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novembro 28, 2012

Bancada do Cachoeira quer tirar Veja e Gurgel do texto final da CPMI


Relator diz que seu papel não é omitir fatos
“Todos que contribuíram com a quadrilha foram indiciados”, disse Odair
Apesar dos esforços da revista Veja contra o relatório da CPMI do Cachoeira, o relator Odair Cunha afirmou que os indícios contra o diretor da revista, sucursal Brasília, Policarpo Júnior, são fortes. O mesmo acontece com o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que encobriu por quase dois anos as denúncias da participação do ex-senador Demóstenes Torres na quadrilha de Cachoeira. “Todas as pessoas que, de alguma forma, contribuíram em favor dos interesses da quadrilha tiveram o pedido de indiciamento”, disse.
Lobby pró-Cachoeira quer esvaziar relatório da CPMI
Veja e Roberto Gurgel atacam o relator da CPMI do Cachoeira e açulam grupo de parlamentares com seu “relatório paralelo”
A quadriha do Cachoeira está irritada com o relatório do deputado Odair Cunha (PT-MG), relator da CPMI que investiga os crimes da gangue. O documento, que deverá ser apresentado nesta quarta-feira, entre outras coisas, propõe o indiciamento do diretor da revista Veja, Policarpo Jr., por envolvimento com os crimes de Cachoeira, do governador de Goiás, Marconi Perillo, por receber dinheiro do bando, e pede ao Conselho Nacional de Justiça que investigue o comportamento do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que encobriu por quase dois anos as denúncias a participação de Demóstenes Torres na quadrilha, feitas pela Operação Vegas, da Polícia Federal.
Ainda foi pedido o indiciamento de Cláudio Abreu, ex-diretor da Delta Centro-Oeste. Ele era, segundo Odair Cunha, o contato de Cachoeira com a construtora. O dono da Delta, Fernando Cavendish, também não escapou do indiciamento.
A Veja insiste em continuar acobertando os crimes de seu diretor com ataques raivosos ao relatório e aos membros da CPMI que querem investigar Policarpo. Ela chega ao ponto de dizer, em sua última edição, que a própria CPMI não deveria ter existido. “Foi apenas uma armação do PT para desviar a atenção do mensalão”, esbraveja. Ou seja, as duzentas ligações de Cachoeira fazendo combinações e com Policarpo foram uma invenção na opinião de Veja. Só que a PF flagrou e gravou tudo. Esses são indícios tão fortes que, segundo o relator, obviamente têm que ser investigados. São fatos que não podem ser omitidos.
“Todas as pessoas que, de alguma forma, contribuíram em favor dos interesses da quadrilha tiveram o pedido de indiciamento. E ele (Policarpo Junior) sabia dos interesses da quadrilha”, disse o relator.
O texto do relator sustenta que Cachoeira e sua organização alimentavam Policarpo Jr. com informações e usavam as matérias assinadas ou pautadas pelo jornalista ou sua equipe “como uma arma letal para prejudicar adversários, destruir personalidades e biografias, criar e promover falsos moralistas e paladinos da ética, visando sempre alcançar o êxito político e econômico de sua organização criminosa”.
Policarpo Junior utilizava o araponga Jairo Martins, que trabalhava para Cachoeira, para obter imagens clandestinas contra adversários da revista ou da quadrilha. Isso teria ocorrido, por exemplo, em agosto de 2011, com o deputado Jovair Arantes, envolvido em supostas irregularidades na Conab e com José Dirceu, bisbilhotado em um hotel, em Brasília.
Policarpo foi indiciado por formação de quadrilha. Ele comandou reportagens de Veja feitas com escutas clandestinas produzidas por arapongas da quadrilha. 86 páginas do relatório são dedicadas às ligações de Cachoeira e Policarpo. Segundo o relator, o diretor de revista manteve “constantes interlocuções com o chefe da Organização Criminosa”. Ele não mantinha com o bicheiro “uma vinculação que se consubstanciava apenas na relação de jornalista e fonte”, ressalta Odair no documento. A revista tenta impedir o indiciamento de seu diretor inventando que o relator foi “obrigado pela cúpula do PT” a incluí-lo no documento final. Odair Cunha desmente e diz que não tinha como não citar o jornalista. Ele era “um dos profissionais da imprensa mais requisitados pelo líder da quadrilha”, adverte.
