ENCALHE ( Descontinuado em 05.10.2013 )

maio 17, 2009

PAULISTA, O DESTEMIDO

Eu ia escrever um post, inspirado naquelas criaturas lodosas que costumam bater cartão nas seções de cartas dos jornais. Aquelas que escrevem “Lulla” ( copyright Eduardo Guimarães ); aquelas que, munidas do maior arsenal de criatividade literária jamais visto na Língua Portuguesa, costumam iniciar seus lamurientos queixumes com um “Urge que…”, e terminam com um “Pense nisso”.
Estas, digamos assim, pessoas, cresceram muito intelectualmente nos últimos 7 anos. Lembro-me bem. Seu foco não passava dos limites do município de São Paulo, quando este era governado pela dona Marta do PT. Todos os dias, cartas e mais cartas denunciavam, do alto de seu fervor cidadão, as mazelas da cidade: o túnel da Rebouças, os camelôs, a “Belezura”, as enchentes. Não ia muito além disso. Mas fizeram barulho, heim? Estas mesmas pessoas que deram seus votos a Maluf, Pitta, Collor, FHC, Serra e Kassab. Na Capital, estes personagens, dependendo do bairro, costumam chegar a 80% dos votos. Se fosse o Chávez, o imprensalão já gritava: “Ditadura! “.
Mas os limpos, justos, competentes, honestos, democráticos tucanos do DEMO já estão há 15 ou 16 anos trucidando o Estado de São Paulo, e não têm a intenção de largar o osso ( se é que eles deixarão pelo menos o “osso” ). E querem governar o Brasil de novo. Na verdade, eles não governaram. Eles assumiram o papel de “Piloto Automático”, já que quem guiava eram outros ( others… ).
Pois bem. A Marta saiu, o Lula tá lá. E essas pessoas ( os “lodosos” ) passaram a opinar sobre temas mais amplos, mais complexos e de maior monta. Deixaram a “ninharia” municipal prá lá.
E passaram a digressar sobre os “dólares de Cuba”, sobre a reforma tributária, política, sobre o Cesare Battisti, sobre a guerra do Iraque, sobre a situação na Venezuela, Bolívia, Paraguai, Equador, Afeganistão, o “apagão aéreo”e um monte de outras problemáticas.
Só acordaram um pouco quando o PCC atacou, há 3 anos. Claro, houve quem visse na ação da facção, a mão pesada do bolchevismo internacional ( leia-se: o “PT” ) tentando desestabilizar o governo paulista da ocasião.
Mas isso passou, e logo os lodosos passaram a se ocupar de assuntos do mais alto gabarito.
Com isso, deixaram passar várias estórias que ocorriam na frente de seus narizes, seja no âmbito local ( municipal ) ou estadual.
E nós, embasbacados, ficamos sem saber o que os lodosos pensam sobre a volta da Máfia dos Fiscais em São Paulo, sobre o longo e sofrido Apagão Educacional Continuado paulista ( obra dos sucessivos governos tucanos ), ou sobre o fato de que – saiu no Agora esta semana – há MENOS ÔNIBUS CIRCULANDO EM SÃO PAULO DO QUE HAVIA EM 2005!
Também não conseguimos acreditar que estes lodosos, sempre ciosos da necessidade de se combater o crime, ignoram solenemente a colossal série de indícios e fatos concretos que mostram que as polícias do estado de São Paulo ( Militar e Civil ) estão corroídas pela corrupção e pelo crime, assim como denúncias gravíssimas de que a própria Secretaria de Segurança paulista é um antro de corrupção, extorsões, chantagens e etc.
Não são estas pessoas – as lodosas – que vivem com medo até da sombra dentro de suas casas? Que querem a pena de morte para crianças do pré-primário? Que acham que em toda a esquina há um marginal esperando pelo bote?
E outras cositas más.
E então? Onde estão estes opinosos cidadãos de bem? Por quê se preocupam com a caderneta de poupança ou com os boxeadores cubanos, mas não querem nem olhar para a merda que sai pelos dutos destes governos de Serra e Kassab?
Voltarei ao assunto.

