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maio 16, 2012

Gurgel engavetou o inquérito da PF contra Cachoeira para blindar gang


PF desmente que pediu para adiar denúncia
Desculpa de não enviar o caso ao STF em 2009 por uma “estratégia de investigação” ruiu
Apesar de amplas evidências envolvendo o contraventor Cachoeira e o senador Demóstenes Torres em ilícitos, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, disse que não viu indício nenhum dos crimes apontados pelo relatório da Polícia Federal, resultante da Operação Vegas, em 2009, e por isso não pediu abertura de processo. A Polícia Federal, em nota divulgada na segunda-feira, desmentiu a alegação do procurador, de que a PF teria pedido para que o inquérito fosse arquivado.
HORA DO POVO
Procurador conhecia crimes de Demóstenes desde 2009
Deixou a quadrilha agindo solta por um ano
O Procurador Geral da República, Roberto Gurgel, está tendo muitas dificuldades para explicar por que não tomou as medidas normais que deveria tomar ao receber, em 2009, das mãos do delegado Raul Alexandre Marque de Souza, o Inquérito da Polícia Federal, resultante da Operação Vegas. Se ele achasse que não havia indícios de crime envolvendo o senador Demóstenes Torres, deveria, segundo opiniões de juristas como Wálter Maierovitch, arquivar ou solicitar novas investigações. Não fez nem uma coisa nem outra. Apenas sentou em cima do inquérito por mais de um ano, deixando a quadrilha e seu senador livres para continuarem agindo impunemente.
As primeiras justificativas do procurador estão saindo pior do que a encomenda. Segundo Gurgel, sua decisão fazia parte de uma “estratégia de investigação”. Ou seja, já que as investigações prosseguiriam, ele não entregaria o inquérito ao STF para não atrapalhá-las. Só que ele recebeu o inquérito com denúncias gravíssimas contra Cachoeira e Demóstenes em setembro de 2009 e não pediu nenhuma nova investigação. Elas só foram abertas em setembro de 2010, e não por sua iniciativa, mas por solicitação da Promotoria de Justiça da cidade de Valparaíso, em Goiás, que redundou na Operação Monte Carlo. Ou seja, se dependesse de Gurgel, não haveria investigação nenhuma.
Ao argumentar que havia a tal “estratégia de investigação”, Gurgel chegou a mentir, afirmando que teria havido escutas da PF em junho de 2010. Essa versão do procurador, de que não podia atrapalhar as investigações em curso, inicialmente chegou a confundir até membros do Supremo Tribunal Federal (STF). Os ministros Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa, do STF, acreditando nela, manifestaram apoio ao procurador. “Não há porque convocá-lo para explicar sobre as suas atribuições, que são constitucionais, são legais”, disse Barbosa. “Evidente que a procuradoria pode ter a sua estratégia em relação a qualquer tema”, afirmou Gilmar Mendes. “Está descambando para o lado pessoal. Não é bom”, emendou o ministro Marco Aurélio Mello, embarcando na canoa do procurador.
Só que não havia estratégia nenhuma de investigação em andamento. Apenas em setembro de 2010 teve início a Operação Monte Carlo, e mesmo assim, não por iniciativa de Gurgel, mas da Promotoria de Justiça de Valparaíso. As tais escutas de junho de 2010 às quais se referia o procurador, ocorridas entre Cachoeira e Cláudio Abreu, aconteceram, na verdade, em junho de 2011 e não em 2010. Não havia, portanto, investigação nenhuma em andamento em 2010 que justificasse o engavetamento do inquérito. O país precisa saber que motivos reais levaram Gurgel a engavetar as investigações por quase um ano. A CPMI do Cachoeira quer ouvi-lo sobre isso.
A outra versão, apresentada pelo procurador, através de sua mulher, a subprocuradora Cláudia Sampaio, de que não havia indícios suficientes de crime no inquérito da PF resultante da Operação Vegas, se desmoralizou completamente com os relatos das barbaridades cometidas por Cachoeira, Demóstenes e Perillo, feitos na semana passada, pelo delegado Raul Alexandre, responsável pela operação, à CPMI.
Aliás, se fosse verdade essa versão de que não havia indícios de crimes, a decisão a ser tomada era arquivar o inquérito ou solicitar novas diligências. Ele não fez nada disso. Engavetou. E, a outra desculpa, inventada logo em seguida pela subprocuradora para tentar limpar a barra do marido, saiu pior ainda. Ela disse que recebeu um pedido da Polícia Federal para que não fosse feita abertura de processo judicial. A Polícia Federal desmentiu essa versão.
