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agosto 31, 2012

Fui derrubado por um complô entre bicheiro, Delta e Veja, diz Pagot à CPI

CPI já ouviu todos menos Policarpo
O objetivo da quadrilha era submeter DNIT para suspender fiscalização
Passando “um período triste, em que eu me sentia verdadeiramente um morto vivo, um fantasma, tenho essa brutal notícia de que um complô liderado por um contraventor e um agente de uma empresa tinham sido os responsáveis pela reportagem que gerou o afastamento e, posteriormente, a exoneração”, afirmou o ex-diretor-geral do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), Luiz Antonio Pagot, na CPI. Pagot se referia ao bicheiro Cachoeira, o diretor da Delta no Centro-Oeste, Cláudio Abreu, e o redator-chefe da “Veja”, Policarpo Junior.
HORA DO POVO
Matéria da Veja foi decisiva para a minha exoneração, disse Pagot
Ex-diretor do Dnit declarou na CPMI que sua saída foi um complô para favorecer a Delta
O ex-diretor-geral do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), Luiz Antonio Pagot, afirmou que o bicheiro Carlinhos Cachoeira e o diretor da Delta no Centro-Oeste, Cláudio Abreu, armaram um complô em conluio com a “Veja” com o objetivo de derrubá-lo da direção do órgão, por ele ter contrariado interesses da construtora em obras de vários pontos do país.
Durante depoimento à CPI do Cachoeira (CPI), na terça-feira (28), ele disse ter ficado “extremamente estarrecido com o afastamento e, depois, com a exoneração”. “Passando um período triste, em que eu me sentia verdadeiramente um morto vivo, um fantasma, tenho essa brutal notícia de que um complô liderado por um contraventor e um agente de uma empresa tinham sido os responsáveis pela reportagem que gerou o afastamento e, posteriormente, a exoneração”, assinalou.
Pagot esclareceu que foi seu currículo como tocador de obras que o fez chegar ao Dnit, convidado pelo presidente Lula. “Quando da nomeação, em 3 de outubro de 2007, [Lula] sentenciou: “Não se aflija com as adversidades. Supere a burocracia e faça as obras que o Brasil espera. Apoio você vai ter”. “Muito obrigado, presidente Lula, principalmente pelo apoio que nunca me faltou”.
OBRAS
Pagot explicou que havia irregularidades em algumas obras e a exigência do órgão em corrigir os problemas provocou o descontentamento da Delta. “Acredito que esses fatos todos, se nós agimos no interesse de preservar a qualidade das obras e o cumprimento dos compromissos, provocaram dissabores a Cláudio Abreu, o que o levou, juntamente com Cachoeira, a patrocinar uma matéria jornalística que me tirou do Dnit”, afirmou.
O ex-diretor destacou que o órgão vinha tendo alguns problemas com a empreiteira em relação à execução de obras, irregularidades que foram apontadas em vários processos levantados pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e por levantamentos feitos pela rede de controle que o governo federal tinha colocado em funcionamento.
“Então, nesses levantamentos, nesses processos, nesses inquéritos, muitas vezes, fomos informados – tivemos conhecimento dos autos – de que a empresa Delta estava com problemas. No caso, por exemplo, da BR-116 no Ceará, ela tinha subcontratado uma empreiteira local sem autorização do Dnit. E nós, obviamente, abrimos um procedimento sobre isso”, relatou.
Ele acrescentou que, na BR-104, em Pernambuco, a empresa insistia em um aditivo de preços que não foi concedido. Em outra obra, no Rio de Janeiro, o Dnit tentava retirar a Delta por descumprimento de contrato. “Tínhamos um cronograma e a empresa sempre ficava dando desculpas. O que percebemos é que havia uma postergação da empresa em entrar na obra”, disse Pagot.
O ex-diretor lembrou ainda outro episódio em Mato Grosso, no qual a empreiteira usou placas de concreto fora da especificação e aquém da medida estabelecida no projeto. Segundo Pagot, Cláudio Abreu insistia em deixar a obra como estava.
VEJA
“Veja” tinha conhecimento, desde maio de 2011, ou seja, dois meses antes de iniciar uma campanha contra o então ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, da associação entre Cachoeira e a Delta, porque o contraventor a revelou a seu redator-chefe em Brasília, Policarpo Jr. Cachoeira marcou um encontro de Policarpo Jr. com Cláudio Abreu, e depois disso começou a campanha, pois a empresa queria se livrar da fiscalização, que já tomara várias medidas para sanar as irregularidades.
As referências a Luiz Antonio Pagot aparecem em um telefonema entre Cachoeira e Cláudio Abreu, gravado pela Polícia Federal com autorização da Justiça:
Abreu: (…) Quem chamou?
Cachoeira: Policarpo, pô. (…) você lembra que eu te fiz umas perguntas do Pagot? Enfiei tudo no rabo do Pagot, aquela hora o Policarpo tava na minha frente. (…) o que eu plantei do Pagot aquela hora. Ele anotou tudo, viu. Uma beleza agora, Pagot tá fudido com ele.
Essa conversa ocorreu no dia 10 de maio. Numa conversa posterior, no dia 11 de julho, o Dadá, apontado como araponga do bicheiro, diz a Cachoeira: “Tem mais de um ano que o tal do Pagot tá no grampo”. O objetivo, claramente, era derrubar a cúpula dos Transportes para favorecer a Delta.
Foi exatamente o que “Veja” fez: no dia 2 de julho, ela colocou em sua versão online uma suposta denúncia de que no Ministério cobrava-se uma propina das empreiteiras de 4% do valor das obras e 5% das empresas de consultoria. Na edição impressa de 6 de julho, falava-se num suposto “mensalão do PR”, que seria recolhido pelo deputado Valdemar Costa Neto.
Em consequência da cruzada movida por “Veja”, toda a cúpula do Ministério dos Transportes foi exonerada, fato comemorado pelos integrantes da organização criminosa, como mostra outro grampo feito pela Polícia Federal, no dia 7 de julho de 2011, que revela o seguinte diálogo entre Cláudio e Carlos Cachoeira:
Cláudio: Ô Carlinhos, que saudade de receber um chamado seu, amigo!
Cachoeira: Aí, caiu Pagot, caiu Juquinha, caiu todo mundo.
Cláudio (risos): Falei que seu amigo é mais forte que Alden 40, uai.
Perguntado pelo relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT/MG), por que os membros da quadrilha comemoraram sua demissão do cargo, Pagot respondeu que não dava “vida boa” a empresas com contrato com o Dnit. “Acredito que era pela atuação que vinha tendo no Dnit. Não dava vida boa a nenhuma empresa, empreiteira, nenhum prestador de serviço”, disse.
REPORTAGEM
O ex-diretor ressaltou ainda que não renegava sua gestão e poderia prestar esclarecimentos, inclusive, em uma eventual CPI do Dnit. “Tinha esperança de haver uma CPI do Dnit para passar a limpo a autarquia, principalmente a gestão de que participei. O momento de minha saída, sem qualquer possibilidade de defesa, sobre o prisma de absoluto isolamento, minha presença à frente do Dnit não era necessária, deixei a autarquia sem ter medo do passado e sem negar a minha gestão.”
O deputado Glauber Braga (PSB/RJ) indagou se ele achava que o fato determinante para sua saída do ministério tinha sido a articulação entre o Cláudio Abreu e Cachoeira, disse: “O fato determinante foi a reportagem. Articularam, sai a reportagem; e pela reportagem, posteriormente, é tomada a decisão da exoneração. Então, o fato determinante foi a reportagem articulada por eles”.
O deputado Ronaldo Fonseca, do PR do Distrito Federal, defendeu a convocação do diretor da sucursal da revista Veja no DF, Policarpo Jr. “Está chegando a hora de nós votarmos o requerimento da vinda do senhor jornalista Policarpo aqui”, disse. O deputado afirmou na sua intervenção estar clarou que “o Sr. [Antonio] Pagot foi vítima de uma quadrilha, que o Ministro Alfredo Nascimento foi vitima de uma quadrilha, sim, senhores. E isso, para uma democracia, é um perigo. É um perigo isso”.
Na quarta-feira (29), foi a vez da CPMI ouvir o depoimento do ex-diretor da empresa rodoviária do governo de São Paulo (Dersa) Paulo Vieira de Souza, conhecido como “Paulo Preto”. Ele disse que a empreiteira Delta era responsável pelo lote 2 da Marginal Tietê, em depoimento na CPMI do Cachoeira, na quarta-feira (29). Ao ser perguntado sobre as irregularidades da Dersa em sua gestão, ele afirmou que “quem determina as diretrizes da estatal é o governador”, referindo-se ao ex-governador José Serra. Ele disse que houve dois aditamentos, de 24,9% cada um, nas obras de revitalização da Marginal Tietê. A obra continha quatro lotes na Marginal Tietê, e a Dersa licitou dois, uma delas ganha pela empreiteira Delta. De acordo com Paulo Souza, o contrato inicial da Delta era de R$ 172 milhões e foi para R$ 215 milhões com o aditivo. A Sobrenco, empresa que participava do mesmo consórcio, subiu o contrato de R$ 114 milhões para R$ 143 milhões.