março 18, 2009

"A irresponsabilidade fiscal do Serra e do Kassab", por Chicão Dois Passos

BLOG DO CHICÃO
A imprensa conservadora não se cansa de dizer que o governo de São Paulo está com as contas em dia. Ela mente descaradamente pois a maior parte dos leitores destes jornais e revistas estão com a cabeça feita. Ou seja, abriram mão de raciocinar.
Aqui no blog do Chicão você ficou sabendo muitos meses atrás que a dívida acumulada do calote dos precatórios no estado de São Paulo era de muitos BILHÕES ( Serra contra a Lei de Responsabilidade Fiscal ). Agora a situação está tão preta que até a justiça amiga do PSDB está começando a acordar. É justo uma professora aposentada de 75 anos não receber uma dívida do governo do estado porque o Serra e o Alckmin não querem pagar? Os precatórios são dívidas que a justiça reconheceu e manda os governos pagarem. No Brasil, muitos dos governantes dão uma “banana” para a decisão da justiça. Os maiores caloteiros são o governador Serra e o ex-governador Alckmin ( Calote de Serra bloqueia parcelas da venda da Nossa Caixa ).
Se pagarem os precatórios cai a capacidade de investimento do estado. Enquanto não são pagos, os precatórios geram juro sobre juro e ficam cada vez mais caros.
Quem paga o preço desta sede de poder? Nós, cidadãos do estado de SP.
A irresponsabilidade do Serra atua também sobre os limites de endividamento do governo do estado. Na surdina tenta mudar regras e normas.
Na surdina o governador luta contra as novas regras de remuneração dos professores, aprovadas pelo congresso e sancionada pelo presidente.
Na surdina ele tenta criar mais e mais dívida. Na verdade são vários governantes que querem fazer isto ( Estados querem renegociar dívidas com governo ). O Serra é um líder informal e está usando este fato para arregimentar “colegas” para sua campanha.
Por fim, vamos falar da prefeitura de SP:
A Marta assumiu da gestão Maluf/Pitta uma cidade quebrada. O que o Maluf fez: economizou durante 3 anos e no último ano torrou todo o dinheiro. Elegeu seu sucessor (o Pitta), principalmente com os votos anti-petistas.
A Marta assumiu o caos e colocou as contas em ordem. Pagou uma infinidade de contas do Pitta, renegociou contratos e começou a investir.
O Serra entrou e fez uma campanha enorme contra a Marta. Dizia que ela havia deixado a cidade quebrada.
MENTIRA!
Com a ajuda da imprensa conservadora, o Serra covardemente investiu contra ela.
Hoje, o TCM deu razão para a Marta. O STF deu razão para a Marta. Mas a mentira pegou.
No início do governo Serra ele propôs realizar uma auditoria nas contas da prefeitura para tirar dúvidas se ela estava quebrada ou não.
QUANDO O PT TOPOU ELE MUDOU DE ASSUNTO. Foi assim que a campanha acabou.
Agora aparece a verdade. Além da Marta ter deixado as contas em ordem, ela deixou um SUPERAVIT.
O que aconteceu com a prefeitura desde de então?
Leia abaixo:
Cadê a responsabilidade fiscal tucano-pefelista?
E agora José? E agora Gilberto? José Serra e Gilberto Kassab, cadê a responsabilidade fiscal tão cantada em prosa e verso pelos tucanos-pefelistas? A dívida da capital paulista com a União chegou aos R$ 42 bi e fere o teto da lei fiscal. E sua equivalência dívida-receita, que registrava reduções graduais, explodiu no final do ano passado.
Reportagem-levantamento publicada pela Folha de S.Paulo, com base no mais recente balanço da gestão Kassab, mostra que ao alcançar esses R$ 42,4 bilhões em dezembro pp, a dívida paulistana tornou-se 2,03 vezes maior que a arrecadação anual da prefeitura com impostos.
Resultado: ficou fora dos padrões da Lei de Responsabilidade Fiscal e da resolução do Senado que determina sua redução gradativa até 2016. Por isso, adverte a reportagem do Folhão, se a Capital não diminuir o índice para 1,2 até 2016 poderá ter os repasses que recebe bloqueados pela União…
Quando o governador Serra (PSDB) assumiu como prefeito a 1º de janeiro de 2005, a dívida era de R$ 30,6 bilhões … a relação dívida/receita caia gradualmente por causa de bons resultados na arrecadação de impostos, mas esta no ano passado não alcançou o previsto.
Cofre esvaziou durante a campanha
Mas há outros fatores que contribuiram para a má performance dentre os quais: o IGP-DI, índice que corrige a dívida, influenciado pela alta do dólar superou os 9%; e na disputa pela reeleição no ano passado, o prefeito queimou parte do dinheiro depositado nos cofres municipais.
Entre 2005 e início de 2008, as administrações Serra (1,4 mês) e Kassab (dois anos seguintes) mantiveram mais dinheiro em caixa, o que equilibrava melhor a relação dívida/receita. Em abril do ano passado a prefeitura tinha R$ 5 bi em caixa, mas passada a campanha e a reeleição de Kassab, chegou a dezembro com com R$ 2,8 bi (OBSERVEM QUE USARAM A MESMA ESTRATÉGIA DO MALUF – OBRAS DE PONTES E VIADUTOS E GASTOS NO ANO ELEITORAL)….
O vereador Antônio Donato (PT), da comissão de finanças da Câmara Municpal faz um diagnóstico perfeito à FSP e que assino embaixo: “Por três anos eles mantiveram o caixa alto, mas, na eleição, gastaram o dinheiro, mostrando que tudo era uma maquiagem, e não uma política para amenizar o problema da dívida.”
O “eles” a quem se refere vereador são, claro, o prefeito Kassab (DEM) e o governador Serra, porque este, você se lembra, apesar de ter ficado apenas 1,4 mês como prefeito da Capital, largando-a para disputar o governo do Estado, deixou e ocupa até hoje com sua gente ( tucanos e assessores de confiança ) cerca de 80% dos cargos de importância da máquina da prefeitura. ( OBSERVEM BEM: AO INVÉS DE PAGAR A DÍVIDA FICARAM COM O DINHEIRO EM CAIXA, FAZENDO PROPAGANDA DA PRÓPRIA “COMPETÊNCIA”, COMO SE FOSSEM “SANTOS MILAGREIROS”.
QUE A POPULAÇÃO APRENDA: DÍVIDA SÓ É PAGA QUANDO O DINHEIRO SAI DO “BOLSO” DO GOVERNO E VAI PARA O BOLSO DE QUEM TEM DIREITO. E SE A DÍVIDA NÃO FOR PAGA O CONTRIBUINTE PAGA MUITO MAIS ).
BÔNUS: Para quem não sabe do que o Chicão está falando, leia abaixo:
Prefeitura SP: Dívida com a União vai a R$ 42 bi e fere teto da lei fiscal
Relação entre a dívida e a receita do município, que vinha tendo reduções graduais, terminou o ano passado em alta
Governo federal pode cortar repasses, caso o índice não seja reduzido até 2016; no ano passado, verbas federais somaram R$ 275 milhões
CONRADO CORSALETTE – FOLHA SP
DA REPORTAGEM LOCAL
A dívida paulistana com a União atingiu R$ 42,4 bilhões em dezembro de 2008, tornando-se 2,03 vezes maior que a arrecadação anual da prefeitura com impostos, de acordo com o último balanço da gestão Gilberto Kassab (DEM).
A relação dívida/receita ajuda a avaliar a saúde financeira da cidade. Ela está fora dos padrões da Lei de Responsabilidade Fiscal e da resolução do Senado que determina sua redução gradativa até 2016.
Caso São Paulo não diminua o índice para 1,2 nos próximos sete anos, correrá o risco de ter bloqueados repasses da União. Em 2008, o município recebeu R$ 275 milhões em repasses voluntários do governo federal.
Quando o hoje governador José Serra (PSDB) assumiu a prefeitura, em 2005, a dívida estava em R$ 30,6 bilhões. Desde então, a relação dívida/receita vinha caindo gradualmente por causa de bons resultados na arrecadação de impostos (veja quadro ao lado).
As receitas municipais em 2008, porém, não atingiram o previsto. Além disso, o IGP-DI, índice pelo qual a dívida é corrigida e que sofre forte influência da alta do dólar, superou os 9%.
A oposição a Kassab chama a atenção para um terceiro fator que contribuiu para a volta do crescimento do índice.
Na disputa pela reeleição, o prefeito queimou parte da verba que guardava nos cofres municipais. Nos anos anteriores, a administração Serra/Kassab manteve mais dinheiro em caixa, o que ajudava melhorar a relação dívida/receita.
No primeiro quadrimestre de 2008, a prefeitura chegou a ter mais de R$ 5 bilhões nos cofres. Acabou o ano eleitoral com R$ 2,8 bilhões. “Por três anos eles mantiveram o caixa alto, mas, na eleição, gastaram o dinheiro, mostrando que tudo era uma maquiagem, e não uma política para amenizar o problema da dívida”, diz o vereador Antonio Donato (PT), vice-presidente da Comissão de Finanças da Câmara.
A Secretaria de Finanças diz que, mesmo se mantivesse o mesmo volume de dinheiro em caixa, o índice da dívida subiria -a pasta admite, porém, que o crescimento seria menor.
Histórico
A dívida paulistana passou a ser um problema a partir da gestão Paulo Maluf (1993-1996). O ex-prefeito lançou títulos no mercado para pagar precatórios (dívidas judiciais), mas acabou utilizando o dinheiro em obras, numa operação considerada irregular pela CPI dos Precatórios.
Celso Pitta, no último ano do mandato, em 2000, fechou um acordo com o governo FHC para que a União assumisse a dívida, na época em R$ 10,5 bi.
Pelo acordo, os R$ 10,5 bi devidos deveriam ser pagos em 30 anos, com juros de 6% ao ano, mais a variação do IGP-DI. A prefeitura teria de abater 20% da dívida depois de 30 meses.
Marta Suplicy não amortizou os 20% em 2002 – a petista teria de desembolsar R$ 3 bilhões – e o valor da dívida superou R$ 30 bilhões ao fim de 2004, último ano do mandato.
Auxiliares de Marta, Serra e Kassab insistem que a dívida é impagável. Todos eles tentaram renegociar o acordo fechado por Pitta sem sucesso.
O acordo determina que a prefeitura comprometa, todo mês, 13% de sua receita com o pagamento da dívida. Mesmo que eles sejam feitos em dia, dizem técnicos das Finanças, não é possível diminui-la.
MEMÓRIA:
Kassab é um mal-agradecido”, diz Pitta
TERRA, 01.04.2006
O ex-prefeito Celso Pitta chamou de “mal-agradecido” o atual prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, que atuou como secretário de Planejamento na sua gestão. Pitta disse ainda que não entregaria o cargo à Kassab se soubesse da “falta de lealdade” e dos “problemas de caráter” do ex-colega.
“Ele é um mal-agradecido”, afirmou o ex-prefeito à Folha de S.Paulo. “Foi surpresa para mim, desde o início da campanha de Serra, vê-lo afirmar que foi um erro ter sido meu secretário, e que, se pudesse voltar atrás, não seria. É falta de lealdade, é atitude de quem cospe no prato em que comeu, e demonstra uma faceta dele até então desconhecida por mim”.
“Por que ele esperou tantos anos para dizer do seu arrependimento? Isso me parece ser muito grave em termos de caráter. No mínimo, tem falha de memória ou tem um problema sério de caráter”, acrescentou.
Pitta aposta que Kassab manterá a equipe de Serra até o fim do ano, quando deve mudar o secretariado e imprimir sua marca no governo, mas não acredita que o ex-secretário tenha força para disputar a reeleição. Não tem carisma. Pode ser um articulador político, mas não o vejo disputando votos, num palanque. É sem-sal, afirmou.
Já o ex-prefeito Paulo Maluf aposta no potencial de Kassab numa possível candidatura. O atual prefeito foi um dos principais aliados de Maluf na Câmara. “Kassab tem anos de experiência política para ajudá-lo a bem administrar”, disse.
Entenda a situação da dívida da Prefeitura de SP com a União
Folha Online, 07.11.2002
Veja as principais questões sobre o acordo da dívida da Prefeitura de São Paulo com a União:
13.dez.1999
Celso Pitta (PSL), então prefeito de São Paulo, e o ministro Pedro Malan (Fazenda) assinam o acordo para refinanciar a dívida de R$ 10,5 bilhões com a União. Do total, R$ 10 bilhões eram referentes à emissão de títulos, R$ 348 milhões eram de ARO ( antecipação de receita orçamentária) e R$ 152 milhões eram de contratos
4.mai.2000
O Senado autoriza a rolagem de 100% da dívida. Pelo acordo, a prefeitura pagaria no máximo 13% da receita líquida mensal à União. Em média, a prefeitura paga cerca de R$ 70 milhões por mês; neste ano, já foram quitados R$ 700 milhões
Formas de pagamento
O prazo para pagar a amortização de 20% da dívida venceu na última segunda-feira (4). As opções da prefeitura até então eram:
Pagar 20% do estoque da dívida, R$ 3,049 bilhões, e ficar com o juro de 6% ao ano, mais inflação medida pelo
IGP-DI
Pagar 10% do estoque da dívida, R$ 1,025 bilhão, e ficar com juro de 7% ao ano, mais
IGP-DI
Não pagar nada da amortização e arcar com juro de 9% ao ano, mais IGP-DI
As consequências do não-pagamento:
Com a decisão de não pagar a amortização, a dívida passa de R$ 15,2 bilhões para R$ 16 bilhões, um aumento de R$ 800 milhões
O acréscimo acontece porque, até a decisão de não pagar, o governo federal estava cobrando juro de 6% sobre o total da dívida. O índice sobe agora para 9% sobre o saldo devedor desde o início do contrato
Pagar ou não parte da dívida era uma opção da prefeitura. Ou seja,
as obrigações de pagamento da dívida estão todas em dia
Caso não consiga pagar toda a dívida até 2030, o município poderá refinanciar o saldo por mais dez anos
O não-pagamento da amortização neste mês altera o teto de pagamento das parcelas mensais, que continua em 13% da receita. O impacto será sentido só em 2030, quando o saldo deverá ser pago ou renegociado.
Fontes: Secretaria Municipal das Finanças e Tesouro Nacional
Marta herda problemas em todas as áreas
Folha de S.Paulo, 31/12/2000
O tamanho da lista de problemas que aguardam a prefeita Marta Suplicy (PT) para serem resolvidos na maior cidade do país é comparável à expectativa que os paulistanos têm em relação ao novo governo que começa amanhã.
Marta assume um município bombardeado nos últimos quatro anos por denúncias de corrupção, prisões de vereadores e flagrantes de cobrança de propina.
A nova fase foi definida pelo voto de 3,2 milhões de paulistanos _58,51% dos votos válidos_, que apostaram suas expectativas na petista, após oito anos de monopólio pepebista. Até a Câmara se renovou: dos 50 vereadores que tentaram a reeleição, apenas 27 conseguiram ficar.
Passada a euforia da posse, o item mais imediato tem a ver com o próprio mês da festa, janeiro, que abre oficialmente a temporada de chuva forte, enchentes, casas e carros imersos, sujeira e buracos nas ruas.
“O que posso garantir é que, se tiver chuvas, vai ter enchentes, infelizmente”, disse dias atrás o engenheiro Walter Rasmussen Júnior, indicado por Marta para ocupar a Secretaria de Serviços e Obras e de Vias Públicas.
A nova administração fala em criar um plano antienchente, mas reconhece que os quatro anos de governo não serão suficientes para sanar o problema.
No verão passado, a cidade registrou 847 pontos de alagamento e inúmeras histórias como a da estudante de psicologia Bruna de Cassia Pedro, 22, que viu seu carro novo imerso em uma das várias inundações no município.
Bruna, assim como outros paulistanos, sentiram na pele os problemas que a prefeita terá de resolver.
O quadro fica pior porque a cidade entrou no período de chuvas com apenas 20% de funcionamento de sua operação tapa-buraco.
Estima-se que 1.500 futuras “crateras” surgem diariamente no município de São Paulo e a maioria delas fica aberta.
Enquanto a chuva não chega, o caos da saúde deve consumir os primeiros dias de trabalho da petista. Remédios e materiais hospitalares prestes a acabar nas unidades públicas, dívidas e risco de greve, segundo quadro descrito durante a transição de governo pelo secretário da Saúde de Celso Pitta, Carlos Alberto Velucci.
“Caos” foi a palavra usada pelo próprio Velucci para descrever esse cenário ao deputado Eduardo Jorge (PT), novo secretário da Saúde, que cogitou decretar estado de calamidade pública logo que assumir.
Outro desafio de Marta nessa área será lidar com déficit de cerca de 11 mil leitos hospitalares e conduzir o atual PAS, sistema marcado por denúncias de fraudes, para a municipalização.Paralelo a tudo isso, a administração petista se prepara para tentar conter o aumento da tarifa dos ônibus urbanos, medida impopular para quem está assumindo. Uma saída seria subsidiar a passagem, mas o Orçamento aprovado para este ano prevê apenas R$ 30 milhões para isso, dinheiro suficiente para apenas um mês.
Há também, no setor de transporte, a pendência de legalização dos perueiros clandestinos, processo que se arrasta desde a gestão de Paulo Maluf (PPB), e gerou depredações e confrontos de rua ao longo do ano passado.
Por fim, as atenções da população no governo Marta estarão voltadas para a questão do lixo. Desde 98, a prefeitura tenta fazer uma nova licitação para a coleta e varrição, mas sempre surgem denúncias de favorecimento.Da última vez, em agosto, o edital de concorrência foi anulado de novo em razão de irregularidades apontadas pelo TCM (Tribunal de Contas do Município).
Desde o início do impasse, a prefeitura vem fechando contratos de emergência, por períodos de seis meses. O acordo vigente vence em abril e Marta já avisou que deverá reeditá-lo.Das quatro empresas que fazem esse tipo de serviço na cidade _Vega, Enterpa, Cliba e Marquise_, as três primeiras fizeram grandes doações para a campanha petista em São Paulo.
Pitta diz que deixa prefeitura sem dívidas; Marta olha “torto”
Folha Online
, 01.01.2001
O ex-prefeito Celso Pitta afirmou que está entregando a Prefeitura de São Paulo sem nenhuma dívida.
A declaração foi feita durante a leitura de seu discurso na cerimônia de trasmissão do cargo à prefeita Marta Suplicy (PT).
Logo após Pitta fazer a declaração, Marta olhou “torto” para o ex-prefeito, que está ao seu lado na cerimônia.
A equipe da Secretaria de Finanças de Marta calcula que a prefeitura tem cerca de R$ 2 bilhões de dívidas.
Prefeitura de SP irá comprometer 13% da receita com renegociação
Folha de S.Paulo
26/04/2000
De acordo com a rolagem de dívida aprovada nesta quarta-feira (26) pela Comissão de Assuntos Econômicos, do Senado, a Prefeitura de São Paulo irá comprometer 13% de sua receita líquida para pagar a dívida com a União. O senador Romero Jucá calcula que isso significará um dispêndio anual de até R$ 780 milhões. A primeira parcela (de aproximadamente R$ 65 milhões) terá de ser paga um mês após a assinatura do contrato, o que poderá acontecer nos próximos nove meses. Trinta meses após a assinatura, a prefeitura terá de amortizar 20% do valor devido. Caso essa amortização não seja feita, a dívida passará a ser corrigida por juros de 9% mais IGP-DI (contra uma correção prevista no contrato de 6% mais IGP-DI). A rolagem da dívida paulistana começou a ser negociada em fevereiro do ano passado, quando o governo editou uma MP (medida provisória) regulamentando o financiamento dos débitos dos municípios. O contrato de renegociação foi assinado entre o Ministério da Fazenda e a Prefeitura de São Paulo no início deste ano, mas a equipe econômica decidiu que ele só teria validade com uma confirmação do Senado. O temor da equipe econômica se referia à parte da dívida formada com os títulos emitidos para o pagamento de precatórios, que foram investigados pela CPI dos Precatórios em 1997. A CPI concluiu que mais de 70% desses títulos foram emitidos irregularmente porque não existiam os precatórios correspondentes às emissões. Em fevereiro, o Palácio do Planalto enviou para o Senado o acordo assinado entre a prefeitura e o Ministério da Fazenda. A tramitação foi atrasada pelas denúncias de Nicéa Pitta, ex-primeira-dama de São Paulo, sobre irregularidades na administração de Celso Pitta. A votação terá de ser concluída antes da sanção da Lei de Responsabilidade Fiscal, que impede a União de renegociar dívidas de Estados e municípios. A sanção está prevista para a quinta-feira da próxima semana

