ENCALHE ( Descontinuado em 05.10.2013 )

setembro 26, 2013

Graça: Petrobrás está pronta para assumir 100% de Libra

“Esse leilão não é fruto da nossa vontade”, diz a presidente da companhia

A presidente da Petrobrás, Graça Foster, disse na CPI da Espionagem que a “Petrobrás sabe melhor do que qualquer outra empresa como explorar Libra porque fomos nós quem descobriu o campo, a mais de seis mil metros de profundidade. Eu não conheço nenhuma outra empresa que esteja tão preparada quanto a Petrobrás para fazer Libra acontecer”. “O sentimento dentro da companhia é de que o leilão é desejo do governo e não da Petrobrás”, informou. Ela frisou que a empresa “tem condições técnicas e estruturais de assumir 100% do campo”.

HORA DO POVO

“A Petrobrás sabe como explorar Libra melhor do que outra”, diz Graça Foster

A presidenta da Petrobrás, Graça Foster, disse aos parlamentares da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Espionagem, criada no Senado para investigar a espionagem da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) dos Estados Unidos, que o Campo de Libra tem uma importância especial para a companhia e o sentimento dos trabalhadores da empresa é contrário ao leilão.

“Temos uma estima absoluta por Libra, que é muito valiosa para a Petrobrás”, ressaltou Graça Foster, durante depoimento na comissão, na quarta-feira (18) da semana passada, frisando que a empresa “tem condições técnicas e estruturais de assumir 100% do campo”.

“A Petrobrás sabe melhor do que qualquer outra empresa como explorar Libra porque fomos nós quem descobriu o campo, a mais de seis mil metros de profundidade. Eu não conheço nenhuma outra empresa que esteja tão preparada quanto a Petrobrás para fazer Libra acontecer”, ressaltou. Ela esclareceu também que “o sentimento dentro da companhia é de que o leilão de Libra é desejo do governo e não da Petrobrás”.

A audiência pública reuniu senadores da CPI e das comissões técnicas de Assuntos Econômicos (CAE) e de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE). A presidente da Petrobrás discorreu também sobre as medidas adotadas pela empresa, para evitar que informações sigilosas sejam acessadas de forma ilegal. Graça Foster disse que, entre as estratégias utilizadas, está o “estímulo à fidelidade à empresa”, pelos funcionários.

“Mas fidelidade, assim como a tecnologia, não é 100%. [Até porque] não podemos garantir que seguraremos todos [ os funcionários ] na Petrobrás. Além do mais, estamos falando de ser humano”, afirmou.

LEITURA COMPLEMENTAR:
Interesse dos EUA na Petrobras iria além da tecnologia, DW

setembro 20, 2013

Para acadêmicos, o leilão de Libra deve ser suspenso

O economista Guilherme Costa Delgado, consultor da Comissão Brasileira de Justiça e Paz, afirmou que a espionagem da Agência de Segurança dos EUA, que invadiu arquivos da Petrobrás para bisbilhotar segredos industriais sobre o leilão do Campo de Libra, marcado para o dia 21 de outubro, exige uma resposta condizente com a defesa intransigente da soberania nacional.

“Seja pelo argumento da soberania, seja pelo argumento da lisura da licitação pública, o leilão no mínimo teria que ser suspenso”, assinalou.

O economista condenou a ANP (Agência Nacional de Petróleo) e o Ministério das Minas e Energia que, mesmo diante da espionagem dos EUA, confirmaram o leilão, “alegadamente porque o governo precisa dos 15 bilhões de dólares do bônus de assinatura do prospecto do Campo de Libra, para fechar as contas de 2013”.

“Afinal, petróleo é um tema de segurança nacional nos Estados Unidos e no mundo inteiro, mas aqui está sendo tratado como mera questão conjuntural, de mercado. E isto tem graves consequências”, advertiu. “Acessar esses segredos ou alguns deles, como informação privilegiada obtida por espionagem, macula na origem toda ideia de licitude”, enfatizou.

“A orquestração para realização do leilão a qualquer custo no mês de outubro, mesmo sem a audiência sobre sua legalidade junto ao TCU, providência dispensada desde o Edital, tudo em nome da premência por fechar as contas externas de 2013, denota invulgar complexo de inferioridade no trato de situação de tamanha responsabilidade. Mas nada se compara à situação nova criada pela espionagem”, disse.

O pesquisador Rodrigo Garcia, mestrando em ciência política pela Universidade Federal Fluminense (UFF), também considerou um “contrassenso” a realização do leilão, uma vez que a Petrobrás “que é pública, brasileira e competente, atualmente está envolvida técnica e financeiramente com outros projetos”. “Oferecer Libra neste momento atende ao mercado internacional, mas não é estratégico para a Petrobras e para os interesses brasileiros”, completou. ( HORA DO POVO )

setembro 18, 2013

“Leiloar Libra é grave erro estratégico”, diz descobridor do pré-sal.

Afirmação foi feita em palestra na ABC
Se a pressão para entrar no pré-sal é muita, que seja noutro campo, não no maior de todos, disse

Libra “são 10 bilhões de barris de petróleo já descobertos, é muito óleo. A nossa posição de reserva com o pré-sal é muito confortável pelos próximos 20 anos. Por que vai abrir Libra para a participação de empresas estrangeiras e interesses estrangeiros?”, indagou, no seminário realizado pela Academia Brasileira de Ciências, o diretor de Exploração e Produção da Petrobrás durante o governo Lula e responsável pela descoberta do pré-sal, Guilherme Estrella.

HORA DO POVO

Estrella: “leiloar 10 bi de barris já descobertos não está certo”

“Leilão é erro estratégico”, afirma descobridor do pré-sal

O diretor de Exploração e Produção da Petrobrás no governo Lula e responsável pela descoberta do pré-sal, Guilherme Estrella, afirmou, durante seminário organizado pela Academia Brasileira de Ciências (ACB), Rio de Janeiro, que a realização do leilão do Campo de Libra, previsto para ocorrer em outubro “é um erro estratégico”. “Libra são 10 bilhões de barris de petróleo já descobertos, é muito óleo. A nossa posição de reserva com o pré-sal é muito confortável pelos próximos 20 anos. Por que vai abrir Libra para a participação de empresas estrangeiras e interesses estrangeiros?”, indagou Estrella.

“As empresas estrangeiras são empresas que representam os interesses de seus países. Nós conhecemos a história do petróleo. Isso não está certo”, insistiu o ex-diretor da Petrobrás. “Abrir uma licitação para 10 bilhões de barris já descobertos não está certo. A lei permite a contratação pelo governo de sua empresa para produzir esse petróleo”, lembrou. O artigo 12º da nova lei do petróleo (lei nº 12.351/2010), que rege o pré-sal, determina que a União, quando for o caso de “preservar o interesse nacional” (sic) e atender aos “objetivos da política energética” (sic) deve contratar a Petrobrás diretamente “para a exploração e produção de petróleo, de gás natural e de outros hidrocarbonetos fluidos sob o regime de partilha de produção”. Em suma, em área “estratégica”, definida pela mesma lei como “região de interesse para o desenvolvimento nacional, (…) caracterizada pelo baixo risco exploratório e elevado potencial de produção de petróleo, de gás natural e de outros hidrocarbonetos fluidos”, a Petrobrás deverá ser contratada diretamente. Se Libra – maior reserva de petróleo do mundo – não é estratégica, o que será uma área estratégica?

“Se tinha que fazer uma nova licitação, até politicamente, faz de outra área nas proximidades, aliás temos nas proximidades de Libra, Franco, que é da cessão onerosa e vai ser produzido pela Petrobrás”, prosseguiu Estrella. “Para mim, essa decisão foi um erro estratégico. Nós estamos trazendo interesses não brasileiros para produzir 10 bilhões de barris”, completou Guilherme Estrella.

“Quando a gente fala em energia, estamos falando de um tema muito sensível sob o ponto de vista da geopolítica mundial. Especialmente petróleo e gás natural, nós temos um foco numa série de questões que tocam a soberania das nações, ao conhecimento e o desenvolvimento do conhecimento científico e tecnológico”, frisou. “Além de serem absolutamente fundamentais na vida das pessoas. Consumo de energia é parâmetro de qualidade de vida, mas, ao mesmo tempo é fundamental na sustentação de hegemonias geopolíticas mundiais. Isso é o que acontece no nosso dia a dia”, destacou o debatedor.

“Nós, cidadãos do século XXI, assistimos estarrecidos há uns dez anos a invasão de países soberanos para apropriação de reservas petrolíferas. Monarquias absolutamente medievais, autoritárias, opressoras são mantidas para sustentar como fonte de energia, fonte de petróleo e gás natural as potências hegemônicas mundiais”, denunciou Estrella.

Aos argumentos apresentados pelo ex-diretor da Petrobrás contra o leilão de Libra vieram se somar às recentes denúncias veiculadas recentemente pela TV, de que a Petrobrás foi espionada pela NSA (Agência de Segurança Nacional dos EUA). Segundo os dados divulgados pelo ex-analista da agência, Edward Snowden – atualmente exilado na Rússia – a estatal brasileira foi bisbilhotada pela agência de espionagem norte-americana. Na opinião generalizada de especialistas, e até da presidente Dilma Rousseff, essa espionagem visava obter vantagens para as empresas dos EUA na disputa pelo controle do pré-sal. Este fato gerou um amplo movimento dentro do país, envolvendo centrais sindicais, personalidades, parlamentares e diversos movimentos sociais, exigindo o cancelamento do leilão.

