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maio 9, 2012

Comissão dá início a processo para cassar mosqueteiro da Veja


Relator vota pela abertura imediata
Com todo cinismo que o diabo lhe vendeu, Veja alega que apesar de saber que Cachoeira era um criminoso mantinha com ele relação estreita porque era uma “fonte”.
Mas as gravações da Polícia Federal revelam que a revista estava farta de saber que Demóstenes era o representante-mor da quadrilha no Senado.
Por que então a revista promoveu o ex-líder do Dem a “mosqueteiro da ética”? Que tipo de informações a “fonte” fornecia a Veja para que ela apresentasse a seus leitores, deliberadamente, bandidos como se fossem mocinhos?
São explicações que só mesmo o Policarpo Jr. (diretor da sucursal de Brasília) ou Sr. Bob Civita (dono da revista) podem fornecer à CPMI.
Resistir a prestar os esclarecimentos somente prova o quanto é difícil apagar os rastros e o odor de uma associação criminosa quando tantos indícios e evidências apontam para isso.
Para relator, Demóstenes usou o mandato para atos escusos
Senador Humberto Costa propõe abertura de processo para avaliar a cassação de Demóstenes
O senador Humberto Costa (PT/PE), relator da representa ção contra o senador Demóstenes Torres (ex-líder do Dem, atualmente sem partido-GO) no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Casa, propôs a abertura de processo de cassação do seu mandato por quebra de decoro parlamentar, em razão do envolvimento com os negócios escusos do bicheiro Carlinhos Cachoeira, atualmente preso na penitenciária da Papuda, em Brasília.
As operações Vegas e Monte Carlo, da Polícia Federal, flagraram inúmeras conversas entre Demóstenes e Cachoeira. No relatório preliminar, apresentado na quinta-feira passada (3), Humberto Costa acolheu a representação encaminhada ao conselho pelo Psol, reconhecendo que há indícios da prática de diversos atos ilícitos narrados na peça inicial, que sujeitam Demóstenes à perda do mandato.
O relator ressaltou que, não apenas pelos fatos divulgados na imprensa, “que não se pretende aqui adotar como base de decisão, mas, sobretudo, por fatos confirmados pelo próprio parlamentar”, é notória a existência de uma relação “muito além de simples relacionamento de amizade” entre Demóstenes Torres e a quadrilha do contraventor.
Humberto Costa sublinhou que o senador goiano confirmou ter recebido de Cachoeira, como presente de casamento, uma geladeira e um fogão importados; o celular-rádio da Nextel, habilitado nos Estados Unidos; que trocou “centenas” de telefonemas com o contraventor, já durante o exercício do mandato; admitiu terem sido feitas “milhares” de referências ao seu nome em diálogos entre Cachoeira e terceiros; além da conversa com o bicheiro em que trata do pagamento do aluguel de uma aeronave.
Apontou que o discurso proferido por Demóstenes em sua defesa, dia 6 de março passado, “apresenta inevitáveis contradições, tanto porque a afirmação de militância contrária à legalização dos jogos de azar se mostra uma inverdade, verificada no curso de sua atuação parlamentar”. O relator transcreveu trechos de um discurso do senador no início do seu primeiro mandato, em junho de 2003, além de fatos divulgados posteriormente que evidenciam suas relações com o contraventor.
Humberto Costa destaca que o senador goiano tem posição favorável aos jogos de azar. “Não se trata de conjecturas ou interpretações, é o que está literalmente escrito”, observou Costa, ressaltando que a postura adotada pelo senador é colocada em xeque pela sucessão de fatos. “Tudo leva a crer que Sua Excelência se contradiz e teria faltado com a verdade perante seus Pares”, afirmou.
Usando um diálogo, gravado em 22 de abril de 2009, no qual o contraventor tratou com o senador da tramitação do Projeto de Lei nº 7.228, de 2002, que se encontra na Câmara dos Deputados (PLS nº 51, de 2002), relacionado aos jogos de azar, Humberto Consta chega a desdenhar do saber jurídico de Demóstenes. Ele lembra que o senador, que alegou desconhecer atividades ilegais de Cachoeira, alerta-o de que o texto iria prejudicá-lo, porque transformaria em crime o que, hoje, é contravenção penal.
“Certamente, aos membros desta Casa terá causado algum espanto ter reconhecido, nos noticiários de rádio e TV, a voz do representado advertindo Cachoeira do risco que correria: ‘Inclusive te pega!’. Igual estupefação, creio, terá causado ao Senado as lições de processo legislativo dadas, em resposta, pelo contraventor: – Não, regulariza, sim, uai. Tem a 4-A e a 4-B. Foi votada na Comissão de Constituição e Justiça, teria dito Cachoeira”, comenta.
Na verdade, explica o relator, o que se verifica é que o senador teria se reportado a um substitutivo constante do parecer da Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados, lavrado em 28 de abril de 2004, enquanto o contraventor, mais atualizado, teria se referido ao parecer da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, aprovado em 2 de dezembro daquele mesmo ano.
