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setembro 8, 2009

Hora do Povo: "Editora Abril recebeu do governo federal 17 vezes mais que MST"

40 milhões para o MST é pouco. Muito são os 719 milhões do MEC para a Veja
Ah, se a senadora Kátia Abreu ganhasse do MEC o dinheiro que Civita recebeu: ia comprar escravo de boa qualidade, uma mucama prendada e dez terninhos de grife.

O assalto do grupo Abril aos cofres públicos na venda de livros ao MEC
Nenhum outro grupo editorial do país recebeu tantos recursos do Ministério da Educação pela compra de livros didáticos nos últimos cinco anos como o grupo Abril, segundo fontes do “Portal da Transparência”, do governo federal
CARLOS LOPES
Nos últimos cinco anos, o Ministério da Educação repassou para o grupo Abril a quantia de R$ 719.630.139,55 (719 milhões, 630 mil, 139 reais e 55 centavos) por conta da compra de livros didáticos. Foi o maior repasse de recursos públicos destinados a livros didáticos dentre todos os grupos editoriais do país. Nenhum outro recebeu, nesse período, tanto dinheiro do MEC – desde 2004, o grupo da “Veja” ficou com mais de um quinto dos recursos (22,45%) do MEC para compra de livros didáticos. Nem mesmo o grupo espanhol Santillana (dono das editoras Moderna e Objetiva), que teve suas vendas ao MEC turbinadas a partir de 2006, conseguiu emparelhar com os americano-afrikaners que têm o sr. Bob Civita por seu representante. O máximo que conseguiram foi chegar a 17,50% dessa verba.

Todos os dados expostos nesta página têm como fonte o “Portal da Transparência” do governo federal, mantido pela Controladoria Geral da República. A tabela que apresentamos mostra o que a Abril recebeu do MEC – e, para comparação, o que receberam as principais editoras ou grupos editoriais desse ramo. A editora Globo, por exemplo, recebeu 0,21% dos recursos destinados pelo MEC à compra de livros didáticos. A Melhoramentos, de vasta história nessa área, recebeu 0,17%. A Brasiliense, que dispensa maiores (e até menores) apresentações, recebeu 0,20%. A José Olympio, 0,22%. E a Companhia Editora Nacional, outra que todos conhecem na área de livros didáticos, ficou com 0,30%.
Enquanto isso, a Abril ficou com 22,45%. O espantoso é que até 2004 o grupo Civita não atuava no setor de livros didáticos. Nesse ano, o grupo adquiriu duas editoras – a Ática e a Scipione. Por que essa súbita decisão de passar a explorar os cofres públicos com uma inundação de livros didáticos? Evidentemente, porque existe dinheiro nos cofres públicos.
O FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), é uma das principais dotações orçamentárias do MEC, quando não a maior. Mais da metade dos recursos do FNDE são gastos na compra de livros didáticos. Assim, 72,64% da verba efetivamente gasta desse fundo, em 2004, foram para essas compras; em 2005: 72,76%; em 2006: 81,51%; em 2007: 63,68%; e em 2008: 63,47%. A diminuição do percentual nos últimos dois anos não se deveu a uma redução dos livros comprados. Pelo contrário, foi consequência de uma maior verba destinada ao FNDE pelo governo Lula.
Naturalmente, esses recursos, que são do Estado e do povo brasileiro, têm que ser, não somente fiscalizados, mas dispendidos de acordo com uma política que contemple os interesses e as necessidades dos seus donos. Caso contrário, é inevitável que monopólios, parasitas, aventureiros, para não falar de vigaristas sem qualquer sofisticação, armem seus expedientes para se apossar do que não é deles.
Quando não há nada que se aproxime de uma política nacional para o livro didático, não é espantoso que os picaretas do tipo Civita, e até os de além-mar, sejam os beneficiados na compra de livros didáticos pelo MEC.
O leitor poderá conferir na tabela: apenas quatro editoras ou grupos editoriais (Abril, Santillana, FTD e Saraiva) ficaram com 70,63% dos recursos do FNDE destinados à compra de livros didáticos.
É verdade que a FTD, pertencente aos Irmãos Maristas, tem uma longa – e benfazeja – tradição em livros didáticos e o mesmo pode-se dizer da Saraiva. Mas, o grupo do Civita? Que tradição tem, que não seja de ignorância, estupidez, amesquinhamento da cidadania (isto é, golpismo) e sensacionalismo difamatório? O fato de comprar a Ática e a Scipione não o transforma no campeão dos livros didáticos. Pelo contrário, transforma a Ática e a Scipione numa sucursal da “Veja” – ou daquela revista de história (?) dos Civita, que, há alguns anos, ensinava que a diferença entre os gregos e os persas que no século V a.C. lutaram nas Termópilas e em Salamina é que os primeiros eram capitalistas ao estilo americano, enquanto que os segundos ainda estavam no feudalismo…
Não há dúvida que existem dezenas de editoras neste país em muito melhores condições e com mais vontade (ou, pelo menos, alguma vontade) de educar as crianças e jovens brasileiros do que essa trupe que nem sabe falar português correntemente (já viram o Bob Civita discursando?), que tem como valores morais o qualquer-coisa-por-dinheiro e, como espírito cívico, o golpismo fascista. Por que os inimigos do povo deveriam receber dinheiro do povo? E por que o MEC deveria cevar o monopólio desses elementos?
Mas vá lá, apesar disso tudo, que o MEC faça alguma média com essa quadrilha. Entretanto, estamos falando de quase um bilhão de reais – e do açambarcamento da maior parcela da verba para livros didáticos, o maior negócio editorial do país, mantido com dinheiro público, dinheiro dos impostos, dinheiro nosso.
Evidentemente, cabe ao MEC decidir que editoras deseja fortalecer e quais aquelas que, por nocivas ou patogênicas, têm que ser mantidas sob quarentena. É a isso que se chama uma política. No momento, nessa questão da compra de livros didáticos, o MEC, infelizmente, está adotando a política de fornecer dinheiro público para que o Civita sustente o seu panfleto – pois a “Veja” não é uma revista, meramente é um panfleto, há quase oito anos voltado contra o Estado e o governo do país, e há muito voltado contra o povo, que espera que seus filhos estudem em livros didáticos decentes, não em deformados arremedos para ganhar dinheiro às nossas custas.
Em suma, as atividades anti-sociais do grupo Civita são abastecidas com dinheiro público – e nem falamos na publicidade de órgãos estatais que flui prodigamente para suas revistas. Ficamos apenas nos livros didáticos, por enquanto.
Exatamente essa malta, cínica e pendurada no dinheiro público, acusa o MST de ter recebido, de 2003 a 2007, R$ 43 milhões em alguns convênios com o governo federal. O MST, se é que recebeu esse parco dinheiro, o recebeu para trabalhar, pois é isso o que significa um convênio – uma parceria com o Estado para realizar tarefas necessárias à população. O dinheiro de um convênio não é entesourado, mas gasto no trabalho conveniado com o Estado, de acordo com regras estritas – e o que não faltam são órgãos, instâncias e mecanismos de fiscalização para verificar como o dinheiro é gasto, além de ser obrigatória (e pública) a prestação de contas.
Já o Civita, recebeu, só do MEC, entre 2004 e 2008, R$ 719.630.139,55 – isto é, 17 vezes mais do que o MST – e não foi para trabalhar, mas para empurrar livros didáticos duvidosos, e a preço de ouro, pela goela do Estado e no embornal das crianças e dos jovens. Não há ninguém para fiscalizar o modo como a Abril, ou o seu preposto, vai gastar o dinheiro ganho com esse empurra-negócio. Se alguém da cúpula da Abril quiser gastar o dinheiro com um harém – feminino ou masculino – pode fazê-lo, apesar da origem do dinheiro ser pública. “Ora”, dirá o Civita, “foi uma venda, e o dinheiro é meu”. Na verdade, não – foi um achaque sobre o Estado e o dinheiro público.
Diz a senadora Kátia Abreu, com o brilhantismo que lhe caracteriza, que os supostos R$ 43 milhões em cinco anos dariam para comprar uma infinidade de cestas básicas e sabe-se lá quantas casas populares. Parece que ela pesquisou um bocado para saber o preço de uma cesta básica…
Pois nós, também. Descobrimos o que a senadora compraria com os 700 milhões que o Civita recebeu do MEC: um escravo de boa qualidade, uma mucama prendada e dez terninhos de grife.
( Hora do Povo, 04.09.09 )
BIOGRAFIA CRIMINAL:
Roberto Requião: “Robert Civita é o Al Capone da imprensa brasileira”
Serra compra 220 mil assinaturas da Abril – Altamiro Borges