E MAIS:
Cachoeira pediu audiência com Serra em 2009, revela gravação
Um diálogo travado em 2009, entre o bicheiro Carlinhos Cachoeira e o ex-senador cassado Demóstenes Torres, gravado pela Polícia Federal com autorização da Justiça, durante as operações Vegas e Monte Carlo, e divulgado esta semana pelo site Brasil 247, revela que o contraventor e chefe da quadrilha da jogatina pediu uma audiência com o então governador tucano de São Paulo, José Serra.
“Ocê vai tá com o Serra aí hoje?”, pergunta Cachoeira. Com naturalidade, Demóstenes diz que não. “Marca uma audiência com ele”, pede o contraventor. “Vou marcar com ele e venho aqui”, atende o ex-senador. Na conversa, Demóstenes afirma ter estado na Companhia Siderúrgica Nacional, do empresário Benjamin Steinbruch. Cachoeira faz então uma brincadeira dizendo que quem gosta muito de Steinbruch é o atual ministro da Educação, Aloizio Mercadante. Cachoeira referia-se ironicamente às notícias divulgadas na época de que Mercadante seria muito amigo de Benjamim Steinbruch. Há ainda outro diálogo em que um homem não identificado conversa com um certo Geovane, ligado ao grupo de Cachoeira, sobre o encontro com Serra.
Numa outra conversa, ainda em 2009, segundo ainda o Brasil 247, Cachoeira também liga para Demóstenes para tratar de negócios em São Paulo. O ex-senador estava no apartamento 1.105 do Hotel Meliá, no bairro do Itaim-Bibi de São Paulo. O contraventor, que fazia lobby para a Delta, pede para o senador se encontrar com um espanhol chamado Carlos Sanchez. Trata-se do chefe do Departamento de Engenharia do Metrô de Madri. Neste diálogo, Cachoeira sugere a Sanchez que entre na página da internet do Senado para reconhecer a face de Demóstenes. O espanhol, pelo tom de voz, já festeja um negócio que será “muy Bueno”. Posteriormente chegavam a São Paulo os trens espanhóis.
O atual candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo, José Serra, tentou, nesta quarta-feira (29), esquivar-se desse assunto. Sem conseguir despistar os repórteres, ele foi obrigado a dar explicações, ou melhor, a enrolar e não dar explicação nenhuma. Disse que não se lembrava de ter recebido do senador cassado Demóstenes Torres um pedido de reunião com o mafioso Carlinhos Cachoeira, preso em Brasília. Como de costume, ao invés de explicar, o tucano disse que quem gravou e divulgou o diálogo envolvendo seu nome, é que deveria ser investigado. O tucano, portanto, está acusando a Polícia Federal pelo fato de descobrir que Cachoeira pediu uma audiência com ele quando ele era governador de São Paulo.

Mulher de Cachoeira afirmou que Policarpo Jr, editor-chefe da “Veja” era empregado do contraventor, diz juiz

O juiz Alderico Rocha afirmou que Andressa Mendonça, mulher de Carlinhos Cachoeira, falou para ele que Policarpo Jr., editor-chefe da revista Veja em Brasília, foi empregado do bicheiro e recebia para fazer “serviços” para ele, informou o R7. As informações teriam sido passadas ao juiz quando Andressa o visitou na sede da Justiça Federal, em Goiânia, para pedir que o marido fosse solto.
Segundo o portal, Rocha confirmou as informações ao R7. “A sra. Andressa falou que seu marido Carlos Augusto tem como empregado o jornalista Policarpo Jr., vinculado à revista Veja, e que este teria montado um dossiê contra a minha pessoa”, afirma um trecho do ofício encaminhado pelo juiz ao Ministério Público Federal, ao qual o “Jornal da Record” teve acesso.
“Ela me perguntou se eu conhecia Policarpo, jornalista da Veja. Eu disse que não conhecia não, mas já tinha ouvido falar. Então ela disse assim: Sabia que ele trabalhou durante certo tempo para meu marido, Carlinhos? Durante um tempo o Carlinhos pagou ele para que fizesse uns serviços”, contou Rocha. ( Portal Imprensa )

agosto 30, 2012

Luiz Antônio Pagot à CPI: “Revista Veja recebeu dinheiro de Carlinhos Cachoeira para me difamar e me derrubar”

