana
Fonte: guardian.co.uk | Tradução de F. Macias
Uma década depois da invasão do Iraque pelos EUA, a destruição causada pela ocupação estrangeira e o regime que se seguiu tem tido um enorme impacto na vida diária dos Iraquianos – sendo o exemplo mais inquietante a violência contra as mulheres. Ao mesmo tempo, a política sectária do regime está a forçar as mulheres a abdicar dos seus direitos, arduamente adquiridos, em todos os domínios: emprego, liberdade de circulação, casamento civil, benefícios sociais, e o direito à educação e aos serviços de saúde.
Hoje, as mulheres iraquianas estão a lutar pela sobrevivência e segurança de si próprias e de suas famílias. Mas para muitas, a violência que enfrentam vem da própria instituição que deveria garantir a sua segurança: o Governo. As entidades iraquianas repetem muitas vezes as falsas declarações das autoridades ocupantes dos EUA/RU, dizendo que há poucas ou nenhumas mulheres presas. Um número cada vez maior de organizações de direitos humanos internacionais e iraquianas denunciam o contrário.
As condições das mulheres detidas foi o ponto de partida para os protestos em massa que se expandiram por muitas regiões do Iraque desde 25 de Dezembro de 2012. Os maus-tratos a que são sujeitas pelas forças de segurança são uma grave humilhação – e envolvidos em segredo especialmente desde 2003. Habitualmente há mulheres que são presas como reféns – uma táctica para forçar os seus companheiros a renderem-se e confessarem crimes que lhes foram atribuídos. Faixas e cartazes transportados por centenas de milhares de manifestantes retratam imagens de mulheres atrás de grades exigindo justiça.
Segundo Mohamed al-Dainy, um MP iraquiano, houve 1.053 casos de estupro documentados, pelas tropas ocupantes e forças iraquianas, entre 2003 e 2007. Advogados representando ex-presos dizem que as práticas de detenção do Reino Unido entre 2003 e 2008 incluíam assassinatos, espancamentos, dissimulações, privação do sono, nudez forçada e humilhação sexual, às vezes envolvendo mulheres e crianças. Os abusos eram endémicos, alegam os advogados dos prisioneiros e tinham origem nos “sistemas, controlo e treino” do exército britânico.
Estas mesmas forças de ocupação treinaram as forças iraquianas. Muitas vezes os abusos ocorriam sob a supervisão de comandos norte-americanos que não se dispunham a intervir, como relatou o Washington Post:
“De todas as carnificinas no Iraque, nenhuma é mais impressionante do que a campanha de tortura e homicídios executada pelas forças policiais governamentais treinadas pelos EUA.”
No rescaldo de Abu Ghraib, os prisioneiros foram entregues às forças iraquianas: Isto permitiu que eles fossem torturados enquanto as tropas de ocupação negavam qualquer responsabilidade.
Hoje o Iraque pode vangloriar-se de ter uma das mais altas taxas de execuções do mundo. Num único dia, em 19 de Janeiro 2012, 34 pessoas incluindo duas mulheres, foram executadas – um acto descrito como chocante, por Navi Pillay, do Alto Comissariado para os Direitos Humanos na ONU: “Dada a falta de transparência dos processos judiciais, as maiores preocupações são devidas ao processo e justiça dos julgamentos, e à vastíssima gama de crimes para os quais a pena de morte pode ser imposta no Iraque.”
