ENCALHE ( Descontinuado em 05.10.2013 )

agosto 17, 2012

Mino Carta: “E a liberdade de imprensa? É a de Veja agir como bem entende.”

Que liberdade é esta?
Do PMDB dos dias de hoje, que diria o Doutor Ulysses? Digo, aquele que enfrentou os cães raivosos da ditadura, ironizou a “eleição” de Ernesto Geisel ao criar sua anticandidatura e liderou a campanha das Diretas Já. E do PDT, que diria Leonel Brizola, um dos poucos a esboçarem uma tentativa de resistência ao golpe de 1964, cassado e exilado, no retorno vigiado pelo poder ditatorial no ocaso, e ininterruptamente perseguido pela Globo? Quem ainda recorda as duas notáveis figuras tem todas as condições para imaginar o que diriam.
A CPI do caso Cachoeira acaba de escantear a convocação do jornalista Policarpo Jr., diretor da sucursal de Veja em Brasília, que por largo tempo manteve parceria criminosa com o contraventor. As provas irrefutáveis da societas sceleris apresentadas por CartaCapital na edição da semana passada não somente foram olimpicamente ignoradas pela mídia nativa, o que, de resto prevíamos, mas também não surtiram efeito algum junto à CPI. A qual, como se sabe, teria de apurar em todos os aspectos os crimes cometidos pelo talentoso Carlinhos e seus apaniguados. Entre eles, está demonstrado, Policarpo Jr.
Se as façanhas da semanal da Editora Abril não entraram na pauta da CPI é porque aqueles que nela representam PMDB e PDT são contrários à convocação do jornalista de Veja. Há precedentes para explicar. Sem justificar, é óbvio. Quando dos primeiros sinais de que Policarpo Jr. estava envolvido no entrecho criminoso, um dos filhos de Roberto Marinho foi a Brasília para um encontro com o vice-presidente da República e líder peemedebista Michel Temer. Tomava as dores de Roberto Civita, nosso Murdoch subtropical, sob a alegação de que alvejar Veja significaria mirar na mídia nativa em geral e pôr em xeque a liberdade de imprensa. Outro encontro, no mesmo período, Temer teve com o presidente-executivo da Abril, Fábio Barbosa. Cabe lembrar que fato igual não se deu nos tempos da censura dos ditadores a alguns órgãos de imprensa, quando os Marinho se relacionam com extrema cordialidade com os ministros da Justiça (Justiça?), e Veja estava sob censura feroz.
E eis que surgem as provas cabais da participação de Policarpo Jr., mas a vontade dos barões midiáticos prevalece, com a inestimável contribuição do PDT, escudado nos argumentos de um notório simpatizante das Organizações Globo, Miro Teixeira, idênticos, palavra por palavra, àqueles usados por um dos Marinho na conversa com Temer. Donde, caluda, como se nada tivesse ocorrido, de sorte a cumprir a recomendação da casa-grande: nada de encrencas, deixemos as coisas como estão. Encrencas para quem? Para a minoria privilegiada, omissa. E a liberdade de imprensa? É a de Veja agir como bem entende.
Encaro meus acabrunhados botões, e pergunto: e que diria vovô Brizola de Brizola Neto? Será que Miro Teixeira pesa mais na balança do poder do que o ministro do Trabalho? Pesa ao menos dentro do PDT, a ponto de ofender impunemente a memória do engenheiro Leonel. É a observação dos botões, sugerida como conclusão inescapável.
Confesso algo entre o desconforto e o desalento. Indignação e revolta eu experimentava durante a ditadura, hoje sobrevém a desesperança. A mídia nativa é o próprio alicerce da casa-grande. Não há, dentro do seu espaço, impresso ou não, uma única voz que se levante para pedir justiça. É o silêncio compacto da turba, enquanto os seus porta-vozes invectivam contra a corrupção, sempre e sempre petista, e desde já decidem o resultado do processo do chamado “mensalão”. Pretendem-se Catões, são piores que Catilina.
Os botões me puxam pela manga. Ah, sim, esqueci: uma voz se levanta, a do Estadão, para noticiar que Gilmar Mendes, este monstro sagrado da ciência jurídica nativa, solicita um inquérito público a respeito de CartaCapital. Motivo: a nossa denúncia da sua participação do valerioduto mineiro. Mendes diz até ter estudado na Alemanha, deveria saber, porém, que no caso o único caminho é nomear advogado e mover demanda no Penal.
Em compensação, esta semana Roberto Jefferson se tornou personagem de destaque por ter apontado no ex-presidente Lula o chefão da quadrilha. Ele mesmo, o Jefferson que no começo da história, quando já havia embolsado 4 milhões de reais despejados pelo valerioduto nos seus bolsos, cuidou de isentar o então presidente.
Nem tudo é desgraça nas pregas do momento: na terça 14, o Tribunal de Justiça de São Paulo confirmou por unanimidade a decisão de primeiro grau que reconhece como torturador o coronel Carlos Brilhante Ustra, comandante do DOI-Codi por certo período dos anos de chumbo. É a primeira vez que um órgão colegiado da Justiça brasileira afirma os crimes de um agente da ditadura civil-militar. Com isso, abre-se a porta para processos similares no Cível. A demanda movida pela família Teles, que conta com cinco torturados na masmorra do coronel Ustra, valeu-se do destemor e do saber do jurista Fábio Konder Comparato, infatigável na defesa da causa. Seu desfecho, pelo menos até agora, representa um avanço, mas a lei da anistia, condenada nas instâncias internacionais e tão limitativa das nossas aspirações democráticas, continua em vigor.
Ao cabo da semana, os botões sustentam condoídos que a casa-grande está de pé, inabalável, certa da cordialidade da senzala, como diria Sérgio Buarque de Holanda.
MINO CARTA