O seminário – que fez parte do simpósio “Recursos Minerais no Brasil: Problemas e Desafios” – foi conduzido pelo acadêmico Umberto Cordani. Além de Guilherme Estrella, o simpósio teve ainda uma conferência ministrada pelo acadêmico Luiz Pinguelli Rosa, diretor do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia (Coppe/UFRJ). No papel de debatedores estavam Aquilino Senra (INB), Colombo Tassinari (ABC/USP), Edison Milani (Petrobrás), Gilmar Bueno (Petrobrás), John Forman (J. Forman Consultoria), José Goldemberg (ABC/USP), José Israel Vargas (ABC/UFMG), Maurício Tolmasquim (EPE), Paulo Heilbron (CNEN) e Roberto Villas-Bôas (Cetem). O seminário de Estrella aconteceu no dia 14 de agosto passado e abriu as discussões na ACB sobre recursos energéticos de origem mineral.

SÉRGIO CRUZ

maio 31, 2013

Requião: “leilões de petróleo são antinacionais e injustificáveis”

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“Como defender, como justificar, mais esta rodada de leilões de petróleo”?, questionou o senador do PMDB paranaense

Em discurso feito na terça-feira (28), o senador Roberto Requião (PMDB-PR) criticou a onda de privatizações anunciadas recentemente pelo governo e chamou a decisão do Planalto de realizar os leilões do petróleo como uma “grande desgraça para os brasileiros”. “Poucas vezes ouvi e li argumentos tão oportunistas, tão antinacionais, tão frágeis e tão pouco honestos a favor de alguma coisa, como os em defesa dos leilões”, afirmou Requião.

“Ao ouvir e ler fiquei triste porque vi mais companheiros abandonando posições na barricada em defesa dos interesses populares e nacionais”, assinalou o senador paranaense, referindo-se a lideranças do PT e de outros partidos que se consideram de esquerda, defendendo a entrega do petróleo de áreas dentro e fora do pré-sal para as multinacionais.

“Que tantos tenham desertado de antigas defesas, comprova-se todos os dias. Mas não esperava que a desistência ampliasse tanto. Meu Deus! Como defender, como justificar, mais esta rodada de leilões de petróleo?”, indagou, referindo-se à 11ª Rodada de leilões de petróleo realizada no dia 14 de maio pela Agência Nacional de Petróleo e Gás (ANP). “Na verdade não é só o leilão do petróleo; e nem é fortuita, ocasional a coincidência que a privatização dos portos tenha sido aprovada no dia seguinte ao dos leilões”, acrescentou Requião.

Lembrando as estradas, os aeroportos, as hidrelétricas, os portos e o petróleo, Requião afirmou estar se somando aos que denunciam que está havendo o maior processo de privatizações na história do Brasil. O senador destacou ainda que “ao se colocar recursos financeiros e humanos das estatais, como o BNDES, a Petrobrás, a Caixa e o Banco do Brasil, a serviço de entes privados, temos as chamadas privatizações brancas”. Nesta parte do discurso Requião fulminou o uso de recursos do BNDES para financiar grupos privados monopolistas, principalmente estrangeiros.

O parlamentar peemedebista condenou o leilão da 11ª Rodada. “Foram entregues à iniciativa privada, a um capitalismo claudicante, baleado pela crise, 289 blocos [esse foi o número ofertado pela ANP; 142 blocos foram adquiridos no leilão] para a exploração de petróleo, com potencial, segundo cálculos moderadíssimos, de se produzir até 14 bilhões de barris ou quem sabe até 19 bilhões”.

Ele lembrou que o que se arrecada nesses leilões “é uma quantia que representa zero vírgula vinte e cinco por cento do valor dos blocos”.

“O economista Adriano Benayon, citando o químico Roldão Simas, diz que o valor arrecadado dá para reformar um estádio de futebol para a Copa; ou como diz o PCB, dá para pagar a reforma do Maracanã, com o devido ágio à corrupção”.

“A ANP, talvez das agências reguladoras a mais querida da mídia e do mercado, disse que nos blocos licitados deverão ser descobertos 19 bilhões de barris de petróleo e gás, que serão exportados!”, denunciou Requião.

Ele destaca que o Brasil não precisa exportar o petróleo. “Especialistas de verdade como Fernando Siqueira [vice-presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás – Aepet] e Paulo Metri [conselheiro do Clube de Engenharia], e não aqueles especialistas de fancaria que frequentam, os noticiários globais, peritos como Siqueira e Metri perguntam: ‘Quem definiu que a exportação desse petróleo é a melhor opção para o Brasil?’. “Enquanto os Estados Unidos proíbem a exportação de petróleo, olhando para frente, nós fechamos os olhos à trágica experiência de países exportadores, que queimaram suas reservas por nada, para nada”, salientou o senador.

Requião criticou o comportamento de certos partidos de esquerda que freqüentemente, depois que assumem o poder, passam a defender posições favoráveis aos monopólios estrangeiros e aos banqueiros. “Discute-se muito hoje na Europa, com a falência do modelo neoliberal, junto do qual se enterraram os partidos ditos de esquerda”, disse. “Discute-se muito uma refundação da esquerda. A exaustão dos partidos trabalhistas, socialistas e social-democratas, abduzidos pelo neoliberalismo e campeões na aplicação das políticas de austeridade, fez espocarem novos agrupamentos de esquerda por toda a Europa”, acrescentou. “Na Inglaterra, o cineasta Ken Loach lança apelo por um novo partido, considerando definitiva, irrecuperável, a guinada do Partido Trabalhista para a direita”, prossegue Requião.

Ao falar do Brasil ele destacou que “por cinco vezes, não uma ou duas, e sim por cinco vezes acompanhei o PT nas eleições presidenciais”. “Nas circunstâncias de hoje, fossem esses que se anunciam os candidatos, acompanharia o PT pela sexta vez. No entanto, parece claro que o PT está à deriva, distancia-se da esquerda”.

“Como já não é mais possível classificar como de esquerda os partidos da base, que ainda assim se dizem, em que pese as posições hoje assumidas. É à esquerda, pela esquerda, que construiremos o país e a sociedade que almejamos há tanto tempo. Não há outra saída. Boa parte da esquerda tradicional, como a camélia, caiu do galho, depois murchou, depois morreu”, completou.

HORA DO POVO

maio 17, 2013

Petróleo: leilão ficou bem abaixo do que pretendia o entreguismo da ANP

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Dos 289 blocos só 142 foram arrematados. Entidades fizeram manifestação na porta do hotel contra a entrega

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) bem que tentou, mas não conseguiu se entusiasmar com o resultado da 11ª rodada de licitações de petróleo, ocorrida na terça-feira (14). Dos 289 blocos colocados em leilão, apenas 142 foram arrematados. Foi um fiasco. A programação eram dois dias de leilão, mas tiveram que encerrar o processo no primeiro dia por falta de quorum. Mais da metade dos blocos nem foi a leilão.

Este resultado só confirma aquilo que todos já sabem. Quem faz pesquisa séria, quem possui capacidade técnica e investe de verdade no país é a Petrobrás. Já as empresas do cartel estrangeiro, principalmente as múltis, são mestres mesmo é em provocar megavazamentos, desastres e poluição ambiental. Elas não fazem investimentos, só sabem parasitar o trabalho já feito pela Petrobrás. As outras várias empresinhas – que não passam de testas-de-ferro – entram no processo, ou para especular ou só para esquentar lugar e depois passar o bloco para o cartel. Achar, como alguns incautos, que há concorrência na área do petróleo é ingenuidade ou má-fé.

A diretora do ANP, Magda Chambriard, entusiasta do entreguismo desvairado, havia dito numa reunião recente com grupos estrangeiros que o leilão seria uma grande oportunidade de “bons negócios”. Chegou a apregoar que as áreas que seriam leiloadas continham 30 bilhões de barris. Tirando os blocos onde a Petrobrás participou com mais de 50% no consórcio, somente cerca de 40% dos blocos foram arrematados pelos tais “investidores” privados. Ou seja, 60% dos blocos escaparam de cair nas mãos das múlits.

Com esse resultado pífio da “megaentrega” anunciada pela ANP, Magda Chambriard tentou melhorar a situação dizendo que 2/3 da área leiloada tinha sido adquirida no leilão. Uma comemoração ridícula para esconder o desânimo, pois o que interessa é o número de blocos e não a “área leiloada”. Aí disseram que o bônus de R$ 2,8 bi arrecadado foi uma maravilha. Só que esse valor está muito distante dos montantes que estão previstos nos investimentos da Petrobrás que passam de 200 bilhões. Por último, a ANP acabou tendo que anunciar que “os blocos que não foram arrematados na 11ª rodada de áreas de exploração de petróleo e gás no Brasil poderão ser relicitados no futuro”.

Durante o leilão, que ocorreu no Hotel Royal, em São Conrado, no Rio de janeiro, a CGTB, CUT, CTB, FUP, Aepet, MST, CMB, UBES, sindicatos de petroleiros de vários estados e partidos políticos realizavam um protesto na porta do hotel contra o crime perpetrado pela ANP. O presidente da CGTB, Ubiraci Dantas de Oliveira (Bira), disse que “entregar nossas reservas de petróleo para os monopólios transnacionais é entregar a vida de uma Nação”. O coordenador da FUP ( Federação Única dos Petroleiros), João Antonio de Moraes, citou as manifestações contra a 11ª Rodada, realizadas desde a última semana, em diversos estados do Brasil. “Ontem (13) no Ministério de Minas e Energia, em Brasília, ocupamos o lugar onde fica a gestão dessa política de exportação do nosso petróleo, para que eles fiquem cientes de que se o Brasil colocar este recurso à disposição do império norte-americano ou de qualquer outro continente não haverá petróleo para as nossas gerações futuras”. “Não temos dúvidas que, para reverter esta situação, é preciso força e mobilização, vide a campanha “O Petróleo é Nosso”, na época da criação da Petrobrás”, enfatizou.