Não admira que dez anos após a invasão as autoridades iraquianas sejam acusadas pela Human Rights Watch, sedeada nos EUA, de “violarem impunemente os direitos dos cidadãos iraquianos mais vulneráveis, especialmente mulheres e prisioneiros”. Esta acusação da H.R.W. foi divulgada por um relatório dos comités de mulheres famílias e filhos pelos direitos humanos do próprio parlamento iraquiano, os quais descobriram que há 1.030 mulheres detidas a sofrer de múltiplos abusos, incluindo ameaças de violação.
Em resposta a estes dados, o Primeiro Ministro Nouri al-Maliki ameaçou “prender aqueles membros do parlamento que tinham questionado a violência contra as mulheres presas”. Entretanto, o Vice Primeiro ministro Hussain al-Shahristani reconheceu que há 13.000 prisioneiros sob custódia acusados de terrorismo, mas ele só mencionou mulheres detidas incidentalmente:
“Nós transferimos todas as mulheres para prisões das suas áreas de residência”
A declaração de Al-Shahristani é uma de uma longa lista de declarações contraditórias e ilusórias feitas pelos mais altos funcionários do regime – desde al-Maliki a falar de “não mais do que um punhado de mulheres terroristas”, até à sua promessa incoerente que perdoará “ todas as mulheres que foram presas sem uma ordem judicial ou em lugar de algum familiar que cometeu um crime”. A essa promessa seguiu-se um desfile de nove mulheres com uma capa preta da cabeça aos pés, no canal oficial da TV estatal al-Iraqiya, como um gesto “de boa vontade” do regime.
Manifestantes e organizações iraquianas de direitos humanos estimam que há 5.000 mulheres detidas. A verdade tem vindo a ser conhecida pouco a pouco. Há algumas semanas, foram libertadas 168 mulheres e houve promessas de que outras 32 seriam libertadas. Ninguém acusado de tortura, violações ou abusos foi ainda levado à justiça.
E era suposto tudo ser muito diferente. Como foi prometido às mulheres Iraquianas. Um sistema político de quotas, criado no Iraque pós-invasão, foi concebido para garantir que pelo menos 25% dos membros do parlamento fossem mulheres. Isso foi aclamado como uma grande conquista do “Novo Iraque” – em comparação com os 8% de representação feminina no regime Baathista. Mas essa estatística não tem sido senão um pretexto para encobrirem os crimes do regime contra as mulheres.
Na verdade, o Governo de al-Maliki desde então prescindiu das quotas para os cargos no Governo: Há apenas uma ministra entre 44 lugares. Mas mesmo esta nomeação contém uma enorme ironia: o ministro dos assuntos da mulher, Ibtihal al-Zaidi, não hesitou em declarar:
“Eu estou contra a igualdade entre homens e mulheres. Se as mulheres fossem iguais aos homens iriam perder muito”.
Talvez sem surpresa, muitas organizações de mulheres exigiram a abolição do ministério dos assuntos da mulher, depois do ministro adoptar uma posição contra e não a favor, dos direitos da mulher.
Os direitos humanos, incluindo os direitos da mulher, são um teste decisivo para a democracia. As declarações de altos funcionários, incluindo o próprio Primeiro- Ministro, mostram que de facto – ao contrário do que alguns Iraquianos esperavam – os “libertadores” definiram as condições para a continuação da injustiça. E essa, por sua vez, dá origem ao extremismo. ( TRIBUNAL IRAQUE )

