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agosto 10, 2012

Acusadora cubana de Assange mantém antiga ligação com a CIA

Filed under: WordPress — Tags:, , , — Humberto @ 7:48 pm

A CIA financia o “ativismo” da mercenária cubana Anna Ardim, que junto à “amiga” sueca Sophia Wilén, denunciou à polícia da Suécia o fundador do Wikileaks, Julian Assange, por “crimes sexuais”. Entre os supostos “crimes” apontados pela dupla está o de Assange ter mantido relações sexuais com as duas na mesma semana – o que, na Suécia, é ilegal.
Em função desta acusação – somada à de que ele teria forçado a ter relações sem camisinha – foi decretada a prisão de Assange e desencadeada uma intensa campanha midiática com o propósito de impedir a divulgação feita pelo Wikileaks das centenas de milhares de mensagens secretas que comprovam o envolvimento das embaixadas dos EUA em ações criminosas pelo mundo afora.
As peças começaram a se encaixar com mais precisão na última terça-feira quando a rede de TV TeleSul demonstrou que Anna é mais uma “colaboradora” da CIA. Em 2010 ela já havia postado em seu blog na internet um “guia para se vingar” de alguém usando denúncias de abusos sexuais, antecipando a receita com que incriminou Assange.
O fundador do Wikileaks alerta que a armação é mais do que grosseira e faz parte de uma “campanha política” direcionada a encobrir a divulgação, gravada e documentada, das práticas do governo estadunidense e de seus aliados.
O annaardin.wordpress.com faz referências a outros blogs como Generación Y (de Yoani Sánchez) e Desde Cuba, ambos de mercenários cubanos, aponta a TeleSul. Ardin foi colaboradora da organização contrarrevolucionária “Damas de Branco”, sendo ligada ao mercenário “anticastrista” Carlos Alberto Montaner. Ela escreve para websites financiados pela USAID (agência dos Estados Unidos que, sob o pretexto de ajudar países subdesenvolvidos, financia a subversão contra governos progressistas) e controlados pela CIA, como o Misceleanas de Cuba. Montaner chegou a ser preso na Ilha nos anos 60 por trabalhar em operações de sabotagem para a CIA, tendo se asilado posteriormente na Espanha sob o regime franquista.
A “ativista feminina” está ligada ainda ao secretário geral das juventudes democrata-cristãs da Suécia, Jens Aron Modig, companheiro de viagem do dirigente das Novas Gerações do Partido Popular, Ángel Carromero, detido recentemente em Cuba após o acidente automobilístico em que morreu o dissidente cubano Osvaldo Payá, sem que ocorresse nada aos outros dois passageiros. Conforme relatos de outro dissidente, Manuel Cuesta Muroa, Anna Ardin visitou a Ilha antes de Jens Modig com os mesmos objetivos: estimular e financiar a criação de focos de oposição ao governo. ( HORA DO POVO )