Várias personalidades e entidades como a FUP e Sindipetros etaduais entraram com ações na Justiça denunciando o crime da entrega do petróleo cometido pela ANP. A ação judicial assinada pelo presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET), Silvio Sinedino Pinheiro, pelo vice da entidade, Fernando Siqueira, e pelo deputado federal Ivan Valente (Psol-SP) alerta que algumas áreas leiloadas pela ANP podem pertencer ao pré-sal e, portanto, não podem ser exploradas pelo regime de concessão.

Há alguns dias, dezenas de entidades sindicais e populares também enviaram carta à presidenta Dilma Roussef pedindo que ela suspendesse os leilões. “O povo brasileiro votou em Lula duas vezes e em Dilma no ano de 2010, ciente de que aquilo que foi feito nos governos anteriores não era bom para o Brasil. A esperança vencia o medo e exigia que as privatizações tivessem um basta”, diz um trecho da carta. “A extraordinária descoberta de petróleo na área chamada pré-sal, as enormes reservas de água, nosso território e nossas riquezas naturais exuberantes e, fundamentalmente, a capacidade de trabalho dos trabalhadores brasileiros acenam para a construção de um país com enormes potencialidades, com possibilidades de usar e bem distribuir estas riquezas. E é isto que vemos ameaçado nesse momento. Se as riquezas são tantas e boas para o país, por que entregar para as grandes empresas transnacionais as riquezas do povo brasileiro?”, indaga o documento.

O presidente da CUT-RJ, Darby Igayara, reafirmou que a central apoia e sempre apoiará a luta dos petroleiros e da sociedade brasileira em defesa do petróleo brasileiro. “Nós da CUT, junto às entidades de classe, mandamos um recado para o governo: chega de leilão, nós exigimos a soberania do petróleo. Não permitiremos que a nossa riqueza seja entregue às multinacionais e ao Eike Batista”. “A posição da nossa central é contra os leilões do petróleo e contra a desnacionalização do patrimônio do povo brasileiro. Nossa luta sempre foi contra a privatização do patrimônio público. Essa é uma luta de toda a classe trabalhadora, que precisa estar mobilizada contra a desnacionalização e privatização”, frisou o secretário geral da CTB-RJ, Ronaldo Leite.

“Esse ano completa 60 anos da conquista do monopólio estatal do petróleo e da criação da Petrobrás. Eu quero lembrar aqui uma grande companheira, líder das mulheres, que muito contribuiu na luta em defesa do nosso petróleo. A companheira Alice Tibiriçá, que foi presidente da Federação das Mulheres do Brasil”, disse a presidente da Federação das Mulheres Fluminenses e diretora da Confederação das Mulheres do Brasil (CMB), Conceição Cassano.

O presidente estadual do Partido Pátria Livre (PPL), Irapuan Ramos, saudou “essa unidade conseguida nesse ato para mostrar nossa indignação diante do que está acontecendo aqui em São Conrado. Não foi à toa que eles escolheram esse lugar bem escondidinho, de difícil acesso, porque se fosse no centro do Rio nós teríamos fechado a Avenida Rio Branco. E por que eles precisam se esconder? Porque o que se comete dentro desse hotel é um crime contra o nosso país e contra o nosso povo”, denunciou.

Em Sergipe, terceiro maior produtor de petróleo do Nordeste, os trabalhadores também protestaram contra o leilão da ANP. A CGTB-SE convocou o ato de repúdio à entrega do petróleo. José Arnaldo, coordenador da CGTB declarou que “os trabalhadores de Sergipe estão firmes na defesa da soberania nacional, pois o petróleo brasileiro pertence ao povo e não há nenhuma necessidade de entregá-lo às multinacionais”. O presidente estadual do Partido Pátria Livre, Manoel Messias, falou da necessidade de fortalecer a Petrobrás “pois esse leilão pode colocar em risco 30 bilhões de barris de petróleo que seriam entregues às multinacionais”. Participaram ainda do ato, Airton Costa, do PPL, Giovana Rocha , representando a Associação dos Moradores do Rosa do Sol e demais lideranças populares.

SÉRGIO CRUZ – HORA DO POVO

maio 14, 2013

“Privatizar não é a solução”: Entidades sociais e sindicais pedem que Dilma cancele leilão de petróleo

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“Entregar a exploração de nossas riquezas às transnacionais é erro estratégico”, diz carta
Em carta à presidenta Dilma Rousseff, assinada por dezenas de entidades, entre elas, a CUT, Contag, FUP, Federação Interestadual de Sindicato dos Engenheiros e outras, os movimentos populares e entidades sindicais pedem “o cancelamento dos leilões de petróleo” e o de hidrelétricas. “Entregar o petróleo e as hidrelétricas, que fazem parte do patrimônio da União ao capital internacional, será um erro estratégico”, apontam.
HORA DO POVO

Povo quer fim de leilão do petróleo, afirma carta de entidades a Dilma
CUT, FUP, Contag, Fisenge, MST e outras entidades e movimentos sociais pedem que Dilma cancele o leilão

Decididos a barrar o leilão do petróleo, previsto para estas terça e quarta-feira (14 e 15 de maio), e contra a privatização do setor elétrico, entidades de trabalhadores e movimentos sociais brasileiros enviaram uma carta à presidente Dilma Rousseff, assinada por diversas entidades, pedindo a suspensão do processo conduzido pela Agência Nacional do Petróleo e Gás (ANP) e advertindo a presidenta que o caminho das privatizações, que atingiu o auge no período neoliberal de FHC, é um erro estratégico que trará graves prejuízos ao Brasil e não é solução para o país.

Segue a íntegra da carta com algumas das dezenas de entidades que apoiam a iniciativa.

Carta à presidenta Dilma

Excelentíssima Senhora

Dilma Vana Rousseff

Presidenta da República do Brasil.

Brasília, 10 de Maio de 2013.

Excelentíssima,

Nós, movimentos populares e sindicais abaixo assinados, vimos, por meio desta, solicitar o cancelamento dos leilões de petróleo, previstos para os dias 14 e 15 de maio de 2013, bem como o cancelamento do processo, que prevê a privatização das hidrelétricas, de Três Irmãos em São Paulo e Jaguara em Minas Gerais, além de várias outras usinas, que podem significar cerca de 5.500 MW médios. Estes leilões significarão a retomada das privatizações em um dos setores mais estratégicos ao povo brasileiro. Entregar o petróleo e as hidrelétricas, que fazem parte do patrimônio da União ao capital internacional, será um erro estratégico.

Lembramos que o povo brasileiro, com seu trabalho e suas lutas, construiu um grande setor de energia no Brasil. A luta do “PETRÓLEO É NOSSO”, juntamente com a utilização dos nossos rios para a produção de energia elétrica nos propiciou, por muito tempo, que estas riquezas estivessem, em certa medida, sob controle nacional, uma vez que o controle estava garantido pelo Estado.

Foi, sem dúvida, no período dos governos de Collor e Fernando Henrique Cardoso, que este sistema foi sendo destruído e entregue ao capital internacional, sob o pretexto de que não servia mais para o nosso país. As melhores empresas públicas foram entregues para o controle das grandes corporações transnacionais, prejudicando nosso país e os trabalhadores.

Nessas ocasiões, os setores neoliberais se apropriaram do discurso falacioso da ineficiência do Estado, especialmente na gestão das empresas públicas, com o objetivo de iludir o povo brasileiro com falsas promessas e entregar o patrimônio público para o “mercado”.

Esta história nós já conhecemos bem. Depois da privatização, a energia elétrica aumentou mais de 400% (muito acima da inflação), trabalhadores foram demitidos e recontratados com salários menores e em piores condições e a qualidade da energia elétrica piorou muito. Quedas de energia, explosão de bueiros e apagões são consequências da privatização.

No setor do petróleo a realidade é semelhante, FHC quebrou o monopólio estatal e vendeu parte da Petrobras, e só não fez pior, porque foram derrotados na eleição de 2002.

Não é a toa que todo este processo foi chamado de PRIVATARIA. Mais de 150 empresas públicas – das melhores – acabaram sendo entregues aos empresários, a preços irrisórios.

O povo brasileiro votou em Lula duas vezes e em Dilma no ano de 2010, ciente de que aquilo que foi feito nos governos anteriores não era bom para o Brasil. A esperança vencia o medo e exigia que as privatizações tivessem um basta.

A extraordinária descoberta de petróleo na área chamada pré-sal, as enormes reservas de água, nosso território e nossas riquezas naturais exuberantes e, fundamentalmente, a capacidade de trabalho dos trabalhadores brasileiros, acenam para a construção de um país com enormes potencialidades, com possibilidades de usar e bem distribuir estas riquezas. E é isto que vemos ameaçado nesse momento.

Se as riquezas são tantas e boas para o país, por que entregar para as grandes empresas transnacionais as riquezas do povo brasileiro?

