ENCALHE ( Descontinuado em 05.10.2013 )

outubro 18, 2012

Moradores de favelas de São Paulo se revoltam com acusação de que provocam incêndios

“Fala para eles virem morar aqui na comunidade”, irrita-se uma moradora de Heliópolis; na véspera, o vereador Toninho Paiva (PR) insinuou interesse financeiro nas ocorrências
São Paulo – Moradores de comunidades carentes que foram incendiadas nos últimos anos na capital reagiram com indignação às declarações de dois subprefeitos e um vereador proferidas ontem (18) durante reunião da CPI dos Incêndios em Favelas na Câmara Municipal de São Paulo. Os representantes da administração Gilberto Kassab (PSD) e Toninho Paiva (PR) sugeriram que os moradores provocam incêndios para terem acesso ao auxílio-aluguel de R$ 350 concedido às pessoas que perdem seus bens nas áreas incendiadas.
“Fala para eles virem morar aqui na comunidade pra ver como é nossa vida”, irritou-se Maria do Carmo Galvão, moradora da favela de Heliópolis, zona sul de São Paulo, em conversa com a RBA. A comunidade sofreu com um incêndio em 2008. De lá para cá, em toda a cidade são quase 600 ocorrências. “Ninguém é louco de fazer isso porque com os R$ 300 do bolsa-aluguel não dá para fazer nada. Tenho uma colega que está alugando uma casa aqui e está cobrando R$ 700 por mês mais três meses adiantado.” Sílvia dos Santos, que também mora em Heliópolis, classificou as declarações do vereador como um absurdo. “Se é um camarada desses que está lutando por nossos direitos, estamos perdidos.”
Em sua intervenção na CPI, o parlamentar reeleito Toninho Paiva (PR) fez perguntas que sugeriram uma ação intencional dos moradores em colocar fogo nos barracos. “Eu gostaria de saber a quem interessa isso aí. Quem está interessado em pagamento por um ano? Quem está interessado em construir rapidamente, refazer os barracos?”, questionou. “Acho que cabe a essa Casa aqui se debruçar e procurar realmente a fundo quem está interessado nesses incêndios aí.”
A indignação dos moradores também se faz presente na favela da Vila Prudente, na zona leste da capital, cujos barracos foram consumidos pelas chamas no último mês de agosto. “Isso não acontece. As pessoas que perdem suas casas ficam à mercê da Secretaria de Habitação, cujos projetos giram em torno de especulação. E aí as pessoas acabam indo para a casa de familiares ou amigos e as crianças acabam perdendo aula”, rebateu Genival de Barros, que mora na comunidade. Sua vizinha, Maria das Dores Rodrigues, é outra moradora que lamenta as declarações. “As pessoas lutam tanto pra conseguir o pouco que têm. Se eles tivessem visto o desespero de todos aqui no dia do incêndio, não falariam isso.”
Durante sessão da CPI, ontem, o vereador Toninho Paiva disse que achou estranho um fato apresentado pelo subprefeito do Jabaquara, o coronel Roberto Ney Campanhã. Segundo o militar, depois de receber o auxílio-aluguel, 45 famílias que moravam na favela Babilônia voltaram a construir barracos no mesmo terreno. Já os moradores da favela Nair, na zona leste, teriam reconstruído seus barracos, “com madeira nova”, mesmo sem receber o benefício – segundo relato do subprefeito de São Miguel Paulista, coronel Luiz Massao Kita. A área onde se instalou a favela Nair pertence ao grupo Votorantim e começou a ser reocupada no início de junho, dois meses depois que o fogo consumiu 225 barracos. ( RBA )

NOTA DO ENCALHE: O vereador Toninho Paiva deve estar com a razão, só que invertida: interesse imobiliário DEVE ser a causa dos incêndios misteriosos e fantasmagóricos. Ele só errou a autoria: mercado imobiliário quer terrenos, e essa pobraiada tá no meio do caminho. E, talvez, Toninho Paiva seja algum porta-voz desses investidores riquíssimos. Mas Paiva é inteligente e tenta jogar a população ( sobretudo a classe-média paulistana, que dispensa maiores apresentações ) contra os favelados. Bem paulistano isso.