fevereiro 26, 2009

COISAS PARA SE FAZER EM SWIMMING-PAUL QUANDO VOCÊ ESTÁ ILHADO

Para evitar explicações e pormenores desnecessários, as sugestões abaixo são dadas, preferencialmente, a motoristas de automóveis. Claro, qualquer um pode fazer uso delas, mas o foco é no motorista.
OUÇA MÚSICA:
Um “charts” que preparei. Primeiro, já que estou sem tempo, apenas enumerar as músicas que foram selecionadas. Futuramente,vou dar um jeito botar uns links para algum arquivo, site ou sei-lá-o-quê, para que vocês possam ouvir as músicas.
Internacionais:
1 – Raindrops keep falling on my head
B. J. Thomas
2 – Rain
Beatles
3 – Aqualung
Jethro Tull
4 – It’s raining again
Supertramp
5 - Smoke on the water
Deep Purple
6 – Aquarius
Hair
7 - Have you even seen the rain?
Creedence Clearwater Revival
8- Dirty Water
The Standells
9- Yellow Submarine
Beatles
10- Purple Rain
Prince
11 – Who’ ll stop the rain?
Creedence Clearwater Revival
Nacionais:
1 - Chove Chuva
Jorge Ben
2 – Planeta Água
Guilherme Arantes
3 – Chuva de Prata
Gal Costa
4 – Asa Branca
Luís Gonzaga
5 – Medo da Chuva
Raul Seixas
6 - Alagados
Paralamas do Sucesso
7 – Deixa Chover
Guilherme Arantes
8 - Águas de Março
Tom Jobim
RESOLVER CHARADAS:
1 – “O que é o que é: cai em pé e corre deitado?”
2 – “O que é o que é : entra na água e não se molha?”
LER UM BOM LIVRO:
1 – 20.000 Léguas Submarinas
Júlio Verne
2 – Moby Dick
Herman Melville
BRINCADEIRINHAS E PASSATEMPOS:
1 – Batalha Naval
ASSISTA A DESENHOS ANIMADOS:
Se você for um daqueles fanáticos por traquitanas eletrônicas, dessas que baixam vídeos, músicas, conectam a Internet etc ( que servem para tudo, exceto para te acudir numa hora dessas ), então baixe uns desenhos. Se você estiver com crianças no carro, redobramos a sugestão:
1 – Popeye
2 – Procurando Nemo
3 – Bob Esponja
4 – Os Impossíveis ( aquele, que tem o “Homem-Fluido” )
LEIA A BÍBLIA:
A leitura deste livro sagrado pode te dar um alívio nessas horas. Recomendamos as seguintes passagens:
1 - A construção da Arca de Noé
2 - Moisés abre o Mar Vermelho
3 – Jesus caminha sobre as águas
LER GIBI:
Namor, o Príncipe Submarino

Aquaman

Se nada disso der certo, e você estiver completamente cansado, exaurido e desesperado, então é hora de partir pro radical: pegue, no porta-luvas, aquele boneco do Kassabinho que você guarda desde as eleições. Se você tem algum contigo, é sinal de que você votou nele. Pegue o boneco e dê um forte e pesado…ABRAÇO!!! Oras, não é porque você está sendo pego quase que diariamente em enchentes e congestionamentos que você iria se arrepender de ter votado nele. Eleitores como você, de idéias fortes e coerentes, não as mudam por qualquer coisinha. Reafirme suas crenças, pois mudar é fácil, o problema é sustentar o que se faz e ir até o fim.

E lembre-se: NA ÉPOCA DA “MARTAXA” ERA PIOR, NÃO ERA?!?

fevereiro 24, 2009

Represálias ( curtinhas )

- A bancada do PMDB na ALESP deve ter ficado magoada com as declarações do impoluto Jarbas Vasconcellos, para quem o partido se assemelha mais a uma quadrilha. Isso não pode ficar assim, gente! Provem a ele seu equívoco e batalhem pela instalação de algumas CPIs ( sérias ) na Assembléia, dentre as dezenas de pedidos feitos nos últimos 13 anos e que já nem cabem mais na gaveta. Assim vocês mostrarão disposição de não compactuar contra a corrupção e a bandalheira.
- Alguns patriotas brasileiros pensaram seriamente em retirar suas economias guardadas em bancos suíços, em represália ao tratamento policial dado à conterrânea que teria sido atacada por neonazistas. Graças a Deus, tudo não passou de uma farsa, e os dólares brazucas continuam repousando na paz dos cofres da Suíça.
- Moradores da região da Avenida Aricanduva, duramente atingida pela chuva e enchentes no dia de ontem, protestaram fechando a avenida e queimando imóveis inutilizados pelas chuvas. Isso não funciona, gente. Selecionem um morador e façam com que ele surja em algum lugar onde esteja presente o prefeito Kassab. Aí, é só torcer para que haja alguns jornalistas presentes, iniciar um bate-boca com o prefeito e apontar o dedo na cara da autoridade, quase furando seu olho. Isso sempre dá certo e já causou a queda de reinos e impérios. Quem desconhece a história…
Outra coisa que se pode fazer, com o objetivo de obter a atenção e a presença física de autoridades acima do prefeito paulistano é divulgar, rapidamente, no calor ( OPS!! ) dos acontecimentos, que um templo da Igreja Renascer ruiu devido às fortes chuvas.
- Isso não pode ficar assim, gente. Merenda podre em escolas municipais ( e, até, nas estaduais ), denúncias gravíssimas contra ex-figurões da Secretaria de Segurança de São Paulo, enchentes horrendas em todas as regiões da Capital ( e até em locais que nunca haviam sido atingidos antes), prédios em Higienópolis sofrendo arrastões… e o Lula não foi vaiado na Sapucaí?!?!! Diante desse quadro atordoantemente incrível, jornais e revistas deverão redobrar seus esforços e explorar ao máximo os efeitos ( concretos, imaginários ou, apenas, possíveis e supostos ) da crise mundial. Se um homem morder um cachorro isso será [ como sempre seria ], obviamente, notícia. E, no caso – comum – de um cachorro morder um homem, os jornalistas, redatores e editores serão obrigados a usar o máximo de sua capacidade criativa, para vincular o episódio à ‘crise econômica mundial, que o Lula chamou de ‘marolinha’ “.

fevereiro 10, 2009

Cala a boca e nada, paulistano!!!

