ENCALHE ( Descontinuado em 05.10.2013 )

julho 3, 2013

Seleção Brasileira: goleada na Espanha e nos anti-Copa


Os contra a Copa 2014 no Brasil acham normal o desvio de centenas de bilhões para os banqueiros e considera escândalo investir alguns trocados em poucos estádios

Há décadas – faz mais de 60 ou 70 anos – o futebol, condensado pela Seleção Brasileira, é parte da nossa Nação. Não existe, aqui, manifestação popular mais genuína, mais verdadeira – que mais expresse a nossa nacionalidade – que o futebol e, especialmente, a sua realização superior, a nossa trajetória nas várias Copas do Mundo. Por isso, a final da Copa de 1950, em pleno Maracanã, foi, com toda razão, uma tragédia nacional – a revelar ainda alguma imaturidade ansiosa no decepcionante resultado daquela tarde do dia 16 de julho – e a Copa de 1958 foi a redenção de um país que lutava e vencia de cabeça erguida, tanto quanto Didi, Pelé, Garrincha, Nílton e seus companheiros se impunham aos seus adversários.

Há quem rejeite a expressão “a pátria de chuteiras”, mas apenas porque é bobo – ou não pensou direito sobre o assunto. Que sejamos o único país do mundo a vencer em cinco Copas, ou, mesmo, que sejamos o único país do mundo presente em todas as Copas, de 1930 a 2014, diz algo sobre a nossa História – e mais ainda que tenhamos sido o país que transformou em arte o que antes era apenas um esporte (aliás, conhecido como o “rude esporte bretão” – o que ele era, mas nunca mais foi depois de 1958, quando a rudeza dos bretões deixou de designar o futebol, para se tornar, definitivamente, uma característica pré-histórica do jogo ou um exemplo de mau futebol, como deixou claro a tentativa de reabilitação dessa lástima, na Copa de 1966).

Que até reacionários empedernidos (como o autor da expressão que citamos) hajam conseguido momentaneamente sair de sua cegueira ideológica, perceber a luz e se elevar até a comunhão nacional representada pelas manifestações mais superiores do futebol, somente deixa mais nítido o quanto tem de colonizada, de estúpida e de servil – submissa, pequena e rasteira – a pretensão de rejeitar a volta da Copa do Mundo ao Brasil, inclusive sua competição preliminar, a Copa das Confederações, que conquistamos brilhantemente no domingo, nos três a zero sobre a seleção espanhola.

MÍDIA

Se existe algo revelador da traição ao país da atual mídia reacionária, foi, outra vez, sua torcida frenética contra a Seleção Brasileira, vale dizer, contra o Brasil. Não foi a primeira vez, evidentemente, como sabem os leitores, há muito vacinados contra o caráter (ou a falta de caráter) patogênico dessa malta. Portanto, não foi uma novidade, exceto a de que a “Globo”, a “Veja”, a “Folha” e mais alguns desclassificados, acreditavam ter encontrado, finalmente, um time capaz de nos derrotar dentro da nossa própria casa, e, ao mesmo tempo, pela primeira vez, ter algum respaldo “de massa”, supostamente “popular”, para apoiar a sua paleontológica cruzada contra o país, com alguns manifestantes manipulados, que aceitassem ser os seus mamulengos.

Mas a seleção espanhola, talvez por causa dessa azarenta propaganda enganosa, nem conseguiu sair do chão – ou, como diriam alguns leitores, elevar-se acima do gramado.

Quanto aos mamulengos, até que encheram um pouco a paciência – especialmente em Belo Horizonte, mas também, em menor medida, no Rio e Fortaleza. Mas nada que tirasse o brilho da festa. Sua desgraça é que jamais ficou tão definido o perfil desse tipo de manifestação: longe do país e do povo, antagônica à Nação, triste, mentalmente indigente – em suma, uma manifestação de frustrados e teleguiados, talvez teleguiados porque frustrados (ou frustrados porque teleguiados).