‘Agressões de Serra são uma forma de censura’, diz Sindicato dos Jornalistas

São Paulo – As recentes investidas de José Serra contra profissionais da imprensa são uma forma de censura, pois tentam impedir o trabalho dos jornalistas e a livre circulação da informação, avalia o presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo, José Augusto Camargo, sobre a postura hostil do candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo frente às perguntas que lhe são dirigidas por repórteres de distintos meios de comunicação durante sua campanha.

“É importante salientar que todas essas tentativas de calar e impedir a imprensa de fazer seu trabalho precisam ser encaradas como uma forma de censura. Não é uma censura praticada pelo uso direto da violência, mas é censura, porque tenta impedir a livre circulação de informação”, define José Augusto Camargo. “Devemos entender isso pra que não achemos que se trata de apenas um chilique ou uma posição pessoal, um costume. Se entendermos que é uma maneira de impedir a circulação de informação, vamos dar a importância que merece. Se não, fica no folclore.”

Com um novo ato de hostilidade ontem contra uma repórter do portal de notícias UOL, José Serra soma seis agressões contra a imprensa em menos de 20 dias, todas ocorridas durante sua campanha para a prefeitura de São Paulo. A primeira da série ocorreu no dia 28 de setembro, quando o tucano chamou um repórter da RBA de “sem-vergonha” após ser questionado sobre seu plano de governo. Depois, ao analisar a repercussão negativa que teve a declaração de seu candidato, o PSDB divulgou nota acusando o profissional de ter sido enviado pelo PT para tumultuar a coletiva.

Na semana passada, dois repórteres da TVT foram ignorados pelo candidato do PSDB, em duas ocasiões diferentes, única e exclusivamente pelo fato de trabalharem para a emissora, sediada em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista. Nesta semana, o tucano já foi agressivo com a reportagem da rádio CBN e, por duas vezes, com a profissional do UOL. Ou seja, foram três agressões em três dias. A tática é sempre a mesma: menosprezar a pergunta e vincular o jornalista ao PT.

Nesta entrevista, o presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo repudia a atitude de José Serra, explica que o papel do repórter não é fazer apenas perguntas que agradem aos candidatos e atenta para o perigo de a agressividade contra a imprensa se transformar numa política de governo.

Como o Sindicato dos Jornalistas tem recebido as sucessivas agressões de José Serra contra repórteres que cobrem o dia a dia de sua campanha?

É claro que a gente condena qualquer agressão e qualquer tentativa de impedir o trabalho da imprensa e de qualquer jornal. O trabalho do jornalista é confrontar. O repórter não está lá para agradar os candidatos, mas para levantar informações e repassá-las ao cidadão. Os políticos não podem achar que o repórter está lá para ajudar na campanha dele, perguntar o que ele quer e divulgar o que ele quer. A função do jornalista não é essa. O problema de José Serra é que ele não gosta muito de enfrentar o outro lado, e o jornalista, por dever de ofício, tem de oferecer o outro lado para o leitor refletir. Impedir que o jornalista faça isso é um absurdo. Essa posição é maluca e inimaginável para uma pessoa que é candidata e quer ocupar um cargo público. Ele tem de prestar satisfação à opinião pública. Seu comportamento é completamente anormal – e ele sabe disso. Acho que tem um pouco de destempero da parte dele.

Como você avalia o fato de Serra tentar desqualificar os jornalistas dizendo que trabalham para o PT?

É um recurso absurdo. Ele quer fugir do contraditório e evitar situações em que não se sente confortável. Mas é função do jornalista procurar o contraditório pra fazer suas matérias, e uma pessoa na posição dele deve responder. Chega a ser infantil.

Que tipo de medidas o Sindicato dos Jornalistas pretende tomar para combater essa situação?

O tipo de situação que ele está criando tem de ser alvo de crítica e protesto dos jornalistas, sindicatos e entidades que defendem liberdade de expressão. Ainda não é tão grave como o caso do coronel Telhada, que já parte para a agressão e violência contra um profissional da imprensa. A postura de Serra merece repúdio público da sociedade, protestos, e tem de ser alvo de ação política porque está obstruindo a livre circulação de ideias, o trabalho de profissionais. Sua atitude deve ser repudiada. Se a coisa degringolar para outro tipo de ação, aí sim podemos pensar numa medida mais crítica, e procurar a Justiça. No momento, parece que ainda não chegamos a esse ponto – e espero que não cheguemos.