Arquivado em: bairros de São Paulo, enchentes, Gilberto Kassab, imprensalão, Marta Suplicy — Servílio Gentil Lavapés @ 8:40 pm
Fiquei compungido com as cenas escabrosas de automóveis submersos ou empilhados, graças às chuvas que, parece, perseguem o tucanato do Demo. Caiu Metrô, culpa da chuva. Blablabla, chuva. O suspeito de sempre. São Pedro não gosta de São Paulo. Bom, o eleitor paulistano também não. Eu celebro o fato da Marta Suplicy ter perdido a eleição. E perdeu de lavada ( sem trocadilho ), justamente nos bairros que, desta vez, parecem ter sido mais prejudicados com as belas chuvas que têm caído sobre a cidade. Bairros de Sumaré, Vila Madalena, Perdizes, Pinheiros, Jardim Paulista. Que beleza!! Pois imaginem, por um singelo segundo, o que estariam dizendo ( imprensalão e moradores ) se essas chuvas e enchentes ocorressem em meio ao mandato de Marta. Afinal, até gente morrendo teve. E, nada de aparecer dentista para discutir com o Kassab. Você viram alguém? E o preceptor do prefeito, o Conde, sumiu. Ele ( a quem Kassab a reeleição ), que correu a ver o que acontecia na Renascer do Cambuci. Até o medo de crucifixo ele esqueceu, o Conde.

Foi feio, mas eu acho tão bacana. Eu trabalhei nessa região, e não tenho saudades das “Senhoras da Rebouças”, combativo grupo que dispunha de bastante destaque no imprensalão, graças a uma obra da Marta ali, que elas tentaram embargar. Também teve o tal Túnel Bandeira de Melo. Inundou umas vezes, ela perdeu a eleição, o prefeito eleito fez uns factóides ( disse que não ia pagar, cancelou conttratos e tal ) e não se falou mais nisso. Tanto é que nem sei se inundou o túnel com estas últimas tormentas. Acho que não. Por isso, não disseram nada. Iam dar o braço a torcer?
Agora, um pouco de amenidades, já que ninguém é de ferro. E, se for, vai acabar enferrujando, com tanta água…
- A SPFW ( Swimming-Paul Flooding Water ) revelou a vedete da estação Primavera-verão-outono-inverno em São Paulo: o colete.
A moda agora é o colete, queridos! A peça volta com tudo ao guarda roupa do paulistano, sempre preocupado com a imagem e a elegância em qualquer ocasião.
Nos dias de chuva, colete salva-vidas.
Nos dias de chumbo, colete à prova de balas.
- A Prefeitura de São Paulo vai mudar a designação dada a vários logradouros da Capital. Mudará a forma de tratamento: Saem os termos “Rua”, “Avenida” ou “Alameda”, e entra “Raia”.
- E também instituirá um serviço, que será administrado pela Prefeitura mesmo ( porém altamente privatizável, claro): o de balsas que ligarão bairros de São Paulo quando ficarem submersos, já que a famigerada e maldita chuva ( à semelhança de greves e manifestações ) só serve para prejudicar o trânsito na Capital.

dezembro 24, 2008

Sâo Paulo vira Atlântida!! Glub, glub e TOP! TOP!

Que satisfação prazerosa saber que a prefeitura de São Paulo está em boas mãos e, mesmo com estas chuvas torrenciais dos últimos dois dias, não houve enchentes, alagamentos, perdas materiais, etc.E pensar que houve um tempo em que isso era muito comum na cidade de São Paulo, lembram? Mas, desde que o Serra venceu a eleição em 2004, depois assumiu Kassab a cadeira do Executivo Municipal e, finalmente, o POVO PAULISTANO, em massa, refendou a continuidade da vitoriosa administração demo-tucana.
Isso quer dizer que, graças a Deus, a ex-prefeita deve estar bem longe daqui, escorraçada que foi pela nossa população. Com isso, estando na França ou em Buenos Aires, ela deve estar assistindo – com muita inveja, claro – pela televisão a competência da atual chefia municipal. E bebericando um champã.
Os eleitores paulistanos estão de parabéns. Eu dou o braço a torcer. Jamais imaginei que, com a Marta fora da prefeitura, as coisas seriam bem melhores. E vejo, assombrado, que não foram relatados casos de violência das águas na cidade, mesmo com o ímpeto e quantidade de água que as núvens nos mandaram.
Faço meu “mea culpa”: certos estiveram, sempre, os eleitores residentes em locais como Higienópolis ou nos Jardins. Nesses locais, a porcentagem de votos conquistados pelos demo-tucanos está sempre na casa dos 80%. Nem Saddam conseguia isso. E nem mencionei o povo da Rebouças.
Certa estava aquela visionária dentista que bateu boca com Marta, em 2004, quando a então prefeita visitava os locais devastados pela enchente do córrego Pirajussara. Lembram? Deu primeira página e fotos! A imprensa fez a festa! E com razão, já que, 4 anos após os eventos, tudo está dentro da mais perfeita paz, e os moradores de São Paulo não mais temem ao olhar para o céu e notar que as nuvens se tornam carregada, prenúncio de chuvas fortíssimas.
Parabéns, São Paulo! Você merece!
Uma hora e meia de chuva deixa São Paulo submersa
Hora do Povo
, 24 e 25.12.08
44 pontos de alagamento e toda a cidade em estado de alerta por causa do transbordamento dos rios Pinheiros, Tietê e do córrego Pirajussara
A última segunda-feira (22) foi de caos para os paulistanos. A cidade ficou literalmente boiando com a chuva que, segundo o próprio Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) da prefeitura, durou uma hora e meia e deixou 44 pontos de alagamento, mais de 20 deles intransitáveis, e 166 quilômetros de congestionamento. Diversos bairros ficaram sem luz, e os moradores – motoristas e pedestres – ilhados.
“Levei mais de três horas para chegar ao trabalho, num percurso que demora uns quarenta minutos. É um absurdo você passar tanto tempo dentro de um ônibus que simplesmente não sai do lugar. E o pior é que nem chovia tanto assim”, afirmou, indignado, Leandro Santana, morador da Zona Oeste da capital.
O CGE decretou estado de atenção em toda a cidade às 15h30, mas a zona Sul foi uma das mais afetadas. O rio Pinheiros transbordou e um grande alagamento interrompeu o tráfego na pista local da Marginal, no sentido Rodovia Castelo Branco. Mesmo com o fim da chuva, a marginal Pinheiros ainda ficou intransitável na altura da Ponte do Morumbi até às 19h18. Os carros ficaram 1 metro e meio debaixo d’água num estacionamento próximo ao Shopping Morumbi.
Na zona Oeste, o córrego Pirajussara também subiu de nível e, a partir das 15h15 as regiões de Santana, a Rodoviária do Tietê, Pirajussara e as regiões do Jóquei Clube e do estádio do Canindé entraram em estado de atenção.
A marginal do rio Tietê entrou em estado de atenção às 15 horas e só foi liberada depois das 18h. A Avenida Dr. Ricardo Jafet, no Ipiranga, foi liberada somente às 19h32.
Outros pontos, que ficam longe dos rios que cortam a cidade, também ficaram submersos.
A praça Campo de Bagatelle, onde repousa a réplica paulistana do 14 Bis, ficou paralisada até às 17h58. Foram registrados pontos de alagamento na avenida Giovanni Gronchi (Oeste), na Mooca (Leste), em Santana (Norte) e em Santo Amaro (Sul).

“Por aproximadamente 1h30 choveu forte principalmente nas Zonas Norte, Leste, Oeste, Centro e Sul da Capital. A chuva forte veio acompanhada de muita queda de granizo e ventos de rajada”, informou, à noite, o CGE.
Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), o congestionamento na cidade chegou a 166 quilômetros, por volta das 18h15. De acordo com o Corpo de Bombeiros, foram 45 – e não 44 – pontos de alagamento na cidade, que incluíram as principais avenidas do município como a 23 de maio, a Ibirapuera e a Cruzeiro do Sul. O último ponto de alagamento foi liberado só depois das 20 h.

MEMÓRIA

outubro 29, 2008

Repulsa ao nexo: Kassab conseguiu a proeza de, com 49% dos votos de certa zona eleitoral, vencer Marta que teve 51%!!

