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maio 8, 2012

Record chama Carlinhos Cachoeira de editor-chefe da Veja

Em reportagem que foi ao ar na última edição do ‘Domingo Espetacular’ [ ver aqui ], a TV Record afirmou que o contraventor Carlinhos Cachoeira escolhia o espaço e a data em que as denúncias repassadas à Veja seriam publicadas. Durante a matéria que ocupou mais de 15 minutos, a emissora televisiva define o “bicheiro” como “editor-chefe” da revista da Editora Abril, e que comemorava o resultado dos textos produzidos.
Comandada pelo jornalista Afonso Monaco, a reportagem cita o chefe da sucursal da Veja em Brasília e um dos redatores-chefes da publicação, Policarpo Junior. Foi revelado o áudio em que Cachoeira organiza o encontro do funcionário da Abril com um “rapaz” que estava na capital do País. “O Policarpo confia muito em mim, viu?”, afirma Cachoeira em outro trecho do material produzido pela Record.
A matéria da Record também afirma que o contraventor se comportava, em outra gravação, como se fosse diretor da revista. “Sabe de todos os detalhes, afirma que a reportagem não ia ser naquele final de semana, mas duas semanas para frente”, diz Monaco, em off. “Não é esse final de semana, não, tá? Vai ser umas duas semanas aí pra frente”, diz Cachoeira em gravação exibida no ‘Domingo Espetacular’.
“Cachoeira, o editor-chefe”. Ainda ao relatar que o contraventor, que está preso desde fevereiro, exerce certo controle no conteúdo da Veja, a Record mostrou o trecho da gravação em que o empresário de jogos ilegais diz para o ex-diretor da construtora Delta, Cláudio Abreu, mandar Poli/PJ (termos tidos pelo canal como apelidos de Policarpo Junior) a soltar “aquela notinha”. O “bicheiro”, segundo a reportagem da TV, escolhia a seção em que a informação seria veiculada.
Em uma matéria, de acordo com a Record, Cachoeira pede para Abreu falar para a “notinha” ser publicada no blog ‘Radar On-line’, que é editado pelo jornalista Lauro Jardim. O contraventor também diz que se tal informação for na seção ‘Radar’, da edição impressa da Veja, seria melhor. O repórter Gustavo Ribeiro, que para a emissora de TV é “acusado” de tentar invadir o quarto de José Dirceu em um hotel de Brasília, também foi citado pela produção do ‘Domingo Espetacular’.
Até o início da noite desta segunda-feira, 7, a direção da Veja não comentou a reportagem da TV Record que foi veiculada nesse domingo, 6. Desde que foi divulgado que trocou mais de 200 telefonemas com Carlinhos Cachoeira, o jornalista Policarpo Junior não concede entrevistas e nem se pronuncia por meio da publicação em que trabalha. ( COMUNIQUE-SE )

E MAIS!!!!
Jornalista da Veja [ Policarpo Jr. ] favoreceu Cachoeira em depoimento de 2005

Malásia: Grupo de ex-prisioneiros do Iraque acusa soldados norte-americanos de torturas. E Bush, Rumsfeld e Cheney no banco dos réus.

Filed under: WordPress — Tags:, , , , , — Humberto @ 7:07 pm

Um grupo de ex-prisioneiros de guerra denunciou torturas sob custódia das tropas norte-americanas durante a guerra do Iraque, num julgamento simbólico em Kuala Lumpur, revela hoje a imprensa local.
A Comissão de Crimes de Guerra de Kuala Lumpur iniciou segunda-feira o “julgamento” do ex-presidente dos Estados Unidos George Bush, do ex-vice-presidente Dick Cheney e do ex-secretário da Defesa Donald Rumsfeld pelas torturas praticadas pelas tropas norte-americanas no Iraque.
Abbas Abid, uma das testemunhas, denunciou ter sido torturado por soldados dos Estados Unidos na base iraquiana de Al-Muthanna, sul do país, onde foi, explicou, golpeado e alvo de choques elétricos num período em que a sua mulher acabaria por perder dois bebés.
Destak

 

O ataque de O Globo à blogosfera, Por Maurício Caleiro

Em editorial publicado hoje (08/05), O Globo, no afã de defender sua comparsa de denúncias e factoides, a revista Veja, sobe o tom dos ataques da mídia corporativa contra a blogosfera (veja reprodução comentada no blog da Maria Frô).
A peça, que vem com as digitais do “imortal” Merval Pereira, intitula-se “Roberto Civita não é Rupert Murdoch”, e é nosso dever admitir que, ao menos no título, está certa. Com efeito, o megaempresário proprietário do jornal sensacionalista News of the World é acusado tão-somente de grampear meio mundo no Reino Unido, enquanto as acusações que pesam sobre a publicação de Civita são muito mais sérias – pois, como aponta Luis Nassif, “A perceria com Veja tornou Cachoeira o mais poderoso contraventor do Brasil moderno, com influência em todos os setores da vida pública”.
Quem te viu, quem te vê: O Globo, um jornal sempre tão sensível às denúncias de corrupção, agora que a casa cai descarta como insignificante o envolvimento de Veja com o maior contraventor de nossos dias…
Folha corrida
Em post histórico, Nassif, que tem o mérito indiscutível de ter revelado com grande antecedência o grau de perversidade das práticas de Veja – sofrendo retaliações judiciais e ataques a sua família -, elenca nada menos do que nove suspeitas “que necessitam de um inquérito policial para serem apuradas”, advindas das relações da publicação com Daniel Dantas e com Carlos Cachoeira. Há desde invasão de quarto de hotel até publicação de matéria falsa, passando por tentativa de manipulação da Justiça e negligência para informar o público como forma de beneficiar o esquema do bicheiro nos Correios.
Temos portanto, uma vez mais, de concordar com o perspicaz editorialista: “Comparar Civita a Murdoch é tosco exercício de má-fé”.
Tática desqualificadora
O Globo – que ajudou a repercutir quase todas as denúncias de Veja contra o governo federal – abre o editorial cuspindo fogo: “Blogs e veículos de imprensa chapa branca que atuam como linha auxiliar de setores radicais do PT desfecharam uma campanha organizada contra a revista ‘Veja’”.
É a mesma lenga-lenga de sempre, tentar desautorizar a opinião divergente desqualificando-a como ideológica e partidariamente engajada (como se as do jornal não o fossem…). Pior: trata-se de uma dupla mentira. Primeiro, porque qualquer analista que se dedicar a examinar, com isenção, os blogs até agora citados neste post – o de Maria Frô, o de Nassif e este aqui -, além de vários outros, há de constatar a presença de diversos textos críticos em relação ao governo federal (sendo que cansei de ler acusações raivosas, por parte de governistas, a mim e a Frô devido a nossas ponderações).
Jornalismo partidário
A outra mentira é a afirmação de que se trata de uma “campanha organizada”. O que move a maioria absoluta da blogosfera não é uma inexistente palavra de ordem partidária, mas a genuína indignação pelo estado a que chegou o jornalismo brasileiro após uma década de ação irracional, não profissional, esta sim partidarizada (como a própria Judith Brito, executiva do Grupo Folha e sindicalista patronal, admitiu com a insolência característica).
Uma ação, por um lado, descaradamente engajada na defesa do grande capital, do demotucanato e do mercado financeiro (como a reação ante o corte de juros promovido pelo governo federal ilustra de forma inconteste); por outro lado, hidrófoba no trato com tudo o que diga respeito a avanços sociais, democracia racial e o cumprimento, ainda que tímido, do programa das forças de centro-esquerda que venceram, de forma legítima, as eleições.
Inverdades a granel
Esperar que o editorialista de O Globo admitisse tais fatos seria o cúmulo da ingenuidade. Ao invés disso, ele prefere gastar parágrafos numa digressão sobre ética jornalística em que, citando até os “Princípios Editoriais das Organizações Globo” – pausa para a gargalhada – faz uma tremenda ginástica verbal para fingir não apenas que os procedimentos de Veja não pertencem à esfera criminal, mas que são eticamente legítimo. Mais cara de pau impossível.
Por fim, o editorial recorre a mais uma inverdade, ao afirmar que “não houve desmentidos das reportagens de ‘Veja’ que irritaram alas do PT”, emendando com uma das poucas afirmações verdadeiras da peça: “Ao contrário, a maior parte delas resultou em atitudes firmes da presidente Dilma Roussef, que demitiu ministros e funcionários, no que ficou conhecido no início do governo como uma faxina ética.”
Dilma e a mídia
Neste ponto só nos resta lamentar, por um lado, que o editorialista de O Globo trate a seus leitores como idiotas, ao negligenciar-lhes o fato óbvio de que houve um cálculo político – em que pesou o receio de que o bombardeio denuncista midiático pudesse afetar a governabilidade e o grau de aprovação da administração– a motivar a decisão de Dilma na maioria das demissões.
Por outro lado – e provando inverídica, de novo, a acusação de chapa-branquismo – é preciso reafirmar uma vez mais nossa posição contrária à maneira como Dilma Rousseff administrou suas relações com a mídia no primeiro ano de seu governo, cortejando-a e cedendo com relativa tibieza às pressões advindas de suas denúncias e seus factoides, ao invés de reagir de forma condizente e fazer valer o poder do Executivo no sentido de pressionar por um jornalismo ético.
Crise de confiança
A blogosfera política é muito mais ampla e diversificada do que O Globo quer fazer supor – e ele poderia facilmente constatar tal fato se se propusesse a praticar jornalismo de verdade ao invés de se enlamear em tramas fantasiosas, denuncismo tendencioso e associações suspeitas.
O crescimento e o peso crescente da blogosfera e das redes sociais como fatores de contrainformação não pode ser explicado pela fórmula simplista do engajamento partidário. Tal sucesso advém, em larga medida, justamente da descrença no consórcio Abril-Rede Globo-Grupo Folha, descrença esta que tende a se difundir exponencialmente à medida que as reportagens da TV Record sobre a Veja atingirem um público exponencialmente maior.
Um editorial como o de O Globo de hoje só açula o descrédito e a desconfiança em relação ao jornalismo que pratica e que endossa. ( MAURÍCIO CALEIRO )

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