ENCALHE ( Descontinuado em 05.10.2013 )

outubro 5, 2012

Joio do STF quer se vingar de Lula julgando PT na véspera da eleição

Filed under: WordPress — Humberto @ 7:56 pm

É algo especialmente despudorado que o ministro Barbosa e alguns de seus colegas queiram, na semana das eleições, fazer do STF um palanque eleitoral. Pois é evidente que o julgamento de Dirceu e outros dirigentes petistas não coincidiu com as eleições por acaso. Essa tentativa de partidarizar o STF é ainda mais nítida quando, segundo Barbosa, a culpa de Dirceu em uma suposta compra de votos no Congresso já está provada por antecipação. Portanto, seu papel como relator não é produzir provas, mas dizer que é um absurdo que elas sejam contestadas – embora não se saiba quais são.
HORA DO POVO
Barbosa e seu voto na semana das eleições
Segundo o relator da Ação Penal nº 470, a culpa do ex-ministro José Dirceu em uma suposta compra de votos no Congresso já está provada por antecipação. Portanto, seu papel como relator não é produzir provas, mas dizer que é um absurdo que elas sejam contestadas – embora não se saiba quais são essas provas; e, realmente, elas não podem ser contestadas, porque são desconhecidas.
É algo especialmente despudorado que Barbosa e alguns de seus colegas queiram, na semana das eleições, fazer do STF um palanque eleitoral. Pois é evidente que o julgamento de Dirceu e outros dirigentes petistas não coincidiu com as eleições por acaso.
Quanto ao mais, não há diferença entre o discurso de Barbosa e o de Serra – ou Fernando Henrique, que, animado, saiu brevemente de sua tumba.
Assim, diz Barbosa, “entender que Valério e Delúbio agiram sozinhos, sem vontade de Dirceu (…) é, a meu ver, inadmissível”; “no meu sentir, essa cronologia, também evidencia ter havido promessa de repasses a líderes”; não há provas contra Dirceu, mas “no conjunto probatório contextualizado na ação penal, os pagamentos efetuados por Delúbio e Valério a parlamentares com quem Dirceu tinha contato direto colocam o chefe da Casa Civil em posição central de organização e liderança da prática criminosa, como mandante”.
Contestar o “a meu ver” de Barbosa é “inadmissível”; o “no meu sentir” dele é suficiente para “evidenciar” alguma coisa; a culpa de Dirceu, diz mais adiante, é “fato público e notório”. Logo, não precisa ser provado: a prova de que Dirceu era mandante dos pagamentos é a existência desses pagamentos.
Poder-se-ia acusar Dirceu também de provocar uma enchente – e, como prova, bastaria a própria chuva. Se choveu, ele é culpado. Portanto, está provado que ele provocou a enchente…
Tudo isso é perfeitamente ridículo e com uma falta de limite muito típica do fascio-tucanismo. Mas, diz Barbosa, o que importa é o “conjunto probatório contextualizado” – não é preciso, portanto, haver provas contra um vivente. O “contexto” é suficiente para condenar, já que é uma criação do próprio Barbosa, assim como o caráter de seu personagem José Dirceu, que nada tem a ver com o Dirceu real.
Mas o espantoso não são os fantasmas nem as fantasias – todos sabemos que há alguns na espécie humana que são permanentemente acossados por fantasmas, assim como prolíficos fabricantes de fantasias, sobretudo quando lhes é realmente conveniente. Entretanto, o mais espantoso é aquilo que não é fantasma nem fantasia: no julgamento da Ação Penal nº 470, o relator está considerando como prova de corrupção o fato de um partido formar alianças com outros. Até mesmo há um desenvolvimento da tese: o que demonstraria irretor-quivelmente a corrupção seria o fato dos partidos aliados terem “orientações ideológicas” diferentes. Portanto, a aliança só poderia ser à custa de suborno, como se os compromissos entre partidos não implicassem em gastos perfeitamente legítimos.
