ENCALHE ( Descontinuado em 05.10.2013 )

abril 18, 2012

Veja lamenta que sua associação ao crime seja mal interpretada

Filed under: WordPress — Tags:, , , — Humberto @ 5:29 pm

200 ligações trocadas com Cachoeira
Para a revista, fabricar escândalos contra Lula não é razão para ser investigada pela CPMI
Segundo a revista, sua associação com a quadrilha de Carlinhos Cachoeira está sendo mal interpretada e que “qualquer repórter iniciante sabe que maus cidadãos podem ser portadores de boas informações”, tentando explicar porque Policarpo Jr., membro da cúpula da revista, foi visto várias vezes em reuniões com Cachoeira dentro de suas empresas em Goiás. Além de ter 200 ligações entre o diretor de Veja e o Carlos Cachoeira.
HORA DO POVO
“Veja” se banhou em Cachoeira e não quer ouvir falar de CPMI
Para ela, é jornalístico atuar ao lado e utilizar serviços de mafioso, como Carlos Cachoeira
Após semanas dedicada a assuntos muito atuais – como, por exemplo, a autenticidade do “Santo Sudário” – sem explicar as 200 ligações flagradas pela Polícia Federal entre seu diretor de redação, Policarpo Jr, e o mafioso Carlos Cachoeira, a revista “Veja” decidiu defender, na última edição, a sua associação ao crime organizado.
Segundo ela, “qualquer repórter iniciante sabe que maus cidadãos podem ser portadores de boas informações”. Outro baluarte da ética e da moralidade, Gilberto Dimenstein, da Folha de S. Paulo, aprofundou esse profundo conceito: “muitas vezes – quase sempre – somos obrigados a descer na lama para obter segredos”.
Pode-se imaginar que segredos se obtém com o ouvido cheio de lama. Por que será que esse pessoal não deixa de arrodeio e confessa logo que gosta de uma lama? Ah, sim, é claro, seria honesto demais para quem tem esse gosto suíno.
TELEFONEMAS
Foram 200 telefonemas para a “Veja”. Duzentos. Não foi um nem foram dois. Foram duzentos. Isso nem é mais descer na lama, mas habitar um chiqueiro. Segundo o Cachoeira – e ninguém até agora o desmentiu com fatos – todos os “furos” ( isto é, armações, mentiras e difamações ) da “Veja”, foi a sua quadrilha que proporcionou à revista da família Civita.
Isso, durante mais de oito anos, sem que a “Veja” tenha denunciado o bandido em momento algum. Pelo contrário, acobertou a sua atuação criminosa durante todo esse tempo; promoveu um empregado de Cachoeira ( pois, pelas gravações, ele nunca foi mais do que isso ), o quase ex-senador Demóstenes Torres, a D’Artagnan do Congresso – sim, nada menos do que a D’Artagnan, o quarto e principal dos três mosqueteiros, que a alma do grande Alexandre Dumas apareça na casa do Civita com uma espada na mão; deu publicidade a todas as armações cachoeirísticas, inclusive a mais famosa, a do “mensalão”; deu cobertura aos seus negócios com a americana Gtech, que Lula impediu que tomasse o setor de jogos da Caixa Econômica Federal; em suma, agiu como órgão da quadrilha do empresário Carlinhos Ramos, em sua pororoca de malfeitos.
Não que a “Veja” fizesse parte da quadrilha de Cachoeira, que era bem menos pretensiosa – como o próprio contraventor esclarece ao seu lugar-tenente em uma das gravações, a “Veja” é outra quadrilha. Em suma, tratava-se de um acordo mutuamente vantajoso entre duas quadrilhas – a do jogo e a do golpe.
Tão vantajoso que, como bem disse o presidente da Câmara, deputado Marco Maia, ainda agora resiste a denunciar Cachoeira, Demóstenes e toda a gang.
Um ex-integrante do grupo de Cachoeira – um homem, que, portanto, saiu da lama, ao invés de descer nela -, o ex-prefeito de Anápolis, Ernani de Paula, descreveu, em entrevista à TV, como Cachoeira e Demóstenes foram os responsáveis pelas gravações contra o governo Lula, que, “reveladas” por Policarpo e “Veja”, redundaram na farsa do “mensalão”.