agosto 29, 2009

Se tiverem uma [ agradeçam a Deus por isso ], façam isso em casa também : FOGO NA vEJA!

Filed under: Editora Abril, moradores de rua, revista Veja, sem-teto — Humberto @ 1:03 am
Sem-tetos ateiam fogo em revista Veja durante ato
HORA DO POVO, ed. 2795, 28.08.09
Moradores de rua fizeram um protesto, quinta-feira (19), Dia Nacional de Luta da População em Situação de Rua, contra a revista Veja, da editora Abril. No ato, realizado na Praça da Sé, os manifestantes atearam fogo numa pilha de revistas e condenaram a reportagem “Profissionais da esmola”, publicada na edição 2.126, da semana passada.
A matéria, que inicia com o fato de o artigo 60º da Lei das Contravenções Penais — que qualificava a mendicância como contravenção — ter sido revogado em 17 de julho, acusa moradores de rua de “se fantasiar com uma roupa surrada” para “ganhar dinheiro fácil”. Cerca de 200 pessoas participaram do protesto denunciando o teor manipulatório e generalizador da matéria. Os manifestantes também qualificaram a publicação de “fascista”.
Conforme o vídeo que divulgou a manifestação, publicado pelo perfil “Gira”, os Moradores de Rua também lembraram os cinco anos do o genocídio ocorrido “entre os dias 19 e 22 de agosto de 2004, quando 15 pessoas foram violentamente atacadas enquanto dormiam nas ruas do centro da cidade, sendo que sete delas morreram. Posteriormente, no dia 23 de maio de 2005, uma testemunha do massacre foi morta por policiais militares”.
O VÍDEO TÁQUI, Ó:
Conversa Afiada
Vermelho: moradores de rua queimam revista Veja
26/agosto/2009

julho 18, 2009

vEJA dá uma de livro de escola estadual de SP e troca Ceará por Maranhão em mapa publicado no site da revista! Ato falho revela obsessão por Sarney!