São as empresas do Estado Brasileiro, entre elas a Eletrobrás e a Petrobrás, que impulsionam o setor de energia em nosso país. É o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social-BNDES, quem financia as demandas do setor. São as empresas de pesquisa do Estado que fazem os estudos. São as empresas estatais, em especial, o Sistema Eletrobrás que está ofertando eletricidade a preços mais baratos. Então, por que não discutir com nosso povo, unir forças e buscar soluções para que, tanto o petróleo quanto a energia elétrica, fiquem nas mãos do Estado, com soberania nacional, distribuição de riquezas e controle popular?

É fundamental que todos nós tomemos posição neste momento tão importante para o destino da nação. Defendemos o cancelamento dos leilões, que irão privatizar o petróleo e as usinas hidrelétricas, que estão retornando para a União.

Não temos dúvida de que, se consultado, o povo brasileiro diria: Privatizar não é a Solução.

Certos de que seremos atendidos em nossas proposições, nos dispomos a discutir, mobilizar nosso povo, buscar a união de todos para que estas riquezas sejam do povo brasileiro e com controle do Estado. Nos colocamos à disposição para discutir com Vosso governo e com o povo brasileiro.

Sem mais, aguardamos resposta”.

Entre as entidades que assinam a carta estão: Central Única dos Trabalhadores (CUT), Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG), Federação Única dos Petroleiros (FUP), Federação Interestadual de Sindicato dos Engenheiros (FISENGE), Federação Nacional dos Urbanitários (FNU), Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), Sindicato Unificado dos Trabalhadores de Minas Gerais (Sind-UTE MG), Central dos Movimentos Populares (CMP), Federação Estadual dos Metalúrgicos – CUT/MG, etc.

LEITURA COMPLEMENTAR ( UM CLÁSSICO! )

A Mega-Mega Sena do petróleo. Roubada.
Aloysio Biondi
Revista Caros Amigos , março de 2000

O Brasil virou trilionário, mas o povo não sabe, o Congresso não sabe, e FHC vai entregar tudo

Nunca é demais repetir: o brasileiro ficou bilionário, ou trilionário, e não sabe. Não é exagero, não. Em fevereiro do ano passado, o campo de Marlim, explorado pela Petrobrás na bacia de Campos, produzia 200.000 barris de petróleo. Por dia. Um único campo. Agora, em janeiro de 2000, o mesmo campo produziu 400.000 barris por dia.

Qual o faturamento da Petrobrás, do governo brasileiro, com esta produção fantástica? É fácil fazer as contas: 400.000 barris por dia significam 12 milhões de barris por mês, ou algo como 150 milhões de barris por ano. Ao preço atual de 30 dólares o barril, são 4,5 bilhões (com a letra “b”) de dólares por ano, ou 9 bilhões de reais por ano. Mesmo que o preço atual, que está exagerado, venha a cair para 25 dólares o barril, o faturamento chegará a 3,75 bilhões de dólares, ou 7,5 bilhões de reais. Cifras fantásticas, e que vão ser duplicadas em poucos meses, pois os estudos da Petrobrás mostraram que as reservas da região permitem dobrar o número de poços perfurados. Serão, portanto, uns 18 bilhões de reais de faturamento por ano – e com uma margem de lucro fantástica. Por quê? Os poços da plataforma brasileira têm uma produção também espantosa, igual à obtida nos campos do Irã, Iraque, Arábia Saudita, com 7.000 a 10.000 barris produzidos por dia. Em cada poço. Assim, mesmo calculando todos os investimentos feitos, o custo de produção de cada barril não passa de 2,50 a 3 dólares, o que significa um lucro de 27 dólares o barril, ou 1.000 por cento, isto é, dez vezes o custo, por barril… Somente nesse campo de Marlim, portanto, o povo brasileiro pode faturar 18 bilhões de reais, o equivalente a um mês e meio da arrecadação federal. E há muitos outros campos de petróleo no litoral brasileiro, já descobertos pela Petrobrás, a serem explorados. Alguma dúvida diante da afirmação? Então, é só relembrar que, em janeiro, o presidente da República fez questão de anunciar pessoalmente (precisava de “marketing otimista”) a descoberta de um megacampo, Roncador, mais ao sul do litoral fluminense, e já situado na bacia de Santos (formação geológica equivalente à da bacia de Campos e que, apesar do nome, estende-se até o litoral do Rio). O que isso significa? Que Marlim e Roncador, juntos, feitos os mesmos cálculos, podem oferecer um faturamento de 36 bilhões (com “b”) por ano, cobrindo, sozinhos, mais de quatro meses de todas as despesas do governo federal (deixando de lado os juros, como o FMI faz). E por quanto tempo esses campos poderão ser explorados, com essa produção e esse faturamento? De quinze a vinte anos, representando portanto, multiplicando-se pelo valor de 36 bilhões de faturamento anual de 540 a 720 bilhões de reais. De meio trilhão a três quartos de trilhão. Uma fortuna. Uma fábula em apenas dois campos do litoral. Uma enxurrada de reais e dólares que poderiam, se usados para tirar o Brasil das mãos do FMI e dos credores internacionais, com recurso para investir, voltar a crescer, resolver problemas sociais, criar empregos. Voltar a ser um país, e não uma colônia-capacho dos países ricos. Não há exagero nenhum, portanto, em gritar aos quatro ventos que o povo brasileiro, com as reservas de petróleo, e mais ainda, com os campos fantásticos descobertos pela Petrobrás, tirou a Mega-Mega Sena. Virou trilionário. Mas não sabe disso. O povo não sabe, o Congresso não sabe. Por isso, o governo FHC prepara-se para nova rodada de leilões destinados a entregar o petróleo brasileiro a multinacionais. Ou, mesmo, já vem entregando indecentemente o petróleo descoberto peta Petrobrás, que pertence efetivamente a cada cidadão brasileiro, a meia dúzia de empresários nacionais e banqueiros nacionais e estrangeiros. Exemplo? O fantástico campo de Marlim, com sua produção de 400.000 barris/dia, por exemplo, foi “repartido” agora com meia dúzia de sócios que se juntaram em uma empresa de fundo de quintal para… fornecer parte do dinheiro necessário para duplicar a produção. Essa operação já seria um assalto contra a sociedade brasileira, mesmo que os “sócios” realmente desembolsassem a cifra de 1,5 bilhão de reais para financiar sua parte no projeto de exploração de Marlim. Nem isso existe. A empresoca de fundo de quintal tem um capital bruto de 200 milhões de reais e foi formada – como narrado em nosso livrinho O Brasil Privatizado – apenas… para tomar 1,2 bilhão de reais emprestados no exterior, que obviamente a própria Petrobrás poderia obter. Um negócio da China, um assalto, uma mina de ouro, capaz de faturar centenas de bilhões de reais, entregue por 200 tostõezinhos fajutos. A Mega-Mega Sena ganha pelo povo brasileiro, e que seria sua redenção, está sendo literalmente tungada pelo governo FHC. O Congresso Nacional não pode continuar impassível diante dessas aberrações. O povo brasileiro tem o direito de partilhar diretamente dos lucros da exploração do seu petróleo, através de vários caminhos, dos quais dois podem ser prontamente lembrados aos congressistas: utilização de 6 bilhões de reais “esquecidos” em contas do FGTS, e que foraqm reunidos em um fundo “congelado” (a Petrobrás teria bilhões para investir e os rendimentos das ações da empresa, no caso, pertenceriam ao FGTS, isto é, a todos os trabalhadores que contribuem para o fundo). A outra alternativa, diferente de proposta já cogitada pelo governo, é a venda de ações “novas”, relativas a um aumento de capital da empresa, para milhões de brasileiros, com um sistema igual ao adotado por Margaret Thatcher na Inglaterra: vendas a prestação, e com garantia de recompra pelo governo.

A esperança, hoje, está no Congresso, pois os sindicatos, como o dos petroleiros, e entidades como a Aepet – Associação dos Engenheiros da Petrobrás –, que tradicionalmente tomavam posição diante dos desmandos do governo, estão estranhamente silenciosos. Muito, muito estranhamente. Mesmo.

AOS SENHORES DO CONGRESSO
O Tesouro federal gastou 127 bilhões de reais de juros em 1999, graças às altas taxas de juros combinadas por FHC/Fraga/Malan com o FMI e países ricos Não é verdade que não seja possível decretar a “moratória” e romper com o FMI, para adotar uma política de interesse nacional. A prova? No final de janeiro, a Rússia fechou acordo com um bloco de banqueiros (Clube de Londres), aos quais devia 32 bilhões de dólares. Vai passar seis anos sem pagar nem um tostão de prestação, e terá mais vinte anos, a partir do sétimo ano, para quitar a dívida. De 32 bilhões? Não. De 22 bilhões de dólares. Os banqueiros cancelaram um terço dos débitos, isto é, “perdoaram” mais de 10 bilhões de dólares. A Rússia decretou a moratória, há um ano e meio.