Do “elefante mensalão”, o imprensalão só quis saber da tromba

Filed under: WordPress — Tags:, , , , — Humberto @ 7:39 pm

Mostrar o elefante
VLADIMIR SAFATLE*
Há várias maneiras de esconder um elefante. Uma delas é apresentando suas partes em separado. Em um dia, aparece a pata. No dia seguinte, você mostra a tromba. Passa um tempo e vem a cauda. No fim, não se mostra o elefante, mas uma sequência de partes desconectadas.
Desde o início, o mensalão foi apresentado pela grande maioria dos veículos da imprensa nacional dessa maneira. Vários se deleitaram em mostrá-lo como um caso de corrupção que deixaria evidente a maneira com que o PT, até então paladino da ética, havia assegurado maioria parlamentar na base da compra de votos e da corrupção. No entanto o mensalão era muito mais do que isso.
Na verdade, ele mostrava como a democracia brasileira só funcionava com uma grande parte de seus processos ocultados pelas sombras. O jogo ilícito de financiamento de campanha e de uso das benesses do Estado deixava evidente como nossa democracia caminhava para ser uma plutocracia, independentemente dos partidos no poder.
Como a Folha mostrou em uma entrevista antológica, o então presidente do maior partido da oposição, o senador Eduardo Azeredo, havia sido um dos idealizadores desse esquema, que, como ele mesmo afirmou, não foi usado apenas para sua campanha estadual, mas para arrecadar fundos para a campanha presidencial de seu partido.
Não por acaso, o operador chave do esquema, o publicitário Marcos Valério, já tinha várias contas de publicidade no governo FHC. Ninguém acredita que foi graças à sua competência profissional.
Ou seja, a partir do mensalão, ficou claro como o Brasil era um país no qual a característica fundamental dos escândalos de corrupção é envolver todos os grandes partidos.
Mas, em vez de essa situação nos mobilizar para exigir mudanças estruturais na política brasileira (como financiamento público de campanha, reformas que permitissem ao partido vencedor constituir mais facilmente maiorias no Congresso, proibição de contratos do Estado com agências de publicidade etc.), ela serve atualmente apenas para simpatizantes de um partido jogar nas costas do outro a conta do “maior caso de corrupção do pais”.
No entanto essa conta deve ser paga por mais gente do que os réus arrolados no caso do mensalão. O STF teria feito um serviço ao Brasil se colocasse os acusados do PT e do PSDB na mesma barra do tribunal. Que fossem todos juntos!
Desta forma, o povo brasileiro poderia ver o elefante inteiro. Com o elefante, o verdadeiro problema apareceria e a indignação com a corrupção, enfim, teria alguma utilidade concreta.

* Artigo publicado originalmente no jornal Folha de S.Paulo, em 07/08/2012.

( Extraido do BLOG da BOITEMPO )

CPI vota na terça a convocação de jornalista da revista Veja Policarpo Jr. e de procurador Roberto Gurgel

Veja e procurador-geral têm muito a falar sobre relações com Cachoeira
O presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), afirmou, ao debater com parlamentares, na quarta-feira, que colocará em votação na próxima reunião administrativa da comissão – marcada para terça-feira – o requerimento de convocação do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, e de Policarpo Jr., redator-chefe e diretor da Sucursal de Brasília da revista Veja, acusado de fazer parte de uma associação criminosa com o contraventor Carlos Cachoeira. ( HORA DO POVO )
Vital garante pôr em votação na CPI convocação de Poli e Gurgel
Presidente da comissão garantiu que vai colocar os requerimentos em votação nesta terça-feira
O presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), afirmou, ao debater com parlamentares, na quarta-feira (8), que colocará em votação na próxima reunião administrativa da comissão o requerimento de convocação de Policarpo Jr., redator-chefe e diretor da sucursal de Brasília da revista Veja, acusado de fazer parte de uma associação criminosa com o contraventor Carlinhos Cachoeira. A reunião administrativa deverá acontecer na terça-feira da semana que vem, dia 14 e agosto.
