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junho 16, 2013

Netos querem ocupar cargos que os avôs não conseguiram


MIGUEL ARRAES (FOTO) (1)Dois políticos brasileiros tiveram destaque nacional, mas não conseguiram o que mais almejaram: a presidência da Republica. Um deles foi eleito. No entanto, morreu antes de tomar posse. É essa história que pretendo contar aos leitores.

Tancredo Neves (4/3/1910-21/4/1985) iniciou sua carreira política ao se eleger deputado estadual (1947-1950) e deputado federal (1951-1953). No governo de Getúlio Vargas ocupou os cargos de Ministro da Justiça e o de Negócios Interiores até o suicídio do presidente, em 24 de agosto de 1954. De 1958 a 1960, assumiu a Secretaria de Finanças de Minas Gerais. Com a renúncia do presidente Jânio Quadros, em 25/8/1961, após sete meses de governo, os militares impediram a posse de João Goulart, Jango, Vice-Presidente. Só permitiram que ele ocupasse a Presidência com a introdução do Parlamentarismo. Então, Tancredo Neves foi nomeado Primeiro-Ministro, que ocupou de 1961 a 1962. Em 1963, foi eleito deputado federal. Foi reeleito deputado federal por duas vezes entre 1963 a 1979. Elegeu-se governador de Minas Gerais (1983-1984). Neste período, houve o movimento das Diretas-Já, em favor da Emenda do deputado Dante de Oliveira, que era pelas eleições diretas para presidente da República. Com a derrota da emenda, Tancredo Neves foi candidato indireto pelo PMDB, derrotando, em 15 de janeiro de 1995, Paulo Maluf, da ARENA, partido do governo militar. No entanto, em 14 de março, véspera da posse, adoeceu gravemente, vindo a falecer em 21 de abril de 1985. Na época, houve uma polêmica sobre a morte de Tancredo. Uns achavam que ele foi assassinado e outros que a morte dele era natural. A dúvida persiste até hoje. Um fato histórico: Tancredo foi o último presidente eleito indiretamente, findando a Ditadura Militar.

Outro nome que teve uma brilhante carreira política: Miguel Arraes (15/12/1916-13/8/2005). Ele iniciou a vida parlamentar em 1950, quando foi eleito deputado estadual, sendo reeleito em 1954. Em 1959, é eleito prefeito de Recife. Em 1962, elegeu-se governador de Pernambuco. Não terminou o mandato. Com o golpe de 64, Arraes foi deposto e preso na ilha de Fernando de Noronha. Depois de nove meses de prisão, conseguiu um harbeas-corpus do Supremo Tribunal Federal e depois pediu asilo político na embaixada da Argélia, ficando exilado neste país por 14 anos, voltando ao Brasil em 1979, após a anistia política concedida pelo então presidente, general Figueiredo, livrando-se da condenação de 23 anos de prisão a que fora condenado pelo regime militar. Em 1982, elege-se deputado federal pelo PMDB, o mais votado do Nordeste. Em 1986, se torna, pela segunda vez, governador de Pernambuco. Em 1990, ele troca o PMDB pelo PSB, elegendo-se deputado federal com a maior votação proporcional do País. Em 1994, aos 78 anos, consegue o terceiro mandato de governador de Pernambuco. Em 1998, candidato à reeleição, perde, pela primeira vez, a eleição para governador, sendo derrotado pelo atual senador Jarbas Vasconcelos (PMDB). Em 2002, elege-se deputado federal pelo PSB, mas não termina o mandato. Ele morreu em 13/8/2005, aos 88 anos. Teve época que Arraes foi cogitado a ser candidato à presidência da República, mas, com o Golpe de 64, não conseguiu. Depois, com a anistia, ele teve apenas um desempenho político regional, embora com repercussão nacional. Se Tancredo foi eleito presidente, mesmo sem tomar posse, Arraes não obteve o posto tanto almejado!

Agora os netos querem o cargo que os avôs não conseguiram. Aécio Neves, neto de Tancredo, que foi deputado, governador e hoje senador, é o provável candidato a presidente pelo PSDB, visando 2014. O mesmo ocorre com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, neto de Miguel Arraes. Ele foi deputado estadual, Ministro da Ciência e Tecnologia do governo Lula, em 2004, e se elegeu governador de Pernambuco em 2006 e se reelegeu em 2010, com 80% dos votos. Em 2011, foi considerado, segundo o IBOPE, o melhor governador do Brasil.

Será que os netos conseguirão o que os seus ilustres avôs não conseguiram? Como sempre digo: A CONFERIR.

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu
Junho de 2013

1 Comentário »

  1. Republicou isso em O LADO ESCURO DA LUA.

    Comentário por anisioluiz2008 — junho 16, 2013 @ 10:28 pm


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