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março 22, 2013

ANP quer entregar em 2013 a metade do pré-sal a múltis


40 bilhões de barris no leilão de novembro
Em uma tacada, joga o “passaporte para o futuro” para queimar
A diretora da ANP, Magda Chambriard, em seminário para as multinacionais, realizado na segunda-feira, informou aos risonhos donos de petroleiras estrangeiras presentes ao evento, que na 11ª rodada, prevista para maio, serão leiloados mais 30 bilhões barris de petróleo nas bacias sedimentares do país. Além disso, em novembro, serão leiloados 40 bilhões do pré-sal. Ou seja, a ANP pretende entregar metade de tudo o que se descobriu no pré-sal até agora para as empresas estrangeiras.
HORA DO POVO

Múltis miram petróleo do pré-sal açuladas pelos serviçais da ANP
Diretora-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Magda Chambriard, quer entregar metade do pré-sal para as múltis
Em nossa edição anterior (20/03) falamos sobre a escandalosa oferta do petróleo, feita pela diretora da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Magda Chambriard, em seminário para executivos de multinacionais, realizado na segunda (18), no Rio de Janeiro. Ela informou aos risonhos donos de petroleiras presentes ao evento, que na 11ª rodada, prevista para maio, serão leiloados 30 bilhões barris de petróleo nas bacias sedi-mentares do país. No pré-sal, prevista para novembro, a ANP pretende entregar mais 40 bilhões de barris. Além disso, há também a previsão para dezembro da realização da 12ª rodada de licitações. Ou seja, mais uma outra leva de gás e petróleo será ofertada aos gringos.
Análise mais detida desses números mostra que o escândalo é bem maior do que nós estávamos pensando inicialmente. Pelo que anunciou a senhora Magda, metade de tudo o que se descobriu no pré-sal até agora será entregue de uma só vez para as multinacionais.
Vejamos. A estimativa do governo para as reservas existentes no pré-sal é de 70 a 100 bilhões de barris (cf. artigo: “Novas reservas” – Portal Brasil http://www.brasil.gov.br/sobre/economia/energia/pre-sal). Portanto, o objetivo anunciado no seminário é queimar pelo menos a metade desse petróleo estimado (segundo Magda, 40 bilhões de barris serão leiloados em 2013). E entregar tudo em apenas um leilão. Ou melhor, numa tacada só queimar o famoso “passaporte para o futuro”, do ex-presidente Lula, representado pela descoberta do pré-sal.
É verdade que a sanha entreguista dessa gente é tão acentuada que os números apresentados por eles não são muito precisos. Mas, a ordem de grandeza da entrega parece ser esta mesma. Como não estava prevista a entrega das reservas do pré-sal, a própria ANP, afoita para leiloar as outras áreas fora dessa região, fazia pressão e informava que as reservas de petróleo do pré-sal não eram lá essa coisas. Segundo a ANP, eram de apenas 30 bilhões de barris (cf. ANP – Rodadas de licitações – 11ª Rodada – Oportunidades – http://www.anp.gov.br). E agora, a própria diretora do órgão anuncia que de lá sairão os 40 bilhões de bilhões de barris ofertados para as múltis. Das duas uma, ou ela está oferecendo o que não tem para entregar, ou, como dissemos, estava subestimando as reservas do pré-sal. O Clube de Engenharia afirma que a estimativa da reservas do pré-sal é de 50 bilhões de barris e, para o governo, como mostramos acima, essas reservas estão entre 70 a 100 bilhões de barris. Então, só podemos concluir que a intenção do governo é entregar mesmo a metade das reservas do pré-sal para as multinacionais.
Têm, portanto, razão os sindicalistas que adentraram o auditório do hotel na segunda-feira onde a farra entreguista estava acontecendo, para avisar que “o povo vai se mobilizar para deter mais esse absurdo”.
Como também estão certos os diretores do Clube de Engenharia do Rio de Janeiro que enviaram carta à presidente Dilma Rousseff pedindo a suspensão dos leilões. “Neste momento, a capacidade de interferência das empresas petrolíferas estrangeiras nas decisões desta 11ª Rodada é visível”, alertaram. Segundo os engenheiros, além de obterem o petróleo ofertado no pré-sal, as múltis se beneficiariam também do leilão dos 30 bilhões de barris das áreas fora do pré-sal.
Com o agravante que, nessas áreas, os grupos estrangeiros estariam se apoderando do petróleo pelo sistema de concessão (lei 9.478/97) onde a propriedade de todo o óleo extraído é deles e não do país. No leilão da 11ª Rodada, previsto para maio, segundo a diretora da ANP, serão ofertados 289 blocos distribuídos em 11 Bacias Sedimentares: Barreiri-nhas, Ceará, Espírito Santo, Foz do Amazonas, Pará-Maranhão, Parnaíba, Pernambuco-Paraíba, Potiguar, Recôncavo, Sergipe-Alagoas e Tucano.
Outra confirmação de que a intenção é entregar de uma só vez metade do pré-sal, foi o “Road Show” apresentado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, aos executivos em Nova Iorque recentemente. Na palestra estava até o “mapa da infâmia”, com as localizações das riquezas do pré-sal, mostradas aos gringos com o intuito de atrair “investidores”. No slides coloridos, mostrados por Mantega, as áreas do pré-sal estavam bem assinaladas e o total de leilões somavam 49 bilhões de barris de petróleo. Portanto, quando Magda Chambriard fala em 40 bilhões de barris do pré-sal mostrados no seminário de Copacabana, ela está mais ou menos sintonizada com o que Mantega está oferecendo lá fora.
E o pior que a ANP está cometendo esse crime, de alienar de forma irresponsável as reservas de petróleo brasileiras, sem a menor necessidade. Segundo os dados divulgados pelo Clube dos Engenheiros, as reservas atuais de petróleo já descobertas são suficientes para atender as necessidades crescentes do Brasil por pelo menos 60 anos. Então, não se justificam os leilões de grande parte das reservas do pré-sal. Estamos vendo a tentativa escandalosa de transferir para as mãos de monopólios estrangeiros boa parte do pré-sal e mais 289 blocos em 11 bacias sedimentares em apenas um leilão que será realizado em 2013. E tudo, segundo o governo, para arrecadar cerca de US$ 2 bilhões. Parece brincadeira, esse alvoroço entreguista de todo nosso patrimônio com o governo comemorando a obtenção de um mísero “troco” como esse.
A mobilização já estava grande para barrar os leilões que seriam realizados sob a égide da lei 9.478/97, que segundo os engenheiros é “altamente perniciosa para o país”. Agora que ensaiam entregar também ao cartel internacional o pré-sal, a luta vai crescer ainda mais. O Brasil tem que priorizar investimentos na produção dos campos já descobertos e na construção de novas refinarias. É isso o que a nação espera e não esse show de entreguismo que estamos assistindo. Ninguém vai ficar calado vendo seu passaporte para o futuro ser rasgado dessa forma tão despudorada.
SÉRGIO CRUZ

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