Pagot acusa a Veja. Silêncio na mídia!
Em depoimento nesta semana na CPI do Cachoeira, Luiz Antônio Pagot, ex-diretor do Dnit, afirmou com todas as letras que o mafioso bancou reportagem na revista Veja para tirá-lo do cargo. “O contraventor [Carlos Cachoeira] mais um representante da Delta [Claudio Abreu] se uniram a um jornalista [Policarpo Júnior] para me derrubar”, desabafou
ALTAMIRO BORGES
No Reino Unido, denúncias similares levaram Rupert Murdoch, imperador da mídia, ao banco de réus. No Brasil, o depoimento sequer virou notícia nos jornalões e nas emissoras de tevê.
Pagot deixou o governo em julho de 2011 em decorrência de denúncias contra o Ministério dos Transportes. Uma matéria da Veja foi o estopim da crise e da exoneração. O ex-diretor do Dnit foi acusado de superfaturar obras e receber propinas. “Foi um episódio amargo na minha vida. Sentia-me um morto vivo, um fantasma. Quando começo a me reestabelecer, tive a brutal notícia que um contraventor e um agente de uma empresa seriam os responsáveis pela reportagem que gerou o afastamento e posteriormente a exoneração”.
“Enfiei tudo no r… do Pagot”, diz Cachoeira
Questionado pelo relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG), sobre as razões desta trama, Pagot afirmou que ela ocorreu devido a sua postura diante da construtora Delta, braço da quadrilha de Cachoeira. “Era pela atuação que vinha tendo ao Dnit, não dava vida boa a nenhuma empreiteira e prestador de serviço. Era muito exigente. Penso que por isso eles patrocinaram essa matéria jornalística para me tirar do Dnit”. Ele garantiu que a sua queda foi fruto de um complô envolvendo a quadrilha de Cachoeira, a Delta e a Veja!
Gravações da Polícia Federal reforçam esta tese. Numa delas, Carlinhos Cachoeira confirma para o diretor da Delta, Claudio Abreu, que “plantou” informações na Veja para favorecer a construtora. “Enfiei tudo no r… do Pagot”, gaba-se o mafioso ao telefone. Apesar dos fortes indícios da ligação da revista com o crime organizado, nada é feito para apurar os fatos. O depoimento de Pagot sequer aparece no noticiário. Nenhuma linha, nenhuma palavra, nada nos jornalões, revistonas e emissoras de rádio e televisão.
O pacto mafioso da imprensa
De forma seletiva, a mídia pinça apenas o que interessa aos seus propósitos políticos – como a afirmação de Pagot de que participou do esquema de arrecadação de fundos para a campanha de Dilma Rousseff. Ele também disse que a Dersa, então dirigida por Paulo Preto, um dos “arrecadadores” de Serra, tentou desviar dinheiro do Dnit para a campanha tucana. Mas isto não virou manchete. Assim como as denúncias contra a revista Veja também sumiram. Desta forma, os barões da mídia mantêm o seu pacto mafioso!

