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março 30, 2013

Requião exorciza os fantasmas do passado e alerta contra os atuais


O senador Roberto Requião (PMDB-PR), em discurso no Senado, disse que em suas recentes viagens à Polônia e à Suécia, ao ler notícias do Brasil, foi frequentemente assaltado por espectros do passado, todos, “em coro de tragédia grega”, propondo a volta das velhas e falidas políticas neoliberais. Ele ironizou a mídia, a oposição e os ex-ministros do governo FHC que, nas últimas semanas, têm proposto arrocho.
HORA DO POVO

Falta ao país uma política de desenvolvimento nacional, cobra Requião no Senado
O senador Roberto Requião (PMDB-PR) discursou da tribuna do Senado, na última quarta-feira (20), ironizando a mídia, a oposição e os ex-ministros do governo FHC que, nas últimas semanas, têm subido o tom propondo arrocho, desemprego e elevação dos juros. Para o senador, o que se vê é um cortejo de fantasmas, que procura “aterrorizar o país com idéias fossilizadas que, quando aplicadas, quebraram o Brasil por três vezes”.
Segundo Requião, em suas recentes viagens à Polônia e à Suécia, ao ler notícias do Brasil, foi frequentemente assaltado por espectros do passado, todos, “em coro de tragédia grega”, propondo a volta das velhas e falidas políticas neoliberais.
O senador também fez observações críticas sobre a política econômica do atual governo, que chamou de “picadinho variado”. Para Requião, enquanto o país não se reunir em torno de um programa nacional de desenvolvimento, com tática e estratégia bem definidas, viveremos de sobressaltos, aos trancos e barrancos, permitindo até mesmo que velhos fantasmas, de passado nada recomendável, voltem à cena e opinem. “Como no filme ‘Poltergeist’, um dos clássicos do cinema de terror dos anos 80, as assombrações surgiam, reproduziam-se, envolviam-me. Mesmo que fantasmagóricas, ilusivas, era possível reconhecer as aparições”, disse.
“E lá vinham os avejões dos irmãos Mendonça de Barros, o Luiz Carlos e o José Roberto. O primeiro, nada amistoso para a circunstância de desencarnado, interpelava a presidente Dilma, acusando-a de impor “condições inaceitáveis” às concessionárias privadas. Nos limites da irresponsabilidade, reivindicava “condições de mercado” para as privatizações petistas, semelhantes às da entrega da telefonia, da Vale, das ferrovias e comezainas da espécie, como diriam os portugueses”, acrescentou.
“Mal se evaporam os Mendonças, emergem do vazio as barbas brancas de Gustavo Loyola, tantas vezes colocadas de molho. Professoralmente, elas advertem: o Brasil não está preparado para conviver com taxas de juros estruturalmente menores. Proclamada a nossa incapacidade atávica de se libertar dos usurários, as barbas do ex-presidente do Banco Central desmancham-se em mil fios. Enquanto opera-se o prodígio, coça-me uma pergunta: “Seriam os ares tropicais ou a nossa tão celebrada mulatice responsáveis por essa inabilitação a desenredar-se da agiotagem?”.
Não faltaram ironias do senador com os “comentaristas” econômicos da mídia golpista, que no afã de agradar a banca especulativa, gritavam contra os números do governo em defesa de mais superávits primários. “Nem bem se dissolve o coro dos financistas, colunistas e avizinhados, vejo formando-se novo préstito cantante”, disse Requião. “São editorialistas dos jornalões, apresentadores e comentaristas de televisão, economistas e analistas do mercado, e os inefáveis oradores da oposição. Esvoaçam, adejam sem qualquer graça ou arte, desafinam na cantoria, um cantochão maçante, cujo estribilho repete sem parar , como o corvo de Poe, “contabilidade criativa”, contabilidade criativa”, ‘contabilidade criativa’”, prosseguiu.
Requião completou o discurso criticando também as políticas do governo (ou falta delas), falando sobre sua chegada ao Brasil. “Aportado o Brasil, de outra qualidade são os meus espantos. Aterroriza-me não a contabilidade criativa, e sim a ideologia do superávit primário. Desassossega-me não o aumento da inflação, e sim corrosão de nossa base industrial, sucateando-se ao céu aberto da incúria governamental”, denunciou.
“Alvoroça-me não o crescimento da inadimplência, e sim a fragilidade de uma política econômica que se ancora no consumo, no crédito consignado e na exportação de commodities. Assusta-me não a expansão dos gastos públicos, e sim a paralisia das obras de infraestrutura; a execução lentíssima, sonolenta do Orçamento da União. De que têm medo os nossos próceres ministeriais? Intimidam-nos a insepulta Delta ou o libérrimo Cachoeira?”
“Apavora-me não o desacordo em relação às metas, e sim, as próprias metas, camisa de força imposta pelo mercado, pela financeirização da economia, que certa esquerda transforma bandeira para ser vista como “responsável”, “moderna”.
“Argh!!! Estarrecem-me não as privatizações, e sim o abuso, o desregramento das concessões, superando até mesmo toda fobia privatista de Margareth Thatcher, como se vê agora no caso dos portos”, destaca o senador.
E conclui dizendo que falta política econômica e um programa para o Brasil do campo progressista, já que, segundo ele, “a oposição de direita sabe o que quer”. “Assombra-me não o picadinho variado das medidas do Ministério da Fazenda, e sim a falta de uma Política Econômica que se enquadrasse em um Programa para o Brasil, doutrinariamente à esquerda, fundado na solidariedade, na distribuição da renda e dos benefícios do avanço tecnológico, na prevalência, sempre, dos interesses populares e nacionais”, completa Requião.

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