ENCALHE ( Descontinuado em 05.10.2013 )

agosto 30, 2013

Livro “O Príncipe da Privataria” mostra como FHC torrou o patrimônio público a preço de banana e ganhou sua reeleição

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Livro bomba: O príncipe da privataria

Do sítio da Editora Geração:

Uma grande reportagem, 400 páginas, 36 capítulos, 20 anos de apuração, um repórter da velha guarda, um personagem central recheado de contradições, poderoso, ex-presidente da República, um furo jornalístico, os bastidores da imprensa, eis o conteúdo principal da mais nova polêmica do mercado editorial brasileiro: O Príncipe da Privataria – A história secreta de como o Brasil perdeu seu patrimônio e Fernando Henrique Cardoso ganhou sua reeleição (Geração Editorial, R$ 39,90).

Com uma tiragem inicial de 25 mil exemplares, um número altíssimo para o padrão nacional, O Príncipe da Privataria é o 9° título da coleção História Agora da Geração Editorial, do qual faz parte o bombástico A Privataria Tucana e o mais recente Segredos do Conclave.

O personagem principal da obra é o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o autor é o jornalista Palmério Dória, (Honoráveis Bandidos – Um retrato do Brasil na era Sarney, entre outros títulos). A reportagem retrata os dois mandatos de FHC, que vão de 1995 a 2002, as polêmicas e contraditórias privatizações do governo do PSDB e revela, com profundidade de apuração, quais foram os trâmites para a compra da reeleição, quem foi o “Senhor X” – a misteriosa fonte que gravou deputados confessando venda de votos para reeleição – e quem foram os verdadeiros amigos do presidente, o papel da imprensa em relação ao governo tucano, e a ligação do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) com a CIA, além do suposto filho fora do casamento, um ”segredo de polichinelo” guardado durante anos…

Após 16 anos, Palmério Dória apresenta ao Brasil o personagem principal do maior escândalo de corrupção do governo FHC: o “Senhor X”. Ele foi o ex-deputado federal que gravou num minúsculo aparelho as “confissões” dos colegas que serviram de base para as reportagens do jornalista Fernando Rodrigues publicadas na Folha de S. Paulo em maio de 1997. A série “Mercado de Voto” mostrou da forma mais objetiva possível como foi realizada a compra de deputados para garantir a aprovação da emenda da reeleição. “Comprou o mandato: 150 deputados, uma montanha de dinheiro pra fazer a reeleição”, contou o senador gaúcho, Pedro Simon. Rodrigues, experiente repórter investigativo, ganhou os principais prêmios da categoria no ano da publicação.

Nos diálogos com o “Senhor X”, deputados federais confirmavam que haviam recebido R$ 200 mil para apoiar o governo. Um escândalo que mexeu com Brasília e que permanece muito mal explicado até hoje. Mais um desvio de conduta engavetado na Era FHC.

Porém, em 2012, o empresário e ex-deputado pelo Acre, Narciso Mendes – o “Senhor X” –, depois de passar por uma cirurgia complicada e ficar entre a vida e a morte, resolveu contar tudo o que sabia.

O autor e o coautor desta obra, o também jornalista da velha guarda Mylton Severiano, viajaram mais de 3.500 quilômetros para um encontro com o “Senhor X”. Pousaram em Rio Branco, no Acre, para conhecer, entrevistar e gravar um homem lúcido e disposto a desvelar um capítulo nebuloso da recente democracia brasileira.

O “Senhor X” aparece – inclusive com foto na capa e no decorrer do livro. Explica, conta e mostra como se fazia política no governo “mais ético” da história. Um dos grandes segredos da imprensa brasileira é desvendado.

20 anos de apuração
Em 1993, o autor começa a investigar a vida de FHC que resultaria neste polêmico livro. Nessas últimas duas décadas, Palmério Dória entrevistou inúmeras personalidades, entre elas o ex-presidente da República Itamar Franco, o ex-ministro e ex-governador do Ceará Ciro Gomes e o senador Pedro Simon, do PMDB. Os três, por variadas razões, fizeram revelações polêmicas sobre o presidente Fernando Henrique e sobre o quadro político brasileiro.

Exílio na Europa
Ao contrário do magnata da comunicação Charles Foster Kane, personagem do filme Cidadão Kane, de Orson Welles, que, ao ser chantageado pelo seu adversário sobre o seu suposto caso extraconjugal nas vésperas de uma eleição, decide encarar a ameaça e é derrotado nas urnas devido a polêmica, FHC preferiu esconder que teria tido um filho de um relacionamento com uma jornalista.

FHC leva a sério o risco de perder a eleição. Num plano audacioso e em parceria com a maior emissora de televisão do país, a Rede Globo, a jornalista Miriam Dutra e o suposto filho, ainda bebê, são “exilados” na Europa. Palmério Dória não faz um julgamento moralista de um caso extraconjugal e suas consequências, mas enfatiza o silêncio da imprensa brasileira para um episódio conhecido em 11 redações de 10 consultadas. Não era segredo para jornalistas e políticos, mas como uma blindagem única nunca vista antes neste país foi capaz de manter em sigilo em caso por tantos anos?

O fato só foi revelado muito mais tarde, e discretamente, quando Fernando Henrique Cardoso não era mais presidente e sua esposa, Dona Ruth Cardoso, havia morrido. Com um final inusitado: exame de DNA revelou que o filho não era do ex-presidente que, no entanto, já o havia reconhecido.

Na obra, há detalhes do projeto neoliberal de vender todo o patrimônio nacional. “Seu crime mais hediondo foi destruir a Alma Nacional, o sonho coletivo”, relatou o jornalista que desvendou o processo privativista da Era FHC, Aloysio Biondi, no livro Brasil Privatizado.

O Príncipe da Privataria conta ainda os bastidores da tentativa de venda da Petrobras, em que até a produção de identidade visual para a nova companhia, a Petrobrax, foi criada a fim de facilitar o entendimento da comunidade internacional. Também a entrega do sistema de telecomunicações, as propinas nos leilões das teles e de outras estatais, os bancos estaduais, as estradas, e até o suposto projeto de vender a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil. “A gente nem precisa de um roubômetro: FHC com a privataria roubou 10 mil vezes mais que qualquer possibilidade de desvio do governo Lula”, denuncia o senador paranaense Roberto Requião.

Sobre autor:
Palmério Dória é repórter. Nasceu em Santarém, Pará, em 1949 e atualmente mora em São Paulo, capital. Com carreira iniciada no final da década de 1960 já passou por inúmeras redações da grande imprensa e da “imprensa nanica”. Publicou seis livros, quatro de política: A Guerrilha do Araguaia; Mataram o Presidente — Memórias do pistoleiro que mudou a História do Brasil ; A Candidata que Virou Picolé (sobre a queda de Roseana Sarney na corrida presidencial de 2002, em ação orquestrada por José Serra); e Honoráveis Bandidos — Um retrato do Brasil na Era Sarney ; mais dois livros de memórias: Grandes Mulheres que eu Não Comi, pela Casa Amarela; e Evasão de Privacidade, pela Geração Editorial.

Ficha Técnica:

O Príncipe da Privataria
Autor: Palmério Dória
Coleção: História Agora – 9 vol.
Gênero: Reportagem
Acabamento: Brochura
Formato: 16 x 23 cm
Págs: 400
Peso: 552g
ISBN: 9788581302010
Preço: R$ 39,90
Editora: Geração

BLOG DO MIRO

julho 25, 2013

“Assim que recebo documentos da sonegação da Globo, o MPF me denuncia”, disse Amaury Ribeiro, autor de “A Privataria Tucana”

 

Setores do Ministério Público Federal realmente agem de forma bastante seletiva na hora de decidir sobre quem e quando investigar. O MPF, depois de quatro anos, decidiu denunciar o jornalista Amaury Ribeiro Jr. e outras quatro pessoas acusadas de quebras pelo sigilo de pessoas ligadas a José Serra em 2009. A Procuradoria pediu ainda a abertura de inquérito para identificar mentores da ação.