Nesta altura, não resta mais a Demóstenes a opção de renunciar ao mandato para escapar do processo de cassação e resguardar, assim, os seus direitos políticos. É o que estabelece a Lei da Ficha Limpa, sancionada no ano passado. Pela norma, após a representação por quebra de decoro parlamentar ser protocolada, não há mais a possibilidade de o acusado livrar-se dos efeitos do processo de cassação.
Veja sabia da posição de Demóstenes na quadrilha
A Rede Record levou ao ar no último fim de semana, em seu programa “Domingo Espetacular”, uma extensa reportagem detalhando a associação da revista Veja com a quadrilha comandada pelo contraventor Carlos Cachoeira. A reportagem, com 16 minutos de duração, mostrou várias situações em que a revista Veja chafurda na bandidagem ao lado de Cachoeira e seu bando, além de promover a badalação do “mosqueteiro” Demóstenes Torres, braço político da organização criminosa.
Veja sabia do papel de Demóstenes na quadrilha e fazia uma desavergonhada apologia do senador como “paladino da moralidade”. Ou seja, não é porque Cachoeira era uma boa “fonte”, como alega Veja, ela deu espaço a Demóstenes porque sabia que o senador do Dem era da turma do contraventor e tinha interesses na associação criminosa.
Numa das conversas sobre um esquema em Goiás, Cachoeira fala com Demóstenes: “E aí doutor, novidade?”, Demóstenes responde: “Poli me ligou dizendo que vai estourar o diretor geral (…)”. Eles estavam armando para cima de um grupo goiano. Num outro, Cachoeira conta a Demóstenes que seu capanga, Jairo Martins, entregou uma fita a Policarpo com imagens do hotel onde José Dirceu se hospedava em Brasília. A ideia era difamar Dirceu como articulador da queda de Palocci.
Fitas gravadas pela Polícia Federal, e mostradas logo no início da matéria da Record, Carlos Cachoeira aparece afirmando a um comparsa que “o Policarpo confia muito em mim, viu”. O repórter da Record explica que Cachoeira abastecia Policarpo, que nesta época era diretor da sucursal da Veja em Brasília, com “denúncias” e depois falava disso com parceiros de negócios, como era o caso de Claudio Abreu, diretor executivo da empreiteira Delta, que também está preso.
Numa conversa com Claudio Abreu, Cachoeira pergunta: “Esteve com o Policarpo aí?”
Claudio responde: “Cara, show de bola, bicho…achei que ele ia me dar um beijo”. A Record lembra que várias matérias de capa da Veja, cinco, segundo a reportagem, foram fruto de versões plantadas por Cachoeira. O repórter ressalta ainda que, fora as capas, muitas matérias internas da revista foram municiadas com informações da quadrilha.
O locutor mostra que Cachoeira comemorava as matérias emplacadas na revista, como nessa conversa com o diretor da Delta onde ele festeja a demissão de integrantes do Ministério dos Transportes, após Veja publicar uma matéria plantada por ele. Cachoeira: “Então, a reportagem saiu e ela (Dilma) mandou afastar todo mundo?”. Claudio: “Já mandou afastar todo mundo”. Carlos Cachoeira, segundo o repórter da Record, favorecia a empresa Delta.
No ano passado a Delta se desentendeu com a cúpula do Ministério dos Transportes e teria partido para o ataque. Cachoeira ligou para Policarpo e colocou em contato com o diretor da Delta, Claudio Abreu, que passou informações para a revista. Depois que saiu a matéria e a cúpula do Ministério foi demitida, eles fizeram a comemoração descrita acima onde Claudio disse que Policarpo quase lhe deu um beijo. Cachoeira pergunta a Claudio se Policarpo gostou da dica. Claudio responde: “Prá caramba, né, amigo? Fonte, né? Você é uma fonte de primeira”.
Depois que a presidenta Dilma demitiu vários funcionários do Ministério dos Transportes, Cachoeira e Claudio comentaram: “Você chegou a ler a matéria deles, não?, perguntou Cláudio. “Não, foi boa?”, pergunta Cachoeira. “Agora, as 15h e 12 min a presidente Dilma Rousseff convoca o ministro dos Transportes e manda afastar todos os citados na reportagem da Veja”, fala Claudio, debochadamente, imitando uma locução, soltando uma gargalhada. Em outra gravação Cachoeira diz que plantou matéria de Luiz Antônio Pagot, diretor do Denit. “Ele anotou tudo, viu? Agora o Pagot está fudido (sic) com ele”, diz Cachoeira.
Depois de mostrar também a armação contra o ex-ministro José Dirceu, a reportagem conclui que a CPMI terá que investigar toda essa relação suspeita e promíscua entre a Veja e a quadrilha de Cachoeira. Vários entrevistados, entre eles o professor da USP, Laurindo Leal, e o presidente da Federação Nacional dos Jornalistas, Celso Schröder, condenaram a atuação de Policarpo e da revista Veja. O deputado Fernando Ferro (PT-PE) cobrou que, não só Policarpo, mas também o dono da revista, Roberto Civita, seja convocado pela CPMI.
