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outubro 5, 2012

Mídia frauda pesquisa para criar um 2º turno entre Serra e Haddad

Filed under: WordPress — Tags:, , , , — Humberto @ 6:40 pm

Operação curral visa tanger voto do eleitor
Garfaram Russomanno e os demais candidatos para inflar o rejeitado
De repente, Russomanno caiu 10 pontos no Datafolha e sete pontos no Ibope. Serra, que estava 14 pontos atrás de Russomanno, de repente empatou com este em primeiro lugar… Na quinta-feira, o pasquim serrista “Folha de S. Paulo”, dona do Datafolha, saiu com reclames sobre a “desidratação abrupta” de Russomanno e conselhos para Haddad e outros candidatos “baterem mais” no candidato do PRB, que pertence à base aliada do governo Dilma [ grifo do ENCALHE ]. Querem impor um segundo turno com Serra e Haddad – o candidato que eles acham, com bons motivos, mais fácil de vencer.
HORA DO POVO
Mídia fabrica “empate técnico” entre José Serra e Russomanno
Milagre aconteceu em menos de uma semana de uma pesquisa para outra
Os leitores – aliás, os eleitores – sabem que nas eleições municipais de São Paulo há, entre os concorrentes, um cadáver político, quase sepultado nas últimas eleições presidenciais. Antes que o sr. Serra se sinta ofendido, esclarecemos que essa nossa consideração é puramente política – e não seremos nós que ignoraremos os cadáveres só porque eles são cadáveres.
O sr. Serra, certamente, esperava dessas eleições a sua ressurreição. No máximo, está obtendo uma exumação. Mas está difícil. Até antigos e, supostamente, empedernidos serristas demonstram grande rejeição ao seu nome, depois da promessa não cumprida, na campanha de 2004, de, se eleito, ficar na Prefeitura ou devido à sua administração, continuada por seu pupilo, Gilberto Kassab – o prefeito que, finalmente, fez São Paulo parar.
Como sempre, a eleição em São Paulo tem importância nacional – fenômeno que não precisamos explicar. O fato é que, de 12 candidatos, nada menos que sete são da base aliada do governo da presidente Dilma, inclusive o líder nas pesquisas, Celso Russomanno, do PRB.
Logo, para Serra, não é fácil uma eleição em que seu nível de rejeição se aproxima dos 50% – ou até mais – e com sete candidatos da base aliada mirando-lhe o quengo (politicamente falando, é claro), mais uns três que não são da base, mas também são propensos a acertar o fígado serrista (politicamente, como de costume).
Mas, no Brasil, desde a eleição de Collor, de funestas consequências, a campanha da direita é sempre pela mídia imparcial e pelas pesquisas isentas. Mais ou menos como aquele suposto amor que, segundo Oscar Wilde, não ousava dizer seu nome, a campanha desse lado sombrio da vida política nunca se apresenta como tal – e tira sua eficiência dos incautos que acreditam nessa imparcialidade e isenção.
Assim, na quinta-feira, o órgão mais serrista do país, a “Folha de S. Paulo”, dona do instituto de pesquisas Datafolha, paramentou a sua nova “pesquisa” com reclames sobre a “desidratação abrupta” (sic) de Russomanno, “inédita em intensidade na história eleitoral do município”, “os pontos perdidos se pulverizam entre os outros nomes”, “o quadro ainda mais indefinido” – e garantindo que “leva vantagem quem mais bate no candidato do PRB. Se na semana passada, Fernando Haddad (PT) foi o grande beneficiado. Agora, quem mais cresce é Gabriel Chalita (PMDB)” (sic).
Não é surpreendente que Serra e os serristas tentem colocar uma cunha entre os candidatos da base do governo – nada os alegra mais do que ver os partidos que apoiam a presidente Dilma ocupados num engalfinhamento estéril e mesquinho [ idem ]. Mas está claro quem eles querem açular.
Mas, o que aconteceu? O que mudou?
Nada, exceto as pesquisas dos próprios serristas. O que não quer dizer que essas pesquisas enganosas não possam influenciar o eleitorado.
Quinze dias antes, segundo o Datafolha, Russomanno estava com 35% das preferências, Serra tinha 21% e o candidato do PT, Fernando Haddad, tinha 15%, na sondagem terminada no dia 19 de setembro.
Apenas cinco dias depois, o Ibope saiu com resultados semelhantes – Russomanno: 34%; Serra: 19%; e Haddad: 18%. A diferença era em relação a Serra e Haddad. Quanto à Russomanno, a posição era a mesma.
Pois, de repente, em duas rodadas de pesquisa, Russomanno caiu 10 pontos no Datafolha e sete pontos no Ibope.
Assim, na pesquisa do Datafolha divulgada na quinta-feira, Russomanno estava com 25%, Serra com 23% e Haddad com 19%.
Em resumo: em 15 dias, segundo o Datafolha, Serra foi do amargo ostracismo – com perspectiva, no máximo, de uma acachapante derrota no segundo turno – ao “empate técnico” em primeiro lugar (pois a margem de erro da pesquisa é +2 ou -2).
Tudo isso sem sair de onde estava – os dois pontos percentuais ganhos por Serra nesses 15 dias (um aumento de 10%) são, exatamente, a margem de erro da pesquisa.
Portanto, o negócio é derreter Russomano, roubando ele e os outros candidatos nas pesquisas – e martelando esse roubo, até a náusea, na mídia.
Os serristas consideram, com razão, que a única forma (ou, pelo menos, a mais fácil numa eleição que tem tudo de difícil para eles) de emplacar seu candidato é colocá-lo junto com Haddad no segundo turno. O resto, esperam eles, o ministro Joaquim Barbosa fará.
Assim, Serra seria exumado, e estaria pronto para a próxima eleição, com a perspectiva de passar a rasteira em Aécio, numa situação econômica que eles acham que vai favorecê-los (v., por exemplo, o recente calhamaço do autor do programa econômico de Serra nas eleições presidenciais, Samuel Pessoa, onde ele discute planos eleitorais diante do “baixo crescimento” da economia no governo Dilma).
Quanto à rejeição (percentagem dos que não votariam em hipótese alguma em determinado candidato), há 15 dias Serra era o campeão disparado (44% dos entrevistados) e até aumentou essa rejeição agora (45%) – mas isso é apenas 1 ponto percentual contra um aumento de dois pontos (23% para 25%) na rejeição de Hadadd e de sete pontos (19% para 26%) na rejeição de Russomanno. O que este fez, nesse intervalo de tempo, para decepcionar tanta gente? Apesar de não ser o nosso candidato favorito, devemos convir que ele não fez nada que provocasse tal irrupção de antipatia. O negócio é induzir o eleitor a votar em quem ele não quer votar.
CARLOS LOPES

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