fevereiro 27, 2013

As circunstâncias políticas da morte de Yasser Arafat, Por Thierry Meyssan

Há 6 anos, o envenenamento do presidente palestiniano
A 11 novembro de 2004, o presidente Yasser Arafat falecia num hospital militar francês. Desencadeou-se então uma polémica sobre a origem do seu envenenamento. Só muito mais tarde, quando da captura pelo Hamas de documentos nos arquivos pessoais do ministro Mohamed Dahlan, foi que as provas do complô foram reunidas. O assassinato foi orquestrado por Israel e pelos Estados Unidos, mas realizado por palestinianos. Thierry Meyssan reexamina as circunstâncias políticas que conduziram à planificação desta eliminação.
VOLTAIRENET
A chegada ao poder de George W. Bush, em janeiro de 2001, e a do general Ariel Sharon, em março de 2001, em plena Intifada, marcam uma mudança radical de política em relação aos Palestinianos. O período coincide com a entrega do relatório do senador George Mitchell sobre as responsabilidades partilhadas na continuação do conflito. O presidente Bush designa um diplomata experimentado, William Burns, para o representar no Próximo-Oriente. Com director da CIA, George Tenet, eles elaboram um protocolo em seis pontos para um cessar-fogo. Sharon e Bush examinam este plano, a 26 de junho de 2001 na Casa-Branca.
Tudo não passa de uma simples encenação. A reabertura das vias de circulação nos Territórios ocupados está subordinada à paragem imediata e completa das hostilidades. Por outras palavras, as medidas de repressão nos Territórios ocupados não serão levantadas sem que os Palestinianos renunciem, sem contrapartida, à resistência armada. Os Srs. Sharon e Bush acordam num discurso que estigmatiza o presidente Yasser Arafat, e o torna responsável do prosseguimento das hostilidades: ele é «o terrorista» por excelência e os dois países devem unir-se para fazer falhar o «terrorismo». Por conseguinte, o general Sharon decide aplicar agora a estratégia dos «assassinatos dirigidos» contra os dirigentes políticos palestinianos. O primeiro eliminado será Abou Ali Moustapha, um dos chefes da OLP.
Também logo que sobrevêm os atentados do 11de setembro de 2001, esta retórica funde-se sem problemas na da «guerra ao terrorismo». Nessa manhã aliás, os medias difundem uma reivindicação por um grupo palestiniano e Israel fecha todas as suas representações diplomáticas no mundo. Imagens de uma quinzena de Palestinianos gritando a sua alegria diante dos danos infligidos aos Estados-Unidos dão a volta ao mundo. Seja como for, a responsabilidade palestiniana será descartada no decurso do dia e os atentados serão atribuídos a um grupúsculo instalado no Afeganistão. Para fechar este capítulo, Yasser Arafat dirigir-se-á a um hospital para dar o seu sangue para as vítimas americanas. Mas a ocasião é esplêndida: os dirigentes israelitas multiplicam as declarações de compaixão com as vítimas estabelecendo nisto um paralelo entre o que sofrem os Americanos e os Israelitas. Ariel Sharon qualifica a Autoridade palestiniana de«organização apoiante do terrorismo», enquanto o porta- voz da Casa-Branca sublinha que Israel tem o direito de se defender. A amálgama é completa entre Resistência e terrorismo.
Telavive multiplica as iniciativas para isolar «o terrorista» Yasser Arafat. Entretanto, os ministros dos Negócios estrangeiros da União Europeia reafirmam que o presidente da Autoridade palestiniana é um parceiro para a paz, enquanto Washington mantêm os seus contactos com o velho líder.
Constatando a impossibilidade de uma solução militar, o general Sharon imagina um plano de recorte da Palestina que assegure a continuidade territorial de Israel e das suas colónias e que, pelo contrário, divida os Territórios palestinianos em duas zonas descontinuas. Discretamente, ele inicia grandes obras de construção, nomeadamente a construção de um muro que marcará a nova fronteira. O plano do conjunto não será revelado senão posteriormente. O general Sharon contenta-se numa primeira fase em anunciar a criação de «zonas tampões», talhadas nos Territórios ocupados.
Simultaneamente, uma associação de antigos oficiais realiza uma campanha de propaganda para uma separação unilateral entre os judeus e os árabes. Caminha-se para uma forma de apartheid onde Gaza e a Cisjordânia desempenharão o papel de Bantustões.