No entanto, Barbosa percebe que as pessoas, por mais griladas que sejam com políticos, sabem que as coisas não são assim. Assim, inventou o suborno positivo.
Primeiro, diz ele, “em troca da vantagem indevida, consubstanciada nos recursos em espécie solicitados pelos parlamentares, estes negociaram a prática de atos de ofício em prol dos representantes do Partido dos Trabalhadores e do Governo (…) os parlamentares acusados emprestaram o seu apoio em troca do recebimento de elevadas quantias em espécie do Partido dos Trabalhadores” (págs. 253 e 255 do voto de Barbosa sobre o item 6 da denúncia).
Logo depois: “a prática do crime de corrupção passiva se revela ante à solicitação de vantagem indevida, para a prática de atos de ofício que podem, até mesmo, ser lícitos e legítimos. (…) os Deputados Federais que são réus nesta ação penal são acusados de corrupção por terem recebido dinheiro para votar, e não em decorrência do conteúdo de seus votos” (págs. 257 e 259 – grifos nossos).
Em suma, trata-se do suborno para fazer coisas lícitas, legítimas, honestas e até edificantes (supomos). Portanto, o crime é que elas teriam recebido dinheiro do PT. Não por acaso, a compra de votos para aprovar a reeleição do presidente, no primeiro mandato de Fernando Henrique, apesar de provada até com gravações, não mobilizou semelhantes impulsos e sentimentos.
Como Barbosa chegou às suas conclusões? Só se pode chegar a essas conclusões porque elas não são conclusões, mas um discurso partidário – esse que a mídia golpista propala há 10 anos. Além de seu conteúdo, o julgamento na semana das eleições é suficiente para que até um parvalhão o perceba.
Diz o ministro Joaquim Barbosa que “os autos também permitem concluir que, se os parlamentares divergissem da orientação do Governo e, assim, contrariassem os interesses dos corruptores, deixariam de receber os milhares de reais em espécie com que vinham sendo agraciados”.
Onde ele encontrou nos “autos” algum fato que permitisse não somente concluir que havia parlamentares que recebiam dinheiro para votar, como, também, que o dinheiro seria suspenso, se “divergissem da orientação do governo”?
Barbosa conta, logo no parágrafo seguinte, como chegou a tal conclusão:
“Há um exemplo claro de que a infidelidade produziria essa consequência: a expulsão, do Partido dos Trabalhadores, de parlamentares que contrariaram a orientação do Governo na votação das Reformas da Previdência e Tributária. Se o PT abriu mão de parlamentares com importância histórica em suas fileiras, conclui-se que os Deputados Federais do Partido Progressista, do Partido Liberal, do Partido Trabalhista Brasileiro e do Partido do Movimento Democrático Brasileiro, beneficiados pelos pagamentos em espécie do PT, estavam obrigados a garantir seu apoio e o apoio da maioria de seus correligionários ao Governo no decurso dos trabalhos da Câmara, na perspectiva de continuar a receber os recursos” (pág. 253 do voto sobre o item 6 da denúncia – grifo nosso).
“Conclui-se”? Desde quando, do fato do PT ter aplicado a disciplina partidária sobre seus parlamentares, conclui-se que o partido estava pagando a outros para votarem com o governo, subsídio que seria suspenso se não votassem?