Que riscos podem existir para a liberdade de imprensa se um candidato com esse tipo de postura agressiva contra os jornalistas assume a prefeitura de São Paulo?

As autoridades públicas têm de dar satisfação ao cidadão sobre suas atividades. Isso é um preceito constitucional. É obrigação do poder público prestar contas ao cidadão. Se um agente público se recusa ou procura prejudicar essa prestação de contas, que acontece pela imprensa, ele está prevaricando, porque não está cumprindo com sua função. Aí sim tem de ser alvo de uma sanção penal, inclusive, porque descumpre a lei e prescinde de prestar contas do que é público. Mas enquanto é candidato, tudo fica ainda no nível do protesto político contra a bobagem que ele está fazendo. É importante salientar que todas essas tentativas de calar e impedir a imprensa de trabalhar precisam ser encaradas como forma de censura, porque impede a circulação de informação. Devemos entender isso para que não achemos que se trata de apenas um chilique ou uma posição pessoal. Se entendermos que é uma maneira de impedir a circulação de informação, vamos dar a importância que merece. Se não fica no folclore. É necessário que as pessoas entendam a gravidade da situação.

REDE BRASIL ATUAL

Fim do mito alimentado pela mídia brasileira: Bolsa Família não desestimulou procura por emprego, diz estudo

Filed under: WordPress — Tags:, , — Humberto @ 5:02 pm

Desde que foi lançado, há cerca de oito anos, o programa federal Bolsa Família ajudou a retirar cerca de 30 milhões de brasileiros da pobreza absoluta. Em meio às muitas críticas recebidas, conseguiu derrubar previsões simplificadoras, como a de que estimularia seus beneficiários a manterem-se desempregados para receber ajuda estatal. É o que mostra a segunda rodada de Avaliação de Impacto do programa, realizada pelo Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) com 11.433 famílias, beneficiárias ou não, em 2009.

De acordo com o levantamento, quem recebe repasses do governo federal não deixa de procurar emprego. Ao considerar uma faixa de 18 a 55 anos de idade, a parcela de pessoas ocupadas ou procurando trabalho em 2009 era de 65,3% entre os beneficiários e 70,7% para os indivíduos fora do programa. Analisando pessoas entre 30 e 55 anos, a porcentagem é de cerca de 70% para ambos os grupos.

O índice de desemprego também é semelhante. Em 2009, 11,4% dos não beneficiados entre 18 e 55 anos estavam sem trabalho, contra 14,2% dos auxiliados pelo Bolsa Família. Na faixa de 30 a 55, a diferença é menor: 7% para as pessoas sem benefícios, ante 8,9% do outro grupo. “Em 2009, a busca por trabalho entre beneficiários é um pouco mais elevada que os não beneficiários. Esses resultados revelam, pois, não haver evidências de que haja desincentivo à participação no mercado de trabalho por parte dos beneficiários do PBF”, diz o documento.

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A vitória do Bolsa Família

O programa também ajudou a atrasar a entrada de jovens entre 5 e 17 anos de idade no mercado de trabalho, o que geralmente ocorre pela necessidade de auxiliar no sustento da família. Apesar desta faixa etária possuir níveis baixos de ocupação, houve avanços e quedas em geral.

Em 2005, 3,6% das meninas fora do Bolsa Família entre 5 e 15 anos trabalhavam, contra 2,2% das que recebiam auxílio. Entre os meninos nesta faixa, 5,5% sem apoio tinham emprego, contra 4,3% dos beneficiários. Quatro anos mais tarde, a porcentagem caiu para 1,9% das meninas e 3,2 dos meninos sem repasses federais para 2% das mulheres e 3,7% dos homens com ajuda financeira do programa.

