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maio 17, 2013

Petróleo: leilão ficou bem abaixo do que pretendia o entreguismo da ANP

Filed under: WordPress — Tags:, , , , , — Humberto @ 6:24 pm

Dos 289 blocos só 142 foram arrematados. Entidades fizeram manifestação na porta do hotel contra a entrega

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) bem que tentou, mas não conseguiu se entusiasmar com o resultado da 11ª rodada de licitações de petróleo, ocorrida na terça-feira (14). Dos 289 blocos colocados em leilão, apenas 142 foram arrematados. Foi um fiasco. A programação eram dois dias de leilão, mas tiveram que encerrar o processo no primeiro dia por falta de quorum. Mais da metade dos blocos nem foi a leilão.

Este resultado só confirma aquilo que todos já sabem. Quem faz pesquisa séria, quem possui capacidade técnica e investe de verdade no país é a Petrobrás. Já as empresas do cartel estrangeiro, principalmente as múltis, são mestres mesmo é em provocar megavazamentos, desastres e poluição ambiental. Elas não fazem investimentos, só sabem parasitar o trabalho já feito pela Petrobrás. As outras várias empresinhas – que não passam de testas-de-ferro – entram no processo, ou para especular ou só para esquentar lugar e depois passar o bloco para o cartel. Achar, como alguns incautos, que há concorrência na área do petróleo é ingenuidade ou má-fé.

A diretora do ANP, Magda Chambriard, entusiasta do entreguismo desvairado, havia dito numa reunião recente com grupos estrangeiros que o leilão seria uma grande oportunidade de “bons negócios”. Chegou a apregoar que as áreas que seriam leiloadas continham 30 bilhões de barris. Tirando os blocos onde a Petrobrás participou com mais de 50% no consórcio, somente cerca de 40% dos blocos foram arrematados pelos tais “investidores” privados. Ou seja, 60% dos blocos escaparam de cair nas mãos das múlits.

Com esse resultado pífio da “megaentrega” anunciada pela ANP, Magda Chambriard tentou melhorar a situação dizendo que 2/3 da área leiloada tinha sido adquirida no leilão. Uma comemoração ridícula para esconder o desânimo, pois o que interessa é o número de blocos e não a “área leiloada”. Aí disseram que o bônus de R$ 2,8 bi arrecadado foi uma maravilha. Só que esse valor está muito distante dos montantes que estão previstos nos investimentos da Petrobrás que passam de 200 bilhões. Por último, a ANP acabou tendo que anunciar que “os blocos que não foram arrematados na 11ª rodada de áreas de exploração de petróleo e gás no Brasil poderão ser relicitados no futuro”.

Durante o leilão, que ocorreu no Hotel Royal, em São Conrado, no Rio de janeiro, a CGTB, CUT, CTB, FUP, Aepet, MST, CMB, UBES, sindicatos de petroleiros de vários estados e partidos políticos realizavam um protesto na porta do hotel contra o crime perpetrado pela ANP. O presidente da CGTB, Ubiraci Dantas de Oliveira (Bira), disse que “entregar nossas reservas de petróleo para os monopólios transnacionais é entregar a vida de uma Nação”. O coordenador da FUP ( Federação Única dos Petroleiros), João Antonio de Moraes, citou as manifestações contra a 11ª Rodada, realizadas desde a última semana, em diversos estados do Brasil. “Ontem (13) no Ministério de Minas e Energia, em Brasília, ocupamos o lugar onde fica a gestão dessa política de exportação do nosso petróleo, para que eles fiquem cientes de que se o Brasil colocar este recurso à disposição do império norte-americano ou de qualquer outro continente não haverá petróleo para as nossas gerações futuras”. “Não temos dúvidas que, para reverter esta situação, é preciso força e mobilização, vide a campanha “O Petróleo é Nosso”, na época da criação da Petrobrás”, enfatizou.