Não subestimem o alcance dos pequenos jornais. Há um aqui em São Paulo, chamado Agora, que é o “Mini-Me” do Grupo Folha. Ele foi criado a partir do cancelamento dos antigos Notícias Populares e Folha da Tarde. Diz meu amigo, o jornaleiro onde vou filar as notícias sem pagar, que quem costuma comprar este jornal são, em sua esmagadora maioria, aposentados e taxistas. E que esse é o jornal que ele mais vende em sua banca. Esse jornal suplantou o Diário de São Paulo ( antigo Diário Popular, o então “Rei das Bancas” ) na preferência popular ( bom, provavelmente ele não considerou o Lance! e aqueles jornais que são distibuídos de graça no Metrô ).
Logo, ao nível do populacho, essa é a leitura e fonte de notícias/ informações mais consultada, que não seja televisão e rádio.
Em matéria publicada no dia seguinte ao 2º. turno municipal, o Agora veio triunfante: “Em 21 dias, Kassab toma 8 redutos de Marta”.
Quais são esses “redutos”? Minha opinião é a seguinte: a apresentação dos números é que é o importante, a forma como eles são mostrados ao público, e os efeitos gerados no estado de espírito da população para, aí sim, abrir o jogo. Os redutos seriam:
Capela do Socorro, Cidade Ademar, Pirituba, Vila Jacuí, Itaquera, Conjunto José Bonifácio São Miguel Itaim Paulista. Essa é a lista apresentada pelo Agora. E os números:
Não quero me estender. Começa assim:
“A fama de rainha dos extremos da candidata Marta Suplicy ( PT ) encolheu ontem. Desde 2004*, quando perdeu para José Serra ( PSDB ), e no primeiro turno contra Gilberto Kassab ( DEM ), ela registrava vitórias nas periferias das zonas sul, leste e norte. No segundo turno foi diferente. Em 21 dias – intervalo entre o primeiro e segundo turnos – Kassab conseguiu engolir oito zonas eleitorais que pertenciam a Marta.”
“O cinturão vermelho recuou com a perda de tradicionais redutos petistas, como Itaquera, na zona este, e Capela do Socorro, na zona sul (…)”.
De acordo com O Globo, o primeiro turno ficou assim:
“Com 100% das urnas apuradas, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) obteve 33,61% dos votos e vai disputar o segundo turno com Marta Suplicy (PT), que somou 32,79%. Geraldo Alckmin (PSDB) ficou em terceiro lugar com 22,48%.”
Capela do Socorro – 1º. Turno – 2º. Turno
Kassab 32,30% 50,57%
Marta 42,43% 49,43%
Somando os dois candidatos Anti-Marta ou Anti-PT, o segundo turno deu quase um empate técnico. Mas, como no primeiro turno, Marta obteve 10% a mais que o prefeito, e não aparece o percentual conseguido por Alckmin, fica parecendo uma lavada martista e uma reviravolta colossal de Kassab no segundo. Beleza, deu Kassab. Vamos aos outros:
Cidade Ademar
Kassab 32,16% 56,17%
Marta 36,93% 43,83%
Aqui também um primeiro turno equilibrado. Dá mesmo para considerar a Cidade Ademar um “reduto” petista?

Pirituba

Kassab 30,91% 60,3%
Marta 31,86% 39,7%
Outro primeiro turno equilibrado. Que redutos irredutíveis. O segundo, o Kassab levou de lavada.
Vila Jacuí
Kassab 30,16% 57,41%
Marta 37,07% 42,59%
Aqui a Marta teve uma vantagem sobre Kassab um pouco maior no primeiro turno. No segundo, ele se recuperou bem.
Itaquera
Kassab 31,95% 58,25%
Marta 35,38% 41,75%
Primeiro turno disputado, uma leve vantagem para Marta. No segundo turno, vitória fácil do Kassab.
Conjunto José Bonifácio
Kassab 31,32% 55,23%
Marta 36,75% 44,77%
A tônica dos “redutos” petistas: dão cerca de “astronômicos 1/3 de seus votos à petista no primeiro turno, quase a mesma coisa para os outros dois mais fortes pleiteantes ( talvez uma votação nostálgica, mas não forte, a Maluf ou Erundina ) e depois, no segundo turno, os 2/3 se fundem em um candidato só, e não é do PT.
São Miguel
Kassab 32,64% 58,36%
Marta 35,47% 41,64%
Primeiro turno também parelho ( não como foi no Rio, é evidente ), e “unidos venceremos” Marta, no segundo. Finalmente:
Itaim Paulista
Kassab 27,59% 49%
Marta 46,53% 51%
Exato, ao contrário do que apregoou o jornal, com manchete e tudo, no Itaim Paulista a Marta ganhou nos dois turnos, apesar de, ao contrário dos demais exemplos, o segundo turno ter sido pau-a-pau. O afã em criar os tais “redutos” petistas – que estariam “cristalizados”, e devem ser conquistados – fez com que o jornal tirasse um desses “redutos” de Marta na marra.
E aí é que chega onde eu quero: da mesma maneira que a tucanalha do Demo e seus jornais e revistas conseguiram fazer colar diversas pechas em Marta ( como, por exemplo, a de quem cria – pior, a única pessoa que faz isso - impostos a seu bel prazer, o que está astronômicamente distante da verdade ) que acabaram pegando mesmo, não há dúvida, trabalhar a imagem do oponente é o que mais lhes dá esperança de conseguir alguma chance.
Pois antipático Serra também é. Arrogantes o PSDB tem para encher uma sacola. Impostos, aliás, é com eles mesmos. Obras ruins? Alguém falou em Fura-Fila que cai, ou Metrô que vira cratera? E por quê silenciaram quando naquela chuva que inundou São Paulo ( não lembro se foi em novembro do ano passado ou em março deste; só sei que inundou o Ipiranga, Vila Prudente, São Caetano, a água invadiu o Shopping Central Plaza, e eu cheguei em casa às 3 da manha estando às 22:40 no terminal Ana Rosa ) o túnel Rebouças não alagou?
Frases desastrosas? Oras, se a Marta tivesse dito que em São Paulo não tinha jeito de evitar enchente, só remediar, e isso desde José de Anchieta, ela não ia mais poder sair na rua, coisa que não ocorreria – e de fato não ocorreu – com o autor dessa frase ( da qual eu, sinceramente, não discordo ), o prefeito Kassab, em Novembro de 2007.
O problema é que, sendo verdade ou não, conseguiram pegar essas qualidades isoladas dos tucanos e vincularm-nos, todos juntos, numa única pessoa, Marta Suplicy. Mas é fundamentar entender que, sem o imprensalão golpista isso jamais teria sido possível.
É a explicação que eu tenho. Pois me dá o gancho para a outra teoria: sim, os preparativos PSICOLÓGICOS para 2010 já começaram.
Por isso, a exploração de supostas derrotas acachapantes tem que vir na forma de um blitzkrieg. É o que eu acho que mostrei aqui. Pois no dia seguinte, as Relações Públicas tucanodemos jornalísticas já vieram rapidamente com o papo de que a “nova” Administração vai governar voltada à periferia, ou seja, os “redutos” petistas. Não se deve aceitar essa visão. Aceitá-la significa aceitar uma idéia falsa: a de que, um dia, o PT obteve os corações e mentes paulisatnos de fato, e isso jamis ocorreu. Marta só foi eleita em 2000 porque o Covas deu-lhe seu apoio. Com isso, a classe-média que pretendia esquecer seu passado malufista e posar de moderninha ( ou seja, “tucana” ) se viu obrigada a votar contra seus próprios princípios, contra o velho ídolo Maluf.:
Kassab prepara governo voltado à periferia para tirar redutos do PT
Prefeito interpreta baixa votação que recebeu nos extremos da cidade como sinal de reprovação à sua gestão
Estado, 28.10
O prefeito Gilberto Kassab (DEM) vai atacar a força do PT em seus derradeiros redutos no município de São Paulo. Ele interpretou que a baixa votação que recebeu nos extremos das zonas sul, leste e noroeste deve ser encarada como uma reprovação daquelas populações a sua primeira gestão, aprovada no resto do município. E essa reprovação terá uma resposta no segundo mandato: a nova administração Kassab vai investir pesado nessas três regiões, as mais pobres do município.
“Nunca mais perderemos lá”, profetizou Kassab a três dezenas de aliados, parentes e amigos no domingo, na sala de seu apartamento, nos Jardins, logo após o anúncio da pesquisa de boca-de-urna que lhe dava ampla vitória sobre a rival Marta Suplicy (PT). Enquanto os amigos festejavam, o prefeito revelou sua preocupação com a sombra que a ampla vitória, por mais de 21 pontos porcentuais de diferença, projeta na extrema periferia da cidade.
Ali o PT voltou a ganhar em alguns bairros com grande vantagem, embora com menos força do que em 2004. Kassab decidiu que, em sua segunda gestão, vai ampliar investimentos nessas regiões de baixo sucesso para PSDB e DEM – ainda que a aliança tenha, em 2008, “empurrado” Marta e o PT mais para a periferia. Kassab quer amplificar esse efeito, de forma que, em 2012, a coligação consiga virar o jogo contra o tradicional adversário também nos extremos onde o PT ainda reina.
ELEIÇÃO DIFERENTE
Lugares como Sapopemba ou São Miguel Paulista, em que o então candidato José Serra perdeu feio para Marta em 2004, agora deram a vitória a Kassab. Nas regiões mais extremas, no entanto, houve uma eleição com características inversas às da média da cidade, como se fosse outro pleito, embora com os mesmos candidatos.
Em Parelheiros, no extremo sul, por exemplo, Marta venceu o segundo turno com 75,77% dos votos válidos, contra apenas 23,23%; no Grajaú, também na região sul, a vitória da petista deu-se por 74,94% a 25,06%. Na zona leste, a Cidade Tiradentes, que impôs uma derrota ao candidato José Serra, em 2004, agora voltou a derrotar Kassab por 68,82% a 31,18% – e lá o prefeito tinha esperanças de obter um resultado melhor.
Kassab quer acabar com a tese de que o PT é “o partido que combate a miséria”, que Marta tanto apregoou na campanha, apresentando-se como “candidata dos pobres”. Para o prefeito, essas regiões votam no PT nem tanto pelo que a gestão do partido na prefeitura fez por elas, mas porque são iludidas pelo discurso populista que emoldura a pobreza. “Eu tenho compreensão do papel do governante moderno”, disse Kassab. “E esse papel me incentiva a investir cada vez mais em saúde, educação e segurança. E a investir tanto mais quanto mais pobre seja a região”, finalizou.
O cara admite, na caradura, que vai investir na periferia apenas para derrubar o PT. Já que, também admite, não fez isso até agora. E a classe-média cabotina e ignara paulistana, vai permitir que Kassab gaste o dinheiro dos impostos com essa “pobraiada que só sabe fazer filhos” ou esse discurso mesquinho é só quando a Marta, Erundina ou Lula estão no governo? Isso não é populismo? Claro que não: é a habitual hipocrisia paulistana. E vejam como são as coisas: a periferia, para essa gente, é “LÁ”. Ali se disputam “outras eleições”, diferentes da “nossa”, que é democrática, racional, cidadã, iluminista e com dentes bonitos.
A Marta conseguiu, no primeiro turno, vitórias apertadas em locais que o imprensalão já denominou “redutos”. Ora, seria terrível para o PT se ela perdesse no Grajaú no primeiro turno. Alí, sim, temos um reduto petista. Da mesma forma, na Rebouças o PT não entra. Pois é um reduto da classe-média paulistana, eleitora de Jânio, Maluf, Pitta, Serra, FHC, Collor, e ninguém tasca.
Ou locais como os que deram a vitória para gente do naipe de Wadih Mutran, o rei da Vila Maria: isso são redutos. E Kassab herdou para si esses redutos malufistas.
O resto pode ser discutido caso a caso, e considerando-se um bocado de coisas, como o uso da máquina da prefeitura e do Estado, a simpatia jornalística, o crescimento econômico do país.
E devemos agradecer aos demais estados do país ( EM ESPECIAL OS DO NORDESTE, MUITO OBRIGADO! ) que mantiveram e mantém as votações excepcionais ao Lula, e que garantiram que o Brasil não caísse nas garras de pessoas muito bem estimadas aqui em “Sampa”, sempre muito elogiadas pelo imprensalão, pois vocês já sabem do que a classe-média paulistana é capaz e como ela vota. O Nordeste não permitiu, em 2002 e 2004, que os “cidadãos de bem competentes” de São Paulo continuassem governando ( entregando ) o país. Saibam vocês que o preconceito contra sua região ainda prossegue aqui: paulistanos – não todos, claro – não escondem a opinião de que vocês são ignorantes e que nós, sim, sabemos votar.