Para deslocar as linhas no terreno, o governo israelita lança a operação «Muro de protecção» (por vezes traduzida por operação «Muralha») cujo significado só será compreendido posteriormente. O Tsaal arrasa uma parte de Jenine e sitia a Basílica da Natividade em Belém onde a Igreja Católica concedeu asilo a resistentes palestinianos. O general Sharon designa Yasser Arafat como o «inimigo de Israel», o que muitos interpretam como o sinal da sua eliminação iminente. Numa alocução televisiva solene, o Primeiro-ministro israelita declara: «O Estado de Israel está em guerra (…) Uma guerra sem tréguas contra o terrorismo (…) actividade coordenada e dirigida por Yasser Arafat». Durante cinco meses, as Forças israelitas sitiam o palácio presidencial em Ramalla e declaram a cidade «zona militar interdita». O velho líder é encurralado para umas poucas divisões, enquanto lhe são cortadas a água e a electricidade. Sharon dá-lhe a possibilidade de partir, «com um bilhete sem retorno». No seguimento do cerco, levantado sob a pressão internacional, Arafat permanecerá em prisão domiciliária nas ruínas do palácio presidencial.
O príncipe Abdullah da Arábia Saudita propõe um plano de paz razoável, levando em conta os interesses dos diferentes protagonistas. Ele apresenta-o na cimeira da Liga Árabe em Beirute, na ausência de Yasser Arafat prisioneiro em Ramalla, e obtêm o apoio dos Estados árabes. George Bush, — que jogava com um pau de dois bicos, à guerra com William Burns e Donald Rumsfeld, e à paz com Anthony Zini e Colin Powell — sabota o plano de paz Árabe. A 24 de Junho de 2002, ele pronuncia-se pela criação de um Estado palestiniano, mas põe como condição prévia a partida voluntária do presidente Arafat e a tomada de posse de uma nova direcção palestiniana que não esteja «comprometida com o terrorismo».
A lógica que vai conduzir ao assassinato do velho líder está já em marcha. Nada a poderá deter.
Washington solicita em vão aos seus parceiros do Quarteto (ONU, União Europeia, Rússia) que apoiem a partida de Arafat. No seguimento de um atentado que faz 7 mortos em Telavive, o general Sharon ordena a retoma do cerco ao palácio presidencial. O Tsaal destrói quase todo o complexo governamental e os dirigentes israelitas não escondem o objectivo de querer acabar com o seu «inimigo» Arafat. Toda a população Palestiniana se manifesta em apoio ao velho líder, enquanto o Conselho de Segurança da ONU vota a resolução 1435 intimando Israel a cessar imediatamente esta operação. O Tsaal levanta o cerco.
São convocadas eleições antecipadas em Israel. O seu resultado reforça o poder de Ariel Sharon. Ao formar o novo Gabinete, ele declara sem rodeios que vai «acabar a guerra contra o terrorismo, afastar a direcção terrorista e criar as condições para a a ascenção de uma nova direcção com a qual será possível chegar a uma paz verdadeira».
A Rússia e a França pressionam Arafat a “largar a barra” para evitar ao pior. O velho líder consente na criação de um posto de Primeiro-ministro, a confiá-lo uma personalidade que seja aceite por Telavive e Washington, e que possa negociar com eles para conseguir romper o isolamento. Ele nomeia Mahmoud Abbas. Os dois homens dificilmente se põem de acordo quanto à composição do governo. Abbas deseja confiar as relações com as organizações da Resistência militar ao general Mohammed Dahlan, o que Arafat recusa. No fim, eles acordam em nomear Dahlan para a chefia da policia.
Seja como for, a formação deste governo não muda nada. A decisão de matar Arafat está tomada. É mesmo o ponto fulcral do programa do novo gabinete de Sharon. O embaixador William Burns e o Primeiro-ministro Ariel Sharon organizam um encontro secreto com o Primeiro-ministro palestino Mahmoud Abbas e o futuro ministro do Interior Mohammed Dahlan. Os conspiradores ultimam os detalhes do crime. Eles acordam em assassinar, à vez ,o velho líder e os chefes do Hamas, para que estes não possam retomar o estandarte.
O Quarteto acolhe a nomeação do novo governo palestino emitindo a propósito um «roteiro». O gabinete de Sharon aprova publicamente esta iniciativa, mas transmite em segredo Casa-Branca uma nota explicitando 14 reservas que esvaziam «o roteiro» do seu significado.
Durante seis meses, Mahmoud Abbas participa em numerosos encontros internacionais para colocar em marcha as recomendações do Quarteto e é recebido com toda a pompa na Casa-Branca. Entretanto, depressa fica claro que ele assume compromissos fora das suas competências. Teria, assim, prometido na cimeira de Akaba o fim da Resistência armada sem contrapartida.