Trabalho escravo em fazenda de irmão, digo, de laranja de irmão de Kátia Abreu

Filed under: WordPress — Tags:, , — Humberto @ 6:29 pm

Libertação envolve empresa de irmão da senadora Kátia Abreu
A Superintendência Regional de Trabalho e Emprego do Tocantins (SRTE/TO) libertou 56 pessoas de condições análogas à escravidão da Fazenda Água Amarela, em Araguatins (TO). A área reflorestada de eucaliptos, que também abrigava 99 fornos de carvão vegetal, estava sendo explorada pela RPC Energética. De acordo com apurações da fiscalização trabalhista, ainda que registrada em nome de um “laranja”, a empresa pertence a Paulo Alexandre Bernardes da Silva Júnior e André Luiz de Castro Abreu, irmão da senadora Kátia Abreu (PSD-TO), liderança ruralista que também é presidente da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
A reportagem é de Bianca Pyl, Guilherme Zocchio e Maurício Hashizume e publicada por Repórter Brasil, 29-08-2012.
Dedicado à extração de eucaliptos e ao carvoejamento, o grupo produzia matéria-prima para a siderúrgica Fergumar (Ferro Gusa do Maranhão Ltda.). Instalada em Açailândia (MA), a Fergumar é dona da fazenda e recebeu os 18 autos de infração lavrados na operação – que foi concluída na semana passada. Esta não é a primeira vez que a empresa foi implicada em caso de trabalho escravo.
De acordo com a fiscalização, a constatação de condições degradantes nas frentes de trabalho e nos alojamentos, servidão por dívida, jornada exaustiva e aliciamento fundamentou a caracterização do trabalho análogo à escravidão. Uma das vítimas não tinha sequer 18 anos completos, confirma o auditor fiscal do trabalho que coordenou a inspeção, Humberto Célio Pereira.
Não havia banheiros em condições de uso. Aos trabalhadores que produziam carvão, os empregadores disponibilizaram um cercado de lona com uma lata improvisada, sem fossa, como latrina. Nos barracos em obras em que dormiam, os sanitários também não funcionavam. Na prática, as vítimas acabavam utilizando o mato para realizar suas necessidades.
Faltava água potável, tanto nos barracos como junto aos fornos. O aliciamento foi verificado por meio da atuação do “gato” (intermediador de mão de obra) Maurício Sobrinho Santos, que atraiu e recrutou trabalhadores nos municípios de Vargem Grande (MG), São João Paraíso (MG) e Boa Sorte (MG), além de Açailândia (MA), cidade que abriga a própria planta da Fergumar. A promessa, como de costume, era de condições de trabalho decente, evidentemente com a perspectiva de pagamento de fartos salários.
O esquema era consumado pelo depósito de um adiantamento em dinheiro por parte do “gato” que, dessa maneira, assegurava o vínculo dos trabalhadores. Essa verba ajudava não só a pagar o transporte dos locais de origem até o Norte de Tocantins, mas também era canalizada para o sustento das famílias dos migrantes. Além do adiantamento, o “gato” mantinha também uma cantina, na qual comercializava desde ferramentas de trabalho e equipamentos de proteção individual (EPIs), como peças de motosserra e botas, até combustíveis, produtos alimentícios, bebidas alcoólicas e itens básicos para higiene pessoal. Tudo era anotado, inclusive os custos relativos às refeições diárias, para que depois fossem descontados dos respectivos vencimentos. Por conta das subtrações, os pagamentos mensais eram inferiores ao salário mínimo. Cadernos com anotações foram apreendidos.
Apenas pela passagem de ida, os trabalhadores relatam ter pago R$ 350 cada um. Não havia fornecimento condizente de EPIs. Segundo depoimento de um dos trabalhadores, as luvas furadas oferecidas pelos empregadores colocavam em risco à saúde dos trabalhadores. Três dos resgatados admitiram ter sido atacados, por exemplo, por escorpiões. No local, não havia ainda material adequado para proceder os primeiros socorros.
Os alojamentos e as frentes de trabalho foram interditados. Além de uma construção inacabada (sem portas) e abarrotada onde viviam 17 pessoas (inclusive o “gato” e sua família), imóveis despreparados localizados na área urbana de Araguatins (TO) abrigavam outras dezenas.
A rotina os trabalhadores começava às 4h da manhã, quando eles pegavam o transporte fornecido pelo empregador para a Fazenda Água Amarela. A labuta na propriedade rural começava por volta das 6h e seguia até 16h, com uma pequena pausa de 15min para o almoço. O retorno aos alojamentos só se dava depois das 17h. Quando da libertação, eles estavam trabalhando no local há cerca de três meses. O motorista do ônibus que recolhia os empregados não era habilitado e o transporte entre as frentes de trabalho era feito em caminhões e tratores de carga, de modo completamente irregular.
“Em se tratando de atividade de corte de madeira e produção de carvão, o esforço é muito maior e, portanto, o trabalho é muito mais penoso”, assinalou o coordenador da operação Humberto, da SRTE/TO.
“Laranja”
Um contrato forjado de compra de “madeira em pé” era a base da empreitada que vinha se realizando na fazenda. Pelo instrumento de fachada, a Fergumar aparecia como vendedora de matéria-prima para a RPC Energética, cujo dono seria Adenildo da Cruz Sousa. Ocorre que o mesmo Adenildo vem a ser funcionário registrado da Reflorestar Comércio Atacadista de Produtos Florestais Ltda., conforme apurou a fiscalização. Ou seja, ele desempenhava, conforme investigações da auditoria fiscal do trabalho. O papel de “laranja” dos verdadeiros donos do negócio: Paulo Alexandre Bernardes da Silva Júnior (a quem inclusive havia concedido poderes por meio de uma procuração legal) e André Luiz de Castro Abreu, servidor do Minisério Público do Trabalho (MPT) em Palmas (TO) e irmão da senadora ruralista Kátia Abreu (TO).
O mesmo Paulo Alexandre estaria, ainda de acordo com as apurações da auditoria, à frente da Reflorestar, que já constou da “lista suja” do trabalho escravo (cadastro de empregados envolvidos na exploração desse tipo de crime mantido pelo governo federal) entre 2008 e 2010, por conta de uma libertação de abril de 2007, em Dois Irmãos (TO). Além da questão do “laranja”, a inspeção constatou também que o “gato” que atuava na Fazenda Água Amarela havia sido demitido da RPC em março de 2012 e recontratado em junho, sem registro em carteira, enquanto ainda recebia o Seguro-Desemprego. A reportagem tentou contato com os responsáveis pela RPC e pela Reflorestar, mas não conseguiu parecer dos mesmos sobre o ocorrido. Também a senadora Kátia Abreu, que está temporariamente em licença médica do cargo parlamentar, não deu retorno até o fechamento desta matéria.
O recente flagrante foi motivado por uma denúncia que, após ser protocolada anteiormente em representações dos órgãos responsáveis na região, acabou chegando à Polícia Federal (PF), que encaminhou a demanda à sede da SRTE/TO na capital do Estado. Além do jovem com idade inferior a 18 anos que foi encontrado realizando tarefas insalubres e perigosas, outras quatro mulheres foram resgatadas no decorrer da operação.
A RPC pagou as verbas rescisórias à vítimas, que totalizaram mais de R$ 72 mil, mas se recusou a arcar com as despesas de retorno de migrantes vindos de outros Estados. Representante da Procuradoria Regional do Trabalho da 10ª Região (PRT-10) em Araguaína (TO) que acompanhou o início da inspeção, Alexandre Marin Ragagnin afirmou à Repórter Brasil que aguarda o relatório final da SRTE/TO, com todos os documentos e depoimentos, para tomar providências quanto a possíveis acordos ou ações judiciais. Ele confirmou o quadro grave de degradância, aliciamento e servidão por dívida.
Todo o carvão vegetal produzido na área tinha como destino a usina da siderúrgica Fergumar, que informa em seu site que escoa 80% de sua produção para os Estados Unidos da América (EUA), especialmente para grandes corporações do setor automobilístico. Todos os 18 autos de infração foram direcionados à Fergumar, que não atendeu aos pedidos de posicionamento perante o caso solicitados pela reportagem.
A Fergumar também foi incluída na “lista suja” em meados de 2007. Conseguiu, porém, uma liminar na Justiça que a retirou da relação em agosto do mesmo ano. O ingresso esteve relacionado ao resgate de 23 empregados encontrados em situação análoga à de escravo em outra carvoaria no município de Dom Eliseu (PA), que fornecia carvão vegetal para a empresa.
Com base no serviço de consulta pública, é possível verificar que a Fergumar mantém cadastro irregular junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama). A empresa teve quatro áreas embargadas em São João do Paraíso (MA), em julho de 2006, por exercer atividade potencialmente degradadora sem licença ambiental; desmatar florestas sem autorização do órgão responsável; e devastar florestas ou demais formas de vegetações de preservação permanente. ( IHU )

agosto 29, 2012

De doze e treze anos: três crianças israelitas detidas por ataque com cocktail molotov a táxi palestino

Filed under: WordPress — Tags:, , , — Humberto @ 5:55 pm

Três rapazes israelitas, entre os 12 e 13 anos, foram detidos sob suspeita de terem atacado com uma bomba incendiária um táxi onde seguia uma família palestiniana num colonato a sul de Jerusalém, na Cisjordânia, causando queimaduras graves a seis pessoas, algumas das quais permanecem hospitalizadas, dez dias passados sob o ataque.
Os suspeitos, detidos no domingo, são todos oriundos do colonato de Bat Ayin, em Gush Etzion, e as autoridades contam fazer mais detenções neste caso, que o Director-Geral da Polícia israelita, Yochanan Danino, descreveu como “grave”, considerando-o ainda uma ameaça de desestabilização da já “bastante sensível situação” naquela zona.
Danino avançou ainda que a polícia considera ter já provas suficientes para serem formalizadas as acusações e que seria pedido o prolongamento da detenção provisória dos três rapazes (dois de 12 anos e o outro de 13). Mas o advogado dos suspeitos, David Halevi, avançou por seu lado que estes deveriam ser libertados ainda nesta segunda-feira após serem interrogados.
“A polícia não tem provas cabais” para formar um caso, sustentou, citado pelo diário The Jerusalém Post. Segundo Halevi, que representa os três rapazes através da organização não governamental Honenu (a qual defende suspeitos israelitas acusados de crimes contra árabes), a “fragilidade” do caso é ilustrada pelo facto de a agência de segurança israelita Shin Bet ter já questionado aqueles suspeitos antes, pouco após o incidente, sem ter feito então nenhuma detenção.
O táxi em que seguia a família palestiniana, incluindo duas crianças, foi atacado a 16 de Agosto, tendo irrompido em chamas e capotado após ser atingido por um cocktail molotov.
Este incidente, que foi condenado pelo primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, assim como pelo Departamento de Estado norte-americano, ocorreu horas apenas antes de um grupo de jovens israelitas – muitos com não mais que 13 anos – terem espancado um adolescente palestiniano no centro de Jerusalém, o qual ficou em estado crítico. A ocorrência deste tipo de ataques, que se têm repetido com regularidade nos últimos meses, está a relançar na sociedade israelita o debate sobre o racismo e os valores morais dos jovens no país. ( PUBLICO )