Marcos Coimbra, do Vox: pesquisa Datafolha sobre suposto “mensalão” foi fruto de respostas induzidas pelo instituto

O presidente do Instituto Vox Populi, Marcos Coimbra, acusou o instituto Datafolha de produzir uma pesquisa viciada sobre o julgamento do suposto “mensalão”. A pesquisa foi agitada em manchete do jornal Folha de S. Paulo no último domingo, segundo a qual 73% da população defendem cadeia para os réus.
De acordo com Marcos Coimbra, a pesquisa Datafolha “abusou de perguntas indutivas, que tendiam a conduzir os entrevistados a determinadas respostas. Como diz a literatura em língua inglesa, fornecendo-lhes ‘pistas’ sobre as respostas ‘corretas’”.
Em artigo para o jornal Correio Braziliense, intitulado “Resultados de encomenda” [ ver abaixo ], Coimbra observa que a pesquisa foi feita justamente “dez dias depois de um noticiário sistematicamente negativo — como aferiram observadores imparciais”. “[O Datafolha] Preferiu pesquisar só depois que a opinião pública tivesse sido “aquecida”. Foi à rua medir o fenômeno produzido”, disse Coimbra.
“Parecia de encomenda: embora o resultado mais relevante da pesquisa fosse mostrar que 85% dos entrevistados sabiam pouco ou nada do assunto, o que interessava [à Folha] era afirmar a existência de um desejo de punição severa. “E quem se importa com o que estabelecem as normas das boas pesquisas!”, finalizou o presidente do Vox. ( HORA DO POVO )