Lula nada tinha a ver com o assunto – mas foi para uma tentativa de golpe contra o presidente eleito que essas confecções cachoeirenses foram usadas pela “Veja”.
A gangue de Cachoeira foi responsável pelo vídeo em que Maurício Marinho aparecia recebendo uma propina de R$ 3 mil dentro dos Correios. A matéria, não por coincidência, foi assinada por Policarpo Júnior – e foi a origem da mais torpe tentativa de golpe desde à ditadura.
Segundo Ernani, era uma vingança contra José Dirceu, que barrou a nomeação de Demóstenes para um cargo no Ministério da Justiça. “Foi o próprio Cachoeira que me contou que fez essas fitas”, disse o ex-prefeito. “Foi uma represália. Porque eles estavam muito contentes com a desenvoltura do Demóstenes, que iria pegar um cargo no Ministério da Justiça”. O resto, a “Veja” fez.
Agora, surge também que a gravação do Hotel Nahoum – que virou capa da “Veja”, com o título “o poderoso chefão José Dirceu” – fora feita também a mando de Cachoeira. A gravação nada tem de mais, é apenas uma filmagem de correligionários do PT que foram conversar com Dirceu no hotel – mas desde quando a “Veja” precisou de fatos? Bastavam as gravações do Cachoeira.
Policarpo Jr., membro da cúpula da “Veja”, foi visto várias vezes, inclusive pelo ex-prefeito de Anápolis, em reuniões com Cachoeira dentro de suas empresas em Goiás. Nas gravações da PF, a intimidade dos criminosos era tanta que Cachoeira teve que alertar um de seus capangas, Jairo Martins: “Você não trabalha para o Policarpo. Trabalha para mim, pô”. “Eu conheço o Policarpo, você conhece também. O Policarpo é o seguinte, ele pensa que todo mundo é malandro. E o seguinte, ele pensa que você e o Dadá trabalham pra ele, rapaz. Você sabe disso. Eu já cansei de falar isso pro Policarpo: ‘Policarpo, põe um negócio na sua cabeça, o Jairo e o Dadá não trabalham pra você. A gente trabalha no grupo. Então se tiver algum problema, você tem que falar comigo’. Já discuti com ele, você sabe disso, já presenciou eu falando com ele”, diz Cachoeira.
A intimidade entre quadrilhas tem desses problemas, sobretudo quando aparece um elemento folgado, tão folgado e tão íntimo que queria mandar na quadrilha alheia.
Ninguém precisa chafurdar na lama para ter fontes – exceto se não são informações, mas lama, o que pretende obter. E foi o que a “Veja” obteve de Cachoeira, com o gáudio e estímulo, até hoje, do sr. Bob Civita.
CORTINA
Agora, a revista de escândalos expõe a perspicaz tese ( desculpem, acadêmicos, mas é que se não fosse essa palavra ia sair um palavrão ) de que a exposição de seus vínculos com Cachoeira, fartamente documentados pela Polícia Federal, é uma “cortina de fumaça” para impedir que tenham efeito as suas difamações em associação com Cachoeira.
Em resumo, cortina de fumaça é a exposição da verdade sobre a sua podridão. E esses elementos nem percebem que acabaram de confessar o crime: que querem lançar uma cortina de fumaça sobre os seus próprios delitos, abertamente querendo impedir uma CPI – segundo a “Veja”, uma CPI que investiga e mostra a verdade é um instrumento anti-democrático. Como é que pode todo o Brasil saber dessas coisas, e às claras, sem ninguém precisar chafurdar na lama ( Deus nos livre e guarde )? Assim, não tem golpismo que dê certo.
Mas não tem fumaça que resolva esse problema. Cedo ou tarde, o longo braço da lei e da Justiça cai pesado sobre o crime e os criminosos. O crime não compensa.
SÉRGIO CRUZ