Além da decisão sobre a convocação de Policarpo, serão analisadas também a convocação do procurador-geral, Roberto Gurgel, e do dono do Grupo Abril, responsável pela publicação da revista, Roberto Civita.
A necessidade da convocação de Policarpo cresceu bastante depois que a mulher de Cachoeira, Andressa Mendonça, mostrou uma grande proximidade com o jornalista de Veja, numa tentativa de chantagear o juiz titular, Alderico Rocha Santos, da 11ª Vara Federal de Goiânia, responsável pelo processo aberto a partir da Operação Monte Carlo. Ela disse ao juiz que seu marido tinha contratado Policarpo Jr. para montar um dossiê contra o magistrado. Segundo Andressa, o dossiê seria publicado pela revista Veja, caso ele não soltasse Cachoeira. “Doutor, tenho algo muito bom para o senhor. O senhor conhece o Policarpo Júnior? (que nos áudios é tratado pela quadrilha por “Poli”). O Carlos contratou o Policarpo para fazer um dossiê contra o senhor. Se o senhor soltar o Carlos, não vamos soltar o dossiê”, disse Andressa.
Desmascarada, a revista (depois de uma semana) tentou tirar o corpo fora, alegando que não tinha nada com isso e que “não publica dossiês”, mas na mesma matéria do último fim de semana, ela não consegue negar, com a mesma ênfase, que o seu diretor, Policarpo Jr., tivesse feito o dossiê. Somente no último parágrafo de uma matéria na página 82, ela repete a conversa fiada de que as relações de Policarpo – com mais de 200 ligações telefônicas detectadas pela PF com Cachoeira e membros da quadrilha – eram apenas uma relação de jornalista e fonte.
Já o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, tão zeloso e intrépido nas acusações aos integrantes do Partido dos Trabalhadores e do governo Lula, terá que explicar por que acobertou os crimes do então senador do Dem, Demóstenes Torres, por quase um ano.
As ligações de Demóstenes e Cachoeira já haviam sido fartamente reveladas pela Operação Vegas da Polícia Federal. Não havia dúvida, como ficou provado depois, que Demóstenes era integrante da quadrilha. Mas o procurador-geral engavetou a investigação da Polícia Federal (PF), atrasando o processo contra a quadrilha. Em depoimento à CPI, o delegado da PF que comandou a Operação Vegas, Raul Alexandre Souza, disse que foram detectadas as ligações entre Cachoeira e Demóstenes e os resultados da operação e da investigação foram ignorados por Gurgel.
Alexandre Souza enviou em setembro de 2009 um pedido para que Gurgel investigasse Demóstenes Torres, por graves suspeitas de envolvimento com o esquema do contraventor. O procurador só pediu abertura de inquérito contra o senador no Supremo Tribunal Federal (STF) em 27 de março de 2012, depois que o conteúdo das ligações entre o senador e Cachoeira já havia sido revelado ao público.
A frágil explicação de Gurgel para justificar a não denúncia de Demóstenes foi que não havia indícios contra o parlamentar. O pretexto caiu por terra quando os fatos vieram à tona. Aberta a Operação Monte Carlo, ficou provado que Gurgel estava acobertando o senador goiano. Com o vazamento das ligações, Demóstenes acabou perdendo o mandato parlamentar, cassado por 56 votos dos senadores, 19 contra e 5 abstenções. Gurgel deverá comparecer à CPI para mostrar os verdadeiros motivos que o levaram a retardar as investigações contra os parlamentares envolvidos com os crimes de Cachoeira.
O debate sobre as convocações na comissão envolveu os deputados Miro Teixeira (PDT-RJ), Domingos Sávio (PSDB-MG) e o senador Fernando Collor (PTB-AL). O deputado tucano interviu para tentar evitar que o procurador fosse convocado. Segundo ele, as funções de Gurgel não aconselhavam que ele fosse convocado. Já Fernando Collor insistiu que o procurador compareça para se explicar. “Ele não pode ter o receio das perguntas que aqui serão feitas”, disse o senador. Miro Teixeira, que tem se destacado na defesa de Veja, evitou falar em favor da revista na sessão.