Até seu colega, jornalista Paulo Nogueira, defendeu seu indiciamento pela CPMI. Paulo Nogueira foi editor assistente de Veja, editor de Veja São Paulo, diretor de redação da Exame, diretor superintendente de uma unidade de negócios da Editora Abril e diretor editorial da Editora Globo. Segundo ele, “é necessário que Policarpo enfrente o mesmo percurso de outros envolvidos neste caso. Ele deve à sociedade, e ao jornalismo, explicações”. “Teria sido infame não arrolá-lo. Isso teria reforçado a ideia de que jornalista é uma categoria à parte, acima do bem e do mal, acima da lei”.
No caso do procurador Roberto Gurgel, motivos não faltaram para que o relator o tivesse denunciado. Ele acobertou as denúncias da Polícia Federal contra o ex-senador Demóstenes Torres, que foi cassado por seu envolvimento com a quadrilha. Guardou por quase dois anos o relatório da Operação Vegas da PF. Só quando as denúncias vieram a público é que ele se apressou em abrir uma ação penal. É acusado de prevaricação. A própria Polícia Federal estranhou o comportamento do procurador. O relator quer que o Conselho Nacional do Ministério Público investigue a atuação suspeita de Gurgel neste episódio. Nada mais justo. Mas, alguns parlamentares tentam impedir que o procurador seja investigado. Aliam-se à mídia golpista alegando que o relatório “é uma retaliação”. O vice-presidente da CPI, Paulo Teixeira, disse que eles não falam em nome da comissão ao entregar ao procurador um relatório paralelo. “Estranho que eles não discutam isso na comissão”, ponderou. O grupo é formado pelos senadores Pedro Taques (PDT-MT), Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) e Pedro Simon (PMDB-RS) e pelos deputados Rubens Bueno (PPS-PR) e Ônix Lorenzoni (Dem-RS).
O governador de Goiás, Marconi Perillo, por sua vez, resolveu processar o relator por ter sido indiciado. Só que contra ele pesam acusações seríssimas de envolvimento com a quadrilha de Cachoeira. Dificilmente ele escapará de uma investigação. Em nota, o PT repudiou o comportamento do governador tucano e defendeu a posição do relator. “O relatório demonstra com riqueza de detalhes, substanciado em provas amealhadas pela Polícia Federal durante vários meses de investigação e em documentos em poder da CPMI, que o governador Marconi Perillo havia firmado, já durante a campanha que o levou ao governo de Goiás, uma verdadeira parceria política e econômica com a sociedade Delta/Carlos Cachoeira naquele estado”.
Gravações da Polícia Federal autorizadas pela Justiça mostraram emissários da quadrilha entregando dinheiro em espécie ao esquema do governador dentro do próprio Palácio das Esmeraldas, sede do governo de Goiás. O relatório também recomenda o indiciamento de oito secretários, ex-secretários, assessores e ex-assessores do governo do estado.
“A participação do governador Perillo na CPMI, longe de significar um gesto de lisura ou compromisso ético, foi, ao contrário, uma manobra preparada para tentar afastar suas vinculações com Carlos Cachoeira, como se viu em toda a farsa criada em torno da venda de sua casa para o criminoso”. “A investigação realizada pela CPMI apontou com clareza que o governador efetivamente beneficiava o grupo Delta/Cachoeira, nomeava para cargos estratégicos em seu governo pessoas indicadas pelo chefe da organização criminosa e, em troca, recebia recursos financeiros e outros favores da quadrilha”, conclui a nota do PT, assinada por Jilmar Tatto, líder do partido da Câmara Federal.
O relator da CPMI Odair Cunha chamou a atenção na apresentação do seu texto que “nada passou ao largo de nossa investigação. Identificamos, sem paixões ou perseguições e apenas com base na realidade probatória amealhada na investigação, todos os agentes públicos e privados que aderiram ou colaboraram com a organização criminosa”. ( HORA DO POVO )

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