Marco Maia: “Veja defende uso de meios espúrios para alcançar seus objetivos”
Leia a seguir a íntegra da nota (“Por que a Veja é contra a CPMI do Cachoeira?”) do presidente da Câmara, deputado federal Marco Maia (PT-RS), em resposta à matéria da revista desta semana.
“Tendo em vista a publicação, na edição desta semana, de mais uma matéria opinativa por parte da revista Veja do Grupo Abril, desferindo um novo ataque desrespeitoso e grosseiro contra minha pessoa, sinto-me no dever de prestar os esclarecimentos a seguir em respeito aos cidadãos brasileiros, em especial aos leitores da referida revista e aos meus eleitores:
– a decisão de instalação de uma CPMI, reunindo Senado e Câmara Federal, resultou do entendimento quase unânime por parte do conjunto de partidos políticos com representação no Congresso Nacional sobre a necessidade de investigar as denúncias que se tornaram públicas, envolvendo as relações entre o contraventor conhecido como Carlinhos Cachoeira com integrantes dos setores público e privado, entre eles a imprensa;
– não é verdadeira, portanto, a tese que a referida matéria tenta construir (de forma arrogante e totalitária) de que esta CPMI seja um ato que vise tão somente confundir a opinião pública no momento em que o judiciário prepara-se para julgar as responsabilidades de diversos políticos citados no processo conhecido como “Mensalão”;
– também não é verdadeira a tese, que a revista Veja tenta construir (também de forma totalitária), de que esta CPMI tem como um dos objetivos realizar uma caça a jornalistas que tenham realizado denúncias contra este ou aquele partido ou pessoa. Mas posso assegurar que haverá, sim, investigações sobre as graves denúncias de que o contraventor Carlinhos Cachoeira abastecia jornalistas e veículos de imprensa com informações obtidas a partir de um esquema clandestino de arapongagem;
– vale lembrar que, há pouco tempo, um importante jornal inglês foi obrigado a fechar as portas por denúncias menos graves do que estas. Isto sem falar na defesa que a matéria da Veja faz da cartilha fascista de que os fins justificam os meios ao defender o uso de meios espúrios para alcançar seus objetivos;
– afinal, por que a revista Veja é tão crítica em relação à instalação desta CPMI? Por que a Veja ataca esta CPMI? Por que a Veja, há duas semanas, não publicou uma linha sequer sobre as denúncias que envolviam até então somente o senador Demóstenes Torres, quando todos (destaco “todos”) os demais veículos da imprensa buscavam desvendar as denúncias? Por que não investigar possíveis desvios de conduta da imprensa? Vai mal a Veja!;
– o que mais surpreende é o fato de que, em nenhum momento nas minhas declarações durante a última semana, falei especificamente sobre a revista, apontei envolvidos, ou mesmo emiti juízo de valor sobre o que é certo ou errado no comportamento da imprensa ou de qualquer envolvido no esquema. Ao contrário, apenas afirmei a necessidade de investigar tudo o que diz respeito às relações criminosas apontadas pelas Operações Monte Carlo e Vegas;
– não é a primeira vez que a revista Veja realiza matérias, aparentemente jornalísticas, mas com cunho opinativo, exagerando nos adjetivos a mim, sem sequer, como manda qualquer manual de jornalismo, ouvir as partes, o que não aconteceu em relação à minha pessoa (confesso que não entendo o porquê), demonstrando o emprego de métodos pouco jornalísticos, o que não colabora com a consolidação da democracia que tanto depende do uso responsável da liberdade de imprensa”.

Anúncios

Deixe um comentário »

Nenhum comentário ainda.

RSS feed for comments on this post. TrackBack URI

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Crie um website ou blog gratuito no WordPress.com.

%d blogueiros gostam disto: