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maio 18, 2012

Veja atacou ministro para atender pedido do bicheiro sabendo que era lóbi pró-Delta


Modo de agir é típico de associação criminosa
Contrariei esse grupo, afirmou o ex-ministro Alfredo Nascimento
A “Veja” sabia, pelo menos desde o dia 10 de maio de 2011 – dois meses antes de sua campanha contra a cúpula do Ministério dos Transportes para beneficiar a Delta – da associação de Cachoeira com a empreiteira. O próprio Cachoeira revelou isso, nesse dia, a Policarpo Jr., redator-chefe da revista. Foi através de Cachoeira que Policarpo encontrou com Cláudio Abreu, diretor da Delta, depois do que a campanha contra o então ministro, senador Alfredo Nascimento, e seus auxiliares foi deflagrada, através de uma matéria na qual não havia sequer um denunciante – tudo é atribuído a “empreiteiros”, “empresários” ou “parlamentares” sem nome.
Veja armou contra Nascimento com Cachoeira e diretor da Delta
Campanha da revista para derrubar ministro dos Transportes teve início após encontro marcado pelo bicheiro entre Policarpo Jr. e Cláudio Abreu
A quem aproveita o crime? A campanha contra o então ministro dos Transportes, senador Alfredo Nascimento, perpetrada pela “Veja” em julho do ano passado, beneficiou a empreiteira Delta e seu associado Carlos Cachoeira.
A Delta queria se livrar da fiscalização do Ministério dos Transportes, que já tomara várias medidas para sanar irregularidades:,
1) O Ministério, através do DNIT, abrira um processo administrativo contra a Delta, porque esta, sem autorização, subcontratara outra empresa na recuperação da BR-116, no Ceará.
2) A Delta fora obrigada a repavimentar um trecho da BR-163, em Mato Grosso, porque, em sua obra original, a espessura do concreto era menor que a prevista no contrato.
3) A Delta, contra o edital, atrasara o início das obras na BR-101, no Rio de Janeiro, sem apresentar justificativa.
4) A Delta, líder de um dos consórcios que vencera a licitação, queria aumentar o preço nas obras na BR-060, em Goiás, o que era negado pelo Ministério.
“Veja” sabia, desde maio de 2011 – portanto, dois meses antes de começar sua campanha – da associação entre Cachoeira e a Delta, porque o contraventor a revelou ao redator-chefe de “Veja”, Policarpo Jr. (o “Poli”, “PJ” ou “JR”, como a quadrilha o chamava). Cachoeira marcou um encontro de Policarpo Jr. com Cláudio Abreu, diretor da Delta, e depois disso começou a campanha contra Nascimento e a cúpula do Ministério dos Transportes.
Em uma das gravações feitas pela Polícia Federal, Cachoeira diz: “Eu sou a Delta”. O assunto é algo sem importância – um patrocínio futebolístico –, mas ele não estava muito distante da realidade.
Nas gravações que conseguimos ouvir, ou ler a transcrição, a Delta é mencionada 387 vezes. Mas ainda faltam mais 32 volumes do inquérito e a maior parte das gravações anexadas (a Operação Vegas gravou 60 mil horas de conversas do bando; a Operação Monte Carlo, 250 mil horas). Cachoeira era tão íntimo da Delta, comparecendo quase diariamente aos seus escritórios, que os delegados da PF anotaram: “Será que Carlinhos teria sala dentro da Delta?” (cf. pág. 73, apenso 02, volume 1, Op. Monte Carlo, Auto Circunstanciado De Encontros Fortuitos, DPF/SRDF).
No dia 10 de maio, Cachoeira comunicou ao diretor da Delta, Cláudio Abreu, sua conversa com Policarpo Jr., da “Veja”. O assunto era a edição da revista, três dias antes, em que o ex-ministro José Dirceu era acusado de ser o responsável pela expansão dos negócios da Delta. Policarpo queria que Cachoeira arrumasse ou fabricasse provas para o que a “Veja”, no dia 07, publicara sem nenhuma prova. Mas Cachoeira estava associado à Delta. A transcrição abaixo é uma síntese:
Abreu: (…) cê falou pro Policarpo?