( “Revela obsessão por Sarney” é fo#$%da! Não sei de onde eu tirei essa…Ahahaha. )

Publicado no COMUNIQUE-SE

Revista Veja troca Ceará por Maranhão em mapa publicado no site

A revista Veja substituiu o estado do Ceará pelo Maranhão em matéria publicada nesta sexta-feira (17/07) no site Veja.com. A matéria “A mulher que está por trás do fenômeno Stefhany”, sobre a garota que faz sucesso no Piauí, chamou a atenção de leitores no Twitter. No mesmo dia a revista fez a correção no mapa.
No quadro, divulgado para ilustrar a matéria e o local de nascimento da cantora, o estado do Ceará não aparecia no mapa e o espaço que deveria ser ocupado pelo Maranhão foi substituído pelo Pará.

O blogueiro Nivaldo Ribeiro divulgou o erro em seu blog, com o post “A Nova Divisão Geográfica do Nordeste”. A partir disso a notícia repercutiu no Twitter, principalmente entre os cearenses. Após o incidente, a Veja retirou o mapa da reportagem, fez a correção e inseriu o gráfico novamente.“Alguns leitores nos comunicaram sobre isso. Ficou pouco tempo no ar. A correção foi quase que imediata”, explicou Katia Perin, editora da Veja online.

julho 2, 2009

NÃO HÁ INDÍCIOS DE QUE O GRAMPO NO STF QUE NÃO EXISTIU TENHA A SUPOSTA PARTICIPAÇÃO DA ABIN!!

Lendo o texto publicado na Mosca de São Paulo ( PF conclui caso sem achar grampo no STF ), a inserção cuidadosa de trechos como “Para a PF é impossível afirmar que não existiu o suposto grampo em uma ligação entre Mendes e o senador Demóstenes Torres [ parece um sofisma, né? ] ” e “Não haverá, portanto, nenhum indiciamento, nem do delegado Protógenes Queiroz ( … ) nem de nenhum funcionário da ABIN”, dá a entender que “existe, mas insistem em não reconhecer o Estado Policial, talvez por pressão de forças ocultas”.
Nega-se para se reafirmar. Permanece-se, artificialmente, na dúvida, mantendo-se em tensão e a suspeição. Desde quando a PF tem que afirmar que o grampo, um suposto grampo, não existiu? Se ela não pode afirmar a não-existência, melhor pra ela, que não perderá tempo atrás de moinhos de vento que não existem.
A PF investigou a existência do grampo, e não detectou nada. Isso é o que vale.
Oras, cobrem da Veja a existência do suposto grampo. Um grampo mediúnico.

março 24, 2009

Protógenes ajuda Daniel Dantas e “Veja”, por Hora do Povo

Já externamos aqui no HP, por diversas vezes, a nossa opinião sobre a Operação Satiagraha da Polícia Federal. A operação foi, no essencial, um sucesso. Seu principal mérito foi o desmascaramento da quadrilha de Daniel Dantas, com farta documentação e provas. Mas, sem dúvida, como apontamos, houve também imprecisões e erros na condução dos trabalhos por parte do delegado Protógenes Queiroz. Graças ao excelente trabalho feito pelo substituto de Protógenes, delegado Ricardo Saad, esses problemas foram sanados. O novo encarregado das investigações apresentou um relatório ainda mais contundente que seu antecessor.
As falhas de Protógenes estavam em algumas conclusões precipitadas e sem base que ele considerou como se fossem fatos – e em certa propensão à espetacularização, privilegiando determinado órgão de mídia por ocasião das prisões. Esses erros, apesar de não causarem danos ao essencial das investigações, até porque foram corrigidos posteriormente, revelavam, no entanto, uma ânsia por aparecer e situar-se no centro dos acontecimentos pouco adequada a quem necessita manter a objetividade para não cometer inexatidões e injustiças que pusessem em xeque o trabalho policial.
Se no relatório da Satiagraha esses problemas foram secundários, parecem ter agora irrompido, com especial falta de vínculo à realidade, na carta aberta que, em seu blog, Queiroz dirigiu ao presidente dos EUA, Barack Obama. Em nome de defender a “soberania” do país, chega a pedir a ajuda da CIA para combater a corrupção no Brasil, como se a CIA não fosse, precisamente, um dos antros mais corruptos e corruptores que já existiram – e seu apreço pela soberania de outros povos ser ainda menor do que o apreço de Daniel Dantas pela lei. Aliás, dirigir uma carta ao presidente de outro país – e logo os EUA – para que lhe ajude a defender a nossa soberania não é propriamente uma ação destinada ao sucesso. No entanto, não é possível levar a sério tal pedido: transparece nisso mais a sofreguidão pelos refletores do que qualquer outra coisa.
Protógenes diz também que “não é apenas o judiciário que está no payroll [folha de pagamento] do banqueiro-bandido Daniel Dantas. O próprio presidente da República, o Lula, acaba de colocar os amigos para assumir controle do Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin)”. Queiroz não poderia ter sido mais injusto – e mais alucinado: o presidente nomeou um comitê interministerial para estudar a reformulação do sistema, estabelecido no governo Fernando Henrique, e não para “assumir o seu controle”. O comitê, coordenado pelo ministro-chefe do Gabinete Institucional é composto pelos ministros da Casa Civil, da Justiça, da Defesa, das Relações Exteriores, do Planejamento e da Secretaria de Assuntos Estratégicos. Nele está, portanto, quem devia estar. Queiroz tem, naturalmente direito a ter sua opinião sobre o assunto. Mas não tem o direito de levantar uma aleivosia – isto é, algo sem provas, apenas um insulto – contra o presidente da República, que é seu superior e tem muito mais serviços prestados ao país do que ele.
É natural que o delegado se sinta pressionado com a campanha de Dantas contra a Satiagraha e, particularmente, contra ele. Mas é nessas horas que os homens de bem têm de manter a serenidade ou os injustos e bandidos prevalecerão. Todo esse complexo de Errol Flynn somente serviu para ajudar os esbirros de Dantas a encobrir o seu chefe para que fuja ao implacável braço da lei, tirando credibilidade das investigações. Não é por outro motivo que a “Veja”, principal porta-voz da quadrilha, esparramou o assunto na última edição e escalou um anormal para divulgar a íntegra da carta do delegado.
Assim, com esse gancho, “Veja”, que nas últimas 20 edições não faz outra coisa senão acobertar Daniel Dantas, montou outra farsa. Para, supostamente, “provar” que Protógenes espiona até Jesus Cristo – uma simples projeção das atividades de Daniel Dantas – “descobriu” que Fernando César Mesquita, assessor do senador José Sarney, foi uma vítima do delegado. Na verdade, quem estava sendo investigado pela PF era um lobista, empregado de Dantas, Alexandre Paes dos Santos, que é amigo de Mesquita. Sobre o real investigado, a revista nada diz, mas a história é conhecida – quando atuava no Ministério da Saúde, quando Serra era ministro, foi apreendida uma caderneta desse lobista, onde anotara vários pagamentos. Um deles, para uma então editora de “Veja”. ( HP, ed. 2751, 25.03.09 )