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Washington redigiu uma nova Constituição para a Síria

Filed under: WordPress — Tags:, , , — Humberto @ 6:33 pm

REDE VOLTAIRE
Desde Janeiro, um grupo de uma quarentena de exilados sírios reúne-se secretamente na praça da igreja de S.Luís em Berlim no edifício da Stiftung Wissenschaft und Politik [1]. Se esta fundação é financiada pelo patronato alemão, as reuniões são-no pelo departamento de estado e da defesa US. Elas são presididas por Steven Heydemann, um duplo nacional US-Israelita, que trabalhou longo tempo para a CIA [2], antes de se tornar pesquisador no Instituto Americano para a Paz. Este organismo, que providencia o enquadramento oficial das reuniões é – contrariamente ao que poderia deixar supor o seu nome—um guarda-chuva do Pentágono [3]. Não sem surpresa, o ministério suíço dos Negócios Estrangeiros está associado a este projeto.
O programa é intitulado «O dia seguinte. Apoiar uma transição democrática na Síria» [4]. No vocabulário orwelliano de Washington, «transição democrática» significa passagem do presidente eleito e plebiscitado pelo povo sírio Bachar el-Assad a um presidente escolhido pelas potências ocidentais; e a expressão «dia seguinte » designa o período seguinte ao derrube do regime sírio por estas mesmas potências ocidentais.
Enquanto que os Sírios aprovavam por referendo uma nova Constituição [5], o grupo de trabalho redigia uma outra. Ele definia também o que seria a política do futuro governo sírio. O documento final foi apresentado pela secretária de Estado US, Hillary Clinton, ao presidente do Conselho nacional sírio, Abdel Bayset Syda [6], aquando da 3ª conferência dos Amigos da Síria, a 6 de Julho, em Paris . O Sr. Syda aceitou implementar esta «ordem de serviço».