Em todo o caso, Jacques Chirac é informado do complô. Ele alerta o seu homólogo russo, Vladimir Putin. A França e a Rússia propõem ao presidente Arafat a sua imediata evacuação de Ramalla e a concessão de asilo político num país à sua escolha. O velho guerreiro declina a oferta. Ele sabe que se deixar a Palestina, nunca mais voltará.
Para garantir a sua segurança, Arafat cria um posto de Conselheiro nacional de segurança que emperre as prerrogativas de Abbas e de Dahlan. Confia-o a Jibril Rajoub. A tensão atinge o paroxismo. Abbas demite-se, levando Dahlan com ele.
É nesta altura que Mohammed Dahlan dirige uma carta ao ministro israelita da Defesa Shaul Mofaz; um documento cujo duplicado foi encontrado nos arquivos privados de Dahlan após a sua fuga,(na
Ele escreveu: «Esteja seguro que os dias de Yasser Arafat estão contados. Mas deixe-nos fazê-lo à nossa maneira, e não à vossa (…) eu «cumprirei as promessas que fiz diante do presidente Bush».
Yasser Arafat nomeia Ahmed Qorei como Primeiro-ministro. O gabinete Sharon replica adoptando o princípio da expulsão do presidente da Autoridade palestiniana para fora da Palestina. Os Palestinianos manifestam-se de novo pelo seu líder. A Síria pede ao Conselho de Segurança da ONU a interdição da expulsão do presidente Arafat, mas os Estados-Unidos opõem o seu veto a este projeto de resolução. Como retaliação, aviões israelitas sobrevoam o palácio presidencial sírio e bombardeiam um antigo campo palestiniano perto de Damasco.
Em Março de 2004, o Tsaal assassina o xeque Ahmad Yassine, chefe espiritual do Hamas. Esta morte só se pode entender no contexto da intenção de decapitar o braço muçulmano da Resistência de modo a que ela não possa tomar o lugar assim que o braço laico seja, também ele, decapitado. Na ONU, Washington opõe o seu veto a uma resolução condenando este crime. Continuando nesta senda, o Tsaal assassina, no mês seguinte Abdel Aziz al-Rantissi, o chefe civil do Hamas.
Ariel Sharon vai a Washington e revela o novo plano de partilha da Palestina que ele orquestra desde há três anos. Ele insiste no facto que a continuidade do território de Israel exige o desmantelamento dos colonatos muito avançados e indefensáveis; e que as tropas israelitas se retirarão dos territórios destinados aos Palestinos. Ele admite o projeto de separação das populações em entidades etnicamente homogéneas e o traçado completo do muro de separação. O presidente Bush dá-lhe luz verde, por escrito, de Washington e acrescenta que, tendo em vista «a nova realidade no terreno», o princípio de retorno às fronteiras estabelecidas pela comunidade internacional-(fronteiras
é agora «irrealista». O facto consumado passa por cima do direito.
Como o Conselho de Segurança recusa condenar as anexações de territórios situados dentro do muro de separação, a Assembleia Geral vira-se para o Tribunal Internacional de Justiça de Haia para que ele se pronuncie quanto à matéria do Direito.
Em Ramalla, Yasser Arafat teme que o ministro do Interior do governo Qorei se tenha juntado ao complô. Decide-se a demiti-lo. Ahmed Qorei, sentindo-se desautorizado, apresenta a sua demissão. Por fim Arafat cede e renuncia. Qorei e a sua equipa permanecem, nela incluídos os traidores.
Erro fatal.
A 21 de Outubro de 2004, Yasser Arafat é acometido de vómitos. Os médicos creem primeiro numa simples gripe. O seu estado piora rapidamente e o seu sistema imunitário está gravemente enfraquecido. Sob proposta do seu homólogo francês, Jacques Chirac, ele aceita deixar a Palestina para se tratar. Ele sabe que a sua vida está em perigo e que mesmo se escapar desta,ele não voltará mais à sua terra. Ele é internado num hospital militar especializado. Os médicos não conseguem descobrir o veneno, além de que os seus assassinos lhe inocularam igualmente o retrovírus da sida tornando indecifráveis todos os exames. Ele entra em coma. A sua morte é anunciada a 11 de novembro de 2004 às 3h30 hora de Paris. O Eliseu vela para que a certidão de óbito mencione que o presidente da Autoridade palestiniana nasceu em Jerusalém.
O gabinete Sharon opõe-se à inumação em Jerusalém, as exéquias internacionais têm lugar no Cairo e a inumação em Ramalla. Os Colaboradores que conspiraram com o Ocupante para o matar vão apoderar-se do poder sem demora.
Thierry Meyssan