Relação de Veja com contraventor vai ser apurada, diz relator da CPMI
Diante das provas cada vez mais evidentes, reveladas pelas escutas feitas pela Polícia Federal e autorizadas pela Justiça, das ligações do jornalista da revista Veja, Policarpo Jr, com o criminoso Carlinhos Cachoeira, o relator da CPMI, deputado Odair Cunha (PT-MG) afirmou que vai convocar o jornalista para depor. “Nós vamos investigar o desvio de conduta de alguns membros da imprensa”, garantiu o parlamentar. “Não só o senhor Policarpo, mas qualquer pessoa que tenha servido, que tenha sido cooptado pela organização criminosa deverá ser investigado por nós”, afirmou o relator. Para o deputado, não existe tema proibido na CPMI. O presidente da CPMI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), reforçou o relator e afirmou que não só as relações de Cachoeira com a imprensa vão ser investigadas, “mas também as relações do Estado brasileiro com a organização criminosa”.
Policarpo obedecia ao Roberto Civita, afirma Fernando Ferro
“Esse jornalista, com a importância que ele tem, dentro dessa publicação, é claro que ele obedecia ordens superiores”, afirmou o deputado Fernando Ferro (PT-PE), ao falar sobre as ligações de Policarpo Jr com Carlos Cachoeira. Ele insistiu que a revista Veja tem que ser investigada pela CPMI.
Para o deputado, a CPMI deve convocar não só Policarpo, mas também Roberto Civita, o presidente da empresa e responsável pela publicação da revista. “Na minha compreensão ele é o principal responsável, é o dono dessa revista”, afirma o parlamentar na reportagem do Domingo Espetacular, da Record. Fernando Ferro diz que por trás das matérias de Policarpo estavam interesses políticos que eram sustentados pelo proprietário da revista.
Líder do PSDB defende investigação de “fatos criminosos na atuação da imprensa”
O deputado Bruno Araújo, líder do PSDB na Câmara Federal, indagado, respondeu defendendo que haja uma investigação rigorosa sobre a atuação da revista Veja. “Se houver fatos criminosos na atuação da imprensa, ela tem que ser investigada”, afirmou o parlamentar tucano.
Seminário do FNDC defende convocação de donos da “Veja” na CPI do Cachoeira
Participantes do seminário realizado na última sexta-feira (04) pelo Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), defenderam a convocação dos proprietários da revista “Veja” para depor na CPI do Cachoeira que se inicia no Congresso. Para o Fórum o debate sobre um novo marco regulatório para a mídia ocorre num momento favorável.
Falando para um plenário cheio na sede do Sindicato dos Engenheiros de São Paulo, o secretário de Questões de Mídia do PCdoB e presidente do Centro de Estudos da Mídia Barão de Itararé, Altamiro Borges, considerou que “o momento é muito favorável ao debate sobre o papel dos meios de comunicação”. “Pegaram a Veja, o Policarpo”, destacou.
“Se o Rupert Murdoch está sendo processado por escutas ilegais e ter corrompido autoridades na Inglaterra, o que a Veja fez aqui foi pior. Agora é preciso que os parlamentares chamem a Veja para depor”, sublinhou.
O secretário nacional de Comunicação do PT, deputado federal André Vargas, destacou que diante da “promiscuidade, intimidade e conivência com um bicheiro, criminoso e contraventor”, não há escândalo nenhum em chamar a direção da empresa para se explicar. “Escândalo seria não chamar”, asseverou.
Na avaliação de André Vargas, “a mídia é hoje a grande organizadora do discurso da oposição e se estamos lutando pelo direito à verdade no processo histórico e político, nada mais justo que a sociedade saiba como trabalha a fábrica de crises dos meios de comunicação”.
Segundo ele, após tantos e tão reiterados abusos da mídia contra o interesse público, esclareceu, “o Partido dos Trabalhadores vai estar engajado nesta campanha pela democratização dos meios de comunicação”.
Para o blogueiro e jornalista Rodrigo Viana, diante da instalação da CPI do Cachoeira, onde ficaram “explícitas” as relações com a revista Veja, com “manchete feita por bicheiro”, a grande mídia está “constrangida e com medo, pois sabe que sua força é relativa”. “O povo brasileiro sempre venceu quando se conseguiu atrair o centro. Acredito que estamos no tempo certo, com a América Latina avançando na regulação, com a Europa tendo regulação. Agora é a nossa vez”.
Defendendo a necessidade de por um ponto final nos desmandos da mídia, o deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP) enfatizou: “Nós vamos pegar a Veja”.
A coordenadora do FNDC e secretária de Comunicação da CUT, Rosane Bertotti, ressaltou que a abertura de consulta pública sobre a regulação da mídia “potencializa a mobilização da sociedade civil em torno de um projeto comum, que oxigene o setor”
Também esteve presente no evento, a presidenta da Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão, a deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP). Além de representantes da UNE, MST, do Conselho Federal de Psicologia e do Ministério da Justiça. ( HORA DO POVO )

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