Levantamento aponta relação de incêndios em favelas com Operações Urbanas em SP

Filed under: WordPress — Tags:, , — Humberto @ 7:40 pm

As suspeitas dos moradores das favelas e dos movimentos sociais sobre a relação dos incêndios ocorridos no último período com a especulação imobiliária, tomam, cada vez mais, consistência
Um levantamento produzido pela Rede Brasil Atual, com dados fornecidos a da Defesa Civil de São Paulo e pela Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano (Emplasa), aponta que as áreas onde ocorreram parte dos incêndios são as mesmas que estão sendo cedidas às chamadas “Operações Urbanas”, onde regiões são destinadas à construção de mega-empreendimentos imobiliários destinados à especulação.
O levantamento retrata que “as favelas da capital paulista que sofreram incêndios nos últimos anos estão concentradas nos perímetros das chamadas operações urbanas projetadas pela prefeitura, sejam as já iniciadas ou as ainda em planejamento”.
A Emplasa cedeu o traçado georreferenciado das operações urbanas previstas no Plano Diretor da cidade. Dos 103 endereços em favelas onde houve incêndio que constam no documento entregue pela Defesa Civil para a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Incêndios em Favelas da Câmara Municipal 89 estão georreferenciados como mostra o mapa.
O mapa mostra ainda um alto índice de “coincidências” quando reparamos nas regiões da Faria Lima e Águas Espraiadas por serem regiões de alto valor aquisitivo, que sofrem como nunca com a especulação e concentrarem grande número de incêndios.
Algumas das “operações” ainda não iniciadas na Lapa-Brás, Rio Verde-Jacu e Mooca-Vila Carioca, mas já licenciadas em 2011 também contam com elevado número de incêndios.
A diretora executiva do Movimento Defenda São Paulo, Lucila Lacreta estranhou essas coincidências, “Nós nos perguntamos por que ocorrem mais incêndios em áreas mais valorizadas e menos na periferia, sendo que as favelas da periferia são muito maiores? Será que as das áreas valorizadas têm mais risco de incêndio? Eu não vejo essa correlação”.
O coordenador estadual da Central de Movimentos Populares, Raimundo Bonfim, afirma que as operações urbanas, na teoria, são instrumentos para realizar ações em áreas degradadas e recuperá-las e construir moradias para o povo e não para empresários lucrarem. Mas, diz o ativista, em São Paulo tem funcionado ao contrário. “Pegam determinadas áreas para fazer especulação imobiliária e ‘limpar’ moradores de baixa renda para construir grandes obras ou para favorecer o mercado imobiliário”. ( HORA DO POVO )