“Este processo está quatro anos no Ministério Público Federal. Justamente no dia em que recebo do exterior a documentação sobre o processo contra a Rede Globo por sonegação, lavagem de dinheiro, crime contra o sistema financeiro, utilização de empresas nas Ilhas Virgens Britânicas para pagar à Fifa pelos direitos de transmissão da Copa de 2002, o Ministério Público Federal decide me denunciar”, afirmou Amaury Ribeiro Jr.

“Aliás, essa mesma documentação já havia sido encaminhada ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel”, observa Amaury. “Acho uma coincidência absurda, porque os documentos, que acabo de receber das Ilhas Virgens sobre as movimentações da Globo e da Fifa, comprovam que a cúpula do Ministério Público tucano, ligada a Robalinho, prevaricou feio.” A denúncia contra Amaury foi feita pelo procurador José Robalinho Cavalcanti, do 2º ofício criminal do Ministério Público Federal, em Brasília. “Eu não quebrei sigilo de quem quer que seja”, disse o jornalista.

“A Justiça se manifestou várias vezes sobre a fé pública dos documentos publicados no Privataria Tucana. No entanto, o procurador Robalinho, que teve acesso aos autos, não pediu nenhuma investigação para apurar os crimes praticados pelos tucanos. Por quê? Isso é respondido por um estudo jurídico elaborado por uma empresa internacional de renome contratada pelo autor, que analisou todas as ações impetradas por Robalinho durante sua passagem pelo Ministério Público Federal. O resultado é uma bomba, que será entregue ao Conselho Nacional do Ministério Público no momento certo”.

“O dr. Robalinho é filho do médico Guilherme José Robalinho Cavalcanti, ex-secretário municipal de Saúde de Recife. Em 2008, segundo o JusBrasil, o juiz Frederico Koehler, da 2ª Vara da Justiça Federal em Pernambuco, recebeu ação por improbidade administrativa contra Guilherme Robalinho devido a irregularidades ocorridas na implantação do Programa Leite é Saúde, que fazia parte de um convênio entre o Município do Recife e a União, com o objetivo de atender aos desnutridos e às gestantes sob risco nutricional”, denuncia Amaury.

“Em matéria publicada pelo Estadão em 2006, a advogada Marília Cardoso disse que Guilherme Robalinho foi várias vezes citado em depoimentos de envolvidos na Máfia dos Vampiros. Robalinho, que tinha bom relacionamento com o então ex-ministro da Saúde José Serra (PSDB), teria um suposto envolvimento com um dos representantes da multinacional suíça Octapharma, Jaisler Jabour, também denunciado na Máfia dos Vampiros, que teria financiado campanhas políticas em Pernambuco”.

“O procurador deveria se declarar impedido de atuar no meu caso devido às ligações do pai dele com José Serra, que é alvo das investigações no meu livro. Tenho muitas provas que comprovam a ligação. Vou apresentá-las na minha defesa na hora certa”, afirma Amaury. “Estou pronto para briga. Carregado de munição para implodir a ala tucana que se apoderou do Ministério Público”. “Não vai sobrar nenhuma pena”, prometeu o jornalista.

SÉRGIO CRUZ

HORA DO POVO

maio 2, 2013

Requião: “Não há privatização gratuita, quem paga a conta é o povo e o país”

“Nosso baixo crescimento nos últimos 20 anos se deve, em grande parte, às privatizações. Dessa forma, fiquei muito surpreso quando alguns “gênios” no governo Dilma, em quem votei, fiz campanha e dei apoio, redescobriu que a varinha mágica para todos os problemas é a privatização”, afirmou Roberto Requião em pronunciamento no Senado

Não temos boas lembranças das privatizações dos anos 90. Foi uma época de desemprego, arrocho salarial, aumento do custo de vida, crescimento da criminalidade e dos problemas urbanos. Um tempo de desesperança.

Dizia-se que as privatizações seriam a solução para todos os problemas e que os sacrifícios seriam compensados por ganhos futuros. Pura enganação. Na verdade, a era das privatizações trouxe apenas sacrifícios aos brasileiros. E nenhum ganho.

Para que as empresas a serem privatizadas fossem atrativas aos compradores, o governo do PSDB aumentou brutalmente as tarifas de telefone, luz, água e fixou preços absurdos para o pedágio, ao mesmo tempo em que vendia a Vale e a Companhia Siderúrgica Nacional a preço de banana.

Nunca é demais lembrar que na era das privatizações o Brasil quebrou três vezes; três vezes teve que sair de pires na mão, humilhando-se diante do mundo.

Em 2003, com a eleição de Lula, começou a recuperação. A recomposição do salário mínimo, os programas de inclusão e promoção social como o Bolsa Família, o aumento contínuo dos empregos com carteira assinada, a construção de casas populares, o forte apoio à agricultura familiar, a universalização e o fortalecimento da educação pública básica, a ampliação do acesso às universidades, a retomada da educação técnica criaram um novo ambiente e o país voltou a crescer.

Mas estaríamos muito melhores, não fossem as privatizações.

Primeiramente, as privatizações geraram desemprego em massa de técnicos qualificados, cuja educação custou muito aos brasileiros; provocaram a perda da soberania tecnológica; o crescimento das importações de máquinas e componentes, cuja produção interna não podia mais contar com a política de compra das estatais; remessas crescentes de lucros ao exterior; e aumento abusivo das tarifas de serviços públicos.

Posteriormente, as empresas privatizadas preferiram pagar dividendos a investir. Assim, foram responsáveis pelo apagão de 2001. O apagão teve como efeito colateral ser um dos principais cabos eleitorais de Lula em 2002.

Uma consequência menos conhecida das privatizações foi o baixo crescimento.

FHC privatizou o máximo que pôde com tanta pressa que parecia que sua vida dependia disso. Dizia-se que aquelas empresas não tinham valor na mão do governo.

De forma coordenada a mídia, o governo e empresários insistiam que passá-las ao setor privado, sob quaisquer condições, seria melhor do que estar com o poder público.

Assim, privatizou-se de qualquer jeito, a qualquer preço, sem a preocupação com as consequências. Muitas vezes, regulamentou-se o setor só depois que as empresas já haviam sido privatizadas.

No seu segundo mandato, FHC só apagou incêndios, em razão dos equívocos da privatização. Como quebrou o país três vezes, teve que se curvar ao FMI e seguir, como menino obediente, suas recomendações. Uma delas foi o regime de metas de inflação. Ora, não é possível crescer razoavelmente com o regime de metas. Se as tarifas estão subindo acima da inflação, vai ser necessário colocar o país em recessão para que a inflação do resto da economia fique abaixo da meta.

Lula mudou muita coisa, mas esse modelo de metas ele não conseguiu mudar. No entanto, temos que reconhecer seu o mérito em não continuar a política de privatizações.

Os reflexos negativos das privatizações tucanas estão aí.

Temos enfrentado graves problemas na economia em razão da elevada indexação inflacionária das tarifas de serviços públicos privatizados, do baixo investimento e da má qualidade dos serviços.

Os brasileiros sabem do que estamos falando, especialmente na telefonia. Quem usa os serviços de eletricidade, ferroviários, rodoviários e portuários dessas empresas privatizadas sabe muito bem que a “maravilha” de qualidade dos serviços privatizados, que tanto alardeiam na mídia e em certas Casas Civis, só existe nas fantasias dos especuladores.

Na maioria dos países, as empresas de serviços públicos privatizadas são conhecidas por subinvestimento, lucros exorbitantes, má qualidade do serviço, tarifas escorchantes, abuso de poder de mercado, captura do regulador e corrupção.

Falando apenas de macroeconomia: elas foram uma dos principais responsáveis pelo baixo crescimento de nosso país.

Reconhecemos os méritos de Lula e Dilma, mas desde 2003 o crescimento médio dos países subdesenvolvidos foi o dobro do nosso. Esse desempenho aquém do mediano e do potencial brasileiro se deveu em grande medida à elevadíssima fatia de infra-estrutura privatizada.

A explicação decorre da alta indexação das tarifas e da pressão para que elas crescessem acima da inflação. Isso fazia o Banco Central impor juros muito elevados para o resto da economia. Esses juros elevados deprimiam o consumo e o investimento.

