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outubro 18, 2012

Truculência e desequilíbrio: hostilidade de Serra vira tradição em campanha. Relembre episódios

Filed under: WordPress — Tags:, , , — Humberto @ 8:05 am

Nesta semana, o candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo, José Serra, se irritou três vezes com dois jornalistas durante entrevistas. Nas três oportunidades, o tucano acusou os repórteres de serem ligados ao PT e ao candidato petista à prefeitura, Fernando Haddad.
Os episódios desta semana foram três dos muitos momentos da campanha eleitoral em que Serra não respondeu perguntas e hostilizou jornalistas que cumpriam seu ofício. Abaixo, relembre os casos que ocorreram ao longo da eleição:

1) Serra chama repórter de “sem vergonha”
O tucano chamou um repórter da Rede Brasil Atual, veículo ligado ao movimento sindical, de “sem vergonha”, no dia 28 de setembro. Abaixo, a transcrição do diálogo:
Serra: Vamos aumentar em dezenas de milhares o número de alunos em parceria com o governador do estado, Geraldo Alckmin. É uma chance para crianças de famílias mais humildes subirem na vida. Isso me veio agora à cabeça lembrando de minha infância e juventude aqui.
Jornalista: A ideia veio agora à cabeça ou é seu projeto de governo?
Serra: De onde você é?
Jornalista: Não interessa. O senhor vai responder à minha pergunta ou não?
Serra: Eu quero saber de onde.
Jornalista: Da Rede Brasil Atual.
Serra ignorou a pergunta. O jornalista voltou a abordá-lo quando o tucano estava indo embora.
Jornalista: Por que você só responde perguntas favoráveis?
Serra: Não, eu não respondo pergunta de sem vergonha.

2) Serra não responde pergunta do Portal Aprendiz
O Portal Aprendiz perguntou a todos os candidatos no primeiro turno as suas propostas para o Plano Municipal de Educação. Serra foi o único a não responder. Posteriormente, a assessoria do candidato enviou novas respostas por e-mail. Abaixo, o relato do portal publicado no dia 3 de outubro.
Serra: Você é de onde?
Jornalista: Portal Aprendiz.
Serra: Quem [ sic ] é o Portal Aprendiz?
[ Jornalista repete pergunta sobre o plano ]
Serra: Tem um, eu vou olhar, vou olhar.

3) Serra não responde TV dos Trabalhadores
O tucano não quis responder uma pergunta sobre o uso do “mensalão” em sua campanha feita por uma jornalista da TVT no dia 11 de outubro (aqui, o vídeo). Abaixo, o diálogo entre os dois:
Jornalista: O assunto do mensalão vai ser bastante explorado pelo senhor no segundo turno?
Serra: Perdão, o que é a TVT?
Jornalista: O assunto do mensalão vai ser bastante explorado pelo senhor no segundo turno?
Serra: O que é TVT? Que é TVT?
Jornalista: TV dos Trabalhadores
Serra: De onde?
Jornalista: Sindicato dos Metalúrgicos do ABC
Serra: Tá bom.
Em seguida, Serra virou de costas para a repórter e encerrou a entrevista.

4) Serra diz que jornalista é assessora de Haddad
Serra não quis responder pergunta sobre o tom agressivo que adotou em sua campanha eleitoral em 15 de outubro. No dia em que levou o “mensalão” ao horário eleitoral, ele foi questionado por uma repórter do portal UOL se isso era uma estratégia por estar atrás nas pesquisas de intenção de voto.
Serra: Esse tom mais agressivo que o senhor coloca no primeiro programa é por que o senhor está dez pontos abaixo nas pesquisas?
Jornalista: Vai lá para o Haddad, é a pauta dele, você não precisa trabalhar para ele. Ele já tem bastante assessores, não precisa ter umas assessoras a mais para ele. Vai lá direto.

5) No dia seguinte, Serra voltou a hostilizar a mesma repórter após uma pergunta sobre o kit anti-homofobia feito quando ele era governador de São Paulo em 2009.
Jornalista: Sobre o kit gay, está faltando esclarecer se o senhor concorda com a distribuição nas escolas desse tipo de material.
Serra: Eu acho que não está faltando esclarecer nada. Você leu?
Jornalista: Eu li.
Serra: Se você leu, acho que está tudo clarinho.
Jornalista: Mas o senhor concorda com a distribuição do material?
Serra: Que material?
Jornalista: De orientação sexual nas escolas…
Jornalista: Foi feito em 2009, no meu governo, o resto é brincadeira.
Ao final da entrevista, Serra voltou a se dirigir à repórter:
Serra: Vai lá com o Haddad e trabalha com ele, é mais eficiente.
Serra insinua que jornalista mente e vota em Haddad

