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agosto 23, 2013

CIA confirma o que todo mundo já sabia: depôs Mossadegh para roubar o petróleo

Filed under: WordPress — Tags:, , , , , — Humberto @ 4:01 pm

A Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA) reconheceu, pela primeira vez oficialmente, que dirigiu o golpe que derrubou, em 1953, o primeiro-ministro do Irã, quando este decidiu nacionalizar suas reservas de petróleo, controladas na época pela Grã-Bretanha, segundo documentos revelados no final de semana passado.

O papel da CIA na queda de Mohammed Mossadegh não era segredo para ninguém. Mas, o National Security Archive da Universidade George Washington – que publicou os papéis – ressaltou que os arquivos secretos da CIA revelados marcam sua explícita admissão sobre o fato.

São mais de 30 documentos que comprovam a articulação de Washington e Inglaterra contra a intenção iraniana de nacionalizar a Anglo-Iranian Oil Company – antecessora da atual BP. “O golpe militar que derrubou Mohamed Mossadegh e o governo da Frente Nacional foi realizado sob direção da CIA como um ato de política externa norte-americana”, dizem os documentos mencionados pelo Arquivo de Segurança Nacional.

O nome de código da operação da CIA era TPAJAX e nunca tinha sido mencionada nos documentos revelados pela agência. Outros arquivos revelados pela Universidade George Washington também apontam que a CIA participou, com ajuda da Inteligência britânica, na manobra política que reinstalou a monarquia no Irã, entregando o poder a Mohamed Reza Pahlevi, último Xá da Pérsia, após a deposição de Mossadegh. O Xá se tornou aliado próximo de Washington.

Em artigo, publicado no Hora do Povo de 26 de setembro de 2003, Carlos Lopes já denunciava que “em meados dos anos 60, a CIA procedeu a uma destruição em massa dos seus papéis sobre o golpe de 1953, no Irã, que derrubou o primeiro-ministro Mohamed Mossadegh e o governo da Frente Nacional. Segundo disse depois o então diretor da CIA, James Woolsey, a destruição dos documentos foi ‘rotina’. Mas um inquérito conduzido pelo Arquivo Nacional dos EUA concluiu que a destruição tinha sido ilegal: ‘a destruição dos registros relacionados ao Irã não foi autorizada’, assim como a de ‘nenhum documento oficial com efetividade no período 1959-1963, relacionado a ações encobertas’. Segundo disse a CIA, tinham sobrado somente 1.000 páginas sobre o golpe em seus arquivos (somente a pequena parte já desclassificada sobre o golpe do Chile constitui-se de 16.000 documentos, com uma quantidade descomunal de páginas)”.

Porém, no ano 2000, muitas informações vieram à tona. Nesse ano, um “ex-agente” passou ao The New York Times um documento secreto da CIA, um relato de 200 páginas (“Overthrow of Premier Mossadeq of Iran, November 1952-August 1953”) da ação contra o Irã, escrito em março de 1954 – sete meses após o golpe – por um dos chefes da operação, Donald Wilber.

O “The New York Times” publicou uma versão pasteurizada, expurgada e censurada. Mesmo assim, o jornal foi processado pela CIA, sob a alegação de que a publicação “causaria sérios danos à segurança nacional dos EUA”.

O HP pesquisou o documento completo. “Em relação à ‘segurança nacional’ dos EUA, nesse documento divulgado 47 anos depois dos fatos que relata, não há nada que a afete. Mas em relação à ‘segurança’ da canalha terrorista ianque, realmente, não se pode dizer a mesma coisa. O documento é uma descrição detalhada, minuciosa e cínica dos seus crimes. A destruição em massa de documentos referentes ao golpe contra um dos homens mais notáveis do século XX, Morramed Mossadegh, foi, evidentemente, para escondê-los”, assinalou Carlos Lopes.

Nas páginas do relato, é cristalino que a CIA fabricou, do início ao fim, o golpe contra o Irã. Ela não apoiou os golpistas. Ela fabricou-os, até mesmo escolheu-os – evidentemente, dentre a ralé de ressentidos com a revolução popular e democrática encabeçada por Mossadegh.

Por esse documento se sabe que, em abril de 1953, a CIA e o SIS (serviço secreto inglês) numa reunião em Nicósia, Chipre, resolveram derrubar Mossadegh porque ‘desde o fim de 1952 tornou-se claro que o governo de Mossadegh no Irã era incapaz de estabelecer um arranjo com os interesses petrolíferos dos países do Ocidente (Summary, pág. III). (….) Nenhum outro remédio pode ser achado, senão o plano de uma operação encoberta. Especificamente, o objetivo era colocar no poder um governo que alcance um arranjo petrolífero’ (pág. IV).

“O plano foi concluído em junho de 1953 e, no dia 11 de julho, Eisenhower o aprovou. Dez dias antes, já havia sido aprovado pelo primeiro-ministro inglês, Winston Churchill, de volta ao poder desde 1951. No documento, Eisenhower, seu secretário de Estado, John Foster Dulles, e outros baluartes da democracia, aparecem perfeitamente integrados com a CIA e agindo de acordo com o plano dela. Não somente o aprovaram – e, provavelmente, o encomendaram. São partícipes entusiasmados.

A sofreguidão dos colonialistas ingleses era devida à nacionalização, dois anos antes, da indústria do petróleo iraniana – antes principalmente na mão de companhias inglesas. Quanto aos imperialistas americanos, esses queriam se apossar do petróleo do Irã, como, aliás, se apossaram depois do golpe, até a eclosão da revolução islâmica”, sublinhou Carlos Lopes.

Mossadegh, com seus 70 anos, estava decidido a defender os interesses nacionais do Irã – e assim permaneceu até a morte, preso, em 1967. Em 1979, após a revolução islâmica, um milhão de iranianos reuniram-se em torno ao seu mausoléu, em Ahmad Abad, para prestar sua homenagem ao herói.

HORA DO POVO

1 Comentário »

  1. E o mundo adora esse câncer que destrói o mundo…

    Comentário por antoniomarcos (@23antoniomarcos) — agosto 27, 2013 @ 10:08 pm


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