As altas tarifas, além de gerarem valorização do câmbio, geram por si só perda de competitividade, porque as tarifas da infra-estrutura brasileira estão, em média, entre as mais caras do mundo. Sofre o industrial, sofre o agricultor, sofre o trabalhador.

Além disso, as crescentes tarifas, ao contribuir para os juros altos, têm um impacto negativo na dívida pública. Para compensar esse impacto, o governo tem que manter uma ambiciosa meta de superávit primário. Muito maior do que a dos países falidos da Europa. Consequentemente, o governo tem que cortar o investimento público, que é o menor entre os países emergentes.

Assim, nosso baixo crescimento nos últimos 20 anos se deve, em grande parte, às privatizações.

Dessa forma, fiquei muito surpreso quando alguns “gênios” no governo Dilma, em quem votei, fiz campanha e dei apoio, redescobriu que a varinha mágica para todos os problemas é a privatização. Entre esses gênios, temos um que herdamos de FHC e foi responsável por um dos maiores desastres na infra-estrutura planetária: a privatização de nossas ferrovias.

Uma vez que o PT sempre criticou as privatizações, e a própria candidata Dilma rejeitou-as na campanha de 2010, era de se imaginar que haveria boa justificativa para essa mudança de opinião, para o retorno ao caminho da troika PSDB-DEM-PPS, a santíssima trindade do neoliberalismo pátrio.

Vamos então analisar esse recuo tardio, extemporâneo, despropositado às privatizações.

As justificativas são em parte antigas, em parte novas. As antigas são: (1) o Estado não tem como financiar os investimentos e (2) o Estado é sempre mais incompetente que o setor privado

Dizer que o Estado não tem como bancar os investimentos é fraudar, empulhar a verdade dos fatos.

O mais cínico nessa justificativa é que o próprio BNDES, com recursos públicos, vai financiar esses investimentos. Então como podem ter coragem de dizer que o Estado não tem dinheiro para realizar os investimentos?

O outro argumento dos privatistas é que o Estado é sempre mais incompetente que o setor privado. Mas, em monopólios e mercados sem muita concorrência, o que se vê é mais abusos do que eficiência por parte das empresas. Porque, antes da eficiência, buscam o lucro.

Que qualidade se vê nas empresas de serviços públicos privatizadas? Todo brasileiro sabe o martírio que é ter um celular ou banda larga no Brasil. Quando funcionam, sempre dão problemas. Resolvê-los pelo call center é um sofrimento que pode durar horas ou dias, caso se tenha tempo e paciência para acessar o serviço. Parece que certas empresas criam dificuldades para que o cidadão desista de reivindicar.

E não adianta esperar que os órgãos responsáveis coloquem ordem nessa anarquia. Não adianta recorrer ao Ministério respectivo ou às agencias reguladoras. Ah, as agências… que piada!

Já os novos argumentos de alguns gestores a favor da privatização baseiam-se em uma suposta “sabotagem” contra os investimentos públicos.

Essa tal “sabotagem” seria praticada principalmente pelos órgãos ambientais, lentos demais para tomar decisões e liberar as obras. Dizem que o TCU e o Ministério Público criam muitos entraves. Pode ser que a legislação ambiental tenha mesmo problemas, pois boa parte vem da era FHC, que não morria de amores pelo investimento público.

Contudo, se é verdade, caberia ao governo propor projetos de lei que disciplinassem e tornassem mais ágil a gestão desses órgãos. Se o governo não sugere mudanças, como responsabilizar esses órgãos pelo atraso das obras?

Se há “sabotagem”, boa parte tem origem no próprio executivo. Quantos financiamentos o BNDES concedeu na primeira década do século XXI à Infraero, Eletrobrás e aos portos públicos? Até a construção das represas do Rio Madeira, foi muito pouco.

Mesmo hoje, os financiamentos do BNDES às estatais (excluindo a Petrobrás) continuam muito abaixo do que recebem seus concorrentes privados. Concorrentes privados, sublinhe-se, geralmente com receitas, capacidade de crédito, patrimônios e garantias inferiores aos dessas estatais.

Presidente Dilma, abra os olhos. Essa política de entregar tudo tem um preço alto. Não podemos contar nem com a gratidão daqueles que se beneficiarem das privatizações. Lembremos-nos do nosso povo e de nossos mestres, cujos livros você e eu lemos no passado.

À frase popularizada por Milton Friedman, “não há almoço grátis”, tão do gosto dos liberais, podemos acrescentar outra: não há privatização gratuita, quem paga a conta é o povo, é o país, é o nosso desenvolvimento econômico.

HORA DO POVO

abril 25, 2013

Mais de 7 mil repelem a candidatura de FHC e apoiam Amaury na ABL

Na noite desta terça-feira (23), no Centro de Estudos de Mídia Barão de Itararé, em São Paulo. o autor de “A privataria tucana”, Amaury Ribeiro Jr., demonstrou por uma hora e meia as razões pelas quais sua candidatura à “imortalidade” vem mobilizando tanta gente, em contraposição à indicação de Fernando Henrique Cardoso. Já são 7 mil os apoiadores de sua candidatura, entre jornalistas, escritores e intelectuais. O registro da candidatura será nesta sexta-feira (26) na sede da Academia Brasileira de Letras, no Rio.
Com muito bom humor, Altamiro Borges ( http://altamiroborges.blogspot.com.br ) e Paulo Henrique Amorim ( http://www.conversa-afiada.com.br ) fizeram o preâmbulo, ridicularizando o mau gosto da indicação do tucano, citado para a cadeira 36 da ABL pela pena de Celso Lafer, o submisso ex-ministro de FHC. Sem o mínimo de dignidade e respeito à representação do povo brasileiro, de forma vexatória, recordaram, Lafer ( então ministro das Relações Exteriores de FHC ) obedeceu a ordem de funcionários de num aeroporto para retirar os sapatos e entrar nos Estados Unidos.

Eduardo Guimarães (www.blogdacida-dania.com.br) lembrou que o silêncio dos grandes conglomerados de comunicação sobre a obra “imortal” de Amaury fala por si, e da repulsa popular à grande “obra” de Fernando Henrique, a dilapidação do patrimônio público nacional. “Na caminhada até a sede da ABL para protocolar a candidatura do Amaury vamos lançar a campanha ‘A cadeira 36 é nossa’, para que FHC não a privatize”, ironizou Sérgio Cruz (www.dr-sergio-cruz.com ), representando a Hora do Povo. Estavam pressentes ainda Rodrigo Viana (www.rodrigo-vianna.com.br), Joaquim Palhares, coordenador do site carta maior (www.cartamaior.com.br), Vanessa Silva (www.vermelho.org.br ), Conceição Oliveira (www.maria-fro.com ) e outros blogueiros.

Amaury avalia que os conglomerados privados de mídia tiveram um papel militante, de oposição à candidatura de Dilma Rousseff, perfilados com o tucano José Serra. “Na eleição passada a imprensa tirou a máscara mesmo, nem tentou disfarçar, e partiu para a canalhice de vez. Disseram: nós temos candidato e vamos fazer qualquer jogo sujo”.

Ao condenar a “maquiagem de privatização” atualmente em curso no país, Amaury destacou que “concessão como a dos aeroportos, de certa forma é privatização”. “Isso foi a maior bobagem que esse governo fez, pois conseguiu levantar uma coisa que estava praticamente morta”. Anunciando que vem aí a Privataria II, o autor recordou que o tema das privatizações é uma marca de um momento histórico cuja “tragédia” não deveria ser jamais esquecida, pelo que representou enquanto dilapidação e entrega do patrimônio público”.