6) Serra se irritou na manhã de 16 de outubro em entrevista à rádio CBN após ser questionado sobre o apoio que recebe do pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus.
A pergunta foi feita pelo jornalista Kennedy Alencar. Ele falou da semelhança entre um material feito pelo governo de São Paulo em 2009, quando Serra era governador, e o kit anti-homofobia que seria distribuído pelo Ministério da Educação durante a gestão de Haddad.
O jornalista falou que Serra teria apoio da “direita intolerante, como o pastor Silas Malafaia, que diz que a homossexualidade é doença e não orientação”. Ao final, Alencar perguntou: “é uma contradição por uma conveniência eleitoral ou o senhor se tornou um político conservador e mudou de ideia?”
Serra não respondeu a pergunta e repetiu diversas vezes: “você leu a cartilha do estado?”. Depois, disse “de duas uma: se você viu está mentindo. Se você não leu, eu até aceito, porque o que está falando é mentira.” Serra ainda insinuou que o jornalista votasse em Fernando Haddad. “Mais modéstia, você está na CBN, não pode fazer campanha eleitoral aqui na CBN”, disse o candidato. “Eu sei que você tem um candidato. Modere. Você que é um jornalista tem que ser mais comportado.”
CARTA CAPITAL

LEIA TAMBÉM:
Janio de Freitas acusa Serra de homicídio verbal
Segundo o jornalista, tucano marcou sua campanha por um kit composto de “insultos, desdizer-se, agressões verbais e mania de perseguição”
BRASIL 247
Colunista da Folha de S. Paulo, Janio de Freitas aponta como o “Kit Serra”, mais ainda do que o kit-gay, colocou sua campanha a perder. Leia:
Kit Serra
Tentativa de homicídio verbal é própria de campanhas, mas desde que seja sobre questões preocupantes do eleitorado
OS INCIDENTES entre José Serra e repórteres multiplicam-se. O repórter brasileiro está entre os mais mansos. Mesmo quando suscita tema delicado, mantém-se distante, muito distante, dos modos incisivos dos repórteres americanos e europeus, que não admitem a função profissional condicionada a cuidados com ares hierárquicos, muito menos a ares intimidatórios.
José Serra conviveu bastante em jornal, no grupo de formulação de editoriais da Folha [ grifo deste blog ENCALHE ]. Como político, pôde ver a maneira quase dócil do repórter brasileiro na abordagem e na relação funcional com políticos, empresários de porte e ocupantes de cargos de relevo em governo. Como frequentador de Redação, José Serra pôde ver que a transposição do trabalho dos repórteres no jornal depende do trabalho interno de edição. Este, sim, definidor dos realces, do tom, das localizações, do uso de fotos ( e das legendas do tipo “Fulano segura um copo”, para a foto do fulano segurando um copo ).
Apesar daquelas oportunidades de aprendizado e compreensão, José Serra mantém um clima hostil e intimidatório na proximidade de repórteres. Daí seguem-se agressões verbais em direção errada e às quais não falta um componente de covardia, dada a improbabilidade da resposta adequada.
Mas é indispensável reconhecer que os jornalistas não são alvos exclusivos da agressividade verbal de Serra. Sua prometida campanha na base de paz e amor é mensurável pela sucessão de artigos que cobram menos ataques pessoais e alguma abordagem de temas paulistanos. Nessa deformação da campanha Fernando Haddad tem sua cota de responsabilidade.
Se Haddad tem ideais a propor a São Paulo, não se justifica que adira à troca de agressões alheia à razão de ser de eleições. Não falta matéria-prima – na campanha, na política, na vida – para uns dois tarugos que deem resposta a Serra, e pronto. A partir disso, é olhar para o que interessa ao eleitor.
A tentativa de homicídio verbal é própria de campanhas eleitorais. Mas desde que seja em torno de posições quanto aos problemas preocupantes do eleitorado, desde que se dê motivada pelo confronto conservadorismo administrativo ( predominante em São Paulo ) ou de buscas inovadoras. Chega de jogo sujo nas campanhas. Rebaixá-las assim é trapaça.
Não tenho capacidade de imaginar como é a cabeça de um prefeito e a de governador que esbanjam fortunas em festividades, obras de engodo, dia disso e daquilo, futebol, tudo onde “a espera por atendimento de um endocrinologista é de dez meses”, “pacientes reclamam que exames mais específicos, como densitometria, chegam a demorar até dois anos”, revelação do jornalista Nilson Camargo sobre medicina em certas áreas da capital ( Folha, pág. A2, 13/10/12 ).
A meu ver, não menos doentes do que tais necessitados são o prefeito e o governo de sua rica São Paulo. Mas doentes de outros males. Cabeças razoavelmente sensatas, ou medianamente sadias, não tolerariam desperdiçar nem um minuto e nem um centavo dos seus poderes enquanto não exterminassem realidades revoltantes como a da perversidade exposta por Nilson Camargo.
Diante disso, a disputa eleitoral em São Paulo-capital volta a ser submetida ao “kit Serra”, composto de insultos, desdizer-se, agressões verbais e mania de perseguição.

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