Protógenes ajuda Daniel Dantas e “Veja”, por Hora do Povo

Já externamos aqui no HP, por diversas vezes, a nossa opinião sobre a Operação Satiagraha da Polícia Federal. A operação foi, no essencial, um sucesso. Seu principal mérito foi o desmascaramento da quadrilha de Daniel Dantas, com farta documentação e provas. Mas, sem dúvida, como apontamos, houve também imprecisões e erros na condução dos trabalhos por parte do delegado Protógenes Queiroz. Graças ao excelente trabalho feito pelo substituto de Protógenes, delegado Ricardo Saad, esses problemas foram sanados. O novo encarregado das investigações apresentou um relatório ainda mais contundente que seu antecessor.
As falhas de Protógenes estavam em algumas conclusões precipitadas e sem base que ele considerou como se fossem fatos – e em certa propensão à espetacularização, privilegiando determinado órgão de mídia por ocasião das prisões. Esses erros, apesar de não causarem danos ao essencial das investigações, até porque foram corrigidos posteriormente, revelavam, no entanto, uma ânsia por aparecer e situar-se no centro dos acontecimentos pouco adequada a quem necessita manter a objetividade para não cometer inexatidões e injustiças que pusessem em xeque o trabalho policial.
Se no relatório da Satiagraha esses problemas foram secundários, parecem ter agora irrompido, com especial falta de vínculo à realidade, na carta aberta que, em seu blog, Queiroz dirigiu ao presidente dos EUA, Barack Obama. Em nome de defender a “soberania” do país, chega a pedir a ajuda da CIA para combater a corrupção no Brasil, como se a CIA não fosse, precisamente, um dos antros mais corruptos e corruptores que já existiram – e seu apreço pela soberania de outros povos ser ainda menor do que o apreço de Daniel Dantas pela lei. Aliás, dirigir uma carta ao presidente de outro país – e logo os EUA – para que lhe ajude a defender a nossa soberania não é propriamente uma ação destinada ao sucesso. No entanto, não é possível levar a sério tal pedido: transparece nisso mais a sofreguidão pelos refletores do que qualquer outra coisa.
Protógenes diz também que “não é apenas o judiciário que está no payroll [folha de pagamento] do banqueiro-bandido Daniel Dantas. O próprio presidente da República, o Lula, acaba de colocar os amigos para assumir controle do Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin)”. Queiroz não poderia ter sido mais injusto – e mais alucinado: o presidente nomeou um comitê interministerial para estudar a reformulação do sistema, estabelecido no governo Fernando Henrique, e não para “assumir o seu controle”. O comitê, coordenado pelo ministro-chefe do Gabinete Institucional é composto pelos ministros da Casa Civil, da Justiça, da Defesa, das Relações Exteriores, do Planejamento e da Secretaria de Assuntos Estratégicos. Nele está, portanto, quem devia estar. Queiroz tem, naturalmente direito a ter sua opinião sobre o assunto. Mas não tem o direito de levantar uma aleivosia – isto é, algo sem provas, apenas um insulto – contra o presidente da República, que é seu superior e tem muito mais serviços prestados ao país do que ele.
É natural que o delegado se sinta pressionado com a campanha de Dantas contra a Satiagraha e, particularmente, contra ele. Mas é nessas horas que os homens de bem têm de manter a serenidade ou os injustos e bandidos prevalecerão. Todo esse complexo de Errol Flynn somente serviu para ajudar os esbirros de Dantas a encobrir o seu chefe para que fuja ao implacável braço da lei, tirando credibilidade das investigações. Não é por outro motivo que a “Veja”, principal porta-voz da quadrilha, esparramou o assunto na última edição e escalou um anormal para divulgar a íntegra da carta do delegado.
Assim, com esse gancho, “Veja”, que nas últimas 20 edições não faz outra coisa senão acobertar Daniel Dantas, montou outra farsa. Para, supostamente, “provar” que Protógenes espiona até Jesus Cristo – uma simples projeção das atividades de Daniel Dantas – “descobriu” que Fernando César Mesquita, assessor do senador José Sarney, foi uma vítima do delegado. Na verdade, quem estava sendo investigado pela PF era um lobista, empregado de Dantas, Alexandre Paes dos Santos, que é amigo de Mesquita. Sobre o real investigado, a revista nada diz, mas a história é conhecida – quando atuava no Ministério da Saúde, quando Serra era ministro, foi apreendida uma caderneta desse lobista, onde anotara vários pagamentos. Um deles, para uma então editora de “Veja”. ( HP, ed. 2751, 25.03.09 )