outubro 28, 2008

"A taxa do lixo, atualmente cobrada em 2700 municípios brasileiros, era um valor ridículo à época de Marta", diz cientista política

Classe média está ressentida com PT em SP, diz Maria Victoria Benevides.
Folha de São Paulo, 27.10.08
Cientista política, Maria Victoria Benevides, 66, avalia que Gilberto Kassab não venceu a eleição porque sua aprovação é alta, e sim porque a rejeição a Marta Suplicy é muito forte. “Kassab não provocou nenhuma rejeição. Isso não significa que ele seja bom: significa que as pessoas eram indiferentes a ele”.
Professora titular da Faculdade de Educação da USP e autora de “O Governo Kubitschek” (1976), “A UDN e o Udenismo” (1980), “O Governo Jânio Quadros” (1981) e “O PTB e o Trabalhismo” (1989), entre outros livros, Benevides afirma que Kassab é apenas um político fabricado pelo governador tucano José Serra -”ele é uma espécie de Pitta que deu certo”- que conseguiu reunir todas as vertentes da direita paulistana em sua batalha contra o PT. Marta Suplicy, por sua vez, foi vítima tanto de sua rejeição pessoal como do ressentimento da classe média paulistana, que se sente abandonada por um governo que privilegia os muito ricos e os muito pobres:
FOLHA - Kassab começou no PL, um satélite do PFL, mas logo ingressou no próprio PFL, que aqui em São Paulo reunia herdeiros da UDN. É possível dizer que a “direita udenista” conseguiu substituir a “direita populista” representada por Maluf?
MARIA VICTORIA BENEVIDES - A direita udenista certamente está com Kassab, mas Kassab não é fruto da direita udenista, mas dos liberais que vieram da esquerda do antigo MDB e da oposição à ditadura. É por isso que é muito difícil estabelecer claramente uma definição de sua identidade política. Nós podemos falar do DNA dele: o DNA dele, com toda a certeza, é de direita, mas um mix da direita udenista com a direita pessedista. Mas basta ver quem o fabricou politicamente: foi José Serra, que está longe de ter um DNA de direita udenista. Ele vem da esquerda e depois evoluiu para uma posição liberal. Kassab é apoiado hoje por uma parte importante do antigo Partidão [PCB], por uma parte importante do antigo movimento sindical. Isso não tem nada a ver com a direita udenista, mas, numa escolha em dois turnos, ele ficou com a direita udenista, a direita malufista, a direita janista e a direita adhemarista. Conseguiu reunir não só a direita udenista, mas todo o conjunto conservador das direitas de São Paulo, mais os tucanos liberais, dos quais a maioria não tem origem na direita, mas que acabaram se “endireitando” no governo.
FOLHA - Mas qual seria a substância político-eleitoral de Kassab?
BENEVIDES - Eu acho que ele foi uma pessoa fabricada. Ele é uma espécie de Pitta que deu certo. O Pitta foi fabricado pelo Maluf igualzinho o Kassab foi fabricado pelo Serra. Quem era Kassab antes do Serra? Eu mesma nunca tinha ouvido falar dele, assim como ninguém tinha ouvido falar do Pitta. É o Pitta que deu certo. E deu certo porque o PSDB, embora rachado e enfraquecido por divisões internas, se deu conta de que ele era a maneira que tinha de ganhar a batalha contra o PT, que é seu grande adversário.
FOLHA - A questão é saber se esses políticos fabricados têm longevidade. Hoje a aprovação a Kassab (59%) na cidade é bem maior do que a do próprio Serra (38%), o que sugere que ele poderia sobreviver a uma eventual derrota de Serra em 2010. Mas, olhando para o passado, os políticos fabricados não duraram muito: Adhemar fabricou o Lucas Garcez; Jânio, o Carvalho Pinto; Quércia, o Fleury. Fabricaram um sucessor, mas o sucessor não teve sobrevida.
BENEVIDES - O que falta nessas comparações que você fez é a perspectiva do segundo turno: o que mais beneficiou Kassab foi a possibilidade de reeleição contra sua principal adversária, a Marta, que tinha uma enorme rejeição. Kassab não provocou nenhuma rejeição. Isso não significa que ele seja bom, significa que as pessoas eram indiferentes a ele. É muito mais fácil criar uma perspectiva positiva em relação a alguém que tem uma imagem indiferente do que destruir uma rejeição e transformar essa rejeição em aprovação. E Kassab apareceu muito, teve um apoio muito grande do governo Serra e também, indiretamente, do governo federal, porque Lula não quis se indispor com São Paulo. Ao contrário. Serra não tem uma queixa a fazer do Lula.
FOLHA - Uma reportagem recente da Folha mostrou que a gestão Kassab recebeu mais verbas do governo Lula do que a própria gestão Marta.
BENEVIDES - Exatamente. Eu não apostaria na continuidade do Kassab, mas também não apostaria no fim. O que eu fiquei impressionada foi com os míseros 6% [dos votos] do Maluf. Os malufistas morreram…
FOLHA - O populismo em São Paulo praticamente acabou?
BENEVIDES - O populismo na vertente malufista. Mas o populismo continua, sob formas clientelistas -aliás utilizadas por todos os partidos-, porque ele está muito entranhado na cultura brasileira. Não acredito que o populismo tenha acabado. E não vejo, a não ser pelo estilo mais cordato, muita diferença entre Maluf e Kassab.
FOLHA - A sra. diz que o Kassab se beneficiou da rejeição a Marta. Mas o que explica essa rejeição?
BENEVIDES - Há uma rejeição grande ao PT, que aumentou muitíssimo depois da crise de 2005, que decepcionou muita gente, dos meios intelectuais até uma esquerda tradicional, além de uma classe média que se sentiu abandonada, porque na realidade houve uma prioridade aos mais pobres. O problema é que o governo ficou nos extremos: favoreceu muito os muito ricos e os muito pobres, e a classe média tem motivo de ressentimento. Isso aumentou muitíssimo a rejeição ao PT.E a própria Marta é vítima de muito preconceito e muita rejeição. Dela ficou o quê? O que ficou de lembrança da Marta? O “Martaxa”. A prova é que ela bateu muito contra isso. O problema é que a memória da imensa maioria dos eleitores, os mais pobres e os menos politizados, é mais curta. Marta devia ter um nível de aprovação altíssimo por causa dos CEUs, mas os CEUs foram apropriados pelos outros: ninguém diz que vai abandonar os CEUs. Deixou de ser algo exclusivo do PT. E a rejeição a Marta é muito forte porque juntou a rejeição ao PT, que piorou muito em razão do que aconteceu, à rejeição a Marta, que é grande por ela ser a Marta: ela agrega rejeição por ignorância, por preconceito, pelo grupo dela no PT.
FOLHA - Segundo o IBGE, em 2006 a taxa de luz existia 3.893 municípios, e a taxa do lixo, em 2.753. Ou seja, elas existem na maioria das cidades, e não causam tanta celeuma.
BENEVIDES - E principalmente aqui em São Paulo, para a imensa maioria das pessoas, era um valor ridículo. Eu me lembro que minha faxineira veio reclamar disso, e eu perguntei quanto ela pagava de taxa de lixo. Era R$ 3. O filho dela estudava num CEU e ele ia e voltava da escola numa van da prefeitura, mas o ficou foi a tal taxa do lixo, porque isso foi superdimensionado pelos adversários. Eles foram competentes em grudar esse adesivo na Marta. E essa coisa das taxas nunca foi apresentada de uma maneira que mostrasse que ela eliminou o IPTU de muitos. Por exemplo, um de meus filhos mora hoje num prédio que ficou isento. Isso nunca foi suficientemente mostrado. Aí predominou a rejeição. E a campanha da Marta foi contaminada por equívocos de marqueteiros e assessores.
FOLHA - A sra. citou o impacto da crise de 2005. Mas, olhando o país, o PT foi quem mais cresceu na eleição.
BENEVIDES - Mas aí é importante ver que o PT de São Paulo não é e nunca foi o PT nacional.
FOLHA - Qual é a diferença?
BENEVIDES – O PT nacional se beneficiou enormemente das políticas regionais e municipais no governo Lula. O PT no resto do Brasil está ligado a propostas e projetos locais, nos quais o conteúdo ideológico é muito pequeno, e a presença da classe média também. Essa classe média forte, organizada, com imprensa, universidades, pequenos e médios empresários, é imensamente mais forte aqui. Dificilmente existe, no resto do Brasil, essa rejeição forte e absoluta ao PT que existe em São Paulo. Inclusive porque São Paulo tem esses extremos: tem uma forte presença de pobres e miseráveis, mas tem a maior classe média, a maior concentração de riqueza, a maior concentração de universidades, intelectuais, empresários organizados, que atuam com muito mais força na opinião pública do que os partidos. O PSDB e o PFL não são só partidos políticos: são partidos vinculados aos grupos de interesse de tudo o que é forte em São Paulo. Eles têm apoio majoritário na Fiesp, UDR, associações de empresários, instituições da sociedade civil. Basta ver que o PT sempre teve enorme dificuldade para ganhar na cidade. Ganhou com Erundina porque não tinha dois turnos, ganhou com Marta porque polarizou com Maluf.
FOLHA - Ela teve inclusive o apoio do governador Covas e do PSDB.
BENEVIDES - O apoio do PSDB. E hoje o PSDB sabe que seu maior adversário é o PT. Por isso o PSDB não faria em São Paulo aliança com o PT, como foi tentado em Belo Horizonte.
FOLHA - É possível dizer então que o PSDB conseguiu se tornar o partido dessa classe média organizada?
BENEVIDES - Sim. O PSDB, aliás, é o partido que está no poder desde Franco Montoro, com um breve interregno. Está lá. E está fortemente instalado no governo Kassab. Por isso não dá para dizer que o kassabismo é a direita udenista. É direita, mas com muitas nuances. Direita udenista é o DNA dele: direita udenista que apoiou o golpe militar, que esteve com Maluf e Pitta. Mas a coalizão dele é muito mais ampla. Esse foi o grande trunfo dos tucanos. Como foi o grande trunfo do PT em outros Estados do Brasil.

