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dezembro 2, 2012

À testa da “oposição”, petrolífera Shell quer derrubar Assad e governar Síria

Filed under: WordPress — Tags:, , , , — Humberto @ 12:13 pm

Shell preside Nova Coligação da oposição síria
Claude Fahd Hajjar
Um outro Olhar

O projeto norte-americano de um Novo Oriente Médio, não mede esforços e nem desanima frente a todas as intempéries.
Este projeto tem início no governo Bush em setembro de 2005, quando Basma Kodmani foi convocada para integrar o grupo de reforma para a Democracia. Ela era funcionária da Fundação Ford e braço direito da elite econômico-financeira do grupo Bilderberg, onde representou a França em 2008 e esteve presente como participante internacional em 2012.
Basma Kodmani foi nomeada pelo “Council on Foreign Relations” (CFR), como Diretora Executiva da “Iniciativa Para a Reforma do Oriente Médio”. O CFR, é uma elite norte-americana Think Tank, da qual participam: Brent Scowcroft (Presidente emérito) ex-conselheiro de segurança nacional dos EUA, o diplomata Henry Kissinger e Zbigniew Brzezinski, presidente do banco internacional Goldman Sacks.
O grupo do CFR, divide a tarefa de reforma do Oriente Médio com um grupo europeu composto por diplomatas, oficiais de inteligência e financistas do projeto para o Centro da Reforma Europeia (CER), que é supervisionado pelo Senhor Kerr, vice-presidente da companhia de petróleo holandesa Shell.
Engrossam este caldo, o nome do mega investidor Georges Soros. Logo, desde 2005, a oposição síria vem recebendo ajuda deste mundo financeiro, político, de inteligência, indústria e dos institutos políticos.
Podemos continuar a descrever outros currículos de colaboradores da oposição síria, e como vêem trabalhando incansavelmente para fabricar a caveira midiática do Presidente Bashar Al Assad.
O Observatório Sírio dos Direitos Humanos, sediado num fundo de quintal em Londres, e que ganhou notoriedade e legitimidade nos últimos 20 meses, braço mediático do CNS, é orientado pelos Serviços Secretos europeus e norte-mericanos. O observatório cumpriu uma agenda do projeto de desconstrução da legitimidade do poder na Síria.
O Conselho Nacional Sírio (CNS), também conhecido como Conselho de Istambul, foi criado em outubro de 2011 por representantes da Irmandade Muçulmana, dos Comitês Locais de Coordenação que lideram as manifestações, por liberais e também por partidos curdos e assírios, compostos principalmente por exilados políticos, vem sendo controlado com mão de ferro pelo DGSE (Direção Geral Segurança Exterior, serviço secreto da França) e financiado pelo Catar.
Os membros do Conselho Nacional Sírio, a quem se concedeu o direito de residência na França e diversas facilidades, estão sob a pressão constante dos serviços secretos (ingleses, franceses, alemães entre outros) que lhes ditam até as mínimas declarações.
O CNS tenta se conectar com os CCL, que são os Comitês de Coordenação Locais, e representam, no terreno, os civis que apoiam a luta armada, que por sua vez se conectam com o Exército Sírio Livre (ESL), controlado principalmente pela Turquia, ao qual pertencem a maioria dos combatentes, incluindo as brigadas da Al Qaeda. Cerca de 80% das suas unidades reconhecem como seu chefe espiritual o xeque takfirista Adnan Al-Arour, que reside na Arábia Saudita.
Junho de 2012: Fracassam todas as tentativas do Conselho Nacional Sírio
O Conselho Nacional Sírio, não consegue superar suas divisões internas e não tem condições de derrubar Assad, disse uma proeminente ex-integrante do grupo.
A direção do CNS ficou a cargo de Burhan Ghalioun, de outubro de 2011 a junho de 2012. Neste período foram vivenciadas as intensas contradições e conflitos dos diferentes grupos de oposição, cada qual puxando a sardinha pro seu lado, e ninguém interessado no povo Sírio. Ghalioun, passa a direção do Conselho a Abdel Basset Sayda, um curdo independente, cuja missão seria unificar e dinamizar a coalizão.
Para Basma Kodmani, uma das poucas mulheres do CNS, que se retirou em junho passado, alegando, que o grupo não estava fazendo o suficiente para apoiar a revolta e que vinha sendo dominado por islamistas, “os grupos dentro do Conselho não se comportaram como um só na promoção de um projeto nacional. Alguns deram atenção demasiada às suas próprias agendas partidárias, às vezes, as suas agendas pessoais. Isso resultou em uma fragilidade em se conectar com os grupos em campo e fornecer o apoio necessário em todas as formas.”
O Conselho Nacional Sírio decidiu promover uma grande reforma e vai se ampliar para acolher outros grupos contrários ao presidente Assad. A iniciativa visa atender a demanda dos países ocidentais que pregam uma união dos opositores ao regime e também responder às críticas internas sobre seu funcionamento.