LEONARDO SEVERO / HORA DO POVO

abril 23, 2013

Fantástico show de falsificações contra portos e ferrovias do país ( Participação especial no logro: um dos personagens privatistas de FHC ) :

Globo alardeia caos logístico para forçar o Brasil a privatizar o setor sem pensar
Receita neoliberal só agravaria gargalos

Governo precisa é parar de represar os investimentos públicos para que Estado possa gerir setor a contento
O show de da Globo, no “Fantástico”, pregando a entrega de portos e ferrovias a aventureiros e negocistas, constituiu-se de mentiras, falsificações e estelionatos informativos, além de uma burrice indecente da repórter – o que não é surpresa – e de uma senhora algo avantajada que apresentou o programa. Até os capachos religiosos (os que fizeram do capachismo uma religião) pareciam constrangidos, menos o sr. Bernardo Figueiredo, hoje presidente da EPL, formatador da privatização das ferrovias no governo FHC, depois presidente da principal beneficiária [ grifo do blog ] dessa privatização que desativou 2/3 das linhas férreas do país, com os preços elevados a 103% do preço dos transportes rodoviários. Figueiredo não foi reconduzido pelo Senado à diretoria da ANTT por faltar-lhe os requisitos de reputação ilibada e competência técnica. Esse é o heroi da Globo.
HORA DO POVO

Que investimentos houve onde a logística foi privatizada?

A principal estrela dos 16 minutos que a Globo, no último “Fantástico”, dedicou às ferrovias, portos e ao (suposto) terrível descaso de Lula e Dilma para com eles, foi o sr. Bernardo Figueiredo, presidente da Empresa de Planejamento de Logística (EPL).
O show (pois reportagem aquilo não foi) constituiu-se de mentiras, falsificações e estelionatos informativos, além de uma burrice indecente por parte da repórter – o que não é surpresa – e de uma senhora algo avantajada que apresentou o programa.
No entanto, dos entrevistados, o único que mostrou uma inequívoca satisfação foi Figueiredo. Os outros, até os capachos de fé, pareciam sentir uma úlcera ou um corpo estranho adentrando-lhes, supomos, a alma. Eles sabem quando estão mentindo. O ministro dos Portos parecia constrangido – tão constrangido que assinou em seguida uma nota apontando algumas mentiras (v. matéria nesta página).
O único que estava, não somente à vontade, mas alegre, contente, exibindo-se para a Globo – e nem se abalou em assinar a nota conjunta do governo – era o sr. Figueiredo. O que é muito interessante, porque ele é o principal responsável pela elevação do preço do transporte ferroviário para, em média, 103% do preço do transporte rodoviário (há quase um consenso que aquele é, normalmente, pelo menos 30% mais barato que o último; exceto quando há um mágico escondendo cobras e engolindo espadas…).

CURRÍCULO
Figueiredo tem um currículo miraculoso: sob Fernando Henrique Cardoso, chefe de gabinete do presidente da Rede Ferroviária Federal, realizou os “estudos” para a privatização das ferrovias; em seguida, tornou-se presidente da principal beneficiária da privatização, a Interférrea (posteriormente denominada ALL, da qual o sr. Figueiredo foi membro do Conselho de Administração) e presidente da entidade das ferrovias privadas, a Associação Nacional de Transportes Ferroviários (ANTF); sabe-se lá como, tornou-se depois, sucessivamente, diretor da Valec, gerente de projeto do Programa de Parceria Público-Privada do Ministério do Planejamento, assessor especial da Casa Civil, e, logo, diretor-geral da ANTT – Agência Nacional de Transportes Terrestres (todas essas informações foram fornecidas pelo próprio Figueiredo: v. Diário do Senado Federal, 11/03/2008, Mensagem nº 50/2008, Curriculum Vitae, “Bernardo José Figueiredo Gonçalves de Oliveira”).
Dois dias depois de sua posse na ANTT, no dia 16/06/2008, Figueiredo entregou uma nova concessão ferroviária para a ALL, a Ferrovia Novoeste S.A. (Deliberação ANTT nº 258/08). Vinte e dois dias após, entregou à ALL outra concessão, a Ferronorte S.A. (Deliberação ANTT nº 289/08). Mais 33 dias, e ele entregou outra concessão para a ALL, a Ferroban, em São Paulo (Deliberação ANTT nº 359/08).
Mas não houve expansão da malha ferroviária. Pelo contrário, em seguida, a ANTT, sob a presidência de Figueiredo, “permitiu, sem nenhuma penalização, que as concessionárias desativassem, no todo ou em parte, o serviço de transporte ferroviário em 2/3 da malha concedida, sem realizar os diversos procedimentos relativos às solicitações de suspensão e supressão de serviços de transporte ferroviário e desativação de trechos” previstos pela própria ANTT (Resolução nº 44, 4/07/ 2002). Ou seja, sob a égide de Figueiredo, foram desativados, total ou parcialmente, 20 mil km de ferrovias, dos 29 mil km que constituem a malha ferroviária do país (ver a entrevista do próprio Figueiredo na Revista Ferroviária, março/2009, págs. 12 a 19).
Ao sabatiná-lo no Congresso, o senador Roberto Requião assim resumiu essa parte da carreira de Figueiredor:
“Com esses seus três atos relâmpagos (…), além dos 7.304 quilômetros de malha ferroviária, entregou 478 locomotivas, 14.371 vagões à ALL – da qual, através da Interférrea, o senhor foi presidente e depois membro do Conselho de Administração –, que já explorava a Malha Sul em decorrência do leilão de privatização. A ALL recebeu, não pelos bons serviços prestados, mais 4.446 quilômetros de ferrovias, 456 locomotivas, 13.548 vagões, o que representou colocar 11.750 quilômetros de linha, 934 locomotivas e 27.919 vagões nas mãos de um único operador logístico, ou seja, mais de 40% de todo o parque ferroviário nacional na empresa da qual anteriormente o senhor fazia parte como presidente da Interférrea e como membro do Conselho de Administração da ALL. (…) Essa concentração absurda de poder econômico, esse monopólio da ALL sobre 40% do parque ferroviário nacional nas regiões em que se concentra a maior parte do PIB brasileiro, ocorrida sob a sua gestão na ANTT, na minha opinião, é um escândalo. (…) É meu dever perguntar: o senhor considera ético que, durante a sua gestão na Diretoria Geral da ANTT e através de atos firmados pelo senhor, a ALL, empresa que o senhor estruturou, representou na concessão e dirigiu, cresça de modo incrível e ganhe essa dimensão gigantesca que hoje apresenta?”
Em sua resposta, Figueiredo tergiversou: por exemplo, disse que não formatou a privatização – mas isso estava em seu currículo, apresentado por ele quando foi conduzido pela primeira vez para a ANTT. O Senado recusou-se a reconduzi-lo para a ANTT, por faltar-lhe os requisitos de reputação ilibada e competência técnica.
Esse é o herói da Globo. A questão é: por que Figueiredo estava tão satisfeito, no meio de um programa que era uma mentirada contra o governo – em especial contra a presidente Dilma? Teria sido ele a fonte de tão sábios dados para a Globo?
Por exemplo: “Este ano o Brasil teve uma supersafra de grãos. E a comida ficou mais barata? Não. Porque o preço do transporte fica mais caro ano a ano”.
O peso dos transportes no aumento de preços dos alimentos que houve de agosto a dezembro do ano passado, foi, a bem dizer, insignificante. Tanto assim que os transportes continuam os mesmos e o preço dos alimentos está caindo desde janeiro. O que pesou nos preços foi a especulação financeira com papéis ancorados na produção de alimentos, promovida nas bolsas de mercadorias de Chicago e Nova Iorque (hoje a New York Mercantile Exchange – a bolsa de mercadorias de Nova Iorque – é uma filial da Chicago Mercantile Exchange. Um único grupo, com o seu entrelaçamento com os grandes bancos dos EUA, dirige a especulação mundial das commodities, com as inevitáveis consequências).