Com criminoso de guerra não: Desmond Tutu boicota conferência com Tony Blair

Filed under: WordPress — Tags:, , — Humberto @ 5:25 pm

O arcebispo sul-africano Desmond Tutu recusou participar numa conferência sobre liderança em protesto contra a presença do ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair entre os oradores, anunciou o Prémio Nobel da Paz em comunicado emitido na Cidade do Cabo.
“O arcebispo passou uma quantidade considerável de tempo nos últimos dias a batalhar com a sua consciência e a escutar opiniões de conselheiros de confiança relativamente à sua participação nesta conferência. O arcebispo tem a convicção de que a decisão do senhor Blair de apoiar a invasão norte-americana do Iraque, feita com base em alegações não-provadas da existência de armas de destruição em massa no Iraque é moralmente indefensável”, refere o comunicado.
Concluindo ser “inapropriado” para Tutu partilhar uma plataforma com Blair, o seu gabinete lamenta qualquer inconveniência e desapontamento que possa causar aos organizadores e participantes na “Discovery Invest Leadership Summit”, que deverá ter início quinta-feira em Sandton, Joanesburgo.
Blair será um dos oradores na conferência, que contará, entre outros, também com o ativista russo Garry Kasparov.
O partido de inspiração islâmica Al Jama-ah anunciou já que irá realizar uma manifestação nas proximidades do centro de conferências de Sandton no dia em que Blair se dirigir aos delegados, durante a qual pedirá a emissão de um mandado de captura contra o ex-primeiro-ministro britânico “pela invasão do Iraque que levou ao assassínio de milhões de iraquianos”. ( DN )

Por crimes de guerra: manifestantes queriam prender Condoleezza Rice durante Convenção Republicana

A polícia de Tampa, cidade norte-americana onde se está a realizar a convenção do partido republicano, impediu hoje cerca de uma dúzia de originais manifestantes de entrarem num evento com a antiga secretária de Estado da administração Bush. Tudo porque tencionavam prendê-la por crimes de guerra.
As protestantes do grupo Code Pink (Código Rosa, em português) tinham consigo algemas e vários cartazes em que pediam a sua prisão e acusam de crimes de guerra, pois era secretária de Estado quando começou a guerra do Iraque.
No entanto, a polícia disse-lhes que tinham de abandonar o local, pois encontravam-se em propriedade privada. O grupo acatou as ordens, mas já anunciou que irá tentar prender outros elementos que fizeram parte da administração de George W. Bush. ( DN )

Por que defendemos o WikiLeaks e Assange

Filed under: WordPress — Tags:, , , — Humberto @ 4:50 pm

Por
MICHAEL MOORE E OLIVER STONE*

Passamos as nossas carreiras de cineastas sustentando que a mídia norte-americana é frequentemente incapaz de informar os cidadãos sobre as piores ações do nosso governo. Portanto, ficamos profundamente gratos pelas realizações do WikiLeaks, e aplaudimos a decisão do Equador de garantir asilo diplomático a seu fundador, Julian Assange – que agora vive na embaixada equatoriana em Londres.
O Equador agiu de acordo com importantes princípios dos direitos humanos internacionais. E nada poderia demonstrar quão apropriada foi a sua ação quanto a ameaça do governo britânico, de violar um princípio sagrado das relações diplomáticas e invadir a embaixada para prender Assange.
Desde sua fundação, o WikiLeaks revelou documentos como o filme “Assassinato Colateral”, que mostra a matança aparentemente indiscriminada de civis de Bagdá por um helicóptero Apache, dos Estados Unidos; além de detalhes minuciosos sobre a face verdadeira das guerras contra o Iraque e Afeganistão; a conspiração entre os Estados Unidos e a ditadura do Iêmen, para esconder a nossa responsabilidade sobre os bombardeios no país; a pressão do governo Obama para que outras nações não processem, por tortura, oficiais da era-Bush; e muito mais.
Como era de prever, foi feroz a resposta daqueles que preferem que os norte-americanos não saibam dessas coisas. Líderes dos dois partidos chamaram Assange de “terrorista tecnológico”. E a senadora Dianne Feinstein, democrata da Califórnia que lidera o Comitê do Senado sobre Inteligência, exigiu que ele fosse processado pela Lei de Espionagem. A maioria dos norte-americanos, britânicos e suecos não sabe que a Suécia não acusou formalmente Assange por nenhum crime. Ao invés disso, emitiu um mandado de prisão para interrogá-lo sobre as acusações de agressão sexual em 2010.
Todas essas acusações devem ser cuidadosamente investigadas antes que Assange vá para um país que o tire do alcance do sistema judiciário sueco. Mas são os governos britânico e sueco que atrapalham a investigação, não Assange.
As autoridades suecas sempre viajaram para outros países para fazer interrogatórios quando necessário, e o fundador do WikiLeaks deixou clara a sua disposição de ser interrogado em Londres. Além disso, o governo equatoriano fez uma oferta direta à Suécia, permitindo que Assange seja interrogado dentro de sua embaixada em Londres. Estocolmo recusou as duas propostas.
Assange também se comprometeu a viajar para a Suécia imediatamente, caso o governo sueco garanta que não irá extraditá-lo para os Estados Unidos. As autoridades suecas não mostraram interesse em explorar essa proposta, e o ministro de Relações Exteriores, Carl Bildt, declarou inequivocamente a um consultor jurídico de Assange e do WikiLeaks que a Suécia não vai oferecer essa garantia. O governo britânico também teria, de acordo com tratados internacionais, o direito de prevenir a reextradição de Assange da Suécia para os Estados Unidos, mas recusou-se igualmente a garantir que usaria esse poder. As tentativas do Equador para facilitar esse acordo entre os dois governos foram rejeitadas.
Em conjunto, as ações dos governos britânico e sueco sugerem que sua agenda real é levar Assange à Suécia. Por conta de tratados e outras considerações, ele provavelmente poderia ser mais facilmente extraditado de lá para os Estados Unidos. Assange tem todas as razões para temer esses desdobramentos. O Departamento de Justiça recentemente confirmou que continua a investigar o WikiLeaks, e os documentos do governo australiano de fevereiro passado, recém-divulgados afirmam que “a investigação dos Estados Unidos sobre a possível conduta criminosa de Assange está em curso há mais de um ano”. O próprio WikiLeaks publicou emails da Stratfor, uma corporação privada de inteligência, segundo os quais um júri já ouviu uma acusação sigilosa contra Assange. E a história indica que a Suécia iria ceder a qualquer pressão dos Estados Unidos para entregar Assange. Em 2001, o governo sueco entregou à CIA dois egípcios que pediam asilo. A agência norte-americana entregou-os ao regime de Mubarak, que os torturou.
Se Assange for extraditado para os Estados Unidos, as consequências repercutirão por anos, em todo o mundo. Assange não é cidadão norte-americano, e nenhuma de suas ações aconteceu em solo norte-americano. Se Washington puder processar um jornalista nessas circunstâncias, os governos da Rússia ou da China poderão, pela mesma lógica, exigir que repórteres estrangeiros em qualquer lugar do mundo sejam extraditados por violar as suas leis. Criar esse precedente deveria preocupar profundamente a todos, admiradores do WikiLeaks ou não.
Invocamos os povos britânico e sueco a exigir que os seus governos respondam a algumas questões básicas. Por que razão as autoridades suecas se recusam a interrogar Assange em Londres? E por que nenhum dos dois governos pode prometer que Assange não será extraditado para os Estados Unidos? Os cidadãos britânicos e suecos têm uma rara oportunidade de tomar uma posição pela liberdade de expressão, em nome de todo o mundo.