[1] O director da fundação, Volker Perthes, participou em Junho de 2008 na reunião anual do Grupo Bilderberg com Bassma Kodmani, directora da Iniciativa para a Reforma Árabe e actual porta-voz do Conselho nacional sírio.
[2] Segundo um esquema clássico, esta atividade era coberta pela Fundação Ford, pela US Information Agency e pela Freedom House.
[3] O US Institute of Peace foi criado ao mesmo tempo que o National Endowement for Democracy, do qual é o “brinco” . Nos documentos do Congresso o seu orçamento é atribuído ao Pentágono, enquanto o da NED está ligado ao departamento de Estado.
[4] “The day after: Supporting a democratic transition in Syria”
[5] «La Constitution de la République arabe syrienne 2012», ( A constituição da Republica árabe síria ) – Réseau Voltaire, 26 Fevereiro de 2012.
[6] A imprensa Ocidental adoptou o hábito de ortografar o nome do Sr. Syda juntando um «a» , como «Sayda» de modo a evitar a confusão com a doença do mesmo nome.

O Triste fim de Policarpo, Por Leandro Fortes

Na CartaCapital dessa semana há uma história dentro de uma história. A história da capa é o desfecho de uma tragédia jornalística anunciada desde que a Editora Abril decidiu, após a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002, que a revista Veja seria transformada num panfleto ideológico da extrema-direita brasileira. Abandonado o jornalismo, sobreveio a dedicação quase que exclusiva ao banditismo e ao exercício semanal de desonestidade intelectual. O resultado é o que se lê, agora, em CartaCapital: Veja era um dos pilares do esquema criminoso de Carlinhos Cachoeira. O outro era o ex-senador Demóstenes Torres, do DEM de Goiás. Sem a semanal da Abril, não haveria Cachoeira. Sem Cachoeira, não haveria essa formidável máquina de assassinar reputações recheada de publicidade, inclusive oficial.
A outra história é a de um jornalista, Policarpo Jr., que abandonou uma carreira de bom repórter para se subordinar ao que talvez tenha imaginado ser uma carreira brilhante na empresa onde foi praticamente criado. Ao se subordinar a Carlinhos Cachoeira, muitas vezes de forma incompreensível para um profissional de larga experiência, Policarpo criou na sucursal da Veja, em Brasília, um núcleo experimental do que pior se pode fazer no jornalismo. Em certo momento, instigou um jovem repórter, um garoto de apenas 23 anos, a invadir o quarto do ex-ministro José Dirceu, no Hotel Nahoum, na capital federal. Esse ato de irresponsabilidade e vandalismo, ainda obscuro no campo das intenções, foi a primeira exalação de mau cheiro desse esgoto transformado em rotina, perceptível até mesmo para quem, em nome das próprias convicções políticas, mantém-se fiel à Veja, como quem se agarra a um tronco podre na esperança de não naufragar.
A compilação e análise dos dados produzidos pela Polícia Federal em duas operações – Vegas, em 2009, e Monte Carlos, em 2012 – demonstram, agora, a seriedade dessa autodesconstrução midiática centrada na Veja, mas seguida em muitos níveis pelo resto da chamada “grande” imprensa brasileira, notadamente as Organizações Globo, Folha de S.Paulo, O Estado de S.Paulo e alguns substratos regionais de menor monta. Ao se colocar, veladamente, como grupo de ação partidária de oposição, esse setor da mídia contaminou a própria estrutura de produção de notícias, gerou uma miríade de colunistas-papagaios, a repetir as frases que lhes são sopradas dos aquários das redações, e talvez tenha provocado um dano geracional de longo prazo, a consequência mais triste: o péssimo exemplo aos novos repórteres de que jornalismo é um vale tudo, a arte da bajulação calculada, um ofício servil e de remuneração vinculada aos interesses do patrão.
A Operação Vegas, vale lembrar, foi escondida pelo procurador-geral da República Roberto Gurgel, este mesmo que por ora acusa mensaleiros no STF com base em uma denúncia basicamente moldada sobre os clichês da mídia, em especial, desta Veja sobre a qual sabemos, agora, que tipo de fontes frequentava. Na Vegas, a PF havia detecdado não somente a participação de Demóstenes Torres na quadrilha, mas também de Policarpo Jr. e da Veja. Essa informação abre uma nova perspectiva a ser explorada pela CPI do Cachoeira, resta saber se vai haver coragem para tal.
Há três meses, representantes das Organizações Globo e da Editora Abril fecharam um sórdido armistício com Michel Temer, vice-presidente da República e cacique-mor do PMDB. Pelo acordo, o noticiário daria um descanso para Dilma Rousseff em troca de jamais, em hipótese alguma, a CPI do Cachoeira convocar Policarpo Jr., ou gente maior, como Roberto Civita, dono da Abril. A fachada para essa negociata foi, como de costume, as bandeiras das liberdades de imprensa e de expressão, dois conceitos deliberadamente manipulados pela mídia para que não se compreenda nem um nem outro.
No dia 14 de agosto, terça-feira que vem, o deputado Dr. Rosinha irá ao plenário da CPI apresentar um requerimento de convocação do jornalista Policarpo Jr.. É possível, no mundo irrreal criado pela mídia e onde vivem nossos piores parlamentares, que o requerimento caia, justamente por conta do bloqueio do PMDB e dos votos dessa oposição undenista sem qualquer compromisso com a moral nem o interesse público.
Será uma chance de ouro de todos nós percebermos, enfim, quem é quem naquela comissão.
(***)
Na próxima terça-feira 14, o deputado Dr. Rosinha, do PT do Paraná, irá ao plenário da CPI do Cachoeira para fazer o que ninguém teve coragem até agora: enfrentar a mídia. Com base em um documento preparado a partir de todo o material enviado à comissão pela Polícia Federal, o parlamentar vai apresentar um requerimento de convocação do jornalista Policarpo Jr., diretor da revista Veja em Brasília. Não será um pedido qualquer. O parlamentar tem em mãos um quadro completo das ligações escusas do jornalista e da semanal da Editora Abril com a quadrilha do bicheiro Carlinhos Cachoeira. Um relicário de quase uma centena de interceptações telefônicas feitas pela Polícia Federal nas operações Vegas, de 2009, e Monte Carlo, realizada em 29 de fevereiro deste ano. A conclusão é devastadora.
Da encomenda de um grampo ilegal contra um deputado federal à subordinação da sucursal de Veja ao esquema criminoso de Cachoeira, as informações repassadas à CPI revelam uma ligação pessoal ostensiva entre o repórter e o bicheiro. A avaliação de mais de cem páginas preparada para o deputado, à qual CartaCapital teve acesso, demonstra como Cachoeira fornecia fotos, vídeos, grampos e informações privilegiadas do mundo político e empresarial ao jornalista. O bicheiro usava, sem nenhum escrúpulo, a relação íntima que mantinha com Policarpo Jr. para plantar notícias contra inimigos. Em contrapartida, a revista protegia políticos ligados a ele e deixava, simplesmente, de publicar denúncias que poderiam prejudicar os interesses da quadrilha.
As interceptações da PF provam o que a revista nega desde o primeiro momento em que teve seu nome ligado ao do bicheiro. Não se trata simplesmente do ecumênico trabalho jornalístico em busca da notícia que obriga repórteres a se relacionarem com anjos e bandidos, gregos e troianos. É algo muito mais profundo, uma ligação na qual os interesses “comerciais” do contraventor estavam umbilicalmente ligados aos interesses políticos da revista, a ponto de estimular uma cobertura seletiva e levar a publicação a promover ostensivamente um político, o senador Demóstenes Torres, que colocou seu mandato a serviço da bandidagem.( CARTA CAPITAL )

Mino Carta: “A mídia nativa não prima pela honestidade, mas Veja bate todos os recordes.”