PÚBLICOS
No Brasil, os portos públicos permitiram que nossa corrente de comércio (exportações e importações) aumentasse de US$ 121,344 bilhões (2003) para US$ 482,285 bilhões (2011). O pequeno recuo de 2012 (US$ 465,728 bilhões) nada teve a ver com os portos, mas com a primarização das exportações, diminuindo a parcela de manufaturados e aumentando a parcela de bens primários (commodities).
Evidentemente, isso não quer dizer que não haja problemas: na própria matéria da Globo, o único dado real é um viaduto, obra do PAC, que encontra-se paralisado. O problema é falta de investimentos públicos – mas a Globo e o sr. Figueiredo preferem doar o patrimônio público a monopólios estrangeiros.
E, como é claro na lavagem de porco (nos perdoem os suínos) servida no “Fantástico”, não é para exportar manufaturados que eles querem privatizar os portos, mas para escalpelar o país dos seus minérios e da sua fenomenal produção de alimentos.
Pela privatização anterior do sr. Figueiredo, já sabemos onde isso acaba: ferrovias desativadas, portos abandonados, o país em crise pelo estrangulamento da infraestrutura e logística, e algumas multinacionais fazendo a farra às nossas custas.
CARLOS LOPES

abril 8, 2013

Autor de ‘A Privataria Tucana’ vai disputar Academia Brasileira de Letras com FHC

Campanha que defende o nome de Amaury Ribeiro Jr. foi lançada nesta segunda (8) por um grupo de jornalistas, intelectuais e professores universitários. Objetivo é disputar cadeira de número 36, que está vaga desde que o jornalista e escritor paulista João de Scantimburgo morreu, em 22 de março passado.
CARTA MAIOR

São Paulo – Um grupo de jornalistas, intelectuais e professores universitários progressistas lança nesta segunda-feira (8) uma campanha para defender o nome do jornalista Amaury Ribeiro Júnior para a Academia Brasileira de Letras (ABL).

Jornalista premiado, hoje funcionário da TV Record, Ribeiro Jr. é autor do best-seller “A privataria tucana”, livro-reportagem denuncia irregularidades na venda de empresas estatais durante o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).

A candidatura de Ribeiro Jr. visa se contrapor à do próprio Fernando Henrique, que está inscrito para disputar a cadeira de número 36, que está vaga desde que o jornalista e escritor paulista João de Scantimburgo morreu, em 22 de março passado.

As inscrições de candidaturas na ABL podem ser feitas até 26 de abril. Depois deste prazo, a entidade marca em até 60 dias uma reunião para a eleição, em que o novo imortal deve ter a metade mais um dos votos dos atuais imortais para ser eleito para a cadeira.

Leia, a seguir, o manifesto da candidatura de Amaury Ribeiro Jr. Para assinar, clique aqui.

“A PRIVATARIA É IMORTAL – Amaury Ribeiro Júnior para a Academia Brasileira de Letras

Não é a primeira vez que a Academia Brasileira de Letras tem a oportunidade de abrir suas portas para o talento literário de um jornalista. Caso marcante é o de Roberto Marinho, mentor de obras inesquecíveis, como o editorial de 2 de abril de 64:

“Ressurge a Democracia, Vive a Nação dias gloriosos” – o texto na capa de “O Globo” comemorava a derrubada do presidente constitucional João Goulart, e não estava assinado, mas trazia o estilo inconfundível desse defensor das liberdades. Marinho tornou-se, em boa hora, companheiro de Machado de Assis e de José Lins do Rego.

Incomodada com a morte prematura de “doutor” Roberto, a Academia acolheu há pouco outro bravo homem de imprensa: Merval Pereira, com a riqueza estilística de um Ataulfo de Paiva, sabe transformar jornalismo em literatura; a tal ponto que – sob o impacto de suas colunas – o público já não sabe se está diante de realidade ou ficção.

Esses antecedentes, “per si”, já nos deixariam à vontade para pleitear – agora – a candidatura do jornalista Amaury Ribeiro Junior à cadeira 36 da Academia Brasileira de Letras.

Amaury, caros acadêmicos e queridos brasileiros, não é um jornalista qualquer. É ele o autor de “A Privataria Tucana” – obra fundadora para a compreensão do Brasil do fim do século XX.

Graças ao trabalho de Amaury, a Privataria já é imortal! Amaury Ribeiro Junior também passou pelo diário criado por Irineu Marinho (o escritor cubano José Marti diria que Amaury conhece, por dentro, as entranhas do monstro).

Mas ao contrário dos imortais supracitados, Amaury caminha por outras tradições. Repórter premiado, não teme o cheiro do povo. Para colher boas histórias, andou pelas ruas e estradas empoeiradas do Brasil. E não só pelos corredores do poder.

Amaury já trabalhou em “O Globo”, “Correio Braziliense”, “IstoÉ”, “Estado de Minas”, e hoje é produtor especial de reportagens na “TV Record”. Ganhou três vezes o Prêmio Esso de Jornalismo. Tudo isso já o recomendaria para a gloriosa Academia. A obra mais importante do repórter, entretanto, não surge dos jornais e revistas. “A Privataria Tucana” – com mais de 120 mil exemplares comercializados – é o livro que imortaliza o jornalista.

A Privataria é imortal – repetimos!

O livro de Amaury não é ficção, mas é arte pura. Arte de revelar ao Brasil a verdade sobre sua história recente. Seguindo a trilha aberta por Aloysio Biondi (outro jornalista que se dedicou a pesquisar os descaminhos das privatizações), Amaury Ribeiro Junior avançou rumo ao Caribe, passeou por Miami, fartou-se com as histórias que brotam dos paraísos fiscais.

Estranhamente, o livro de Amaury foi ignorado pela imprensa dos homens bons do Brasil. Isso não impediu o sucesso espetacular nas livrarias – o que diz muito sobre a imprensa pátria e mais ainda sobre a importância dos fatos narrados pelo talentoso repórter.

A Privataria é imortal! Mas o caminho de Amaury Ribeiro Junior rumo à imortalidade, bem o sabemos, não será fácil. Quis o destino que o principal contendor do jornalista na disputa pela cadeira fosse o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

FHC é o ex-sociólogo que – ao virar presidente – implorou aos brasileiros: “Esqueçam o que eu escrevi”. A ABL saberá levar isso em conta, temos certeza. É preciso esquecer.

Difícil, no entanto, é não lembrar o que FHC fez pelo Brasil. Eleito em 1994 com o apoio de Itamar Franco (pai do Plano Real), FHC prometeu enterrar a Era Vargas. Tentou. Esmerou-se em desmontar até a Petrobras. Contou, para isso, com o apoio dos homens bons que comandam a imprensa brasileira. Mas não teve sucesso completo.

O Estado Nacional, a duras penas, resistiu aos impulsos destrutivos do intelectual Fernando.

Em 95, 96 e 97, enquanto o martelo da Privataria tucana descia velozmente sobre as cabeças do povo brasileiro, Amaury dedicava-se a contar histórias sobre outra página vergonhosa do Brasil – a ditadura militar de 64. Em uma de suas reportagens mais importantes, sobre o massacre de guerrilheiros no Araguaia, Amaury Ribeiro Junior denunciou os abusos cometidos pela ditadura militar (que “doutor” Roberto preferia chamar de Movimento Democrático).

FHC vendia a Vale por uma ninharia. Amaury ganhava o Prêmio Esso…

FHC entregava a CSN por uns trocados. Amaury estava nas ruas, atrás de boas histórias, para ganhar mais um prêmio logo adiante…

As críticas ao ex-presidente, sabemos todos nós, são injustas. Homem simples, quase franciscano, FHC não quis vender o patrimônio nacional por valores exorbitantes. Foi apenas generoso com os compradores – homens de bem que aceitaram o duro fardo de administrar empresas desimportantes como a Vale e a CSN. A generosidade de FHC foi muitas vezes incompreendida pelo povo brasileiro, e até pelos colegas de partido – que desde 2002 teimam em esquecer (e esconder) o estadista Fernando Henrique Cardoso.

Celso Lafer – ex-ministro de FHC – é quem cumpre agora a boa tarefa de recuperar a memória do intelectual Fernando, ao apresentar a candidatura do ex-presidente à ABL. A Academia, quem sabe, pode prestar também uma homenagem ao governo de FHC, um governo simples, em que ministros andavam com os pés no chão – especialmente quando tinham que entrar nos Estados Unidos.

Amaury não esqueceu a obra de FHC. Mostrou os vãos e os desvãos, com destaque para o caminho do dinheiro da Privataria na volta ao Brasil. Todos os caminhos apontam para São Paulo. A São Paulo de Higienópolis e Alto de Pinheiros. A São Paulo de 32, antivarguista e antinacional. A São Paulo de FHC e do velho amigo José Serra – também imortalizado no livro de Amaury.

Durante uma década, o repórter debruçou-se sobre as tenebrosas transações. E desse trabalho brotou “A Privataria Tucana”.

Por isso, dizemos: se FHC ganhar a indicação, a vitória será da Privataria. Mas se Amaury for o escolhido, aí a homenagem será completa: a Privataria é imortal!

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Se você apoia Amaury para a ABL, deixe abaixo seu nome, profissão e/ou entidade. Veja quem já aderiu à campanha “A Privataria é imortal”:

Altamiro Borges
Antonio Cantisani Filho
Breno Altman
Cândido Grzybowski
Conceição Lemes
Daniel Freitas
Dermi Azevedo
Diogo Moysés
Elis Regina Brito Almeida
Emiliano José
Emir Sader
Enio Squeff
Ermínia Maricato
Flavio Wolf Aguiar
Gilberto Maringoni
Inácio Neutzling
Ivana Jinkings
Joaquim Ernesto Palhares
Joaquim Soriano
João Brant
José Arbex Jr.
Julio Guilherme De Goes Valverde
Katarina Peixoto
Ladislau Dowbor
Laurindo Leal Filho
Lúcio Manfredo Lisboa
Luiz Carlos Azenha
Luiz Fernando Emediato
Luiz Gonzaga Belluzzo
Marcel Gomes
Marcio Pochmann
Marco Aurelio Weissheimer
Marcos Dantas
Paulo Henrique Amorim
Paulo Salvador
Raul Millet Filho
Reginaldo Nasser
José Reinaldo Carvalho
Renato Rovai
Rodrigo Vianna
Samuel Pinheiro Guimarães
Venício Lima
Wagner Nabuco”

Para assinar, clique aqui.

março 30, 2013

Requião exorciza os fantasmas do passado e alerta contra os atuais

O senador Roberto Requião (PMDB-PR), em discurso no Senado, disse que em suas recentes viagens à Polônia e à Suécia, ao ler notícias do Brasil, foi frequentemente assaltado por espectros do passado, todos, “em coro de tragédia grega”, propondo a volta das velhas e falidas políticas neoliberais. Ele ironizou a mídia, a oposição e os ex-ministros do governo FHC que, nas últimas semanas, têm proposto arrocho.
HORA DO POVO

Falta ao país uma política de desenvolvimento nacional, cobra Requião no Senado
O senador Roberto Requião (PMDB-PR) discursou da tribuna do Senado, na última quarta-feira (20), ironizando a mídia, a oposição e os ex-ministros do governo FHC que, nas últimas semanas, têm subido o tom propondo arrocho, desemprego e elevação dos juros. Para o senador, o que se vê é um cortejo de fantasmas, que procura “aterrorizar o país com idéias fossilizadas que, quando aplicadas, quebraram o Brasil por três vezes”.
Segundo Requião, em suas recentes viagens à Polônia e à Suécia, ao ler notícias do Brasil, foi frequentemente assaltado por espectros do passado, todos, “em coro de tragédia grega”, propondo a volta das velhas e falidas políticas neoliberais.
O senador também fez observações críticas sobre a política econômica do atual governo, que chamou de “picadinho variado”. Para Requião, enquanto o país não se reunir em torno de um programa nacional de desenvolvimento, com tática e estratégia bem definidas, viveremos de sobressaltos, aos trancos e barrancos, permitindo até mesmo que velhos fantasmas, de passado nada recomendável, voltem à cena e opinem. “Como no filme ‘Poltergeist’, um dos clássicos do cinema de terror dos anos 80, as assombrações surgiam, reproduziam-se, envolviam-me. Mesmo que fantasmagóricas, ilusivas, era possível reconhecer as aparições”, disse.
“E lá vinham os avejões dos irmãos Mendonça de Barros, o Luiz Carlos e o José Roberto. O primeiro, nada amistoso para a circunstância de desencarnado, interpelava a presidente Dilma, acusando-a de impor “condições inaceitáveis” às concessionárias privadas. Nos limites da irresponsabilidade, reivindicava “condições de mercado” para as privatizações petistas, semelhantes às da entrega da telefonia, da Vale, das ferrovias e comezainas da espécie, como diriam os portugueses”, acrescentou.
“Mal se evaporam os Mendonças, emergem do vazio as barbas brancas de Gustavo Loyola, tantas vezes colocadas de molho. Professoralmente, elas advertem: o Brasil não está preparado para conviver com taxas de juros estruturalmente menores. Proclamada a nossa incapacidade atávica de se libertar dos usurários, as barbas do ex-presidente do Banco Central desmancham-se em mil fios. Enquanto opera-se o prodígio, coça-me uma pergunta: “Seriam os ares tropicais ou a nossa tão celebrada mulatice responsáveis por essa inabilitação a desenredar-se da agiotagem?”.
Não faltaram ironias do senador com os “comentaristas” econômicos da mídia golpista, que no afã de agradar a banca especulativa, gritavam contra os números do governo em defesa de mais superávits primários. “Nem bem se dissolve o coro dos financistas, colunistas e avizinhados, vejo formando-se novo préstito cantante”, disse Requião. “São editorialistas dos jornalões, apresentadores e comentaristas de televisão, economistas e analistas do mercado, e os inefáveis oradores da oposição. Esvoaçam, adejam sem qualquer graça ou arte, desafinam na cantoria, um cantochão maçante, cujo estribilho repete sem parar , como o corvo de Poe, “contabilidade criativa”, contabilidade criativa”, ‘contabilidade criativa’”, prosseguiu.
Requião completou o discurso criticando também as políticas do governo (ou falta delas), falando sobre sua chegada ao Brasil. “Aportado o Brasil, de outra qualidade são os meus espantos. Aterroriza-me não a contabilidade criativa, e sim a ideologia do superávit primário. Desassossega-me não o aumento da inflação, e sim corrosão de nossa base industrial, sucateando-se ao céu aberto da incúria governamental”, denunciou.
“Alvoroça-me não o crescimento da inadimplência, e sim a fragilidade de uma política econômica que se ancora no consumo, no crédito consignado e na exportação de commodities. Assusta-me não a expansão dos gastos públicos, e sim a paralisia das obras de infraestrutura; a execução lentíssima, sonolenta do Orçamento da União. De que têm medo os nossos próceres ministeriais? Intimidam-nos a insepulta Delta ou o libérrimo Cachoeira?”
“Apavora-me não o desacordo em relação às metas, e sim, as próprias metas, camisa de força imposta pelo mercado, pela financeirização da economia, que certa esquerda transforma bandeira para ser vista como “responsável”, “moderna”.
“Argh!!! Estarrecem-me não as privatizações, e sim o abuso, o desregramento das concessões, superando até mesmo toda fobia privatista de Margareth Thatcher, como se vê agora no caso dos portos”, destaca o senador.
E conclui dizendo que falta política econômica e um programa para o Brasil do campo progressista, já que, segundo ele, “a oposição de direita sabe o que quer”. “Assombra-me não o picadinho variado das medidas do Ministério da Fazenda, e sim a falta de uma Política Econômica que se enquadrasse em um Programa para o Brasil, doutrinariamente à esquerda, fundado na solidariedade, na distribuição da renda e dos benefícios do avanço tecnológico, na prevalência, sempre, dos interesses populares e nacionais”, completa Requião.

março 20, 2013

Dinheiro da Privataria Tucana voltando em forma de picolé?