Protógenes ajuda Daniel Dantas e “Veja”, por Hora do Povo

Já externamos aqui no HP, por diversas vezes, a nossa opinião sobre a Operação Satiagraha da Polícia Federal. A operação foi, no essencial, um sucesso. Seu principal mérito foi o desmascaramento da quadrilha de Daniel Dantas, com farta documentação e provas. Mas, sem dúvida, como apontamos, houve também imprecisões e erros na condução dos trabalhos por parte do delegado Protógenes Queiroz. Graças ao excelente trabalho feito pelo substituto de Protógenes, delegado Ricardo Saad, esses problemas foram sanados. O novo encarregado das investigações apresentou um relatório ainda mais contundente que seu antecessor.
As falhas de Protógenes estavam em algumas conclusões precipitadas e sem base que ele considerou como se fossem fatos – e em certa propensão à espetacularização, privilegiando determinado órgão de mídia por ocasião das prisões. Esses erros, apesar de não causarem danos ao essencial das investigações, até porque foram corrigidos posteriormente, revelavam, no entanto, uma ânsia por aparecer e situar-se no centro dos acontecimentos pouco adequada a quem necessita manter a objetividade para não cometer inexatidões e injustiças que pusessem em xeque o trabalho policial.
Se no relatório da Satiagraha esses problemas foram secundários, parecem ter agora irrompido, com especial falta de vínculo à realidade, na carta aberta que, em seu blog, Queiroz dirigiu ao presidente dos EUA, Barack Obama. Em nome de defender a “soberania” do país, chega a pedir a ajuda da CIA para combater a corrupção no Brasil, como se a CIA não fosse, precisamente, um dos antros mais corruptos e corruptores que já existiram – e seu apreço pela soberania de outros povos ser ainda menor do que o apreço de Daniel Dantas pela lei. Aliás, dirigir uma carta ao presidente de outro país – e logo os EUA – para que lhe ajude a defender a nossa soberania não é propriamente uma ação destinada ao sucesso. No entanto, não é possível levar a sério tal pedido: transparece nisso mais a sofreguidão pelos refletores do que qualquer outra coisa.
Protógenes diz também que “não é apenas o judiciário que está no payroll [folha de pagamento] do banqueiro-bandido Daniel Dantas. O próprio presidente da República, o Lula, acaba de colocar os amigos para assumir controle do Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin)”. Queiroz não poderia ter sido mais injusto – e mais alucinado: o presidente nomeou um comitê interministerial para estudar a reformulação do sistema, estabelecido no governo Fernando Henrique, e não para “assumir o seu controle”. O comitê, coordenado pelo ministro-chefe do Gabinete Institucional é composto pelos ministros da Casa Civil, da Justiça, da Defesa, das Relações Exteriores, do Planejamento e da Secretaria de Assuntos Estratégicos. Nele está, portanto, quem devia estar. Queiroz tem, naturalmente direito a ter sua opinião sobre o assunto. Mas não tem o direito de levantar uma aleivosia – isto é, algo sem provas, apenas um insulto – contra o presidente da República, que é seu superior e tem muito mais serviços prestados ao país do que ele.
É natural que o delegado se sinta pressionado com a campanha de Dantas contra a Satiagraha e, particularmente, contra ele. Mas é nessas horas que os homens de bem têm de manter a serenidade ou os injustos e bandidos prevalecerão. Todo esse complexo de Errol Flynn somente serviu para ajudar os esbirros de Dantas a encobrir o seu chefe para que fuja ao implacável braço da lei, tirando credibilidade das investigações. Não é por outro motivo que a “Veja”, principal porta-voz da quadrilha, esparramou o assunto na última edição e escalou um anormal para divulgar a íntegra da carta do delegado.
Assim, com esse gancho, “Veja”, que nas últimas 20 edições não faz outra coisa senão acobertar Daniel Dantas, montou outra farsa. Para, supostamente, “provar” que Protógenes espiona até Jesus Cristo – uma simples projeção das atividades de Daniel Dantas – “descobriu” que Fernando César Mesquita, assessor do senador José Sarney, foi uma vítima do delegado. Na verdade, quem estava sendo investigado pela PF era um lobista, empregado de Dantas, Alexandre Paes dos Santos, que é amigo de Mesquita. Sobre o real investigado, a revista nada diz, mas a história é conhecida – quando atuava no Ministério da Saúde, quando Serra era ministro, foi apreendida uma caderneta desse lobista, onde anotara vários pagamentos. Um deles, para uma então editora de “Veja”. ( HP, ed. 2751, 25.03.09 )