Tradução
Alva

agosto 29, 2012

Por crimes de guerra: manifestantes queriam prender Condoleezza Rice durante Convenção Republicana

A polícia de Tampa, cidade norte-americana onde se está a realizar a convenção do partido republicano, impediu hoje cerca de uma dúzia de originais manifestantes de entrarem num evento com a antiga secretária de Estado da administração Bush. Tudo porque tencionavam prendê-la por crimes de guerra.
As protestantes do grupo Code Pink (Código Rosa, em português) tinham consigo algemas e vários cartazes em que pediam a sua prisão e acusam de crimes de guerra, pois era secretária de Estado quando começou a guerra do Iraque.
No entanto, a polícia disse-lhes que tinham de abandonar o local, pois encontravam-se em propriedade privada. O grupo acatou as ordens, mas já anunciou que irá tentar prender outros elementos que fizeram parte da administração de George W. Bush. ( DN )

julho 19, 2012

Governo Obama nega-se a devolver tesouros roubados do Iraque por tropas

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O governo dos Estados Unidos anunciou oficialmente que ficará com metade dos tesouros arqueológicos roubados do Iraque pelas suas tropas de ocupação em 2003, ano da invasão militar que derrubou o governo patriótico de Saddam Hussein.
Diante do crescente repúdio popular à sua submissão a Washington, o governo fantoche encenou um “protesto”, dizendo que quer trazer de volta ao país todo o arquivo judeu iraquiano “transferido aos Estados Unidos”, conforme publicou o jornal iraquiano Al Sabah no último domingo. De acordo com o jornal, o arquivo inclui até mesmo pergaminhos da Bíblia judaica com séculos de antiguidade, além de um grande número de documentos em hebreu, árabe e inglês.
Entre outras relíquias, os Estados Unidos enviaram para Israel mais de mil valiosas peças, o que provocou a reação de arqueólogos e estudiosos iraquianos, que denunciaram o “saque do patrimônio cultural”. Com o crescimento dos protestos, os fantoches tiveram de anunciar a suspensão da “cooperação” com as universidades dos EUA, bem como a paralisação das “missões de escavação” realizadas pelos estadunidenses. ( HORA DO POVO )

maio 8, 2012

Malásia: Grupo de ex-prisioneiros do Iraque acusa soldados norte-americanos de torturas. E Bush, Rumsfeld e Cheney no banco dos réus.

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Um grupo de ex-prisioneiros de guerra denunciou torturas sob custódia das tropas norte-americanas durante a guerra do Iraque, num julgamento simbólico em Kuala Lumpur, revela hoje a imprensa local.
A Comissão de Crimes de Guerra de Kuala Lumpur iniciou segunda-feira o “julgamento” do ex-presidente dos Estados Unidos George Bush, do ex-vice-presidente Dick Cheney e do ex-secretário da Defesa Donald Rumsfeld pelas torturas praticadas pelas tropas norte-americanas no Iraque.
Abbas Abid, uma das testemunhas, denunciou ter sido torturado por soldados dos Estados Unidos na base iraquiana de Al-Muthanna, sul do país, onde foi, explicou, golpeado e alvo de choques elétricos num período em que a sua mulher acabaria por perder dois bebés.
Destak

 

novembro 27, 2011

Tribunal Kuala Lumpur declara culpados Bush e Blair por crimes de guerra no Iraque

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Qui, 24 de Novembro de 2011
Camila Queiroz
Jornalista da ADITAL
Culpados por crimes contra a Paz na guerra do Iraque, por terem planejado a invasão de março de 2003 desde setembro de 2001, mesmo que o país atingido não tivesse armas de destruição em massa, como se argumentou à época. Esta é a sentença proferida contra George W. Bush, ex-presidente dos Estados Unidos, e Anthony L. Blair, ex-primeiro ministro do Reino Unido. A decisão é do Tribunal de Crimes de Guerra Kuala Lumpur, ocorrido em Kuala Lumpur, capital da Malásia, entre os dias 19 e 22.
Organizado pela Comissão de Crimes de Guerra Kuala Lumpur, da ONG Fundação Kuala Lumpur de Criminalização da Guerra, o julgamento não tem validade real, porém se baseou em investigações concretas, por meio de entrevistas feitas com vítimas da guerra no ano de 2009, e foi realizado com a estrutura de um tribunal comum.
“As evidências demonstraram que ainda em 15 de setembro de 2001 o acusado havia planejado invadir o Iraque. Há documentos que mostram que este plano foi transmitido pelo primeiro acusado ao segundo acusado. O acusado havia tentado buscar a aprovação das Nações Unidas para a invasão. Em 2 de novembro de 2002, a Resolução 1441 desautoriza o uso da força contra Iraque. Pesquisadores das armas haviam confirmado que não havia armas de destruição em massa”, sustenta o veredito.
O texto argumenta que a “intervenção humanitária”, propósito alegado pelos dois países envolvidos – diziam querer livrar o povo iraquiano do ditador Saddam Hussein –, não constitui base para uma invasão. Além disso, o uso da força deve ser autorizado pelo Conselho de Segurança da ONU, aponta o Tribunal. “A invasão para a mudança de um regime não tem nenhuma base jurídica no direito internacional”, afirma.
“O Tribunal ordena que os nomes dos dois criminosos sejam incluídos no registro de guerra da Comissão de Crimes de Kuala Lumpur. E as conclusões deste Tribunal se darão a conhecer em todas as nações que são firmantes do Estatuto de Roma”, conclui.
Kuala Lumpur considera também que ainda hoje há ameaças de guerra por parte dos países citados e, portanto,”um veredito de culpa servirá como um aviso ao mundo de que os criminosos de guerra podem fugir, mas não podem, em última instância, esconder-se da verdade e da justiça”.