MURDOQUIANAS
Aprendi jornalismo com meu pai, Giannino. A questão central do aprendizado dizia respeito ao compromisso moral, antes ainda que ético. Moral no sentido imanente, a transcender o momento fugidio. Neste ponto, a lição deu-se pelo exemplo, sem desperdício de palavras, pois a regra valia em todos os níveis do comportamento humano no exercício complexo da existência.
Meu pai, como muitos outros profissionais de qualidade, acreditava que jornalismo exige, em termos técnicos, quase nada de quem o pratica, ao contrário, por exemplo, da medicina. Aprende-se tudo em dois meses na redação, ou menos ainda. Um cidadão munido de algum talento para a escrita e de razoável cultura geral tem todas as condições de ser competente como jornalista, mas o compromisso moral é indispensável ao correto cumprimento da tarefa. Jornalismo implica, é fácil entender, responsabilidades imponentes.
As ideias políticas de meu pai não eram iguais às minhas, no entanto, a questão moral nos unia. Foi ele quem me ensinou, sem permitir-se ministrar lições, que a objetividade é a da máquina de escrever, hoje diria do computador. Desconfiem do jornalista que a afirma e a toda hora a proclama. Dele pretenda-se a honestidade. Jornalista honesto é aquele que conta os fatos exatamente como os viu, sem omitir aspecto algum indispensável à compreensão da audiência, na fidelidade canina à verdade factual.

O exemplo mineiro. Três capas entre novembro de 2005 e junho de 2006. As denúncias baseadas na verdade factual foram recebidas pelo retumbante silêncio midiático

Na minha visão, a mídia nativa peca de todos os pontos de vista. Ela não prima na lida com o vernáculo e pelo bom gosto. Leitores, ouvintes, espectadores dotados de espírito crítico sabem disso. Peculiares, digamos assim, são os critérios que orientam a hierarquização das informações e atrabiliários aqueles que ditam as manchetes. Às vezes pergunto aos meus perplexos botões: que farão eles se eclodir a guerra?
Os jornais são feios e mal impressos, do encontro com eles sai-se de mãos sujas. As seções de cultura destinam-se claramente a indigentes, e as colunas sociais, banidas há muitas décadas nos países civilizados, são mantidas para falar daquelas 837 inextinguíveis personagens. Comparada com a mídia de outras nações, a nativa habilita-se a inspirar sentimentos de pena em almas caridosas.
Cabe registrar, porém, algo pior, muito pior. Ao noticiar os fatos da política, ou quaisquer outros relacionados com o jogo do poder, a mídia nativa é profundamente desonesta. Desde sempre, arrisco-me a sustentar. Ou, por outra, omite, inventa, mistifica, mente, tempo adentro, certa de que nada acontece se não for notícia nos seus espaços. E tão segura na crença a ponto de se tornar vítima de si mesma ao enxergar a verdade onde não está e viver uma miragem compartilhada por quantos se abeberam à sua fonte.
O conjunto da obra está longe de ser animador. De todo modo, o assunto da reportagem de capa desta edição, a revelar as parcerias entre a revista Veja e o contraventor Cachoeira, soa-me inédito. Não recordo situação similar na história do jornalismo brasileiro. Não é que o enredo derrube meu queixo. Desta Veja nada justifica espanto, inclusive por ganhar a absoluta primazia no desrespeito à questão moral, antes ainda que ética. Que me lembre, nunca houve órgão midiático, ou jornalista, capaz de chegar tão longe.
Como haverão de reagir os barões e seus sabujos? Quando surgiram os primeiros sinais da relação Veja-Cachoeira, logo anotados por CartaCapital, fomos animadamente criticados, ou ignorados. O que, aliás, faz parte de hábitos e tradições. Sim, o Brasil não é um daqueles países onde, se o tema é importante, e válido porque baseado em fatos reais, contará com o interesse geral independentemente de quem o levantou. A mídia lhe seguirá as pegadas imediatamente.
Exemplo não muito distante, o chamado mensalão mineiro. A respeito, CartaCapital, entre novembro de 2005 e junho de 2006, publicou três reportagens de capa, acolhidas, obviamente, pelo silêncio retumbante da mídia. Diga-se que, em qualquer latitude de nossa política, o esquema de corrupção é sempre o mesmo. Não pretendo esclarecer agora as razões pelas quais aos tucanos tudo se perdoa. Observo apenas que de súbito uma ou outra coluna evoca nestes dias as mazelas cometidas sob a proteção do ex-governador Eduardo Azeredo, com a expressão arguta de quem avisa: depois não digam que não falamos disso…
A desfaçatez da turma não tem limites. E por que não falaram na hora certa? Neste exato instante, não me surpreenderei se o silêncio do abismo se fechar sobre as façanhas murdoquianas de Veja. ( CARTA CAPITAL )

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