Cabotina classe média paulistana já bota as manguinhas de fora… TSC! TSC!!

Eu não sei de onde alguns encontram tempo e paciência para ler os jornais diariamente. Eu não sou um deles. Ja fui um leitor mais freqüente. Hoje, por curiosidade masoquista fui dar uma filada nos jornais, dar uma bisoiada sobre as eleições. Mais precisamente, fui às seções de cartas dos leitores. Claro que eu já sabia o que me esperava: os fãs e eleitores do Boneco estão extasiados. Um desses leitores/ eleitores diz, esfuziante ( prestem atenção nisso ), que a derrota de Marta se deu porque ( com as minhas palavras, hein? ) “a classe média se decepcionou com o PT, que se dizia ético e coisa e tal”. Sim, a classe média paulistana que deu e dá sustento ao “Rouba mas faz” de Maluf e Pitta. Creio eu que Maluf só não levou dessa vez, devido a sua idade. Fosse Maluf mais novo, a classe-média “que se decepcionou com o PT” ( mas não com Collor, Jânio, Enéias, FHC, Pitta, etc ) votaria em peso no cara. Kassab foi para o PFL a convite de Bornhausen. Wadih Mutran foi para o PFL a convite de Kassab.Certo tá o Lula: hipocrisia.
Os habituès lá estavam, pangloriando-se, ops, vangloriando-se e celebrando o “bravo povo paulistano” que enxotou a Marta Suplicy e o PT ( “bravo povo paulistano”, percebe-se, excluídos os que votaram em Marta; Mas: quem faz questão de “ser paulistano”? ).
Os focos de resistência se encontram ainda nos extremos da periferia, mas estes não adquiriram, ainda, o direito de se considerarem paulistanos. Coisa de sangue, sabe?
Parece que, depois da eleição, vem a secessão. “Eu te amo, São Paulo”…
Eu ainda estou com uns números e gráficos, mas não dei aquela olhada detalhada, então não vou ainda duvidar de uma das informações, a de que o PT perdeu até em alguns de seus “domínios”, estabelecidos no “Cinturão da Miséria” ( Poverty Belt ) da cidade.
Também seria bom se eu tivesse aqui em mãos alguns dados de eleições anteriores, então vou ter de puxar pela memória.
Ouvi isso hoje, duma dona:
- Estranho, o povo tá quietinho hoje… Apesar de ter ganho o Kassab…
E continuou:
-…Se fosse a Marta, o povo ia tá fazendo festa.
Não entendi muito bem. O Kassab foi eleito, mas não é merecedor de uma festa? Vai entender.
Mas faz sentido, viu? Quando o Kassab assumiu ( o cargo ) e ainda patinava, nêgo dizia que tinha votado era no Serra. Curiosamente, tal eleitor ilustrado e versado nas Ciências Políticas e que deseja agora botar banca, não parecia ter se dado conta de que, quando se vota em alguém para um cargo no Executivo, esse alguém terá um vice, compondo a chapa.
Bom, é bem assim: quando o Collor deu naquilo que nós vimos, São Paulo tinha votado em peso nele, mas depois, não se achava um filho da mãe com peito e que dissesse ter votado no safado. Certo tá o Lula: hipocrisia.
No caso da Marta, meu palpite é que estamos diante de um flagrante caso de antipatia fabricada, da qual Marta dificilmente se desvencilhará. Ou alguém acha o Serra simpático? Só se for com uma estaca enfiada no coração.
Tem quem ache a Marta arrogante. E o FHC, não era? Além de vaidoso, extremamente vaidoso?
Má administradora? Depende o que, por exemplo, para os eleitores de Serra, Alckmin, FHC, Maluf e Kassab, seja um bom administrador. Esses eleitores, para eles, é só deixar que os jornais e revistas falem por eles. Esses eleitores – e, também, leitores – devem dominar o assunto “Finanças Públicas” tanto quanto eu sei sobre automóveis ( não sei e nunca quis saber dirigir ). Ora, se eu conseguisse, digamos, uns números, tabelas e outras informações que provassem que Marta pode ter gasto a maior grana durante seu mandato, mas que “quebrar” a cidade ela não quebrou, que importância isso teria tido, qual efeito? Vejam só que coisa perversa: é bem possível que a imagem de uma suposta “devastação econômica” causada pela ex-prefeita já tenha se cristalizado na cabeça do paulistano. E aí, meu, fica difícil. Imaginem a frustração ( pois seres humanos, uma vez ou outra, por mais fortes que sejam, são acometidos de sensações desesperadoras ), por exemplo, do mestre Aloysio Biondi, em sua coluna no Diário de São Paulo, explicando de uma forma tão leve e clara as falcatruas de FHC e Covas, que terminariam na contabilidade fraudulenta usada pelos tucanos para, depois, usar tais resultados como prova de que o Banespa estava quebrado e devia ser privatizado. Eu, um ignorante, lia Aloysio e entendia tudo. Pois ele fazia aquilo para gente como eu. O que não impediu a tucanalha de privadoar o Banespa para o Santander.
Agora, peguem ( imaginem ) os números da gestão Marta. Ela quebrou ou não a cidade? Nem nós que votamos nela, e nem os que votaram em Maluf-Serra-Pitta-Kassab sabemos bem ao certo, a ponto de convencer o lado oponente.
É aí que entra o imprensalão. Forjaram-se aqueles factóides. Filas. Três meses depois de assumir o cargo, Serra havia “salvado” o cofre da Prefeitura. Ele, Serra que, enquanto ministro, não conseguiu resolver o problema da dengue. E, como disse recentemente um deputado petista, mal consegue resolver o problema da Polícia Civil ( ops! Eu disse “problema”? Esqueci que o imprensalão blinda de tal forma o Conde Governador, que a população de zumbis – que reclama para burro da Segurança – não parece ter se dado conta ainda de que enfrentamos uma greve de policiais civis ) e quer palpitar sobre câmbio, juros.
E aí, eu pergunto aos eleitores destes tucanos do Demo: detalhem-me, com suas palavras, do alto de vosso conhecimento, o que Serra fez para “salvar” a cidade de São Paulo em tão pouco tempo? Venham, convençam-me.
Pegou um caixa falido, num país quebrado, e tocou adiante.
O ESTADO DAS COISAS:
CPI “culpa” Maluf, Pitta e FHC por explosão da dívida pública em SP, Folha Online, 21.10.01
Acordo entre FHC, ACM e Maluf agravou situação de São Paulo, Folha de São Paulo, 01.07.1999
Lembro-me que, em 2002, eu trabalhava na longínqua São Miguel Paulista ( antes disso trabalhara na região da Rebouças, olha a mudança de dimensões ). Marta chegou em 2001. Pois, havia um córrego ladeando uma favela, próximo a uma famosa fábrica, de cimento acho, muito antiga no bairro, só que não lembro o nome, que merda. ( Opa, lembrei!! É a Nitroquímica! )Parece que as coisas iam melhorando, só que a classe média e os jornais já criticando a Marta, “Belezura vai mal”, e blablabla. E o córrego começava a ser canalizado, pistas asfaltadas permitindo tráfego de pessoas, bicicletas e até carros. Também uma ponte, acho que cruzava o córrego. Entendem? Deve ter sido um dos primeiros lugares a serem atendidos, tão logo a grana passou a pingar. E o pessoal, que ia de porta em porta, nos comércios, oferecendo aquele microcrédito, acho que era o São Paulo Confia.
Eu via isso, aquele cuidado – ainda insuficiente, lógico -, um corrego que passou décadas ali, veio alguém que pegou, sim, um caixa quebrado, e tentou começar a melhorar, dando primazia àquele lugar.
Quebrado ou não, o Kinder Ovo pós-eleitoral já nos traz surpresas ( nem tanto ): Kassab “admite” ( ou já planejara? ) fazer cortes no Orçamento. Bem de acordo com a pauta serrista que tem corrido as páginas do imprensalão nos últimos dias: a “crise”, dizem os jornais, não permite que o governo do Estado melhore a proposta aos policiais civis.
Volto ao assunto.

outubro 26, 2008

Crime eleitoral: Prefeitura de Porto Alegre distribui bônus-moradia a 48 horas da eleição

RS Urgente – Sábado, 25 de Outubro de 2008

A menos de 48 horas da votação, a Prefeitura de Porto Alegre distribuiu bônus para a compra de casas a moradores afetados por um obra na periferia da cidade, afirma matéria publicada neste sábado na Folha de São Paulo. A reportagem afirma:”A Folha obteve cópia de e-mails em que assessores da prefeitura dizem que interromper as indenizações teria impacto na eleição. O prefeito José Fogaça (PMDB) concorre à reeleição. As indenizações começaram a ser pagas em 4 de setembro e pelo menos 34 famílias -8 delas ontem- receberam bônus para a compra de imóveis (de R$ 35 mil a R$ 40 mil).

