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setembro 20, 2013

Rússia levará à ONU provas de que mercenários lançaram o sarin


A Rússia está formalmente apresentando provas dos ataques químicos nos dias 22, 23 e 24 de agosto na Síria, cometidos pelos contras, e que já haviam sido entregues em Damasco aos inspetores da ONU, mas foram ignoradas no relatório.

HORA DO POVO

Rússia denuncia à ONU mais três ataques dos contras com sarin

“Temos provas suficientes de que os rebeldes armados recorrem com frequência a essas provocações [ataques com gás] para causar uma intervenção estrangeira”, disse o chanceler Lavrov

A Rússia anunciou que vai entregar ao Conselho de Segurança da ONU as provas que recebeu nesta quarta-feira (18) do governo sírio demostrando que o ataque com gás sarin em Ghouta no dia 21 de agosto, nos subúrbios de Damasco, foi cometido pelos contras.

O governo de Moscou tem sido taxativo em afirmar que o ataque foi uma “provocação” cometida pelos contras para propiciar a entrada direta dos EUA na guerra, bombardeando a Síria e salvando os mercenários da sua difícil situação militar atual.

“Temos provas suficientes de que os informes sobre armas químicas refletem o fato de que os rebeldes armados recorrem com freqüência a essas provocações para causar uma intervenção estrangeira”, ressaltou o chanceler russo Serguei Lavrov.

A Rússia também contestou em termos duros o relatório dos inspetores da ONU sobre Goutha, classificando-o de “tendencioso, parcial e unilateral”, e de ignorar as denúncias russas e do governo Assad sobre o comprovado uso de armas químicas pelos contras. “Estamos decepcionados com o enfoque da secretaria da ONU e dos inspetores da ONU que estavam na Síria, que prepararam seu relatório de forma seletiva e incompleta, sem levar em consideração elementos que havíamos destacado repetidas vezes”, afirmou o vice-chanceler Serguei Ryabkov. “Sem uma visão completa, o caráter das conclusões só pode ser descrito como politizado, parcial e unilateral”, disse.

Ryabkov denunciou que os inspetores da ONU ignoraram provas do uso de armas químicas pelos contras que lhes foi entregue pelo governo Assad, assim como evidências propiciadas por Moscou. É por isso que o relatório é “tendencioso e é necessário reinvestigação”, apontou, em entrevista ao site “Russia Today”.

“As autoridades sírias conduziram sua própria coleta de amostras, investigações e análises em termos de possíveis evidências de os rebeldes serem responsáveis pelos trágicos episódios do dia 21 de agosto, mas também dos dias 22, 23 e 24”, afirmou o vice-chanceler russo, que visitou Damasco.

“Este novo material – novo para nós – mas não é completamente um novo material para a ONU”, assinalou Ryabkov, acrescentando que na verdade ocorreram vários ataques químicos na Síria em agosto e que os inspetores da ONU, chefiados pelo cientista sueco Dr. Ake Salstrom, foram informados, mas ignoraram a informação em seu relatório”. Como reiterou o vice-chanceler, as provas entregues pelos sírios e pela Rússia “simplesmente foram anuladas e desconsideradas”.

Ryabkov acrescentou que esse material que a Rússia está reapresentando já havia sido “entregue com discrição a Ake Salstrom, a quem foi pedido que examinasse e eventualmente adicionasse essa nova evidência no relatório. O que nunca aconteceu”. “Essa é uma das razões pelas quais nós criticamos a velocidade com que o relatório foi lançado e também seu conteúdo incompleto”.

A Rússia quer que os inspetores da ONU retornem à Síria e prossigam com suas investigações a fim de determinar quem é responsável pelo ataque químico. “Esperamos que o Secretariado da ONU envie Salstrom e sua equipe de volta à Síria para continuar a investigação dos três incidentes remanescentes, e também para redigir um completo e extenso relatório que leve em conta toda a informação que eles receberam”, sublinhou Ryabkov. Ele acrescentou que “uma das poucas áreas” onde a missão da ONU “manteve sua palavra” foi o anúncio de que foram usadas armas químicas sem especificar quem as lançou.

O diplomata russo conclamou os inspetores da ONU a seguirem o enfoque da análise feita pelos especialistas russos do ataque químico que ocorreu na Síria em 19 de março (em Khan Al Assal), “que foi profissional e continha a análise médica, química e biológica do incidente”.

ENFOQUE

“Este é o enfoque que deveria também ser perseguido pela equipe de Sellstrom. Nós os convidamos a fazer assim. Nós achamos que eles deveriam voltar à Síria, para continuar a investigação e então ter algo diferente do – sim, relatório inicial tendencioso”, finalizou Ryabkov.

Nos últimos dias, o chanceler russo tem se dedicado a intensa maratona de reuniões com o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, para definir os termos do acordo para ingresso da Síria na Organização de Proibição de Armas Químicas e colocação do arsenal químico sob controle internacional e posterior destruição.

A Rússia tem barrado, com o apoio da China, no Conselho de Segurança da ONU, manobras dos EUA, França e Inglaterra para deixar aberta a porta para uma invasão da Síria por suposto “não cumprimento” – que poderia até mesmo ser uma operação de “bandeira trocada” com gás, pelos contras ou qualquer atraso na destruição do arsenal químico – através da inclusão, na resolução que está em discussão, de referência ao capítulo VII da Carta da ONU.
ANTONIO PIMENTA

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