Acuado por ter sido flagrado colocando na geladeira, desde 2009, as graves denúncias referentes ao inquérito policial nascido com a Operação Vegas, e sem conseguir justificar seu estranho comportamento, o Procurador partiu para agressões. Disse que está sendo “atacado por réus do mensalão”. Acrescentou que os ataques recebidos são de autoria dos que estão “morrendo de medo do julgamento do mensalão”. Só que é toda a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira que quer investigar os motivos de Gurgel sentar em cima das denúncias.
Os integrantes da comissão e a sociedade querem que ele esclareça por que só tomou providências às pressas quando as notícias dos crimes de Demóstenes, Policarpo e Cachoeira já tinham chegado à torcida do Flamengo.
Delegado confirma na CPI relação de Policarpo e Cachoeira
O deputado federal Paulo Teixeira (PT/SP), integrante da CPI do Cachoeira, afirmou que o depoimento do delegado Matheus Mella Rodrigues mostrou que o diretor da revista Veja em Brasília, Policarpo Jr., sabia da relação do contraventor com o senador Demóstenes Torres (ex-DEM/GO). O delegado coordenou a Operação Monte Carlo da Polícia Federal, que resultou na prisão do bicheiro, no fim de fevereiro. “O delegado falou que só na operação dele foram 42 ligações com o Policarpo. Isso mostra uma intensidade inaceitável e uma promiscuidade nessa relação. Ele [Policarpo] sabia que era um órgão criminoso, era basicamente espionagem política. O delegado disse que o Policarpo sabia que o Demóstenes tinha relação com essa quadrilha, o que é de grande valia, porque, sabendo que o Demóstenes tinha relação com a quadrilha, a Veja não podia ter feito o que fez com o Demóstenes, ter endeusado ele”, afirmou Teixeira.
Paulo Teixeira lembrou que foram sete anos de parceria entre Policarpo e a quadrilha de Carlinhos Cachoeira, que mantinham uma relação que “não era apenas de fonte, passou a ser uma relação digamos assim de cumplicidade”. “O Policarpo obtinha informações da organização que eram fruto de espionagem política. Em contrapartida, a Veja dava notícias que interessavam à organização criminosa”, disse.
“A Veja, via Policarpo, conseguia as informações que lhe interessava, que eram obtidas através de espionagem política… Ao mesmo tempo, a Veja dava à organização o que ela pedia. Por exemplo, a organização estava com dificuldades no Dnit, porque ali os interesses da Delta estavam sendo contrariados. A revista então fez a matéria que derrubou o ministro dos Transportes e o superintendente do Dnit”, ressaltou.
Ele assinalou que o diretor de Veja “extrapolou a sua atividade profissional” e ficou muito além do que é permitido. “Liberdade de imprensa não é liberdade de prática criminosa. Liberdade de imprensa é uma luta pela liberdade e não pela prática do ilícito”, frisou.
O deputado citou ainda que, em 2005, Policarpo foi depor numa Comissão de Ética sobre o caso do deputado André Luiz e disse que o deputado tinha tentado extorquir Cachoeira. “O Policarpo apresentou inclusive gravações, o que demonstra que, de longa data, que ele conhecia a atividade que o Cachoeira tinha. Foi um casamento de longa duração que só acaba agora, espero eu, com a elucidação desses fatos”, acrescentou.
Quadrilha armou minha saída, diz ex-ministro do Transporte
O ex-ministro dos Transportes, senador Alfredo Nascimento, afirmou, em entrevista ao programa Nosso Encontro, da TV A Crítica, no último fim de semana, que sua saída do governo foi consequência da atuação da quadrilha de Carlos Cachoeira junto com a revista Veja. Nascimento saiu do cargo após denúncia plantada por Cachoeira e Policarpo Jr. na revista que acusava sua administração de irregularidades. A Operação Monte Carlo da Polícia Federal flagrou telefonemas de Cachoeira com a revista comprovando a ação orquestrada da quadrilha para derrubá-lo e à sua equipe.