Por que Lemann e Verônica pagaram tanto pelo  picolé?
Tomando como  exemplo a compra da gigante americana Heinz, pelo fundo 3G, de Jorge Paulo  Lemann, há pouco mais de um mês, o negócio foi fechado por duas vezes o  faturamento e 19 vezes o lucro da companhia. No caso da minúscula sorveteria  Diletto, adquirida por Verônica Serra, filha de José Serra, e o bilionário  Lemann, os parâmetros foram totalmente distintos, numa aquisição precificada em  17 vezes o faturamento de uma sorveteria que talvez ainda nem tenha começado a  lucrar. Ou há muita confiança ou algo ainda permanece misterioso na  transação

Brasil 247 – No dia 14 de março deste ano, o fundo 3G,  do bilionário Jorge Paulo Lemann, protagonizou a maior aquisição da história da  indústria alimentícia. Por US$ 23 bilhões, ele e seus sócios compraram a  gigantesca empresa norte-americana Heinz, dona da principal marca de ketchups do  mundo.
Negócios desse porte sempre obedecem a  critérios claros e objetivos. No caso da Heinz, o 3G pagou o equivalente a duas  vezes o faturamento da Heinz, de US$ 11,5 bilhões no ano passado, e 19 vezes o  lucro da companhia. Essa relação preço/lucro, o chamado P/E (price/earnings), é  o principal parâmetro utilizado em avaliações de empresas. Uma relação de dez  vezes o lucro, muitas vezes, é adequada numa aquisição, mas há também casos em  que se pagam prêmios, como no caso da Heinz.
Nada, no entanto, é comparável ao negócio  fechado por Lemann e Verônica Serra, sócios do fundo Innova, na compra de 20% da  minúscula sorveteria Diletto, de Cotia (SP), por R$ 100 milhões. A empresa, que  tem dois anos de vida e fatura R$ 30 milhões por ano, foi avaliada em R$ 500  milhões. Ou seja: 17 vezes o faturamento. Se o critério utilizado na Heinz fosse  semelhante, a empresa americana valeria US$ 195,5 bilhões, e não os US$ 23  bilhões pagos pelo 3G. A relação preço/lucro da Diletto é desconhecida, uma vez  que seus números não são públicos e não se sabe sequer se a companhia começou a  lucrar.
Procurados pela reportagem do 247, nem o fundo  Innova nem o bilionário Lemann informaram quais foram os critérios que embasaram  a aquisição. Por exemplo, quem fez a avaliação e quais foram os parâmetros  utilizados?
Verônica, como se sabe, é filha de José Serra  e teve seus negócios esquadrinhados no livro “Privataria Tucana”, um best-seller  publicado pelo jornalista Amaury Ribeiro Júnior.  Depois de uma bolsa de  estudos em Harvard, concedida pelo próprio Jorge Paulo Lemann, ela se tornou  gestora de fundos de investimento, ao lado do marido Alexandre Bourgeois.
Lemann, por sua vez, foi diretamente  beneficiado no governo FHC, pela decisão mais importante de sua trajetória  empresarial: a aprovação, pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o  Cade, da fusão entre Brahma e Antarctica, ocorrida em 1999, que lhe deu 70% do  mercado brasileiro e musculatura monopolista para crescer em outros  países.
Naquele momento, o Cade era presidido por  Gesner Oliveira e José Serra era candidato à sucessão de FHC. Serrista de  carteirinha, Gesner se tornou presidente da Sabesp, estatal de saneamento, no  governo tucano. E, depois da fusão Brahma-Antarctica, o Cade jamais voltou a  permitir a realização de outros atos de concentração de mercado tão intensos.  Por exemplo, ao comprar a Sadia, a Perdigão se viu forçada a vender vários  ativos.
Leis que restringem monopólios existem nos  Estados Unidos desde o início do século passado para proteger indivíduos e  consumidores do poder das grandes corporações. Recentemente, ao tentar comprar a  cervejaria mexicana Modelo, Lemann teve suas pretensões barradas por autoridades  regulatórias dos Estados Unidos, país onde ele também enfrenta a acusação de  aguar a cervejaria Budweiser, prejudicando a qualidade de um ícone americano, em  favor do lucro.
O caso Diletto é tão fora dos padrões que  gerou até uma movimentação atípica, nos meios de comunicação, para preservar as  imagens de Lemann e de Verônica. Nas reportagens, o nome da filha de Serra  aparece no fim, quase escondido. Além disso, embora a transação tivesse sido  anunciada na noite de segunda-feira, uma reportagem-exaltação já aparecia  impressa, na manhã do dia seguinte, na versão brasileira da revista Forbes,  sobre o “estilo Lemann” e o porquê da decisão de entrar no mercado de  sorvetes.
Em reportagem anterior do 247 sobre o caso  (leia mais aqui), diversos leitores levantaram uma questão  intrigante: será que, por meio de uma aquisição totalmente fora dos parâmetros  tradicionais, recursos oriundos da chamada “privataria” estariam sendo  internalizados no Brasil?

EXTRAÍDO DO Blog Sujo  == > Dinheiro da Privataria voltando em forma de picolé?

abril 20, 2012

Amaury Jr: “ação de Serra na Justiça me dá subsídios para escrever Privataria Tucana II”

Filed under: WordPress — Tags:, , , — Humberto @ 5:29 pm

O jornalista investigativo Amaury Ribeiro Jr., autor do livro A Privataria Tucana, afirmou que a ação na Justiça do tucano José Serra contra ele e a editora do livro, Geração Editorial, é “fraca, uma piada, uma aberração jurídica, que com certeza me dará subsídios para escrever a Privataria Tucana II”.
Serra entrou com uma ação de indenização por dano moral, pedindo que o cálculo do valor a ser pago, em caso de condenação, tenha relação com a vendagem do livro considerando o preço de R$ 34,90. Assim, ao invés de contestar o conteúdo do livro, mesmo porque as provas contidas nele são arrasadoras, Serra quer é tirar proveito da vendagem da obra.
“Como não consegue contestar o conteúdo do livro, a ação indenizatória se baseia em fatos deturpados por Serra ou distorcidos pela imprensa durante a campanha eleitoral de 20103 , declara Amaury. Na ação, Serra diz que Amaury, ao depor na Polícia Federal, teria confessado a quebra de sigilo de parentes do tucano, “o que não aconteceu”, afirma o jornalista em entrevista para o blog Vi O Mundo, do jornalista Luiz Carlos Azenha.
De acordo com Amaury, a ação de Serra “foi feita na prorrogação do segundo tempo, só depois que o Serra se declarou candidato a prefeito, para que ele se justifique se o tema vier à tona durante a campanha eleitoral”. “Eu nunca perdi uma ação na minha vida e não vou dar ao Serra o prazer de ficar com o dinheiro de meu trabalho”, diz o jornalista.
Serra diz ter sido acusado no livro de ter recebido propinas durante o processo de privatização e ter criado rede de espionagem para investigar outro tucano, Aécio Neves, senador e ex-governador de Minas. Segundo Amaury, Serra nunca foi acusado diretamente no livro de receber propinas. Quanto à espionagem contra Aécio, o jornalista diz que dispõe de provas sobre essa acusação.
A Privataria Tucana, de Amaury Jr, é um sucesso de vendas. Sua primeira edição, cerca de 15 mil, esgotou-se rapidamente. É resultado de uma investigação minuciosa do autor sobre o processo de privatização durante Fernando Henrique Cardoso e José Serra, quando era seu ministro do Planejamento. Com farta documentação, o livro descreve como pessoas ligadas a José Serra usaram empresas de fachada no Caribe para lavar dinheiro recebido de propina nas privatizações.
O trabalho de Amaury gerou um pedido de CPI na Câmara, de autoria do deputado Protógenes Queiroz (PCdoB-SP), que espera para ser instalada. Um fato curioso foi relatado pelo deputado. Ele colou na porta do seu gabinete na Câmara um cartaz pró-CPI da Privataria Tucana. O cartaz foi arrancado. O parlamentar só descobriu os autores do ato quando viu o vídeo do circuito interno da Câmara, que mostra os deputados do PSDB, Sérgio Guerra (PE), também presidente nacional do partido, e Rogério Marinho (RN), irados, arrancando o cartaz e o jogando no chão. Marinho admitiu o ataque ao cartaz. ( HORA DO POVO )

abril 10, 2012

Serra e a Presidência da República, Por Jasson de Oliveira Andrade

Gosto deste artigo porque falo sobre o livro A PRIVATARIA TUCANA, o livro maldito para os serristas e benquisto pelos seguidores do Aécio. ( JASSON )