AOS COLEGUINHAS
Semanas de noticiário sobre o novo salário mínimo. Vergonhoso o comportamento da imprensa, mais uma vez. Desde o começo, o governo mentiu sobre o “rombo” que os 100 dólares provocariam na Previdência. Mentira tripla, e grosseira: antes de mais nada, o governo somente falou no aumento das “despesas” com o pagamento aos aposentados, e fingiu esquecer o aumento das “receitas” com a cobrança maior das contribuições. Depois, calculou o rombo para um ano inteiro, embora o novo nível somente deva ser pago durante seis meses, e não doze. Finalmente, deixou de lado o aumento da arrecadação de impostos em geral, resultante do aumento do consumo que sempre ocorre com a elevação do mínimo. Tudo somado e subtraído, o pretenso rombo seria insignificante. Os jornalistas “técnicos” não se lembraram de nenhum desses argumentos. Deram as versões do governo, deslavadamente, a ponto de um colunista da ex-grande imprensa abrir 120 linhas para as mentiras do economista Edward Amadeo, subministro de Malan… E partiram para o xingamento puro e simples, chamando de “demagogos” quem defende o aumento do mínimo. Houve até uma chefe de sucursal que atribuiu a “defesa dos pobres” à tal síndrome das “saudades da senzala”… Saudade a gente tem, mesmo, é do tempo em que jornalistas tinham dignidade, e não se escravizavam a certos interesses.

abril 23, 2013

Fantástico show de falsificações contra portos e ferrovias do país ( Participação especial no logro: um dos personagens privatistas de FHC ) :

Globo alardeia caos logístico para forçar o Brasil a privatizar o setor sem pensar
Receita neoliberal só agravaria gargalos

Governo precisa é parar de represar os investimentos públicos para que Estado possa gerir setor a contento
O show de da Globo, no “Fantástico”, pregando a entrega de portos e ferrovias a aventureiros e negocistas, constituiu-se de mentiras, falsificações e estelionatos informativos, além de uma burrice indecente da repórter – o que não é surpresa – e de uma senhora algo avantajada que apresentou o programa. Até os capachos religiosos (os que fizeram do capachismo uma religião) pareciam constrangidos, menos o sr. Bernardo Figueiredo, hoje presidente da EPL, formatador da privatização das ferrovias no governo FHC, depois presidente da principal beneficiária [ grifo do blog ] dessa privatização que desativou 2/3 das linhas férreas do país, com os preços elevados a 103% do preço dos transportes rodoviários. Figueiredo não foi reconduzido pelo Senado à diretoria da ANTT por faltar-lhe os requisitos de reputação ilibada e competência técnica. Esse é o heroi da Globo.
HORA DO POVO

Que investimentos houve onde a logística foi privatizada?

A principal estrela dos 16 minutos que a Globo, no último “Fantástico”, dedicou às ferrovias, portos e ao (suposto) terrível descaso de Lula e Dilma para com eles, foi o sr. Bernardo Figueiredo, presidente da Empresa de Planejamento de Logística (EPL).
O show (pois reportagem aquilo não foi) constituiu-se de mentiras, falsificações e estelionatos informativos, além de uma burrice indecente por parte da repórter – o que não é surpresa – e de uma senhora algo avantajada que apresentou o programa.
No entanto, dos entrevistados, o único que mostrou uma inequívoca satisfação foi Figueiredo. Os outros, até os capachos de fé, pareciam sentir uma úlcera ou um corpo estranho adentrando-lhes, supomos, a alma. Eles sabem quando estão mentindo. O ministro dos Portos parecia constrangido – tão constrangido que assinou em seguida uma nota apontando algumas mentiras (v. matéria nesta página).
O único que estava, não somente à vontade, mas alegre, contente, exibindo-se para a Globo – e nem se abalou em assinar a nota conjunta do governo – era o sr. Figueiredo. O que é muito interessante, porque ele é o principal responsável pela elevação do preço do transporte ferroviário para, em média, 103% do preço do transporte rodoviário (há quase um consenso que aquele é, normalmente, pelo menos 30% mais barato que o último; exceto quando há um mágico escondendo cobras e engolindo espadas…).

CURRÍCULO
Figueiredo tem um currículo miraculoso: sob Fernando Henrique Cardoso, chefe de gabinete do presidente da Rede Ferroviária Federal, realizou os “estudos” para a privatização das ferrovias; em seguida, tornou-se presidente da principal beneficiária da privatização, a Interférrea (posteriormente denominada ALL, da qual o sr. Figueiredo foi membro do Conselho de Administração) e presidente da entidade das ferrovias privadas, a Associação Nacional de Transportes Ferroviários (ANTF); sabe-se lá como, tornou-se depois, sucessivamente, diretor da Valec, gerente de projeto do Programa de Parceria Público-Privada do Ministério do Planejamento, assessor especial da Casa Civil, e, logo, diretor-geral da ANTT – Agência Nacional de Transportes Terrestres (todas essas informações foram fornecidas pelo próprio Figueiredo: v. Diário do Senado Federal, 11/03/2008, Mensagem nº 50/2008, Curriculum Vitae, “Bernardo José Figueiredo Gonçalves de Oliveira”).
Dois dias depois de sua posse na ANTT, no dia 16/06/2008, Figueiredo entregou uma nova concessão ferroviária para a ALL, a Ferrovia Novoeste S.A. (Deliberação ANTT nº 258/08). Vinte e dois dias após, entregou à ALL outra concessão, a Ferronorte S.A. (Deliberação ANTT nº 289/08). Mais 33 dias, e ele entregou outra concessão para a ALL, a Ferroban, em São Paulo (Deliberação ANTT nº 359/08).
Mas não houve expansão da malha ferroviária. Pelo contrário, em seguida, a ANTT, sob a presidência de Figueiredo, “permitiu, sem nenhuma penalização, que as concessionárias desativassem, no todo ou em parte, o serviço de transporte ferroviário em 2/3 da malha concedida, sem realizar os diversos procedimentos relativos às solicitações de suspensão e supressão de serviços de transporte ferroviário e desativação de trechos” previstos pela própria ANTT (Resolução nº 44, 4/07/ 2002). Ou seja, sob a égide de Figueiredo, foram desativados, total ou parcialmente, 20 mil km de ferrovias, dos 29 mil km que constituem a malha ferroviária do país (ver a entrevista do próprio Figueiredo na Revista Ferroviária, março/2009, págs. 12 a 19).
Ao sabatiná-lo no Congresso, o senador Roberto Requião assim resumiu essa parte da carreira de Figueiredor:
“Com esses seus três atos relâmpagos (…), além dos 7.304 quilômetros de malha ferroviária, entregou 478 locomotivas, 14.371 vagões à ALL – da qual, através da Interférrea, o senhor foi presidente e depois membro do Conselho de Administração –, que já explorava a Malha Sul em decorrência do leilão de privatização. A ALL recebeu, não pelos bons serviços prestados, mais 4.446 quilômetros de ferrovias, 456 locomotivas, 13.548 vagões, o que representou colocar 11.750 quilômetros de linha, 934 locomotivas e 27.919 vagões nas mãos de um único operador logístico, ou seja, mais de 40% de todo o parque ferroviário nacional na empresa da qual anteriormente o senhor fazia parte como presidente da Interférrea e como membro do Conselho de Administração da ALL. (…) Essa concentração absurda de poder econômico, esse monopólio da ALL sobre 40% do parque ferroviário nacional nas regiões em que se concentra a maior parte do PIB brasileiro, ocorrida sob a sua gestão na ANTT, na minha opinião, é um escândalo. (…) É meu dever perguntar: o senhor considera ético que, durante a sua gestão na Diretoria Geral da ANTT e através de atos firmados pelo senhor, a ALL, empresa que o senhor estruturou, representou na concessão e dirigiu, cresça de modo incrível e ganhe essa dimensão gigantesca que hoje apresenta?”
Em sua resposta, Figueiredo tergiversou: por exemplo, disse que não formatou a privatização – mas isso estava em seu currículo, apresentado por ele quando foi conduzido pela primeira vez para a ANTT. O Senado recusou-se a reconduzi-lo para a ANTT, por faltar-lhe os requisitos de reputação ilibada e competência técnica.
Esse é o herói da Globo. A questão é: por que Figueiredo estava tão satisfeito, no meio de um programa que era uma mentirada contra o governo – em especial contra a presidente Dilma? Teria sido ele a fonte de tão sábios dados para a Globo?
Por exemplo: “Este ano o Brasil teve uma supersafra de grãos. E a comida ficou mais barata? Não. Porque o preço do transporte fica mais caro ano a ano”.
O peso dos transportes no aumento de preços dos alimentos que houve de agosto a dezembro do ano passado, foi, a bem dizer, insignificante. Tanto assim que os transportes continuam os mesmos e o preço dos alimentos está caindo desde janeiro. O que pesou nos preços foi a especulação financeira com papéis ancorados na produção de alimentos, promovida nas bolsas de mercadorias de Chicago e Nova Iorque (hoje a New York Mercantile Exchange – a bolsa de mercadorias de Nova Iorque – é uma filial da Chicago Mercantile Exchange. Um único grupo, com o seu entrelaçamento com os grandes bancos dos EUA, dirige a especulação mundial das commodities, com as inevitáveis consequências).