*cineastas norte-americanos

HORA DO POVO

Deputado adverte CPI a não encobrir crimes de Veja & Cachoeira

Fernando Ferro estranha “pacto de silêncio”
“Não se pode proteger delinquência jornalística praticada em parceria com o crime organizado”
Em discurso no plenário da Câmara Federal, na terça-feira, o deputado Fernando Ferro (PT-PE) revelou seu “estranha-mento” com o “pacto de silêncio” na CPMI do Cachoeira para convocar o diretor da revista Veja, Policarpo Júnior, flagrado pela Polícia Federal em conluio com Cachoeira e a máfia da jogatina. “Sob o discurso de liberdade de imprensa, vemos uma proteção a uma delinquência jornalística, em parceria com o crime organizado. Não há outro nome”, denunciou o deputado.
HORA DO POVO
Acobertar Policarpo é que fere a liberdade de imprensa, diz Ferro
Deputado condena “proteção a uma delinquência jornalística, em parceria com o crime organizado” e cobra da CPMI do Cachoeira que o convoque
Em discurso no plenário da Câmara Federal, na terça-feira (21), o deputado Fernando Ferro (PT-PE) revelou seu “estranhamento” com o “pacto de silêncio” na CPMI do Cachoeira para convocar o diretor da revista Veja, Policarpo Júnior, flagrado pela Polícia Federal em conluio com Cachoeira e a máfia da jogatina. “Sob o discurso de liberdade de imprensa, vemos uma proteção a uma delinquência jornalística, em parceria com o crime organizado. Não há outro nome”, denunciou o deputado.
Para Fernando Ferro, “as recentes informações dando conta de que a namorada do Sr. Carlos Cachoeira ameaçou um juiz com um dossiê produzido pelo jornalista Policarpo Junior revelam a extensão do problema e a ousadia desse grupo mafioso”. “Sim, porque é uma prática da máfia, de grupos criminosos, perigosos e altamente articulados a feitura de dossiês para chantagear juízes – dossiês produzidos por jornalistas a serviço de criminosos, como o Sr. Carlos Cachoeira”, acrescentou.
O deputado conclamou os parlamentares da CPMI a investigarem as íntimas ligações de Policarpo Júnior com Cachoeira e a máfia da contravenção goiana. “Apelo, então, para os parlamentares que participam da CPMI no sentido de que convoquem o Sr. Policarpo e o Grupo Abril, para que falem sobre suas relações com Carlinhos Cachoeira. Isso será muito bom para a democracia e para desmascarar certo tipo de jornalismo que faz associação com o crime organizado para promover dossiês, ameaças e escândalos, como temos visto ocorrer neste país”, disse. O requerimento seria apresentado pelo deputado Dr. Rosinha (PT-PR) depois da elaboração de um extenso relatório mostrando detalhes da associação criminosa de Policarpo com Cachoeira.
Em reunião reservada de petistas e peemedebistas, realizada na casa do líder do PT, Jilmar Tatto, na semana passada, tentou-se chegar a um acordo para que a comissão convocasse Policarpo Jr., mas, por interferência direta de Michel Temer, vice-presidente da República, a bancada peemedebista recusou-se a apoiar a convocação. Em discurso, Jilmar Tatto reafirmou sua opinião de que a comissão tem a obrigação de convocar o jornalista, “que usou sua profissão e a revista para se aliar ao crime organizado e prejudicar seus alvos, como o deputado Jovair Arantes [PTB-GO]”. Tatto se referia às revelações, feitas pela revista Carta Capital, de que Policarpo Jr. foi flagrado pela Polícia Federal “encomendando” a Cachoeira um grampo sobre o deputado da base governista.
“Tenho fé que essa comissão vai convocá-lo [Policarpo], para que explique sua relação com o crime organizado, com Carlinhos Cachoeira, com o ex-senador Demóstenes. Portanto, espero com muita paciência. Espero que nós não tenhamos medo. Tivemos coragem de convocar senadores. Espero que não tenhamos medo de convocar um jornalista, ou melhor, um pseudojornalista”, salientou Tatto.
Fernando Ferro fez uma advertência de que esse “silêncio” pode gerar outra dúvida: “Será que existem deputados ou senadores da CPMI ameaçados por dossiês do Cachoeira?”. Para o deputado, ao se recusarem a convocar Policarpo, “eles estão dando claramente sinais de que ou têm medo ou são cúmplices desses delinquentes”. Na avaliação de Ferro, isso é extremamente preocupante. “Sugiro ao presidente da CPMI que inquira, que pergunte se está havendo alguma chantagem contra algum desses parlamentares”, completou.
O deputado pernambucano lembrou que, por muito menos, na Inglaterra foi aberto um processo que culminou no fechamento de um jornal de grande expressão daquela nação devido a problemas de espionagem política patrocinada por esquemas que utilizaram jornalistas.
Apesar das provas comprometendo Policarpo com a quadrilha de Cachoeira, a comissão priorizou outros requerimentos apresentados durante o encontro – como a reconvocação do bicheiro e a quebra dos sigilos fiscal, bancário e telefônicos de Andressa Mendonça, mulher do contraventor. A cúpula da polícia de Goiás – delegada-geral da Polícia Civil do estado, Adriana Sauthier Accorsi, e o comandate-geral da Polícia Militar, Edson Costa Araújo – também foram convocados.
O silêncio dos integrantes da quadrilha, convocados para depoimento à CPMI do Cachoeira, e a blindagem feita em torno de Policarpo Jr, reforçou a tese sustentada pela procuradora Léa Batista da existência de um “código de silêncio” que protege a organização. “A quadrilha age de forma articulada e unitária, onde ninguém entrega ninguém e todos são protegidos pelo chefe Carlos Cachoeira”, enfatizou o relator da CPMI, deputado Odair Cunha (PT-MG).
Nesta terça-feira (28), a CPMI deverá ouvir os depoimentos do ex-diretor do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), Antonio Pagot. Ele foi uma das vítimas de dossiê de Cachoeira e Policarpo. A revista Veja publicou matérias contra o ex-diretor que resultaram na sua demissão. Áudios da PF gravados com autorização da Justiça mostram Cachoeira comemorando a saída de Pagot e outros dirigentes do Ministério dos Transportes. Além disso, o bicheiro admite que articulou com Policarpo os ataques ao ex-diretor do Dnit.
Segundo Pagot, os ataques a ele eram uma retaliação por ter cobrado da Delta o cumprimento dos contratos assinados com o órgão. Na quarta-feira (29), deverá ser ouvido o dono da empreiteira Delta, Fernando Cavendish.