Sobre o Tribunal
Além de julgar crimes contra o paz, o Tribunal de Crimes de Guerra Kuala Lumpur julga crimes contra a humanidade e de genocídio, “especialmente quando órgãos judiciais internacionais relevantes deixam de fazê-lo”.

setembro 17, 2011

Bush usou o 11/09 como pretexto para atacar direitos constitucionais nos EUA

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Os direitos do indivíduo e as liberdades democráticas que ( em um país onde a economia é dominada por monopólios ) já não eram grande coisa, foram pisoteados e a Constituição do país reduzida a farrapos pelo então presidente Bush que fez uso do 11 de setembro para, além de atacar os demais países, tentar silenciar as vozes discordantes e as organizações opositoras à cruzada terrorista contra um país soberano. A seguir publicamos trechos de um artigo que trata da questão, escrito por Vince Warren, Diretor Executivo do Centro de Direitos Constitucionais, intitulado “11 de Setembro e a Década de Declínio da Democracia dos EUA”. ( HORA DO POVO )
“George W. Bush, retalhou a Constituição dos EUA, pisou em cima da Lei dos Direitos Civis (Bill of Rights), descartou as Convenções de Genebra e fez pouco caso dos Estatutos sobre Tortura do país, da Convenção da ONU sobre torturas e punições.
“Estes dez anos foi o mais constante período de decadência constitucional em nossa história. Além disso, ainda que George W. Bush tenha entrado na primeira década do Século 21 desmontando os direitos fundamentais e segurança do povo norte-americano, Barack Obama terminou a década deixando de repor plenamente estes direitos. Seja através de sua própria indecisão, seja pela feroz oposição no Congresso, ele tem sido incapaz de fechar a prisão infame de Guantânamo, como prometeu, e muito menos pensar em fazer qualquer um no governo Bush responsável por seus crimes.
“Esta década de decadência constitucional não aconteceu da noite para o dia, ainda que muito dela tenha sido escondido. Fomos levados a um nevoeiro de segredo, subterfúgio e, em alguns casos, mentiras abertas.
“Nossos princípios constitucionais e democráticos entraram em colapso de forma a tirar o fôlego. Uma eliminação da nossa capacidade de definir o país no qual queremos viver e o qual queremos formar em torno de valores que são cruciais para nossa sobrevivência como uma sociedade dirigida pelo povo e que a ele presta contas.
“O Departamento de Justiça, durante o governo Bush, declarou que a lei simplesmente não se aplica ao presidente. Assim sendo os advogados que o cercavam e ao vice Dick Cheney os aconselharam a ignorar o fato de que o Congresso passara uma lei declarando a tortura ilegal ou a gravação de conversas telefônicas sem mandado judicial.
“O governo Bush criou o paradigma da “Guerra ao terror” não para proteger os EUA de ataques futuros, ainda que este tenha sido o motivo alegado, mas para colocar em vigor uma expansão radical de poder à disposição do presidente acima da lei doméstica ou internacional.
“Sob o Artigo 1 da Constituição, Seção 8, somente o Congresso pode declarar guerra, não o presidente. Isso de fato aconteceu, pela última vez, em 8 de dezembro de 1941 depois que o Japão atacou Pearl Harbor [governo de Franklin Roosevelt]. Portanto todas as guerras subseqüentes dos EUA foram ilegais, incluindo as de Obama contra o Iraque, Afeganistão, Paquistão, Líbia e outros.

