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setembro 20, 2013

Ataque com gás em Ghouta foi feito pelos contras, diz ex-diretor de Força-Tarefa antiterror dos EUA


O ex-diretor da Força-Tarefa Anti Terrorismo e Guerra Não-Convencional da Câmara dos Deputados dos EUA (1988-2004) e ex-assessor do Pentágono e do Departamento de Estado, Yossef Bodansky, afirmou que o ataque com gás em Ghouta do dia 21 de agosto na Síria “foi sem dúvida um ataque autoinfligido pela oposição síria a fim de provocar uma intervenção militar dos EUA e ocidental contra o governo baathista do presidente Bashar Assad”. Ele apontou, ainda, o papel saudita no ataque.

A afirmação chama a atenção, dada a ficha-corrida de Bodansky – como o apoio que prestou aos “mujahideens que combateram os soviéticos” e outras proezas do gênero -, e sua atuação posterior, como autor de livros e de artigos para a “Jane Defense Weekly” e outras publicações que não são propriamente conhecidas pelo viés progressista. Não estão claras as motivações de Bodansky, talvez a percepção de que atolar o país em mais uma guerra que não há como vencer seja contra os interesses de fundo dos EUA.

Em seu artigo, ele assinala que o agente químico usado no ataque não foi o sarin em aerosol do equipamento militar padrão do exército sírio, com origem soviética, mas um tipo líquido, “um sarin de cozinha, artesanal”, como pode ser visto nos vídeos, em que o pessoal que aparece para socorrer, sem máscaras e sem roupas de proteção, não é vitimado imediatamente, como seria o caso.

“As ogivas usadas em Damasco foram tanques cilíndricos que racharam permitindo uma mistura dos líquidos ao estilo do ataque do metrô de Tóquio, ao invés de mistura pressurizada e vaporização a nível molecular pela força da explosão do núcleo em uma ogiva química padrão de estilo soviético”, registrou o ex-diretor da Força Tarefa Antiterrorismo.

Bodansky se referiu a um vídeo do Instituto de Pesquisa de Mídia do Oriente Médio (Memri, na sigla em inglês), dito ser do ataque de Goutha, mas que para ele mais provavelmente se trata de um teste à luz do dia do lançador. Ele observa que o lançador montado em um caminhão “incluía uma luva química para absorver vazamentos das ogivas improvisadas e não prejudicar a tripulação do lançador; precaução que dificilmente seria tomada com uma arma militar”.

QUEM FEZ?

“O mais importante, certamente, é a pergunta: “quem fez isso”, questiona o ex-assessor do Pentágono. “Evidências coletadas por numerosas fontes árabes no terreno na área da Grande Damasco apontam para comandantes específicos do Liwaa Al Islam e do Jabhat Al Nusra sabidamente cooperando no teatro oriental de Damasco”.
A Al Nusra é tida amplamente como filiada à Al Qaeda, e o Liwaa Al Islã, como o próprio Bodansky esclarece depois, é virtualmente um braço armado saudita operando na Síria, e sob controle do príncipe Bandar “Bush”. Foi o Liwaa Al Islã que em julho de 2012 explodiu o QG do Conselho de Segurança Nacional Sírio no centro de Damasco assassinando o ministro da Defesa e outros altos mandos.

Enquanto a entidade dos Veteranos da Inteligência pela Sanidade, dos EUA, aponta diretamente o ataque de Ghouta como uma provocação previamente montada pela CIA, sauditas e turcos para criar um pretexto para o bombardeio, Bodansky narra que o ataque foi realizado, embora com esse mesmo objetivo, no contexto da maior derrota sofrida pela “Frente de Libertação da Capital” da Al Nusra e do Liwaa Al Islã, diante do exército sírio, que se desenhou na noite de 20 para 21 de agosto, na véspera do ataque com gás. Foi o maior enfrentamento desde o começo do conflito, com “os jihadistas agrupando uma grande força de mais de 25 mil combatentes de 13 kitaeb [batalhões]”.

Os contras haviam ficado numa situação crítica. “A entrada de Jobar era uma das últimas áreas que restara à oposição com acesso ao coração de Damasco de onde poderiam lançar carros-bomba e investidas”. Era ainda, a única rota para reforços e suprimentos vindos da base dos EUA em Al Mafraq, na Jordânia. Segundo Bodansky, a chamada rota oriental “é tão importante que as operações ali são supervisionadas pessoalmente pelo príncipe Bandar ‘Bush’”.

Nesse quadro adverso, os chefes dos contras “deslocaram uma força de elite para bloquear a qualquer preço o acesso dos militares sírios à entrada da área de Joba”, constituída por integrantes do Liwaa Al Islã e da Al Nusra, e chefiada pelo saudita de nome de guerra Abu Ayesha. (O mesmo que foi identificado por um residente de Ghouta, Abdul Monein, como o responsável pelo armazenamento em túneis de armas com “estrutura do tipo tubos” e “grandes garrafas de gás”, que acabaram vazando e matando seu filho e mais outros 12 combatentes).

O “reforço” incluía a assim chamada “Frente de Armas Químicas”, encabeçada por Zahran Alloush, líder supremo do Liwaa Al Islã, e que é filho do sheik Abdullah Alloush, operativo da inteligência saudita no Afeganistão nos anos 1980.
“Quando a frente jihadista entrou em colapso, os líderes jihadistas decidiram que somente um ataque químico poderia barrar o avanço do exército sírio e provocar um ataque militar dos EUA que desfecharia uma vitória estratégica para os jihadistas. Os agentes químicos foram então carregados no que a inteligência russa definiu como ‘foguetes manufaturados artesanalmente para portar armas químicas’. Eles foram lançados de uma área controlada pelo Liwaa Al islã. A fonte a que Bodansky dá credibilidade é o analista militar libanês Brigadeiro Ali Maqsoud.

PROVOCAÇÃO

Para Bodansky, “o ataque químico visou provocar uma intervenção militar dos EUA para derrubar Bashar Assad e pôr no poder um governo islâmico em Damasco”. “Na primavera passada, os principais líderes da oposição síria e seus patrocinadores regionais pressionaram Washington sobre a gravidade da situação e advertiram que a menos que houvesse uma grande intervenção militar durante o verão, a luta pela Síria poderia estar perdida no outono”. A eles foi reiterado o compromisso da Casa Branca de intervir.

Conforme assinalou Bodansky, “dado o clima político nos EUA e no Ocidente, foi dito aos líderes árabes que era imperativo para os EUA ter um claro casus belli de absoluta característica humanitária”.

Bodansky encerra seu artigo relatando a “decepção” dos contras e patrocinadores regionais: “se sentem enganados, pois houve a catástrofe humanitária em Damasco com todas as características do procurado casus belli, e ainda, nada de bombardeio dos EUA contra a Síria”. ( HORA DO POVO )

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