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outubro 30, 2012

“Revolta contra us pulíticus” o cacete: Índices de abstenção refletem problemas no cadastro de eleitores

Filed under: WordPress — Tags:, — Humberto @ 5:47 pm

Os altos índices de abstenção nas urnas no segundo turno das eleições municipais deste ano podem não estar relacionados a algum tipo de insatisfação dos eleitores com o processo eleitoral. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral e analistas políticos consultados pelo O Estado de S. Paulo, a causa maior parece ser a desatualização dos cadastros de eleitores da Justiça Eleitoral.
Com bases de dados antigas, onde ainda constam nomes de pessoas que se mudaram ou morreram, por exemplo, os números apontam para um cenário distorcido. Em cidades onde o cadastro foi atualizado, as abstenções são cerca de metade do total das outras cidades. Em São Paulo, por exemplo, onde não há atualização desde 1986, 20% dos cidadãos não votou; já em Curitiba, que teve a base atualizada em 2012, o índice ficou em 10%. Só na capital paranaense, 200 mil dos 1,3 milhão de eleitores foram eliminados após o recadastro.
Na capital paulista, quanto maior a presença de eleitores acima de 65 anos, maiores os níveis de abstenção, o que poderia refletir a não obrigatoriedade do voto após os 70 anos, e também a morte desses eleitores que não foram notificadas à Justiça Eleitoral.
Em Jundiaí (SP), onde também houve recadastramento, a abstenção ficou em 11% neste ano. Segundo o TSE, todas as 299 cidades que tiveram os cadastros atualizados registraram índices mais baixos de eleitores que não compareceram às urnas. Desde o ano passado, a Corregedoria-Geral da União iniciou a atualização cadastral com voto biométrico e digitalização de informações, processo que tem previsão de conclusão até 2015. ( TERRA )

POR QUE HADDAD SERÁ ELEITO (*), Por Mauro Santayanna

A menos que haja um terremoto de oito pontos na escala Richter, ou os céus derramem de novo o dilúvio – e desta vez só sobre São Paulo – Fernando Haddad deverá ser eleito hoje prefeito da maior cidade do Hemisfério Sul
O ex-ministro da Educação não é ainda uma figura carismática da política, mas sendo homem jovem, não lhe foi difícil comunicar-se com a população. Homem de boa formação, soube dialogar com os auditórios de classe média e, não sendo de postura arrogante, tampouco teve dificuldades em conversar com os que sofrem na periferia. Além disso, a candidatura de seu adversário, fora outras dificuldades, arrastava o fardo da administração Kassab. Os paulistanos queriam mudança.
A cidade de São Paulo é, em si mesma, realidade política própria – pela densa população, pela identidade cultural, e pela economia que, há quase cem anos, é a mais importante da federação. Os poderes de fato da grande cidade raciocinam com pragmatismo e, em certo momento da campanha do primeiro turno, perceberam que não deviam ver o candidato do PT como ameaça aos seus interesses. Contra os seus interesses, sim, seria a eventual vitória de Russomano, comparável a uma caixa preta indevassável.
É certo que esses poderes não decidem, por eles mesmos, uma eleição desse porte, mas ao reduzirem seu apoio a Serra – que já iniciara a corrida com os pés amarrados a uma rejeição pesada – favoreceram, de alguma maneira o candidato do PT. Essa postura se deve à circunstância de que, nas duas vezes em que o Partido dos Trabalhadores administrou a cidade – com Luísa Erundina e com Marta Suplicy – seu desempenho foi excelente. Com todos os problemas crônicos da cidade, que se explicam no mau planejamento do passado e a conseqüente expansão urbana desordenada, e a manifestação aguda dessas dificuldades – sobretudo com as enchentes, apagões e violência -, o PT agiu com zelo e prudência quando governou a capital. Essa prudência e esse zelo contrastam com os últimos oito anos de governo dos tucanos, que transformaram São Paulo em uma cidade inabitável, conforme denunciam os mais conhecidos e respeitáveis intelectuais brasileiros, que redigiram e assinaram o manifesto em favor de Haddad – que pode ser lido nesta Carta Maior. Como se sabe, e o Manifesto destaca, o programa de governo de Haddad nasceu dos encontros com a população e com ela foi discutido exaustivamente. Seu propósito é o de devolver São Paulo ao humanismo e ao sentimento de solidariedade de todos para com todos os seus habitantes.
Esse passado a ser corrigido, somado às condições conjunturais da política, deu impulso à candidatura proposta por Lula. Houve também o convencimento político de Marta e de Erundina, de que não podiam fazer da presença do tempo de televisão de Maluf a razão para entregar a Serra a prefeitura. As duas engoliram em seco o que lhes pareceu demasia, e ajudaram a campanha, exatamente ali onde seus conselhos são mais ouvidos: na periferia.
Tempos novos pedem homens novos. Estas eleições são as primeiras que se disputam sob a vigência da Ficha Limpa. E, ao contrário do que muitos temiam, o julgamento da Ação 470, pelo STF, em nada influiu sobre o comportamento dos eleitores. Em todos os lugares, em que ganhou e perdeu e em que ganhará ou perderá hoje, o PT esteve e está sujeito ao seu desempenho próprio na circunscrição eleitoral em questão. Os eleitores, ao contrário do que, de um lado e do outro, podem pensar candidatos e partidos, está, sim, aprendendo a votar de acordo com os seus interesses e os interesses da comunidade.
Por tudo isso, pela sua gestão como Ministro da Educação, em que atuou decididamente para levar os pobres à Universidade, e mais o prestígio de Lula e Dilma, o que não é pouco, Haddad deve ganhar, e com folga, as eleições de hoje em São Paulo.
(*) PUBLICADO EM 28.10.2012

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