TRF 3ª Região nega habeas corpus a Daniel Dantas e decreta: "cooperação entre ABIN e Polícia Federal é legítima e não causa perplexidade". TOOOOMEEEE!

O Tribunal Regional Federal da 3ª Região negou por unanimidade habeas corpus da defesa de Dantas para trancar a ação penal que o acusa de corrupção ativa (caso da tentativa de suborno do delegado Victor Hugo).
A tentativa da defesa de Dantas era barrar a Operação Satiagraha alegando ilegalidade na parceria entre Polícia Federal e Agência Brasileira de Inteligência (Abin).
Os juízes concluíram ser perfeitamente legal a troca de informações entre os órgãos integrantes do SISBIN durante investigações:
“O compartilhamento de dados sigilosos entre a Polícia Federal e outros órgãos do Estado ( CVM, Bacen, Receita Federal ) ocorre ordinariamente e não causa nenhuma perplexidade”.
A conclusão acima é com base na Lei 9.883/99 que indica a possibilidade dos órgãos componentes do Sistema Brasileiro de Inteligência (SISBIN) compartilharem informações sigilosas. A Polícia Federal e Abin compõem o sistema.

TRF 3ª Região nega habeas corpus a Daniel Dantas e decreta: "cooperação entre ABIN e Polícia Federal é legítima e não causa perplexidade". TOOOOMEEEE!

O Tribunal Regional Federal da 3ª Região negou por unanimidade habeas corpus da defesa de Dantas para trancar a ação penal que o acusa de corrupção ativa (caso da tentativa de suborno do delegado Victor Hugo).
A tentativa da defesa de Dantas era barrar a Operação Satiagraha alegando ilegalidade na parceria entre Polícia Federal e Agência Brasileira de Inteligência (Abin).
Os juízes concluíram ser perfeitamente legal a troca de informações entre os órgãos integrantes do SISBIN durante investigações:
“O compartilhamento de dados sigilosos entre a Polícia Federal e outros órgãos do Estado ( CVM, Bacen, Receita Federal ) ocorre ordinariamente e não causa nenhuma perplexidade”.
A conclusão acima é com base na Lei 9.883/99 que indica a possibilidade dos órgãos componentes do Sistema Brasileiro de Inteligência (SISBIN) compartilharem informações sigilosas. A Polícia Federal e Abin compõem o sistema.

TRF 3ª Região nega habeas corpus a Daniel Dantas e decreta: "cooperação entre ABIN e Polícia Federal é legítima e não causa perplexidade". TOOOOMEEEE!

O Tribunal Regional Federal da 3ª Região negou por unanimidade habeas corpus da defesa de Dantas para trancar a ação penal que o acusa de corrupção ativa (caso da tentativa de suborno do delegado Victor Hugo).
A tentativa da defesa de Dantas era barrar a Operação Satiagraha alegando ilegalidade na parceria entre Polícia Federal e Agência Brasileira de Inteligência (Abin).
Os juízes concluíram ser perfeitamente legal a troca de informações entre os órgãos integrantes do SISBIN durante investigações:
“O compartilhamento de dados sigilosos entre a Polícia Federal e outros órgãos do Estado ( CVM, Bacen, Receita Federal ) ocorre ordinariamente e não causa nenhuma perplexidade”.
A conclusão acima é com base na Lei 9.883/99 que indica a possibilidade dos órgãos componentes do Sistema Brasileiro de Inteligência (SISBIN) compartilharem informações sigilosas. A Polícia Federal e Abin compõem o sistema.

março 15, 2009

Sensacional e antológico: leitor do blog do Nassif descobre, na própria vEJA, o autor dos vazamentos da Satiagraha, e não foi o Protógenes!!!

