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janeiro 29, 2013

2012: O pior ano para a reforma agrária, Por João Pedro Stédile


O Ano de 2012 foi um dos piores anos para a reforma agrária em toda historia do MST, comparado apenas a outros períodos muito duros, como foram 1990-92, no governo Collor e no final do mandato do FHC, de 2000 a 2002, durante a gestão de Raul Pinto Jungmann no Incra.
Há muitas formas de se medir avanços ou retrocessos sociais. Uma das formas de analisar é através dos dados estatísticos, que sempre são muito limitados ou manipuláveis, porém podem demonstrar a tendência dos acontecimentos.
No ano de 2011, teriam sido assentadas ao redor de 20 mil famílias, e em 2012, menos de 12 mil famílias foram assentadas. Esse fato, representa menos de 500 famílias por estado no ano, não só é ridícula como política pública, como é vergonhosa para qualquer governo. Até uma prefeitura qualquer, poderia assentar esse numero de famílias se fosse função sua!
Os movimentos sociais começaram o ano de 2012 com mais de 150 mil famílias de camponeses pobres, acampados, sob lonas pretas, na beira das estradas e fazendas. Só do MST contabilizamos agora em dezembro de 2012, mais de 90 mil famílias acampadas em 827 acampamentos. Algumas delas estão esperando desde o inicio do governo Lula!
No meio do ano, o governo trocou o Presidente do Incra. Imaginavamos que até o governo estava insatisfeito e, portanto, precisava mudar a política, acelerar o passo. Mas mudou apenas o nome, e não mudou a política fundiária, nem jeito, nem a velocidade. Tudo piorou.
É preciso reestruturar o INCRA, mudar os critérios de realização de concursos, e ter uma política agrária, clara , propositiva. Mudar a forma das superitendências estaduais atuarem, hoje são apenas loteamentos do orçamento entre as correntes partidárias, de todas as matizes!
Para esconder a decisão de não querer desapropriar os latifúndios para reforma agrária, os tecnocratas de plantão inventaram duas teses estapafúrdias:
a) Que é muito caro desapropriar terra e assentar. Ou seja, é muito caro resolver problema de pobre. Mas não sentem vergonha ao não explicar, porque então o governo gasta 200 bilhões de reais por ano em pagamento de juros aos banqueiros, numa divida interna mal explicada.
b) Precisamos cuidar das famílias já assentadas para depois cuidar dos sem-terras! Ora, é como dizer aos sem-teto da cidade, que primeiro o governo vai pintar as casas de quem já tem, para só depois construir a quem não tem.
O governo Dilma, nesse ultimo ano, não fez nada para mudar essa situação. Apenas mudou o presidente do Incra que fez o relatorio!
De nossa parte, nos mobilizamos, pressionamos de todas as formas, e apresentamos dezenas de propostas para o governo solucionar esses problemas, desde a criação do setor de habitação rural na Caixa, um programa de reflorestamento, um programa de agroindustrias cooperativadas, novo formato de credito rural, e indicativos de como acelerar o acesso à terra. Mas não somos ouvidos.
Haveria tambem outras formas de analisar a eficiência do governo, como comparar a prioridade de sua política geral, entre a opção de apoiar o modelo do capital, o agronegocio, ou o modelo dos trabalhadores: a agricultura familiar. E, infelizmente embora temos apoios para reforma agrária, o agronegocio é hegemonico dentro do governo. Mas esse tema fica para outro dia.
Para começar o ano de 2013, caros amigos, pelo menos fiquem sabendo que o governo Dilma tirou zero em reforma agrária em 2012. Está em dívida com os sem-terra, com o MST, com a CONTAG, com as mulheres camponesas, com a sociedade brasileira. E não adianta esconder-se nos índices de popularidade, porque os problemas sociais quando não resolvidos, dia mais ou dia menos, vão aparecer. Depois não digam que não avisamos!

CAROS AMIGOS, Janeiro de 2013

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2 Comentários »

  1. sou uma acampada e estou sofrendo na pele esse descaso ,la no acampamento Silvio Rodrigues em Alvorada.Rondonia

    Comentário por Magneide Conceiçâo Fernandes — janeiro 30, 2013 @ 8:29 am

  2. Sinto saber. Não sei nem o que dizer. Esteja a vontade para contar mais.

    Comentário por Humberto — janeiro 30, 2013 @ 3:24 pm


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