agosto 25, 2012

Controladas pelos EUA, agências de notícias uniformizam desinformação

Filed under: WordPress — Tags:, , , , — Humberto @ 7:33 pm

Conglomerados agridem a nossa soberania política e econômica”, alerta vice-presidente da Federação Internacional dos Jornalistas
LEONARDO SEVERO, DE MONTEVIDÉU
“Querem nos manter desunidos, atentando contra nossa soberania política e econômica”, alerta o vice-presidente da Federação Internacional dos Jornalistas, Gustavo Granero
O vice-presidente da Federação Internacional de Jornalistas, Gustavo Granero, defendeu segunda-feira (20), durante Seminário de Comunicação da Confederação Sindical dos Trabalhadores das Américas (CSA), em Montevidéu, o fortalecimento de redes entre as centrais para combater a “uniformização da desinformação realizada pelas agências de notícias em função dos interesses dos Estados Unidos”.
De acordo com Granero, o investimento do movimento sindical nos seus próprios instrumentos e na conformação de redes é essencial para a democratização da comunicação, um debate público que envolve o conjunto dos países da América Latina neste momento, essencial para o aprofundamento da democracia em nossas sociedades e, consequentemente, para a garantia de direitos e avanço das conquistas da classe trabalhadora.
“Há uma reprodução sistemática de notícias dos grupos hegemônicos estadunidenses, das multinacionais e do sistema financeiro, uma coordenação estratégica para reproduzir o mais amplamente possível uma ideologia desinformativa. O objetivo dessa uniformização do discurso é nos manter desunidos, atentando contra a soberania política e econômica dos nossos países, alinhados pela retirada de direitos dos trabalhadores”, acrescentou.
SIP & CIA
Esta ação manipuladora e desagregadora dos grandes conglomerados privados de comunicação em função dos interesses dos Estados Unidos é histórica, esclareceu, tendo ganho maior envergadura com a fundação da Sociedade Interamericana de Prensa (SIP) em 1942. “Um agente da CIA foi o primeiro presidente da SIP. Foi através dela que cometeram os maiores crimes, como a Operação Condor, que prendeu, torturou, assassinou milhares de lutadores sociais. Foi através da SIP que os governos pró-EUA censuraram o continente”, lembrou.
Granero citou o exemplo de seu país, a Argentina, onde os grupos Clarin e La Nación, que controlam os dois principais jornais, fizeram uma aliança e formaram uma agência de notícias onde cada artigo e reportagem tem uma “classificação, com prioridades”. E de que forma conseguiam que os demais veículos – jornais, emissoras de rádio e televisão – reproduzissem este conteúdo, apontado como estratégico para martelar dia e noite determinadas “verdades”? “Ao reproduzir as notícias prioritárias, os meios de comunicação ganhavam um abono, um desconto no valor que tinham de pagar. Se era um jornal, como tinham o monopólio do papel, garantiam um preço mais barato. São instrumentos que utilizaram para padronizar a informação”, disse.
Em contraposição à lógica da alienação para o cifrão, vários governos nacionalistas, democráticos e populares, estão promovendo debates e estimulando processos para que o conjunto da sociedade se aproprie do tema. “Naturalmente, os donos da mídia apontam estes processos de democratização, como na Argentina e no Equador, como ataques à liberdade de expressão, pois atinge em cheio aos seus interesses. Daí a relevância e a necessidade de maior envolvimento do conjunto dos movimentos sindical e social para estimular o avanço e impedir o retrocesso”, ressaltou. ( HORA DO POVO )

Procuradora depõe e relata a proximidade entre Policarpo da Veja e o chefe do crime organizado

Em depoimento na terça-feira à CPMI do Cachoeira, a procuradora da República que trabalhou na Operação Monte Carlo, Lea Batista, confirmou a proximidade encontrada entre o redator-chefe da Veja, Policarpo Jr, e Cachoeira.
HORA DO POVO
Procuradora confirma que investigações indicaram proximidade de Policarpo com Carlinhos Cachoeira
Em depoimento na terça-feira (21) à CPMI do Cachoeira, procuradores disseram que a “máfia” tinha proximidade com Policarpo Júnior, diretor e chefe da sucursal da revista Veja em Brasília. A procuradora da República que trabalhou na Operação Monte Carlo, Lea Batista, confirmou que as investigações sobre a organização criminosa apontaram a proximidade entre ele e o chefe da quadrilha. “As investigações indicam alguma proximidade sim”, disse ela. “Indicam vários contatos do chefe da organização com o jornalista”, acrescentou.
Os procuradores da República em Goiás, Léa Batista de Oliveira e Daniel Rezende, reafirmaram que a organização criminosa tem caráter mafioso e cooptou agentes do Estado para manter suas atividades. “O certo é que a operação revelou uma máfia, uma sociedade bem estruturada, mais lucrativa que uma grande empresa. Um grupo profissionalizado, estável, permanente e habitual, montado para o cometimento de crimes de natureza grave. A sua existência por mais de uma década foi suficiente para montar uma estrutura estável e entranhada no seio do Estado”, disse Léa Batista.
“Uma organização criminosa armada, complexa e com característica mafiosa. O principal traço dessa organização é o código do silêncio orquestrado. A postura dessa organização criminosa, decorrente de um código de silêncio, é típico das organizações criminosas com objetivo de escudar a organização e seus membros. O código está bem claro aqui na CPI e na Justiça Federal”’, acrescentou a procuradora.
Léa Batista relatou também que foi vítima de algumas tentativas de intimidação e indicou que apenas ações de repressão aos lucros da organização criminosa poderão desmantelar a quadrilha.
A procuradora disse que recebeu e-mails anônimos com ameaças e que, no fim do mês passado, uma mulher tentou entrar no apartamento dela às 5h45m, mas foi barrada pelo porteiro do prédio. Além disso, ainda segundo a procuradora, o carro que ela usa foi marcado com tinta spray, levantando a suspeita de que poderia ser alvo de um atentado.