Como alguém pode dizer, em sã consciência, que a Saúde está aos cacos porque o governo gastou dinheiro com a Copa? É preciso ser muito ignorante – vamos falar francamente: é preciso ser muito burro – para acreditar em tal vigarice.

Até do ponto de vista das quantias em si, isso jamais poderia ser verdadeiro: o investimento total nos estádios é R$ 7,6 bilhões; além disso, o investimento com obras para aumentar a mobilidade urbana – obras necessárias com ou sem a Copa – é R$ 20,4 bilhões. Sobre esse último ponto, há algo curioso: na quinta-feira passada, um membro do Ministério Público declarou à mídia que entrará com um pedido de paralisação das obras da Copa em Cuiabá porque o VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), que está sendo construído naquela cidade, “passa longe do estádio, nada tem a ver com a Copa”.

TRANSFERÊNCIA

Curioso, pois a queixa até então era que as obras da Copa desviavam dinheiro das necessidades da população. Agora, um promotor quer paralisar as obras porque, ao invés de ter alguma coisa com a Copa, elas têm a ver com as necessidades da população… A propósito, as obras da Copa em Cuiabá, além do estádio (“Arena Pantanal”) e do VLT, são seis viadutos, a reforma do aeroporto, cinco duplicações de vias, a construção de quatro pontes, cinco novos acessos às vias já existentes, um complexo viário, etc., etc. – ao todo, 35 obras de grande extensão, que, evidentemente, não serão desfeitas após a Copa.

Nem vamos mencionar outra vez que, na maior parte do investimento para as obras da Copa, a participação do governo federal será através de empréstimos ou desonerações. Mais importante, o Orçamento federal para a Saúde este ano é R$ 101.197.517.000, isto é, 13 vezes o que se gastou com os estádios em cinco anos.

No entanto, é claro que as verbas para a Saúde ainda são insuficientes. Porém, estranhamente, nenhum desses paladinos contra a Copa mencionou que, somente de janeiro de 2011 até maio deste ano, o setor público transferiu aos bancos, sob a forma de juros, R$ 551 bilhões, ou seja, a média de R$ 228 bilhões por ano – mais de duas vezes o Orçamento da Saúde, e sem outro efeito (nem objetivo) senão enriquecer ainda mais os banqueiros, sobretudo os externos (cf. BC, “Relatório de Política Fiscal, Quadro II – Necessidades de financiamento do setor público – fluxos acumulados no ano”, 28/06/2013).

Esse desvio, não somente da Saúde, mas de todo e qualquer setor que contemple as necessidades do povo, não é mencionado, seja pela mídia, seja por seus mamulengos manifestivos.

Aliás, a expressão “voz das ruas” jamais se referiu a coisas tão diferentes quanto ao que designa hoje, dependendo de quem a usa. Por exemplo, diz o professor Delfim: “... o que os movimentos estão dizendo é apenas que há coisas mais importantes que os estádios esportivos: que os governos deveriam estar investindo ativamente em sistemas de transportes públicos para oferecer um mínimo de conforto à população que paga impostos”.

Deve ser por isso que o divertido professor é também o ex-ministro econômico da ditadura ( aliás, o czar econômico de dois governos da ditadura ). Mas, independente dos usos da língua, há coisas que continuam do mesmo jeito: só existe uma verdade possível. A final da Copa das Confederações revelou-a – ou fez com que aparecesse sob a intensa luz das vitórias históricas do povo, ou seja, iluminada pelo sol das conquistas nacionais.

Não existe ninguém com boa fé e inteligência que seja contra construir ou reformar estádios para a Copa. Até porque vamos ser hexacampeões – e aqui no Brasil.

O resto é servilismo, ignorância e estupidez ou má-fé – ou seja, o oposto do que é ser brasileiro ou brasileira.

CARLOS LOPES – HORA DO POVO

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