Várias personalidades e entidades como a FUP e Sindipetros etaduais entraram com ações na Justiça denunciando o crime da entrega do petróleo cometido pela ANP. A ação judicial assinada pelo presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET), Silvio Sinedino Pinheiro, pelo vice da entidade, Fernando Siqueira, e pelo deputado federal Ivan Valente (Psol-SP) alerta que algumas áreas leiloadas pela ANP podem pertencer ao pré-sal e, portanto, não podem ser exploradas pelo regime de concessão.

Há alguns dias, dezenas de entidades sindicais e populares também enviaram carta à presidenta Dilma Roussef pedindo que ela suspendesse os leilões. “O povo brasileiro votou em Lula duas vezes e em Dilma no ano de 2010, ciente de que aquilo que foi feito nos governos anteriores não era bom para o Brasil. A esperança vencia o medo e exigia que as privatizações tivessem um basta”, diz um trecho da carta. “A extraordinária descoberta de petróleo na área chamada pré-sal, as enormes reservas de água, nosso território e nossas riquezas naturais exuberantes e, fundamentalmente, a capacidade de trabalho dos trabalhadores brasileiros acenam para a construção de um país com enormes potencialidades, com possibilidades de usar e bem distribuir estas riquezas. E é isto que vemos ameaçado nesse momento. Se as riquezas são tantas e boas para o país, por que entregar para as grandes empresas transnacionais as riquezas do povo brasileiro?”, indaga o documento.

O presidente da CUT-RJ, Darby Igayara, reafirmou que a central apoia e sempre apoiará a luta dos petroleiros e da sociedade brasileira em defesa do petróleo brasileiro. “Nós da CUT, junto às entidades de classe, mandamos um recado para o governo: chega de leilão, nós exigimos a soberania do petróleo. Não permitiremos que a nossa riqueza seja entregue às multinacionais e ao Eike Batista”. “A posição da nossa central é contra os leilões do petróleo e contra a desnacionalização do patrimônio do povo brasileiro. Nossa luta sempre foi contra a privatização do patrimônio público. Essa é uma luta de toda a classe trabalhadora, que precisa estar mobilizada contra a desnacionalização e privatização”, frisou o secretário geral da CTB-RJ, Ronaldo Leite.

“Esse ano completa 60 anos da conquista do monopólio estatal do petróleo e da criação da Petrobrás. Eu quero lembrar aqui uma grande companheira, líder das mulheres, que muito contribuiu na luta em defesa do nosso petróleo. A companheira Alice Tibiriçá, que foi presidente da Federação das Mulheres do Brasil”, disse a presidente da Federação das Mulheres Fluminenses e diretora da Confederação das Mulheres do Brasil (CMB), Conceição Cassano.

O presidente estadual do Partido Pátria Livre (PPL), Irapuan Ramos, saudou “essa unidade conseguida nesse ato para mostrar nossa indignação diante do que está acontecendo aqui em São Conrado. Não foi à toa que eles escolheram esse lugar bem escondidinho, de difícil acesso, porque se fosse no centro do Rio nós teríamos fechado a Avenida Rio Branco. E por que eles precisam se esconder? Porque o que se comete dentro desse hotel é um crime contra o nosso país e contra o nosso povo”, denunciou.

Em Sergipe, terceiro maior produtor de petróleo do Nordeste, os trabalhadores também protestaram contra o leilão da ANP. A CGTB-SE convocou o ato de repúdio à entrega do petróleo. José Arnaldo, coordenador da CGTB declarou que “os trabalhadores de Sergipe estão firmes na defesa da soberania nacional, pois o petróleo brasileiro pertence ao povo e não há nenhuma necessidade de entregá-lo às multinacionais”. O presidente estadual do Partido Pátria Livre, Manoel Messias, falou da necessidade de fortalecer a Petrobrás “pois esse leilão pode colocar em risco 30 bilhões de barris de petróleo que seriam entregues às multinacionais”. Participaram ainda do ato, Airton Costa, do PPL, Giovana Rocha , representando a Associação dos Moradores do Rosa do Sol e demais lideranças populares.

SÉRGIO CRUZ – HORA DO POVO

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