Wikileaks: Diogo Mainardi, da Veja, era “informante” da embaixada americana e vislumbrava “chapa dos sonhos” Serra-Marina Silva em 2010

Filed under: WordPress — Tags:, , , , — Humberto @ 7:12 pm

WikiLeaks revela Diogo Mainardi como fonte para o consulado dos EUA
Documento vazado pelo WikiLeaks revela que Diogo Mainardi, colunista da Veja, e Merval Pereira, colunista de O Globo, serviram de fonte política para o cônsul dos EUA no Rio de Janeiro durante as eleições de 2010.
De acordo com o documento, Mainardi escreveu uma coluna para a revista propondo a chapa Serra-Marina após almoço com o então pré-candidato à presidência, José Serra (PSDB), no dia 12 de janeiro de 2010. Durante a conversa, o tucano teria dito que Marina Silva seria “a companheira de chapa dos sonhos”. À época, ainda se especulava qual seria o candidato à vice-presidência junto com Serra e o nome da candidata do PV e de Aécio Neves (PSDB) eram especulados.
Ainda segundo o documento, intitulado “Telegrama 10RIODEJANEIRO32”, o colunista do jornal O Globo se reuniu com o cônsul no dia 21 de janeiro de 2010, quando disse ter tido uma conversa na véspera com Aécio Neves, que disse estar “firmemente comprometido” a ajudar Serra, inclusive integrando sua chapa.
Segundo Rodrigo Vianna em seu blog Escrivinhador, o documento foi enviado com exclusividade para um grupo de blogs.  
Trechos do documento vazado pelo WikiLeaks
24) CABLEGATE DE HEARNE
246840/ 2/2/2010 19:13/ 10RIODEJANEIRO32/ Consulate Rio De Janeiro/ NCLASSIFIED//FOR OFFICIAL USE ONLY
Excertos dos itens “não classificados/para uso exclusivamente oficial” do telegrama 10RIODEJANEIRO32.
A íntegra do telegrama não está disponível.
ASSUNTO: Ideias sobre possíveis candidatos a vice-presidente para José Serra
RESUMO. 1. (SBU) Observadores políticos e atores do PSDB no país entendem que há possibilidade de candidato do PSDB à presidência (na dianteira, nas pesquisas de intenção de voto) convidar a candidata Marina Silva, do Partido Verde, para sua chapa, como vice-presidente. Embora pareça pouco provável, nesse ponto, que Marina Silva aceite esse papel, muitos creem que, pelo menos, ela apoiará Serra num eventual segundo turno contra a candidata do PT Dilma Rousseff. Apesar de a hipótese Marina não estar descartada, analistas do PSDB veem, como cenário mais provável, que o governador de Minas Gerais, Aecio Neves (PSDB) venha a completar a chapa com Serra, como candidato à vice-presidência, apesar de Neves já ter declarado publicamente que concorrerá ao Senado. Mas, com a vantagem de Serra encolhendo nas pesquisas recentes, ressurge a especulação de que Serra possa renunciar a favor de Neves como candidato do PSDB. Até aqui, Serra é o candidato mais provável, e muitos dos nossos interlocutores declararam que uma chapa Serra-Neves seria o melhor caminho para Serra enfrentar com chances de sucesso os esforços do presidente para traduzir sua popularidade pessoal em votos para Dilma Rousseff, na sucessão. FIM DO RESUMO.
NO RIO, ANALISTAS DISCUTEM ALTERNATIVAS PARA A VICE-PRESIDÊNCIA
2. (SBU) Em almoço privado dia 12 de janeiro, o importante colunista político da revista Veja Diogo Mainardi disse ao cônsul dos EUA no Rio de Janeiro que a recente coluna [de Mainardi] na qual propõe o nome de Marina Silva como vice-presidente na chapa de Serra foi baseada em conversa entre Serra e Mainardi, na qual Serra dissera que Marina Silva seria a “companheira de chapa de seus sonhos”.
Naquela conversa com Mainardi, Serra expôs as mesmas vantagens que, depois, Mainardi listou em sua coluna: a história de vida de Marina e as impecáveis credenciais de militante da esquerda, que contrabalançariam a atração pessoal que Lula exerce sobre os pobres no Brasil, e poriam Dilma Rouseff (PT) em desvantagem na esquerda, ao mesmo tempo em que ajudariam Serra a superar o peso da associação com o governo de Fernando Henrique Cardoso que Dilma espera usar como ponto de lança de ataque em sua campanha. Apesar disso, Mainardi não acredita que Marina associe-se a Serra, porque está interessada em fixar sua própria credibilidade, concorrendo, ela mesma, à presidência. Mas Mainardi disse que crê – como também Serra – que Marina Silva pode bem vir a apoiar Serra num eventual segundo turno contra Dilma.
3. (SBU) Em plano mais realista, Mainardi disse ao cônsul que o governador de Minas Gerais Aecio Neves dissera a Mainardi, no início desse mês, que Neves permanecia “completamente aberto” à possibilidade de concorrer como candidato a vice, na chapa de José Serra. (Nota: Dia 17/12/2009, Neves declarou oficialmente encerrada a discussão sobre sua pré-candidatura à presidência e mostrou interessem em concorrer como vice-presidente [referido em outro telegrama. FIM DA NOTA).
Apesar das declarações públicas de que concorrerá ao Senado, Mainardi disse que Neves planeja esperar um cenário no qual o PSDB, talvez à altura do mês de março, convide Neves para compor a chapa, com vistas a aumentar a chance do partido contra Dilma. As ambições pessoais de Neves e seu desejo, intimamente ligado àquelas ambições, de não atrapalhar o PSDB nas próximas eleições, levariam Neves a compor a chapa, ao lado de Serra – na opinião de Mainardi.É a mesma opinião de Merval Pereira, colunista do jornal O Globo, o maior do Rio de Janeiro, que se reuniu com o Cônsul dia 21/1. Pereira disse ao cônsul que tivera uma conversa com Neves na véspera, na qual Neves dissera estar “firmemente comprometido” a ajudar Serra fosse como fosse, inclusive como vice-presidente, na mesma chapa.
Na opinião de Merval Pereira, uma chapa Serra-Neves venceria. Pereira disse também acreditar que não só Neves aceitará a vice-presidente de Serra, mas, também, que Marina Silva também apoiaria Serra num eventual segundo turno (…). ( PORTAL IMPRENSA )

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