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setembro 8, 2012

Colômbia: afastado juiz que investigava militares e milícias paramilitares de extrema-direita

Filed under: WordPress — Tags:, , , — Humberto @ 7:37 pm

A demissão de um juiz que investigava as cumplicidades entre os militares colombianos e as milícias paramilitares de extrema-direita faz recear o atraso do inquérito, afirmou na sexta-feira o Observatório de Direitos Humanos (HRW, na sigla em inglês).
Ivan Velásquez apresentou a sua demissão esta semana, depois de ter sido afastado pelo Supremo Tribunal de um grupo de magistrados especializados nas questões “parapolíticas”, noticia a AFP.
“Parece difícil que o ritmo da investigação se mantenha, quando o magistrado principal, o que conhece melhor os assuntos e enfrentou com coragem e integridade fortes poderes, sai da frente”, deplorou o diretor do HRW para as Américas, José Miguel Vivanco.
O Supremo Tribunal da Colômbia refutou qualquer abrandamento nos inquéritos e ameaçou processar, por injúrias, os jornalistas que critiquem aquela decisão, que causou uma forte emoção na opinião pública.
“Todos os olhos vão estar virados para o Supremo Tribunal e os avanços nas investigações”, sublinhou o responsável regional da HWR, organização não-governamental baseada em Nova Iorque.
“Quando se nomeia um magistrado especial, é preciso manter essa posição até ao fim do inquérito”, insistiu.
Em 2008, o juiz Velásquez, em plena investigação sobre a “parapolítica” tinha sido alvo de escutas ilegais e objeto de ameaças.
Cerca de uma centena de congressistas, entre os quais dois ex-presidentes do Congresso, foram postos em causa pelas suas ligações com as milícias de extrema-direita, criadas nos anos 80 para lutar contra as guerrilhas de extrema-esquerda e responsabilizadas por numerosos massacres de civis.
Depois da desmobilização destas milícias, entre 2003 e 2006, os seus membros beneficiaram de uma amnistia parcial, no quadro de uma lei de reconciliação, votada sob a Presidência de Álvaro Uribe, que esteve no cargo entre 2002 e 2010.  ( DN )

Vergonha total: Policarpo da Veja na CPI do Cachoeira somente em Outubro!

Filed under: WordPress — Tags:, , — Humberto @ 7:15 pm

CPMI suspensa: convocação de Policarpo fica para outubro
Decisão de suspensão foi tomada pelos parlamentares, alegando que áudios da CPMI poderiam ser usados na eleição
A CPI do Cachoeira decidiu na terça-feira (4) suspender suas atividades até a realização do primeiro turno das eleições municipais, em 7 de outubro. A alegação para a tomada dessa decisão foi a de que havia um temor entre os parlamentares de que os depoimentos fossem usados para influenciar as eleições municipais. Com isso, a convocação do diretor da Veja em Brasília, Policarpo Júnior, fica na fila.
Apenas o deputado paranaense Rubens Bueno, líder do PPS na Câmara, protestou contra a suspensão. Ao sair da reunião, o deputado chegou a dizer que haviam “enterrado” a CPI. “A gente tem maior tranquilidade para tomar algumas decisões fora do calor das eleições. Tem eleição em todo o país e esses áudios podem ser utilizados politicamente”, tentou explicar o vice-presidente da comissão, deputado Paulo Teixeira (PT-SP).
A suspensão dos trabalhos da CPI se deu exatamente no momento em que se esperava a convocação de Policarpo Júnior, flagrado em cerca de 200 gravações, obtidas legalmente pela Polícia Federal, com o chefe da quadrilha, Carlinhos Cachoeira.
“Poli”, como era chamado o diretor da Veja pelos integrantes do bando de Cachoeira, chegou a ser apontado pela mulher do bicheiro, Andressa Mendonça, como empregado do contraventor. A revelação foi feita pela própria mulher do contraventor, ao tentar chantagear o juiz federal Alderico Rocha Santos, responsável pelas investigações. Andressa, na tentativa e conseguir um habeas corpus para seu marido, disse ao juiz que Carlos Augusto Ramos (seu marido) tinha como empregado o jornalista Policarpo Jr. Ela disse isso para, logo em seguida, afirmar ao juiz Rocha Santos que o Policarpo tinha feito um dossiê contra ele. A idéia era chantagear o juiz para conseguir a libertação de Cachoeira. Ela foi presa e teve que pagar fiança para ser liberada.
Os personagens envolvidos diretamente com a quadrilha, entre eles o ex-senador Demóstenes Torres e o governador de Goiás, Marconi Perillo, já tinham sido ouvidos pelos parlamentares. Só faltava investigar o envolvimento do diretor da Veja com o bando da jogatina. Apesar dos esforços de alguns deputados, entre eles Miro Teixeira (PDT-RJ), de tentar impedir a convocação de Policarpo, a situação do diretor da Veja estava já insustentável. Ela piorou ainda mais depois das revelações de Andressa. Não tinha, portanto, como a CPI não investigar Policarpo.
A decisão de parar foi comunicada pelo presidente da comissão, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), após reunião com líderes partidários. Durante o período de recesso da CPI, o relator, deputado Odair Cunha (PT-MG), disse que deverá analisar os dados disponíveis para apresentar um balanço das atividades da comissão. “Nada do que nós apuramos até agora será perdido, pelo contrário. Vamos manter uma agenda de análise da documentação e uma agenda de trabalho mesmo sem as oitivas”, afirmou Odair Cunha.
Segundo o relator, o balanço das atividades da comissão, especialmente no que diz respeito às atividades econômicas da organização de Carlinhos Cachoeira, deve ser apresentado no final de setembro ou início de outubro. Questionado sobre a possibilidade de prejuízo aos trabalhos da comissão, o senador Vital do Rêgo garantiu que os trabalhos internos continuarão durante o período eleitoral e que a CPI não acabará sem resultados. “A CPI está mais viva do que nunca”, afirmou.
Vital argumenta que a Comissão obteve sucesso dentro do seu propósito original, que era investigar as relações de Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, com agentes públicos e privados. Ele explica que o próximo passo será decidir se a CPI será prorrogada e se seu escopo de investigação será estendido. ( HORA DO POVO )