Resultados de encomenda
Marcos Coimbra – Correio Braziliense – 15/08/2012
Na primeira aula do curso de pesquisa de opinião, o aluno aprende as coisas básicas da profissão. Uma é ter cuidado com as perguntas indutivas.
É esse o nome que se dá às que são formuladas com um enunciado que oferece informação ao entrevistado antes que ele responda.
Há diversos tipos de indução, alguns dos quais muito comuns. Quem não conhece, por exemplo, a pergunta chamada de “voto estimulado”, feita habitualmente nas pesquisas eleitorais? Ela pede ao respondente que diga em quem votaria, tendo em mãos uma lista com o nome dos candidatos.
É claro que, assim procedendo, avalia-se coisa diferente do “voto espontâneo”.
Para diminuir o risco de que a indução conduza os entrevistados a uma resposta, recomenda-se evitar que o pesquisador leia nomes. Mesmo inadvertidamente, ele poderia sugerir alguma preferência, seja pela ordem de leitura, seja por uma possível ênfase ao falar algum nome. Daí, nas pesquisas face a face, o uso de cartões circulares, onde nenhum vem antes.
Essa cautela — e outras parecidas — decorre da necessidade de ter claro o que se mede. Sem ela, podemos confundir o significado das respostas.
Dependendo do nível de indução, o resultado da pesquisa pode apenas refletir a reação ao estímulo. Em outras palavras, nada nos diz a respeito do que as pessoas genuinamente pensam quando não estão submetidas à situação de entrevista.
Para ilustrar, tomemos um exemplo hipotético.
Vamos imaginar que alguém quer saber se as pessoas lamentaram a derrota da equipe de vôlei masculino na disputa pela medalha de ouro na Olimpíada. A forma “branda” de perguntar talvez fosse começar solicitando que dissessem se souberam do resultado e como reagiram — sem informar o placar.
Outra, de indução “pesada”, seria diferente. A pergunta viria a seguir a um enunciado do tipo “O Sr./A Sra. ficou triste ao saber que o Brasil perdeu para a Rússia, depois de liderar o jogo inteiro e precisar apenas um ponto para se sagrar campeão olímpico?”
Nessa segunda formulação, ela não somente induz um sentimento (mencionando a noção de “tristeza”), como oferece um motivo para ele (a ideia de ter estado perto de alcançar algo desejável).
É muito provável que os resultados das duas pesquisas fossem diferentes. Na primeira, teríamos a aferição da resposta espontânea — e mais real. Na segunda, a mensuração de uma reação artificialmente inflada. Em última instancia, fabricada pela própria entrevista.
É o que aconteceu com a recente pesquisa do Datafolha sobre os sentimentos da opinião pública a respeito do “mensalão” e seu julgamento.
Contrariando o que se esperaria de um instituto subordinado a um jornal, não deixa de ser curioso que decidisse fazer seu primeiro levantamento sobre o assunto 10 dias depois do início do processo no Supremo. Dez dias depois de ter sido pauta obrigatória nos órgãos da “grande imprensa”. Dez dias depois de um noticiário sistematicamente negativo — como aferiram observadores imparciais.
Preferiu pesquisar só depois que a opinião pública tivesse sido “aquecida”. Foi à rua medir o fenômeno produzido.
Não bastasse a oportunidade, a pesquisa abusou de perguntas indutivas, que tendiam a conduzir os entrevistados a determinadas respostas. Como diz a literatura em língua inglesa, fornecendo-lhes “pistas” sobre as respostas “corretas”.
Mas o mais extraordinário foi seu uso editorial, na manchete que ressaltava que a maioria desejava que os acusados fossem “condenados e presos”.
Parecia de encomenda: embora o resultado mais relevante da pesquisa fosse mostrar que 85% dos entrevistados sabiam pouco ou nada do assunto, o que interessava era afirmar a existência de um desejo de punição severa.
E quem se importa com o que estabelecem as normas das boas pesquisas!

Síria: Amigos dos EUA assumem atentado com caminhão-bomba contra missão da ONU

Terroristas a serviço dos EUA, treinados pela CIA na Turquia, atentaram contra o Lady Rose Hotel onde a equipe de observadores da ONU está hospedada.
O atentado ocorre dois dias depois da secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton afirmar que o governo no qual participa está disposto a atropelar a ONU (particularmente seu Conselho de Segurança) para atingir o presidente sírio.
O vice-ministro do Exterior da Síria, Faisal Mekdad, declarou que a explosão prova “a natureza bárbara e criminosa dos que estão atacando o governo e o povo na Síria, assim como aqueles que os apóiam na Síria e no exterior”.
Segundo a agência de notícias francesa, AFP, o Exército Livre da Síria (ELS) ao qual os EUA enviam milhões de dólares em armamentos e cujos integrantes são seus contratados e ainda treinados pela CIA.
O atentado foi a explosão de uma bomba colocada em um caminhão de combustível a 50 metros do hotel e também na vizinhança da sede da Federação dos Trabalhadores.
As notícias são de que três sírios ficaram feridos, mas os observadores não foram atingidos.
No dia 13, o chefe da Missão de Monitoramento, tenente-general Babacar Gaye, havia condenado o recente seqüestro de uma equipe de jornalistas sírios e declarou ainda que “a violência precisa ser substituída pelo diálogo entre os sírios”.
Pelo visto essas posições corretas e equilibradas desgostaram os mercenários dos EUA, que têm como único objetivo a derrubada do governo sírio com apoio externo. ( HORA DO POVO )