Os pagamentos fazem parte de um programa -bancado pela prefeitura, pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e pela União- que prevê o reassentamento de 1.680 famílias que vivem em áreas de risco .Para deixar o local, as primeiras 225 famílias removidas puderam optar entre receber casas (74) em um novo conjunto habitacional ou indicar imóveis a serem pagos com o bônus (151).

Em setembro, gestores do programa perceberam que ao menos 12 casas indicadas pelos indenizados tinham problemas burocráticos. “Parar as indenizações será desastroso para a campanha”, escreveu Rodrigo Kunde Maldini, assessor jurídico da Secretaria de Gestão, num e-mail, em 24 de setembro, para o secretário interino de Gestão, Virgílio Costa (PTB), e para o chefe da assessoria jurídica da pasta, Maurício Gomes da Cunha.

A campanha do PMDB diz tratar “de um assunto do município sem relação com a eleição”. A Secretaria de Gestão afirma que “a prefeitura não avaliza este tipo de procedimento”. Costa e Maldini não se manifestaram. Cunha negou que as indenizações tenham sido usadas eleitoralmente”.

E MAIS:

Kassab diz que vai recorrer de multa por cheque do Metrô ( e vem a vEJA acusar Marta e Paes de “uso ostensivo da máquina pública” )

outubro 25, 2008

PIG trabalhando: o que eles disseram sobre a greve da Polícia Civil de São Paulo

As três revistonas insistiram na versão oficial – ou seja, a de Serra e a delas mesmas, o que dá na mesma – que responsabiliza PT, PDT, Paulinho da Força, etc., pelas cenas de batalha entre policiais civis e militares próximo ao Palácio dos Bandeirantes. E acrescentaram um componente perverso: trataram de nacionalizar a greve dos policiais civis de São Paulo, incluíndo-a junto com a demais que ocorrem pelo País, dando ao leitor a impressão de que o governo Lula enfrenta crises Brasil afora. Mas também, que o PT – partido de Lula – estaria por trás disso tudo ( seria para prejudicar a imagem de Lula junto à população? ). Uma delas ( das matérias ) ainda fez pior: juntou greves e crise econômica mundial!! Pânico total, leitores! Tomem seu Prozac antes de continuar com a leitura do post!
ÉPOCA: “Só falta rolar na lama”
A matéria, que ocupa as páginas 40 a 42, contextualiza a greve dos policiais civis no âmbito das eleições, e começa assim: “A dez dias do segundo turno da eleição, a disputa eleitoral pela Prefeitura de São Paulo virou um jogo sujo.” ( sic ) É. A gente percebe esse “jogo sujo” cada vez que abre um jornal ou revista.
Trata-se de vincular a greve dos policiais civis a supostos interesses políticos-eleitorais; para piorar, dá um jeito de associar esse assunto com o suposto “escorregão” da campanha de Marta ( aquela em que pergunta-se “se Kassab é casado, se tem filhos”, o que teria gerado um chilique coletivo entre os jornais tucanos – ou seja, todos… ); da mesma forma como fez Serra, alude-se à participação de Paulinho ( ex-aliado de Serra e Mário Covas, diga-se de passagem ) da Força Sindical como um dos responsáveis por “insuflar” a turba, ops, os policiais civis, induzindo-os a tentar tomar o Palácio dos Bandeirantes ( “… confronto entre os policiais em greve e os PMs encarregados de PROTEGER a sede do governo de São Paulo …”, vixii, se dão esse tratamento a policiais, imagine o que não fariam com sem-teto? ). O autor da tentativa, frustrada pela PM, de promover um “Putsch“, lembra a zelosa revista, é aliado da candidata Marta Suplicy. Acusar – assim como a versão oficial, a de José Serra – Paulinho de “incitar os policiais a subir ao Palácio dos Bandeirantes”, equivale a dizer que a Época justifica a agressão dos policiais civis pela PM ( por ordem de Serra, segundo denuncia o Hora do Povo ). Lembra, também, que esse aliado de Marta Suplicy enfrenta, como deputado federal, um processo pelo Conselho de Ética da Câmara, sob a acusação de ter recebido propinas na liberação de financiamentos para prefeituras pelo BNDES. Um dos prefeitos acusados de pagar essa tal propina é Alberto Mourão, de Praia Grande ( SP ), do mesmo partido de José Serra, o PSDB. Mourão ( conforme notícia divulgada pela Agência Brasil, em 14 de Outubro ) disse, em depoimento ao Conselho de Ética, que contraiu o empréstimo antes de Paulinho ter se tornado deputado federal e que, mesmo deputado, Paulinho jamais contatou-o para tratar de empréstimos. Coisas que a Época não fez questão de mencionar, senão não daria para produzir a farsa, ops, matéria que apresenta a seus leitores.
Prossegue a revista, ainda transcrevendo a pauta chapa-azul-amarela de Serra, que a greve dos policiais civis, tendo recebido aporte material e moral de Paulinho ( pode ser até verificado num vídeo no You Tube ) , durava já um mês, mas “curiosamente” – segundo Época – “só tenha chegado ao auge às vésperas da eleição”, e não só isso, “quatro dias após a campanha de Marta ter veiculado aquela peça “maliciosa” – assim está na revista – sobre Kassab”. Por quê a revista não deu um jeito de comprometer também a campanha martista com a paralisação de poucos dias dos defensores públicos estaduais ocorrida a partir da segunda quinzena de Outubro é um mistério. Talvez porque, se fizesse isso, acabaria revelando mais focos de insatisfação com o governo estadual – apontado, apenas, como “supostamente” intransigente nas negociações – e não só a Polícia Civil. E fazer isso, às vésperas de eleição…
Época, claro, embarcou naquela de “Marta baixou o nível”, tema que já foi devidamente explorado pelo PIG e não terá maiores comentários aqui.

ISTOÉ:
ÍNDICE: “BRASIL: Confronto entre polícias em São Paulo chama a atenção para a onda de greves que se espalha PELO PAÍS” (sic!)
PÁGINA 92: “COMPORTAMENTO ( sic!!! ): GREVES DE ALTO-RISCO – Conflito entre PM de São Paulo e policiais civis chama a atenção para a onda de paralisações que se espalha pelo País ( sic ) no momento da crise econômica” ( siiiic!! )
IstoÉ, mais sofisticada que a rival ( “rival”? ) da Editora Globo arrastou, na matéria assinada pela jornalista Camila Pati ( não é “Paty”, hein… ), uma greve estadual ( São Paulo ) para o âmbito nacional e eliminou suas particularidades como o fato de ocorrer no Estado mais rico do Brasil, e que é governado há 14 anos pelo PSDB, de Alckmin e Serra; bem, o sucateamento dos serviços públicos em São Paulo, também alvo das denuncias dos grevistas, obedece a uma agenda partidária posta em prática pelo PSDB ( repito: nos últimos 14 anos ), e isso reflete também na questão da Segurança Pública. Mas a sofisticação da IstoÉ é revelada aqui: os irresponsáveis policiais civis fazem greves, juntamente com outros trabalhadores, espalhando-se perigosamente pelo país, bem na hora em que há uma fabulosa e difícil de mensurar crise econômica mundial em andamento. Como são mesquinhos esses grevistas, hein? Por outro lado, não seria passível de interrogarmo-nos se a crise econômica, o bug econômico do milênio, possa ter sido provocada justamente para dificultar e, assim – nesse clima de pânico todo -, injustificar as greves no Estado de São Paulo, ops, no País?
vEJA: “BRASIL: VALE-TUDO ELEITORAL ( sic ) – As campanhas de Marta Suplicy, em São Paulo, e de Eduardo Paes, no Rio de Janeiro, lançam mão de golpes baixos contra seus adversários, Kassab e Gabeira”
Da vEJA, é só o que se pode esperar: a sutileza de um Chicão ( R.I.P.). Aqui cabe uma pequena explicação de minha parte: eu li esta droga durante a semana, e não achei menção à batalha entre policiais. Não acreditando que nem a vEJA, por pior que seja, tivesse sido capaz de ignorar o fato, ainda assim, passei essa informação a algumas pessoas. Ontem, dei mais uma olhada e achei. Preferia que:
- não tivesse achado e,
- que a revista tivesse ignorado o assunto;
Em minha defesa, quero que entendam meu estado de espírito, no momento em que pego essa porcaria para folhear:
Sabe quando você descobre uma ratazana morta em sua casa, e num local de acesso difícil? Você pega uma pazinha de plástico e, com todo o cuidado ( apesar do bicho estar morto mesmo ) recolhe o cadáver? Aí, com mais cuidado ainda e toda a repulsa decorrente, transporta – ANDA LOGO!! – o bicho para a lixeira, evitando a todo custo que a mínima molécula pegajosa daquilo tenha contato com sua mão, apesar de saber que há o cabo da pá garantindo a distância entre você e o ratão?
Pois bem, não há nenhum cabo te protegendo do contato quando você segura um exemplar da vEJA. UGHHH!
Para constar: a revista segue o padrão das reportagens descritas acima.
E, agora, vou descartar o ratão. UGHHH!

Ouvido de passagem no debate…

Arquivado em: debate eleitoral, Eleições 2008, Gilberto Kassab, Marta Suplicy — Humberto @ 12:58 am
KASSAB: “Creche é assunto delicado sim, é assunto importante. O tema foi relegado a último plano em administrações anteriores.”
Tipo, nas administrações anteriores Maluf e Pitta também? Ato falho…
MAIS KASSAB: “Você Marta, abandonou os mutirões, implantados pelo saudoso prefeito Mário Covas…”
Tipo, o Maluf e o Pitta não abandonaram os mutirões implantados pela Erundina?
ELE, DE NOVO: “Você, Marta, criou cargos de confiança para os militantes do PT…”
Tipo, e quem criou uma Secretaria para Rodrigo Garcia?
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