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fevereiro 1, 2012

Presidente da Infraero avisa que a estatal não vai incomodar e o aeroporto privado fará o que quiser

Filed under: WordPress — Tags:, , , , — Humberto @ 5:12 pm

Dos 66 aeroportos administrados pela Infraero, apenas sete são rentáveis e são exatamente esses – os de Guarulhos (Cumbica), Campinas (Viracopos) e Brasília (Juscelino Kubischek) – que o governo pretende privatizar na próxima segunda-feira (6). O filé mignon vai ser leiloado enquanto os terminais deficitários terão que ser assumidos pelo Estado.
O aeroporto de Cumbica, por exemplo, tem um resultado líquido de R$ 190 milhões por ano. Atualmente os recursos obtidos pela Infraero nos grandes aeroportos são usados nos aeroportos deficitários. Esses três aeroportos movimentam 30% dos passageiros, 57% das cargas e 19% das aeronaves do sistema brasileiro. Com a decisão de colocar o BNDES para regar os consórcios com polpudos recursos públicos (até 90% dos investimentos) e com a determinação de que eles tenham obrigatoriamente a presença de empresas estrangeiras na sociedade, as operadoras multinacionais, em dificuldades em seus países de origem, estão soltando foguetes.
Isso sem falar que a Infraero será também obrigada a entrar na sociedade de propósito específico (SPE) que administrará o aeroporto privatizado como sócia minoritária (49%), ou seja, a estatal terá que entrar com recursos para sustentar os negócios, mas sem nenhum poder de decisão, como admitiu o presidente da Infraero, Gustavo do Vale, na segunda-feira (31), ao jornal Valor Econômico: “Nós vamos participar do conselho de administração, como faz todo sócio que tem 49% de participação acionária, mas sem interferir em nenhum momento na operação do aeroporto”. “O poder de veto é aquele que existe na Lei 6.404 (Lei das SA). A Infraero terá 49%. E nada impede que o consórcio vencedor faça o que quiser com os 51% dele”, insisitu ele, para negar que a Infraero vá ter poder de veto nos negócios privados nos aeroportos. Uma tentativa de tornar atraente o negócio dos aeroportos para os compradores, principalmente os estrangeiros.
Com muita pressa e insistindo na intenção de desnacionalizar os aeroportos mais rentáveis do país, sequer um pedido para adiar o leilão de privatização e permitir a participação do maior número de concorrentes foi aceito pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). O pedido foi feito pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic). O leilão está previsto para ocorrer na sede da Bolsa de Valores de São Paulo.
Os trabalhadores do setor também vêm protestando intensamente contra a volta das privatizações, que eram a marca registrada da política tucana, e que haviam sido interrompidas no governo Lula. Em carta divulgada na semana passada, o Comitê Contra a Privatização dos aeroportos foi incisivo ao denunciar que a concessão de Viracopos, Guarulhos e Brasília, considerando que “será um verdadeiro desastre econômico para a nação”, servindo apenas para atender à “cobiça internacional” sobre nossas riquezas e à “entrega do patrimônio nacional nas mãos do capital estrangeiro”. “Estamos não apenas na iminência de uma privatização, mas também da desnacionalização da riqueza do país”.
O resultado dessas benesses todas anunciadas pelo governo é que já são mais de dez as multinacionais interessadas na privatização. A norte-americana ADC & HAS e a espanhola OHL são algumas das multinacionais que se associaram a empresas brasileiras para candidatar-se ao butim. Há também outros grupos da França, Alemanha, Suíça e Portugal de olho nos aeroportos brasileiros.
Essa privatização vai ter como consequência também um aumento importante das passagens aéreas. É o que informam os funcionários da Infraero: “novas [tarifas] que serão criadas, por exemplo, taxa de conexão”. “Hoje com todos os aeroportos da rede Infraero o passageiro paga uma taxa de embarque e se fizer 10 conexões para chegar ao destino não paga nenhuma outra taxa aeroportuária, com a privatização, cada aeroporto ficará para uma concessionária. Cada conexão em aeroporto de administrador diferente o passageiro pagará a taxa de conexão, que será a taxa de embarque para o administrador local”, denunciam. As companhias aéreas já avisaram que toda taxa nova que vier a existir em decorrência da concessão irão repassar no preço final ao passageiro. Portanto vai ser criado mais um pedágio, o “pedágio aéreo”. ( HORA DO POVO )

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