julho 12, 2011

Human Rights Watch exige julgamento de George W. Bush por tortura

A Human Rights Watch (HRW) exige a abertura de uma investigação e posterior julgamento de George W. Bush pelas responsabilidades do antigo Presidente dos EUA na tortura e maus tratos infligidos aos suspeitos de terrorismo. A organização não governamental (ONG) de defesa dos direitos humanos critica a actual Administração norte-americana, de Barack Obama.
“O governo de Obama não cumpriu as obrigações dos EUA relativas à Convenção contra a tortura, porque não investigou os actos de tortura e outros maus tratos aos detidos”, afirma a HRW num relatório de 107 páginas intitulado “Tortura impune: o governo de Bush e o mau trato aos detidos”. De acordo com o El Mundo, a ONG insiste que o documento contém “informação substancial que justifica a investigação criminal a Bush e outros funcionários do seu governo, incluindo o ex-vice-presidente, Dick Cheney, o ex-chefe do Pentágono, Donald Rumsfeld, e o ex-director da Agência Central de Inteligência (CIA), George Tenet”.
A HRW acusa estes dirigentes de terem autorizado o uso de ‘waterboarding’ (simulação de afogamento) nas prisões secretas da CIA ou de países terceiros que receberam suspeitos de terrorismo. Mas esta não é a primeira vez que a ONG faz acusações deste género: já em 2005 a HRW apresentou um relatório apontando o dedo a estes dirigentes e ainda ao ex-comandante do Exército dos EUA no Iraque, Ricardo Sánchez, e o ex-comandante militar da prisão de Guantánamo, Geoffrey Miller.
Kenneth Roth, director executivo da HRW, diz haver “razões sólidas para investigar Bush, Cheney e Tenet” por crimes de guerra e tortura, mas a Administração Obama limitou-se a tratar “a tortura como uma selecção desafortunada de procedimentos, mais que como um delito”: o secretário da Justiça, Eric Holder, ordenou em 2009 uma investigação aos abusos contra os detidos, mas limitou o inquérito aos “actos não autorizados”. Quem autorizou o uso de tortura ficou fora do inquérito e, diz a HRW, ou se “reestabelece a proibição da tortura”, ou a decisão de Obama “em colocar um ponto final às técnicas abusivas de interrogatório continuará a ser reversível”.
( DN.PT )

CONTINUA AQUI: Obama não quer investigar George Bush

junho 24, 2011

Hora do Povo: governo Obama usa tribunal de exceção de W. Bush para perseguir militantes de oposição

Filed under: WordPress — Tags:, , , — Humberto @ 7:10 pm

Desde setembro do ano passado, 23 militantes da FRSO – Organização Socialista Estrada da Liberdade -, e de outras organizações e entidades dos EUA, estão na mira do FBI e da “Lei (Anti) Patriótica” e foram submetidos a um “tribunal” – instância jurídica criada em dezembro de 2008 por W. Bush e mantida por Obama – em que sequer têm direito a advogado. A denúncia é do dirigente da FRSO, Tom Burck, em entrevista ao jornal “Solidaire”, do Partido do Trabalho da Bélgica. Ele participou em maio, em Bruxelas, do encontro de partidos comunistas e progressistas que juntou 55 organizações.
Em comum, os 23 têm o fato de terem participado da organização da manifestação com 30 mil pessoas diante da convenção republicana de 2008 em Minesota, a que indicou o fracassado candidato John McCain. Também a participação na retomada nos últimos anos do Dia Internacional do Trabalho nos EUA, o 1º de Maio, com as gigantescas manifestações que tomam o país inteiro, em defesa dos imigrantes e também dos direitos trabalhistas em geral.
Outro dos perseguidos, Carlos Montes, também organizador da marcha a Minesota e, desde 2006, do 1º de Maio em Los Angeles, teve sua casa invadida pela SWAT às 5 h da manhã, no dia 17 de maio, e a porta arrombada, sob o pretexto de “denúncia” de porte ilegal de arma. Isso, num país onde, graças à Associação Nacional do Rifle e ao Congresso, um magnata pode ter um tanque de guerra no pátio de casa, e qualquer um pode adquirir um fuzil M-16, até pelo correio. Os policiais subtraíram computadores, documentos de 40 anos de vida e fotos, e celulares. (Assim o NSA tem menos trabalho: não vai precisar grampeá-lo todos os dias, pelo menos nesses números). Não havia arma.
Na instância jurídica em que Burck, Montes e os outros 21 ativistas foram indiciados – a la “Homeland Department” -, o investigado não tem direito sequer a um advogado, há apenas um promotor e mais 23 jurados – em geral militares da reserva e funcionários públicos. O acusado está obrigado a responder a qualquer pergunta feita pelo inquiridor, à revelia da quinta emenda da constituição, que diz que ninguém pode ser obrigado a falar contra si mesmo.
Burck deu ao “Solidaire” mais detalhes dessa peculiar “justiça” dos monopólios. Apesar de terem apelado para a quinta emenda, logo em seguida a promotoria se concedeu a imunidade de acusação, podendo, assim, forçar os investigados a “cooperar” com a justiça, dar informações, acusar os outros de qualquer coisa. Um mecanismo que lembra a sinistra caça aos vermelhos nos anos 50. “Se você ainda se recusa a falar, pode acabar na prisão por 18 meses, sem mais delongas”.
( HORA DO POVO, 24/06/2011 )

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