Na faixa de 16 e 17 anos, 17,6% das adolescentes e 30,4% dos rapazes sem benefícios trabalhavam em 2005, contra 15,4% das mulheres e 32,6%, respectivamente, com benefício. Em 2009, 11,6% das meninas e 21,7% dos meinos sem benefício tinham emprego, ante 9,7% e 19,3 dos beneficiados.

O recebimento dos repasses do Bolsa Família varia de 32 a 306 reais mensais, segundo critérios como a renda mensal per capita da família e o número de crianças e adolescentes de até 17 anos. O programa, que tem orçamento de 20 bilhões de reais para 2012 – cerca de 0,5% do PIB -, está condicionado ao cumprimento de diversos fatores pelos beneficiários. Entre eles, a frequência mínima de 85% às aulas para crianças de 6 a 15 anos e 75% para jovens de 16 e 17 anos.

Os dados mostram uma série de avanços sociais proporcionados pela ação. Entre eles, a melhora ao acesso à educação entre os jovens pobres. O levantamento aponta que a frequência na escola entre crianças de 8 a 14 anos de idade é de 95%, mas o resultado vai piorando nas faixas etárias de 7 a 15 anos e entre 16 e 17 anos. Segundo informações obtidas por CartaCapital junto ao MDS (não pertencentes ao levantamento), entre 2009 e 2011 somente 4% dos beneficiários tiveram baixa frequência nas escolas. Em 2011, 95,52% deles cumpriram a cota mínima de presença exigida.

Apesar de os níveis de comparecimento às salas de aula estarem dentro do esperado, em 2009 a taxa de aprovação dos alunos com auxílio financeiro no ensino fundamental foi de 82% contra 83,8% da média, com melhora no ano seguinte: 83,1% contra 85,3%. A taxa de abandono, no entanto, foi menor que a média: 3,4% em 2009, ante 4,1; 3% em 2010, contra 3,5%.

Mas no ensino médio público os resultados são melhores para os integrantes do Bolsa Família. Em 2009, eles alcançaram nível de aprovação de 79,9%, contra 73,7% da media. No ano seguinte, o resultado foi de 80,8% contra 75,1% em favor dos beneficiários. A evasão escolar também foi menor que a da média: 7,5% em 2009 para os alunos do programa, contra 12,8%; 7,2% contra 11,5% em 2010.

Os resultados do levantamento ainda trazem avanços na área da saúde. Em 2005, as grávidas entrevistadas afirmaram ter ido, em média, a 3,1 consultas de pré-natal, um número que saltou para 3,7 quatro anos depois. Sendo que as mulheres com beneficio passaram de 3 visitas para 3,7 visitas, com a evolução de 3 para 3,5 das não auxiliadas. No mesmo período, caiu de 20% para 7% o total de gravidas entrevistadas que relataram não ter realizado pré-natal, com quedas significativas em ambos os grupos.

O tratamento dado às mães surtiu efeitos nos filhos. A prevalência de desnutrição aguda, crônica e baixo peso entre menores de cinco no período de 2005 a  2009 teve, em geral, queda semelhante para crianças de membros do Bolsa Família e de não beneficiados.

A proporção de crianças com desnutrição crônica caiu de 14,7% para 9,7% entre os beneficiários e 15,8% para 11% no outro grupo analisado. O baixo peso teve queda de 7,8% para 5,8% entre os não auxiliados e 7,2% para 5,9% nos beneficiários. A diferença nos casos de desnutrição aguda, no entanto, é grande: enquanto os entrevistados fora do Bolsa Família viram um aumento de 8% para 9%, os auxiliados registraram diminuição de 7,7% para 7,4%.

Outro dado elevado é a taxa de vacinação entre as 4,1 milhões de crianças acompanhadas no primeiro semestre de 2012: com o programa,  98,89% delas seguiram o calendário vacinal. ( CARTA CAPITAL )

“Só o suficiente para manter a estrutura básica de vida”: Israel contou as calorias necessárias para evitar malnutrição em Gaza