Cachoeira: (…) Rapaz, falei: “vocês erraram, Zé Dirceu não tava”. [Policarpo responde:] “Tem sim e eu tô atrás de uma coisa só, ô Carlin, é… teve uma reunião em Itajubá do Fernando [Cavendish, dono da Delta] com o Zé Dirceu e o Arruda, os três juntos,viu? Itajubá. Foi aí que fechou para Delta entrar em Brasília. Foi pedido. O Zé Dirceu pediu para o Arruda para o Fernando entrar em Brasília”.
(…)
Cachoeira: (…) [Policarpo] perguntou se tinha fita, a história que tá lá na Veja, sabe até o local que foi (…) gravado dando dinheiro vivo. Eu falei: “Ô Policarpo, você acredita mesmo nisso?” Ele: “acredito”. Então, “pelos meus filhos eu to falando pro cê, não existiu essa reunião, esqueça, esqueça”.
(…)
Cachoeira: Eu falei [para Policarpo]: “inclusive vou te apresentar depois, Policarpo, o Cláudio eu sou amigo”. Eu falei que era amigo do cê de infância. “Então, ele trabalha na sua empresa”, falou assim, “vai me contar que você tem ligação com ele”. Sabia de tudo. “Eu não vou esconder nada de você não, Policarpo, o Cláudio é meu irmão, rapaz”. (…). Aí ele virou e falou assim: “(…) Cê me garante?” Eu: “garanto, rapaz”. Você confia nele? “Confio”.
São trechos bastante claros. Cachoeira fala de sua ligação com a Delta, através de Abreu, Policarpo, que “sabia de tudo”, retruca: “vai me contar que você tem ligação com ele”. Cachoeira responde: “Eu não vou esconder nada de você não, Policarpo, o Cláudio é meu irmão, rapaz”.
Há mais uma coisa interessante nesse telefonema: as referências a Luiz Antonio Pagot, então diretor-geral do DNIT, principal órgão do Ministério dos Transportes:
Abreu: (…) Quem chamou?
Cachoeira: Policarpo, pô. (…) você lembra que eu te fiz umas perguntas do Pagot? Enfiei tudo no rabo do Pagot, aquela hora o Policarpo tava na minha frente. (…) o que eu plantei do Pagot aquela hora. Ele anotou tudo, viu. Uma beleza agora, Pagot tá fudido com ele.
Portanto, Policarpo sabia da associação entre a Delta e Cachoeira, sabia da hostilidade destes em relação à cúpula do Ministério dos Transportes e sabia que estava tratando com um contraventor. Era muito fácil, inclusive, saber o motivo dessa hostilidade. Essa conversa foi no dia 10 de maio, dois meses antes de começar a campanha contra o Ministério dos Transportes. Numa conversa posterior, no dia 11 de julho, o notório Dadá diz a Cachoeira: “Tem mais de um ano que o tal do Pagot tá no grampo”. O objetivo, claramente, era derrubar a cúpula dos Transportes para favorecer a Delta.
Foi exatamente o que “Veja” fez: no dia 2 de julho, ela colocou em sua versão online uma suposta denúncia de que no Ministério cobrava-se uma propina das empreiteiras de 4% do valor das obras e 5% das empresas de consultoria. Na edição impressa de 6 de julho, falava-se num suposto “mensalão do PR”, que seria recolhido pelo deputado Valdemar Costa Neto.
Estranhamente, não havia denunciantes – tudo é atribuído a “parlamentares, assessores presidenciais, policiais e empresários, consultores e empreiteiros”, sem um nome, um único nome, sequer. Por exemplo: “’um parlamentar da direção do PR me disse que ele [Luiz Tito Barbosa, assessor do ministro] agora é o caixa oficial. Não é mais para pagar nada diretamente a deputados ou senadores. Os envelopes seguem direto para ele’, diz um empreiteiro”.
Que parlamentar? Que empreiteiro?
Outro trecho: “’O Mauro [Barbosa, secretário-executivo do Ministério] é o dono da chave do cofre, e o Luiz Tito o cara da mala’, explicou um empresário”.
Que empresário?
Ninguém.
Além disso, nem Nascimento nem Pagot eram ligados ao deputado Valdemar Costa Neto. Do último nem mesmo pode-se dizer que suas relações com Costa Neto fossem amistosas.
Em suma, “Veja” fabricou uma denúncia sem denunciantes – sabendo que a saída de Nascimento do Ministério iria beneficiar a Delta, que estava sob investigação, e também de sua parceria com Cachoeira – até porque ela somente confeccionou essa difamação depois que Cachoeira apresentou Policarpo Jr. a Cláudio Abreu.
