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agosto 23, 2013

Mídia alardeia matança na Síria mas não garante sua veracidade


Coincidindo com a chegada da missão de especialistas da ONU em armas químicas à Síria, os mercenários pró-EUA divulgaram material dizendo que teria havido um “ataque com gás letal” que teria causado até 1.300 mortos, logo repercutido pela mídia imperial com o singelo acréscimo de que “a veracidade não pode ser confirmada”.

Rússia: “se houve ataque químico, foram os contras”

“Por que o governo Assad, que tem retomado terreno dos rebeldes, faria um ataque químico no momento em que os inspetores de armas da ONU estão no país?”, admite até mesmo o correspondente da BBC, Frank Gardner

Coincidindo com a chegada da missão de especialistas da ONU em armas químicas à Síria – cuja vinda foi articulada pelo governo de Damasco -, os mercenários pró-EUA divulgaram vídeos, fotos e releases dizendo que teria havido um “ataque com gás letal” sobre Al Goutha, perto da capital, que teria causado até 1.300 mortos, prontamente repercutido pela mídia imperial com o singelo acréscimo de que “a veracidade não pode ser confirmada”.

O exército sírio negou terminantemente ter usado armas químicas na periferia de Damasco, e classificou a acusação de “tentativa desesperada de encobrir a derrota que os terroristas estão sofrendo no terreno”. O ministro da Informação sírio, Omran Al Zoubi, assinalou que “foi o governo de Damasco que insistiu para que a ONU enviasse uma equipe para investigar seu uso”, e lembrou que os mercenários têm utilizado armas químicas improvisadas. Como no massacre de Khan Al Assal, em meados de março, em que 123 civis morreram asfixiados por gás sarin, sobre o qual Carla Del Ponte, ex-procuradora do Tribunal Penal Internacional para a Iugoslávia, e atualmente chefe da Comissão Internacional de Inquérito sobre a Síria, atestou que “de acordo com as provas que recolhemos, os rebeldes utilizaram armas químicas, fazendo uso do gás sarin”. Em outras áreas, há denúncias do uso pelos contras de bombas de cloro improvisadas.

Sem uma investigação no terreno, não há como afirmar nada peremptoriamente, nem a extensão de possíveis vítimas. As cenas mostradas são impactantes e o Conselho de Segurança da ONU, reunido em caráter de emergência, discutiu a questão. O porta-voz do Ministério do Exterior da Rússia, Alexander Lukashvich, declarou que “determinadas mídias regionais direcionadas iniciaram um ataque midiático agressivo colocando toda a responsabilidade sobre o governo sírio”. Ele acrescentou que o mais provável é que um foguete de fabricação caseira “portando um agente químico, como aconteceu em Khan Al Assal, tenha partido de algum ponto da área controlada pelos mercenários”. O vice-presidente do Comitê de Assuntos Internacionais da Duma, Leonid Kalashnivov, afirmou que “se é que armas químicas foram realmente usadas, seus perpetradores são estes bandos”.

Desde a declaração de Obama de que “o uso de armas químicas era a linha vermelha” que levaria à intervenção militar direta dos EUA, não cessaram as provocações com armas químicas improvisadas na Síria cometidas pelos mercenários e cuja investigação foi pedida pelo governo sírio. O que se torna ainda mais premente em função das derrotas seguidas sofridas pelos contras, e que têm como principal esperança para virar o quadro uma intervenção aberta, com zona de exclusão aérea, bombardeios e outros crimes de guerra bem do estilo de Washington. Uma reedição da Líbia.

Até mesmo cidadãos que não primam por gostar de Assad e seu governo, como o repórter da BBC, Frank Gardner, admitiram que “o momento deste acontecimento é estranho, no limiar da suspeição”. “Por que o governo de Assad, que tem recentemente retomado terreno aos rebeldes, levaria a cabo um ataque químico no momento em que inspetores da ONU estão no país?”, questionou. O ex-chefe dos inspetores de armas no Iraque, Rolf Ekeus, afirmou o mesmo, acrescentando que no mínimo seria “pouco inteligente”.

Há dúvidas também sobre exatamente de que se trata. Steve Johnson, pesquisador chefe dos efeitos da exposição a material tóxico na Universidade Cranfield (Inglaterra) e que já atuou no Ministério da Defesa inglês, destacou que “dos detalhes que vimos até agora, um grande número de mortes em uma área muito ampla significaria uma dispersão de material com penetração. Com este nível de agente químico seria de se esperar uma contaminação grande e mais chegada intermitente de novos atingidos e veríamos que aqueles que tratam as vítimas também seriam atingidos. Não é isso que vemos nos vídeos”.
NATHANIEL BRAIA

HORA DO POVO

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