Que inveja!!! O cara deve ter estômago de avestruz para escarafunchar a nojenta revista vEJA e encontrar este tesouro quase oculto, mas à vista de todos! Simplesmente localizou a pessoa responsável pelo suposto vazamento da Satiagraha, vazamento atribuído ao Protógenes Queiroz. Se a força-tarefa de defesa do Daniel Dantas conseguísse seu intento, as investigações que envolvem o banqueiro virariam poeira, e o delegado poderia até ir para a cadeia.
Sensacional, Léo! Merece o Pullitzer! Ao panteão!
“Ou será que a vEJA vazou de propósito? Talvez, vendo que as coisas não iam bem para ela, resolveu jogar os cúmplices aos tubarões a tempo de salvar a própria pele…” – Humberto
Veja entrega quem vazou a Satiagraha
No comentário abaixo, do leitor Leo, o verdadeiro furo: no rasgão da página do relatório publicado pela revista, ela entrega o nome do autor do vazamento da informação sobre o inquérito para a repórter Andrea Michel, da Folha.
Por Leo
Com o rigor jornalístico que lhe é peculiar, o blogueiro da Folha, Josias de Souza, publica hoje, com chamada garrafal no site do UOL, que a Operação Satiagraha foi ordenada pela Presidência. Expõe isso, assim, como se fosse um escândalo. Um pouco mais além, traz a espetacular notícia de que a Presidência ordenou ao delegado Paulo Lacerda que iniciasse a investigação com base em informações levantadas pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin). (…)
Como o esquema Folha de S.Paulo-Veja não respeita mais nenhuma regra do jornalismo, é preciso esclarecer aos não iniciados nessa podridão os mecanismos de deturpação profissional que geram esse tipo de notícia, e as razões pelas quais elas são colocadas no maior portal de internet do Brasil, sem o mínimo de checagem.
Josias, ao termo de sua denúncia retumbante, enumera três itens que a Veja classificaria de “aterradores”. São eles:
1. A Satiagraha “era uma missão determinada pela Presidência da República”;
2. O destinatário da ordem foi “o DPF [delegado da Polícia Federal] Paulo Lacerda”;
3. A operação foi deflagrada graças à “informações repassadas pela Abin” ao governo.
Vamos, então, aos fatos:
1) A Abin existe, justamente, para municiar o presidente da República de informações estratégicas para que ele possa governar. A partir da Operação Chacal, em 2004, quando se descobriu o esquema clandestino de espionagem do banqueiro Daniel Dantas contra inimigos e autoridades do governo Lula, o governo percebeu que estava se metendo em chumbo grosso. As informações da Abin apontavam, claramente, o funcionamento de uma quadrilha disposta a tudo. Como essas informações chegam ao presidente, ele fez o que deveria fazer: ordenar que a PF fizesse a investigação. Então, de fato, a Satiagraha foi uma missão determinada pela Presidência. Tremendo escândalo.
2) O destinatário da ordem, dada pelo então ministro da Justiça, Macio Thomaz Bastos, foi, de fato, Paulo Lacerda. O que Josias não sabe, nem se preocupou em checar (checar pra quê??) é que a tal ordem foi dada em 2004. Isso mesmo, 2004. E quem era o diretor-geral da PF em 2004, Josias de Souza? O delegado Paulo Lacerda. Então, onde está o escândalo? Como não entende nada de operações policiais e virou papagaio da Veja, Josias confundiu o momento da deflagração da operação (induzido pelo repórter Expedito Filho, conhecido ficcionista da Abril), em julho de 2008, com o momento da ordem, quatro anos antes. Ou seja, o blogueiro da Folha não sabe sequer do que está falando.
3) A função da Abin é, justamente, repassar informações, Josias. Em que planeta você mora? Fica óbvio que a tentativa do blogueiro é turbinar a polêmica da “participação ilegal” da Abin na Satiagraha. O jornalismo brasileiro vive, atualmente, dessas patetices.
(…) Ao reproduzir o trecho dos autos do Ministério Público (replicado da Veja), o blogueiro centra fogo na “acusação” (meu Deus, que cansaço…) da ordem dada pela Presidência da República ao delegado Paulo Lacerda, e não repara no que vem bem embaixo. Tente você, leitor, vislumbrar:
Bingo: “que no mês de abril (de 2008), durante os trabalho da operação, foi comunicado pelo DPF (Delegado da Polícia Federal) Daniel Lorenz (chefe do Departamento de Inteligência da PF!) que uma jornalista de nome Andréa Michael queria trocar informações a respeito de Daniel Dantas”.
Leiam de novo: uma repórter da Folha queria “trocar informações” com Protógenes Queiroz sobre Daniel Dantas. E quem fez o meio de campo? Daniel Lorenz, chefe do Departamento de Inteligência da PF!! Josias, essa era a sua manchete!! Você deu uma barriga em si mesmo, jornalista (?)! Agora, a CPI dos Grampos tem que chamar Daniel Lorenz para depor e explicar o que foi isso, como um chefe de inteligência da PF pode servir de moleque de recados para uma repórter da Folha. Por que, como todos sabem, naquele mesmo abril de 2008, Andréa Michael publicou uma matéria na Folha que avisou a quadrilha de Dantas e viabilizou os habeas corpus (ambos do crivo do ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal) que mantêm o banqueiro livre até hoje.
Tivesse sido feita por jornalistas, tanto na Folha como na Veja, a notícia não estaria no pé, porcamente escondida pelo rasgão feito no documento publicado pela revista da Abril.
Nassif, vivemos tempos muito estranhos.
Publicado no Blog do Nassif, 14.03.09

Sensacional e antológico: leitor do blog do Nassif descobre, na própria vEJA, o autor dos vazamentos da Satiagraha, e não foi o Protógenes!!!