PÚBLICOS
No Brasil, os portos públicos permitiram que nossa corrente de comércio (exportações e importações) aumentasse de US$ 121,344 bilhões (2003) para US$ 482,285 bilhões (2011). O pequeno recuo de 2012 (US$ 465,728 bilhões) nada teve a ver com os portos, mas com a primarização das exportações, diminuindo a parcela de manufaturados e aumentando a parcela de bens primários (commodities).
Evidentemente, isso não quer dizer que não haja problemas: na própria matéria da Globo, o único dado real é um viaduto, obra do PAC, que encontra-se paralisado. O problema é falta de investimentos públicos – mas a Globo e o sr. Figueiredo preferem doar o patrimônio público a monopólios estrangeiros.
E, como é claro na lavagem de porco (nos perdoem os suínos) servida no “Fantástico”, não é para exportar manufaturados que eles querem privatizar os portos, mas para escalpelar o país dos seus minérios e da sua fenomenal produção de alimentos.
Pela privatização anterior do sr. Figueiredo, já sabemos onde isso acaba: ferrovias desativadas, portos abandonados, o país em crise pelo estrangulamento da infraestrutura e logística, e algumas multinacionais fazendo a farra às nossas custas.
CARLOS LOPES

abril 2, 2013

Requião: leilão de petróleo que a ANP marcou é um escândalo

Filed under: WordPress — Tags:, , , , , , — Humberto @ 6:01 pm

Entrega de 289 lotes é escândalo nacional
PT não foi eleito para dar o nosso petróleo a múltis, diz Requião
Senador condena rodada de leilões marcada para os dias 14 e 15 de maio
O senador Roberto Requião (PMDB-PR) afirmou na quarta-feira, no plenário do Senado, que a barragem de críticas da oposição e da mídia ao desempenho da Petrobrás é uma artimanha “para desviar a atenção dos brasileiros para o verdadeiro escândalo que se anuncia”. “O escândalo vai acontecer nos dias 14 e 15 de maio próximo. Nestes dias, a Agência Nacional de Petróleo leiloa 289 blocos de reservas de petróleo, distribuídos por 11 bacias sedimentares, um volume de 30 bilhões de barris de óleo”, denunciou o senador.

Senador denunciou que a ANP quer dar 30 bilhões de barris às múltis, duas vezes mais que as reservas confirmadas. “Não foi para isso que elegemos o PT”
O senador Roberto Requião (PMDB-PR) afirmou na quarta-feira (27), no plenário do Senado, que a barragem de críticas da oposição e da mídia ao desempenho da Petrobrás é uma artimanha “para desviar a atenção dos brasileiros para o verdadeiro escândalo que se anuncia”. “O escândalo vai acontecer nos dias 14 e 15 de maio próximo. Nestes dias, a Agência Nacional de Petróleo leiloa 289 blocos de reservas de petróleo, distribuídos por 11 bacias sedimentares. A senhora Magda Chambriard, diretora-geral da Agência, estima que o potencial desses blocos possa somar um volume de 30 bilhões de barris de óleo”, denunciou o senador.
“E atenção, senhoras e senhoras senadores. As reservas brasileiras de petróleo conhecidas hoje somam 14 bilhões de barris. Logo, o governo vai entregar para o mercado duas vezes mais que as nossas reservas confirmadas”, lembrou. “E quem serão os felizardos ganhadores desse mega leilão?”, indagou o parlamentar. O próprio Requião respondeu, citando denúncia do sindicalista Emanuel Cancella, diretor do Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro e da Federação Nacional dos Petroleiros.
“Ele [Cancella] faz uma gravíssima observação, em artigo publicado no sítio do jornalista Luís Carlos Azenha. Diz que, se nos leilões anteriores, a Petrobrás teve uma posição arrojada, arrematando a maior parte dos blocos, reduzindo as perdas para a nação, desta vez a empresa entrará na disputa de mãos atadas, sob a síndrome do prejuízo que lhe foi imputado falsamente, já que teve um lucro de 21 bilhões de reais”, revela Requião.
O senador paranaense cobrou que “a oposição e a mídia falam muito de supostos erros gerenciais da estatal, mas silenciam sobre o leilão, omitem-se e assim acobertam o verdadeiro escândalo que o governo e a Agência Nacional de Petróleo vão patrocinar, com data e hora marcadas”. “Não ouço das irmãs siamesas – oposição e mídia- nenhum pio, por miúdo que fosse. Tão diligentes, tão cuidadosas com as trapalhadas petrolíferas da Petrobrás no mercado, calam-se diante deste megaescândalo que se anuncia. Ficaria encantado se oposição, também neste caso, manifestasse ímpetos de verde-amarelismo, como no caso que a entretém”, destacou.
Requião lembrou que “ao contrário da disposição manifestada nos leilões anteriores, vê-se agora uma Petrobrás acuada, diminuída, sensível à pesadíssima barragem de notícias negativas, dos ataques, e da manipulação de informações de que está sendo vítima”.
“A senhora [Graça] Foster, fazendo poses de executiva responsável”, prosseguiu o peemedebista, “gasta todo o seu tempo para acalmar e agradar a oposição, a mídia e o mercado. Reage com extrema timidez e excesso de bons modos à corrosão da imagem da empresa”. A mesma reação tíbia da base do governo, a que pertenço, e do próprio governo.
Requião lembra que as mudanças da lei do petróleo, no governo Lula, adotando o modelo de compartilhamento e fazendo da Petrobrás operadora única do pré-sal, despertou a ira dos multinacionais. E citando informações do sindicalista sobre telegramas trocados entre as multinacionais vazados pelo Wikileaks, ele afirma que elas decidiram agir com cautela “para não despertar o nacionalismo dos brasileiros”. “Talvez a cautela dê bons resultados no próximo leilão, diante de uma Petrobrás fragilizada pelos ataques”, diz o senador.
“Não quero dizer que a oposição esteja agindo em conluio com as sete irmãs, e algumas primas, do petróleo mundial. Embora, às vezes, a mais alucinada das teorias da conspiração revele-se verdade factual. E eu que já declarei aqui ter medo de fantasmas, dessas almas penadas que teimam nos assombrar com as idéias fossilizadas da casa grande, reconheço que também acredito em bruxas e conspirações”.
Segundo Requião, além da barragem de fogo da mídia, da oposição e do mercado, Emanuel Cancella alerta ainda que a interminável discussão sobre os royalties do petróleo desvia a atenção dos brasileiros da 11ª rodada de leilões da ANP: “Os royalties funcionam como ‘boi de piranha’. Mas enquanto as piranhas comem um boi, passa a boiada. Enquanto se discute os royalties que representam 10 por cento da indústria do petróleo, as multinacionais levam os 90 por cento”, alerta.
“Os meios de comunicação, especialmente a Rede Globo, que promoveu uma irônica contrafação da campanha “o petróleo é nosso”, deram uma contribuição inestimável para afastar da preocupação dos brasileiros desse atentado contra a nossa soberania”, denunciou Requião. “Provavelmente não se conheça na história recente de nosso planeta uma atividade econômica tão cercada de conspirações, golpes de Estado, guerras, assassinatos, violência quanto à exploração do petróleo”, acrescentou.
“A disputa por essa fonte de energia”, destacou Requião, “marcou as grandes crises internacionais no final do século 19, durante todo o século 20 e nesta primeira década do século 21”. “Do assalto norte-americano ao México, há um século, à invasão do Iraque, que faz dez anos, até a deposição de Muamar Kadafi, há um ano, o petróleo é o senhor da guerra”, alertou. “O petróleo foi – e é – um dos produtos simbólicos do neo-colonialismo, do poderio das transnacionais”.
“O oval da Esso, a concha da Shell, a estrela da Texaco eram os alvos mais destacados, imediatos, dos povos que lutavam para sacudir o jugo imperial. As sete irmãs, e suas contraparentes nacionais, mudaram os métodos, civilizaram-se. Trocaram o “big stick” pelos afagos, por seduzir e corromper. Substituíram as tropas e os canhões pela abdução dos meios de comunicação, hoje sua infantaria na conquista da opinião pública, na submissão dos poderes constituídos, na subordinação dos agentes públicos”, lembrou.
E, citando novamente o sindicalista Emanuel Cancella, Requião diz ter a impressão de estar assistindo “o grande conluio entre as classes dominantes e seus representantes em todas as esferas – executivo, legislativo, judiciário, grande mídia – para desviar a atenção do que realmente importa, deixando o povo desnorteado e confuso. Parecem compactuar com o que disse o primeiro diretor-geral da ANP, David Zilberstein, então no governo de Fernando Henrique Cardoso, para uma platéia de megaempresários: “O petróleo é vosso!”
Ao final do discurso, a senadora Vanessa Graziotin (PCdoB-AM) aparteou o senador Requião para defender a 11ª rodada de leilões de petróleo, dizendo que “todo o país quer o leilão” que já “deveria ter sido feito há muito tempo” e que o governo estava tendo “coragem para realizá-lo”. Requião rebateu a senadora amazonense, dizendo que discorda de sua posição e de seu partido e que “esta coragem é a mesma que está privatizando os portos, aeroportos, ferrovias e estradas no país”. “Não foi para isso que elegemos o PT, não foi para isso que seguimos o presidente Lula nos últimos anos. Se é para privatizar, deixem que os tucanos sabem fazer isso muito melhor”, concluiu o senador paranaense.