“No Ministério dos Transportes eu tomei algumas atitudes, não conhecia Cachoeira, nunca tinha ouvido falar nele, nem sabia da existência desse grande esquema. Eu tomei algumas atitudes que feriram de morte esse grupo, essa quadrilha”, afirmou Nascimento. Ele conta que, na época, “a presidenta Dilma perguntou se eu tinha lido o que tinha saído na Veja”. Eu disse que não, mas depois eu li, e vi que faziam a acusações. Falava-se de fontes. “A ‘fonte’ era o Cachoeira”. “Quem montou tudo foi o Cachoeira, através da revista Veja. Tem mais de 200 ligações de Cachoeira com a Veja, montando pautas da revista. Discutindo capas. Cachoeira interferia indiretamente na revista Veja”, acrescentou.
Nascimento explicou que pediu à presidenta para sair porque as acusações plantadas por Cachoeira tiveram repercussão. “A Rede Globo ficou 26 dias me chamando de ladrão e eu não podia me defender”, afirmou o ex-ministro. “Se eu continuasse no cargo eu ia ficar sangrando sem direito de defesa. Pedi para sair”, acrescentou. “Quando eu saí, fui até o Ministério Público e abri meu sigilo fiscal, bancário e telefônico e pedi para ser investigado. Fui à Polícia Federal e também pedi para ser investigado”, disse Alfredo Nascimento.
Em nota, PF contesta pedido de arquivamento da Operação Vegas
A Polícia Federal (PF) informou nesta segunda-feira (14), por meio de nota, que não houve qualquer pedido feito à subprocuradora da República, Cláudia Sampaio, a respeito da Operação Vegas, que investigou as atividades ilegais do empresário Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira. No documento, a PF contestou as informações prestadas pela subprocuradora de que o inquérito teria sido arquivado a pedido do delegado Raul Alexandre Marque de Sousa, que conduziu as investigações.
“O delegado Raul Alexandre não pediu à subprocuradora Cláudia Sampaio, mulher do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, o arquivamento ou o não envio da Operação Vegas ao STF”, diz a nota, que detalha os encontros ocorridos entre o delegado e Cláudia Sampaio.
“Ocorreram três reuniões entre o delegado Raul Alexandre Marques Sousa e a subprocuradora da República Cláudia Sampaio. As duas primeiras tiveram como objetivo a apresentação da operação policial e o encaminhamento dos autos à subprocuradora. O último encontro se deu em outubro, quando a subprocuradora informou não haver elementos suficientes para a instauração de investigação no STF e que opinaria pelo retorno dos autos ao juízo de primeiro grau”, prosseguiu a PF.
“A Polícia Federal encaminhou os autos da Operação Vegas à PGR em setembro de 2009 a partir de decisão do juiz federal de Anápolis/GO para que fosse avaliado, pelo juízo competente, o conteúdo da investigação, cujos fatos se relacionavam com pessoas que possuíam prerrogativa de função”, diz a nota. Ainda de acordo com a PF, a Operação Vegas teve início em março de 2008 por causa de um “vazamento de informações sobre a deflagração de uma operação policial e da tentativa de cooptação de um policial federal da superintendência regional em Goiás por membros de organização criminosa”.
Para Humberto Costa, foco é a relação promíscua da Veja
O senador Humberto Costa (PT/PE) afirmou que o motivo invocado pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, para não depor na CPI do Cachoeira é “tergiversação, é cortina de fumaça, cujo objetivo, isto sim, é tentar desviar as atenções da questão Cachoeira e suas relações promíscuas”. O procurador tem alegado que sua convocação é uma estratégia para desviar a atenção do suposto mensalão.
O senador ressaltou que Gurgel tem adotado uma postura equivocada, até porque não foi ele que apresentou a denúncia em relação ao caso, que está em vias de ser discutido no Supremo Tribunal Federal (STF). “Foi o que o antecedeu”, observou, lembrando que o papel do atual procurador-geral agora é de meramente fazer a sustentação da denúncia junto ao STF.
“O problema é que, a cada momento que passa, surgem novos fatos, e a gente observa ter havido algum tipo de desídia, de falta de empenho do procurador-geral, no sentido de dar seguimento às denúncias que foram feitas pela operação Vegas”, acrescentou.
Ele também rebateu as ilações de que petistas e aliados teriam decidido que o foco da CPI seria a mídia. “Há um órgão de imprensa que pode ter tido relações promíscuas com o criminoso e ter feito, inclusive, troca de interesses com esse criminoso. Esse órgão de imprensa, naturalmente, para tentar se proteger está buscando inclusive a solidariedade dos demais. Tentando transformar um problema que é das suas relações políticas como se fosse um problema da mídia, ou um problema do Brasil, o que não é verdade”, disse em relação à Veja e Cachoeira.

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