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maio 11, 2013

Militares que se recusaram a participar de plano para matar João Goulart foram punidos pela corporação


O coronel-aviador da reserva Roberto Baere, em depoimento à Comissão Nacional da Verdade, no Rio de Janeiro, relatou o plano elaborado por militares da Aeronáutica em 1961

Em 1961, Jango, então vice de Jânio Quadros, estava prestes a assumir a Presidência da República após a renúncia deste.

Ele se encontrava em viagem à China durante a renúncia de Jânio Quadros e temia voltar ao Brasil. Desembarcou em Porto Alegre, de onde seguiria à Brasília. O plano dos oficiais era abater o avião de Jango no trecho entre Poro Alegre e Brasília.

A conspiração dos oficiais da Aeronáutica para matar Jango se chamava Operação Mosquito.

Baere disse que recebeu ordens do comandante da Base Aérea de Santa Cruz, no Rio, o tenente-coronel Paulo Costa, para preparar os caças para atacar o avião de Jango. O coronel-aviador afirma que se recusou à missão e que foi punido depois dentro da Aeronáutica.

“Fui sumariamente expulso, após ficar 50 dias incomunicável na prisão, policiado na porta por um oficial portando metralhadora, como se fosse um marginal de alta periculosidade”, declarou Baere.

Outros militares que se opuseram ao golpe também foram ouvidos pela CNV. O então fuzileiro naval Paulo Novais Coutinho foi enviado ao Sindicato dos Metalúgicos, no Rio, para dispersar uma reunião de marinheiros e fuzileiros navais.

“Eu era da Companhia de Polícia e fui, em um pelotão de 39 homens, para reprimir a reunião. Mas a assembleia estava apoiando Goulart e, em vez de combater os colegas, colocamos as metralhadoras no chão, entramos no sindicato e apoiamos o movimento (…) Só consegui voltar à Marinha em 1989, mas até hoje somos vistos com preconceito”, declarou Coutinho que foi preso e expulso por indisciplina.

Jango morreu em Mercedes, na Argentina, em 1976. Há indícios de que tenha sido envenenado por militares da Operação Condor. Uma das tarefas da Comissão da Verdade será apurar a verdadeira causa da morte do ex-presidente.

Criada por meio de um acordo com setores ligados aos militares, a Comissão da Verdade tem uma série de limitações. Entre elas a de que não pode punir os torturadores. Outra questão que atravanca a sua atuação é o fato de que por pressão dos militares, a Comissão terá que investigar um espaço de tempo muito maior que os 20 anos da ditadura militar em apenas dois anos.

A não punição dos torturadores da ditadura foi garantida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), uma das instituições mais reacionárias do País, que considerou recentemente legítima a Lei da Anistia, de 1979, que tinha como objetivo principal anistiar os torturadores e assassinos da ditadura, não vítimas dela.

PCO

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