Julgamento no STF: Para advogado, “grande imprensa fez conluios”

O advogado Sebastião Tadeu Ferreira Reis, que defende o ex-deputado federal João Magno (PT/MG), afirmou que a “grande imprensa” fez “conluios” com pessoas que respondem a crimes para, com acusações falsas, “achincalhar a ética e a moral” dos acusados do suposto “mensalão” e, assim, “vender matérias”.
Ele criticou a cobertura da mídia golpista e defendeu o ex-ministro José Dirceu, durante sustentação oral no Supremo Tribunal Federal (STF), na última terça-feira (14). Reis citou uma revista semanária, que “só faltou acusar José Dirceu de matar a Odete Roitman e o Bin Laden”.
O advogado também citou o conto “Ali Babá e os 40 Ladrões”, ao criticar o número de acusados pela Procuradoria Geral da República, lembrando que antes, na denúncia feita pelo ex-procurador Antonio Fernando de Souza, havia 40 denunciados – mas o número caiu para 38. “O simbólico número de 40 acusados parece escolhido de encomenda”.
Sebastião Reis disse que, na denúncia apresentada agora pelo Ministério Público, existem “agudas falhas e contradições que a comprometem de forma letal”, ressaltando não haver provas que autorizem a condenação de João Magno. A defesa sustentou que seu cliente apenas recebeu dinheiro de caixa dois de seu partido.
“O mínimo que se esperava é que esse instrumento (a denúncia), que pode marcar de forma indelével o destino de um grupo de pessoas em cuja biografia não pesa nenhuma mácula, é que fosse elaborado com aguçado rigor técnico, amparado em provas e elementos fáticos capazes de emprestar-lhe um razoável grau de credibilidade e que dispensasse a todos os envolvidos, nesse imbróglio, um tratamento isonômico”, disse.
Além de Sebastião Reis, o defensor do ex-deputado Paulo Rocha (PT/PA), João dos Santos Gomes Filho, destacou ser “evidente” que os recursos repassados pelo partido, oriundos de empréstimos intermediados por Marcos Valério, eram para caixa dois de campanha. Essa prática, que consiste na arrecadação de dinheiro não declarado para gastos com campanha, é considerada crime eleitoral e não está prevista no código penal.
Na terça (14), foram apresentadas as defesas dos ex-deputados João Magno, Paulo Rocha, Professor Luizinho (PT/SP), Anita Leocádia – que era secretária de Paulo Rocha, além do ex-ministro dos Transportes, Anderson Adauto. Na quarta, falaram os advogados de José Luiz Alves – assessor de Adauto e dos publicitários Duda Mendonça e Zilmar Fernandes, encerrando a fase de defesas.
O advogado Antonio de Almeida, o Kakay, defensor dos publicitários Duda Mendonça e Zilmar Fernandes afirmou que “não existiu mensalão” e que o escândalo foi criado por Roberto Jefferson (PTB) em resposta à tentativa do ex-ministro José Dirceu de acabar com uma rede de corrupção criada pelo PTB. Na mesma sessão, teve início a leitura do voto do relator, ministro Joaquim Barbosa. ( HORA DO POVO )

Joaquim Barbosa tenta impor sua vontade, é derrotado por seus colegas e os hostiliza

E MAIS >> CACHOEIRODUTO: Miro defende que a CPMI feche os olhos para a relação de Policarpo com o crime organizado

 

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