HORA DO POVO

março 30, 2013

Requião exorciza os fantasmas do passado e alerta contra os atuais

O senador Roberto Requião (PMDB-PR), em discurso no Senado, disse que em suas recentes viagens à Polônia e à Suécia, ao ler notícias do Brasil, foi frequentemente assaltado por espectros do passado, todos, “em coro de tragédia grega”, propondo a volta das velhas e falidas políticas neoliberais. Ele ironizou a mídia, a oposição e os ex-ministros do governo FHC que, nas últimas semanas, têm proposto arrocho.
HORA DO POVO

Falta ao país uma política de desenvolvimento nacional, cobra Requião no Senado
O senador Roberto Requião (PMDB-PR) discursou da tribuna do Senado, na última quarta-feira (20), ironizando a mídia, a oposição e os ex-ministros do governo FHC que, nas últimas semanas, têm subido o tom propondo arrocho, desemprego e elevação dos juros. Para o senador, o que se vê é um cortejo de fantasmas, que procura “aterrorizar o país com idéias fossilizadas que, quando aplicadas, quebraram o Brasil por três vezes”.
Segundo Requião, em suas recentes viagens à Polônia e à Suécia, ao ler notícias do Brasil, foi frequentemente assaltado por espectros do passado, todos, “em coro de tragédia grega”, propondo a volta das velhas e falidas políticas neoliberais.
O senador também fez observações críticas sobre a política econômica do atual governo, que chamou de “picadinho variado”. Para Requião, enquanto o país não se reunir em torno de um programa nacional de desenvolvimento, com tática e estratégia bem definidas, viveremos de sobressaltos, aos trancos e barrancos, permitindo até mesmo que velhos fantasmas, de passado nada recomendável, voltem à cena e opinem. “Como no filme ‘Poltergeist’, um dos clássicos do cinema de terror dos anos 80, as assombrações surgiam, reproduziam-se, envolviam-me. Mesmo que fantasmagóricas, ilusivas, era possível reconhecer as aparições”, disse.
“E lá vinham os avejões dos irmãos Mendonça de Barros, o Luiz Carlos e o José Roberto. O primeiro, nada amistoso para a circunstância de desencarnado, interpelava a presidente Dilma, acusando-a de impor “condições inaceitáveis” às concessionárias privadas. Nos limites da irresponsabilidade, reivindicava “condições de mercado” para as privatizações petistas, semelhantes às da entrega da telefonia, da Vale, das ferrovias e comezainas da espécie, como diriam os portugueses”, acrescentou.
“Mal se evaporam os Mendonças, emergem do vazio as barbas brancas de Gustavo Loyola, tantas vezes colocadas de molho. Professoralmente, elas advertem: o Brasil não está preparado para conviver com taxas de juros estruturalmente menores. Proclamada a nossa incapacidade atávica de se libertar dos usurários, as barbas do ex-presidente do Banco Central desmancham-se em mil fios. Enquanto opera-se o prodígio, coça-me uma pergunta: “Seriam os ares tropicais ou a nossa tão celebrada mulatice responsáveis por essa inabilitação a desenredar-se da agiotagem?”.
Não faltaram ironias do senador com os “comentaristas” econômicos da mídia golpista, que no afã de agradar a banca especulativa, gritavam contra os números do governo em defesa de mais superávits primários. “Nem bem se dissolve o coro dos financistas, colunistas e avizinhados, vejo formando-se novo préstito cantante”, disse Requião. “São editorialistas dos jornalões, apresentadores e comentaristas de televisão, economistas e analistas do mercado, e os inefáveis oradores da oposição. Esvoaçam, adejam sem qualquer graça ou arte, desafinam na cantoria, um cantochão maçante, cujo estribilho repete sem parar , como o corvo de Poe, “contabilidade criativa”, contabilidade criativa”, ‘contabilidade criativa’”, prosseguiu.
Requião completou o discurso criticando também as políticas do governo (ou falta delas), falando sobre sua chegada ao Brasil. “Aportado o Brasil, de outra qualidade são os meus espantos. Aterroriza-me não a contabilidade criativa, e sim a ideologia do superávit primário. Desassossega-me não o aumento da inflação, e sim corrosão de nossa base industrial, sucateando-se ao céu aberto da incúria governamental”, denunciou.
“Alvoroça-me não o crescimento da inadimplência, e sim a fragilidade de uma política econômica que se ancora no consumo, no crédito consignado e na exportação de commodities. Assusta-me não a expansão dos gastos públicos, e sim a paralisia das obras de infraestrutura; a execução lentíssima, sonolenta do Orçamento da União. De que têm medo os nossos próceres ministeriais? Intimidam-nos a insepulta Delta ou o libérrimo Cachoeira?”
“Apavora-me não o desacordo em relação às metas, e sim, as próprias metas, camisa de força imposta pelo mercado, pela financeirização da economia, que certa esquerda transforma bandeira para ser vista como “responsável”, “moderna”.
“Argh!!! Estarrecem-me não as privatizações, e sim o abuso, o desregramento das concessões, superando até mesmo toda fobia privatista de Margareth Thatcher, como se vê agora no caso dos portos”, destaca o senador.
E conclui dizendo que falta política econômica e um programa para o Brasil do campo progressista, já que, segundo ele, “a oposição de direita sabe o que quer”. “Assombra-me não o picadinho variado das medidas do Ministério da Fazenda, e sim a falta de uma Política Econômica que se enquadrasse em um Programa para o Brasil, doutrinariamente à esquerda, fundado na solidariedade, na distribuição da renda e dos benefícios do avanço tecnológico, na prevalência, sempre, dos interesses populares e nacionais”, completa Requião.

março 27, 2013

O que o Estado brasileiro ganha financiando as multinacionais?

Filed under: WordPress — Tags:, , , , , — Humberto @ 8:13 pm

Por MAURO SANTAYANA (*)

O governo brasileiro tem tratado com deferência o Sr. Emilio Botin, dono do Grupo Santander, já investigado pela justiça espanhola, entre outras coisas, por remessas ilegais de dinheiro para o exterior e duvidosas contas na Suíça, pertencentes à sua família desde os tempos do franquismo. Ele comanda um grupo que teve que pegar, direta e indiretamente, no ano passado – em dinheiro e títulos colocados no mercado – mais de 50 bilhões de euros emprestados; demitiu dois mil empregados no Brasil no mesmo período, e teve uma queda de 49% em seu lucro global nos últimos 12 meses, devido, entre outras razões, a provisões para atender a ativos imobiliários “podres” no mercado espanhol.
A mera leitura dos comentários dos internautas espanhóis sobre o Sr. Botin daria, a quem estivesse interessado, idéia aproximada de como ele é visto em seu próprio país, e de como há quem preveja, com base em argumentos financeiros, que a bicicleta do Santander pode parar de rodar nos próximos meses, com a quebra do grupo ou, pelo menos, de seu braço controlador, ainda em 2013.
Nos últimos dez anos, as remessas de lucro para as matrizes de multinacionais – muitas delas estatais controladas direta ou indiretamente por governos estrangeiros – chegaram, no Brasil, a US$ 410 bilhões, ou pouco mais que nossas reservas internacionais, duramente conquistadas no mesmo período.
Ora, se as multinacionais trazem dinheiro, e contribuem para aumentar o clima de competição em nossa economia, é natural que elas mandem seus lucros para o exterior. O problema, é que, na indústria, na área de infra-estrutura ou de telecomunicações, quem está colocando o dinheiro somos nós mesmos.
O BNDES tem colocado a maior parcela de recursos, e assumido a maior parte do risco, em empresas que mandam, apesar disso, ou por causa disso mesmo, bilhões de dólares para seus acionistas no exterior, todos os anos. Mais de 70% da nova fábrica da Fiat em Pernambuco foi financiada com dinheiro público. A Telefónica da Espanha recebeu do BNDES mais de 4 bilhões de reais em financiamento para expansão de “infraestrutura” nos últimos anos. E mandou mais de um bilhão e seiscentos milhões de dólares para seus acionistas espanhóis, que controlam 75% da Vivo, nos sete primeiros meses do ano passado.
A OI, que também recebeu dinheiro do BNDES, emprestado, e era a última esperança de termos um “player” de capital majoritariamente nacional em território brasileiro, corre o risco de se tornar agora uma empresa portuguesa, com a entrega de seu controle à Portugal Telecom, na qual o governo português – que já dificultou inúmeras vezes a compra de empresas lusitanas por grupos brasileiros, no passado – conserva mecanismos estratégicos de controle.
Empresas estatais estrangeiras, como a francesa ADP (Aeroportos de Paris) ou a DNCS, que montará aqui os submarinos comprados pelo Brasil à França, pertencem a consórcios financiados com dinheiro público brasileiro. Essa é a mesma fonte dos recursos que serão emprestados às multinacionais que vierem a participar das concessões de rodovias (com cinco anos de carência para começar a pagar) e de ferrovias, incluindo o trem-bala Rio-São Paulo.
A Caixa Econômica Federal, adquiriu, por sete mil reais, em julho, pequena empresa de informática e depois nela se associou minoritariamente à IBM . No mês seguinte, depois de constituída a nova sociedade, agora controlada pelos norte-americanos, com ela celebrou, sem licitação, contrato de mais de um bilhão e meio de reais – operação que se encontra em investigação pelo TCU.
Qual é o lucro que o Estado brasileiro leva, financiando, direta e indiretamente, a entrada de empresas estrangeiras de capital privado e estatal em nosso território para, em troca, em lugar de reinvestirem os seus lucros por aqui, continuarem mandando tudo o que podem para fora ?
Com a queda dos juros no exterior por causa da crise e da recessão que assolam a Europa e o Japão, existe liquidez bastante para que essas empresas busquem dinheiro lá fora para bancar, pelo menos, a parte majoritária de seus investimentos no Brasil.
Os chineses, por exemplo, têm dinheiro suficiente para financiar tudo o que fizerem no Brasil, sem tomar um centavo com o BNDES. Usar o banco para aumentar o conteúdo nacional nos projetos é inteligente. Mas, se estamos financiando empresas estatais estrangeiras, por que não podemos financiar nossas próprias estatais, não apenas para diminuir a sangria bilionária, em dólares, para o exterior, mas também para regular o mercado e os serviços prestados à população, como já ocorre com os bancos públicos no mercado financeiro?
Não se trata de expulsar ou discriminar o capital estrangeiro. Mas o bom sócio tem que trazer, ao menos, know-how e dinheiro próprio. A China sempre tratou – até por uma questão cultural – com superioridade quem quer investir lá dentro, e cresceu quase dez por cento ao ano, nos últimos 20 anos, porque sempre entendeu ser o mercado interno seu maior diferencial estratégico.
Aqui, continuamos financiando a entrada de empresas estrangeiras com dinheiro público, dando-lhes terrenos de graça, isentando-as de impostos, como se não fôssemos a sétima economia do mundo.
O desenvolvimento nacional tem que estar baseado no tripé capital estatal, capital privado nacional, e capital estrangeiro. Nosso dinheiro, parco com relação aos desafios que enfrentamos no contexto do crescimento da economia, deve ser prioritariamente reservado para empresas de controle nacional, que, caso sejam privadas, se comprometam a não se vender para a primeira multinacional que aparecer na esquina. Quem vier de fora, que traga seu próprio dinheiro, e o invista, preferivelmente, em novos negócios, que possam expandir o número de empregos, a estrutura produtiva e aumentar a parcela de recursos disponíveis para o investimento.