Em declaração à imprensa, Serra repetiu a promessa de 2004: Se eleito prefeito em outubro de 2012, ele não vai renunciar, cumprindo os quatro anos de mandato. Será? Depois do “papelzinho” de 2004, ele também declarou à imprensa, em janeiro deste ano, que não iria ser candidato a prefeito. O PSDB resolveu, então, fazer uma prévia para escolher o candidato, com quatro tucanos. Depois, para surpresa geral, Serra voltou atrás e se candidatou. Por esse vai e vem, tem gente que não acredita que desta vez ele vá cumprir a sua promessa de que, eleito, não será candidato a Presidência da República em 2014, o seu grande sonho. Em minha opinião, vai depender de duas hipóteses.
Na primeira hipótese, caso a Dilma tiver a mesma aprovação que tem agora (77%, mais que o FHC e o Lula tiveram), em 2014, ele não sairá e poderá apoiar a reeleição da presidenta como declarou o prefeito Gilberto Kassab. No entanto, se naquele ano a Dilma estiver com uma aprovação baixa, duvido que o Serra não renuncie o mandato para se candidatar. Então, tudo vai depender da avaliação de Dilma em 2014. É o que penso.
O Estadão de 3 de março deu essa manchete: “PREFEITO CONFIRMA TER DITO QUE SERRA PREFERE DILMA A AÉCIO”. Kassab estava se referindo a 2014, levando em conta a minha primeira hipótese. O jornal revelou: “O prefeito Gilberto Kassab (PSD) confirmou ontem [2/3/2012] conversa revelada pelo presidente nacional do PT, Rui Falcão, na qual teria dito ao dirigente petista que o pré-candidato [agora candidato] do PSDB à Prefeitura de São Paulo José Serra apoiaria o nome da presidente Dilma Rousseff nas eleições de 2014, em detrimento do senador Aécio Neves (MG), seu colega de partido”. Kassab não revelou o motivo dessa suposta decisão de Serra. É público e notório que ele, Serra, culpa Aécio pela publicação do livro “A Privataria Tucana”, do jornalista Amaury Ribeiro Jr., um verdadeiro libelo contra Serra e sua família. Demolidor mesmo! Por este motivo não perdoa Aécio.
Não só o senador mineiro. O PSDB censura e patrulha até mesmo quem elogia “A Privataria Tucana”. O jornalista e escritor Elio Gaspari, em Nota na Folha de 28/3/2012, fez essa grave denúncia: “Diga qual foi a publicação onde aconteceu isso: Tendo publicado em seu site uma resenha favorável a um livro, ela foi denunciada pela direção de um partido político e daí resultaram os seguintes acontecimentos: 1) A resenha foi expurgada. 2) O autor do texto foi dispensado. 3) Semanas depois o editor da revista foi demitido. (…) Isso aconteceu na revista “História”, o livro resenhado foi “A Privataria Tucana”, a denúncia partiu do doutor Sérgio Guerra, presidente do PSDB, o jornalista dispensado foi Celso de Castro Barbosa e o editor demitido foi o historiador Luciano Figueiredo”. Se a simples resenha do livro “A Privataria Tucana” mereceu essa retrógrada e violenta reação (patrulha e censura), imaginem então o suposto “culpado” pela publicação do livro? Daí o ódio ao Aécio, que tempos atrás quase chegou à agressão física de Serra contra dois deputados tucanos de Minas Gerais ligados ao senador, conforme já relatei no artigo “A Privataria Tucana e a briga Serra X Aécio”.
Qual das duas hipóteses citadas por mim prevalecerá em 2014? Serra realmente vai apoiar Dilma contra o seu companheiro de partido senador Aécio Neves (PSDB-MG)? Como costumo dizer: A CONFERIR!
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu
Abril de 2012

março 30, 2012

Em nota oficial, Revista de História da Biblioteca Nacional se defende

Caro leitor,
A Sociedade de Amigos da Biblioteca Nacional – SABIN comunica que, diferentemente do que vem sendo publicado na imprensa, não há qualquer relação entre a demissão do jornalista Celso de Castro Barbosa e o afastamento do editor Luciano Figueiredo.
O jornalista Celso de Castro Barbosa foi demitido pelo então editor Luciano Figueiredo após divergências entre os dois, relacionadas à resenha sobre “A privataria tucana”, publicada no site da Revista de História da Biblioteca Nacional-RHBN ( Nota do blog ENCALHE: Resenha foi retirada do site, mas o blog da Geração Editorial salvou. Ver no final do post ).
A demissão de Luciano Figueiredo deveu-se exclusivamente a razões administrativas internas.
A SABIN não interfere no conteúdo editorial da Revista de História da Biblioteca Nacional-RHBN, cuja elaboração é atribuição do Conselho Editorial.
Não houve qualquer interferência externa relacionada às demissões.
A redação da RHBN funciona normalmente.
O fluxo de produção da revista continua o mesmo desde sua criação.
Está indo para as bancas a edição de nº 79 e já se encontram em fase adiantada de preparação as edições de nºs 80 e 81 ( REVISTA DE HISTÓRIA )

CONHEÇA A HISTÓRIA QUE CORRE:

Sinhozinho do PSDB força a demissão de jornalista que resenhou A Privataria Tucana
O jornalista Celso de Castro Barbosa foi demitido da revista “História”, editada pela Sociedade de Amigos da Biblioteca Nacional (Sabin), por conta de uma resenha do livro “A Privataria Tucana”, de Amaury Ribeiro Jr., elaborada por ele e que foi veiculada no site da publicação. Semanas depois, o historiador Luciano Figueiredo, editor da revista, também foi demitido.
O livro faz uma radiografia das privatizações promovidas na gestão de Fernando Henrique no governo federal, com ampla documentação e provas que mostram o envolvimento dos tucanos negociatas espúrias e recebimento de propinas, entre eles José Serra. Segundo a coluna de Elio Gaspari, na quarta-feira (28), as demissões teriam sido pedidas diretamente pelo presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra.
O autor do livro criticou as demissões, ressaltando que “pedir a cabeça de jornalista é um golpe contra a liberdade de imprensa”. “Mas infelizmente isso está se tornando uma rotina no país, principalmente quando se produz matérias contra os tucanos, aí você inclui os mais bicudos”, acrescentou Amaury Ribeiro Jr. ( HORA DO POVO )

março 23, 2012

O primo mais esperto de José Serra (VII), Por Amaury Ribeiro Jr.

( Continuação do texto extraído do livro “A Privataria Tucana”, do jornalista Amaury Ribeiro Jr. )

Famílias Serra e Preciado festejam juntas em bar de SP
AMAURY RIBEIRO JR.
Preciado justifica que só foi nomeado conselheiro do Banespa, durante o governo Franco Montoro, devido à influência de peixes graúdos do então MDB. Diz ter sido indicado para o cargo por Ulysses Guimarães e pelo próprio Montoro. O nome de Serra não é citado. “Ganhamos as eleições em São Paulo e participei ativamente de quase todas as campanhas. Graças a essas amizades, os saudosos Franco Montoro e Ulysses Guimarães me indicaram para o Conselho de Administração do Banespa. Luiz Carlos Bresser Pereira aprovou meu histórico e indicação. Permaneci nos dois primeiros anos, ao longo do mandato de Bresser como presidente do banco. Quando Fernando Milliet assumiu o cargo, fui confirmado ao cargo para mais dois anos por minha conduta ilibada.”
Em outubro de 2010, o blog deu um tempo para as memórias. E concentrou se nas notícias da festa de 90 anos da sogra de Espanhol, Tereza Chirica Talán. A festa reuniu cerca de 80 parentes das famílias Serra e Preciado, no Ópera Bar, tradicional casa noturna no bairro de Pinheiros, Zona Oeste da Capital paulista. Em plena campanha presidencial, Serra não pôde comparecer. Em dezembro, Preciado reuniu novamente a família, desta vez para comemorar o aniversário, também de 90 anos da mãe, Assunción Preciado Graciano, em Santo André, na região do Grande ABC. Ao discursar, Preciado não conseguiu segurar a emoção. Antigos aliados do senador Antonio Carlos Magalhães, que nunca morreu de amores por Serra, os adversários baianos de Preciado ironizam. Dizem que o Espanhol, hoje totalmente livre de dívidas, também costuma se emocionar em festas ao lembrar do apoio que sempre recebeu no país. “Viva el Brasil”, costuma brindar Preciado. “Viva la privatización”, emendam seus inimigos. ( HORA DO POVO )

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