CARLOS LOPES / HORA DO POVO
CPMI exige que Gurgel esclareça congelamento do inquérito da PF
A CPI do Cachoeira decidiu, na terça-feira (15), enviar um pedido formal de esclarecimentos ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, sobre os motivos que o levaram a não pedir a abertura de inquérito para apurar as relações do bicheiro Carlinhos Cachoeira com políticos e agentes de grandes empresas, após o recebimento dos inquéritos das operações Vegas e Monte Carlo.
Na semana passada, o delegado federal Raul Alexandre Marques de Souza, responsável pela Operação Vegas, afirmou em depoimento à CPI que Gurgel e sua mulher, a subprocuradora Cláudia Sampaio, tinham informações sobre o envolvimento de políticos com o contraventor, entre eles o senador Demóstenes Torres (ex-DEM, agora sem partido/GO), desde setembro de 2009.
O requerimento do relator, deputado Odair Cunha (PT/MG), lista cinco perguntas, que o procurador terá que responder no prazo de cinco dias úteis. Os parlamentares querem saber em que circunstâncias chegaram os autos da Operação Vegas à procuradoria; quando os dados chegaram; quais as providências adotadas diante dos indícios levantados pela Polícia Federal; em que data e em quais circunstâncias a PGR teve conhecimento da Operação Monte Carlo; e que providências foram tomadas.
Convidado a prestar depoimento no início do trabalho da CPI, o procurador se negou a comparecer. O relator informou que, caso as informações não sejam prestadas ou não sejam suficientes, nada impede que o requerimento de convocação do procurador seja votado na próxima semana pela CPI.
“A CPI não pode não conhecer oficialmente a versão da PGR”, afirmou Odair Cunha. O relator frisou que a procuradoria não está sendo investigada, e sim a quadrilha de Cachoeira, mas afirmou que é preciso criar uma mecanismo formal de comunicação entre a PGR e a CPI.
Depoimento do bicheiro é remarcado para dia 22
Os integrantes da CPI do Cachoeira decidiram na terça-feira (15), de forma unânime, reconvocar o Carlinhos Cachoeira para prestar depoimento na próxima terça-feira, dia 22. O depoimento do bicheiro – investigado por comandar uma organização criminosa vinculada com políticos, empresas e autoridades públicas – estava previsto para a última terça-feira (15), mas foi suspenso por liminar do Supremo Tribunal Federal (STF).
A liminar foi concedida pelo ministro Celso de Mello, na segunda-feira (14), por considerar que o fato de os advogados do contraventor não terem obtido acesso às provas produzidas contra Cachoeira poderia configurar cerceamento de defesa. Por precaução, o ministro optou por suspender o depoimento.
Como Celso Mello havia admitido que a liminar que suspendeu o depoimento perderia o objeto, caso os advogados tivessem acesso aos dados, os parlamentares da CPI liberaram os documentos para a defesa do bicheiro na terça-feira. Na quarta (16), o gabinete do ministro foi notificado da medida pela CPI.
Associação Nacional apoia delegados das operações Vegas e Monte Carlo
A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) divulgou, no dia 16, nota em defesa [ LER AQUI ] dos delegados responsáveis pelas operações Vegas e Monte Carlo, Raul Alexandre Marques Sousa e Matheus Mela, onde “reafirma a idoneidade dos delegados” e “ressalta o trabalho técnico da Polícia Federal, que em respeito ao devido processo legal realiza investigações criminais, dentro do inquérito policial, sempre observando os ditames constitucionais”.
A entidade reitera que “o enfrentamento à corrupção e ao crime organizado é tarefa que compete a ambas as instituições – MP e Polícia Federal” e afirma que “a sociedade brasileira espera que essas instituições trabalhem de maneira irmanadas, com respeito mútuo as suas respectivas atribuições constitucionais”.
Na segunda-feira (14), o Departamento de Polícia Federal contestou, por meio de nota, as informações da subprocuradoria da República de que o inquérito sobre Carlinhos Cachoeira foi arquivado a pedido do delegado Raul Alexandre Marque de Souza. Segundo a PF, “o delegado Raul Alexandre não pediu à subprocuradora Cláudia Sampaio, mulher do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, o arquivamento ou o não envio da Operação Vegas ao STF”.

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