(*) Colunista político do Jornal do Brasil. Foi redator-secretário da Ultima Hora (1959). Texto publicado na Carta Maior com o título “A República e as multinacionais”.

PUBLICADO NO HORA DO POVO

agosto 15, 2012

Os minérios e o interesse nacional, Por Mauro Santayana

Filed under: WordPress — Tags:, , , — Humberto @ 6:19 pm

As empresas mineradoras, quase todas estrangeiras ou com forte participação de capital externo, ameaçam ir à Justiça contra o governo brasileiro. Alegam “direitos minerários”. Razão alegada: o Ministério de Minas e Energia e o Departamento Nacional de Produção Mineral, a ele subordinado, não têm emitido novas licenças para pesquisas de lavras, nem outorgas de concessão do direito de minerar. Segundo informações oficiosas, e não oficiais, a ordem é do Planalto.
A matéria sobre o assunto, publicada sexta-feira pelo jornal Valor, não esclarece de que “direitos minerários” se trata. Pelo que sabemos, e conforme a legislação a respeito, o subsolo continua pertencendo à União, como guardiã dos bens comuns nacionais. A União pode, ou não, conceder, a empresas brasileiras, o direito de pesquisa no território brasileiro e o de explorar esses recursos naturais, dentro da lei. Nada obriga o Estado a atender aos pedidos dos interessados. A Constituição de 1988, e sob proposta da Comissão Arinos, apresentada pelo inexcedível patriota que foi Barbosa Lima Sobrinho, havia determinado que tais concessões só se fizessem a empresas realmente nacionais: aquelas que, com o controle acionário de brasileiros, fossem constituídas no Brasil, nele tivessem sua sede e seus centros de decisão.
O então presidente Fernando Henrique Cardoso, com seus métodos peculiares de convencimento, conseguiu uma reforma constitucional que tornou nacionais quaisquer empresas que assim se identificassem, ao revogar o artigo 171 da Constituição, em 15 de agosto de 1995, com a Emenda nº 6. Ao mesmo tempo, impôs a privatização de uma das maiores e mais bem sucedidas mineradoras do mundo, a nossa Vale do Rio Doce.
É bom pensar pelo menos uns dois minutos sobre a América Latina, seus recursos minerais e a impiedosa tirania ibérica sobre os nossos povos. A prata de Potosi – e de outras regiões mineiras do Altiplano da Bolívia – fez a grandeza da Espanha no século 17. O ouro e os diamantes de Minas, confiscados de nosso povo pela Coroa Portuguesa, financiou a vida da nobreza parasita da Metrópole, que preferiu usar o dinheiro para importar produtos estrangeiros a criar manufaturas no país. As astutas cláusulas do Tratado de Methuen, firmado entre Portugal e a Inglaterra, em 1703, pelo embaixador John Methuen e o Conde de Alegrete, foram o instrumento dessa estultice. Assim, o ouro de Minas financiou a expansão imperialista britânica nos dois séculos que se seguiram.
A luta em busca do pleno senhorio de nosso subsolo pelos brasileiros é antiga, mas se tornou mais aguda no século 20, com a intensa utilização do ferro e do aço na indústria moderna. Essa luta se revela no confronto entre os interesses estrangeiros (anglo-americanos, bem se entenda) pelas imensas jazidas do Quadrilátero Ferrífero de Minas, tendo, de um lado, o aventureiro Percival Farquhar e, do outro, os nacionalistas, principalmente mineiros, como os governadores Júlio Bueno Brandão e Artur Bernardes.
Bernardes manteve a sua postura quando presidente da República, ao cunhar a frase célebre: minério não dá duas safras. Essa frase foi repetida quarta-feira passada, pelo governador Antonio Anastasia, ao reivindicar, junto ao presidente do Senado, José Sarney, a aprovação imediata do novo marco regulatório, que aumenta a participação dos estados produtores nos lucros das empresas mineradoras, com a elevação dos royalties devidos e que, em tese, indenizam os danos causados ao ambiente.
Temos que agir imediatamente, a fim de derrogar toda a legislação entreguista do governo chefiado por Fernando Henrique, devolver a Vale do Rio Doce ao pleno controle do Estado Nacional e não conceder novos direitos de exploração às empresas estrangeiras, dissimuladas ou não. E isso só será obtido com a mobilização da cidadania.
*Mauro Santayana é jornalista. Artigo publicado no portal Carta Maior
( HORA DO POVO )

fevereiro 1, 2012

Presidente da Infraero avisa que a estatal não vai incomodar e o aeroporto privado fará o que quiser

Filed under: WordPress — Tags:, , , , — Humberto @ 5:12 pm

Dos 66 aeroportos administrados pela Infraero, apenas sete são rentáveis e são exatamente esses – os de Guarulhos (Cumbica), Campinas (Viracopos) e Brasília (Juscelino Kubischek) – que o governo pretende privatizar na próxima segunda-feira (6). O filé mignon vai ser leiloado enquanto os terminais deficitários terão que ser assumidos pelo Estado.
O aeroporto de Cumbica, por exemplo, tem um resultado líquido de R$ 190 milhões por ano. Atualmente os recursos obtidos pela Infraero nos grandes aeroportos são usados nos aeroportos deficitários. Esses três aeroportos movimentam 30% dos passageiros, 57% das cargas e 19% das aeronaves do sistema brasileiro. Com a decisão de colocar o BNDES para regar os consórcios com polpudos recursos públicos (até 90% dos investimentos) e com a determinação de que eles tenham obrigatoriamente a presença de empresas estrangeiras na sociedade, as operadoras multinacionais, em dificuldades em seus países de origem, estão soltando foguetes.
Isso sem falar que a Infraero será também obrigada a entrar na sociedade de propósito específico (SPE) que administrará o aeroporto privatizado como sócia minoritária (49%), ou seja, a estatal terá que entrar com recursos para sustentar os negócios, mas sem nenhum poder de decisão, como admitiu o presidente da Infraero, Gustavo do Vale, na segunda-feira (31), ao jornal Valor Econômico: “Nós vamos participar do conselho de administração, como faz todo sócio que tem 49% de participação acionária, mas sem interferir em nenhum momento na operação do aeroporto”. “O poder de veto é aquele que existe na Lei 6.404 (Lei das SA). A Infraero terá 49%. E nada impede que o consórcio vencedor faça o que quiser com os 51% dele”, insisitu ele, para negar que a Infraero vá ter poder de veto nos negócios privados nos aeroportos. Uma tentativa de tornar atraente o negócio dos aeroportos para os compradores, principalmente os estrangeiros.
Com muita pressa e insistindo na intenção de desnacionalizar os aeroportos mais rentáveis do país, sequer um pedido para adiar o leilão de privatização e permitir a participação do maior número de concorrentes foi aceito pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). O pedido foi feito pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic). O leilão está previsto para ocorrer na sede da Bolsa de Valores de São Paulo.
Os trabalhadores do setor também vêm protestando intensamente contra a volta das privatizações, que eram a marca registrada da política tucana, e que haviam sido interrompidas no governo Lula. Em carta divulgada na semana passada, o Comitê Contra a Privatização dos aeroportos foi incisivo ao denunciar que a concessão de Viracopos, Guarulhos e Brasília, considerando que “será um verdadeiro desastre econômico para a nação”, servindo apenas para atender à “cobiça internacional” sobre nossas riquezas e à “entrega do patrimônio nacional nas mãos do capital estrangeiro”. “Estamos não apenas na iminência de uma privatização, mas também da desnacionalização da riqueza do país”.
O resultado dessas benesses todas anunciadas pelo governo é que já são mais de dez as multinacionais interessadas na privatização. A norte-americana ADC & HAS e a espanhola OHL são algumas das multinacionais que se associaram a empresas brasileiras para candidatar-se ao butim. Há também outros grupos da França, Alemanha, Suíça e Portugal de olho nos aeroportos brasileiros.
Essa privatização vai ter como consequência também um aumento importante das passagens aéreas. É o que informam os funcionários da Infraero: “novas [tarifas] que serão criadas, por exemplo, taxa de conexão”. “Hoje com todos os aeroportos da rede Infraero o passageiro paga uma taxa de embarque e se fizer 10 conexões para chegar ao destino não paga nenhuma outra taxa aeroportuária, com a privatização, cada aeroporto ficará para uma concessionária. Cada conexão em aeroporto de administrador diferente o passageiro pagará a taxa de conexão, que será a taxa de embarque para o administrador local”, denunciam. As companhias aéreas já avisaram que toda taxa nova que vier a existir em decorrência da concessão irão repassar no preço final ao passageiro. Portanto vai ser criado mais um pedágio, o “pedágio aéreo”. ( HORA DO POVO )

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