Mino Carta: “E AGORA VAMOS AO MENSALÃO TUCANO”

Filed under: WordPress — Tags:, , , , — Humberto @ 6:47 pm

A mídia e os políticos
Quando me convidam para falar em público, quase sempre plateias universitárias, às vezes, se a situação recomenda, proponho: levante o braço quem já leu um livro de Fernando Henrique Cardoso. Ao cabo de décadas de palestras, vi ao todo três braços erguidos. O príncipe dos sociólogos é lido por pouquíssimos.
Fama usurpada? Anos atrás, em conversa com um caro amigo, ousei citar o líder comunista italiano Massimo D’Alema, o qual, sem referir-se ao sociólogo, disse do político: “Fernando Henrique é um presidente de exportação”. O caro amigo me convidou com extrema firmeza a passar o resto dos meus dias na Itália e nunca mais falou comigo. E nem sei se ele leu algum livro do seu herói.
Avento a hipótese de que haja quem coloque FHC sobre um pedestal inviável e lhe atribua um peso específico inexistente, a configurar um mistério brasileiro digno da análise dos cultores do absurdo. Entendo que a presidenta Dilma fique indignada com o artigo que o presidente da reeleição comprada publicou no Estadão de domingo 2 de setembro para denunciar no chamado “mensalão” a herança de Lula. Mas vale a pena abrir portas abertas ou conversar com as paredes para replicar a um texto ditado, antes de mais nada, pela inveja?
Há quem diga que mesmo em Higienópolis, o bairro heráldico de São Paulo, o morador FHC deixou de ser assunto há muito tempo. E quanto há de sofrer o esquecido, devorado pela constatação de que Lula não foi presidente de exportação para ser reconhecido internacionalmente como “o cara” sem precisar atirar-se nos braços do presidente americano. À época da Presidência tucana, Clinton, avalista do neoliberalismo mundial, ao qual FHC aderiu sofregamente.
Estranho, de todo modo, que as autoridades brasileiras atualmente no poder atribuam importância a uma mídia disposta a desancá-las in limine e a priori para apoiar maciçamente o tucanato, com resultados tragicômicos, como se viu em 2002, 2006 e 2010. Nesta semana, a espantosa Veja registra a mudança histórica representada pelas “condenações de mensaleiros”. “O Brasil reencontra o rumo ético”, afirma, e nisto conta com a imediata concordância de Época, a global.
Simples explicar tanto regozijo: Veja e Época consideram-se pontas de lança da mídia enfim vencedora. Sem entrar no mérito da palavra errada, mensaleiros, entregam-se ao estado de graça os mesmos que silenciaram em relação ao “mensalão” tucano, das privatizações em diante. Cabe perguntar por que o Brasil não começou a mudar então.
Os políticos, em geral, ainda não entenderam que esta mídia, pronta a antecipar os veredictos do Supremo, serve exclusivamente à minoria privilegiada, a lhe repetir as frases feitas, a lhe engolir as mentiras, a acreditar em suas invenções qual fossem a própria verdade factual, sem dar-se conta, é óbvio, das omissões. E para impedir a convocação de Policarpo Jr. diretor da sucursal de Veja em Brasília, parceiro de Carlinhos Cachoeira em algumas clamorosas contravenções, destinada à apuração da CPI, basta e sobra que um representante da Abril baixe na capital federal e converse com quem de direito, habilitado a dar um jeito. Ah, sim, o famoso jeitinho brasileiro. Daí, a moral: o Brasil não é o Reino Unido, que manda para casa o senhor Murdoch.
Veja e Época celebram a mudança que lhes convém, expõem-se, contudo, a um risco. E se o Supremo tomar gosto pela fidelidade à deusa vendada e depois do processo em curso partir para outro, o julgamento das falcatruas tucanas? Os dias não têm sido luminosos para o PSDB, à vista, inclusive, da luta intestina a ser precipitada pela possível (provável?) derrota de José Serra na iminente eleição paulistana. Quem será o próximo candidato tucano à Presidência da República, o anti-Dilma? Nuvens plúmbeas estacionam no horizonte.
Desde já, CartaCapital avisa. Tão logo termine o julgamento do chamado “mensalão petista”, nossa capa vai soletrar: E AGORA VAMOS AO MENSALÃO TUCANO. Temos um excelente enredo a desenrolar. Se mudança houve, que seja.

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