Filed under: WordPress — Tags:, , , , , , — Humberto @ 10:36 am

Estudo do Exército israelita foi agora divulgado por decisão judicial
Apenas 2279 calorias diárias por pessoa, ou 106 camiões de bens essenciais, bastariam para evitar a malnutrição em Gaza, concluiu o Exército israelita num estudo realizado quando o Hamas assumiu o controlo do território, em 2007, mas que só agora foi divulgado por ordem do tribunal.
As contas foram feitas ao pormenor para se saber o que era preciso para evitar situações críticas de malnutrição em Gaza durante o bloqueio israelita imposto ao território em 2007, quando o movimento Hamas assumiu o poder. No relatório “Consumo de alimentos em Gaza – As linhas vermelhas”, que agora acaba de ser divulgado, fica a saber-se como foi preparado o bloqueio imposto a 1,6 milhões de palestinianos que só acabou por ser aliviado em 2010.
Para trás fica uma já longa batalha legal. O documento acabou por ser divulgado nesta quarta-feira por ordem do Supremo Tribunal israelita, que obrigou o Governo a publicá-lo após uma forte pressão do Gisha, um grupo israelita de defesa dos direitos humanos. Um porta-voz do Ministério da Defesa israelita, Guy Inbar, admitiu em declarações aos jornalistas que o documento foi elaborado e discutido, mas garantiu que “nunca foi aplicado”. Terá sido, no entanto, um estudo que ajudou a preparar o bloqueio que deixou milhares de palestinianos em Gaza sem acesso aos bens mais essenciais e que suscitou duras críticas de vários países e organizações internacionais.
O estudo tem a data de Janeiro de 2008, pouco após o Hamas ter tomado o poder, e refere que, por dia, deveriam entrar em Gaza apenas 2279 calorias por pessoa “para manter a estrutura básica de vida”, um cálculo que terá sido feito com base num modelo elaborado pelo Ministério da Saúde israelita. Segundo esses cálculos, Israel permitiria a entrada de 106 camiões em Gaza com bens essenciais, por dia. Mas, segundo o Gisha, na altura em que o documento foi elaborado só entravam em Gaza cerca de 67 camiões com alimentos ou medicamentos, muito menos do que os cerca de 400 que chegavam ao território antes do bloqueio e do que os cerca de 935 camiões que entraram em Gaza na semana passada com alimentos e materiais de construção.
“Como é que Israel pode afirmar que não é responsável pela vida dos civis em Gaza quando controla inclusivamente a quantidade de alimentos que os residentes palestinianos podem consumir”, perguntou Sari Bashi, um dos directores do Gisha. O director em Gaza da agência da ONU para os refugiados, Robert Turner, sublinhou, por outro lado, que o estudo agora divulgado “vai contra os princípios humanitários”.
No documento é feita uma lista de produtos – são proibidos os coentros mas permitida a canela, por exemplo –, e há também referências a medicamentos, equipamentos médicos ou produtos de higiene. ( PUBLICO )

Truculência e desequilíbrio: hostilidade de Serra vira tradição em campanha. Relembre episódios

Filed under: WordPress — Tags:, , , — Humberto @ 8:05 am

Nesta semana, o candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo, José Serra, se irritou três vezes com dois jornalistas durante entrevistas. Nas três oportunidades, o tucano acusou os repórteres de serem ligados ao PT e ao candidato petista à prefeitura, Fernando Haddad.
Os episódios desta semana foram três dos muitos momentos da campanha eleitoral em que Serra não respondeu perguntas e hostilizou jornalistas que cumpriam seu ofício. Abaixo, relembre os casos que ocorreram ao longo da eleição:

1) Serra chama repórter de “sem vergonha”
O tucano chamou um repórter da Rede Brasil Atual, veículo ligado ao movimento sindical, de “sem vergonha”, no dia 28 de setembro. Abaixo, a transcrição do diálogo:
Serra: Vamos aumentar em dezenas de milhares o número de alunos em parceria com o governador do estado, Geraldo Alckmin. É uma chance para crianças de famílias mais humildes subirem na vida. Isso me veio agora à cabeça lembrando de minha infância e juventude aqui.
Jornalista: A ideia veio agora à cabeça ou é seu projeto de governo?
Serra: De onde você é?
Jornalista: Não interessa. O senhor vai responder à minha pergunta ou não?
Serra: Eu quero saber de onde.
Jornalista: Da Rede Brasil Atual.
Serra ignorou a pergunta. O jornalista voltou a abordá-lo quando o tucano estava indo embora.
Jornalista: Por que você só responde perguntas favoráveis?
Serra: Não, eu não respondo pergunta de sem vergonha.

