ENCALHE ( Descontinuado em 05.10.2013 )

setembro 24, 2012

Queimadas na cidade viram empreendimentos: terreno colado à Favela do Moinho é cedido para estacionamento privado

Após incêndio, área ao lado de favela em São Paulo é cedida para estacionamento privado
Trabalho de empresa de terraplenagem em terreno de 10 mil metros quadrados do Ceagesp começou dois dias após fogo destruir favela do Moinho, fechando o acesso ao que era chamado de ‘bosquinho’
São Paulo – Uma semana após o incêndio na favela do Moinho, no centro de São Paulo, uma porção de cimento começa a ganhar feição rapidamente no local que antes abrigava uma área verde, chamada pelos moradores de “bosquinho”. O trabalho de uma empresa de terraplenagem começou apenas dois dias após o fogo destruir parte dos barracos em um terreno da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) que, cedido ao setor privado, será transformado em um estacionamento de caminhões.
Até o dia do incêndio, a área era aberta, possuía árvores de pequeno porte e bastante mato, de acordo com moradores da favela. Hoje (24), só havia poucas árvores no local e pelo menos cinco homens trabalhavam na limpeza do terreno, de 10 mil metros quadrados. Com um trator, um caminhão e um carro antigo, os trabalhadores não usavam uniformes que identificassem a empresa.
De acordo com o encarregado de obras, Alfredo dos Santos, todos são empregados da Terraplanagem JC, situada no bairro de Pirituba, zona oeste da capital. Ele afirma que a empresa teria sido contratada pelo Ceagesp para fazer a limpeza do terreno com o intuito de evitar que ele fosse ocupado por desabrigados do incêndio. Não foi possível localizar a empresa.
Apesar de manter contato com Alfredo, o integrante do Departamento Comercial do Ceagesp, Rubens Reis de Souza, afirmou que, após a locação, o Ceagesp não teria mais responsabilidade sobre o terreno. Nenhum dos dois disse saber o nome da empresa que teria alugado a área. A assessoria de imprensa do órgão também não soube informar quem seria o locatário, porém confirmou que a área dará espaço a um estacionamento de caminhões.
A Rede Brasil Atual apurou que Alfredo dos Santos também é supervisor geral da empresa de estacionamento União Park, que, de acordo com o Ceagesp, teria concorrido a uma licitação. Ele nega o fato. Situada entre duas linhas de trem, a possível entrada para o terreno seria passando por parte da Favela do Moinho, localizada embaixo do viaduto, que pegou fogo na última segunda-feira (17).
Os desabrigados da favela começam a reconstruir as casas, mantendo 10 metros de distância do viaduto Engenheiro Orlando Murgel, seguindo orientações da Defesa Civil. De acordo com a prefeitura a estrutura do viaduto foi abalada e uma empresa de construção civil trabalha na reforma do local. O trânsito está impedido em um dos sentidos.
Este é o quinto incêndio na Favela do Moinho, que vitimou uma pessoa e deixou pelo menos 300 desabrigados. Desde 2006 a área, antiga posse da Rede Ferroviária Federal, está em disputa. A prefeitura de Gilberto Kassab (PSD) pretende construir um parque ou uma estação de trem, e alega que o terreno não serve para moradia porque está contaminado. Em dezembro do ano passado ocorreu o maior incêndio do Moinho, que devastou um terço da comunidade, em uma área de 6.000 m². Duas pessoas morreram e dezenas de famílias ficaram desabrigadas.
Só este ano foram registrados 68 incêndios em favela. Entre 2008 e 2011, o Corpo de Bombeiros registrou 530 ocorrências. Em 13 de setembro, o líder comunitário do Moinho, Francisco Miranda, esteve na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instalada na Câmara Municipal para investigar o número elevado de casos. Na ocasião, ele lamentou o fato de a CPI, dominada pela base aliada a Kassab, não investigar de fato a possibilidade de se tratar de uma atuação criminosa. ( REDE BRASIL ATUAL )

Carta aberta ao meu caro amigo Ricardo Noblat, Por Leonardo Attuch

Se você tem as fitas de Marcos Valério, apresente. O que não dá para aceitar é uma intimidação ancorada em gravações supostamente existentes. Isso, todo mundo sabe, não é jornalismo. É política, pura e simplesmente.

Leonardo Attuch _247 – Ricardo Noblat foi meu primeiro chefe no jornalismo, quando comecei a trabalhar como repórter, no Correio Braziliense, há quase vinte anos.
Guardo dele uma ótima imagem. É um dos poucos jornalistas que, em cargos de chefia, continuou a ser, essencialmente, um repórter, enquanto seus pares se transformavam em burocratas de redação ou em capatazes dos patrões.
Noblat é, foi e sempre será jornalista. No Correio, promoveu uma pequena revolução que, infelizmente, foi breve. Numa de suas grandes passagens, soube corrigir um erro na primeira página – o que lhe valeu o Prêmio Esso.
Por tudo isso, Noblat merece o nosso respeito.
Como pioneiro do jornalismo político na internet, merece ainda mais.
Desde o início do 247, reproduzimos suas análises e ele, ocasionalmente, também reproduz alguns de nossos artigos. Faz parte do jogo natural de intercâmbio de ideias e de notícias na internet.
Noblat é mais do que um simples jornalista. É um personagem da política brasiliense.
Dias atrás, no entanto, ele decidiu nos criticar no Twitter, ao dizer que estaríamos confundindo torcida com jornalismo, simplesmente porque insistimos em dizer que Veja não tem nenhuma fita gravada com Marcos Valério.
Afinal, para quem conhece as engrenagens da máquina jornalística, basta fazer a pergunta: qual é a força política ou econômica, hoje, de Marcos Valério para fazer qualquer tipo de barganha com seus supostos entrevistadores? ( Aliás, Noblat, se você tem as fitas de Marcos Valério, apresente. O que não dá para aceitar é uma intimidação ancorada em gravações supostamente existentes )
O quadro, na verdade, é ainda mais grave. Se Veja tem gravações, e não as apresenta, comporta-se apenas como instrumento de intimidação e chantagem [ 1 ] ( ou de Valério ou dos donos da Abril ). E também não é isso que se espera de uma semanal.
Noblat, que é também um jornalista 24/7, trabalhando 24 horas por dia, sete dias por semana, sabe que não somos petistas [ 2 ]. Ainda assim, brinca com uma piadinha numerológica que corre na internet (2+4+7=13).
Noblat, a inspiração não foi o PT. Digamos que foi o Zagalo. E, lamento dizer, mas vocês vão ter que nos engolir. Aqui, o espaço é democrático nos artigos, na opinião e também na análise dos movimentos políticos dos jornalistas. Especialmente dos jornalísticas políticos, como você.
Receba o nosso afetuoso abraço.

NOTAS DO BLOG:

[ 1 ] A revista Veja é reconhecidamente dada a chantagens. Um dos casos mais recentes e famosos é este: Veja nega autoria de dossiê contra juiz do caso Cachoeira feito por seu redator-chefe; Em 1999, em discurso no Senado Federal, o então senador peemedebista Roberto Requião ( PR ) denunciou a revista de usar um processo não-público aberto pelo governo do Estado contra o banco Bamerindus para chantagear o banqueiro Andrade Vieira e “vender-lhe” páginas de propaganda na revista. E tem este caso aqui também: Ex-governador Hélio Gueiros: ‘Veja quis me chantagear’

[ 2 ] Não são mesmo!

Blog no WordPress.com.