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setembro 12, 2013

Presidente russo acusa rebeldes sírios de usar armas químicas para provocar uma intervenção


O Presidente russo, Vladimir Putin, defendeu que foram os rebeldes, e não o exército de Bashar al-Assad, quem utilizou armas químicas no ataque de agosto perto de Damasco, para provocar uma intervenção estrangeira, num artigo de opinião divulgado esta quarta-feira à noite.

“Não há dúvidas de que se utilizou gás venenoso na Síria”, no entanto, “há todas as razões para crer que foi utilizado não pelo exército, mas pelas forças de oposição para provocar uma intervenção” dos seus aliados estrangeiros, disse o líder russo, no artigo de opinião publicado na edição digital do jornal New York Times.

No mesmo artigo, o Presidente russo advertiu que qualquer ataque militar na Síria à revelia das Nações Unidas iria minar a organização e acarretar o risco de desencadear uma onda de terror.

Essa intervenção militar iria “resultar em mais vítimas inocentes e numa escalada, estendendo potencialmente o conflito para lá das fronteiras da Síria”, disse o líder russo, num artigo de opinião publicado pelo jornal New York Times na noite de quarta-feira.

“Ninguém quer que as Nações Unidas sofram o destino da Sociedade das Nações, que colapsou pela ausência de uma influência real”, algo que, segundo escreve Putin, é passível de suceder caso os países influentes contornem as Nações Unidas e realizem uma ação militar sem a autorização do Conselho de Segurança.

O artigo apareceu no portal do diário norte-americano na mesma altura em que o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, partia para Genebra para manter conversações com o homólogo russo, Sergei Lavrov, sobre a proposta russa que pode fazer com que Damasco prescinda do seu arsenal químico.

Os dois diplomatas encontram-se esta quinta-feira para uma reunião que, segundo acredita o chefe da diplomacia norte-americana, “durará provavelmente dois dias”, mas há possibilidade de se estender até sábado, informou, esta noite, a porta-voz do Departamento de Estado, Jen Psaki.

O Presidente russo sustentou que um ataque militar norte-americano poderia conduzir a uma perda massiva de vidas e iria fomentar tumultos no já conflituoso Médio Oriente.

“Um ataque iria aumentar a violência e desencadear uma nova onda de terrorismo. Iria minar os esforços multilaterais para resolver o problema nuclear iraniano e o conflito israelo-árabe e destabilizar ainda mais o Médio Oriente e o norte de África”, realçou Putin, apontando que tal poderia ainda ?desequilibrar’ todo o sistema de direito e ordem internacionais.

O artigo de Putin surge um dia depois do Presidente norte-americano, Barack Obama, ter adiado a sua ameaça de atacar a Síria, dando uma oportunidade à diplomacia, depois de o regime de Bashar al-Assad ter acolhido o plano russo. ( JN )

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