2) Serra não responde pergunta do Portal Aprendiz
O Portal Aprendiz perguntou a todos os candidatos no primeiro turno as suas propostas para o Plano Municipal de Educação. Serra foi o único a não responder. Posteriormente, a assessoria do candidato enviou novas respostas por e-mail. Abaixo, o relato do portal publicado no dia 3 de outubro.
Serra: Você é de onde?
Jornalista: Portal Aprendiz.
Serra: Quem [ sic ] é o Portal Aprendiz?
[ Jornalista repete pergunta sobre o plano ]
Serra: Tem um, eu vou olhar, vou olhar.

3) Serra não responde TV dos Trabalhadores
O tucano não quis responder uma pergunta sobre o uso do “mensalão” em sua campanha feita por uma jornalista da TVT no dia 11 de outubro (aqui, o vídeo). Abaixo, o diálogo entre os dois:
Jornalista: O assunto do mensalão vai ser bastante explorado pelo senhor no segundo turno?
Serra: Perdão, o que é a TVT?
Jornalista: O assunto do mensalão vai ser bastante explorado pelo senhor no segundo turno?
Serra: O que é TVT? Que é TVT?
Jornalista: TV dos Trabalhadores
Serra: De onde?
Jornalista: Sindicato dos Metalúrgicos do ABC
Serra: Tá bom.
Em seguida, Serra virou de costas para a repórter e encerrou a entrevista.

4) Serra diz que jornalista é assessora de Haddad
Serra não quis responder pergunta sobre o tom agressivo que adotou em sua campanha eleitoral em 15 de outubro. No dia em que levou o “mensalão” ao horário eleitoral, ele foi questionado por uma repórter do portal UOL se isso era uma estratégia por estar atrás nas pesquisas de intenção de voto.
Serra: Esse tom mais agressivo que o senhor coloca no primeiro programa é por que o senhor está dez pontos abaixo nas pesquisas?
Jornalista: Vai lá para o Haddad, é a pauta dele, você não precisa trabalhar para ele. Ele já tem bastante assessores, não precisa ter umas assessoras a mais para ele. Vai lá direto.

5) No dia seguinte, Serra voltou a hostilizar a mesma repórter após uma pergunta sobre o kit anti-homofobia feito quando ele era governador de São Paulo em 2009.
Jornalista: Sobre o kit gay, está faltando esclarecer se o senhor concorda com a distribuição nas escolas desse tipo de material.
Serra: Eu acho que não está faltando esclarecer nada. Você leu?
Jornalista: Eu li.
Serra: Se você leu, acho que está tudo clarinho.
Jornalista: Mas o senhor concorda com a distribuição do material?
Serra: Que material?
Jornalista: De orientação sexual nas escolas…
Jornalista: Foi feito em 2009, no meu governo, o resto é brincadeira.
Ao final da entrevista, Serra voltou a se dirigir à repórter:
Serra: Vai lá com o Haddad e trabalha com ele, é mais eficiente.
Serra insinua que jornalista mente e vota em Haddad

6) Serra se irritou na manhã de 16 de outubro em entrevista à rádio CBN após ser questionado sobre o apoio que recebe do pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus.
A pergunta foi feita pelo jornalista Kennedy Alencar. Ele falou da semelhança entre um material feito pelo governo de São Paulo em 2009, quando Serra era governador, e o kit anti-homofobia que seria distribuído pelo Ministério da Educação durante a gestão de Haddad.
O jornalista falou que Serra teria apoio da “direita intolerante, como o pastor Silas Malafaia, que diz que a homossexualidade é doença e não orientação”. Ao final, Alencar perguntou: “é uma contradição por uma conveniência eleitoral ou o senhor se tornou um político conservador e mudou de ideia?”
Serra não respondeu a pergunta e repetiu diversas vezes: “você leu a cartilha do estado?”. Depois, disse “de duas uma: se você viu está mentindo. Se você não leu, eu até aceito, porque o que está falando é mentira.” Serra ainda insinuou que o jornalista votasse em Fernando Haddad. “Mais modéstia, você está na CBN, não pode fazer campanha eleitoral aqui na CBN”, disse o candidato. “Eu sei que você tem um candidato. Modere. Você que é um jornalista tem que ser mais comportado.”
CARTA CAPITAL