Que inveja!!! O cara deve ter estômago de avestruz para escarafunchar a nojenta revista vEJA e encontrar este tesouro quase oculto, mas à vista de todos! Simplesmente localizou a pessoa responsável pelo suposto vazamento da Satiagraha, vazamento atribuído ao Protógenes Queiroz. Se a força-tarefa de defesa do Daniel Dantas conseguísse seu intento, as investigações que envolvem o banqueiro virariam poeira, e o delegado poderia até ir para a cadeia.
Sensacional, Léo! Merece o Pullitzer! Ao panteão!
“Ou será que a vEJA vazou de propósito? Talvez, vendo que as coisas não iam bem para ela, resolveu jogar os cúmplices aos tubarões a tempo de salvar a própria pele…” – Humberto
Veja entrega quem vazou a Satiagraha
No comentário abaixo, do leitor Leo, o verdadeiro furo: no rasgão da página do relatório publicado pela revista, ela entrega o nome do autor do vazamento da informação sobre o inquérito para a repórter Andrea Michel, da Folha.
Por Leo
Com o rigor jornalístico que lhe é peculiar, o blogueiro da Folha, Josias de Souza, publica hoje, com chamada garrafal no site do UOL, que a Operação Satiagraha foi ordenada pela Presidência. Expõe isso, assim, como se fosse um escândalo. Um pouco mais além, traz a espetacular notícia de que a Presidência ordenou ao delegado Paulo Lacerda que iniciasse a investigação com base em informações levantadas pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin). (…)
Como o esquema Folha de S.Paulo-Veja não respeita mais nenhuma regra do jornalismo, é preciso esclarecer aos não iniciados nessa podridão os mecanismos de deturpação profissional que geram esse tipo de notícia, e as razões pelas quais elas são colocadas no maior portal de internet do Brasil, sem o mínimo de checagem.
Josias, ao termo de sua denúncia retumbante, enumera três itens que a Veja classificaria de “aterradores”. São eles:
1. A Satiagraha “era uma missão determinada pela Presidência da República”;
2. O destinatário da ordem foi “o DPF [delegado da Polícia Federal] Paulo Lacerda”;
3. A operação foi deflagrada graças à “informações repassadas pela Abin” ao governo.
Vamos, então, aos fatos:
1) A Abin existe, justamente, para municiar o presidente da República de informações estratégicas para que ele possa governar. A partir da Operação Chacal, em 2004, quando se descobriu o esquema clandestino de espionagem do banqueiro Daniel Dantas contra inimigos e autoridades do governo Lula, o governo percebeu que estava se metendo em chumbo grosso. As informações da Abin apontavam, claramente, o funcionamento de uma quadrilha disposta a tudo. Como essas informações chegam ao presidente, ele fez o que deveria fazer: ordenar que a PF fizesse a investigação. Então, de fato, a Satiagraha foi uma missão determinada pela Presidência. Tremendo escândalo.
2) O destinatário da ordem, dada pelo então ministro da Justiça, Macio Thomaz Bastos, foi, de fato, Paulo Lacerda. O que Josias não sabe, nem se preocupou em checar (checar pra quê??) é que a tal ordem foi dada em 2004. Isso mesmo, 2004. E quem era o diretor-geral da PF em 2004, Josias de Souza? O delegado Paulo Lacerda. Então, onde está o escândalo? Como não entende nada de operações policiais e virou papagaio da Veja, Josias confundiu o momento da deflagração da operação (induzido pelo repórter Expedito Filho, conhecido ficcionista da Abril), em julho de 2008, com o momento da ordem, quatro anos antes. Ou seja, o blogueiro da Folha não sabe sequer do que está falando.
3) A função da Abin é, justamente, repassar informações, Josias. Em que planeta você mora? Fica óbvio que a tentativa do blogueiro é turbinar a polêmica da “participação ilegal” da Abin na Satiagraha. O jornalismo brasileiro vive, atualmente, dessas patetices.
(…) Ao reproduzir o trecho dos autos do Ministério Público (replicado da Veja), o blogueiro centra fogo na “acusação” (meu Deus, que cansaço…) da ordem dada pela Presidência da República ao delegado Paulo Lacerda, e não repara no que vem bem embaixo. Tente você, leitor, vislumbrar:
Bingo: “que no mês de abril (de 2008), durante os trabalho da operação, foi comunicado pelo DPF (Delegado da Polícia Federal) Daniel Lorenz (chefe do Departamento de Inteligência da PF!) que uma jornalista de nome Andréa Michael queria trocar informações a respeito de Daniel Dantas”.
Leiam de novo: uma repórter da Folha queria “trocar informações” com Protógenes Queiroz sobre Daniel Dantas. E quem fez o meio de campo? Daniel Lorenz, chefe do Departamento de Inteligência da PF!! Josias, essa era a sua manchete!! Você deu uma barriga em si mesmo, jornalista (?)! Agora, a CPI dos Grampos tem que chamar Daniel Lorenz para depor e explicar o que foi isso, como um chefe de inteligência da PF pode servir de moleque de recados para uma repórter da Folha. Por que, como todos sabem, naquele mesmo abril de 2008, Andréa Michael publicou uma matéria na Folha que avisou a quadrilha de Dantas e viabilizou os habeas corpus (ambos do crivo do ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal) que mantêm o banqueiro livre até hoje.
Tivesse sido feita por jornalistas, tanto na Folha como na Veja, a notícia não estaria no pé, porcamente escondida pelo rasgão feito no documento publicado pela revista da Abril.
Nassif, vivemos tempos muito estranhos.
Publicado no Blog do Nassif, 14.03.09
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