ENCALHE ( Descontinuado em 05.10.2013 )

setembro 11, 2013

Chefe de gabinete de Obama: “Não temos prova irrefutável contra Assad”


O chefe de gabinete da Casa Branca, Dennis McDonough, admitiu no domingo (8) que o governo Obama carece de “uma evidência irrefutável que esteja além de toda a dúvida razoável” para convencer os cidadãos dos EUA e o Congresso em apoiar o bombardeio da Síria. Segundo ele, basta o “senso comum” da CIA acusar alguém sem provas para poder bombardear.

Num país que invadiu o Iraque alegando “armas de destruição em massa que não existiam”, ou foi à Guerra no Vietnã fabricando um “incidente do Golfo de Tonkin”, o chefe de gabinete de Obama tem a desfaçatez de dizer que “este não é um tribunal de justiça, os trabalhos de inteligência não operam assim. A prova do sentido comum diz que Assad é o responsável disto [o ataque] e devemos obrigá-lo a prestar contas”.

Aliás, até agora, os EUA não apresentaram prova alguma, só rumores, como denunciou a Rússia, e se recusam a esperar pelo resultado dos testes dos inspetores da ONU.

HORA DO POVO

E MAIS:

Manifesto de ex-altos assessores da ONU repele ataque à Síria

“Os tambores da guerra rufam mais uma vez no Médio Oriente, desta vez com a possibilidade de um ataque iminente à Síria, após a alegada utilização de armas químicas pelo seu governo. É precisamente em tempos de crise como este que a defesa da paz pode ser feita da maneira mais clara e mais óbvia.

Em primeiro lugar, não temos qualquer prova sólida de que o governo sírio tenha utilizado armas químicas. Mesmo se tal prova fosse apresentada por governos ocidentais, teríamos de permanecer céticos, recordando os muitos incidentes dúbios ou falsificados utilizados para justificar corridas à guerra: o incidente do Golfo de Tonkin, o massacre de bebês na incubadora do Kuwait, o massacre de Racak no Kosovo, as armas de destruição em massa no Iraque e a ameaça de um massacre em Bengazi. Vale a pena notar que a evidência que aponta a utilização de armas químicas pelo governo sírio foi proporcionada aos Estados Unidos pela inteligência israelense, a qual não é exatamente um ator neutro.

Mesmo que desta vez as provas fossem autênticas, isso não legitimaria ação unilateral por parte de ninguém. A ação militar ainda precisa de uma autorização do Conselho de Segurança. Aqueles que se queixam da sua “inação” deveriam ter em mente que a oposição russa e chinesa à intervenção na Síria é motivada em parte pelo abuso das potências ocidentais da resolução do Conselho de Segurança a fim de executar “mudança de regime” naquele país. Aquilo que no Ocidente é chamado de uma “comunidade internacional” desejosa de atacar a Síria está reduzido essencialmente a dois países importantes (Estados Unidos e França), dentre as quase duas centenas de países do mundo. Não é possível qualquer respeito pelo direito internacional sem o respeito pela opinião decente do resto da humanidade.

Mesmo se uma ação militar fosse permitida e executada, o que podia ela conseguir? Ninguém pode controlar armas químicas seriamente sem por “botas sobre o terreno”, o que não é considerado uma opção realista após os desastres do Iraque e do Afeganistão. O Ocidente não tem aliado verdadeiro e confiável na Síria. Os jihadistas que combatem o governo não têm mais amor ao Ocidente do que aqueles que assassinaram o embaixador dos EUA na Líbia. Uma coisa é receber dinheiro e armas de um país, mas outra muito diferente é ser um aliado genuíno.

Tem havido ofertas de negociação provenientes dos governos sírio, iraniano e russo, que têm sido tratadas com arrogância pelo Ocidente. Aqueles que dizem “não podemos conversar ou negociar com Assad” esquecem que isto foi dito acerca da Frente de Libertação Nacional na Argélia, de Ho Chi Minh, Mao, a União Soviética, a OLP, o IRA, a ETA, Mandela e o ANC e muitas guerrilhas na América Latina. A questão não é se alguém fala com o outro lado, mas após quantas mortes desnecessárias se aceita fazê-lo.

O temor de que os EUA e seus poucos aliados remanescentes atuassem como polícia global está realmente ultrapassado. O mundo está se tornando mais multipolar e os povos do mundo querem mais soberania, não menos. A maior transformação social do século XX foi a descolonização e o Ocidente deveria se adaptar ao fato de que não tem nem o direito, nem a competência, nem os meios para dominar o mundo.

Em parte alguma a estratégia de guerras sem fim fracassou mais miseravelmente do que no Médio Oriente. No longo prazo, a derrubada de Mossadeg no Irã, a aventura do Canal de Suez, as muitas guerras israelenses, as duas guerras do Golfo, as ameaças constantes e sanções assassinas primeiro contra o Iraque e agora contra o Irã, a intervenção na Líbia, não conseguiram nada mais do que novos banhos de sangue, ódio e caos. A Síria só pode ser mais um fracasso para o Ocidente sem uma mudança radical na política.

A verdadeira coragem não consiste em lançar mísseis de cruzeiro meramente para exibir um poder militar que está se tornando cada vez mais ineficaz. A verdadeira coragem é romper radicalmente com essa lógica mortal. Ao invés, em obrigar Israel a negociar de boa fé com os palestinos, convocar a conferência Genebra II sobre a Síria e discutir com os iranianos o seu programa nuclear, levando em conta honestamente os legítimos interesses econômicos e de segurança do Irã.

A recente votação contra a guerra no Parlamento Britânico, bem como reações nas redes sociais, refletem uma alteração maciça da opinião pública. Nós no Ocidente estamos cansados de guerras e estamos prontos para nos juntarmos à comunidade internacional real exigindo um mundo baseado na Carta das Nações Unidas, desmilitarização, respeito pela soberania nacional e igualdade de todas as nações.
O povo do Ocidente também pede para exercer seu direito à autodeterminação: se tiverem de ser travadas guerras, elas devem ter como base debates abertos e a preocupação pela nossa segurança nacional e não sobre alguma mal definida noção de um “direito a intervir”, o qual pode ser facilmente manipulado e abusado.
Cabe a nós obrigar os políticos a respeitar esse direito”.

PELA PAZ E CONTRA A INTERVENÇÃO

Os signatários são ex-altos assessores da ONU:

*Hans von Sponeck, Secretário-Geral Assistente da ONU, Coordenador Humanitário para o Iraque (1998 -2000).

*Denis J. Halliday, Secretário-Geral Assistente da ONU, (1994-98)

*Dr. Said Zulficar, Diretor da Divisão do Patrimônio Cultural da Unesco (1992 -1996).

*Dr. Samir Radwan, Conselheiro do Diretor Geral da OIT sobre políticas de desenvolvimento (2001 – 2004). Ex-ministro das Finanças do Egito.

*Dr. Samir Basta, diretor do gabinete regional para a Europa da UNICEF (1990-1995)

*Miguel d´Escoto, presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas (2008-2009) e ministro das Relações Exteriores da Nicarágua (1979-1990).

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