Mídia frauda pesquisa para criar um 2º turno entre Serra e Haddad

Filed under: WordPress — Tags:, , , , — Humberto @ 6:40 pm

Operação curral visa tanger voto do eleitor
Garfaram Russomanno e os demais candidatos para inflar o rejeitado
De repente, Russomanno caiu 10 pontos no Datafolha e sete pontos no Ibope. Serra, que estava 14 pontos atrás de Russomanno, de repente empatou com este em primeiro lugar… Na quinta-feira, o pasquim serrista “Folha de S. Paulo”, dona do Datafolha, saiu com reclames sobre a “desidratação abrupta” de Russomanno e conselhos para Haddad e outros candidatos “baterem mais” no candidato do PRB, que pertence à base aliada do governo Dilma [ grifo do ENCALHE ]. Querem impor um segundo turno com Serra e Haddad – o candidato que eles acham, com bons motivos, mais fácil de vencer.
HORA DO POVO
Mídia fabrica “empate técnico” entre José Serra e Russomanno
Milagre aconteceu em menos de uma semana de uma pesquisa para outra
Os leitores – aliás, os eleitores – sabem que nas eleições municipais de São Paulo há, entre os concorrentes, um cadáver político, quase sepultado nas últimas eleições presidenciais. Antes que o sr. Serra se sinta ofendido, esclarecemos que essa nossa consideração é puramente política – e não seremos nós que ignoraremos os cadáveres só porque eles são cadáveres.
O sr. Serra, certamente, esperava dessas eleições a sua ressurreição. No máximo, está obtendo uma exumação. Mas está difícil. Até antigos e, supostamente, empedernidos serristas demonstram grande rejeição ao seu nome, depois da promessa não cumprida, na campanha de 2004, de, se eleito, ficar na Prefeitura ou devido à sua administração, continuada por seu pupilo, Gilberto Kassab – o prefeito que, finalmente, fez São Paulo parar.
Como sempre, a eleição em São Paulo tem importância nacional – fenômeno que não precisamos explicar. O fato é que, de 12 candidatos, nada menos que sete são da base aliada do governo da presidente Dilma, inclusive o líder nas pesquisas, Celso Russomanno, do PRB.
Logo, para Serra, não é fácil uma eleição em que seu nível de rejeição se aproxima dos 50% – ou até mais – e com sete candidatos da base aliada mirando-lhe o quengo (politicamente falando, é claro), mais uns três que não são da base, mas também são propensos a acertar o fígado serrista (politicamente, como de costume).
Mas, no Brasil, desde a eleição de Collor, de funestas consequências, a campanha da direita é sempre pela mídia imparcial e pelas pesquisas isentas. Mais ou menos como aquele suposto amor que, segundo Oscar Wilde, não ousava dizer seu nome, a campanha desse lado sombrio da vida política nunca se apresenta como tal – e tira sua eficiência dos incautos que acreditam nessa imparcialidade e isenção.
Assim, na quinta-feira, o órgão mais serrista do país, a “Folha de S. Paulo”, dona do instituto de pesquisas Datafolha, paramentou a sua nova “pesquisa” com reclames sobre a “desidratação abrupta” (sic) de Russomanno, “inédita em intensidade na história eleitoral do município”, “os pontos perdidos se pulverizam entre os outros nomes”, “o quadro ainda mais indefinido” – e garantindo que “leva vantagem quem mais bate no candidato do PRB. Se na semana passada, Fernando Haddad (PT) foi o grande beneficiado. Agora, quem mais cresce é Gabriel Chalita (PMDB)” (sic).
Não é surpreendente que Serra e os serristas tentem colocar uma cunha entre os candidatos da base do governo – nada os alegra mais do que ver os partidos que apoiam a presidente Dilma ocupados num engalfinhamento estéril e mesquinho [ idem ]. Mas está claro quem eles querem açular.
Mas, o que aconteceu? O que mudou?
Nada, exceto as pesquisas dos próprios serristas. O que não quer dizer que essas pesquisas enganosas não possam influenciar o eleitorado.
Quinze dias antes, segundo o Datafolha, Russomanno estava com 35% das preferências, Serra tinha 21% e o candidato do PT, Fernando Haddad, tinha 15%, na sondagem terminada no dia 19 de setembro.
Apenas cinco dias depois, o Ibope saiu com resultados semelhantes – Russomanno: 34%; Serra: 19%; e Haddad: 18%. A diferença era em relação a Serra e Haddad. Quanto à Russomanno, a posição era a mesma.
Pois, de repente, em duas rodadas de pesquisa, Russomanno caiu 10 pontos no Datafolha e sete pontos no Ibope.
Assim, na pesquisa do Datafolha divulgada na quinta-feira, Russomanno estava com 25%, Serra com 23% e Haddad com 19%.
Em resumo: em 15 dias, segundo o Datafolha, Serra foi do amargo ostracismo – com perspectiva, no máximo, de uma acachapante derrota no segundo turno – ao “empate técnico” em primeiro lugar (pois a margem de erro da pesquisa é +2 ou -2).
Tudo isso sem sair de onde estava – os dois pontos percentuais ganhos por Serra nesses 15 dias (um aumento de 10%) são, exatamente, a margem de erro da pesquisa.
Portanto, o negócio é derreter Russomano, roubando ele e os outros candidatos nas pesquisas – e martelando esse roubo, até a náusea, na mídia.
Os serristas consideram, com razão, que a única forma (ou, pelo menos, a mais fácil numa eleição que tem tudo de difícil para eles) de emplacar seu candidato é colocá-lo junto com Haddad no segundo turno. O resto, esperam eles, o ministro Joaquim Barbosa fará.
Assim, Serra seria exumado, e estaria pronto para a próxima eleição, com a perspectiva de passar a rasteira em Aécio, numa situação econômica que eles acham que vai favorecê-los (v., por exemplo, o recente calhamaço do autor do programa econômico de Serra nas eleições presidenciais, Samuel Pessoa, onde ele discute planos eleitorais diante do “baixo crescimento” da economia no governo Dilma).
Quanto à rejeição (percentagem dos que não votariam em hipótese alguma em determinado candidato), há 15 dias Serra era o campeão disparado (44% dos entrevistados) e até aumentou essa rejeição agora (45%) – mas isso é apenas 1 ponto percentual contra um aumento de dois pontos (23% para 25%) na rejeição de Hadadd e de sete pontos (19% para 26%) na rejeição de Russomanno. O que este fez, nesse intervalo de tempo, para decepcionar tanta gente? Apesar de não ser o nosso candidato favorito, devemos convir que ele não fez nada que provocasse tal irrupção de antipatia. O negócio é induzir o eleitor a votar em quem ele não quer votar.
CARLOS LOPES

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