As diplomacias americana, francesa, inglesa, turca, catarí, saudita, líbia e outras, serão convergentes? A luta armada na Síria reflete exatamente este perfil de multiplos interesses e patrões.
Se por um lado o CNS no Exterior não consegue autonomia para uma declaração pública, como será no interior onde os mais de 30 diferentes grupos armados recebem subsídios de distintos países e atendem a interesses conflitantes dentro da Síria? A crise no país que no início podia parecer um episódio simples de resolver, vem se mostrando cada vez mais um imbróglio do qual Washington não tem como se esquivar. Tentando readquirir o controle da situação sobre a oposição síria no exterior e no interior do país, os EUA pedem que a Liga Árabe convoque a reunião de Doha, Catar no final de outubro, uma reunião longa e exaustiva onde foram destruídas as ilusões do CNS e obrigou o maior número possível de opositores a integrar uma única estrutura: a “Coligação Nacional de Forças da Oposição e da Revolução”.
Neste contexto chama a atenção o papel da diplomacia norte-americana, através do seu embaixador Robert S. Ford que desde o início de Janeiro de 2011 vem trabalhando a favor de incendiar este conflito.
Robert S. Ford é considerado como o principal especialista em Oriente médio no Departamento de Estado. Foi assistente de John Negroponte de 2004 a 2006 no Iraque e aprendeu com o mestre como destruir uma nação a exemplo de Honduras e Iraque, através do método do uso intensivo de esquadrões da morte. Sua Esposa, Alison Barkley, supervisiona toda a logística da embaixada americana em Riad, Árabia saudita.
Nos bastidores, foi o próprio Robert S. Ford que nomeou e indicou os cargos. Para terminar, ele impôs como presidente da Coligação uma personalidade que nunca antes havia sido mencionada na imprensa: o Xeque Ahmad Moaz Al-Khatib.
Embora a criação da Coligação Nacional confirme que Washington retoma o controle da oposição armada, esse ato em si mesmo não resolve o problema da sua representatividade. Vários componentes do E.S.L. rapidamente expressaram o seu desacordo com ela. Sobretudo porque a Coligação exclui das suas fileiras a oposição hostil à luta armada, como a Coordenação Nacional pela Mudança Democrática de Haytham al-Manna.
Não querer ouvir a voz daqueles que não querem a luta armada, este é o grande erro de Washighton: Insiste os EUA e seus aliados no banho de sangue para a solução dos problemas e a escolha realizada atende esta expectativa. O primeiro pedido de Xeque Ahmad Moaz Al Khatib são mais armas para a luta dentro da Síria!
A escolha do Xeque Ahmad Moaz al-Khatib como presidente responde a uma necessidade de aparência : para obter o reconhecimento dos combatentes, o presidente da Coligação tinha que ser um religioso; mas para ser aceita pelos ocidentais, tinha que parecer um moderado. O mais importante é que, neste período de intensas negociações, era preciso que este presidente tivesse sólidos conhecimentos para discutir o futuro do gás sírio… embora disto não convenha falar-se em público.
Os especialistas em marketing transformaram o Xeque Moaz Al Khatib, engenheiro e geofísico da Companhia Al Furat Petroleoum Company, onde trabalhou de 1985 a 1991, uma joint- venture entre a Cia Nacional Síria e diversas outras empresas estrangeiras, incluindo a Cia anglo-holandesa Shell, à qual se mantém ligado até hoje, em um religioso moderado e formado em Diplomacia e Relações Internacionais.
Foi em 1992, com a morte de seu pai, o Xeque Mohammad Abu Al Faraj Al Khatib, que ele herdou o cargo de pregador na Mesquita Omayada, mas usou este lugar para criticar a política adotada pelo presidente Hafez Al Assad, neste período alinhada com o Ocidente e antagônico ao Saddam Hussein na sua Tempestade no Deserto.
Naquele momento (1992) este majestoso símbolo da “moderação islâmica”, pregava contra o governo sírio e pela cartilha da Al Qaeda e dentro dos ensinamentos de Osama Bin Laden… Foi considerado ‘persona non grata’ pelo governo de Hafez Al Assad, saiu da Síria e foi morar no Catar.
Hoje (2012) é considerado “moderado” e “conciliador” para o embaixador Robert S Ford e seus aliados catarís. É assim que a banda toca para americanos, franceses e ingleses.
De 2003 a 2004 voltou para a Síria a serviço da Companhia anglo-holandesa Shell para a prospecção do gás e petróleo. No período que foi descoberto o gáz da Síria? As datas convergem! O Xeque Ahmad Moaz Al Khatib, o homem do consenso, membro da Irmandade Muçulmana, interessa ao EUA, ao Catar, interessa à Shell e logo interessa a aqueles que querem ser predadores das riquezas do povo sírio.

Claude Fahd Hajjar é pesquisadora de temas árabes e autora do livro “Imigração Árabe 100 anos de Reflexão”. Atual presidente da Fearab América

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