LEIA TAMBÉM:
Janio de Freitas acusa Serra de homicídio verbal
Segundo o jornalista, tucano marcou sua campanha por um kit composto de “insultos, desdizer-se, agressões verbais e mania de perseguição”
BRASIL 247
Colunista da Folha de S. Paulo, Janio de Freitas aponta como o “Kit Serra”, mais ainda do que o kit-gay, colocou sua campanha a perder. Leia:
Kit Serra
Tentativa de homicídio verbal é própria de campanhas, mas desde que seja sobre questões preocupantes do eleitorado
OS INCIDENTES entre José Serra e repórteres multiplicam-se. O repórter brasileiro está entre os mais mansos. Mesmo quando suscita tema delicado, mantém-se distante, muito distante, dos modos incisivos dos repórteres americanos e europeus, que não admitem a função profissional condicionada a cuidados com ares hierárquicos, muito menos a ares intimidatórios.
José Serra conviveu bastante em jornal, no grupo de formulação de editoriais da Folha [ grifo deste blog ENCALHE ]. Como político, pôde ver a maneira quase dócil do repórter brasileiro na abordagem e na relação funcional com políticos, empresários de porte e ocupantes de cargos de relevo em governo. Como frequentador de Redação, José Serra pôde ver que a transposição do trabalho dos repórteres no jornal depende do trabalho interno de edição. Este, sim, definidor dos realces, do tom, das localizações, do uso de fotos ( e das legendas do tipo “Fulano segura um copo”, para a foto do fulano segurando um copo ).
Apesar daquelas oportunidades de aprendizado e compreensão, José Serra mantém um clima hostil e intimidatório na proximidade de repórteres. Daí seguem-se agressões verbais em direção errada e às quais não falta um componente de covardia, dada a improbabilidade da resposta adequada.
Mas é indispensável reconhecer que os jornalistas não são alvos exclusivos da agressividade verbal de Serra. Sua prometida campanha na base de paz e amor é mensurável pela sucessão de artigos que cobram menos ataques pessoais e alguma abordagem de temas paulistanos. Nessa deformação da campanha Fernando Haddad tem sua cota de responsabilidade.
Se Haddad tem ideais a propor a São Paulo, não se justifica que adira à troca de agressões alheia à razão de ser de eleições. Não falta matéria-prima – na campanha, na política, na vida – para uns dois tarugos que deem resposta a Serra, e pronto. A partir disso, é olhar para o que interessa ao eleitor.
A tentativa de homicídio verbal é própria de campanhas eleitorais. Mas desde que seja em torno de posições quanto aos problemas preocupantes do eleitorado, desde que se dê motivada pelo confronto conservadorismo administrativo ( predominante em São Paulo ) ou de buscas inovadoras. Chega de jogo sujo nas campanhas. Rebaixá-las assim é trapaça.
Não tenho capacidade de imaginar como é a cabeça de um prefeito e a de governador que esbanjam fortunas em festividades, obras de engodo, dia disso e daquilo, futebol, tudo onde “a espera por atendimento de um endocrinologista é de dez meses”, “pacientes reclamam que exames mais específicos, como densitometria, chegam a demorar até dois anos”, revelação do jornalista Nilson Camargo sobre medicina em certas áreas da capital ( Folha, pág. A2, 13/10/12 ).
A meu ver, não menos doentes do que tais necessitados são o prefeito e o governo de sua rica São Paulo. Mas doentes de outros males. Cabeças razoavelmente sensatas, ou medianamente sadias, não tolerariam desperdiçar nem um minuto e nem um centavo dos seus poderes enquanto não exterminassem realidades revoltantes como a da perversidade exposta por Nilson Camargo.
Diante disso, a disputa eleitoral em São Paulo-capital volta a ser submetida ao “kit Serra”, composto de insultos, desdizer-se, agressões verbais e mania de perseguição.

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