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junho 4, 2013

A atriz Bete Mendes e a tortura, Por Jasson de Oliveira Andrade


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Bete Mendes [ foto ] é uma grande atriz, com participação marcante em várias novelas da TV Globo. Agora, em 2013, ela está participando da novela “Flor do Caribe”, interpretando a personagem Olívia. No passado, depois do Golpe de 64, ela foi presa e torturada. É o que vamos mostrar.

Em entrevista à jornalista Eleonora de Lucena, Folha, em 26/5/2013, Bete Mendes revelou: “Quando fecharam as portas à democracia, me senti usurpada, revoltada, aprisionada. Achei que a única saída era entrar numa organização revolucionária contra a ditadura militar. Entrei na VAR-Palmares. Fizemos aquela opção. Foi certa, errada? É difícil julgar hoje.” A atriz conta o que lhe aconteceu após essa opção: “Fui presa duas vezes. Na primeira, não fui torturada fisicamente (sic). Na segunda, foi total. Fui torturada [em 1970] e denunciei [o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra]. Isso me marcou profundamente. Não desejo isso para ninguém – nem para meus inimigos. A tortura física é a pior perversidade da raça humana, a psicológica, idem. (…) Superei isso com tratamento psicológico e com trabalho. Agradeço à família, à classe artística, aos amigos que foram meu alicerce”. Bete Mendes termina assim sua entrevista: “Problema de audição? Tenho. É que eu fui torturada. [Fica com os olhos marejados].”

O coronel Ustra, em declaração à Comissão da Verdade, afirma, com veemência, que não praticou a tortura. No entanto, além dessa denúncia de Bete Mendes, outros presos políticos também se dizem torturados por ele. Em 8/9/1985, há vinte e oito anos, escrevi um artigo na Gazeta Guaçuana, comentando a declaração da atriz, quando ela denunciou o Coronel Ustra. No texto “Brasil: Nunca Mais e o caso Bete Mendes”, escrevi: “Os torturadores justificam que na época [ depois do Golpe de 64 ] existia uma guerra contra a subversão e, para vencê-la, todos os métodos eram válidos (sic). O militar torturador da deputada Bete Mendes [coronel Ustra] era conhecido como “Dr. Tibiriçá”. Ora, se era justificável a tortura (até em crianças – Brasil: Nunca Mais) por que esconder-se atrás de nome falso? Por que não usar, com orgulho, o próprio nome? É que reconhecem (sic), ao usarem nome falso, que cometiam crimes”. Acrescento hoje: ao ocultar o verdadeiro nome, tal fato é a confissão de crime, que atualmente negam.

Repito o que afirmou Pasquale Cipro Neto, respeitado escritor brasileiro: “É bom que se diga que não é preciso ser cristão para ter nojo da tortura, venha ela de onde vier”. Digo também, como sempre faço: Ditadura Nunca Mais, seja de direita ou de esquerda!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu
Junho de 2013

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